Relembrando Jet Music Difusora

Por Rodney Brocanelli

Um dos grandes destaques do rádio na década de 1970, a Difusora AM pertencia aos Diários Associados e operava em 960Khz, em São Paulo. Ela foi uma das pioneiras dentro daquilo que se convencionou a chamar de segmento jovem. Sua principal concorrente na época era a Excelsior AM, do Sistema Globo de Rádio, que ficava nos 780Khz (hoje CBN).

A vinheta de passagem da emissora marcou época, na voz de Dárcio Arruda. Ouça abaixo.

O que poucos sabem é o nome da música que faz trilha para a vinheta. João Alkmin, da Show Time web rádio, descobriu. É The Rise And Fall Of Flingel Bunt, com The Shadows. Clique e ouça.

sucessos pop difusora - front 500x500

As vozes que vieram da Suécia

O blog Radioamantes abre espaço mais um excelente texto do jornalista e radialista Flávio Araújo, com passagens pelas rádios Bandeirantes e Gazeta. Ele escreve sobre a cobertura feita pelo rádio da Copa de 1958, disputada na Suécia.  Leitura altamente recomendável (Rodney Brocanelli)

*

 A avançada tecnológica que corre em ritmo alucinante nos dias atuais impedindo-nos de prever se o celular de hoje ainda terá a mesma utilidade amanhã andava a passos de tartaruga naquele ano de 1958.

É certo que todo o planeta viveu uma grande arrancada de progresso tecnológico nos anos que se seguiram ao término da II Guerra Mundial, mas no campo das comunicações o período compreendido entre 1945 e 1958 não tinha muito a comemorar.

Nesse terreno nossas transmissões esportivas obedeciam os mesmos critérios de anos anteriores com a necessidade da Cia. Telefônica Brasileira em conjunto com telefônicas regionais.

As precursoras Radional e Radiobrás só viriam nos anos 1960 e de satélite de comunicações só havia cientistas sonhando que um dia eles iriam ao espaço.

Dizem que o primeiro que sonhou foi Isaac Newton ao desenvolver as teorias de sua grande descoberta, a lei da gravidade, mas foi preciso que séculos se passassem até que os russos em 1957 lançassem o Sputnik 1, o primeiro de milhares que hoje desvendam em velocidade alucinante os mistérios cósmicos.

Mesmo assim e com todo o suporte técnico em 2014 basta que alguns raios risquem os céus para que as imagens de televisão desapareçam e por muitos minutos fiquem buscando suas conexões com seus satélites, o que nem sempre acontece.

Ai estão a SKY e tantas outras para provar que escrevo a verdade nua e bastante crua.

No capítulo, quando me referi às transmissões esportivas só pensava no rádio, pois, também televisão, embora já existente no Brasil desde 1950 ainda não entrara nessa disputa.

São Paulo era uma cidade de 3 milhões e meio de habitantes quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, Brasil que somava então um contingente de 70 milhões de brasileiros.

O som do rádio que vinha da Suécia era a forma exclusiva que os brasileiros tinham para acompanhar os jogos do selecionado nacional e nos horários em que o Escrete atuava o Brasil abria ouvidos e parava pernas.

Uma diferença notável dos dias atuais quando acompanhamos em cores naturais os jogos de praticamente todos os grandes campeonatos dos países filiados à FIFA, a organização que tem sob seus braços mais tutelados do que a própria ONU.

UMA TELEVISÃO NA COPA DE 1958

O espírito criativo de um dos gênios do rádio brasileiro criou uma forma para que o povo de São Paulo pudesse acompanhar o som do rádio que transpunha o Atlântico com algo mais.

As vozes de Edson Leite e Pedro Luiz comandavam essas transmissões com os comentários de Mário Moraes pela Bandeirantes de São Paulo e na criatividade de Edson e no complemento da execução pelo engenheiro Júlio de Oliveira foi que nasceu o painel eletrônico.

Um simples retângulo de madeira com uns 15 metros de cumprimento por 10 de altura foi colocado na Praça da Sé e simultaneamente outro na Praça da República.

Uma mesa de som comandava o deslizar da bola em furinhos que permitiam a passagem de luz num arremedo de uma futura transmissão televisiva.

O objetivo era marcar de forma mais contundente e dramática a transmissão da emissora, mas pelo inusitado do feito hoje está até merecendo que livros sejam escritos a respeito.

Iniciante na emissora cuidava das reportagens que antecediam as transmissões, as chamadas “salas de espera”, apenas que no meu caso, em movimentação com a viatura de transmissão volante.

Não sei quantas vezes fui da Praça da Sé até à República, só sei que a experiência da primeira Copa do Mundo não me permitiu ouvir outras vozes importantes que através de diversas emissoras chegavam até nós.

Jornais e revistas enviaram correspondentes à Suécia, porém, com a demora para a chegada do material de um local tão distante mais aumentava a atenção para as vozes do rádio.

São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul enviaram seus locutores e comentaristas principais para o comando das transmissões enquanto as outras emissoras do país, acredito que a unanimidade, fizeram cadeias com ou sem representantes diretos.

Outro dia li uma reportagem de jornal informando que de todas as vozes da Copa de 1958 só uma ainda pode ser ouvida.

A do locutor José Alves BRAGA JÚNIOR, capixaba que vindo do Rio de Janeiro trabalhava na época da Copa na Rádio Panamericana de São Paulo e que depois foi meu colega por cerca de 3 anos na Bandeirantes.

Seria o único remanescente entre todos os que tiveram o privilégio de irradiar a primeira conquista brasileira em mundiais da FIFA, onde na verdade tudo começou para transformar o Escrete nacional em maior papão de Copas.

Escrevi no condicional já que além das figuras do rádio que comandaram transmissões dos jogos do Brasil na epopeia sueca narrando ao vivo o grande feito muitos outros de emissoras que formavam nas diversas cadeias se fizeram ouvir e não tenho como comprovar se ainda estão por aqui.

Também não é de se admirar já que a voragem do tempo que a nada perdoa só conserva entre nós, quando o Brasil se prepara para sediar a 20ª. Copa do Mundo, 8 daqueles 22 craques que conquistaram o primeiro caneco na Suécia, Copa de número 6: Bellini, Dino, Zito, Moacir, Mazola, Pelé, Zagalo e Pepe.

Os demais estão disputando torneios nos Campos do Senhor com as narrações maravilhosas de Pedro Luiz, Edson Leite, Waldir Amaral, Jorge Curi, Oduvaldo Cozzi, Luiz Mendes, Geraldo José de Almeida, Orlando Batista e Mendes Ribeiro, verdadeiras vozes da Suécia ao comando de vibrantes transmissões.

Mendes Ribeiro era o narrador da Rádio Guaíba de Porto Alegre, a detentora do maior número de transmissões internacionais nos anos de meu início no grande rádio.

Orlando Batista, com quem tive sempre um excelente relacionamento era um catarinense com carreira toda desenvolvida no Rio de Janeiro e pelo meu conhecimento é o recordista em transmissões de Copas do Mundo desde a 1ª. Em que participou em 1950 até a última que transmitiu em 2002.

Ao todo, Batista, que desenvolveu sua carreira de locutor-esportivo na Rádio Mauá tendo por largo tempo como comentarista principal o grande artilheiro Ademir de Menezes transmitiu 14 Copas do Mundo.

Comprovando as dificuldades técnicas da época os gaúchos mantinham um transmissor fixo na Suíça e dessa maneira realizavam trabalhos na excursão de equipes do sul com muito mais facilidade e categoria do que as emissoras do Rio e de São Paulo.

Depois de Mendes Ribeiro quem o substituiu foi Pedro Carneiro Pereira, outro campeão de transmissões internacionais, mas que tinha como hobby pilotar carros de corrida o que provocou sua morte precoce.  

Na marcha da tecnologia que se acentuava as imagens da televisão só trouxeram a visão do rolar da bola em Copas para o Brasil em 1970.

Nesse ano, lembro-me bem, para transmitir pelo rádio a despedida do Brasil dos campos nacionais na inauguração do estádio de Manaus tivemos que levar para lá uma imensa parafernália que se compunha inclusive de um transmissor.

São Paulo já tinha 6 milhões de habitantes e o Brasil já podia ouvir e cantar os versos de Miguel Gustavo que todos decoraram: “noventa milhões em ação, prá frente Brasil, do meu coração.”

 

Flávio Araújo colabora regularmente com o site Ribeirão Preto On Line. Leia outros textos de sua autoria clicando no link abaixo

http://ribeiraopretoonline.com.br/colunistas.php?id=1

 

flavioaraujo

O Mazembe Day

Por Rodney Brocanelli

noticia47298O dia 14 de dezembro é uma data que o torcedor do Internacional não gosta de lembrar. Em 2010, o Colorado sofria uma de suas derrotas mais sofridas. Era a semifinal do Mundial de Clubes. A crítica especializada colocava a equipe na final, contra a Internazionale, de Milão. O que não se imaginava era a tragédia na partida contra a equipe africana. Derrota pelo placar de 2 a 0.

A derrota dentro de campo ocasionou um dos grandes momentos do rádio esportivo. Haroldo de Souza, então na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, estava em Abu Dhabi para a transmissão daquela partida, ao lado do repórter Sérgio Couto.  A sua narração, ou melhor não-narração, para o segundo gol marcado por Kaluyituka surpreendeu. Em vez de descrever o lance, ele se limitou a dizer: “eu não vou narrar”, numa prova de respeito ao torcedor do Inter e também para amenizar seu sofrimento.

O aúdio foi divulgado com exclusividade pelo Radioamantes e ganhou repercussão nacional. Grandes portais de notícias, como  Folha on Line trataram de divulgar a história, sem citar ao menos este blog.  Sites como Comunique-se e Imprensa também publicaram a não-narração, mas a reboque do que saiu na Folha. Saiba mais aqui:

https://radioamantes.wordpress.com/2010/12/16/desabafo/

História contada e contextualizada, hora de relembrar de algo que já entrou para a história do rádio esportivo brasileiro.  Clique no player abaixo.

Rádio é pano de fundo para acontecimentos relatados em biografia proibida de Roberto Carlos

Por Rodney Brocanelli

O furacão proporcionado pelo movimento Procure Saber, aquele em que grandes artistas brasileiros desejavam, entre outras coisas, a limitação da publicação de biografias já passou, mas trouxe de volta um livro que havia caído no esquecimento, envolvendo um dos cabeças do grupo. “O Rei e Eu”, uma das biografias não-autorizadas sobre Roberto Carlos, que foi banida das livrarias, está disponível em formato digital. Basta uma boa busca em mecanismos de busca para encontrá-lo.

Escrita por Nichollas Mariano, que trabalhou por muitos anos para Roberto como mordomo, a obra registra momentos da vida do cantor entre o final das décadas de 1950 e 1960. O período abrange o início da carreira do Rei, até seu casamento com Nice Rossi.

Pouco depois do matrimônio, Nichollas deixa de trabalhar com Roberto. Em 1979, o ex-mordomo decidiu lançar o livro. Entretanto, a ação dos advogados do cantor conseguiu tirar a obra de circulação. Mais detalhes, na reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, cujo link está abaixo.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-culpado-e-o-mordomo,1092522,0.htm

*

O rádio está presente em boa parte do livro e é pano de fundo para muitos acontecimentos. Destacamos alguns deles ao longo deste texto. Logo na parte de agradecimentos, uma menção especial ao apresentador Ademar Dutra, da Rádio Globo (SP).  Foi por intermédio de seu programa que se chegou ao título “O Rei e Eu”. A sugestão partiu de uma carta envidada por uma ouvinte.

Nichollas Mariano começou, ainda adolescente, como dançarino de rock, tendo como parceira sua irmã. Juntos, eles participaram de vários programas de televisão do Rio de Janeiro nos anos 1950. A partir daí, ele frequentou várias festas e numa delas conheceu Magda Fonseca, filha de Alceu Nunes Fonseca, dono da Rádio Carioca. Nasceria uma amizade entre os dois e ela o levou para trabalhar na emissora, como discotecário. Foi aí o grande salto da vida de Nichollas.

Em um belo dia, ele recebe o disco Louco Por Você, o primeiro gravado por Roberto Carlos. Nichollas passa a desenvolver uma relação de fã e cria artifícios para incluir suas músicas na programação da Carioca. Algum tempo depois, o próprio Roberto, vai até a emissora para conceder uma entrevista ao programa apresentado por Gilberto Lima, outro grande nome do rádio. Começa aí a aproximação, que depois se transformaria em amizade e, posteriormente, em uma relação de trabalho.

O início foi como divulgador. Nichollas foi até a várias emissoras de rádio para mostrar um novo trabalho de Roberto. Uma das paradas foi na Rádio Globo. A conversa com um dos apresentadores, Luiz de Carvalho, não foi nada amistosa, mas o troco viria bem depois, que está bem documentado na obra.

*

O jornalista Carlos Brickmann escreveu certa vez: “(…)este colunista leu uma antiga biografia de Roberto Carlos, O Rei e Eu, escrita por seu ex-mordomo, Nicholas Mariano. E até hoje não conseguiu entender por que Roberto Carlos lutou tanto para proibi-la e recolher os exemplares em circulação”.

oreieeu

João e Hélio

Por Rodney Brocanelli

João Antônio de Souza ( o Johnny Black) e Hélio Ribeiro formaram uma das maiores duplas do rádio brasileiro. Ambos trabalharam juntos por muitos anos e em várias emissoras. O que Hélio pensava, João executava. É a prova de que o trabalho em equipe sempre funciona. E que o comunicador não vive sem o operador de áudio. João depois seguiu seu caminho e se tornou conhecido da geração acima dos 30 anos por seu trabalho na televisão, especificamente no programa Perdidos na Noite, apresentador por Fausto Silva. Mesmo assim, os caminhos dessa dupla nunca deixaram de se cruzar. João morreu em junho de 1996. Emocionado, Hélio gravou um depoimento para o Sistema Globo de Rádio reconhecendo o talento de João. Uma simples, mas comovente homenagem.  Quatro anos mais tarde, no ano 2000, foi a vez de Hélio partir desta dimensão. A história que os dois escreveram não merece ser esquecida.

 

HelioRibeiro

O áudio foi extraído dos arquivos de Onofre Favotto, que estão disponíveis na Internet.

Roberto Carmona completa 50 anos de carreira

Por Rodney Brocanelli

Nesta segunda-feira, a equipe de esportes da Transamérica comemorou em um restaurante de São Paulo os 50 anos de carreira de Roberto Carmona. O programa Resumo Esportivo, sob o comando de José Calil, foi apresentado ao vivo do local e houve espaço para o aniversariante contar à Eder Luiz uma passagem de sua carreira envolvendo uma eleição que escolheria o presidente do Corinthians. Ouça no player abaixo

image001

Uma frase para o dia do Rádio

Let’s hope you never leave old friend
Like all good things on you we depend
Radio Ga Ga – Queen

 

Ouça a canção inteira clicando no vídeo abaixo

rádio

Memória: Falando abertamente de jabá

Retirado do link:  http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/?p=4553

26/07/2009

Escrevi na última sexta-feira que a prática do jabá nas rádios brasileiras “é uma espécie de caixa-preta, muito bem protegida e imune, inclusive, à investigação jornalística”.  Comentava um texto do músico Tico Santa Cruz, publicado em seu blog, no qual ele afirma que o seu grupo, o Detonautas, está sendo boicotado pela rádio Mix FM. O músico contou que, certa vez, a rádio exigiu dos Detonautas que alterassem uma música já gravada para se adequar aos padrões da emissora.  O jornalista Rodney Brocanelli, que mantém o blog Rádio Base, escreveu para me alertar que a “caixa preta” do jabá não é tão fechada assim. Ele me enviou trechos de uma entrevista de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, à revista Playboy, em 2006, na qual o empresário fala abertamente do assunto. Eis o trecho:

PLAYBOY: Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá]. TUTINHA: Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais. PLAYBOY: Que tipo de acordo?

TUTINHA: Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.

PLAYBOY: Que vantagem?

TUTINHA: Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos.

Brocanelli também publica em seu blog trechos de uma entrevista que fez com Roberto Miller Maia, ex-diretor da rádio Brasil 2000, na qual ele também fala abertamente do assunto. Eis o trecho selecionado:

Não existe o estar pagando para tocar, mas existe um acordo de cavalheiros. Como o U2 está dando ao ouvinte da rádio uma oportunidade de uma promoção que leva o sujeito para Miami, em contrapartida tem que se mostrar o trabalho dos caras. Por que uma banda fica famosa? Tem sempre aquele trabalho de marketing. Por mais que uma banda seja brilhante ou excelente alguém precisou falar sobre ela, instigar as pessoas a gostarem daquilo. E também existem as armações, que não duram nada. Se a banda for ruim, não vai adiantar. Tem que existir um mínimo de talento, de empatia com aquele grupo de pessoas a quem você vai oferecer esse produto. Isso tudo deveria ser uma coisa mais clara, ficou uma coisa obscura durante todos esses anos. Se tudo fosse às claras, não existiria corrupção.

Eis, portanto, duas manifestações que mostram que o jabá não é, como eu disse, uma caixa-preta sem chave.

Memória: Oswaldo Maciel narrando na Rádio Excelsior em 1980

Por Rodney Brocanelli

Nos anos 1980, a Rádio Excelsior AM 780 Khz (hoje CBN) exercia um importante papel no esquema das transmissões de futebol do Sistema Globo de Rádio. Enquanto a Rádio Globo transmitia o principal jogo da rodada dos campeonatos em andamento, a Excelsior transmitia o que poderia ser chamado de segundo jogo em importância. Quando não havia a concidência de dois jogos, as duas emissoras entravam em cadeia. Esse esquema simples garantiu por muito tempo a liderança da equipe que então era comandada por Osmar Santos. Dessa época, destacamos uma narração de Oswaldo Maciel para a partida entre Noroeste (Bauru) e São Paulo. Vitória do tricolor pelo placar de 3 a 0. Ouça o terceiro gol, marcado por Valtinho. O jazz ouvido no fundo é cortesia do sonoplasta (talvez o Johnny Black) que rodou os gols em uma edição do Balancê. Áudio extraído dos arquivos sonoros de Onofre Favotto, que estão disponíveis na Internet.

 

foto_oswaldomaciel

O fim do Good Times na BH FM

Por Rodney Brocanelli

Uma notícia publicada no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, informa sobre o fim do programa Good Times. Os quatro primeiros parágrafos da reportagem resumem tudo:

Agnaldo Silva tentou segurar a continuidade do programa “Good Times”, que foi ao ar pela última vez no dia 2 deste mês, o quanto pôde. Nos últimos anos, ele viu a versão carioca do projeto que desenvolvia aqui ser extinta na emissora de rádio do mesmo grupo para o qual trabalhava, e desde então lhe parecia cada vez mais próxima a repetição desse fato também em Belo Horizonte.

 O que acabou acontecendo, de acordo com ele, não foi em função da queda de audiência da atração que produziu e apresentou durante mais de uma década. Tal decisão refletiria o tipo de público que a empresa está mais interessada em apostar atualmente.

“A rádio está agora completamente voltada aos jovens da chamada nova classe média, que surgiu com o fortalecimento do que se convencionou identificar como classe C. O ‘Good Times’ naquele cenário era um completo estranho. Mas nós não tínhamos problema algum com ibope, nós mantínhamos um número bom de ouvintes, apesar da concorrência da noite, que é muito grande”, afirma Agnaldo Silva.

“Porém, como a empresa decidiu tirá-lo do ar, nós tivemos que acatar isso. Eu acabei saindo junto, porque o meu perfil de apresentador também não se encaixava mais ali. No horário que era do ‘Good Times’ hoje, durante o sábado, se tem tocado mais funk e sertanejo”, completa o radialista.

O link completo da reportagem está aqui:

http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-adeus-ao-good-times-1.713969

Só achei estranho o fato de a reportagem não trazer o nome da emissora, BH FM, e nem informar que ela faz parte do Sistema Globo de Rádio. Que pudor é esse?

O Good Times teve uma versão paulistana. Seu auge se deu nos tempos em que a freqüência dos 90,5 Mhz era ocupada em São Paulo pela Globo FM. Um de seus apresentadores mais famosos (talvez o mais famoso) foi Sergio Bocca, a partir da segunda metade dos anos 1980.

Não há vilões nesse fim da edição mineira do Good Times. O mundo mudou, e o ouvinte de rádio também.

bhfm-1

 

O exemplo de Joelmir Beting

Por Rodney Brocanelli

Nos últimos dias, iniciou-se um grande debate a respeito de uma velha questão: jornalista esportivo pode torcer para seu time de futebol? Suas reações na mesa do bar ou em redes sociais respingam na empresa onde esse profissional trabalha? Vale trazer para toda essa discussão o depoimento de Joelmir Beting. Em entrevista ao programa Sofá Bandeirantes, veiculado em novembro de 2008, Beting contou em que circunstâncias ele trocou de especialização. Da área esportiva, ele passou para a cobertura do dia-a-dia da economia. Ouça no player abaixo.

Joelmir Beting

Memória: Haroldo de Souza e Pedro Ernesto Denardin juntos na Rádio Gaúcha, em 1990

Por Rodney Brocanelli

As gerações mais novas não sabem, mas Haroldo de Souza e Pedro Ernesto Denardin, hoje adversários ferrenhos no rádio de Porto Alegre, já foram companheiros de transmissões em um passado distante, na Rádio Gaúcha. Haroldo era narrador, enquanto que Pedro Ernesto era repórter. Para ilustrar, separamos o trecho de uma transmissão dessa dupla na grande final do campeonato gaúcho de 1990, vencido pelo Grêmio, na decisão contra o Internacional. Hoje, Haroldo de Souza é narrador títular da Rádio Grenal. Pedro Ernesto teve uma rápida ascensão e hoje é o narrador principal da Rádio Gaúcha. Áudio extraído do Boletim Radioamantes, veiculado na web rádio CTBA durante todo o primeiro semestre de 2013. Apresentação de Jaques Santos e Willians Lima. Ouça abaixo.

 

haroldoepedro

Memória: Oswaldo Maciel narra gol de Muller no título paulista do São Paulo em 1985

Por Rodney Brocanelli

Em 1985, a direção da Rádio Record, de São Paulo, decidiu voltar a transmitir futebol, algo que não acontecia na emissora desde no ano de 1966. Para essa empreitada, foi montada uma equipe unindo nomes consagrados e jovens talentos que estavam despontando na época. No final daquele ano, a Record levou ao ar uma retrospectiva fazendo um balando do melhor (e pior) do esporte naquele ano. Um dos destaques foi o título paulista do São Paulo, que despontava com um time que ficou conhecido como os “Menudos do Morumbi”. No áudio, extraído dos arquivos de Onofre Favotto,é possível ouvir a narração de Oswaldo Maciel para um gol marcado por Muller. A apresentação é de um jovem Paulo Soares. Clique no player abaixo.

 

foto_oswaldomaciel

Aos poucos, Pedro Ernesto vai retomando sua rotina na Rádio Gaúcha

Por Rodney Brocanelli

Depois que quase 45 dias fora do ar devido a um tratamento médico, o narrador Pedro Ernesto Denardin, da Rádio Gaúcha, aos poucos está retomando sua rotina de trabalho na Rádio Gaúcha. Em princípio, ele irá atuar nos programas de estúdio, como o Sala de Redação, um comentário diário na programação da emissora. Narração, em princípio, apenas no dia 8 de setembro. Uma doença autoimune o deixou cerca de 15 dias sem falar e andar. Ele informa que está fazendo sessões de fonoaudiologia. Pelo vídeo divulgado pela Rádio Gaúcha, aparentemente, o problema de saúde não deixou grande sequelas na voz. Clique no link abaixo porque a porcaria do WordPress não permite a incorporação de vídeos que não sejam do You Tube.

http://videos.clicrbs.com.br/rs/gaucha/video/radio-gaucha/2013/08/pedro-ernesto-denardin-volta-aos-microfones-gaucha-27-08-2013/37351/

Pedro Ernesto se tornou conhecido do grande público brasileiro por suas narrações apaixonadamente favoráveis aos times do Rio Grande do Sul. Em 2006, ele provocou a ira dos torcedores do São Paulo ao dizer que o Internacional estava “pisando e rasgando” a camisa do tricolor na final da Libertadores daquele ano.

Por causa desse estilo, torcedores de outros estados sempre aproveitam a presença do narrador nos estádios para “homenagea-lo”, como aconteceu no estádio de Pituaçu.

O estilo de Pedro Ernesto as vezes provoca situações inusitadas, como na final da Libertadores de 2010, quando ele disse que Rafael Sóbis ficou com o pinto de fora durante a final entre Internacional e Chivas. Explica-se: o jogador Tinga teve o seu calção manchado de sangue e não poderia prosseguir na partida dessa maneira. Sóbis ofereceu o calção que tinha usado na partida (já fora substituido) ao companheiro.

Na alegria e na tristeza: Pedro Ernesto também é a voz dos momentos não muito felizes da dupla Grenal. Uma exemplo ocorreu em 2008, quando o Grêmio levou um gol do golerio Márcio, do Atlético-GO, numa partida válida pela Copa do Brasil.

Na famosa “Batalha dos Aflitos”, envolvendo Grêmio e Náutico, partida decisiva da série B do brasileirão, em 2005, Pedro Ernesto estava lá.

pedroernesto

Os 40 anos do título dividido entre Santos e Portuguesa

Por Rodney Brocanelli

Em 26 de agosto de 1973, Santos e Portuguesa decidiram o campeonato paulista. Por um equívoco do árbitro Armando Marques, o título foi dividido entre as duas equipes. Willy Gonser narrou as emoções daquela partida pela Jovem Pan. Outra curiosidade: um dos repórteres de campo era Sílvio Luiz. Ouça abaixo.

willygonser