Morre o narrador esportivo Flávio Araújo

Por Rodney Broocanelli

Morreu nesta terça (17) o narrador esportivo Flavio Araújo. A causa não foi informada. Velório e enterro aconteceram no mesmo dia, na cidade de São José dos Campos, onde viveu os últimos anos de vida. Ele tinha 90 anos.

Conhecido como o “narrador que anda em cima da bola”, Flávio não ficou limitado apenas ao futebol. Transmitiu modalidades como atletismo, boxe, basquete e F-1. Acompanhou os feitos de quatro grandes esportistas brasileiros: Pelé, Émerson Fittipaldi, Éder Jofre e Adhemar Ferreira da Silva (sem ordem de importância).

Como narrador, Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Trabalhou na Rádio Bandeirantes a maior parte de sua carreira. Foram 25 anos não corridos entre 1957 e 1982. Em 1962, saiu integrar a equipe esportiva da Rádio Excelsior, mas ficou pouquíssimo tempo. Nos anos 1980, teve uma passagem marcante pela Rádio Gazeta, onde ao lado da Rádio Clube Paranaense, liderou a cobertura da Copa da Espanha, em 1982.

Foi comentarista na Rádio Central, de Campinas, ao lado de Carlos Batista. Por muito anos, manteve um quadro de opinião na Rádio Cultura, de Poços de Caldas, chamado O Positivo e o Negativo. A emissora é de propriedade do irmão Chico de Assis.

Também atuou na imprensa escrita, mantendo colunas nos jornais Agora (SP), do Grupo Folha( já extinto), O Imparcial, de Presidente Prudente (cidade onde nasceu) e no site Ribeirão Preto On Line. O Radioamantes republicou alguns desses textos. Basta clicar aqui e descer a barra (ou a tela) para ler. Em 2019, este blog abrigou algumas de suas manifestações em contrariedade a adaptação feita da vida de Éder Jofre para uma minissérie exibida pela Globo. Leia aqui e aqui. É autor do livro “O Rádio, o Futebol e a Vida”.

Em 2013, Flávio concedeu uma entrevista ao programa Radioamantes no Ar, da web rádio Showtime, na qual ele falou de vários aspectos de sua carreira. Um amigo deste site que se vai. Descanse em paz.

Memória: Osmar Santos narra o GP da Argentina de 1978

Por Rodney Brocanelli

O mês de Janeiro do ano de 1978 marcava o início de mais uma temporada da Fórmula 1. O autódromo Oscar Gálvez, em Buenos Aires, era o palco da prova de abertura. Nas pistas, um desfile de pilotos excepcionais como Mario Andretti, Nikki Lauda, Ronnie Peterson, entre outros. Para o Brasil, a grande expectativa era em relação ao desempenho da equipe Coopersucar, de Émerson Fittipaldi. O rádio não poderia faltar na cobertura de todos os acontecimentos daquele ano. A Jovem Pan se fazia presente com a cobertura já tradicional do barão Wilson Fittipaldi. A grande novidade era a participação da Rádio Globo-Nacional. Osmar Santos, que no final do ano anterior, tinha trocado a Pan pela Globo, se fez presente nas duas primeiras provas daquele ano: Argentina e Brasil. Trazemos aqui o registro dos primeiros instantes do GP da Argentina com a narração de Osmar. Ele levou uma equipe considerável para o autódromo: além dele, participaram desta transmissão o comentarista Castilho de Andrade e o repórter Roberto Carmona. Ouça um trecho daquela transmissão. Áudio extraído dos arquivos de Onofre Favotto e que estão disponíveis na Internet.

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Radioamantes no Ar entrevista Flávio Araújo

O Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/), entrevistou o narrador esportivo Flávio Araújo. Craque do Escrete do Rádio, da Bandeirantes, entre as décadas de 1960 e 1970 (com uma breve passagem pela Excelsior), ele atuou na época de maior agitação do rádio esportivo brasileiro. Flávio acompanhou de perto (e isso não é um recurso de estilo) os feitos de três grandes esportistas brasileiros: Pelé, Émerson Fittipaldi e Éder Jofre. No bate papo, Flavio contou passagens de sua carreira e relembrou de alguns de seus feitos com o microfone na mão. Entrevista concedida a Rodney Brocanelli e João Alkmin. Ouça no player abaixo.

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Documentário da Jovem Pan mostra trajetória de Émerson Fittipaldi rumo ao título da F1 em 1972

Por Rodney Brocanelli

As comemorações dos 40 anos do primeiro título de Émerson Fittipaldi na Fórmula 1 não ficaram restritas a participação do clã Fittipaldi na transmissão do GP da Itália, domingo retrasado, na  Rádio Jovem Pan. No último domingo, a emissora levou ao ar um especial sobre a façanha do piloto brasileiro, com os depoimentos dele próprio, de seu pai, Wilson Fittipaldi, que era o narrador da Pan à época,  e de Jackie Stewart, piloto que disputou com Émerson o título da temporada de F1 em 1972. A atração foi baseada em dois pilares: áudios da época, com trechos de narrações de Wilson e a lembranças de cada personagem. O documentário foi muito bem conduzido e editado por Felipe Motta. É a prova viva de que o rádio comporta sim pautas mais profundas. Um dos trechos mais comoventes aconteceu quando Émerson falava sobre seus primeiros anos na Europa. Ele foi tentar estacionar o caminhão de uma de suas equipes na garagem de um hotel, mas o teto era muito baixo (está na parte 2). No link abaixo, é possível ouvir as quatro partes deste programa.

http://blog.jovempan.uol.com.br/f1/confira-o-documentario-sobre-o-primeiro-titulo-de-emerson-fittipaldi-2/

40 anos de Emerson em Monza, por Flávio Araújo

Por Flávio Araújo, do portal Ribeirão Preto On Line

EMERSON FITTIPALDI, O PRECURSOR

Nunca acompanhara uma corrida de Fórmula 1, espetáculo nascente no mundo do automobilismo esportivo e ainda com pouco reflexo nas transmissões esportivas do Brasil.

Wilson Fittipaldi, o Barão, grande praça, amigo de todo mundo era o único brasileiro a narrar as corridas automobilísticas pela Rádio Jovem Pan, então Panamericana, de São Paulo.

De acordo com alguns, o Barão narrava mais para acompanhar o filho Emerson do que por interesse real dos ouvintes de rádio.

Acontece que Emerson Fittipaldi poderia ganhar em Monza, na Itália, o título inédito de campeão mundial na divisão de maior expressão do automobilismo.

Foi então que a Bandeirantes resolveu transmitir o grande evento e como eu era pau para toda obra não deu outra.

Sem conhecer nada do assunto fui escalado para transmissão do Grande Prêmio de Monza, cidade do norte da Itália, próxima a Milão.

Em minha companhia estaria o colega Borghi Junior, que já tinha alguma experiência no tema por ter trabalhado exatamente com o Barão na Pan.

Sempre que avisto algo novo em meu caminho não deixo nunca que ele chegue e me encontre desprevenido.

Comecei naquele ano em Monza e a partir de então segui pelos 10 anos seguintes a machucar meus ouvidos com o ronco dos motores da Fórmula-1.

Sabia que Emerson não fora o primeiro brasileiro a correr pela categoria, li tudo a respeito e fui procurar uma verdadeira lenda do automobilismo nacional dos tempos anteriores a Fittipaldi.

Chico Landi era citado todas as vezes em que nós, cronistas esportivos, nos aventurávamos a falar sobre corridas de automóveis.

Fui descobri-lo em sua oficina mecânica no Itaim-bibi e me relacionei com uma das personalidades mais cativantes que a carreira me proporcionou.

Assim como Aristides Jofre no boxe, Chico Landi me deu algumas aulas do novo esporte onde minha emissora pretendia se introduzir.

Nesta última segunda-feira, 10 de setembro, fez 40 anos que o fato se deu.

Ainda estou me revendo ao chegar ao autódromo de Monza para acompanhar os treinos e me deslumbrar, e me assustar também, com as cores daquela máquina preta com filetes dourados onde Emerson seria coroado 3 dias depois como novo campeão mundial.

Sinceramente, a Lotus que já matara Jochen Rindt, o antecessor de Fittipaldi, naquele mesmo circuito dois anos antes se assemelhava a um esquife.

Minha inexperiência no assunto uniu-se ao meu imenso desejo de transmitir uma grande vitória brasileira e um frio agudo me correu a espinha.

O automobilismo daqueles anos vivia pleno de graves acidentes onde vidas preciosas de pilotos famosos eram ceifadas com constância.

Principalmente na própria Lotus, onde antes de Rindt, Jim Clark, na época o maior de todos, se espatifara num carro de segunda linha da escuderia ao participar de uma corrida de Fórmula 2 em Hockenheim no ano de 1968.

Esses fatos ocuparam meus pensamentos por minutos incalculáveis.

Vai que …

A corrida de Emerson foi simplesmente perfeita da largada à bandeirada da vitória e o Brasil, inscrito no clube seleto, passou a colecionar títulos.

Foram 8 conquistados, esse primeiro de Emerson cujos 40 anos estamos rememorando, um outro também do filho do Barão, 3 de Nelson Piquet e 3 de Ayrton Senna, o último em 1992.

Depois veio o jejum e que se agravou com a trágica morte de Ayrton em Ímola no ano de 1994 e por mais que faça a rede Globo e por mais que torça o Galvão nada conseguimos depois seja com Rubens Barrichello ou na atualidade com Felipe Massa.

De qualquer maneira os 40 anos da vitória de Emerson Fittipaldi em Monza merecem a reverência de todos os que sabem que toda caminhada vitoriosa começa sempre com a primeira.

Emerson abriu esse trajeto que seguiu vitorioso nos anos seguintes.

Está na hora de ser retomado.

Só não sei com quem.

Jovem Pan leva clã Fittipaldi para a transmissão do GP da Itália

Por Rodney Brocanelli

A Rádio Jovem Pan reuniu o clã Fittipaldi para a transmissão do GP da Itália de Fórmula 1 de 2012. Christian Fittipaldi, integrante da equipe que cobre o esporte para a emissora, ganhou o reforço de seu pai, Wilson Jr., seu tio, Emerson, e seu avô, Wilson. O gancho para esse encontro histórico foram os 40 anos da conquista do primeiro título de Émerson Fittipaldi na F-1, pilotando uma Lotus. Wilson Fittipaldi, o Barão, era o narrador da Jovem Pan na ocasião. Aos 92 anos, ele apresenta uma vitalidade impressionante. Apresentador por muitos anos do Jornal da Manhã, o Barão chegou a brincar com o neto naquela que é a marca registrada da Pan: o “repita”, a cada vez que se dá a hora certa. Participou também dessa jornada Ricardo Dívila, projetista que trabalhou por muitos anos com a família Fittipaldi. Ouça no player abaixo.