Em ritmo de Jogos Olímpicos, Radioamantes no Ar fala sobre proposta de boicote à MC Biel

O Radioamantes no Ar destacou a campanha de boicote às músicas do rapper MC Biel levantada pela apresentadora Astrid Fontenelle. Ela, via Twitter, mandou uma mensagem para a Rádio Disney exigindo que as músicas do cantor não sejam mais veiculadas pela emissora. Em ritmo de Jogos Olímpicos, o programa falou sobre radialistas que carregaram a tocha olímpica, a não presença das rádios de Goiânia na cobertura dos jogos e da narração de José Silvério para o jogo do Brasil no torneio de futebol. O Radioamantes no Ar vai ao ar todas as sextas-feiras, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Ashcar.

showtime2).

José Silvério narra jogo do Brasil no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos

Por Rodney Brocanelli

O Grupo Bandeirantes de Comunicação acertou ao escalar José Silvério para narrar o jogo de estreia do Brasil no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos. Talvez essa seja a tendência até o fim da participação da seleção dirigida por Rogério Micale. Se for com a medalha de outro, melhor ainda. Enriquecerá o currículo do narrador.

Entretanto, como nem tudo é perfeito, talvez valesse um investimento maior para colocar Silvério no estádio Mané Garrincha. Além do mais a transmissão mostrou um tremendo desleixo do ponto de vista técnico. Usaram o som da transmissão de televisão como ambiente. Ninguém da parte técnica percebeu que na vinheta dos replays (aquela na qual aparecem as argolas do símbolo olímpico) havia um efeito sonoro que vazava no ar. Tomara que para a próxima jornada, atentem para esse detalhe.

Silvério

Radioamantes no Ar fala do Bem Amigos na Rádio Globo e de outros assuntos

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre a retransmissão do Bem Amigos, destaque do canal Sportv, pela Rádio Globo. Outros assuntos: o fim do esporte (mais uma vez) na Rádio Difusora, de Goiânia, a saída de Mariza Tavares do comando da CBN e da decisão da Antena 1 de prospectar afiliadas pelo Brasil. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin, Flavio Ashcar e Rogério Alcântara.

showtime2

Ouça mais uma edição do Radioamantes no ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre mais uma pesquisa de audiência do FM na grande São Paulo, da decisão da Jovem Pan, que após a partida entre São Paulo x Atlético Nacional deixou de lado a discussão sobre a partida e fez a cobertura dos problemas enfrentados pelos torcedores do lado de fora do Morumbi e da permanência no ar da Rádio SulAmérica Paradiso no Rio de Janeiro. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Ashcar.

showtime2

Jovem Pan deixa pós jogo de lado e mostra que ainda sabe prestar serviço

Por Rodney Brocanelli

Os tristes acontecimentos  nos arredores do Morumbi na noite da última quarta e início da madrugada de quinta provaram mais uma vez a força do rádio.

Para quem ainda não sabe, torcedores do São Paulo entraram em conflito depois da partida do seu time contra o Atlético Nacional. válida pela Copa Libertadores de América. A Polícia Militar teve de intervir e o caos foi inevitável.

A Rádio Jovem Pan deixou de lado toda a discussão tática e técnica sobre a partida e mobilizou seus repórteres para a a cobertura de todo o clima tenso dos arredores do estádio do Morumbi. Quem se destacou foi Daniel Lian, que com um celular, descrevia tudo o que via.

Depois, o telefone foi liberado para  os ouvintes. A prioridade foi total para aqueles que presenciaram o tumulto. Pelos relatos, foi possível descobrir a origem do conflito: ele começou devido ao descontentamento dos torcedores organizados com torcedores comuns que estavam deixando o estádio, depois que o placar adverso para o tricolor foi consumado. A equipe colombiana venceu pelo placar de 2 a 0.

Além disso, os ouvintes tiveram liberdade para falar. Exemplo: alguns elogiaram a postura da Polícia Militar. Outros não. De qualquer forma, foi possível ter um painel daquilo que acontecia na região do Morumbi.

Enquanto isso, outras emissoras preferiram prosseguir com o pós  jogo normal, com entrevistas coletivas, comentários sobre o jogo e, claro,  suas inserções comerciais.

As informações que a Jovem Pan transmitia eram amplamente multiplicadas pelas principais  redes sociais. Em que se pese a tensão dos acontecimentos, a cobertura, feita tanto no AM como no FM,  foi muito elogiada pelos internautas.

Nos últimos anos, a Pan fez uma opção pela opinião. É um caminho respeitável e justificável, em que se pese um certo desconforto com o tom utilizado em muitos casos.  No entanto, foi alentador saber que ela ainda sabe prestar serviço. Lembro até de um jingle da  emissora que dizia “prestação de serviço, é isso”. Tomara que ela volte a trilhar esse caminho, quando necessário.  E fica no ar a lição para as outras.

LOGO JP_vermelhoNOVO

Normas da CBF: a questão do respeito não passa pelos direitos de transmissão

Por Rodney Brocanelli

Segue rendendo o debate sobre a questão das normas da CBF para a atuação dos repórteres de rádio durante a partidas do campeonato brasileiro de futebol. Desta vez, o jornalista Octávio Muniz publicou em seu blog no R7 um post sobre essa questão. No texto, Muniz faz uma série de sugestões e vou me deter nas mais importantes.

Muniz escreve:  “DEVEM ser chamadas para uma reunião pessoas que representem nossa classe e que NÃO DIGAM SÓ AMÉM como foi no dia em que este “código” (sic) foi definido!

Que se convoque as duas associações nacionais, as quatro do meu estado, São Paulo e as demais de todos os estados cujos clubes estão envolvidos na Série A, através de seus presidentes e/ou representantes“.

A proposta de diálogo é excelente. No entanto, esbarra em um problema sério. As associações de cronistas esportivos, que são responsáveis por oficializar o credenciamento de jornalistas nos eventos esportivos, não são unidas. Como o próprio Muniz informa, são quatro apenas no estado de São Paulo. Uma delas, a Aceesp, a mais tradicional. Neste ano, foi criada a Aceisp (Associação dos Cronistas do Interior de São Paulo). Além dela, muitas surgiram devido a descontentamentos acumulados ao longo dos anos, isso sem citar  outros motivos.

No âmbito nacional, é a mesma coisa. Exemplo: muitas entidades descontentes com a postura da Abrace, outra associação tradicional, decidiram montar a Aceb, hoje presidida pelo Eraldo Leite. Nesse caso, temos duas associações brasileiras de cronistas.

É difícil, até por que tratam-se de rivalidades extremas, mas para conversar com a CBF (uma única e poderosa confederação), o ideal seria existir uma associação só forte no país. Por sua vez, cada estado teria uma só associação forte também.

Outro ponto do artigo de Muniz que cabe discussão: “Todos reunidos devem trabalhar para; primeiro, montar uma comissão de estudos // segundo, criar um código de conduta que será adotado à partir de 2017 // terceiro, discutir as regras claras para AQUISIÇÃO DE DIREITOS por parte das rádios/web rádios/portais de internet/aplicativos/jornais/revistas (e nem sempre adquirir direitos é pagar com dinheiro, existem outras formas de montar um bom acordo)“.

Cabe lembrar que a questão dos direitos de transmissão ganhou força aqui no Brasil a partir de 1987, com a Copa União, vendida para a Rede Globo. E o trabalho dos repórteres de rádio permaneceu tendo o devido respeito. Outras competições ao longo da história também tiveram direitos comercializados outras redes de televisão e os profissionais sempre tiveram chance de poder trabalhar sem qualquer tipo de limitação. Ou seja, o respeito a atuação dos repórteres não passa necessariamente pela questão dos direitos.

Outra coisa que chama a atenção no texto de Tatá Muniz e o seguinte trecho: “e nem sempre adquirir direitos é pagar com dinheiro, existem outras formas de montar um bom acordo“. Vale a pena desenvolver mais esse tópico. Que tipo de acordo rádios e rádios web poderiam fazer com os clubes e/ou entidades? Veiculação de spots publicitários vindos dos departamentos de marketing dos clubes para fins de divulgação? Mas essa divulgação já não é feita com a transmissão de jogos? Essas formas de montar um bom acordo prejudicariam a independência editorial dos departamentos esportivos das emissoras de rádio (embora não pareça, algumas emissoras são independentes)? E por que colocar nesse balaio as revistas e jornais? As entidades/clubes estariam dispostas a abrir mão do dinheiro?  Muitas interrogações que geram um belo e amplo debate. O espaço aqui  está aberto para outras opiniões.

radioesportivo

Pagando pode, não pagando, não, por Flávio Araújo

Ainda sobre a questão envolvendo os problemas entre CBF e repórteres de rádio, trazemos aqui um artigo escrito por Flávio Araújo e publicado no site Ribeirão Preto On Line. Narrador esportivo, com serviços prestados a emissoras como Bandeirantes e Gazeta, Flavio  viveu os áureos tempos em que o veículo reinava quase soberano no que dizia respeito à cobertura dos jogos de futebol.  No texto, ele relata fatos que viu de perto ou vivenciou. E mesmo naqueles tempos, os repórteres de rádio vivam dificuldades para trabalhar. Texto reproduzido com permissão do autor (Rodney Brocanelli).

Meu estimado amigo Nagib Pachá Junior é um atento observador das coisas do futebol e de suas ligações com as transmissões radiofônicas.

Devo a ele o envio de interessante matéria assinada pelo jornalista e estudante de direito Bruno Henrique de Moura, publicada no Observatório da Imprensa, do grande Alberto Dines, um mestre de todos nós e tomo a liberdade de reproduzir parte da mesma que julgo de bastante interesse do público em geral.

O PROTOCOLO DA CBF PARA A IMPRENSA

“A televisão revolucionou a forma de se ver e fazer futebol na imprensa.

Ela possuía a imagem.

Contudo, a áurea da transmissão no rádio nunca foi superada pelas cores e replays de uma voz marcante e sedutora que lhe faz fechar os olhos e criar através dos neurônios aquele fantástico ambiente e a cena que move a imaginação da jogada, do passe, do escanteio e do momento de glória de quem joga futebol, de quem transmite futebol e de quem ouve futebol: o gol.

Mas, a televisão trouxe algo que o rádio não consegue superar.

Os milionários valores por direitos de transmissão e as cotas publicitárias galopantes.

Eis o grande problema dessa relação: as finanças.

O fabuloso mundo do futebol encantou-se pelos luxos e valores astronômicos que hoje são pagos para um atleta, para um diretor, para um técnico.

O jogador do sub-15 recebe mais dinheiro por mês que este humilde jornalista esportivo ganha num ano.

O futebol encareceu, 200 milhões de direitos de transmissão por uma temporada, por 12 meses, para um clube.

Quem paga leva para jantar, dá flores, champanhes, bombons, se sente no direito de pedir algumas regalias da sua companheira de mesa, que acaba por desejo e necessidade, por perder as regalias do amante.

É penoso, doloroso e difícil de aceitar, acaba por acatar.

No dia 20/05/2016 a CBF publicou no seu site oficial o protocolo da imprensa e acesso ao gramado das séries A e B do campeonato brasileiro.

Entre as diversas regras colocadas algumas dizem respeito diretamente ao trabalho dos antigos “maridos” do futebol, os jornalistas de rádio.

As famosas entrevistas à beira do gramado no pré-jogo ou no intervalo não poderão ser mais feitas pelos repórteres de rádio.

Apenas a televisão, detentora dos direitos terá tal direito.

No único momento permitido para as emissoras de rádio, o final da partida, os repórteres, como mostra o artigo 49 combinado com inciso II do artigo 47 devem aguardar na aconchegante zona mista com grades, expediente adotado em muitos estádios também durante o jogo, em que os repórteres ficam “enjaulados” .

Agora ficarão enjaulados gritando pela benevolência do atleta para que ele vá se dirigir até os repórteres, repito, enjaulados, e lá conversar com os mesmos.”

ONDE TUDO NASCEU

Esta a parte do artigo do jornalista Bruno Henrique de Moura e publicado no Observatório da Imprensa que julguei do interesse em aqui repetir.

Por ter algo a acrescentar ao excelente material que me foi enviado pelo amigo Nagib lá do Rio de Janeiro é que continuarei a acrescentar dados de meu conhecimento e de minha longa vivência no rádio esportivo.

Claramente quando comecei a transmitir partidas de futebol ainda não havia o repórter de campo e a primeira vez que tomamos a iniciativa um subdelegado de polícia interrompeu a transmissão e o próprio jogo alegando a impossibilidade da reportagem entrar em campo.

Posteriormente as emissoras sentiram a dificuldade de comprar a aparelhagem que quando foi lançada custava uma fortuna.

Os primeiros repórteres trabalhavam com microfones sustentados por longos fios e o trabalho ia até onde o fio alcançava.

Também um outro problema: como os repórteres eram poucos e um pequeno número de emissoras transmitia futebol ficavam marcados pelos jogadores que só davam entrevistas para aqueles que sabidamente não os criticavam.

Quando surgiu a TV houve a competição entre o microfone e a câmera e os atletas se dirigiam sempre para aqueles que divulgassem sua imagem e não apenas a sua voz.

Os repórteres de rádio ficaram mais do que nunca a ver navios na busca de jogadores para entrevistar.

Essa questão que levantei acima, a do atleta que só falava para aqueles que lhe levantassem a bola é muito séria e persiste até os dias atuais.

Hoje foi um pouco suavizada pela presença de ex-atletas aos microfones como comentaristas e fazendo uma analogia os jogadores sabem pelas informações quase sempre de familiares daqueles que fazem críticas pesadas (e quase sempre verdadeiras) e dos que somente ocupam microfones pelo prestígio adquirido no gramado e ali estão para manter-se no meio e faturar algo mais.

Repórteres verdadeiros, porém, daqueles que vão ao âmago da ferida e perguntam aquilo que o ouvinte gostaria de perguntar se segurasse um microfone não existem mais.

O sprit de corps entre os jogadores funciona como um relógio e fez uma pergunta pesada a um é como se a fizesse a todo o time.

A JANELA DAS REPORTAGENS

Quem batizou a janele da reportagem foi o comentarista Milton Camargo, chefe de esportes da Rádio Tupi de São Paulo.

Tudo começou na Copa do Mundo de 1970 quando havia um grande número de profissionais da imprensa de rádio, jornais, revistas e televisão para entrevistar um pequeno número de jogadores do elenco do Brasil.

Naquela época, lembram-se os senhores, a seleção era toda comandada por militares, vivíamos o período que dominou o país de 1964 a 1985 e até o comandante da delegação era um militar.

Evidente que os repórteres tiveram que se enquadrar e os jogadores iam passando um a um e aquele que se dispunha a falar ou encontrava um conhecido que o admirava e o elogiava parava para algumas poucas palavras.

O problema dos direitos de transmissão também não é coisa nova.

Houve um período em que Pedro Luis fez uma campanha em São Paulo para que as emissoras de rádio também pagassem direitos.

Isso acontece oficialmente nas Copas do Mundo, em jogos oficiais da FIFA e em certos esportes como o boxe há muitos anos.

Transmiti com exclusividade alguns dos maiores combates de boxe porque minha emissora foi a única a comprar os direitos de transmissão.

A campanha do Pedro não foi em frente com o recuo de algumas emissoras, houve uma tentativa posterior de que os responsáveis por transmissões esportivas pelo menos pagassem seus ingressos o que também não progrediu.

Mas, apenas no Brasil.

Na Europa as transmissões esportivas são muito mais reduzidas até porque o rádio europeu até recentemente era todo estatal e pequeno o número de emissoras.

Quando no período áureo do futebol brasileiro e a seleção fazia constantes excursões era comum notarmos o público a nossa frente de costas para o campo admirando e se divertindo com a forma de trabalhar dos locutores brasileiros, para eles uma novidade.

O artigo do jornalista carioca é bastante oportuno e uma das razões que impediram até hoje que as emissoras pagassem direitos para transmitir foi a ameaça destas de cortarem os programas esportivos, sempre uma publicidade marcante para a presença de público nos diversos jogos.

A cada dia aumenta a concorrência nesse sentido com a programação televisiva fechada e sabemos que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

Num certo sentido o rádio é popular como o próprio futebol e a tevê comprando direitos para transmiti-lo abre caminho para que todas as rádios se integrem gratuitamente por força de lei dentro do mesmo pacote.

Além do mais, com as emissoras que hoje existem exclusivamente na Internet o leque abriu-se de tal forma que chegaremos a um ponto onde, no caminho em que vai, dia haverá em que o número maior de relatores, comentaristas, repórteres superará o de torcedores que pagaram ingresso.

Uma solução intermediária: tem muita rádio transmitindo futebol sim, mas a maioria o faz vendo o mesmo de uma tela de televisão.

As poucas que vão realmente aos estádios tem que se conformar e “abrigar” seus profissionais enjaulados como descreve o artigo aqui exposto.

flavioaraujo

Crise no rádio é tema do Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou mais uma vez da crise que assola o meio rádio. Emissoras demitindo profissionais, tirando programas do ar e extinguindo departamentos inteiros. O programa é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Flavio Ashcar.

showtime2

O Rádio e os primeiros gritos de gol, por Flávio Araújo

publicado no site Ribeirão Preto on Line

O rádio, o grande invento que marcou o início do século passado foi durante muitos anos um órgão estatal e que só transmitia aquilo que o governo desejava.

Isso acontecia nos países onde imperavam governos ditatoriais, mas também a Grã-Bretanha, Inglaterra à frente, teve na BBC sua porta-voz exclusiva.

Esse tipo de rádio subsistia sem publicidade que o sustentasse e no caso da Inglaterra o pagamento da taxa por parte dos possuidores de aparelhos era paga sem que ninguém o contestasse até recentemente.

No Brasil o rádio já nasceu independente com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923, mas também sem publicidade e com pagamento de taxa por aparelho.

Não durou muito esse estado de coisas e a publicidade passou rapidamente a ser aceita para que houvesse realmente progresso no broadcast brasileiro.

Também nos Estados Unidos da América do Norte o rádio nasceu livre e com publicidade ilimitada.

Existem ainda resquícios do rádio brasileiro no tempo da ditadura Vargas e o programa A Voz do Brasil, de transmissão obrigatória até hoje por todas as emissoras do país é a lembrança dos tempos em que a Rádio Nacional, subsidiada, tinha o maior elenco de artistas e era a mais ouvida do país.

Como os sucessivos governos, mesmo nos períodos democráticos, sempre tiveram uma queda para controlar a mídia, como o atual, a Voz do Brasil, muito combatido por seu anacronismo e pela concorrência superior que as emissoras fazem em seus programas informativos continua resistindo e mantendo-se no ar.

Nos países onde as ditaduras cravaram suas unhas com maior profundidade a presença do rádio sempre influenciou o futebol e caminhou ao lado deste fazendo sempre a vontade e seguindo a orientação fundamentalista dos donos do poder.

O HOMEM DE MUSSOLINI NO MICROFONE

Benito Mussolini, o foi o ditador da Itália que mais se aproveitou do chamado rádio oficial para promover as vitórias italianas de 1934/38 nos segundo e terceiro mundiais de futebol.

Tinha uma voz oficial para transmitir os cotejos da “azurra” e é sobre ele que escrevo.

No ano de 1956 fiz a minha primeira transmissão do Maracanã, cotejo amistoso entre Brasil e Itália, vitória brasileira por 2 a 0 e a primeira vez que um microfone de minha cidade natal, onde iniciei minhas atividades, era levado ao grande estádio.

Longe de mim imaginar que alguns poucos anos depois estaria em Milão transmitindo o cotejo onde o Brasil pagaria com a presença de sua seleção a visita da italiana.

Entre as emoções que o cotejo de 1956 me proporcionou estava a oportunidade de conhecer Nicoló Carósio, o locutor oficial de Mussolini e que transmitira os dois mundiais ganhos por seu país em 1934 na Itália e em 1938 na França.

Democrata e adepto de regimes onde o povo era livre não tinha nenhuma simpatia com um locutor notadamente imbricado com os princípios que o Ducce italiano defendeu.

Minha admiração era pelo locutor esportivo que subsistiu ao pós guerra e na verdade nos tempos em que o rádio reinava absoluto o narrador desse espetáculo merecia o mesmo respeito que o grande cantor ou o galã de cinema e teatro mais festejado alcançava junto ao público.

Hoje as coisas mudaram muito pelo extraordinário número de narradores esportivos em quase todos os países, mas principalmente no Brasil onde a televisão vai pouco a pouco fechando o caminho para os narradores de rádio que mesmo assim fazem do mesmo a escola para seu desenvolvimento.

Carósio, lembro-me, sofreu um pequeno acidente ao caminhar em direção à cabine que ocuparia no verdadeiro subterrâneo que se percorria nas entranhas do Maracanã para ocupar uma das poucas cabines de transmissão.

Bateu a testa numa das passagens mais baixas (era um homem magro e alto) e teve que ser medicado e por pouco não conseguiu transmitir o espetáculo.

Contam que Nicoló Carósio foi também quem levou pessoalmente aos jogadores da Itália antes da Copa de 1934 a mensagem de Mussolini simplesmente com estes dizeres: “Vencer ou Morrer”.

Lembro que as transmissões europeias eram muito diferentes das brasileiras, lentas, comentadas e sem o entusiasmo que sempre foi o principal tempero na narração dos profissionais brasileiros.

Mas, não só de Nicoló Carósio viviam os governos ditatoriais.

Em Portugal havia Arthur Agostinho, o locutor oficial da Rádio Nacional de Lisboa e também bastante afinado com o governo Salazar.

Muitos diziam que Arthur era, inclusive, membro da PIBE, a terrível polícia política do governo português.

Arthur, gordo, brincalhão, era uma figura que se fazia notar e sempre recebia os seus colegas brasileiros quando em Portugal com fineza e cavalheirismo.

Alguns dos nossos falavam em congraçamento, outros em estreita vigilância no desempenho de sua função que não era apenas a de narrar futebol.

Mas, ao microfone era antes de tudo um porta-voz do governo narrando jogos de sua seleção ou os grandes cotejos entre clubes de seu país.

Logo após a queda da ditadura portuguesa, a exemplo do Professor Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar, Arthur Agostinho transferiu-se as pressas para o Brasil e com seus amigos do Rio de Janeiro aqui foi se arranjando, mas jamais como locutor esportivo.

Interessante que o português falado no Brasil ganha campo em Portugal, mas a recíproca não é verdadeira.

Wilson Brasil, comentarista vibrante, combativo, deixou o Brasil e foi fazer sucesso no rádio português dentro de sua função, mas isso já depois do término do período ditatorial naquele país.

Na Europa, notadamente nos países do Leste Europeu e onde as emissoras oficiais duraram ainda por mais tempo no pós guerra cada país tinha em geral o seu locutor chapa branca.

Outro narrador que ganhou grande notoriedade e para muitos se portava como figura do governo foi já em época moderna o argentino José Maria Munhoz, com destaque para a Copa de 1978 e vencida por seu país.

Era, porém, diferente já que Munhoz contava com a concorrência de inúmeros outros e o rádio na Argentina tinha o mesmo modelo brasileiro.

No Uruguai o grande nome das narrações esportivas era Carlos Solé, que conheci na Rádio Sarandi desde minhas primeiras viagens a Montevideo.

Solé fora a grande voz uruguaia na conquista da Copa de 1950 e seu prestígio se rivalizava com o de Júlio Sosa o maior cantor de tangos da região platina depois de Carlos Gardel e que embora fosse ídolo na Argentina era uruguaio de nascimento.

Interessante esse aspecto: grandes ídolos argentinos nasceram no Uruguai ou em outros países vizinhos, como Leguisamo, chileno, o jóquei de maior prestígio em Palermo, como o músico e compositor Francisco Canaro, o autor de Madreselva (Madressilva) e condutor do mais famoso conjunto de tangos de sua época e ainda Gerardo Matos Rodrigues, autor do imortal Caminito, tango tão famoso que se tornou referência turística a local bastante visitado em Buenos Aires, o Camino Caminito.

Tanto o autor como a composição eram uruguaios legítimos.

Canaro, nome de rua em Buenos Aires nasceu no Uruguai, filho de italianos e só se naturalizou argentino no fim da vida.

E Carlos Gardel, o mais famoso intérprete original dessas canções teria nascido onde?

Uns dizem que foi em Tacuarembó, no Uruguai, outros que em Marselha, na França e que seu nome em realidade era Gardés e não Gardel, mas pela paternidade do mesmo os argentinos vão à luta.

Um dos argumentos que os argentinos usavam para mostrar que Gardel era filho do país foi o fato dele visitar e cantar para seus jogadores antes da final contra o Uruguai na Copa de 1930, a primeira delas.

Depois, soube-se que ele fizera o mesmo com os uruguaios e a discussão persiste até hoje.

O certo é que se estou falando de locutores-esportivos é bom lembrar um outro portenho que era muito ouvido no Brasil nos velhos tempos.

Nos anos 1940 quando o dial de um aparelho não tinha esse imenso número de emissoras dos dias atuais e que vai obrigar o governo brasileiro tomar medidas para transformar AMs em FMs o rádio do sul do continente penetrava no interior paulista com muito boa qualidade de som.

Assim é que me acostumei a ouvir transmissões por Fioravanti, da rádio Belgrano de Buenos Aires e lembro-me da frase dístico em que os locutores auxiliares depois de suas falas terminavam sempre com um “adelante, Fioravanti”.

Se comecei falando dos locutores oficiais em algumas emissoras do rádio estatal na Europa e vou mudando para uma espécie de homenagens a alguns nomes famosos na América do Sul não posso deixar de lado o chileno Gustavo Aguirre, “El negro Aguirre”, como o chamavam em Santiago.

Aguirre era um médico que também se dedicava ao grito de gol.

E ainda Sérgio Livingstone, goleiro da seleção chilena na Copa do Mundo de 1950, apenas que era o comentarista enquanto Aguirre era relator.

Alguns no Brasil marcaram época nesse período e me acostumei em minha infância a ouvir Rebelo Junior, o homem do gol inconfundível, Aurélio Campos, Jorge Cury, Antônio Cordeiro e, Oduvaldo Cozzi e alguns outros que me inclinaram para uma paixão profunda pela função.

O grande Pedro Luiz, de quem fui contemporâneo só vim a ouvir quando iniciei meus passos no rádio.

Mas, o primeiro locutor esportivo que deixou seu nome marcado por ter sido o único a narrar pela primeira vez uma Copa do Mundo foi o paulista Gagliano Neto, ao transmitir por uma cadeia de emissoras a Copa do Mundo de 1938.

Mesmo sendo uma transmissão sem influências governamentais (o Brasil já estava em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas) Gagliano causou grande confusão no Rio de Janeiro quando da transmissão do cotejo semifinal entre Itália 2 Brasil 1.

Como a Itália venceu com um pênalti imensamente contestado pelos jogadores brasileiros e pela transmissão de Gagliano (Domingos da Guia em Piola) o locutor aventou a possibilidade esdrúxula ao final da transmissão de que a partida poderia ser anulada.

Isso causou alvoroço e quebra-quebra na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro quando os fatos foram esclarecidos e foi lida a nota oficial falando que de forma alguma o jogo poderia ser anulado e o Brasil estava fora da final.

Locutores oficiais como o italiano Carósio ou o português Arthur Agostinho o Brasil, felizmente, nunca teve.

flavioaraujo

Onde estão as rádios de Santos na cobertura dos jogos do Santos?

Por Rodney Brocanelli

Em seu Papo de Bola, Edu Cesar registra que apenas duas rádios estiveram nesta terça-feira em Piracicaba para transmitir in loco a partida entre XV de Piracicaba x Santos, válida pelo campeonato paulista de 2016.

São elas:  105 FM (Leandro Bollis, Leonardo Fontes e Ricardo Martins) e Globo/CBN (Marcelo do Ó, Gustavo Zupak, Gabriel Dudziak e Guilherme Pradella), segundo o site. As outras transmitiram partida pelo famoso e popular tubão (com a equipe de transmissão narrando do estúdio e não do estádio).

No entanto, faltou uma pergunta muito pertinente para a ocasião: e as rádios de Santos e região? Estiveram em Piracicaba, também?

Enquanto essa resposta não vem, posso dar um depoimento pessoal: no último sábado, estive no Pacaembu para a transmissão do jogo entre Santos x Água Santa pela Premium Esportes, também válida pelo Paulistão.

Não vi nas cabines reservadas às rádios do interior nenhuma emissora da região. A única que estava lá – e que pode ser considerada local –  era a web rádio oficial do Santos.

Situação bem diferente do que este próprio Radioamantes registrou há uns cinco ou seis anos. Com o surgimento de Neymar e os consequentes bons resultados da equipe na época, várias emissoras se animaram a montar equipes para transmitir exclusivamente os jogos do clube. Posso citar a Tri FM, a 98 Rock, 102 FM e Terra Litoral. Nomes como Altieris Junior, José Calil e Anderson Wendell, o Tico, estiveram por trás destes projetos.

Atualmente,  apenas a Guarujá FM transmite os jogos do Santos.

 

rádio

 

 

 

 

 

Radioamantes no Ar fala da estreia da Brazil Radio e de outros assuntos

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre a estreia da Brazil Radio, afiliada do Grupo Bandeirantes em Orlando (EUA), que acontece nesta segunda-feira. Outros assuntos: a audiência do AM na Grande São Paulo, a saída de Diguinho Coruja da Tropical FM e das negociações para a volta de Paulino Boa Pessoa à Rádio Capital AM. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as segundas-feiras pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br), sempre a partir das 09h. Com Rodney Brocanelli, João Alckmin, Flavio Aschar e Paulo Ramalho.

showtime2

Alô, APCA. Que tal dar um prêmio ao Filhos da Pátria, da Kiss FM

Por Rodney Brocanelli

Já virou tradição neste blog: como nem sempre eu concordo com os prêmios de rádio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, de vez em quando deixo aqui uma sugestão aos ilustres jurados responsáveis pela eleição dos melhores na categoria. Minhas sugestões nunca foram ouvidas (veja os links no final deste texto), mas nunca é demais tentar. Vai que um dia, eles se sensibilizem.

A APCA poderia ficar de ouvidos ligados no programa Filhos da Pátria, veiculado todas as quartas, a partir do meio-dia na Kiss FM. No ar desde agosto de 2014, ele faz parte de uma faixa de programas que vão ao ar neste mesmo horário, como o Gasômetro, apresentado por Gastão Moreira e o Bem Que se Kiss, de Bruno Sutter.

A proposta do FDP, como é chamado carinhosamente, é dar espaço ao rock nacional. Seu grande diferencial é não ficar fechado em apenas um aspecto de toda a produção do estilo no país. Para tomar como exemplo, na edição de hoje (veja no player abaixo)  rolou Textículos de Mary (banda do fim dos anos 1990), Paralamas (dispensa apresentações), Golpe de Estado (que atuou entre os anos 1980 e 1991), uma música inédita do Varsóvia (a mesma que se transformou em cult, depois de sua breve atividade entre 1985 e 1989) chamada “Lama e Ferro”. Ainda teve Casa das Máquinas (banda dos anos 1970) e bandas na ativa, mas infelizmente pouco divulgadas como The Baggios e Sugar Kane. Onde é possível ouvir uma diversidade de bandas como essa no rádio aqui de São Paulo?

É bem verdade que rolam músicas dos Inocentes e da Plebe Rube, bandas com as quais Clemente esta intimamente ligado, mas isso não chega a ser um problema. Outro ponto a favor é a tentativa de soar didático, dentro dos poucos minutos em que o programa fica no ar.  Para isso, a participação de Marcelo Andreazza é sempre precisa.

Vamos ver se desta vez, o júri de rádio da APCA aceita mais esta humilde indicação.

Saiba mais:

Alô pessoal da APCA: que tal dar um prêmio para Segredos do Esporte, da ESPN?

Alô pessoal da APCA: que tal dar um prêmo ao programa Seus Filhos, da Band News?

filhos da pátria kiss fm

Radioamantes no Ar fala sobre as rádios que desejam deixar de lado a pesquisa do Ibope e outros assuntos

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre nota publicada na coluna de Ancelmo Gois, em O Globo, sobre a intenção de algumas emissoras de rádio em deixar de lado os dados da pesquisa de audiência feita pelo Ibope. Outros assuntos: o estado de greve dos funcionários da Super Rádio Tupi no Rio de Janeiro e a intenção do ministro das comunicações, André Figueiredo, de que os automóveis venham com receptores de rádio prontos para a sintonia da faixa estendida do FM, onde entrarão as emissora de AM. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as segundas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin, Flavio Aschar e Paulo Ramalho.

showtime2

Rede de redundância

Por Rodney Brocanelli

Nesta quarta-feira, quem pode sintonizar as rádios Bandeirantes, Bradesco Esportes e Band News teve a oportunidade de ouvir o mesmo conteúdo: a transmissão unificada de Corinthians x Shakhtar Donestsk  (Ucrânia), liderada pelo narrador Dirceu Marchiolli. A partida foi válida pela Flórida Cup.

Já informamos aqui neste espaço que tal coisa iria acontecer, com a volta da “Maior Rede de Rádios do Brasil”, expediente usado em competições como a Copa do Mundo e a Copa América.

No entanto, parece que esse novo projeto que unifica as rádios do Grupo Bandeirantes  não tem as devidas flexibilidade e sensibilidade. Na mesma quarta feira e no mesmo horário, o São Paulo também estava em campo no mesmo horário, disputando um amistoso no Paraguai, contra o local Cerro Porteño. Pelo menos, uma das três frequências poderia se dedicar à transmissão desta partida. Seria uma opção bacana para atender o torcedor tricolor que ainda se dedica a ouvir futebol pelo rádio.

A “Maior Rede de Rádios do Brasil” deve ter cuidado para não virar uma rede de redundância.

 

 

 

Ouça o Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no ar falou sobre o estado de saúde de Zé Béttio, que vem se recuperando de um AVC, das rádios da cidade de Orlando (EUA) que serão as novas afiliadas da Rádio Bandeirantes, da contratação de Claudio Tognolli pela Jovem Pan e muito mais. O Radioamantes no Ar vai ao ar todas as segundas, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin, Flavio Ashcar e Paulo Ramalho.

showtime2