Prevalece o bom senso, afinal. No reino das palavras, nem sempre são escolhidas as que melhor exprimem o que se pretende dizer. Mesmo profissionais da palavra, escrita ou falada, podem não fazer a melhor escolha.
Quando isso acontece, em qualquer nível, teor ou circunstância, o resultado são as penumbras verbais que, infelizmente, não deixam ver nem ocultam de todo. Pior, projetam silhuetas a partir das sombras que, naturalmente, podem não corresponder à imagem que se pretende exibir.
Creio que não é preciso dizer mais nada. Luiz Carlos Ramos, diretor de jornalismo da rádio Capital, e Rodney Brocanelli, editor do blog RADIOAMANTES, corroboraram, ambos, o que eu disse em dois comentários anteriores, no FG-News, sobre a possível venda da rádio Capital.
Repare: Ramos, ao desejar que a emissora do Paraíso “continue na atual fase de equilíbrio e sucesso, seja nas mãos do atual proprietário, seja com quem eventualmente vier a ter o controle da emissora”, deixa claro que nem mesmo os profissionais contratados da casa sabem, ao certo, o que vai acontecer.
Rodney Brocanelli, conclui, sem pestanejar, que “as informações desencontradas saem de dentro da própria Rádio Capital, a partir de seus comunicadores, seja no ar ou em outros espaços”.
Apenas para esclarecer a questão, nossas fontes não se limitam aos domínios do território daquela emissora – nem poderia ser assim – e nunca insinuei que estivesse recebendo informações “de dentro”. O que publiquei foram os rumores circulantes no mercado. Porém, o fiz baseado em fatos. Nada mais.
Só mencionei alguns nomes, posteriormente, porque a mensagem de Luiz Carlos Ramos a Rodney Brocanelli dizia, no final “não considero positiva a circulação desencontrada sobre a possível venda da Capital, mas compreendo a ansiedade de jornalistas, do público e das empresas em torno do futuro de cada grande veículo de comunicação do País. Para atenuar tal situação, nada melhor que a transparência.”
Com a insinuação, nas entrelinhas, de que estávamos falando o que não sabíamos, sem conter a “ansiedade”, revelei apenas duas ou três evidências de que não inventei um detalhe sequer sobre o que se comentava, inclusive na emissora.
A propósito, Luiz Carlos poderia ter se dirigido a mim diretamente, pois o blog RADIOAMANTES esclareceu, com muita clareza, que o texto, de minha autoria, era reprodução de matéria postada no FG-News. Por sinal, diga-se, a replicação do texto foi uma iniciativa pessoal de Rodney, a quem agradeci, por reconhecer que o gesto me conferia maiores visibilidade e penetração no segmento em que o RADIOAMANTES se destaca.
Luiz Carlos Ramos sabe, como jornalista, escritor e professor, que uma vírgula muda o texto e o contexto. E o pecadilho, se de fato houve algum, deve ser creditado ao viés da dúvida que tem permeado as informações envolvendo a venda ou o arrendamento da Capital.
Ao agradecer a manifestação de Luiz Carlos Ramos pelo completo restabelecimento de minha saúde, deixo claro que também não tenho o menor interesse em polemizar. Nunca tive.
A polêmica não informa, distorce. E o nosso dever jornalístico é o de levar ao leitor somente a informação. Transparente, embasada em fatos e não em boatos.
Os fatos, até pela insistência com que vêm se repetindo, mostram que existe o interesse de um grupo sobre a rádio Capital. Se as partes envolvidas vão bater o martelo, se já não o fizeram, é assunto para se verificar em breve.
Por último, não houve e nem haverá ataques ou afirmações desairosas ou ansiosas no FG-News, a nortear o rumo de nosso trabalho. Não conheço pessoalmente a Luiz Carlos Ramos, como ele também não me conhece. Portanto, tal hipótese não tem sustentação.
Se houvesse algum sentimento que não fosse o amor pela correção noticiosa – acima de tudo – haveria, isto sim, uma ponta de carinho pela emissora que vi nascer, pelas mãos de Hélio Ribeiro, em 25 de janeiro de 1978.
Na época, um “garoto” de 28 anos, quase fui um dos fundadores da emissora que deu origem à, então, Rede Capital de Comunicação. Preferi permanecer na Bandeirantes, meu amor platônico, se assim eu pudesse definir a emissora do Morumbi.
Em um ponto, pelo menos, ambos concordamos, Luiz Carlos: palavras são mais que apenas palavras, pois elas determinam o verdadeiro Poder da Mensagem. No que, aliás, Hélio Ribeiro era genial.
Comentário: Com a publicação deste texto e do anterior, de Luiz Carlos Ramos, dou por encerrada essa polêmica. Só vou discordar do nobre amigo Flávio quando diz que “a polêmica não informa, distorce”. Quando levada em alto nível, como agora, ela pode ser muito esclarecedora para todos. (Rodney Brocanelli)