Programa de rádio esportivo completa 60 anos “no ar” em São José dos Campos

Neste dia 1º de abril o Parada dos Esportes, mais tradicional programa esportivo de São José dos Campos, celebra 60 anos no ar levando diariamente as notícias do São José Esporte Clube e as transmissões dos jogos do time em todos os campeonatos em que a Águia do Vale participa desde 1965 – quando o clube iniciou sua participação em campeonatos profissionais.

A história do programa que há quase um ano virou uma webrádio está diretamente ligada a história do clube: além de ter transmitido todos os jogos do clube até hoje; em 1978, o hino oficial da Águia do Vale, composto por Otavio Assis e utilizado até os dias atuais, foi escolhido por meio de um concurso que nasceu no Parada dos Esportes, pela então Rádio Clube AM 1120.

O nome “Parada dos Esportes” surgiu de uma lista de sugestões apresentada pelo ainda garoto Alberto Simões, que tornou-se o grande líder e patrono da equipe. Falecido em 2016, aos 67 anos, Alberto se destacava pela simpatia e profissionalismo, seja como professor, historiador ou radialista.

O membro honorário do programa ainda foi o responsável por eternizar a história do clube em três diferentes obras literárias. Em 1995, Alberto publicou o livro “Esporte, Formigão e Águia”, que contava a história do clube desde a sua fundação em 1933; em 2010, o jornalista lançou o “Almanaque São José Esporte Clube”, que catalogou todos os jogos da equipe desde a era amadora; e por fim, em 2012, com a companhia do também historiador taubateano Moacir dos Santos escreveu o livro “A história de uma rivalidade”, que destaca o “Clássico do Vale” entre São José e Taubaté.

Representando o Parada dos Esportes, Alberto Simões ainda esteve presente na foto oficial do início da construção do estádio Martins Pereira em meados dos anos 60 e décadas mais tarde, fez parte da delegação do São José que excursionou pela Espanha, transmitindo os 9 jogos que a equipe joseense fez em gramados europeus. 

Evolução

Para o jornalista Antônio Carmo, atual coordenador da equipe, o Parada é um programa tradicional e que sempre teve como carro-chefe a cobertura do São José Esporte Clube e que mesmo chegando aos 60 anos, evoluiu muito e acompanhou as transformações do rádio e do futebol.

“Participei pela primeira vez do Parada dos Esportes em 1982, mas antes já havia trabalhado numa transmissão de jogo em 1981, como plantão esportivo, ao lado de Beil Junior e a equipe que fazia o Parada na Rádio Clube.Me lembro bem que naquele tempo, o então redator Oswaldo Pascoal escrevia as laudas que o Alberto Simões, apresentador do programa, faria a leitura. De lá pra cá a evolução é gigantesca e temos tudo de forma digital, incluindo a participação das pessoas que nos ouvem e assistem por meio do chat no Youtube ou mesmo pelas mensagens de WhatsApp. Isso é extraordinário”, relata Carmo.

Ao longo destes 60 anos dedicados à cobertura diária e às transmissões dos jogos do São José, o Parada passou por emissoras como Rádio Clube, Rádio Bandeirantes, Rádio Cidade, Rádio Piratininga, Rádio CBN Vale e Rádio Metropolitana.

Desde 2020, em meio a pandemia da Covid-19, o Parada também está presente nas redes sociais e a cada ano se consolida como a principal referência para os novos torcedores que acompanham as informações do clube pelo Youtube, com mais de 2.400 inscritos e transmissões com visualizações que superam 18 mil visualizações.

Aliás, durante a pandemia os “Dinossauros do Rádio” encararam de frente o desafio de transmitir a campanha campeã do São José no Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 2020. Por conta das restrições sanitárias, vários jogos fora de casa foram transmitidos de forma off-tube. Contudo, as emoções dos jogos finais, mesmo sem a presença de público no estádio Martins Pereira foram inesquecíveis e torcedor não ficou sem a cobertura dos jogos da Águia no radinho.

“Não há dúvidas em afirmar que o Parada dos Esportes é um programa que marca a história do rádio esportivo joseense pela sua credibilidade e longevidade, graças também a grande audiência e confiança que nós temos do torcedor do São José e todos os apaixonados por esportes na cidade”, destaca Antônio Carmo. 

Equipe

Ao longo de seis décadas, inúmeros profissionais do jornalismo esportivo passaram pelos microfones deste programa. O mais antigo deles é o repórter Valtencir Vicente, que empunha o microfone do Parada como setorista do São José há 40 anos.

“Cheguei ao Parada em dezembro de 1984, mas já trabalhava na cobertura do dia a dia do São José desde 1980. Ao longo desses 40 anos vivenciei inúmeras jornadas inesquecíveis, principalmente com o São José. Pessoalmente gravo na memória as semifinais do Brasileirão da série B de 1989, quando eu e o Alberto Simões fomos para Alagoinhas, no interior da Bahia, e tivemos a oportunidade de transmitir ao torcedor joseense a partida que valeu a conquista do acesso ao Brasileirão de 1990”, revela Valtencir.   

Além de Valtencir e Alberto, a lista dos craques que fizeram e fazem parte do Parada é extensa e contempla os seguintes profissionais: Benedito Matarazzo Filho, Jairo Carlos, Haroldo dos Santos, Roberti Costa, Edison Cyborg, Boueri Neto, Aurélio de Barros, Edson Fonseca, Paulo Roberto de Paula, Antônio Carmo, Paulo Roberto de Carvalho, Valmir Jorge, Lano Brito, José Carlos Guedes, Luís Galban, Dejair Barbosa, José Luiz Carvalho de Almeida, Osvaldo Pascoal, Roberto Montenegro, Valtencir Vicente, Fernando Carlos, Joan Penna Flores, Beil Junior, Cláudio Brasil, Cláudio Rodrigues, Dirceu Plenamente, Chagas Junior, Ronaldo Tumae, Alexandre Soledade, Aderbal de Oliveira, Celso Gomes, Vieira Junior, Antônio Faustino, Gilson Ricardo, Jovana Bobiniak, Angelica Prudente, Andressa Lopez, Dalvi Rosa Moreira, Luis Carlos Ribeiro, Luis Antonio Piedade (Piê), Cláudio Nicolini, Argentino Ferreira, Ribamar Câmara, Benê Carlos, Pedro Mariano, Minas Santos, Ignácio Rodrigues, Paulo Lima, Edson Ramiro, Maurício Salles, Ademir Lemos, Nei José, Émerson Tersigni, Gabriel Campoy, Pedro Coralia, João Gabriel e João Delfino.

Reconhecimentos

Pela longevidade e sua contribuição ao esporte de São José dos Campos, no ano de 2015, o programa foi homenageado pela Câmara Municipal com a Medalha Mérito Esportivo Ubiratan Pereira Maciel.

Já em 2020, o Parada recebeu o reconhecimento da Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (ACEESP) pelos mais de 50 anos de dedicação ao jornalismo esportivo.

Antônio Carmo no novo estúdio do Parada nos Esportes

Radialista Alberto Simões morre aos 67 anos em São José dos Campos

por Ricardo M. S. Gonçalves, do portal Guia Campos

alberto simõesFaleceu em São José dos Campos na madrugada dessa quinta-feira (21) o professor, historiador e radialista esportivo Alberto Simões, 67 anos.

Alberto de Souza Simões que está sendo velado na Capela do Santíssimo com sepultamento marcado para 16h30 no cemitério Padre Rodolfo Komorek, no centro de São José dos Campos, deixa esposa e dois filhos, nasceu em Belém do Pará em 29 de Agosto de 1948 e começou sua carreira de locutor esportivo na Rádio Emissora de Campos do Jordão em 1964, transmitindo jogos do campeonato amador da cidade. ”Foi onde tudo começou, e não posso esquecer dos primeiros colegas de equipe, que acreditaram em mim” disse certa vez o radialista. Ao lado de Alberto, atuavam Valdomiro Januzzi e Paulo Rândole, com o apoio técnico de Geraldo Rotondano e Francisco Gonçalves.

Na foto da esquerda para direita: Benedito Alves da Silva, o popular Deloro, grande técnico de futebol, o locutor Adib Yazbeck, da Radioemissora de Campos do Jordão, o jovem e dinâmico Alberto Simões, praticamente iniciando sua carreira de locutor esportivo e o operador de som Francisco Gonçalves, o Chiquinho da Rádio.

Com 16 anos de idade, Alberto Simões transmitiu muitos jogos dos clubes jordanenses, como Abernéssia, Campos do Jordão, Jaguaribe, Vale Encantado e Fazenda da Guarda. No começo de 1965 transferiu-se com a família para São José dos Campos, foi levado para a Rádio Clube, da Cadeia Verde e Amarela, que pertencia ao mesmo grupo da Emissora de Campos do Jordão, mas não foi aceito por ser muito novo. Quem acabou contratando Alberto Simões foi a Rádio Piratininga, que na época tinha como gerente Paulo Roberto Pereira. Sob o comando de Wilmar Araújo, a equipe de esportes da Piratininga vivia um grande momento. Em apenas três meses de atividade, Alberto revela que aprendeu muito trabalhando com Jairo Carlos, Amim Assad Filho, Flávio Consiglio, Roberti Costa, Carlos Corrêa e Edson Buzanelli.

Em abril de 1965 a Rádio Clube foi buscá-lo para montar uma nova equipe de esportes. Alberto topou o desafio, pois era o terceiro locutor na Piratininga e agora poderia transmitir todos os jogos do EC São José. Criou o programa PARADA DOS ESPORTES – recordista no ar, que permanece até hoje na Rádio Bandeirantes de São José dos Campos.

Ao mesmo tempo em que trabalhava na Rádio Clube, Alberto assumiu a editoria de esportes do jornal ValeParaibano, onde permaneceu durante 20 anos. Em jornal, teve uma experiência anterior logo que chegou de Belém, quando residiu em Osasco. Fazia Palavras Cruzadas para a Gazeta de Osasco. Em São José dos Campos também atuou no Jornal do Vale, Diário e outros.
Formou-se em História na Fundação Valeparaibana de Ensino (hoje UNIVAP), tornou-se historiador do esporte joseense, escreveu em duas edições o livro ESPORTE, FORMIGÃO E ÁGUIA. Recebeu o título de “Cidadão Joseense” no dia 28 de Agosto de 1992, e foi agraciado com a maior homenagem da ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo, como destaque do Interior, recebendo em 1998 o Troféu Ford Aceesp. Fazia parte da Diretoria da ACEESP e atuava como locutor esportivo na Rádio Bandeirantes de São José dos Campos.

O velório está acontecendo na Capela do Santíssimoe o sepultamento está marcado para 16h30 no cemitério Padre Rodolfo Komorek, no centro de São José. Ele deixa esposa e dois filhos.