Por Rodney Brocanelli
Durante o programa Prorrogação, pós-jogo da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, o apresentador Sérgio Boaz demonstrou irritação com algo que vem sendo bastante comum na cobertura esportiva: alguns profissionais aproveitam o momento em que os jogadores estão disponíveis para conversar com a imprensa e, assim, fazer perguntas para reportagens especiais, que nada tem a ver com os assuntos do dia.
Isso aconteceu na entrevista com o jogador Cortês, lateral-esquerdo do Grêmio, que não atuou ontem na derrota do tricolor para o Estudiantes pelo placar de 2 a 1, em partida válida pela Copa Libertadores. O atleta foi liberado pela assessoria do clube para falar com um profissional da TV Globo, que estava cumprindo uma pauta para o Esporte Espetacular sobre cabelos de jogadores. Matheus D’ávlia, da Bandeirantes, e Crisitano Silva, da Rádio Guaíba, aproveitaram para questionar sua não entrada no time que esteve em campo. A atuação de Marcelo Oliveira, escolhido por Renato Gaúcho para começar a partida, foi muito questionada e isso justificou a curiosidade em saber se Cortês, que vem sendo escalado na posição, tinha algum problema físico.
O jogador até esclareceu sua situação. No então, não houve espaço para mais perguntas sobre essa situação específica. O profissional da Globo logo entrou: “Uma pergunta sobre outra coisa. O EE quer fazer uma sobre pessoal que corta do cabelo de jogador. Qual é o nome do cara que corta(…)”. Essa fala vazou no microfone da Bandeirantes, de Porto Alegre. Matheus D’ávila encerrou sua intervenção dizendo que “o cabelo do Cortês é bem interessante de fato” e deu outras informações sobre o atleta.
Na volta para o estúdio, Sérgio Boaz reclamou: “Muito bom. O repórter vai lá buscar a informação jornalística, mas sempre tem um negócio fora do eixo. Fora do eixo esse tipo de…faz em outro momento, não ali na hora do tumulto que o cara tá batalhando para buscar a informação, a entrevista”. O plantão Paulo Pires completou “esse é o tipo de matéria que tem que fazer no dia-a-dia do clube”. Boaz prosseguiu: “mas faz no diabo que o carregue, não naquela hora. Isso aí vou te falar, me irrita, mas tudo bem”. Ouça abaixo.

