Retrospectiva 2010

Nos links a seguir, o amigo leitor terá um painel do que de bom (e ruim) aconteceu no rádio em 2010.

JANEIRO

Éder Luiz finalmente estreia na Rádio Record

Zé Béttio deixa Rádio Record

Rádio 9 de Julho “invade” o Globo Esporte

Repórter de rádio narra queda de ponte no Rio Grande do Sul

CBN Manaus acusada de manipular informações

Não basta dividir o céu, é preciso lotear o éter – por Flávio Guimarães

Futebol é na Kiss FM?

Lúcia Hippólito enfrenta problemas durante uma entrada ao vivo na CBN

Tutinha diz no Twitter que pensa em lançar um programa sobre…o Twitter (tal idéia nunca se concretizou até agora)

Rádio 730 AM x Goiás EC e Hélio dos Anjos: mais um round (Em 2011, Hélio dos Anjos vai treinar o Vila Nova. Grandes emoções à vista)

Preta Gil estreia programa na MPB FM (RJ)

O caso das interferências da Rádio 9 de Julho

FEVEREIRO

Emissoras de rádio enfrentam problemas no Palestra Itália

CBN deixa de lado futebol e informa sobre a chuva

Paulista no escuro = rádios mudas

SulAmérica Trânsito comemora seu terceiro aniversário

José Paulo de Andrade apresenta o Primeira Hora

Exemplos do Carnaval no rádio

O Carnaval do Rio pelo rádio

Troca de comando no Arquivo Musical, da Rádio Bandeirantes

Blog da Rádio Banda B destaca o rádio esportivo

Morre Murilo Antunes Alves

Rádio FX deixa registros na web

Abaixo a modernidade: Mauro Beting não está no Twitter; Claudio Zaidan não tem celular

Rafael Colombo no Jornal Gente

Roberto Maia agora no UOL

MARÇO

Rádio clandestina era usada para vender medicamentos não-autorizados

Flávio Araújo no programa Expressão da Bola

Walter Abrahão no programa Expressão da Bola

Terceiro Tempo em 1984

Rádio Trianon transmite programa homenageando Hélio Ribeiro

Locutor Ciro Cesar (Jovem Pan)  morre aos 72 em São Paulo

Grupo de torcedores do Grêmio prega boicote à Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre

A poderosa briga da Rádio Jovem Pan contra a TV – por Flávio Ricco

Relembrando Ciro Cesar

Narrador de futebol paraguaio sofre com gol de Ronaldo

Rádio Bandeirantes e Band News chegam à Ribeirão Preto

Narração paraguaia para gol de Ronaldo repercute na web

Publicidade recicla idéia de união em campanha para banco

Grupo Bandeirantes de Rádio investe em inglês pelas ondas do rádio

Globo não permite transmissão da Copa pela Rádio Record

Morre Armando Nogueira

Deixem a Rádio USP na mão dos alunos

Dos arquivos sonoros: Kid Vinil em entrevista à Rádio Onze – 1995

Pitty estreia programa na Transamérica Pop

Dos arquivos sonoros: recordando a loja Wop Bop

Dos arquivos sonoros: o Oscar de 1996 pelo rádio

É dura a vida de repórter que vai entrevistar torcedor…

Dos arquivos sonoros: uma entrevista com Mauricio Pereira (ex-Mulheres Negras)

Uma jornada esportiva com a equipe Expressão da Bola

MAIO

Fausto Silva, 60

Rádio Camanducaia de volta ao dial

50 mil computadores ligados na Rádio Globo

Dos arquivos sonoros: Minhocão – Maluf, deixe-nos dormir em paz

Dos arquivos sonoros: a Fórmula 1 pelo rádio

Técnico do Internacional e repórter da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, quase saem no tapa

Grupo Bandeirantes tem mais um sintoma de Datenodependência (dependência de José Luis Datena)

Rádio Capital volta a investir em Belo Horizonte

Elimination? (um dos grandes assuntos de 2010: Daniel Oliveira , da Bandeirantes, canta Elimination para o time do Santos.

Rádio Band News comemora quinto aniversário

Em Porto Alegre, Voz do Brasil volta para o horário das 19h – por Edu Cesar

Sergio Noronha de volta aos microfones (começa a fase Radioamantes)

JUNHO

A recuperação de Flávio Guimarães

91,3 FM muda de cara (preparação para a Rádio Disney)

91,3 FM retransmite programação da Rede Aleluia

Ouvinte reclama de interferência na Jovem Pan

Áudiopost entrevista: André York (Banda B)

Rádio América fora do ar

Haroldo de Souza assume dificuldades na Rádio Guaíba

Morre o DJ Ricardo Guedes, da Energia 97 FM

Morre Geraldo Anhaia Melo

Bastidores da Copa

JULHO

Morre Abílio Manoel

20 anos sem João Saldanha

Transmissão esportiva é interrompida por agressão a narrador em SC

Tri FM transmite jogos do Santos

Kaká Siqueira apresenta quadro que homenageia Barros de Alencar

Jogadores e técnico do Goiás agridem repórteres de rádio

Bruno Levinson deixa MPB FM

AGOSTO

CBN/Globo lança site em homenagem ao Corinthians

CBN e Globo voltam a transmitir Voz do Brasil em SP

Pelo Twitter, seu Tuta, da Jovem Pan, critica Rádio Bradesco

A última do Pedro Ernesto Denardin…

SETEMBRO

Mauro Beting faz aniversário

Em Entrevista ao Arremate Final, uma homenagem ao rádio esportivo

Terceiro Tempo em 1984

Equipe Expressão da Bola retorna com jornadas pela web

Mauro Beting descobre Pintópolis

O rádio esportivo pelo Brasil

OUTUBRO

Cláudio Humberto estreia coluna na Rádio Bandeirantes‏

Rádio Trianon volta a ter áudio na web

Fim do mistério: vem aí a Rádio Disney

Recordasom by Night deixa grade da Rádio USP FM

Pelé 70 anos

BandNews FM 96,9 dá início a transmissões esportivas em 2011

Telma Emerick se despede da Jovem Pan FM

Confirmado: Roberto Hais está na 91.3

Haroldo de Souza deixa Rádio Guaíba. Seu destino pode ser a Bandeirantes

É Odnei Edson…

Um  fim de semana com a equipe Expressão da Bola

NOVEMBRO

Haroldo de Souza estreia dia 14 na Band/RS

Mario Lima pode substituir Haroldo de Souza na Guaiba – por André York

Marcos Couto quer uma oportunidade em São Paulo

Rádio Facul na Rádio USP

Mario Lima é da Guaíba

107,3 FM, a ex-Brasil 2000, pode virar Eldorado FM

Marcos Couto acerta com a Rádio ABC, de Novo Hamburgo

Equipe Expressão da Bola lança em 2011 a Rede Expressão da Bola

Milton Neves chama Grace Kelly de horrorosa

O rádio ganha mais um blog

Loteria Esportiva Tupi

Rádio Capital trabalha para ter comentário diário de Lula

Morre a esposa do narrador José Silvério

Conheça as cabines de rádio do Pacaembu

A estreia da Rádio Disney

DEZEMBRO

Onde há fumaça, há fogo? – Por Flávio Guimarães

Obrigado, Flávio Araújo

Depois do luto, José Silvério volta a narrar na Rádio Bandeirantes

Rádio no iPhone! Até que enfim…

Jovem Pan reúne seus funcionários para comemorar Natal com vinheta especial

Tiros ao vivo

APCA elege os melhores do Rádio em 2010

Helicóptero da rádio Eldorado faz pouso forçado na avenida Tiradentes, em SP

“Eu não vou narrar…”

Desabafo

Narrador Mario Lima sofre AVC

Futebol na Band News FM (SP) estreia em março

Morre Toninho Spessoto

Prefeitura perpetua nome de Flávio Araújo em Centro de Formação de atletas em Presidente Prudente

Lobão versus Transa Louca

Prefeitura perpetua nome de Flávio Araújo em Centro de Formação de atletas em Presidente Prudente

do site da prefeitura de Presidente Prudente

Bayern x Cruzeiro – 1976

Por Rodney Brocanelli

Navegando pela web, descobri esse vídeo sobre a final da Copa Intercontinental de 1976, que reuniu o Bayern (campeão europeu) e o Cruzeiro (camepão sul-americano). No entanto, o destaque ficou para os radialistas brasileiros que estiveram no estádio Olímpico de Munique para a cobertura da partida. Se os amigos puderem ajudar a identificar os profissionais que aparecem nas imagens, ficaria grato. Tive a impressão de ver José Silvério e Claudio Carsughi (com binóculo) bem no final. Será que são eles mesmos? Veja no player abaixo.

UPDATE (26/12- 16H35): Edu Cesar, do site Papo de Bola, crava: a dupla do final do vídeo é, sim, formada por Silvério e Carsughi

UPDATE (27/12 – 21H00): O Matheus Oliveira deixou a seguinte mensagem no sistema de comentários do blog:

“O primeiro narrador que aparece no vídeo é Vilibaldo Alves. Salve engano, nesta época ainda na Rádio Itatiaia”.

O narrador esportivo Edemar Annuseck deixou outra mensagem que tira todas as dúvidas:

Esclarecendo:
a) – O repórter que anuncia a escalação do Bayern é Paulo Roberto – o pé grande – na época na Rádio Itatiaia.
b) – O narrador é Vilibaldo Alves tendo a sua direita o comentarista Oswaldo Faria, ambos da Rádio Itatiaia.
c) – Cláudio Carsughi usa há muito tempo esse binóculo e o locutor ao lado dele é o José Silvério.
Em tempo: No jogo de volta no Mineirão os alemães chegaram a Belo Horizonte na manhã do jogo. Foram para campo empatando em zero a zero e ganhando o título Intercontinental.

Aos dois, o meu muito obrigado.

Lobão versus Transa Louca

Por Rodney Brocanelli

Na última quarta-feira (23), Lobão participou do Transa Louca, da Rádio Transamérica. Ele esteve nos estúdios da emissora para divulgar seu livro 50 Anos a Mil. O ponto alto da conversa ocorreu quando começou a se falar em rádio. Culpa do Gavião, que perguntou qual a melhor década do rock nacional. Lobão respondeu que era a atual e citou vários artistas que foram lançados por sua revista, a Outra Coisa. Disse também que “dava dor” quando as pessoas reclamavam com ele do som “colorido” (representado por Restart e companhia) que toca atualmente nas rádios. Foi aí que começou a maior série de vergonha alheia do rádio brasileiro nos últimos anos. O protagonista é o Fuzil. Tentou puxar a brasa para a sardinha da emissora onde trabalha, no que não foi bem sucedido.  O ápice da VA foi quando ele disse que a banda Kiss era o Restart de sua época. Lobão até que respondeu com muita calma. Ouça tudo no player abaixo.

UPDATE  (25/12, 04h30) :  O post teve repercussão excelente para uma véspera de Natal. O blog  My Emergency Room e o site Recife Rock reproduziram o texto e o vídeo, com um título que é uma análise sucinta sobre tudo: “Olha o nível do rádio no Brasil…”.

Vale a pena reproduzir o comentário do Anderson Diniz Bernardo, do Mídia Clipping, sobre o debate:

“A tentativa do Fuzil de apaziguar a discussão na base da falácia e/ou fazendo média com a Transamérica foi mesmo constrangedora. Mas o “conjunto da obra” rendeu um dos diálogos mais surreais do rádio nos últimos tempos e, alfinetando um pouco, um dos “melhores” momentos de um programa que quase sempre passa despercebido”.

O blog Cortissa fez um título interessante: “Lobão na cova dos leões desdentados”.  Seu responsável escreveu:

“Deu pena da pobreza de argumentos do pessoal da rádio. Parecia criança de 3 anos querendo argumentar sobre o Big Bang com um prêmio Nobel de Física”.

UPDATE (26.12 – 19H30) Do blog, Apenas uma Mulher Comum:

“Hoje caiu na minha tela a entrevista do Lobão, se você tiver algum cerebelo você vai entender porquê o contexto musical está assim, imbecil. Lembrem-se tudo o que acontece hoje, programas de televisão imbecis, apresentadores imbecis, artistas imbecis e políticos imbecis é nossa responsabilidade, os imbecis sempre existirão, mas podemos diminuir a proporção deixando de ser um, ou pelo menos tentando. Saia do automatismo, reflita”.

UPDATE (29.12 – 23H30) E o post continua repercutindo na web quase uma semana após sua publicação.  O blog Contraversão, que faz parte do portal ClicRBS, um dos maiores da região Sul, publicou a história e,  já em clima de retrospectiva, deixa claro no título que o debate foi um dos belos momentos de 2010.

Outro blog, o CGredes, no início, faz uma ressalva:

Sim, eu sei. Um monte de gente já publicou esse debate entre o Lobão e os locutores(???) da Transamérica que foi colocada na internet pela galera do blog Rádio Amantes, mas eu tinha que deixar esse registro aqui no meu blog.

O post segue:

Em busca de audiência, os nobres locutores da Transamérica cutucaram Lobão achando que ele ia meter o pau SÓ nas bandinhas de agora, mas ele virou a sua metralhadora giratória em direção às rádios e seus sistemas excludentes e “jabazísticos” de funcionar com relação às músicas que são tocadas em suas programações.

E, no final:

Parabéns Lobão, por saber aproveitar essa oportunidade!!

UPDATE (30.12 –  23H00) O áudio/vídeo com o trecho da entrevista de Lobão ao Transa Louca foi postado por mim no canal Feras do Rádio no dia 23 de dezembro. Desde então, ele já acumula mais de 8 mil exibições.  Quem ajudou muito na propagação do link no Twitter foi ninguém mais, ninguém menos que Pitty. Logo ela, cujo programa, que é veiculado na própria Transamérica, foi citado por Fuzil e companhia como exemplo de espaço para bandas novas.  Sua breve manifestação é de total apoio a Lobão. Espera-se que isso não crie um embaraço, tornando assim a emissora pequena demais para ela e a equipe do Transa Louca.

UPDATE: (31.12 – 19H30) Coincidência ou não, o site de Lobão está hackeado nesse momento. (Clique aqui para ver)

UPDATE (06.01 – 18h) Agora foi a vez de Fuzil se manifestar, via Twitter.

UPDATE (06.01 – 23h40) Um pouco mais cedo o humorista Fuzil, da Rádio Transamérica,  até se manifestou sobre a polêmica com o cantor e compositor Lobão. Contudo, ele não queria falar muito, conforme registramos aqui neste post.

Perto do final da noite desta quinta (06), ele disparou uma série de tuítes, os quais reproduzimos na sequencia.

UPDATE (09.01 – 03h00): E o registro do debate não para se multiplicar pela web. Desta vez, o Portal do Metaleiro e Portal Megaphone levaram a história aos seus leitores.

O que falta para a mídia tradicional, representada por jornais e grandes portais, publicar algo a respeito?

UPDATE (10.01 – 01H30) : Com um certo atraso registramos aqui duas tuitadas de Lobão sobre sua polêmica entrevista ao programa Transa Louca, da Transamérica. Ambas são do dia 6 de janeiro.

Será?

Morre Toninho Spessoto

Notícia triste deste final de ano. Morreu na manhã de hoje, as 08h, o jornalista e radialista Toninho Spessoto. Colaborador de diversas publicações (atualmente, escrevia para a Rolling Stone Brasil), ele apresentava os programas  “Fora de Série” e “Papo de Músico”, na Rádio USP. Spessoto estava internado e lutava contra uma infecção renal. Outras informações, no blog do Luis Nassif.

O site Laboratório Pop tammbém tem mais informações. Clique aqui.

O livro (anda inédito) sobre a 89 FM

Por Rodney Brocanelli

O camarada Ricardo Alexandre, atual diretor de redação da revista Época São Paulo, já publicou o seu segundo livro (Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal)  e até ganhou o prêmio Jabuti de melhor biografia com ele. Contudo, aquele que ele escreveu sobre a rádio 89 FM permanece inédito até hoje. A não ser que a alta direção da emissora mude de ideia,  dificilmente  a obra será publicada. No ano de 2007  (entre os meses de março e abril), consegui uma cópia em versão word com o autor. A partir deste material, fiz uma resenha que publiquei no site Laboratório Pop e no outro blog. Acho que o texto (que segue abaixo) ainda é inédito para muita gente. Vale como “especial de fim de ano” do Radioamantes.

Em 2005, a alta direção da 89FM encomendou ao jornalista Ricardo Alexandre um livro que contasse sua trajetória desde que passou a investir no rock n’roll. Ele faria parte das comemorações de seu vigésimo aniversário. Por uma série de fatores, seu lançamento não aconteceu no período previsto. E a emissora nem esperou o vigésimo primeiro aniversário para torná-lo público. 2006 marcou o início de uma profunda reformulação, fazendo com que a 89 FM deixasse definitivamente de ser “a rádio rock” para disputar de forma mais agressiva a audiência do público jovem em geral, adicionando ao seu play-list pitadas de R&B, dance music e rap. Não há previsão para uma publicação imediata do livro.

Ricardo Alexandre é autor de “Dias de Luta” (2002), um livro-reportagem bastante elogiado que detalha a história da geração de bandas do rock nacional que surgiu (e explodiu) na década de 1980. A 89 FM ocupa aproximadamente três páginas dele. Ricardo resume em quais circunstâncias ela apareceu no cenário radiofônico e fala de bandas que lançou, como o Violeta de Outono, com direito a depoimento de Fabio Golfetti.

O tom crítico de “Dias de Luta”, obviamente, não aparece neste livro sobre a 89 FM. Em compensação, Ricardo procura acentuar mais a angústia vivida por sucessões de coordenadores e diretores artísticos para encontrar um meio termo entre o sucesso artístico e o sucesso comercial. Decisão acertada, pois dessa forma o texto não fica tão chapa-branca. Outro ponto a favor caso a obra seja publicada algum dia: o texto é acessível tanto aos profissionais do mercado radiofônico, como aos ouvintes fiéis que não abandonaram a emissora nesses quase 20 anos de “rádio rock”.

Um dado curioso é que a espinha dorsal da narrativa se concentra nas figuras dos coordenadores ou diretores artísticos que lá passaram em todo esse tempo. À primeira vista, pode parecer estranho, mas ao longo do texto, talvez sem querer, Ricardo mostra que existiu espaço para um certo “rádio de autor”, ainda que dentro da citada angústia de tornar a rádio atraente do ponto de vista comercial. Cada um dos profissionais pôde fazer a rádio que tinham em mente, de acordo com seus respectivos perfis, e ajudados pela conjuntura musical do período. Fabio Massari, por exemplo, levou a 89 FM para uma linha mais alternativa, aproveitando o aparecimento do grunge. Por sua vez, Luiz Augusto Alper teve de fazer uma rádio mais comercial, até por causa do esgotamento do mesmo grunge.

Ainda sobre os manda-chuvas da rádio, Luiz Fernando Magliocca ganha um olhar mais simpático talvez por ter criado o conceito de “anti-rádio” que marcou o início de suas transmissões. Porém, ao falar desse personagem, o texto derrapa. A forma como Magliocca conduziu essa transição está bem contada. No entanto, não se avança em nada naquilo que está registrado no próprio “Dias de Luta” e em entrevistas que ele próprio concedeu a sites especializados em rádio.

O livro sobre a 89 FM tem espaço para pequenas histórias, algumas divertidas, outras nem tanto, que ajudam a ilustrar o dia-a-dia da rádio. Uma delas no entanto, caberia muito bem em “Dias de Luta”. Em 1994, uma entrevista de Paulo Ricardo ao apresentador Tatola quase termina em briga corporal. Nessa época, ele estava em mais uma de suas tentativas de tirar do limbo o RPM. A banda iria abrir na ocaisão para o INXS e trabalhava na divulgação da música “Pérola”. Segundo o relato de Fábio Massari, o cantor chegou aos estúdios dando a impressão de que iria aprontar algo. Durante a entrevista, Paulo Ricardo se desentendeu com Tatola no momento em que falavam sobre a possível receptividade desse retorno do RPM em outros centros. O apresentador iria usar o Ceará como exemplo e foi interrompido, acusado de preconceito. O nível de tensão subiu até que Paulo Ricardo teve de deixar o estúdio, amparado por Massari. Esse desentendimento ganha uma outra leitura se lembrarmos que Tatola veio de uma da banda punk chamada Não Religião, na qual era vocalista. Seria mais um round da eterna disputa entre o underground e o mainstream (ou pelo menos de quem já fez parte do mainstream).

Outra boa história contada com detalhes é a famosa e bem-sucedida pegadinha ocorrida no primeiro de abril de 2003. A mídia do Brasil não tem muita tradição de pregar peças em seu público, fato comum na Europa. Nesse dia específico, o rock na 89 FM deu lugar a músicas de artistas como Earth, Wind & Fire, KC & The Sunshine Band, Frenéticas, Abba, entre outros. A reação dos ouvintes foi imediata: telefones congestionados, servidores de e-mails abarrotados de mensagens. Somente às 6 da tarde é que ocorreu a revelação: tudo não passou de uma brincadeira típica da data. Alexandre Hovoruski, o coordenador artístico da época conta que quase desistiu de tudo antes de colocar a idéia em prática. A artmanha até que teve um efeito positivo, e a rádio foi citada em outros veículos de comunicação.

Os 20 anos da 89 FM marcam o final do texto. Ricardo fala de uma reflexão interna sobre o papel da emissora (e sua possível importância) no futuro. Mas o apêndice, todos sabem. Parte da equipe foi demitida em 2006 a partir da contratação de um novo diretor artísitco, Vaguinho, que comandou a Metropolitana FM por muitos anos. O rock teve seu espaço diminuído e a programação musical passou a ser mais abrangente, tocando a atual black music e o R&B.

No livro, Neneto Camargo, um dos proprietários da rádio, falando sobre a época da Pool FM (a antecessora da 89 FM na freqüência), diz que o mercado ainda não estava preparado para absorver a música negra em todas suas manifestações. Se repararmos na 89 FM hoje, dá para dizer que ela é aquilo que a Pool FM tentou ser nos anos 80, guardadas as devidas proporções. A Pool FM, talvez sem querer, foi vingada.

A WebRádio Lusa chega ao CQC

A WebRádio Lusa vive um bom momento. Além de ganhar o prêmio de melhor web rádio da Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo), sua equipe apareceu com destaque no programa CQC, da Rede Bandeirantes. Acompanhe no player abaixo

Futebol na Band News FM (SP) estreia em março

Por Rodney Brocanelli

As transmissões esportivas na Band News FM (SP – 96,9Mhz) vão começar em março, após o carnaval.  Ainda não estão confirmados os nomes dos integrantes da equipe, que será comandada por Odnei Edson.

Centro de Formação de Atletas em Presidente Prudente receberá o nome de Flávio Araújo

O vereador Nico Rena (PDT), líder do governo na Câmara Municipal de Presidente Prudente, protocolou na manhã desta terça-feira a inclusão do seguinte item lei na lei das denominações: a área esportiva do Jardim Everest passará a denominar-se Centro de Formação de Atletas Flávio Araújo. Uma homenagem ao ilustre jornalista prudentino que é referência em comunicação esportiva. A votação será durante a sessão extraordinária desta quarta-feira (15/12), às 16h. A praça esportiva, completamente remodelada e ampliada, será inaugurada na ante-véspera do Natal, em solenidade programada para às 18h.

O prefeito Milton Carlos de Mello ´Tupã` (PTB) e o vice-prefeito Marcos Vinha (PT) estiveram na manhã desta quarta-feira com Flávio Araújo, para comunicá-lo sobre a decisão. Se encontram no campus II da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), por ocasião da defesa de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que resgatou a trajetória do profissional de 76 anos de idade e 60 anos de serviços ininterruptos prestados à mídia brasileira, incluindo coberturas nacionais e internacionais de esportes e de jornalismo.

Leia mais aqui.

Prêmio APCA precisa mudar

Por Rodney Brocanelli

O prêmio APCA é um dos mais tradicionais de melhores do ano. Ele existe como o conhecemos desde 1972, quando a Associação Paulista de Críticos Teatrais virou a Associação Paulista dos Críticos de Arte. Antes, os prêmios eram só concedidos para a categoria teatral. Com a alteração, seu alcance foi ampliado, abrangendo outros setores, como Artes Visuais, Cinema, Literatura, Música Popular e Televisão (tudo isso está descrito em seu site).

De algum tempo para cá, o prêmio voltou a ter sua importância devida, graças a atuação das diretorias que passaram pela entidade. Contudo, algumas mudanças são necessárias para ele continue a ser uma referência no que acontece de melhor nas artes durante o ano.

Sempre  que os premiados são divulgados pela mídia, sai também  a lista dos votantes em cada categoria. É iniquetante ver que algumas categorias tem mais jurados que outras.  Neste ano, a categoria Teatro teve nove jurados. A de Televisão teve cinco pessoas votando. Enquanto isso, outras como Rádio, Dança e Música Popular tiveram apenas três integrantes em seus respectivos júris. É sabido que existem muitos mais críticos dessas áreas (e das outras)  militando nas mais diversas mídias. Basta dar uma boa procurada.

Em vez de se ter três, quatro, cinco pessoas votando, uma saída seria ampliar esse colégio eleitoral, dando direito a voto a todos os críticos que se interessem em participar, sem necessidade de filiação à entidade.  A APCA poderia criar comissões para se indicar uma lista de candidatos a serem votados.  E a festa da entidade poderia revelar os vencedores, tal como no Oscar. Como se diz no Twitter, #ficaadica.

A crônica de Haroldo de Souza para os dias em Abu Dhabi

Por Rodney Brocanelli

Na abertura da jornada de Internacional x Seongnam, na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, Haroldo de Souza fez uma bela crônica sobre os dias que se seguiram entre a derrota do Inter e a decisão do terceiro lugar no Mundial de Clubes da Fifa. Ele falou apenas de passagem sobre sua não-narração para o segundo gol do Mazembe (antecipada aqui antes pelo blog Radioamantes). Ouça no player abaixo.

Aberturaharoldoabudhabi by ferasdoradio

Narrador Mario Lima sofre AVC

Por Rodney Brocanelli

Aconteceu há cerca de 10 dias. Não foi grave. Não deixará sequelas, segundo as primeiras informações. O  narrador da Rádio Guaíba  está de repouso e volta a trabalhar no ano que vem. Lima reestreou há poucos dias na emissora de Porto Alegre, em substituição a Haroldo de Souza, que foi para a Rádio Bandeirantes.

As 11 melhores gafes do rádio esportivo em 2010

Por Rodney Brocanelli

Fim de ano, época de retrospectivas. O Radioamantes começa a temporada trazendo aqui as melhores gafes do rádio esportivo em 2010.

10) Ulisses Costa, da Rádio Bandeirantes, abriu o ano de 2010 achando que ainda estava em 2009. Aconteceu na partida de abertura do campeonato paulista entre Palmeiras x Mogi Mirim.

9) Ao comemorar a repercussão de seu furo de reportagem dando conta de que o jogador Robinho estaria deixando o Manchester City, Milton Neves troca as bolas e erra a emissora em que é exibida o programa Domingo Espetacular (Mas desta vez, a culpa é da Record, que não tem criatividade para dar nomes a seus programas jornalisticos).

8) Durante a transmissão de Palmeiras x Ituano, partida válida pelo campeonato paulista de 2010, o narrador José Silvério levou um susto com a entrada repentina de uma voz feminina (a de Telma Emerick) pelo sistema de som do estádio Palestra Itália.

7) Durante o Domingo Esportivo Bandeirantes do dia 31 de Janeiro de 2010, o apresentador Milton Neves entrevistou a cantora Aline Calixto achando que estava conversando com a cantora Aline Barros. Demorou um pouco para cair sua ficha.

6) Milton Neves conseguiu mais uma proeza. Ele esqueceu o nome de um ex-diretor do banco Bradesco cujo nome disse jamais esquecer.

5) Durante a transmissão de Guarani x Santos, um cachorro latiu, derrubou o repórter Alex Muller, da Rádio Bandeirantes, e fez Ulisses Costa rir bastante.

4) Durante o programa Terceiro Tempo, da Rádio Bandeirantes, Milton Neves pretendia informar sobre os resultados dos jogos da quarta-feira, 28 de abril. O problema é que ele estava com o papel que trazia os jogos do dia seguinte, quinta-feira. Não ia dar certo mesmo.

3) Durante a partida entre Brasil x Costa do Marfim, válida pela Copa do Mundo, o narrador José Silvério descobriu que tinha mais um jogador brasileiro em campo, além dos onze escalados por Dunga Sim…ele mesmo: Mauro Beting.

2) Durante a grande final da Copa Libertadores entre Internacional e Chivas, o narrador Pedro Ernesto Denardin, da Rádio Gaúcha, disse que Rafael Sóbis ficou com o pinto de fora. Explica-se: o jogador Tinga teve o seu calção manchado de sangue e não poderia prosseguir na partida dessa maneira. Sóbis ofereceu o calção que tinha usado na partida (já fora substituido) ao companheiro.

1) No meio de uma das transmissões do Mundial pela Rádio Bandeirantes, Ulisses Costa chama o comentarista Mauro Beting, que está desprevenido e sai da situação de forma bem-humorada.

Hours-concours – O susto que Mauro Beting aplicou em Milton Neves em uma das edições do Terceiro Tempo de 2010 foi a melhor do ano.

Milton Neves- Susto (22-09-2010) by rbrocanelli

Clique aqui para saber quais foram as melhores gafes do rádio esportivo em 2009

Desabafo

Por Rodney Brocanelli

Os jornalistas da Folha. com, do portal Imprensa e do Comunique-se prestaram um péssimo serviço aos seus leitores. Publicaram a história da narração do gol narrado por Haroldo de Souza, da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, mas não citaram o Radioamantes. Sim, porque o único áudio disponível desta narração saiu daqui e escrevo isso sem medo de errar.  O blog foi o primeiro a ter sensibilidade jornalística de perceber que a narração de Haroldo tinha um lado curioso e diferente que merecia ser divulgado. Caso alguém tenha alguma dúvida, peço que prestem atenção registro publicado na Folha.com. Ele apresenta a mesma variação na qualidade (na verdade, uma diminuição de volume) no trecho que compreende a descrição do repórter Sérgio Couto. Fizeram o download do áudio e o publicaram num player próprio.

Esperava que os jornalistas dos portais citados acima tivessem a mesma postura que o site Vírgula teve em maio deste ano, quando, no outro blog, destacou-se a história do Elimination (que por coincidência também envolvia o rádio do Rio Grande do Sul e a mesma emissora). O redator contou a história para seus leitores e publicou a fonte (vejam aqui).

Esperava também que a Folha.com tivesse uma atitude diferente. Não se trata de um portal de notícias feito em  fundo de quintal. É ligado a um dos jornais de maior tradição do país.  Que há de errado em citar um blog independente? Medo de que o editor vete?

Pensando bem, até que não dava para esperar muita coisa do portal Imprensa e do site Comunique-se. São sites que vivem de reproduzir e requentar o conteúdo que está circulando pela Internet. De vez em quando sai uma coisa ou outra com apuração própria, mas é pouco e o resultado, na maioria das vezes, é de decepcionar. O jornalismo e a comunicação estão mal servidos em termos de cobertura.

“Eu não vou narrar…”

Por Rodney Brocanelli

A grande decepção do ano futebolístico brasileiro certamente foi a derrota do Internacional para o Mazembe pelo placar de 2 a 0, em partida válida pelo Mundial de Clubes da Fifa. Ainda não ouvi as outras, mas a narração que mais simboliza esse fracasso foi de Haroldo de Souza, na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre. Ele não narrou o segundo gol, anotado por Kaluyituka, em respeito ao torcedor colorado. Acompanhe no player abaixo.

Não se trata de uma narração original. O amigo Tiago Melo lembra que algo parecido ocorreu na final da Copa Libertadores de 1988. Os finalistas eram Peñarol e América, este de Cali. 0 a 0 no tempo normal e a partida teve prorrogação. Quando tudo se encaminhava para a decisão por pênaltis, eis que Aguirre anota um gol faltando 15 segundos para o final do segundo tempo. Decepção para o narrador de uma rádio colombiana (a Caracol, talvez): “No lo voy a cantar! No lo voy a cantar! Dios mio, por que?”. Acompanhe no player abaixo.

UPDATE (17.12) Do site Coletiva.net:

Virou notícia nacional a atitude do narrador da Rádio Band AM, Haroldo de Souza, que se recusou a narrar o segundo gol do Mazembe contra o Internacional, na semifinal do Campeonato Mundial Interclubes. “Eu não vou narrar”, exclamou, quando a equipe africana fez o segundo gol do jogo, aos 40 minutos do segundo tempo, no jogo disputado em Abu Dhabi nesta terça-feira, 14. “Em respeito à torcida do Internacional, não vou narrar este gol”, repetiu o narrador.

Em 1980, ele já havia vivido episódio semelhante, desta vez no estádio Beira-Rio. Em semifinal do Inter contra o Atlético Mineiro, ele não narrou o gol que desclassificou o clube gaúcho.