O Radioamantes Entrevista, novo projeto digital do Radioamantes e do canal Feras do Rádio no Youtube, estreia trazendo a palavra do jornalista Marcus Aurélio de Carvalho. Homem de rádio com passagens por Roquette Pinto, Tupi, CBN, Globo e MEC, hoje ele é gestor de comunicação da ONCB (Organização Nacional dos Cegos do Brasil). A organização tem como objetivo os direitos das pessoas cegas e com baixa visão e existe desde 2008 e atualmente tem uma parceria com a Uninove, dentro de um projeto de responsabilidade social.
Braço radiofônico da ONCB, a Rádio ONCB, cuidada por ele, conquistou o prêmio de rádio da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) na subcategoria Grande Prêmio da Crítica em 2025. Segundo Marcus, foi um prêmio que “lavou a alma de toda a equipe de comunicação”, formada por 11 pessoas cegas e 4 com baixa visão. O jornalista fez questão de destacar a competência de sua equipe e lamenta o fato de não terem mais espaço no mundo corporativo: “gente talentosa que é desperdiçada pelo mercado de trabalho”, disse.
A Rádio ONCB já havia sido finalista do mesmo Prêmio APCA em 2020, e só agora que conseguiu conquistar o troféu.
A programação totalmente voltada para pessoas cegas e com baixa visão, tem uma programação musical de bom gosto. O jornalismo se faz presente em duas ocasiões: no Redação ONCB, que traz informações sobre acessibilidade e inclusão e o ONCB Informa, com o noticiário geral.
Outro programa, com alcance mais geral, é o De Olho na Inclusão, que pode ser acompanhado pelo YouTube (clique aqui para assistir uma das edições mais recentes).
Outra característica marcantes da emissora são os shows com audiodescrição. Durante a pandemia, a Rádio ONCB fez parcerias com alguns artistas que se apresentaram naquele período em vídeo, sem a presença de público e respeitando os cuidados sanitários da época. Além das músicas, o público da emissora teve como saber como os artistas estavam vestidos, como foi a movimetação de palco, entre outros aspectos, graças a narração de profissionais preparados para isso.
Alguns exemplos de shows foram os de Marília Mendonça, Bruno e Marrone, Paralamas do Sucesso e o que reuniu Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevendo. Não houve custos adicionais para os dois lados: os dos respectivos produtores e o da ONCB. Durante a conversa, o jornalista informou que essa foi a primeira iniciativa do gênero no mundo, documentada a partir de um trabalho acadêmico assinado por Ana Júlia Perotti.
Um dos projetos futuros da emissora é apresentar um passeio pelos pontos turísticos de São Paulo com audiodescrição. Reuniões estão programadas para definir se esse evento será ao vivo ou gravado para ser veiculado em drops durante a programação.
Durante a conversa, o jornalista informou que essa foi a primeira iniciativa do gênero no mundo
Carioca radicado em São Paulo há vários anos, Marcus diz que São Paulo é uma cidade referência no que diz respeito á acessibilidade. Ainda há muito a se avançar em alguns aspectos, em especial a empregabilidade. “São Paulo tem um longo caminho pela frente, mas o longo caminho das outras cidades ainda é bem mais longo”, disse.
A entrega do APCA
Marcus falou sua participação na cerimônia de entrega dos prêmios, realizada em 4 de maio último no palco do Teatro Sergio Cardoso, em São Paulo. Disse ter levado numa boa a participação dos personagens interativos, interpretados por Bárbara Salomé e Daniel Warren, que estavam no palco não apenas para entregar os troféus, mas, com suas intervenções, avisar de forma discreta que os discursos estavam se estendendo.
Durante a entrevista ao Radioamantes, o jornalista revelou que não costuma ler papel e que sempre fala de improviso. Como aquela era uma ocasião institucional, ele fez um texto previamente combinado com Beto Pereira, o presidente da ONCB. Eram duas laudas, com letras grandes, adaptação necessária para quem tem baixa visão, como é o caso de Marcus.
No entanto, um problema inesperado fez com que o papel fosse deixado de lado: a luz dos refletores gerou um clarão no papel onde o texto estava impresso. Não houve outro jeito a não ser improvisar.
Tirando essas dificuldades. Marcus esteve bastante a vontade na cerimônia. Reviu colegas, como Haisem Abaki, com quem quase trabalhou na Rádio Globo. Só não houve acerto porque não havia uma janela na programação da época para um perfil mais jornalístico, onde Haisem poderia se encaixar. Além disso, Marcus também reencontrou profissionais com quem trabalhou na EBC que subiram ao palco para devido a conquista do troféu pelo programa Tarde Nacional, da Rádio Nacional, de São Paulo.
Além disso, sua esposa, Luciana, gerente de parcerias e novos negócios do Theatro Muncipal (SP) também esteve na premiação. Ela subiu ao palco para receber o troféu como melhor ópera, por uma adaptação de Porgy and Bess. Uma noite de pura alegria.
E a entrevista promete ainda uma segunda parte para falar muito mais de rádio e da passagem de Marcus Aurélio pela Rádio Globo. Aguardem.
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