Por Rodney Brocanelli
O jornalista Julio Maria é autor de um dos maiores golaços de toda a cobertura envolvendo o fim da Rádio Eldorado FM, cobertura essa que não se limita apenas aos sites sobre rádio. Até mesmo a Folha de S. Paulo voltou a falar em suas páginas impressas e digitais sobre rádio, mídia que o jornal da Barão de Limeira não faz muita questão de acompanhar.
Maria conseguiu conversar com João Lara Mesquita, responsável por tornar competitiva a Rádio Eldorado tanto no AM como no FM a partir de 1982, quando assumiu o comando das emissoras. A entrevista serve não apenas para conhecer a trajetória da emissora. Ela serviu também para expor o racha no clã Mesquita, com a visão de alguém de dentro. As informações disponíveis até então foram revelada pelo jornalista Sandro Vaia na revista Piauí em 2007 (leia aqui). A entrevista de João Lara e o artigo de Vaia se complementam.
A entrevista tem o mérito de fazer com que João Lara abrisse suas memórias. Com isso, foi possível tomar conhecimento da luta que foi para melhorar o alcance do AM. Uma pena que o “jovem engenheiro” citado por João Lara não foi nomeado. O papo traz momentos surpreendentes quando é revelado que pelo menos dois jornalistas ganhavam sem trabalhar na emissora. Um deles disse que nem sabia fazer rádio. Impossível não dar risada em outros trechos. Um deles é o relato de como era produzido o jornal que ia ao ar às 13h. Os textos simplesmente viajavam de carro da Marginal Tietê até o centro da cidade, onde ficavam os estúdios. Tudo porque quando construíram a sede atual da empresa não se lembraram da rádio.
Outros aspectos poderiam ser mais explorados como é o caso da Voz do Brasil. A Eldorado liderou uma campanha pelo fim da obrigatoriedade do tradicional programa nos anos 1990. Muitas emissoras embarcaram nessa, menos a Jovem Pan. Em 2018, o Congresso Nacional aprovou uma lei permitindo que as emissoras tenham mais flexibilidade na sua veiculação. Faltou saber de João Lara se isso foi uma vitória, ainda que pequena nessa guerra que gerou algum barulho na ocasião.
Em outro, trecho João Lara conta que tinha aparelhos de rádio em várias dependências de sua casa para acompanhar a emissora: quarto, banheiro, salas, escritório e cozinha. Tudo para identificar possíveis problemas. Faltou explorar as providências tomadas quando eles eram identificados. Marco Antônio Abreu, o hoje Titio Marco Antônio, hoje um dos astros da Kiss FM, tem ao menos uma história para contar nesse sentido.
João Lara diz que não fazia o que as outras emissoras faziam, incluindo o futebol. Mas a emissora teve um “namoro” com o esporte bretão que consagrou Pelé quando, no começo da década de 1990, decidiu transmitir algumas partidas. O estilo da narração não era o das outras emissora, assemelhava-se com o da televisão. Nivaldo Prieto foi o narrador, Mario Marinho o comentarista e Ari Pereira Jr era o repórter. Essa fase não durou muito tempo.
As declarações de João Lara só confirmam aquilo que está se falando sobre o fim da Eldorado. Ele não se dá por um desgaste do veículo, mas devido os próprios problemas do Grupo Estado. Mesmo fora do dia-a-dia da rádio que ajudou a fazer crescer, ele se mostra bem informado sobre o que acontece no meio rádio. Ele usou dados para falar da robustez do veículo. Além disso, ainda mantém relações com outros donos de rádio.
No final da conversa, o empresário falou sobre sua saúde. Aos 70 anos, ele se recupera de um tratamento de câncer que é desconhecido no Brasil. O tratamento deixou algumas sequelas, como a falta de cartilagem e prejuízos na parte óssea. Ele deverá fazer uma cirurgia que deverá deixá-lo fora do ar nos próximos três meses.
Leia abaixo a íntegra da entrevista
‘Fim da Eldorado não é nenhuma surpresa’, diz João Lara Mesquita













