Transparência sobre pesquisas de audiência poderia ser estendida aos levantamentos sobre rádio

Por Rodney Brocanelli

No último domingo, o Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma longa reportagem mostrando como são feitas as pesquisas eleitorais pelo Datafolha e Ibope. A equipe do de repórteres acompanhou parte da rotina dos profissionais contratados pelos institutos. Além disso, o programa dominical trouxe a palavra de Mauro Paulino e Marcia Cavallari, seus respectivos diretores. Salvo engano, essa é a primeira vez que esse tema é abordado de forma tão transparente em um programa de televisão.

O Radioamantes não vai no mérito da exibição específica dessa reportagem, mas vai deixar um outro aspecto para reflexão. Tão polêmica quanto a pesquisa eleitoral é a pesquisa de audiência do rádio, que é feita apenas pelo Ibope Kantar Media, uma empresa que, apesar do nome, já foi do Ibope. O método é quase parecido. Um pesquisador vai às ruas com uma  questão que é mais ou menos assim: “que emissora de rádio você ouviu nas últimas 24 horas?” Com base nas respostas, é feito o ranking de audiência.

Assim como as pesquisas eleitoras, os resultados da pesquisa de rádio também são amplamente contestados. É histórica a briga de seu Tuta, da Rádio Jovem Pan, com o Ibope. Em uma entrevista ao jornalista Anderson Cheni, ele disse que os números apresentados pelo instituto são mentirosos (clique aqui). Outras reclamações do tipo são feitas, só que nos bastidores.

Então, uma vez que o Ibope permitiu que a equipe do Fantástico fizesse uma reportagem tão transparente a respeito das pesquisas de intenção de voto,  o Ibope Kantar Media poderia fazer o mesmo com a pesquisa de rádio.  O próprio Anderson Cheni tentou fazer isso, mas não conseguiu, conforme ele contou em uma entrevista ao Radioamantes no Ar, em setembro de 2013 (ouça aqui).  Como agora os tempos são outros, essa transparência apresentada no Fantástico poderá ser estendida. Evitaria a mesma desconfiança que se tem atualmente com a pesquisa eleitoral.

Veja abaixo a reportagem do Fantástico.

Pesquisa

CBN é a rádio de notícias mais ouvida pelo brasileiro

A CBN foi identificada em pesquisa encomendada ao Datafolha como referência entre as rádios de notícias. O levantamento feito em municípios das cinco regiões do Brasil apontou que entre as cerca de 90 milhões de pessoas que escutam rádios de notícia – 57% da população brasileira –, a maioria tem o hábito de ouvir a CBN.  A pesquisa realizada em fevereiro tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais.

Os resultados apontam que há uma tendência no perfil do ouvinte da emissora: em especial entre os que possuem nível superior de escolaridade, os pertencentes às classes A/B, os residentes na região Sudeste do país e os que moram nas regiões metropolitanas. Além deste grupo de destaque, tendencialmente, também é mais frequente entre os homens e os que possuem mais de 35 anos.

O estudo mostrou ainda que aproximadamente seis em cada dez brasileiros (com mais de 16 anos) ouvem alguma emissora de rádio só de notícias, com maior incidência entre o público masculino, e, tendencialmente, entre os pertencentes à classe D/E. A Rádio Globo, que também faz parte do Sistema Globo de Rádio junto com a CBN, ocupa o segundo lugar no ranking.

Pioneira no modelo all news, a CBN tem investido cada vez mais em informação, prestação de serviço, opiniões com análises e debates, e diversidade, estreando uma série de mudanças em sua programação a partir de abril. Além disso, os novos formatos, sobretudo para o mercado digital, têm sido foco para a emissora que encerrou 2017 entre os quatro podcasts mais baixados no iTunes e atingiu em janeiro a marca de 4,5 milhões de downloads na plataforma.

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