Por Rodney Brocanelli
A notícia saiu no blog de Eric Beting. Clique no link para ler
http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2013/08/05/apos-cronistas-corinthians-quer-fechar-cerco-a-radios/
Não é a primeira vez que se fala em cobrar direitos de transmissão das emissoras de rádio. Há quem veja nisso uma forma de profissionalização. Entretanto, conhecendo os usos e costumes do veículo, a corda vai sempre arrebentar para o lado mais fraco.
Em 2008, o Atlético Paranaense propôs um pacote para as rádios que desejassem transmitir seus jogos: R$ 486 mil e englobaria 38 partidas até o final do ano. A taxa individual por partida foi fixada em R$ 15 mil. Muitas emissoras de rádio alegaram na época não ter condições de pagar. Algum tempo depois, a ideia foi deixada de lado. Leia mais a respeito nos links abaixo.
http://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2008/04/atltico-pr-cobra-das-emissoras-de-rdio.html
http://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2010/02/que-profissionalismo.html
Durante a Copa das Confederações, chamou a atenção da mídia, a cobertura que a Rádio Cultura, de Miracema do Norte (TO) fez das competições. O portal terra fez uma extensa reportagem a esse respeito e destacou os valores pagos pela emissora:
“(…)Ele tem dificuldades, e faz um pouco de mistério, para explicar o tamanho do investimento. Mas depois de alguns minutos de conversa, explica. “Para fazer uma cobertura meia boca, você precisa de US$ 500 mil (R$ 1,1 milhão). Nosso projeto é de US$ 1 milhão (R$ 2,2 milhões)”, diz o diretor, comentarista e, segundo ele próprio, até mesmo “carregador de equipamentos”.
(…)
“Há outro tipo de parceria ainda: 16 emissoras compraram um pacote diário com boletins, programas e entrevistas produzidos pela equipe de Salomão. O que rende, ainda de acordo com o diretor, R$ 64 mil no total. Muito, muito longe de fechar a conta junto à Fifa. “Juntei economias, vendi terrenos que tinha, fiz parcerias. Não é fácil sair de Tocantins e abrir esse espaço”, explica. Espaço que ele também abriu para a Copa 2010, Copa América 2011 e Olimpíada 2012”.
O link da reportagem está aqui
http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/exclusiva-radio-do-tocantins-investe-mais-de-r-2-mi-em-confederacoes,7bd5ac131af9f310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html
A rádio citada acima, é um caso à parte. Não podemos nos esquecer que há um intervalo entre competições como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Há um tempo para levantar a verba necessária para o investimento na cobertura. Aqui no Brasil, temos pelo menos três campeonatos que acontecem todos os anos: os regionais, a Copa do Brasil e o campeonato brasileiro. Será que a mesma rádio teria fôlego financeiro para fazer todas essas competições?
Dependendo como a cobrança de direitos possa ser implantada, isso pode inviabilizar a manutenção da cobertura de futebol nas emissoras de rádio, com a consequente demissão de profissionais ou até mesmo o encerramento de departamentos esportivos. Nunca é demais lembrar que, historicamente, o rádio sempre é pouco lembrado na distribuição das verbas publicitárias.
Revanchismo?
Vale lembrar que o Corinthians é o mesmo clube que tentou impedir o acesso à imprensa quando da partida contra o Millonarios, válida pela Copa Libertadores, em fevereiro último. Na ocasião, a Conmebol puniu o clube com pelo menos uma partida com portas fechadas, por causa do conhecido incidente que vitimou o torcedor Kevin Spada, em Oruro, na Bolívia. Uma medida que soou como um certo revanchismo dos atuais gestores com relação à análises feitas pela imprensa na ocasião.
(Em tempo: o Alético-PR, citado no texto de Eric Beting, tem como presidente o sr. Mario Celso Petraglia, que nos anos 1990 levou muita pancada da imprensa por causa de seu envolvimento no caso Ivens Mendes – saiba mais aqui. Sua atual postura de até proibir que seus jogadores concedam entrevistas para outros veículos também soa como um revanchismo, ainda que tardio).
