Por Rodney Brocanelli
Com o desenrolar dos acontecimentos, está bem claro que a saída de três profissionais da equipe da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre (o narrador Marcos Couto, o comentarista João Carlos Belmonte e o repórter Leandro Schabbach) foi uma espécie de ajuste no caixa para a contratação de Haroldo de Souza, egresso da Rádio Guaíba.
No entanto, pelo menos em um dos casos, a decisão pode ter sido mais técnica que qualquer outro motivo. É sabido que o terceiro narrador, Gustavo Berton, tem atuado de forma mais prioritária como repórter na TV Bandeirantes, da mesma cidade. Nada impediria que ele ficasse apenas na televisão, deixando o espaço de terceiro narrador para Marcos Couto.
Mas exsite um porém: de forma injusta, Couto é apontado como um imitador de Haroldo. As respectivas vozes são bem parecidas. Numa entrevista concedida ao projeto Vozes do Rádio, da PUC-RS, perguntaram sobre esse assunto a Haroldo de Souza. Eis sua resposta, na íntegra:
P – O que você tem a dizer sobre o Marcos Couto, da Bandeirantes?
Haroldo de Souza Olha, eu não sei. Falam muito no Marcos Couto. Eu tento ouvir esse rapaz, e não tem nada parecido comigo. As pessoas dizem que parece muito. Se tiver, é dele pra mim, porque eu tenho 58, e ele tem 30 e poucos anos. Papel carbono eu não sei se é uma boa. Eu já conversei com ele. Ele é um cara muito legal. Eu digo “Marcos, o negócio é o seguinte: eu tenho um orgulho muito grande em saber que você está tentando imitar. Na acepção da palavra imitando. Se você continuar assim, enquanto eu estiver narrando, você não vai conseguir se firma. Por que você não faz como eu fiz? Eu tenho um parâmetro do Pedro Luis e do Fiori Gigliotti. Por que você não pega, então, algumas coisas minhas e faz algumas coisas tuas. Faz uma seleção, faz um contorno pra você ver como fica legal. Tu tens uma bonita voz, tem rapidez, tem velocidade, tem reflexo, fala bem”. Ele agradeceu, mas eu não sei se ele continua. Agora eu, sinceramente, e na minha casa a gente liga o rádio, porque começaram a falar muito “você foi pra Bandeirantes”. Eu digo “como fui pra Bandeirantes, rapaz?”. “Não, tem um cara lá que é igual a você, e você não tá trabalhando. Pensei que você tava lá”. Eu pensei: mas será que é tão parecido assim? Um dia eu fiquei em casa, e ele estava narrando. Botei umas fitas minhas na parte de baixo do gravador e liguei o rádio na outra. Eu não vejo nada parecido. Só uma tonalidade de voz quando termina a frase que é mais ou menos parecida. Ou então, o diz em que ele está mais alucinado e começa a falar que as bandeiras estão tremulando. Mas aí é sacanagem, né cara? Aí, o ridículo não sou eu que vou cair. Quem vai cair no ridículo é ele, não eu.
A se considerar por tudo o que foi colocado aqui, não haveria mesmo espaço para Haroldo de Souza e Marcos Couto na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre.
Vamos deixar aqui dois exemplos de narrações para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões. Primeiramente, Marcos Couto narra um gol do Grêmio, no campeonato gaúcho de 2008:
Agora, é a vez de uma narração de Haroldo de Souza. É o gol que deu o o campeonato mundial inter-clubes, em 2006, ao Internacional.
Em tempo: Marcos Couto tem um blog, mas até agora ele não falou nada sobre sua saída da Bandeirantes.