Mudança de diretoria tirou Dissonantes do ar na Cultura Brasil

Por Rodney Brocanelli

Comandado por André Barcinski e veiculado pela Rádio Cultura Brasil, em 2025 o programa Dissonantes saiu do ar devido a uma mudança de diretoria. A revelação foi feita pelo próprio apresentador em uma live no YouTube. “Como em toda mudança de diretoria, eles (a nova diretoria) acabam com tudo o que a diretoria anterior fez”, disse Barcinski ao responder o questionamento de um internauta. “Impressionante, era o programa que dava mais audiência no horário da rádio”, afirmou.

Barcinski ainda disse que todos os programas que tinham menos de um ano (ou dois) no ar foram tirados da grade. Ele ainda declarou que houve uma promessa do tipo “depois a gente volta”, o que não aconteceu. “Eu adorava fazer, mas é impressionante como durou pouco tempo”, falou.

O programa Dissonantes marcou o retorno do jornalista André Barcinski ao rádio anos depois de sua experiência como um dos apresentadores do Garagem, que começou na Gazeta FM e marcou época na hoje extinta Brasil 2000 FM.

Este Radioamantes dedicou algumas linhas sobre o programa. Veja abaixo.

Dissonantes: a surpreendente volta de André Barcinski ao rádio – Radioamantes

Os arquivos da atração seguem no ar. Aprovite para escutar antes que a diretoria mude de ideia e mande apagar tudo.

Dissonantes – Rádio

Veja abaixo o trecho em que Barcinski falou sobre o Dissionantes. Aproveite para também ver uma entrevista bem bacana com o músico Miguel Barella sobre o pós-punk.

Dissonantes: a surpreendente volta de André Barcinski ao rádio

Por Rodney Brocanelli

Desde o mês de fevereiro e sem muito alarde (o que é uma pena), a Rádio Cultura Brasil (77,9Mhz e 1200Khz) vem apresentando de segunda a sexta, sempre a partir das 13h o Dissonantes, que comandado pelo jornalista André Barcinski. É o programa de rádio mais surpreendente de que ele participa, se analisarmos alguns aspectos de sua trajetória profissional.

Durante  vários anos (e em diversas fases), André esteve  à frente do Garagem, atração veiculada pelas rádios Gazeta e Brasil 2000 voltada a um play list de rock, digamos, mais alternativo, recheado de críticas aos grandes nomes da MPB, com direito até a promoção de quebra de  CDs (o formato oficial para o consumo de músicas na época), com a participação de uma furadeira apelidada de Ana Maria Broca.

Antes disso, o profissional se notabilizou por sua atuação na imprensa escrita, como crítico e repórter de veículos como Folha de S. Paulo e a revista Bizz.  Nesta última, André conseguiu reações como o delete de alguns e ódio de muitos graças ao tom corrosivo de seus textos. Até hoje, a resenha de Titanomaquia, dos Titãs (lançado em 1993), é bastante lembrada pelo tom irônico conseguido a parir de diálogos ficcionais (clique aqui).

Em Dissonantes, a proposta e o tom são outros. Uma frase de seu apresentador publicada na página de apresentação do programa diz que: “a ideia é mostrar a música brasileira de qualidade, sempre com seleções surpreendentes”.

O texto prossegue: “sendo assim, o programa propõe um olhar especial sobre personalidades que são grandes nomes de nossa música, mas que são pouco falados, como é o caso de Ruy Maurity (ouça aqui), Rosinha de Valença ou Di Mello”.

Explorando a lista das edições arquivadas no site, pode-se notar que ao lado desses nomes, aparecem outros, mais conhecidos, não tão dissonantes assim, gerando mais surpresas ainda. Vamos destacar dois, começando por Gilberto Gil, que teve seu álbum Refazenda tocado praticamente na íntegra dentro de uma proposta de celebrar álbuns de MPB lançados em 1975, portanto completando 50 anos neste 2025 (ouça aqui).

Uma pequena lembrança: Gil é parceiro de vida e música de Caetano Veloso, principal alvo das críticas do Garagem e da fúria da já citada Ana Maria Broca, como é possível verificar nesta edição edição especial veiculada pela 89 FM. (Clique aqui).

O outro nome conhecido o de Renato Russo, cuja obra foi celebrada no último dia 27 de março, data em que o cantor, compositor e músico comemoraria 65 anos. André logo na apresentação diz que Renato é “um grande artista brasileiro” e em seguida fez desfilar uma seleção “de algumas das minhas músicas prediletas da Legião Urbana e da carreira solo do Renato”.

Para quem conhece ainda que um pouco a carreira de André Barcinski não deixa de ser inesperado ouvir essa manifestação de admiração pelo trabalho de Renato (ouça aqui).

Uma das grandes sacadas do Dissonantes é a participação de convidados especiais. Dois deles saíram de suas respectivas “zonas de conforto” e mostraram o que ouvem dentro deste rótulo amplo que é a MPB: Camilo Rocha, jornalista ligado à cena eletrônica brasileira (ele também atua como DJ), e Clemente Nascimento, nome ligado ao punk paulistano, conhecido pela sua atuação na banda Inocentes. Atualmente, ele tem integrado a Plebe Rude.

Não falta a autorreferência. Dois dos temas do livro Pavões Misteriosos, lançado originalmente por André em 2014 e reeditado em 2022, foram incluídos no programa: os “falsos gringos”, artistas brasileiros que cantavam em inglês com pseudônimos estrangeiros (ouça aqui). Uma das bandas de estúdio, que gravaram de forma anônima com diversos cantores brasileiros, teve grande destaque: Os Carbonos (clique aqui).

Também não poderia deixar de faltar uma edição apenas sobre o cantor Nelson Ned, personagem de uma excelente biografia lançada pelo jornalista em 2023 (clique aqui).

Há tempos que um programa de rádio não surpreendia tanto.