Relembre as onze finais de Copa do Mundo narradas por José Silvério

Por Rodney Brocanelli

Um dos gigantes da narração esportiva, José Silvério tem uma marca histórica em sua carreira: ele conseguiu narrar onze finais de Copa do Mundo nos estádios e por duas emissoras diferentes. Vamos relembrar então cada uma delas, com direito a histórias de bastidores e os registros dos gols (e pelo menos uma disputa dos tiros livres da marca do pênalti) narrados por ele de 1978 a 2018, seu último mundial, pela Bandeirantes. O narrador deixou a emissora do Morumbi em 2020. Teve uma brevíssima passagem pela Rádio Capital entre os meses de junho e setembro de 2021. Hoje, curte sua aposentadoria. Texto publicado em 2002 (veja aqui) e devidamente atualizado.

1978/Argentina – Foi a primeira Copa de Silvério pela Rádio Jovem Pan, na Argentina. Em outubro de 1977, ele substituiu Osmar Santos, que havia se transferido pela Rádio Globo. Seu prestígio na emissora era tamanho, que ele foi escalado pelo Seu Tuta para fazer a decisão do terceiro lugar, envolvendo Brasil x Itália e a grande final, entre os donos da casa e a Holanda. O que ninguém imaginava é que uma úlcera fosse atrapalhar a transmissão. “Eu narrei a final sangrando, literalmente”, disse ele em uma entrevista ao programa Sofá Bandeirantes. Por muitos anos, o registro desta final foi uma “lost midia”, termo que é muito usado para a memória de televisão, mas que pode ser aplicado ao rádio. Em 2024, ele foi divulgado pelo jornalista .Thiago Uberreich ( a quem agradecemos pela cessão deste áudio).

1982/Espanha – Era uma final em que o Brasil deveria estar. Pelo menos essa era a expectativa de quase 120 milhões de brasileiros e outros milhares de admiradores do futebol espalhados pelo planeta. A seleção comandada por Telê Santana, apesar de alguns defeitos, encantou a muitos. Só não estava no script a eliminação na partida contra Itália. Bastava apenas um empate, mas o talento de Paolo Rossi e a disciplina tática dos outros jogadores da Azzurra acabaram com o sonho brasileiro. Depois de eliminar a Polônia na semifinal, os italianos se classificaram para a grande final com a Alemanha. Silvério esteve lá pela Jovem Pan e sem incidentes desta vez. Placar final: 3 a 1 Itália. Ouça abaixo.

1986/México – Telê Santana novamente comandou a seleção brasileira, com remanescentes da Copa anterior e uma nova geração que surgiu neste período de quatro anos. O começo da campanha não empolgou muito, mas o Brasil avançou para a fase de mata-mata, que voltou a ser implantada após uma pausa em 1974. Nas quartas-de-final, a seleção brasileira foi eliminada nos pênaltis pela seleção francesa. Enquanto isso, um personagem emergia: Maradona. Com gol de mão, gol de placa e uma técnica acima da média, ele colocou a Argentina na final. Por outro lado, a Alemanha também chegou para a disputa do título, repetindo 1982. Placar final: Argentina 3 a 2. Ouça abaixo.

1990/Itália – A Copa marcada pelo início da Era Dunga. Sob o comando de Sebastião Lazzaroni, a seleção brasileira apresentou um futebol que não despertou suspiros. Para piorar, houve problemas com dinheiro de patrocinador, o que fez com que os jogadores convocados não contassem com muita simpatia, sendo considerados mercenários. Mais uma vez quem brilhou foi Maradona. Na partida eliminatória da Argentina contra o Brasil, mesmo cercado por três jogadores, o camisa 10 argentino conseguiu dar um passe para Caniggia fazer o gol da classificação. Os argentinos ainda desclassificaram os donos da casa e chegaram à final. Do outro lado, adivinhem, a Alemanha. Depois de dois revezes, havia chegado a hora dos alemães ficarem com o título. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

1994/EUA – Temos aqui a sequência da Era Dunga, com remanescentes da copa anterior. Apesar da desconfiança que surgiu no período das eliminatórias, a seleção brasileira foi crescendo na hora certa (e vale o clichê aqui). Carlos Alberto Parreira talvez tenha feito o seu melhor trabalho como técnico. Romário foi um dos destaques. Outro foi justamente Dunga, execrado após o fracasso na Itália. E por falar no país da Bota (sdds. Silvio Lancellotti), a seleção brasileira enfrentou a seleção italiana na grande final. Uma repetição da decisão de 1970. Silvério estava lá. Pena que o jogo em si não tenha sido a altura de tanta tradição e de tanta coisa envolvida. Mesmo assim, não deixou de ser um marco histórico para o narrador. Ouça abaixo a decisão por tiros livres da marca do pênalti,

1998/França – O período de antecedeu esta Copa foi marcado pela ascensão de Ronaldo. Jogando no futebol europeu, ele se transformou em fenômeno com seus gols impressionantes. Isso fez com que ele se transformasse em uma referência para a seleção brasileira. O time treinado por Zagallo tinha atletas das duas campanhas anteriores e jogadores que já mereciam estar no elenco de 1994. A campanha em si teve altos e baixos, com uma derrota para a Noruega na fase de grupos. Parecia que faltava alguma coisa na seleção brasileira. Mas isso não impediu a chegada em sua segunda final seguida. O adversário era a dona da casa, que tinha uma seleção bem montada. Além da derrota do Brasil para a França, ficou marcado todo o bastidor envolvendo Ronaldo, que passara mal horas antes da final. Até hoje ninguém tem uma explicação definitiva para o que aconteceu. Zidane, que não teve nada a ver com isso, fez dois gols de cabeça. Placar final: 3 a 0. Ouça abaixo.

2002 Coreia-Japão – Mais uma vez a seleção brasileira vive quatro anos de trancos e barrancos. Wanderley Luxemburgo, que começou o ciclo, não permaneceu e foi sucedido por mais dois profissionais (Candinho por um jogo só e Émerson Leão) até a chegada de Luiz Felipe Scolari. Enquanto isso, Ronaldo enfrentava seus problemas. Uma lesão patelar deixou em dúvida até mesmo a sua continuidade no futebol. No entanto, ele se recuperou a tempo e as coisas deram certo na hora certa. De contestado, ele passou à heroi. O Brasil cresceu na competição (olha aí o clichê de novo) e chegou à final sem ser derrotado ou empatar alguma partida. O oponente seria a Alemanha. José Silvério acabara de passar por uma mudança radical em sua carreira. Aproximadamente dois anos antes, ele trocou a Jovem Pan pela concorrente Rádio Bandeirantes. Mal sabia ele que havia feito uma boa escolha. A Pan decidiu não transmitir aquele mundial e fazer uma cobertura alternativa. Silvério esteve presente em todos os jogos do Brasil e pode enfileirar uma série de narrações inesquecíveis diretmanete dos estádios. Placar final: 2 a 0. Ouça abaixo.

2006 – Alemanha – Essa aqui foi a Copa do oba oba para a seleção brasileira. Muitos craques, mas pouquíssimo foco, em especial no período de treinamento. Havia uma nova geração pedindo passagem, mas o que fazer com os craques que vinham dando tão certo nos anos anteriores? Carlos Alberto Parreira não conseguiu solucionar essa questão e o Brasil caiu ainda nas oitavas para a França em uma noite inspiradíssima de Zidane. Silvério fez a sua segunda Copa pela Bandeirantes e ele começava a viver um drama pessoal, com a doença de sua primeira esposa, Sebastiana de Andrade. No ano anterior, o Grupo Bandeirantes colocava no ar a Band News FM, emissora com 24 horas de notícias. A caçula entrou em rede com a Bandeirantes e com isso, as irradiações de Silvério foram mais longe, com outras emissoras que compunham a rede. Itália e França disputaram a grande final, que passou à história não pelo título (mais um) da Azzurra, mas pela cabeçada de Zidane em Materazzi.

2010 – África do Sul – Depois da bagunça, a quase ditadura. A CBF resolveu inovar e alçou ao comando da seleção brasileira o ex-jogador Dunga. A ideia até que era interessante, mas o temperamento do agora treinador não ajudou em nada. Apesar dos títulos na Copa América e da Copa das Confederações, a campanha no Mundial não mostrou qualquer brilho. Para piorar, a indisposição de Dunga com parte da imprensa serviu para que ele angariasse ainda mais antipatia. O Brasil caiu nas quartas com a derrota para a Holanda, que chegaria a final 32 anos após ser batida pela Argentina, em 1978. Do outro lado estava a sensação Espanha. Os espanhóis venceram na prorrogação. Mais uma vez a parceria com a Band News foi repetida. Aquela foi uma Copa fria, não pelos jogos em si, mas pelo fato de seu período de competição coincidir com uma fase de baixíssimas temperaturas naquele país. Isso não afetou Silvério que esteve presente na decisão. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2014/Brasil – Sediar uma Copa do Mundo quase virou um pesadelo para o país do futebol. Um ano antes, às vésperas da Copa das Confederações, protestos começaram a pipocar por diversas partes. A Fifa ficou preocupada por muito pouco o torneio não aconteceu em outro lugar. A seleção brasileira chegou a esta competição sob comando duplo: Luiz Felipe Scolari como treinador e Carlos Alberto Parreira como coordenador. Eles chegaram para substituir Mano Menezes, que fizera um trabalho irregular. À medida em que os jogos aconteciam, a tensão aumentava entre os jogadores brasileiros. Não por fatores externos, mas porque, conforme o jornalista Paulo Vinícius Coelho, ninguém queria cometer erros que pudessem tirar a seleção dos trilhos. Isso ficou mais visível na partida contra o Chile, na qual a classificação só veio na disputa dos tiros livres. Para piorar as coisas, uma grave contusão afastou Neymar na parida das oitavas contra a Colômbia. Não foi uma Copa fácil para Silvério. Durante a transmissão da partida contra Colômbia, ele ficou sem voz e teve de dar lugar a Ulisses Costa. E depois, já recuperado, ele irradiou a derrota para a Alemanha na semifinal pelo placar de 7 a 1, talvez o maior desastre brasileiro na história das Copas. Na outra perna, a Argentina, de Messi, foi tirando de cena os oponentes para chegar à grande final no Maracanã. Quem brilhou foi um jovem atleta, Mario Götze, que fez o gol solitário daquela partida. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2018/Rússia – Mais uma mudança no comando técnico. Dunga era trazido de volta pela CBF. Se em 2010 era uma inovação, o ato foi conservador, desta vez. Mas infelizmente, a jogada não deu certo. O futebol apresentado era paupérrimo, especialmente nas eliminatórias, apesar da continuidade do protagonismo de Neymar. Houve uma mudança de rumo e Tite veio para ajustar as coisas. Se o Brasil deu esperança aos torcedores durante o período pré-Copa, na competição em si novamente o futebol, mais uma vez, não empolgou. Alguns jogadores renderem aquém do esperado. Neymar ficou marcado por suas simulações espalhafatosas, que foram ridicularizadas nas redes sociais. Enquanto Brasil ficava pelo caminho, a França, de Mbappé, e a Croácia, de Modric, chegavam à decisão. Era a décima-primeira Copa de José Silvério, um recorde pessoal. Diferente das outras, a partida final foi empolgante, com seis gols. Os frances conquistaram seu segundo título. Pouco depois do apito final, emocionado, ele disse “cumpri”. Antes de passar o comando da jornada para Milton Neves, ele complementou: “são onze Copas do Mundo transmitidas na final do estádio. Um marco. Obrigado, você ajudou muito. Tchau”. Placar final: 4 a 2. Ouça abaixo.

Bia Ambrogi apresenta novo programa de rádio “Elas no Som”

Em um momento em que a inteligência artificial generativa transforma a forma como a música é criada, produzida e distribuída, e em que milhares de novas obras, muitas delas sintetizadas por algoritmos, chegam ao mercado todos os dias, nasce o “Elas no Som” para valorizar aquilo que nenhuma tecnologia é capaz de reproduzir: a trajetória humana por trás da criação. Mais do que conhecer uma música, o programa quer conhecer a autora, sua história, seu processo criativo e tudo aquilo que deu origem à obra, porque, quando se conhece quem cria, a música ganha novos significados e a conexão com ela se torna mais profunda.

Idealizado e apresentado por Bia Ambrogi, presidente da Apro+Som (Associação Brasileira das Produtoras de Som), o “Elas no Som” estreou como um dos primeiros programas da grade da MyNews VIP FM 90,9, nova emissora que une jornalismo independente, streaming e rádio em uma só plataforma. A rádio nasce da fusão entre o canal MyNews, fundado pela jornalista Mara Luquet, e a Rádio VIP. Com o programa, Ambrogi propõe um olhar sobre as múltiplas trajetórias das mulheres que movimentam o mercado da música e do áudio.

Mais do que entrevistas com artistas, o programa também abre espaço para compreender como mulheres constroem suas carreiras na música, conciliando múltiplos papéis, enfrentando barreiras históricas e reinventando caminhos para conquistar seu lugar na economia criativa. A proposta é reunir vozes que vão da composição à produção musical, passando por produtoras executivas, mixadoras, engenheiras de áudio, técnicas, empreendedoras e gestoras do setor.

A estreia contou com a participação da cantora, compositora e produtora Fernanda Porto, inaugurando uma série de conversas que pretendem conectar experiências individuais a debates estruturais sobre o mercado e o futuro da criação.

“O protagonismo feminino na música vai muito além do palco. Queremos discutir carreira, processos criativos e os desafios de quem constrói essa indústria todos os dias. É um espaço para mostrar que existem mulheres ocupando diferentes posições e para inspirar outras profissionais a enxergarem que esse mercado também pertence a elas”, afirma Bia Ambrogi.

A iniciativa também reforça uma agenda que a Apro+Som vem desenvolvendo nos últimos anos. A associação atua na articulação do Projeto de Lei 1776/2025, o “Pague em 15”, que busca reduzir os prazos de pagamento para contratos do setor criativo, e acompanha de perto a tramitação do PL 2338/2023, que trata da regulação da inteligência artificial no país, pauta que reúne mais de 50 entidades das áreas criativa e audiovisual em torno da defesa de um marco regulatório que proteja direitos autorais. Paralelamente, a Apro+Som tem ampliado discussões sobre diversidade, representatividade e valorização das profissionais do setor, promovendo ações que incentivam uma indústria mais plural e sustentável.

O “Elas no Som” surge como uma extensão desse trabalho: um espaço contínuo para dar visibilidade às mulheres que ajudam a construir a música e o audiovisual brasileiros. Com novos episódios, o programa seguirá recebendo convidadas de diferentes áreas da cadeia do áudio, fortalecendo o diálogo entre gerações e experiências e contribuindo para ampliar o reconhecimento do protagonismo feminino em um segmento que ainda é majoritariamente masculino.

Rádio MEC apresenta gravação inédita de Hermeto Pascoal com o Papa João Paulo II

Rádio MEC revela uma gravação inédita de Hermeto Pascoal com o Papa João Paulo II no último episódio da série “Hermeto Pascoal e a música universal“, atração transmitida pela emissora pública nesta sexta (17), às 23h, que resgata passagens marcantes da vida e da obra do saudoso artista. 

O programa leva ao ar a faixa “Santos Mistérios” gravada para o álbum “Festa dos Deuses” (1992), mas não lançada pela gravadora na época porque a autorização saiu apenas depois que o disco estava pronto. A música utiliza a voz do Pontífice como melodia. 

A produção é baseada em uma entrevista que o Bruxo concedeu à emissora pública, no estúdio da Rádio MEC, no Rio de Janeiro, em 2016. A última edição dessa série sobre Hermeto Pascoal reúne, ainda, a canção citada e um depoimento do produtor do álbum, Jovino Santos Neto, sobre o ocorrido.

Sobre a série 

Apresentada originalmente em 2016, a série “Hermeto Pascoal e a música universal” foi adaptada em 2026, ano em que Hermeto completaria nove décadas. Ao todo, agora, o programa tem seis edições, incluindo uma inédita. 

Em 2021, o especial já tinha ganho mais um episódio com registros de trabalhos realizados de 2016 em diante. Os projetos desenvolvidos por Hermeto Pascoal de lá pra cá entram neste novo capítulo com os caminhos e registros de sua obra eterna, além da celebração de sua música. 

O programa contempla entrevistas com a flautista Aline Gonçalves, o pianista Diogo Monzo, o compositor e harmonicista Gabriel Grossi, o pianista, compositor e produtor Jovino Santos Neto e o diretor artístico e produtor Tiago Gomes. Ainda traz os mais recentes álbuns lançados por Hermeto Pascoal.

O conteúdo aborda a trajetória artística do músico, sua discografia e o conceito de música universal. Consagrado no país e no exterior, Hermeto Pascoal faleceu em setembro de 2025, aos 89 anos, devido à falência múltipla dos órgãos. 

O especial reúne uma entrevista realizada com o homenageado nos estúdios da Rádio MEC, registros de acervo e entrevistas exclusivas produzidas para a série. Entre os participantes estão instrumentistas ligados à história do artista e admiradores de sua obra. 

Além de Hermeto Pascoal, a produção traz depoimentos de nomes como Carlos Malta, Guinga, Jane Duboc e Itiberê Zwarg, que ajudam a contextualizar a importância do célebre compositor, arranjador e multi-instrumentista para a música brasileira e inspirou diferentes gerações.

Hermeto Pascoal desenvolvia uma maneira instintiva de propor saídas criativas para suas composições. Ele trabalhava a linguagem musical com naturalidade e pureza, extraindo melodias únicas. Apesar dos sucessos lançados no exterior, com temas nos mais diferentes estilos, o astro sempre manteve suas raízes brasileiras. 

Na Rádio MEC, o artista compartilhou seu talento em diversas ocasiões com várias entrevistas e a gravação de dois discos pelo Selo Rádio MEC: “Eu e Eles” (1999) e “Mundo Verde Esperança” (2003). Os projetos estão disponíveis no YouTube da emissora pública.

Serviço

Hermeto Pascoal e a música universal – sexta-feira, dia 17/7, às 23h, na Rádio MEC.

Foto: Divulgação

Podcast resgata a história oculta da Rádio Relógio, uma rádio sem música que hipnotizou o Brasil

O selo CrysNews anuncia o lançamento de seu mais novo podcast documental, Resgate Radiofônico: A História da Rádio Relógio. Roteirizada, apresentada e produzida pelo jornalista Crystopher Leforte, a série em formato de áudio-documentário investiga um dos maiores e mais intrigantes fenômenos de comunicação de massa do Brasil: uma emissora que alcançou 76% dos lares cariocas sem tocar uma única música.

Muito antes da internet e do fluxo contínuo de informação das redes sociais, a Rádio Relógio Federal ditou o ritmo de vida de milhões de cidadãos. Funcionando 24 horas por dia, a estação mantinha o ouvinte preso ao dial com um tique-taque constante, interrompido apenas por notícias rápidas, prestação de serviços, curiosidades culturais e a hora exata a cada minuto.

“César Ladeira entendeu a pressa da sociedade moderna por meio do rádio décadas antes do algoritmo”, afirma Crystopher Leforte.”Mas o projeto vai além da nostalgia. Investiguei como uma ideia considerada maluca se tornou um canhão de audiência e faturamento, influenciou a literatura de Clarice Lispector e, mais tarde, virou moeda de troca política”.

Dividida em quatro episódios profundos e instigantes, a produção destrincha os bastidores da emissora idealizada por César Ladeira, revelando conexões internacionais surpreendentes. A narrativa viaja desde a inspiração em estúdios escaldantes de Cuba — onde locutores trabalhavam de cueca devido ao calor — até a trajetória de um músico de jazz falido no México que ajudou a moldar o formato.

A série documental avança sobre o declínio do veículo, expondo as manobras políticas promovidas durante a ditadura militar e o processo de apagamento histórico que culminou no ano 2000, quando o império religioso de R.R Soares calou o despertador oficial dos brasileiros.

“Resgate Radiofônico: A História da Rádio Relógio” é um convite para quem busca entender como o poder opera o silenciamento da memória cultural do país. O podcast já está disponível com exclusividade no Spotify e no YouTube.

Este é o quinto projeto de podcast documental do selo CrysNews: De Olho na Informação. Ao longo de seu primeiro ano no ar, o selo reuniu em seu portfólio as seguintes produções: “Breaking News: O racismo nos bastidores da CNN Brasil“; “Aulas de Preconceito: Os casos da Etec Dona Escolástica Rosa“; “Arquivo Inconclusivo: Erlan Bastos vs. PC Siqueira” e “Estado de Coisas Inconstitucional“.

A programação da MyNews Vip FM já está na Internet

Por Rodney Brocanelli

Já é possível ouvir a programação integral da MyNews Vip FM na Internet.

O link é https://mynewsvipfm.com.br/

Os fãs da programação musical poderão acessar o site antigo.

O link é https://vipfm.com.br/

Rádio Nacional estreia programa Bem-Viver Amazônia neste sábado (11)

Rádio Nacional da Amazônia, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), estreia neste sábado (11) o programa Bem-Viver Amazônia. A atração é a primeira produção do rádio brasileiro voltada exclusivamente à saúde da população da região amazônica e vai ao ar semanalmente, às 9h, no horário de Brasília.

A edição de estreia recebe Jorge Guerra, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e especialista em doenças tropicais. Na entrevista, ele aborda a leishmaniose, doença com prevalência na região amazônica, além das formas de contágio, dos sintomas e dos procedimentos necessários para o tratamento.

Bem-Viver Amazônia é fruto da vivência e da experiência de sua produtora e apresentadora, a jornalista Beth Begonha, que possui o olhar de quem passou parte relevante da vida na região e conhece os problemas e as enfermidades locais, acumulando anos de estudo e trabalho na área da saúde.

Com foco nas necessidades de informação da população amazônica, o Bem-Viver Amazônia busca ampliar o acesso a conteúdos sobre saúde relacionados à realidade da região. “O programa vai trazer temas muitas vezes pouco presentes na mídia tradicional, incluindo enfermidades conhecidas nos meios acadêmicos como doenças negligenciadas, que fazem parte do cotidiano de comunidades amazônicas e exigem maior visibilidade na comunicação pública”, destaca Beth Begonha.

O Bem-Viver Amazônia também vai estar atento às questões ligadas à saúde mental de uma população que cada dia mais vê outros modelos de vida transformando seu cotidiano e sua forma de viver. Por isso, o programa quer valorizar a cultura e os saberes tradicionais dos povos locais, dando protagonismo aos sábios da região que conhecem as ervas e as práticas de cura repassadas por seus ancestrais. Além disso, serão oferecidas práticas que promovem o bem-estar, o bom humor e a qualidade de vida dos que vivem nas aldeias, nos beiradões e nas cidades.

Apesar de receber grandes experts como entrevistados, o novo programa da Rádio Nacional da Amazônia terá uma linguagem simples e acessível, utilizando inclusive vocabulário local, aumentando assim a sensação de valorização e facilitando a interação entre a produção e os ouvintes.

A música também integra a proposta do Bem-Viver Amazônia. O programa vai valorizar ritmos, artistas e sonoridades dos estados da região norte, além de abrir espaço para clássicos da Música Popular Brasileira em uma programação que destaca a diversidade cultural, linguística e musical do país.

O público pode participar por meio do WhatsApp e enviar suas perguntas ou comentários: (61) 99674-1568.

Serviço 

Bem Viver Amazônia – estreia neste sábado (11), às 9h, na Rádio Nacional da Amazônia 

ACEG organiza rifa em benefício de João Garcia

A Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG) convida associados, profissionais da imprensa, amigos e a comunidade esportiva a participarem da Rifa Solidária em benefício do jornalista e radialista João Garcia, ex-presidente da entidade.

Cada número custa R$ 10,00. O vencedor ganhará duas camisetas oficiais: uma do Internacional e uma do Grêmio, doadas pelos clubes e pelo grupo de ex-funcionários da Rádio Bandeirantes de Porto Alegre.

Toda a renda será destinada à família de João Garcia, auxiliando no tratamento, na compra de medicamentos, nos deslocamentos e em outras necessidades de saúde. Recentemente, Garcia foi diagnosticado com aterosclerose, doença vascular que comprometeu a circulação das pernas. Ele passou por procedimentos médicos, incluindo amputações nos dedos do pé, cateterismo e colocação de stents.

Participe, contribua e compartilhe esta corrente de solidariedade.

https://rifa.digital/s/N9GncLfvwkA

 

Nativa FM expande rede e estreia afiliada no interior de São Paulo

Rede Nativa FM inaugura nesta segunda-feira (6) uma afiliada em Dracena, no interior de São Paulo. Além da cidade, a frequência 93,1 MHz atenderá aos municípios de Andradina, Irapuru, Junqueirópolis, Monte Castelo, Nova Guataporanga, Nova Independência, Ouro Verde, Panorama, Presidente Venceslau, Santa Mercedes, São João do Pau-d’Alho, Tupi Paulista e Brasilândia (MS), atingindo 230 mil pessoas na área de cobertura.

O lançamento ocorre durante o programa A Nativa Entrou no Grupo, comandado ao vivo por Carlos GalinhaDay Quarenta e Márcio Cruz diretamente da capital paulista, a partir das 18h pelo horário de Brasília.

Com repertório musical romântico e sertanejo, a rádio passa a contabilizar 34 emissoras em oito estados brasileiros – Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo –, somando mais de 52 milhões de ouvintes em potencial em 29 anos de sucesso.

Márcio Cruz, Day Quarenta e Carlos Galinha comandam o programa “A Nativa Entrou no Grupo” direto de São Paulo. Crédito: Kelly Fuzaro/Band

Os primeiros dias da Vip FM My News

Neste vídeo, Rodney Brocanelli fala sobre os primeiros dias da Vip FM após o término contratual do acordo com a Rádio Bandeirantes e o acerto com o canal My News. Ainda faltam muitos ajustes no que diz respeito à transmissão na Internet. O site da Vip FM ainda mantém uma programação musical e a ausência da nova programação no streaming não permite o acesso do público que está fora da Grande São Paulo. E mais: os programas próprios da Vip FM (fora da parceria com o My News) sequer estão no YouTube, exemplo da atração esportiva que vem sendo veiculada em dias úteis a partir das 19h. Clique e veja.

Programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, ganha novo apresentador

A partir desta quarta-feira (1), o programa Alô Alô Brasil, no ar na Rádio Nacional nas manhãs de segunda a sexta-feira, passa a ser apresentado pelo jornalista Agostinho Teixeira direto da emissora em São Paulo. Agora com uma hora de duração, das 8h às 9h, a produção transmitida em todas as emissoras da rede conta com uma cobertura dinâmica dos fatos que impactam o cotidiano da população ao entregar informação com agilidade, credibilidade e prestação de serviço aos ouvintes.

“A Rádio Nacional sempre foi uma referência para quem, como eu, sonhou um dia em fazer jornalismo no rádio. E jornalismo de qualidade. Chegar à Nacional para comandar um programa como o Alô Alô Brasil, no horário nobre, nos 90 anos da Rádio, é um presente que eu não via a hora de compartilhar com os ouvintes do Brasil inteiro”, celebra o novo apresentador Agostinho Teixeira.

Durante a atração da emissora pública, são veiculadas informações em tempo real, análise dos principais acontecimentos no Brasil e no mundo e entrevistas diárias, sempre com linguagem clara e acessível. O time de repórteres é composto por profissionais da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, além da participação de jornalistas selecionados de emissoras parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

Ainda mais ágil, com mais notícias e prestação de serviço nesta nova fase, o Alô Alô Brasil oferece ao ouvinte um panorama completo do início do dia. O programa reforça o papel da Rádio Nacional como referência em jornalismo público, plural e de alcance nacional.

A Copa no Rádio – 3

Em mais uma edição de seus comentários sobre os bastidores do rádio esportivo, Rodney Brocanelli apresenta em vídeo uma análise dos principais temas que marcaram a cobertura radiofônica da Copa do Mundo. Entre os destaques estão o protagonismo conquistado pelo rádio do Rio Grande do Sul, a discussão sobre a identidade das transmissões esportivas, as estratégias comerciais adotadas pelas emissoras brasileiras e a participação dos ouvintes por meio de comentários.

Um dos principais pontos abordados é o desempenho das emissoras e dos profissionais do Rio Grande do Sul, considerados por Rodney Brocanelli os grandes vencedores desta Copa do Mundo. Narradores, comentaristas e repórteres gaúchos passaram a ter alcance nacional graças a parcerias firmadas entre diferentes grupos de comunicação. Um exemplo é a retransmissão das jornadas esportivas da Rádio Gaúcha pela Z FM, ampliando significativamente o público das transmissões. Outro caso é o da Rádio Bandeirantes, que incorporou profissionais de sua afiliada de Porto Alegre à equipe responsável pela cobertura nacional do torneio.

O vídeo também repercute uma análise do jornalista Flávio Ricco, segundo a qual o rádio esportivo teria perdido parte de sua identidade nesta Copa do Mundo ao buscar valorizar excessivamente a imagem em detrimento da essência do meio, tradicionalmente baseada na força da narração e na capacidade de estimular a imaginação do ouvinte.

Outro tema em destaque são as alternativas encontradas pelas emissoras brasileiras para contornar a proibição de veicular anúncios de patrocinadores durante o período em que a bola está em jogo. Rodney Brocanelli explica como as rádios vêm adaptando suas estratégias comerciais para preservar a entrega de publicidade aos anunciantes sem infringir as regras impostas aos detentores dos direitos de transmissão.

Ao final, o vídeo também abre espaço para a participação do público, reunindo comentários e opiniões dos leitores e ouvintes. Clique e veja.

Programa Ritmo da Notícia retorna à grade da Rádio Nacional nesta quarta

O programa Ritmo da Notícia está de volta à grade da Rádio Nacional, após um hiato que durava desde 2015. A atração reestreia na emissora nesta quarta-feira (1º) e será transmitida de segunda a sexta-feira, das 9h às 10h, logo após o Alô Alô Brasil. 

O formato do Ritmo da Notícia une o melhor da Música Popular Brasileira à agilidade do radiojornalismo. A dinâmica é: a cada três músicas executadas, um repórter entra ao vivo para trazer as principais atualizações do Brasil e do mundo. 

A iniciativa é uma produção conjunta do Radiojornalismo da EBC e da Rádio Nacional. O programa será transmitido simultaneamente pelas oito emissoras da rede espalhadas pelo país: Rádio Nacional do Rio de JaneiroRádio Nacional de São PauloRádio Nacional de Brasília (AM e FM)Rádio Nacional de RecifeRádio Nacional de São LuísRádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões

Sobre a Rádio Nacional  

A marca, que celebra 90 anos em 12 de setembro de 2026, faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões. Ao longo desses 90 anos, a Nacional se firmou como uma das principais rádios do país e referência cultural na Música Popular Brasileira, no jornalismo e nas transmissões esportivas.  

Serviço  

Ritmo da Notícia – Segunda a sexta-feira, das 9h às 10h, na Rádio Nacional  

Brasília (DF), 21/04/2024 – Em comemoração aos 64 anos de Brasília, a Rádio Nacional transmite o Choro no Eixo, evento ao ar livre que reúne grandes músicos da cidade para celebrar o ritmo no Eixão do Lazer. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Vip FM se acerta com My News e faz sua estreia

Rodney Brocanelli fala sobre estreia da nova fase da Vip FM, que fez uma parceria com o site de notícias My News, da jornalista Mara Luquet. Clique e veja.

A Copa no Rádio – 2

Em mais uma edição de seus comentários sobre o universo do rádio, Rodney Brocanelli apresenta em vídeo uma série de histórias, curiosidades e bastidores envolvendo a cobertura de mais uma Copa do Mundo.

Um dos destaques é o impacto da ampliação da Copa para 48 seleções. Com mais países estreando na competição, surgem oportunidades para que profissionais do rádio participem de momentos históricos. Foi o caso de Eduardo Costa, da Rádio Gaúcha, que narrou o primeiro gol da Jordânia em uma Copa do Mundo. O episódio ganha ainda mais relevância quando se recorda que, durante o Mundial de 2014, o narrador chegou a se esconder na cabine de transmissão para escapar da pressão exercida por torcedores durante a cobertura de uma partida de futebol.

O vídeo também aborda uma questão que continua gerando debates entre profissionais do setor. Mais uma vez, as emissoras brasileiras estão impedidas de veicular os tradicionais textos-foguete de seus patrocinadores durante o andamento das partidas. A restrição contrasta com o que ocorre em países vizinhos, como Argentina e Uruguai, onde esse tipo de ação comercial permanece autorizado ao longo das transmissões.

Outro assunto destacado envolve o comentarista Mauro Beting. Contratado para integrar a cobertura da BandNews FM, ele ainda não realizou sua primeira transmissão nesta Copa do Mundo. O motivo foi um contratempo tecnológico: um aplicativo de localização o direcionou para um local diferente daquele onde seria disputada a partida para a qual estava escalado, provocando uma situação inusitada nos bastidores da cobertura. Clique e veja.

EBC lança novos sites das rádios Nacional e MEC nesta quarta-feira (17)

Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lança nesta quarta-feira (17), às 12h, os novos portais das rádios Nacional e MEC. A iniciativa, parte das celebrações dos 90 anos da Rádio Nacional, comemorados em 12 de setembro, moderniza a presença digital das emissoras e oferece uma experiência de navegação mais intuitiva para o público, com melhorias em acessibilidade, desempenho e consumo de conteúdo em diferentes dispositivos. Com a mudança, todas as informações das rádios Nacional e MEC passam a estar disponíveis em dois ambientes exclusivos: radionacional.ebc.com.br e radiomec.ebc.com.br.

O gerente de Transmídia e Portais da EBC, Daniel Roviriego, avalia que os novos sites representam um avanço importante na estratégia digital das rádios da EBC. “Além de modernizarmos a experiência visual e a navegação, passamos a oferecer um player integrado que permite ao público continuar ouvindo a programação ao vivo ou sob demanda, enquanto acessa notícias, programas e outros conteúdos”, explica. “A inclusão de uma área dedicada a videocasts e a otimização para celulares e tablets acompanham as novas tendências de consumo de mídia e tornam nossos conteúdos mais acessíveis para diferentes públicos”, completa.

Roviriego também lembra que mais novidades e melhorias serão implementadas no segundo semestre do ano e que todo o acervo construído ao longo dos anos no antigo site foi preservado e migrado para as novas plataformas. Programas, notícias, reportagens e conteúdos históricos continuarão disponíveis, garantindo a manutenção da memória construída ao longo dos anos. Os portais contam, ainda, com páginas exclusivas para cada programa e uma central de podcasts.

A reformulação faz parte da estratégia da EBC de fortalecer a presença digital de seus veículos, ampliar o alcance das emissoras públicas e oferecer aos ouvintes uma experiência mais moderna, integrada e conectada às novas formas de consumo de conteúdo.