O Rádio e os primeiros gritos de gol, por Flávio Araújo

publicado no site Ribeirão Preto on Line

O rádio, o grande invento que marcou o início do século passado foi durante muitos anos um órgão estatal e que só transmitia aquilo que o governo desejava.

Isso acontecia nos países onde imperavam governos ditatoriais, mas também a Grã-Bretanha, Inglaterra à frente, teve na BBC sua porta-voz exclusiva.

Esse tipo de rádio subsistia sem publicidade que o sustentasse e no caso da Inglaterra o pagamento da taxa por parte dos possuidores de aparelhos era paga sem que ninguém o contestasse até recentemente.

No Brasil o rádio já nasceu independente com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923, mas também sem publicidade e com pagamento de taxa por aparelho.

Não durou muito esse estado de coisas e a publicidade passou rapidamente a ser aceita para que houvesse realmente progresso no broadcast brasileiro.

Também nos Estados Unidos da América do Norte o rádio nasceu livre e com publicidade ilimitada.

Existem ainda resquícios do rádio brasileiro no tempo da ditadura Vargas e o programa A Voz do Brasil, de transmissão obrigatória até hoje por todas as emissoras do país é a lembrança dos tempos em que a Rádio Nacional, subsidiada, tinha o maior elenco de artistas e era a mais ouvida do país.

Como os sucessivos governos, mesmo nos períodos democráticos, sempre tiveram uma queda para controlar a mídia, como o atual, a Voz do Brasil, muito combatido por seu anacronismo e pela concorrência superior que as emissoras fazem em seus programas informativos continua resistindo e mantendo-se no ar.

Nos países onde as ditaduras cravaram suas unhas com maior profundidade a presença do rádio sempre influenciou o futebol e caminhou ao lado deste fazendo sempre a vontade e seguindo a orientação fundamentalista dos donos do poder.

O HOMEM DE MUSSOLINI NO MICROFONE

Benito Mussolini, o foi o ditador da Itália que mais se aproveitou do chamado rádio oficial para promover as vitórias italianas de 1934/38 nos segundo e terceiro mundiais de futebol.

Tinha uma voz oficial para transmitir os cotejos da “azurra” e é sobre ele que escrevo.

No ano de 1956 fiz a minha primeira transmissão do Maracanã, cotejo amistoso entre Brasil e Itália, vitória brasileira por 2 a 0 e a primeira vez que um microfone de minha cidade natal, onde iniciei minhas atividades, era levado ao grande estádio.

Longe de mim imaginar que alguns poucos anos depois estaria em Milão transmitindo o cotejo onde o Brasil pagaria com a presença de sua seleção a visita da italiana.

Entre as emoções que o cotejo de 1956 me proporcionou estava a oportunidade de conhecer Nicoló Carósio, o locutor oficial de Mussolini e que transmitira os dois mundiais ganhos por seu país em 1934 na Itália e em 1938 na França.

Democrata e adepto de regimes onde o povo era livre não tinha nenhuma simpatia com um locutor notadamente imbricado com os princípios que o Ducce italiano defendeu.

Minha admiração era pelo locutor esportivo que subsistiu ao pós guerra e na verdade nos tempos em que o rádio reinava absoluto o narrador desse espetáculo merecia o mesmo respeito que o grande cantor ou o galã de cinema e teatro mais festejado alcançava junto ao público.

Hoje as coisas mudaram muito pelo extraordinário número de narradores esportivos em quase todos os países, mas principalmente no Brasil onde a televisão vai pouco a pouco fechando o caminho para os narradores de rádio que mesmo assim fazem do mesmo a escola para seu desenvolvimento.

Carósio, lembro-me, sofreu um pequeno acidente ao caminhar em direção à cabine que ocuparia no verdadeiro subterrâneo que se percorria nas entranhas do Maracanã para ocupar uma das poucas cabines de transmissão.

Bateu a testa numa das passagens mais baixas (era um homem magro e alto) e teve que ser medicado e por pouco não conseguiu transmitir o espetáculo.

Contam que Nicoló Carósio foi também quem levou pessoalmente aos jogadores da Itália antes da Copa de 1934 a mensagem de Mussolini simplesmente com estes dizeres: “Vencer ou Morrer”.

Lembro que as transmissões europeias eram muito diferentes das brasileiras, lentas, comentadas e sem o entusiasmo que sempre foi o principal tempero na narração dos profissionais brasileiros.

Mas, não só de Nicoló Carósio viviam os governos ditatoriais.

Em Portugal havia Arthur Agostinho, o locutor oficial da Rádio Nacional de Lisboa e também bastante afinado com o governo Salazar.

Muitos diziam que Arthur era, inclusive, membro da PIBE, a terrível polícia política do governo português.

Arthur, gordo, brincalhão, era uma figura que se fazia notar e sempre recebia os seus colegas brasileiros quando em Portugal com fineza e cavalheirismo.

Alguns dos nossos falavam em congraçamento, outros em estreita vigilância no desempenho de sua função que não era apenas a de narrar futebol.

Mas, ao microfone era antes de tudo um porta-voz do governo narrando jogos de sua seleção ou os grandes cotejos entre clubes de seu país.

Logo após a queda da ditadura portuguesa, a exemplo do Professor Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar, Arthur Agostinho transferiu-se as pressas para o Brasil e com seus amigos do Rio de Janeiro aqui foi se arranjando, mas jamais como locutor esportivo.

Interessante que o português falado no Brasil ganha campo em Portugal, mas a recíproca não é verdadeira.

Wilson Brasil, comentarista vibrante, combativo, deixou o Brasil e foi fazer sucesso no rádio português dentro de sua função, mas isso já depois do término do período ditatorial naquele país.

Na Europa, notadamente nos países do Leste Europeu e onde as emissoras oficiais duraram ainda por mais tempo no pós guerra cada país tinha em geral o seu locutor chapa branca.

Outro narrador que ganhou grande notoriedade e para muitos se portava como figura do governo foi já em época moderna o argentino José Maria Munhoz, com destaque para a Copa de 1978 e vencida por seu país.

Era, porém, diferente já que Munhoz contava com a concorrência de inúmeros outros e o rádio na Argentina tinha o mesmo modelo brasileiro.

No Uruguai o grande nome das narrações esportivas era Carlos Solé, que conheci na Rádio Sarandi desde minhas primeiras viagens a Montevideo.

Solé fora a grande voz uruguaia na conquista da Copa de 1950 e seu prestígio se rivalizava com o de Júlio Sosa o maior cantor de tangos da região platina depois de Carlos Gardel e que embora fosse ídolo na Argentina era uruguaio de nascimento.

Interessante esse aspecto: grandes ídolos argentinos nasceram no Uruguai ou em outros países vizinhos, como Leguisamo, chileno, o jóquei de maior prestígio em Palermo, como o músico e compositor Francisco Canaro, o autor de Madreselva (Madressilva) e condutor do mais famoso conjunto de tangos de sua época e ainda Gerardo Matos Rodrigues, autor do imortal Caminito, tango tão famoso que se tornou referência turística a local bastante visitado em Buenos Aires, o Camino Caminito.

Tanto o autor como a composição eram uruguaios legítimos.

Canaro, nome de rua em Buenos Aires nasceu no Uruguai, filho de italianos e só se naturalizou argentino no fim da vida.

E Carlos Gardel, o mais famoso intérprete original dessas canções teria nascido onde?

Uns dizem que foi em Tacuarembó, no Uruguai, outros que em Marselha, na França e que seu nome em realidade era Gardés e não Gardel, mas pela paternidade do mesmo os argentinos vão à luta.

Um dos argumentos que os argentinos usavam para mostrar que Gardel era filho do país foi o fato dele visitar e cantar para seus jogadores antes da final contra o Uruguai na Copa de 1930, a primeira delas.

Depois, soube-se que ele fizera o mesmo com os uruguaios e a discussão persiste até hoje.

O certo é que se estou falando de locutores-esportivos é bom lembrar um outro portenho que era muito ouvido no Brasil nos velhos tempos.

Nos anos 1940 quando o dial de um aparelho não tinha esse imenso número de emissoras dos dias atuais e que vai obrigar o governo brasileiro tomar medidas para transformar AMs em FMs o rádio do sul do continente penetrava no interior paulista com muito boa qualidade de som.

Assim é que me acostumei a ouvir transmissões por Fioravanti, da rádio Belgrano de Buenos Aires e lembro-me da frase dístico em que os locutores auxiliares depois de suas falas terminavam sempre com um “adelante, Fioravanti”.

Se comecei falando dos locutores oficiais em algumas emissoras do rádio estatal na Europa e vou mudando para uma espécie de homenagens a alguns nomes famosos na América do Sul não posso deixar de lado o chileno Gustavo Aguirre, “El negro Aguirre”, como o chamavam em Santiago.

Aguirre era um médico que também se dedicava ao grito de gol.

E ainda Sérgio Livingstone, goleiro da seleção chilena na Copa do Mundo de 1950, apenas que era o comentarista enquanto Aguirre era relator.

Alguns no Brasil marcaram época nesse período e me acostumei em minha infância a ouvir Rebelo Junior, o homem do gol inconfundível, Aurélio Campos, Jorge Cury, Antônio Cordeiro e, Oduvaldo Cozzi e alguns outros que me inclinaram para uma paixão profunda pela função.

O grande Pedro Luiz, de quem fui contemporâneo só vim a ouvir quando iniciei meus passos no rádio.

Mas, o primeiro locutor esportivo que deixou seu nome marcado por ter sido o único a narrar pela primeira vez uma Copa do Mundo foi o paulista Gagliano Neto, ao transmitir por uma cadeia de emissoras a Copa do Mundo de 1938.

Mesmo sendo uma transmissão sem influências governamentais (o Brasil já estava em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas) Gagliano causou grande confusão no Rio de Janeiro quando da transmissão do cotejo semifinal entre Itália 2 Brasil 1.

Como a Itália venceu com um pênalti imensamente contestado pelos jogadores brasileiros e pela transmissão de Gagliano (Domingos da Guia em Piola) o locutor aventou a possibilidade esdrúxula ao final da transmissão de que a partida poderia ser anulada.

Isso causou alvoroço e quebra-quebra na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro quando os fatos foram esclarecidos e foi lida a nota oficial falando que de forma alguma o jogo poderia ser anulado e o Brasil estava fora da final.

Locutores oficiais como o italiano Carósio ou o português Arthur Agostinho o Brasil, felizmente, nunca teve.

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O dia do rádio, por Flávio Araújo

Evidente que tudo no mundo funciona em sinergia absoluta.

Deixemos de lado qualquer disputa científica, filosófica, religiosa, disciplinada ou existencialista, teórica ou prática.

A interdependência é uma realidade.

Das asas da borboleta movimentando-se no frio do Alasca à velocidade do beija-flor que suga o perfume das flores no calor da Malásia.

Tudo é dependência.

Assim, o rádio exerceu um papel supremo na onda de novidades que tomou conta do mundo a partir de seu nascimento.

Tudo que aí está culminando com a Internet acelerou-se depois que o homem dominou as ondas que Hertz domesticara.

Que Marconi juntou à outras descobertas e que as então válvulas concêntricas, hoje uma monstruosidade do passado, permitiram que o som se espalhasse e o homem se comunicasse.

O rádio é uma coisa linda nesse mundo de belezas mil.

Que o homem luta tanto por destruir, mas que felizmente vai tendo seu objetivo adiado.

Por quanto tempo não sei.

Estarei olhando o resultado dessa imensa loucura desde um outro plano.

O RÁDIO FAZ ANIVERSÁRIO

O 25 de setembro marca mais um aniversário do rádio no Brasil.

Por lei essa data, aniversário de nascimento do Professor Roquette Pinto é consagrada como o dia nacional do rádio.

Não importa que a emissora que ele fundou e entregou ao então governo da República (a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro) hoje esteja entregue às traças.

O rádio tem prestado muitos serviços ao planeta e em termos de Brasil, desde que aqui aportou em 1923 com as primeiras emissões do Alto do Corcovado (ainda sem o Cristo) tem operado verdadeiros milagres.

Que se multiplicaram e como rio caudaloso abriram novos caminhos permitindo o nascer de tudo aquilo que temos no campo das comunicações.

Este site está publicando em outro local a história dos 90 anos do rádio em Ribeirão Preto a partir da fundação da PRA-7, a Rádio Clube, uma das pioneiras no país.

Quando estive na cidade pela primeira vez nos Jogos Abertos do Interior em 1952 vim conhecer a mesma e tive a felicidade de ser guiado e instruído por um de seus fundadores, José da Silva Bueno, o mesmo radialista precursor que também montara a Rádio Clube Hertz de Franca.

Bueno era dentista de profissão, mas um apaixonado pelo lado técnico de transmissões de rádio e mesas de som.  

Tempos do rádio heroico.

Continuam dizendo que o rádio está morrendo.

Quando comecei a trabalhar no mesmo éramos dois meninos, mas já se falava no tema.

Mesmo assim ele continua vivo e de suas asas é que partem as variantes para que coisas novas se façam.

De crise em crise, como primo pobre da mídia o rádio continua vivo e ágil. Alegre e prestativo.

Fecham-lhe as portas que invadia diuturnamente e ele vai encontrar novos veios por onde navegar.

O governo promete meios técnicos para melhoria das precursoras, empurra as promessas com a barriga e as veteranas vão encontrando soluções por si mesmas.

Sem muito alarde, até porque não há o que comemorar, o rádio vai soprar velinhas.

É alguém que o tem arraigado no coração que o saúda com todo o respeito, admiração e gratidão.

Para mim o rádio continua vivo e lindo.

*

Flávio Araújo é jornalista e radialista, tendo emprestado seu talento como narrador e comentarista esportivo para emissoras como as rádios Bandeirantes, Excelsior, Gazeta e Central, de Campinas.

Texto publicado originalmente aqui

http://www.ribeiraopretoonline.com.br/futebol-flavio-araujo/cbf-voc%C3%8A-e-uma-vergonha/82732

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O fim (dos verdadeiros) locutores esportivos

Por Flávio Araújo(*)

Leio interessante entrevista com o narrador Galvão Bueno e tiro algumas ilações que me desligam de meu passado profissional e me colocam na atual realidade. “Tudo muda, tudo passa neste mundo de ilusão” já cantou o poeta. Galvão é sem dúvida um fenômeno nas transmissões esportivas e jamais nenhum narrador de esportes atingiu tal culminância e durabilidade no comando de um veículo tão importante como a Globo. Apesar dos anos que podem ou não lhe pesar mantem-se em forma e o que mais, evolui. É verdade que os titulares prolongam ao máximo seus reinados e dessa forma impedem que sucessores ocupem o trono. Dois detalhes importantes retirei da entrevista de Galvão e que julgo de interesse daqueles que acompanham estes modestos escritos. O locutor esportivo deixou de ser o narrador do espetáculo imprimindo a fidelidade que em meu tempo era marca registrada do bom profissional. Buscávamos, sim, dar o máximo de emoção a nossas narrativas, mas jamais falseávamos na crítica e a verdade era a tônica dominante em nossa missão. Ou seja: éramos jornalistas executando uma missão profissional que queríamos colocar no ponto mais alto da respeitabilidade e da confiança de quem nos ouvia. Hoje o narrador esportivo é antes disso um animador de espetáculo, tem de executar um trabalho mais para animador de auditório, tem de ser mais Chacrinha e menos Pedro Luis. Para quem gosta, ótimo. Segundo esse caminho o objetivo é prender audiência e não ser crítico do que narra. O segundo ponto é ainda pior do meu ponto de vista. Estão acabando os locutores esportivos. Focalizei esse aspecto numa longa entrevista com Milton Neves no domingo passado quando me ligaram da Bandeirantes. Parece que não gostaram do que expus, mas mantenho minha posição. No interior nasciam os valores que iam brilhar nas grandes equipes esportivas da Capital. Houve época em que na Bandeirantes não havia um só locutor esportivo que não houvesse iniciado carreira no interior. Acontece que com o predomínio das redes, Bandeirantes, Jovem Pan, o radio do interior não transmite mais futebol. Com raras exceções. O narrador já começa pela televisão e permitam que o diga: os bons são os que nasceram no rádio e os que ainda estão na ativa são os últimos dos moicanos. De qualquer forma e só para finalizar digo que o Galvão, que começou comigo ainda na Gazeta continua sendo um grande profissional e merece a altura onde paira. Não sei como aguenta o ritmo de trabalho que executa o que é outro fator que pesa a seu favor em seu currículo.

Flávio Araújo, jornalista e radialista prudentino. Texto publicado originalmente no jornal O Imparcial, de Presidente Prudente. Reproduzido aqui com a permissão do autor.

 

 

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Flávio Araújo, 80

Por Rodney Brocanelli

E a festa não para. Ontem comemoramos o aniversário de Osmar Santos. Hoje é a vez de darmos os parabéns para Flávio Araújo, que foi narrador esportivo, defendendo por muitos anos o microfone da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Além disso, teve passagens pela Rádio Gazeta e Rádio Central, de Campinas (aqui como comentarista).Ele ainda está na ativa, com uma coluna no site Ribeirão Preto On Line e um comentário diário na Rádio Cultura, de Poços de Caldas (MG).

Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Seu período na ativa como narrador esportivo coincidiu com o auge de pelo menos quatro grandes esportistas da história do Brasil: Adhemar Ferreira da Silva, Éder Jofre, Pelé e Émerson Fittipaldi. Flávio usou sua voz para propagar os feitos deste quarteto de ouro aos quatro cantos deste país.

Vamos relembrar aqui algumas de suas narrações. Flávio Araújo narra uma luta de Éder Jofre contra Danny Kid, no ginásio do Ibirapuera. O ano é 1959.

Em 1982, a Gazeta, então comandada por Flávio Araújo, se associou com a antiga Rádio Clube Paranaense, liderada por Lombardi Jr, para a cobertura da Copa da Espanha. Essa dobradinha fez muito sucesso na época.

Em 30 de Março de 1980, Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Narração de Flavio Araujo pela Bandeirantes.

Uma edição de seu “O Positivo e o Negativo”, na Rádio Cultura, de Poços de Caldas.

Flávio Araújo foi um dos entrevistados do Radioamantes no Ar, sempre apresentado pela web rádio Show Time.

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As vozes que vieram da Suécia

O blog Radioamantes abre espaço mais um excelente texto do jornalista e radialista Flávio Araújo, com passagens pelas rádios Bandeirantes e Gazeta. Ele escreve sobre a cobertura feita pelo rádio da Copa de 1958, disputada na Suécia.  Leitura altamente recomendável (Rodney Brocanelli)

*

 A avançada tecnológica que corre em ritmo alucinante nos dias atuais impedindo-nos de prever se o celular de hoje ainda terá a mesma utilidade amanhã andava a passos de tartaruga naquele ano de 1958.

É certo que todo o planeta viveu uma grande arrancada de progresso tecnológico nos anos que se seguiram ao término da II Guerra Mundial, mas no campo das comunicações o período compreendido entre 1945 e 1958 não tinha muito a comemorar.

Nesse terreno nossas transmissões esportivas obedeciam os mesmos critérios de anos anteriores com a necessidade da Cia. Telefônica Brasileira em conjunto com telefônicas regionais.

As precursoras Radional e Radiobrás só viriam nos anos 1960 e de satélite de comunicações só havia cientistas sonhando que um dia eles iriam ao espaço.

Dizem que o primeiro que sonhou foi Isaac Newton ao desenvolver as teorias de sua grande descoberta, a lei da gravidade, mas foi preciso que séculos se passassem até que os russos em 1957 lançassem o Sputnik 1, o primeiro de milhares que hoje desvendam em velocidade alucinante os mistérios cósmicos.

Mesmo assim e com todo o suporte técnico em 2014 basta que alguns raios risquem os céus para que as imagens de televisão desapareçam e por muitos minutos fiquem buscando suas conexões com seus satélites, o que nem sempre acontece.

Ai estão a SKY e tantas outras para provar que escrevo a verdade nua e bastante crua.

No capítulo, quando me referi às transmissões esportivas só pensava no rádio, pois, também televisão, embora já existente no Brasil desde 1950 ainda não entrara nessa disputa.

São Paulo era uma cidade de 3 milhões e meio de habitantes quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, Brasil que somava então um contingente de 70 milhões de brasileiros.

O som do rádio que vinha da Suécia era a forma exclusiva que os brasileiros tinham para acompanhar os jogos do selecionado nacional e nos horários em que o Escrete atuava o Brasil abria ouvidos e parava pernas.

Uma diferença notável dos dias atuais quando acompanhamos em cores naturais os jogos de praticamente todos os grandes campeonatos dos países filiados à FIFA, a organização que tem sob seus braços mais tutelados do que a própria ONU.

UMA TELEVISÃO NA COPA DE 1958

O espírito criativo de um dos gênios do rádio brasileiro criou uma forma para que o povo de São Paulo pudesse acompanhar o som do rádio que transpunha o Atlântico com algo mais.

As vozes de Edson Leite e Pedro Luiz comandavam essas transmissões com os comentários de Mário Moraes pela Bandeirantes de São Paulo e na criatividade de Edson e no complemento da execução pelo engenheiro Júlio de Oliveira foi que nasceu o painel eletrônico.

Um simples retângulo de madeira com uns 15 metros de cumprimento por 10 de altura foi colocado na Praça da Sé e simultaneamente outro na Praça da República.

Uma mesa de som comandava o deslizar da bola em furinhos que permitiam a passagem de luz num arremedo de uma futura transmissão televisiva.

O objetivo era marcar de forma mais contundente e dramática a transmissão da emissora, mas pelo inusitado do feito hoje está até merecendo que livros sejam escritos a respeito.

Iniciante na emissora cuidava das reportagens que antecediam as transmissões, as chamadas “salas de espera”, apenas que no meu caso, em movimentação com a viatura de transmissão volante.

Não sei quantas vezes fui da Praça da Sé até à República, só sei que a experiência da primeira Copa do Mundo não me permitiu ouvir outras vozes importantes que através de diversas emissoras chegavam até nós.

Jornais e revistas enviaram correspondentes à Suécia, porém, com a demora para a chegada do material de um local tão distante mais aumentava a atenção para as vozes do rádio.

São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul enviaram seus locutores e comentaristas principais para o comando das transmissões enquanto as outras emissoras do país, acredito que a unanimidade, fizeram cadeias com ou sem representantes diretos.

Outro dia li uma reportagem de jornal informando que de todas as vozes da Copa de 1958 só uma ainda pode ser ouvida.

A do locutor José Alves BRAGA JÚNIOR, capixaba que vindo do Rio de Janeiro trabalhava na época da Copa na Rádio Panamericana de São Paulo e que depois foi meu colega por cerca de 3 anos na Bandeirantes.

Seria o único remanescente entre todos os que tiveram o privilégio de irradiar a primeira conquista brasileira em mundiais da FIFA, onde na verdade tudo começou para transformar o Escrete nacional em maior papão de Copas.

Escrevi no condicional já que além das figuras do rádio que comandaram transmissões dos jogos do Brasil na epopeia sueca narrando ao vivo o grande feito muitos outros de emissoras que formavam nas diversas cadeias se fizeram ouvir e não tenho como comprovar se ainda estão por aqui.

Também não é de se admirar já que a voragem do tempo que a nada perdoa só conserva entre nós, quando o Brasil se prepara para sediar a 20ª. Copa do Mundo, 8 daqueles 22 craques que conquistaram o primeiro caneco na Suécia, Copa de número 6: Bellini, Dino, Zito, Moacir, Mazola, Pelé, Zagalo e Pepe.

Os demais estão disputando torneios nos Campos do Senhor com as narrações maravilhosas de Pedro Luiz, Edson Leite, Waldir Amaral, Jorge Curi, Oduvaldo Cozzi, Luiz Mendes, Geraldo José de Almeida, Orlando Batista e Mendes Ribeiro, verdadeiras vozes da Suécia ao comando de vibrantes transmissões.

Mendes Ribeiro era o narrador da Rádio Guaíba de Porto Alegre, a detentora do maior número de transmissões internacionais nos anos de meu início no grande rádio.

Orlando Batista, com quem tive sempre um excelente relacionamento era um catarinense com carreira toda desenvolvida no Rio de Janeiro e pelo meu conhecimento é o recordista em transmissões de Copas do Mundo desde a 1ª. Em que participou em 1950 até a última que transmitiu em 2002.

Ao todo, Batista, que desenvolveu sua carreira de locutor-esportivo na Rádio Mauá tendo por largo tempo como comentarista principal o grande artilheiro Ademir de Menezes transmitiu 14 Copas do Mundo.

Comprovando as dificuldades técnicas da época os gaúchos mantinham um transmissor fixo na Suíça e dessa maneira realizavam trabalhos na excursão de equipes do sul com muito mais facilidade e categoria do que as emissoras do Rio e de São Paulo.

Depois de Mendes Ribeiro quem o substituiu foi Pedro Carneiro Pereira, outro campeão de transmissões internacionais, mas que tinha como hobby pilotar carros de corrida o que provocou sua morte precoce.  

Na marcha da tecnologia que se acentuava as imagens da televisão só trouxeram a visão do rolar da bola em Copas para o Brasil em 1970.

Nesse ano, lembro-me bem, para transmitir pelo rádio a despedida do Brasil dos campos nacionais na inauguração do estádio de Manaus tivemos que levar para lá uma imensa parafernália que se compunha inclusive de um transmissor.

São Paulo já tinha 6 milhões de habitantes e o Brasil já podia ouvir e cantar os versos de Miguel Gustavo que todos decoraram: “noventa milhões em ação, prá frente Brasil, do meu coração.”

 

Flávio Araújo colabora regularmente com o site Ribeirão Preto On Line. Leia outros textos de sua autoria clicando no link abaixo

http://ribeiraopretoonline.com.br/colunistas.php?id=1

 

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Retrospectiva Radioamantes no Ar

Por Rodney Brocanelli

Em julho, pouco depois de completar seu terceiro aniversário, o blog Radioamantes ganhou uma versão radiofônica. Levada ao ar todos o sábados, a partir das 09 da manhã, pela web rádio Showtime, o programa é uma extensão do blog, com notícias e comentários. No entanto, um de seus diferenciais é possibilidade de levar ao ar, sempre que possível, entrevistados para falar sobre o passado, presente e futuro do veículo.  Nesta retrospectiva, vou destacar o melhor dos bate papos.

Uma das entrevistas que mais repercutiu foi com Willy Gonser. O senso de oportunidade ajudou muito: ela foi feita no sábado seguinte à conquista da Libertadores pelo Atlético-MG.

O Radioamantes no Ar pode abrir espaço para quem também escreve sobre rádio na Internet. É o caso de Anderson Cheni, dono de um dos blogs de maior prestigio na web. Entre outros assuntos, ele falou sobre a medição da audiência feita por um único instituto de pesquisa.

Adriando Barbieiro tem também um espaço sobre rádio de grande sucesso na internet: o Bastidores do Rádio. Ele também conversou com o Radioamantes no Ar e falou sobre sua relação com o rádio. Ele chegou a escrever que tinha perdido o tesão pelo veículo. Na entrevista, ele explicou os motivos.

Edu Cesar e o Papo de Bola se confundem. Criador e criatura estão intimamente ligados. Ele falou sobre seu site e de uma questão que inquieta: comunicador de talento, ele não tem espaço no vibrante rádio de Porto Alegre, cidade onde mora. Será a tradução da frase “santo de casa, não faz milagre”?

Com Flávio Araújo, narrador que trabalhou em de emissoras como Bandeirantes e Gazeta, lembramos bastante do passado do rádio esportivo. Neste trecho, ele fala sobre a antológica luta entre Éder Jofre e Masahiko Harada, válida pelo título do peso galo, em 1965. A transmissão bateu recorde de audiência.

Ainda no rádio esportivo, pudemos falar sobre as rádios web ligadas a clubes de futebol. Com transmissões “de torcedor para torcedor”, elas conseguem arrebanhar uma ampla legião de ouvintes. O narrador Gomão Ribeiro, de rádios webs como a que são ligadas à Lusa e ao Palmeiras, falou sobre esse tipo de transmissão e as possíveis implicações na carreira profissional.

Ainda sobre as rádios web, falamos com um especialista no assunto: Ivan Bruno. Estudioso sobre o tema, ele tem um site dedicado apenas ao assunto: o Painel da Rádio Web. Uma de suas preocupações é com a profissionalização desse meio. Ele alerta para o fato de que tem muita gente “brincando de fazer rádio”.

Outra entrevista muito ouvida e comentada foi com Hugo Botelho, que neste ano de 2013 deixou o projeto da Rádio Bradeso Esportes FM. A conversa era pra ser de 30 minutos, mas durou uma hora. De coração aberto, ele falou sobre sua saída.

Voltando ao passado, relembramos grandes momentos do humor do rádio com programas como Show de Rádio e quadros como Rádio Camanducaia com uma de suas vozes: Odayr Baptista.

Um dos nomes que faz muita falta no rádio é o de Zancopé Simões. Fora do ar desde a reformulação do Bandeirantes a Caminho do Sol, seu paradeiro foi alvo da curiosidade de muitos internautas. Ao Radioamantes no Ar, ele também falou sobre sua saída da emissora.

A cobertura da Fórmula 1 tem muita tradição no rádio. Odinei Edson, do Grupo Bandeirantes, falou sobre essa dedicação que o veículo dá à categoria, mais até do que a outros esportes que trazem muitas conquistas para o país, como o vôlei e o MMA.

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Rádio: no princípio, eram a fumaça e os tambores

Por Flávio Araújo
do Ribeirão Preto On Line

A não ser pelos relatos de estudiosos e principalmente de saudosistas o rádio viveu mais um de seus aniversários na controversa data em que se comemora sua introdução no Brasil.  

 

O rádio em seus primórdios foi um dos grandes passos da humanidade na sequência de feitos que no campo das comunicações entre os povos encontra-se hoje num estágio bastante avançado e prometendo inovações quase que diuturnas. 

Falei em comunicações e não especificamente no rádio, esse que comemorou sem festas e sem alardes o seu aniversário, mas como em tudo na vida o primeiro passo dá o ritmo do futuro.  

 

Também me referi à confusão de datas já que essa, 25 de setembro, foi fixada em lei e se refere ao dia em que nasceu o Professor Edgar Roquette-Pinto, o fundador da primeira emissora brasileira. 

 

Também ai existe controvérsia e por que não, injustiça. 

 

Roquette-Pinto, cientista, antropólogo, intelectual de grande prestígio não fundou emissora sozinho e teve um sócio, o Engenheiro Henri Charles  Morize, francês de nascimento e que no documento em que se naturalizou brasileiro teve o nome traduzido para Henrique. 

 

Foi quem cuidou do lado técnico do empreendimento e foi ainda o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências. 

 

A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi inaugurada em 4 de abril de 1923 e pouco depois se transformaria em Rádio Ministério da Educação e se houvesse um aniversário de verdade da introdução do rádio no Brasil essa deveria ser a data. 

 

Mas, até ai também existem controvérsias que narraremos depois.  

   

O professor Roquette-Pinto pretendia fazer do rádio uma ferramenta exclusiva para difundir cultura, transmissão de música clássica, eventos cívicos e absolutamente sem publicidade. 

 

Um grupo de sócios cobriria os gastos, dai o nome de Sociedade e que se expandiu pelo país nas primeiras emissoras que surgiram prevalecendo até que se aceitasse a cobertura financeira da publicidade. 

 

Outra controvérsia e que remete ao comentário lá do início com respeito à data em que o rádio ganhou vida no país: segundo dados não oficiais a Rádio Clube (outro nome para Sociedade) de Pernambuco já operava sem nenhum processo formal de autorização num tempo bastante anterior. 

 

O RÁDIO NO MUNDO 

 

Quando a humanidade se une para um objetivo que poderá, ou não, se tornar de grande importância em seus futuros passos forma-se uma mentalidade coletiva e aleatória a trabalhar para o feito. 

 

Desde a produção de medicamentos até inventos da engenharia nas suas diversas formas uma espécie de corrente universal une espíritos a trabalhar sem nenhum entendimento prévio e formal em prol de empreendimentos comuns.  

 

Creio nisso. 

 

Assim, embora se credite ao italiano Guglielmo Marconi o título oficial de inventor do rádio sabemos que muitas mentes privilegiadas trabalharam para que a descoberta se completasse. 

 

Foi a partir de uma série de detalhes que Marconi chegou ao ponto de conseguir a primeira patente como inventor do rádio. 

 

No Brasil muitos defendem a posição de que o Padre gaúcho Roberto Landell de Moura seja o verdadeiro inventor do rádio e só não conseguiu patentear seu invento pelas dificuldades da burocracia brasileira, algo que persiste até nos dias atuais a entravar feitos de nossos cientistas. 

 

É possível, muito possível mesmo, que tenha sido o Padre Landell de Moura o verdadeiro inventor do rádio, mas, tanto ele como Marconi seguiram trilhas que foram sendo abertas por antecessores que buscavam o aprimoramento da comunicação entre os homens. 

 

São, entretanto, os próprios brasileiros que oficializam a crença do quem é quem na origem do rádio já que existem, ou existiram, emissoras com nomes de cientistas estrangeiros como a Rádio Hertz de Franca ou a Rádio Marconi, de Paraguaçu Paulista, no oeste do Estado. 

 

Não é do meu conhecimento que nenhuma tenha o nome de Landell de Moura e sim a homenagem à políticos que deram rádios à colegas como entre outras a Rádio Nereu Ramos de Blumenau. 

 

Ai já não é homenagem e sim puxa-saquismo explícito.   

 

Voltando ao pensamento comum que une mentes em busca de grandes inventos julgo ser algo semelhante ao acontecido com nosso patrício Alberto Santos Dumont e os norte-americanos irmãos Wright com respeito ao avião. 

 

Antecedendo Landell de Moura e Marconi existiram os estudos dos ingleses Michael Faraday e James C. Maxwell; do próprio Thomas Edison, pois sem a corrente elétrica como poderia existir o rádio? 

 

Alexander Graham Bell também colaborou com sua descoberta e produção do primeiro telefone. 

 

O alemão Henrich Rudolph Hertz foi de importância excepcional no processo com seus estudos sobre ondas eletromagnéticas. 

 

A importância de Hertz pode ser medida na colocação de seu nome numa das primeiras emissoras brasileiras, a então Rádio Clube Hertz, da cidade de Franca, no interior de São Paulo, uma das pioneiras.  

 

Além de outros também o iugoslavo Nicolau Tesla foi importante com suas descobertas e houve até um aparelho de rádio no Brasil que levava seu nome.  

 

Em termos de Brasil e para completar a controvérsia até a data tem interpretações distintas: durante muito tempo o dia do rádio, 25 de setembro, aniversário de Roquette-Pinto, era comemorado junto ao dia do Radialista, 21 de setembro, a chegada da Primavera no hemisfério sul. 

 

No governo Lula, em 2006 foi alterada a lei que o instituíra e o dia do Radialista passou a ser lembrado (não comemorado já que não há nada a comemorar) no dia 7 de novembro. 

 

Isso em homenagem à data de nascimento de Ary Barroso, grande nome do mundo das comunicações, mas que se destacou muito mais como compositor do que como radialista. 

 

O RÁDIO NOS DIAS ATUAIS 

 

Em certa época escrevi que o rádio se parecia a esses bichinhos de praia que jamais deixam de se mostrar. 

 

Quando socam um punhado de areia e obstruem sua caminhada abrem novas vias e aparecem adiante. 

 

Quando assim me pronunciei o rádio vivia o período de difícil manutenção com a arrancada da televisão no país. 

 

Assim tem sido o rádio brasileiro nas diversas crises que atravessa, aquela foi uma delas, e a que vive atualmente faz com que tenha de mudar meus conceitos. 

 

Pelo menos na forma tradicional em que viveu desde Roquette-Pinto até recentemente o chamado “broadcasting”, o rádio dinâmico como entretenimento e prestador de serviços demonstra estar muito cansado. 

 

Já se somam muitos anos que as velhas emissoras de AM tornaram-se obsoletas em sua qualidade técnica, em seu som de há muito superado pelas transmissões em FM, quase todas obedecendo a programações segmentadas e muito diferentes do conceito que se tinha do verdadeiro rádio. 

 

De uma qualidade imensa e da qual a televisão jamais se libertou, pois em todos os sentidos nada mais faz do que colocar imagens naquilo que o rádio criou e fazia há dezenas e dezenas de anos. 

 

Algumas rádios, raras na verdade e misturando até AM com FM, buscam imitar a programação do velho AM, mas não se sustentam.   

 

Permanece a melhor condição de penetração dos prefixos de AM, mas hoje, pelo custo e praticamente extinção das Ondas Curtas, as redes dominaram o país e já não existe mais, com exceções é preciso dizer, aquelas emissoras que refletiam e divulgavam a vida de suas cidades e conseguiam até conquistas básicas para os munícipes.  

 

Existem exceções de emissoras que permanecem fieis às suas origens e mantém suas equipes de profissionais e suas programações de bom nível. 

 

Muitas, porém, sobrevivem entregando-se ao leque de grandes emissoras da Capital transmitindo o som que dali se origina em quase todas as horas do dia. 

 

Pela frouxidão de nossos governos enquanto políticos são proprietários de centenas de emissoras a defender seus interesses eleitorais outras vendem seus horários quase que integralmente à religiões, principalmente as evangélicas e não guardam nenhuma identificação com a cidade onde estão sediadas. 

 

Perdem totalmente o próprio requisito de prestar serviços à sua comunidade. 

Enquanto isso cresce a cada dia o número de novos endereços eletrônicos de televisão e um dos pontos fortes das emissoras do país, a formação de novos profissionais, retrocedeu a um estágio muito perigoso para a classe. 

 

No meu principal campo de atividade, o narrador esportivo, o rádio interiorano foi sempre o berço da grande maioria o que se tornou praticamente impossível nos dias atuais. 

 

Agregue-se a tudo isso a presença da Internet funcionando como uma faca de dois ou mais gumes no processo. 

 

Sem depender de autorizações oficiais como funciona o rádio convencional que é propriedade do Estado e trabalha sempre em caráter de concessão provisória a cada dia existe um novo local a ser acessado com transmissões radiofônicas e televisivas. 

 

Em geral compartimentados, transmitindo temas de interesses específicos, mas formando uma imensa plêiade de concorrência que reduz a possibilidade de interesse comercial dos anunciantes que sempre foram o sustentáculo do rádio honesto e verdadeiro. 

 

As emissoras de AM, que resistiram ao assédio do FM vivem seus estertores. 

Tentando suprir o processo de superação de suas condições técnicas foram testados dois tipos de digitalização, mas tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, locais mais adiantados nessas buscas não se encontrou  solução adequada. 

 

Além do espaço no dial tornar-se insuficiente para abrigar tantas emissoras há a indesejável interferência da eletrônica nas transmissões dos velhos sistemas. 

Desde os motores de automóveis que passam roncando nas cercanias às ondas de celulares e toda a parafernália que ronda nossas cabeças indo e vindo dos satélites que cobrem o firmamento.  

 

Um plano do governo prometeu aos proprietários de emissoras de AM a concessão de prefixos em FM, o que seria uma espécie de salvação temporária da lavoura radiofônica para aquilo que sabemos é o rádio de verdade. 

 

A promessa do Ministério das Comunicações foi feita, mas quando e se será executada ninguém sabe, ninguém viu. 

 

Na situação atual das mais antigas emissoras do país, algumas já próximas ao centenário, mesmo daquelas que se mantém fieis aos princípios éticos e ideais do grande rádio parece que desta feita o bichinho de praia está tendo dificuldades intransponíveis para encontrar novos caminhos.

rádio

 

Radioamantes no Ar entrevista Flávio Araújo

O Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/), entrevistou o narrador esportivo Flávio Araújo. Craque do Escrete do Rádio, da Bandeirantes, entre as décadas de 1960 e 1970 (com uma breve passagem pela Excelsior), ele atuou na época de maior agitação do rádio esportivo brasileiro. Flávio acompanhou de perto (e isso não é um recurso de estilo) os feitos de três grandes esportistas brasileiros: Pelé, Émerson Fittipaldi e Éder Jofre. No bate papo, Flavio contou passagens de sua carreira e relembrou de alguns de seus feitos com o microfone na mão. Entrevista concedida a Rodney Brocanelli e João Alkmin. Ouça no player abaixo.

flavioaraujo

40 anos de Emerson em Monza, por Flávio Araújo

Por Flávio Araújo, do portal Ribeirão Preto On Line

EMERSON FITTIPALDI, O PRECURSOR

Nunca acompanhara uma corrida de Fórmula 1, espetáculo nascente no mundo do automobilismo esportivo e ainda com pouco reflexo nas transmissões esportivas do Brasil.

Wilson Fittipaldi, o Barão, grande praça, amigo de todo mundo era o único brasileiro a narrar as corridas automobilísticas pela Rádio Jovem Pan, então Panamericana, de São Paulo.

De acordo com alguns, o Barão narrava mais para acompanhar o filho Emerson do que por interesse real dos ouvintes de rádio.

Acontece que Emerson Fittipaldi poderia ganhar em Monza, na Itália, o título inédito de campeão mundial na divisão de maior expressão do automobilismo.

Foi então que a Bandeirantes resolveu transmitir o grande evento e como eu era pau para toda obra não deu outra.

Sem conhecer nada do assunto fui escalado para transmissão do Grande Prêmio de Monza, cidade do norte da Itália, próxima a Milão.

Em minha companhia estaria o colega Borghi Junior, que já tinha alguma experiência no tema por ter trabalhado exatamente com o Barão na Pan.

Sempre que avisto algo novo em meu caminho não deixo nunca que ele chegue e me encontre desprevenido.

Comecei naquele ano em Monza e a partir de então segui pelos 10 anos seguintes a machucar meus ouvidos com o ronco dos motores da Fórmula-1.

Sabia que Emerson não fora o primeiro brasileiro a correr pela categoria, li tudo a respeito e fui procurar uma verdadeira lenda do automobilismo nacional dos tempos anteriores a Fittipaldi.

Chico Landi era citado todas as vezes em que nós, cronistas esportivos, nos aventurávamos a falar sobre corridas de automóveis.

Fui descobri-lo em sua oficina mecânica no Itaim-bibi e me relacionei com uma das personalidades mais cativantes que a carreira me proporcionou.

Assim como Aristides Jofre no boxe, Chico Landi me deu algumas aulas do novo esporte onde minha emissora pretendia se introduzir.

Nesta última segunda-feira, 10 de setembro, fez 40 anos que o fato se deu.

Ainda estou me revendo ao chegar ao autódromo de Monza para acompanhar os treinos e me deslumbrar, e me assustar também, com as cores daquela máquina preta com filetes dourados onde Emerson seria coroado 3 dias depois como novo campeão mundial.

Sinceramente, a Lotus que já matara Jochen Rindt, o antecessor de Fittipaldi, naquele mesmo circuito dois anos antes se assemelhava a um esquife.

Minha inexperiência no assunto uniu-se ao meu imenso desejo de transmitir uma grande vitória brasileira e um frio agudo me correu a espinha.

O automobilismo daqueles anos vivia pleno de graves acidentes onde vidas preciosas de pilotos famosos eram ceifadas com constância.

Principalmente na própria Lotus, onde antes de Rindt, Jim Clark, na época o maior de todos, se espatifara num carro de segunda linha da escuderia ao participar de uma corrida de Fórmula 2 em Hockenheim no ano de 1968.

Esses fatos ocuparam meus pensamentos por minutos incalculáveis.

Vai que …

A corrida de Emerson foi simplesmente perfeita da largada à bandeirada da vitória e o Brasil, inscrito no clube seleto, passou a colecionar títulos.

Foram 8 conquistados, esse primeiro de Emerson cujos 40 anos estamos rememorando, um outro também do filho do Barão, 3 de Nelson Piquet e 3 de Ayrton Senna, o último em 1992.

Depois veio o jejum e que se agravou com a trágica morte de Ayrton em Ímola no ano de 1994 e por mais que faça a rede Globo e por mais que torça o Galvão nada conseguimos depois seja com Rubens Barrichello ou na atualidade com Felipe Massa.

De qualquer maneira os 40 anos da vitória de Emerson Fittipaldi em Monza merecem a reverência de todos os que sabem que toda caminhada vitoriosa começa sempre com a primeira.

Emerson abriu esse trajeto que seguiu vitorioso nos anos seguintes.

Está na hora de ser retomado.

Só não sei com quem.

5 de julho de 1982. Há 30 anos, Brasil e Itália faziam uma das mais eletrizantes partidas da história das Copas

Por Rodney Brocanelli

O dia 5 de julho marcou uma das datas mais tristes na história da seleção brasileira de futebol. Jogando no estádio Sarriá, em Barcelona, os comandados de Telê Santana perdiam para a Itália pelo placar de 3 a 2 e davam adeus à Copa que no ano de 1982 era disputada na Espanha. Mesmo com as conquistas de 1994 e 2002, torcedores e jornalistas se perguntam até hoje sobre o que deu errado naquele dia. Bastava apenas um empate para que o Brasil chegasse às semifinais. Mas a Squadra Azurra apareceu pelo caminho. Além de adiar o sonho da conquista do título mundial, aquele resultado serviu para sepultar de vez a prática do futebol arte. Desde então, tivemos apenas alguns lampejos que apareciam de forma individual, graças ao talento de Romário e Ronaldo, cada um em sua época.

O blog Radioamantes leva você de volta ao dia 5 de julho de 1982. A nossa máquina do tempo é o rádio.

O quinto sinal da Rádio Bandeirantes marcava pontualmente 12h15, 16h15, horário local. Fiori Gigliotti anuncia o início da partida.

Para espanto geral, a Itáia saia na frente, logo aos 4 minutos de partida. Defesa brasileira vacilou. Paolo Rossi marcava, de cabeça. José Silvério estava na Jovem Pan.

A resposta brasileira não tardou. Sócrates recebeu um belo lançamento de Zico e avançou até entrar na área. O goleiro Dino Zoff tentou fechar o ângulo. Mas o Doutor, com o sangue frio que lhe era pecuilar, mandou para o gol. Osmar Santos narrou esse lance na Rádio Globo.

Mas Paolo Rossi se aproveitava mais uma vez de uma falha da defesa brasileira para marcar o segundo gol da Itália. O lance pegou muita gente desprevenida. José Silvério narrou esse lance na Jovem Pan.

No segundo tempo, o Brasil veio com tudo para tentar ao menos o empate. Falcão, na época o Rei de Roma, mandou um belo chute de média distância. E um detalhe que a televisão não mostrou: Cerezo, um dos responsáveis pelo lance que originou o segundo gol da Itália, chorou de emoção. José Silvério observou bem esse detalhe na Pan.

Armindo Antônio Ranzolin traduziu na Rádio Guaíba todo o orgulho pelo gol do “compatriota” Falção.

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Mas aquela não era a tarde do Brasil. Em um escanteio aparentemente inofensivo, a Itália chegaria ao seu terceiro gol. Mais uma vez, Paolo Rossi. Flávio Araújo, então na Rádio Gazeta (SP) não escondeu a decepção.

Na Rádio Nacional, o garotinho ligeiro José Carlos Araújo ficou de queixo caído com o gol de Rossi.

O Brasil quase conseguiu o empate em uma cabeçada do zagueiro Oscar. O goleiro Dino Zoff operou um verdadeiro milagre. José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, viu essa bola no gol.

Não teve jeito para o Brasil. O árbitro israelense (o Wikipedia diz que ele tem também nacionalidade romena) Abraham Klein apitou o fim de jogo. A perplexidade tomava conta da torcida brasileira. Fiori Gigliotti traduzia bem esse sentimento na Rádio Bandeirantes.

Passado o impacto da derrota, nada melhor que uma avaliação fria para se concluir em que a seleção brasileira errou. Eis a palavra de João Saldanha, então na Rádio Tupi. A metáfora do macaquinho é impagável.

Em 1982, Clube Paranaense e Gazeta uniam forças para transmitir a copa da Espanha

Por Rodney Brocanelli

A volta da Rádio Clube Paranaense, agora como RB2 AM (leia mais aqui), é uma boa oportunidade para lembrarmos de um momento interessante da história do rádio. Há exatos 30 anos, a emissora de Curitiba se unia à Rádio Gazeta para uma transmissão em pool da Copa de 1982. O investimento valia a pena. A seleção brasileira treinada por Telê Santana era uma das favoritas ao título e contava com craques como Zico, Sócrates, Falcão e Toninho Cerezzo.

A união das duas emissoras fez com que grandes profissionais do microfone dividissem as transmissões dos principais jogos daquela competição. Representado a Clube estavam, entre outros, Lombardi Junior e José Hidalgo, o Capitão Hidalgo. Pela Gazeta estavam Flávio Araújo e Chico de Assis, entre outros.

Em seu livro, “O Rádio, o Futebol e a Vida”, Flávio Araújo conta que os indíces de audiência foram bastante expressivos na época. “Ganhamos o primeiro lugar em cidades como Presidente Prudente; ficamos em terceiro em muitas pesquisas realizadas em São Paulo”.

Na obra, Flávio destaca ainda um texto de Silvio Lancellotti, na Folha de S. Paulo, em que o articulista “comentava o êxito em que consistia nosso trabalho.”.

Ouça no player abaixo duas amostras deste trabalho da parceira Clube/Gazeta. Um gol narrado por Lombardi Junior e outro narrado por Flávio Araújo.

Nova Difusora é arrendada pela Rádio Transmundial

Por Rodney Brocanelli

Desde as 20h da noite desta segunda, feira, a Rádio Nova Difusora, de Osasco teve 22 horas de sua programação arrendadas pela Rádio Transmundial, que irá preencher o espaço com programação religiosa.

Segundo o site da Transmundial: “Somos uma missão brasileira dirigida por brasileiros, voltada para as necessidades do povo brasileiro. Não temos cor denominacional, contudo, nos identificamos com todos aqueles professam fidelidade à Bíblia e desejam trabalhar em sua Obra”.

Com essa alteração, vários programas da Nova Difusora saíram do ar na semana passada, entre eles o Nova Esportes, cuja última transmissão foi destacada aqui.

*

Foi na Nova Difusora que eu concedi minha primeira entrevista em rádio, falando sobre o trabalho que faço em blogs divulgando gafes que acontecem em jornadas esportivas.

Neste vídeo abaixo, é possível conhecer um pouco das instalações da Nova Difusora. Gravado quando eu estive lá para participar do programa Expressão da Bola, em 2009.

Além disso, participei de uma jornada esportiva da equipe Expressão da Bola, em 2010, na Nova Difusora.

Na Nova Difusora, também dentro do programa Expressão da Bola, ajudei a conduzir uma entrevista com o radialista e jornalista Flávio Araújo.

E foi também na Nova Difusora que o narrador Walter Abrahão, morto em 2011, concedeu uma de suas últimas entrevistas. Ouça um trecho abaixo.

Retrospectiva 2011

Por Rodney Brocanelli

Veja o que aconteceu no rádio em 2011 sob a ótica do blog Radioamantes. Basta clicar nos títulos abaixo.

Janeiro

Comentarista esportivo sofre convulsão enquanto trabalhava

Landell de Moura ganha selo comemorativo dos Correios

Equipe Expressão da Bola começa 2011 transmitindo vôlei e futebol

O fim da Rádio Capital?

Globo Esporte (SP) destaca rádios web ligadas aos clubes de futebol

Caso Capital: transparência opaca revela só o que interessa

Marcos Couto narra seu primeiro gol na Rádio Guaíba

Haroldo de Souza no ataque

Luiz Carlos Ramos responde

Caso Capital: o poder da mensagem

Mario Lima de volta

O microfone pune

Fevereiro

Reinaldo Costa na CBN/Cuiabá

Movimentação no rádio esportivo de Goiânia

Uma tarde nas tribunas de imprensa do Canindé

Rádio Eldorado já pode mudar o nome para Estadão/ESPN

Atrapalhado pelo anti-vírus

José Luiz Datena vende sua parte na Rádio 730 (GO)

Março

Histórias do rádio no blog de Márcio Torvano

Lusa Silvestre é o novo apresentador de Johnnie Walker com Gigantes

Cristina Coghi assume CBN Noite Total

Novidades nas FMs de Santos; mais espaço para o futebol

Marcelo Abud ganha quadro no programa Você é Curioso?

Aumentam os rumores de que Rede Transamérica teria sido comprada pela IURD

107,3 FM já começa a transmitir programação da Eldorado FM

A confirmação: Futebol entra no ritmo da BandNews FM‏

Eldorado Brasil 3000. Agora vai?

A transição 107,3 FM-Eldorado Brasil 3000

A estreia da Band News no futebol

O gol 100 de Ceni

Na Band News FM, os próprios técnicos anunciam as escalações

RecordNews FM? Emissora de Edir Macedo confirma negociação com a Transamérica

Abril

AdNews garante: Record News FM vem aí em maio

Exclusivo: João Lara Mesquita fala das mudanças nas emissoras do Grupo Estado – Um dos grandes diferenciais do Radioamantes no ano de 2011

Morre Reali Júnior

Repórter chora com situação do Paraná Clube – Mais um registro do rádio que se transformou em notícia no país todo graças ao Radioamantes

Morre Serginho Leite

Willians Lima fala sobre o episódio do choro

Alexandre Machado comanda novo jornalístico na Rádio Cultura FM

Rádio Cultura FM fala sobre saída de Julio Medaglia

A emoção do ponto final da Superliga masculina de vôlei com a equipe Expressão da Bola

FM do Grupo RBS usa nome do site Laboratório Pop em programa de rádio

A experiência malsucedida da Atlântida FM

Maio

Jovem Pan AM migrando para o FM?

Willians Lima , repórter que chorou por causa do Paraná, frila para a Jovem Pan

Informações sobre Wilson de Freitas

Mudanças no esporte da Rádio Capital

Confirmado: Dirceu Marchioli Maravilha na Band News FM

Rádio 730 AM (GO) volta a enfrentar problemas com o governo Marconi Perillo

Dirceu Marchioli Maravilha narra gol de Kleber Gladiador em sua volta ao rádio

Narrador Jorge Vinícius acerta com a Rádio Capital (SP)

Bandeirantes e Band News Fm viram concorrentes no futebol

A surpresa de Celso Miranda

Junho

Milton Neves e Mauro Beting registram o primeiro aniversário do blog Radioamantes….ou quase

É dura a vida de quem faz tubão

Qual o problema da Oi FM?

Narrador Jorge Vinicius protesta por causa do espaço dedicado a algumas rádios no Morumbi

Peñarol x Santos nas rádios do Uruguai

O esporte está de volta na Nova Difusora AM

O Rádio no Jornal Nacional

Globo deixa de exibir vôlei na TV. Opção foi o rádioweb

Oxydance na Rádio Usp FM. Isso mesmo que você leu

Substituição no Quatro em Campo da CBN

Alguns sons da final da Libertadores

Emissora da Rádio Bandeirantes é vendida para igreja no interior de SP

Seu Tuta, da Rádio Jovem Pan, concede entrevista à Rádio Bandeirantes

Alguns bastidores de Santos x Peñarol

A queda do River Plate nas ondas do rádio

Rádio Banda B repercute palavrões de narrador da Rádio Mitre

Rádio Record completa 80 anos

Julho

Angola tem sua primeira rádio comunitária

Jovem Pan AM prestes a deixar os 99,7 FM em Santos

Silvio Luiz é o novo comentarista da Transamérica FM

Morre aos 87 anos o compositor Billy Blanco

Transmissão do vôlei pelo site Voz do Esporte é sucesso na Internet

98 FM, de Santos, continua fazendo futebol

Apesar de incidente, 98 FM continua transmitindo jogos do Santos

Agosto

Memória do Plantão relembra narração de Pedro Luiz para título do Palmeiras em 1951

Haroldo de Souza homenageia Osmar Santos em narração

Rádio Record muda programação e vai apenas tocar músicas

Anatel flagra uso ilegal de bloqueadores de celular em SP

Neto é o novo comentarista da Rádio Bandeirantes

Morre o narrador esportvo Walter Abrahão

A penúltima entrevista de Walter Abrahão

Mudanças na Ipanema FM? Era viral mesmo

Gil Gomes é homenageado no Memória do Plantão

Morre o radialista Yatta Júnior, da Rádio Jornal

A pegadinha da Ipanema FM. Só faltou dizer o objetivo…

Estreias e despedidas no rádio

River Plate estreia na segunda divisão. E a Rádio Mitre estava lá

Ipanema FM, de Porto Alegre, vai transmitir futebol com a Bandeirantes local

Narradores-cantores vibram com Brasil x Portugal, sub-20

Em golaço de Leandro Damião, narrador Haroldo de Souza cita craques da narração esportiva

A abertura da jornada Band/Ipanema

Gafe do horóscopo de Virgem: fake ou real?

Rádio Globo entrevista falsa blogueira

Setembro

Rádio Globo se pronuncia sobre falsa entrevista

Show de Rádio comemora título do Corinthians em 1982

Haisem Abaki estreia  na Estadão/ESPN

Mister Sam conta os bastidores do Realce no programa Oxydance

Lembranças de um partido abstrato, tropical e onírico

Luis Fabiano “narra” gol de Lucas em vitória do São Paulo

Evento reune simpatizantes da campanha para batizar a bola oficial de 2014 como Gorduchinha

Para Francisco Paes de Barros, diretor da Rádio Capital, o futuro do veículo está na Internet

As dicas musicais de Mauro Beting

Outubro

Milton Neves vira Nelson Rubens

Lucas Neto irá lançar programa dedicado à terceira idade na Trianon AM

O energético do Fabio Seixas

Está no ar Rádio São Paulo/Rio FM

BandNews FM, de Campinas, vai transmitir jogos de Guarani e Ponte Preta

Lucas Neto em nova fase na Trianon AM

Band News FM, de Campinas, entra firme nas transmissões de futebol

O AM, em baixa, vai correr atras do ouvinte

A primeira homenagem ao dia do radialista ninguém esquece

Jornalista Aluani Neto morre aos 82 anos

Rádio Capital reforça programação

Morre Sergio Verinizzi

Morre no Rio o comentarista esportivo Luiz Mendes

Novembro

“A Hora do Ronco” comemora 24 anos na Band FM

José Silvério transmite jogos da sua casa em Minas Gerais

Uma pergunta para…Marcos Couto

“Vai ser burro assim lá longe”

Haroldo de Souza completa 1 ano na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre

Equipe esportiva deixa 98 FM e vai para a Rádio Terra AM, em Santos

Na nova emissora, Jose Calil continua a implicar com Edu Dracena

Alguma coisa acontece no rádio esportivo de Porto Alegre

O desabafo do Gigante do Vale

Aceesp não premia rádio web na eleição dos melhores de 2011

Gorducinha x Caramuri: aberta a disputa para dar nome à bola da Copa de 2014

Morre a radialista Vania Aguiar

Mandando o salve na rádio errada

Dezembro

Vozes do Futebol: Nos Bastidores das Transmissões de Rádio

As 15 melhores gafes do rádio esportivo de 2011

José Silvério agradece à Rádio Jovem Pan por ainda levar ao ar gols narrados por ele

“Robôzinhos” anularam votação da categoria de rádio web no prêmio Aceesp em 2011

APCA divulga melhores de 2011

Rádio Globo dá bola dentro com reprise de Flamengo x Liverpool

Mudanças no caminho da rádio Oi FM

Jurado da APCA fala sobre votação da categoria rádio

Equipe Expressão do Vôlei se une a Webfutmundi para transmitir competições mais importantes do vôlei

Não deixe de ver também

Retrospectiva 2009

Retrospectiva 2010

Haroldo de Souza homenageia Osmar Santos em narração

Por Rodney Brocanelli

Durante a partida entre Grêmio e Atlético-MG, o narrador Haroldo de Souza, da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, usou um dos bordões consagrados por Osmar Santos ao narrar um dos gols do time mineiro: “eee queee golll”. Ouça no player abaixo.

Pelo Twitter, Haroldo atribuiu a expressão a Flávio Araújo, amigo e leitor deste blog. Mas o “eee queee golll” é de Osmar Santos mesmo. Ouça abaixo.

Retrospectiva 2010

Nos links a seguir, o amigo leitor terá um painel do que de bom (e ruim) aconteceu no rádio em 2010.

JANEIRO

Éder Luiz finalmente estreia na Rádio Record

Zé Béttio deixa Rádio Record

Rádio 9 de Julho “invade” o Globo Esporte

Repórter de rádio narra queda de ponte no Rio Grande do Sul

CBN Manaus acusada de manipular informações

Não basta dividir o céu, é preciso lotear o éter – por Flávio Guimarães

Futebol é na Kiss FM?

Lúcia Hippólito enfrenta problemas durante uma entrada ao vivo na CBN

Tutinha diz no Twitter que pensa em lançar um programa sobre…o Twitter (tal idéia nunca se concretizou até agora)

Rádio 730 AM x Goiás EC e Hélio dos Anjos: mais um round (Em 2011, Hélio dos Anjos vai treinar o Vila Nova. Grandes emoções à vista)

Preta Gil estreia programa na MPB FM (RJ)

O caso das interferências da Rádio 9 de Julho

FEVEREIRO

Emissoras de rádio enfrentam problemas no Palestra Itália

CBN deixa de lado futebol e informa sobre a chuva

Paulista no escuro = rádios mudas

SulAmérica Trânsito comemora seu terceiro aniversário

José Paulo de Andrade apresenta o Primeira Hora

Exemplos do Carnaval no rádio

O Carnaval do Rio pelo rádio

Troca de comando no Arquivo Musical, da Rádio Bandeirantes

Blog da Rádio Banda B destaca o rádio esportivo

Morre Murilo Antunes Alves

Rádio FX deixa registros na web

Abaixo a modernidade: Mauro Beting não está no Twitter; Claudio Zaidan não tem celular

Rafael Colombo no Jornal Gente

Roberto Maia agora no UOL

MARÇO

Rádio clandestina era usada para vender medicamentos não-autorizados

Flávio Araújo no programa Expressão da Bola

Walter Abrahão no programa Expressão da Bola

Terceiro Tempo em 1984

Rádio Trianon transmite programa homenageando Hélio Ribeiro

Locutor Ciro Cesar (Jovem Pan)  morre aos 72 em São Paulo

Grupo de torcedores do Grêmio prega boicote à Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre

A poderosa briga da Rádio Jovem Pan contra a TV – por Flávio Ricco

Relembrando Ciro Cesar

Narrador de futebol paraguaio sofre com gol de Ronaldo

Rádio Bandeirantes e Band News chegam à Ribeirão Preto

Narração paraguaia para gol de Ronaldo repercute na web

Publicidade recicla idéia de união em campanha para banco

Grupo Bandeirantes de Rádio investe em inglês pelas ondas do rádio

Globo não permite transmissão da Copa pela Rádio Record

Morre Armando Nogueira

Deixem a Rádio USP na mão dos alunos

Dos arquivos sonoros: Kid Vinil em entrevista à Rádio Onze – 1995

Pitty estreia programa na Transamérica Pop

Dos arquivos sonoros: recordando a loja Wop Bop

Dos arquivos sonoros: o Oscar de 1996 pelo rádio

É dura a vida de repórter que vai entrevistar torcedor…

Dos arquivos sonoros: uma entrevista com Mauricio Pereira (ex-Mulheres Negras)

Uma jornada esportiva com a equipe Expressão da Bola

MAIO

Fausto Silva, 60

Rádio Camanducaia de volta ao dial

50 mil computadores ligados na Rádio Globo

Dos arquivos sonoros: Minhocão – Maluf, deixe-nos dormir em paz

Dos arquivos sonoros: a Fórmula 1 pelo rádio

Técnico do Internacional e repórter da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, quase saem no tapa

Grupo Bandeirantes tem mais um sintoma de Datenodependência (dependência de José Luis Datena)

Rádio Capital volta a investir em Belo Horizonte

Elimination? (um dos grandes assuntos de 2010: Daniel Oliveira , da Bandeirantes, canta Elimination para o time do Santos.

Rádio Band News comemora quinto aniversário

Em Porto Alegre, Voz do Brasil volta para o horário das 19h – por Edu Cesar

Sergio Noronha de volta aos microfones (começa a fase Radioamantes)

JUNHO

A recuperação de Flávio Guimarães

91,3 FM muda de cara (preparação para a Rádio Disney)

91,3 FM retransmite programação da Rede Aleluia

Ouvinte reclama de interferência na Jovem Pan

Áudiopost entrevista: André York (Banda B)

Rádio América fora do ar

Haroldo de Souza assume dificuldades na Rádio Guaíba

Morre o DJ Ricardo Guedes, da Energia 97 FM

Morre Geraldo Anhaia Melo

Bastidores da Copa

JULHO

Morre Abílio Manoel

20 anos sem João Saldanha

Transmissão esportiva é interrompida por agressão a narrador em SC

Tri FM transmite jogos do Santos

Kaká Siqueira apresenta quadro que homenageia Barros de Alencar

Jogadores e técnico do Goiás agridem repórteres de rádio

Bruno Levinson deixa MPB FM

AGOSTO

CBN/Globo lança site em homenagem ao Corinthians

CBN e Globo voltam a transmitir Voz do Brasil em SP

Pelo Twitter, seu Tuta, da Jovem Pan, critica Rádio Bradesco

A última do Pedro Ernesto Denardin…

SETEMBRO

Mauro Beting faz aniversário

Em Entrevista ao Arremate Final, uma homenagem ao rádio esportivo

Terceiro Tempo em 1984

Equipe Expressão da Bola retorna com jornadas pela web

Mauro Beting descobre Pintópolis

O rádio esportivo pelo Brasil

OUTUBRO

Cláudio Humberto estreia coluna na Rádio Bandeirantes‏

Rádio Trianon volta a ter áudio na web

Fim do mistério: vem aí a Rádio Disney

Recordasom by Night deixa grade da Rádio USP FM

Pelé 70 anos

BandNews FM 96,9 dá início a transmissões esportivas em 2011

Telma Emerick se despede da Jovem Pan FM

Confirmado: Roberto Hais está na 91.3

Haroldo de Souza deixa Rádio Guaíba. Seu destino pode ser a Bandeirantes

É Odnei Edson…

Um  fim de semana com a equipe Expressão da Bola

NOVEMBRO

Haroldo de Souza estreia dia 14 na Band/RS

Mario Lima pode substituir Haroldo de Souza na Guaiba – por André York

Marcos Couto quer uma oportunidade em São Paulo

Rádio Facul na Rádio USP

Mario Lima é da Guaíba

107,3 FM, a ex-Brasil 2000, pode virar Eldorado FM

Marcos Couto acerta com a Rádio ABC, de Novo Hamburgo

Equipe Expressão da Bola lança em 2011 a Rede Expressão da Bola

Milton Neves chama Grace Kelly de horrorosa

O rádio ganha mais um blog

Loteria Esportiva Tupi

Rádio Capital trabalha para ter comentário diário de Lula

Morre a esposa do narrador José Silvério

Conheça as cabines de rádio do Pacaembu

A estreia da Rádio Disney

DEZEMBRO

Onde há fumaça, há fogo? – Por Flávio Guimarães

Obrigado, Flávio Araújo

Depois do luto, José Silvério volta a narrar na Rádio Bandeirantes

Rádio no iPhone! Até que enfim…

Jovem Pan reúne seus funcionários para comemorar Natal com vinheta especial

Tiros ao vivo

APCA elege os melhores do Rádio em 2010

Helicóptero da rádio Eldorado faz pouso forçado na avenida Tiradentes, em SP

“Eu não vou narrar…”

Desabafo

Narrador Mario Lima sofre AVC

Futebol na Band News FM (SP) estreia em março

Morre Toninho Spessoto

Prefeitura perpetua nome de Flávio Araújo em Centro de Formação de atletas em Presidente Prudente

Lobão versus Transa Louca