Disseram que esse seria o “Gre-nal da depressão”, depois da dupla desclassificação na Copa Libertadores. Mas, ao contrário do que se esperava, a partida foi animada e teve cinco gols. O Grêmio venceu essa que é a primeira partida da final do Gauchão 2011 em pleno Beira Rio. Placar final: 3 a 2. Deixo aqui os regitros de dois camaradas craques na narração esportiva do Rio Grande do Sul. Ouça abaixo.
Daniel Oliveira, da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre
O narrador Haroldo de Souza, da Rádio Bandeirantes, criticou sua antiga casa, a Rádio Guaíba no Twitter. Segundo ele, a contratação recente de Marcos Couto seria uma estratégia para confundir os ouvintes.
A movimentação do rádio esportivo de Porto Alegre, iniciada no final de 2010, ainda tem desdobramentos. O narrador Marcos Couto, que deixou a Rádio Bandeirantes para a entrada de Haroldo de Souza, acertou com a Rádio Guaíba. Sua estreia ocorreu nesta quarta (20), na partida entre Porto Alegre x Internacional, válida pelo campeonato gaúcho, com os comentários de Luis Carlos Reche. No player abaixo, é possível ouvir o solitário gol, marcado por Ricardo Goulart.
Além das estreias de Haroldo de Souza e Mario Lima, outro grande personagem desta dança de cadeiras do rádio do Rio Grande do Sul está trabalhando neste domingo. Marcos Couto, ex-Bandeirantes, de Porto Alegre, está neste domindo atuando na Rádio ABC, de Novo Hamburgo, onde narra a partida entre Cerâmica x Sapucaiense. Ouça no player abaixo.
Outro ex-Bandeirantes acertou seu destino, avisa entidade incerta e não sabida. Marcos Couto agora é narrador efetivo da Rádio ABC de Novo Hamburgo, dividindo narrações com o chefe esportivo Vanius Porto. O outro narrador, Jorge Baltar, saiu da emissora. Dela também saiu o plantão Denis Olinto, cuja função é assumida por Rogério Bohlke, que já atuava na ABC como apresentador de jornalismo e correspondente em Porto Alegre. E adivinha quando é a estreia do Marcão e do Bohlke? Acertou: em Inter x Avaí. Quer dizer: um jogo que não tem absolutamente nada de mais especial em termos de Colorado virou importantíssimo por toda essa sacudida de há duas semanas!
O ex-narrador da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, deixou a seguinte mensagem no sistema de comentários deste blog:
Trabalhei 15 anos como narrador da Band AM 640, sai agora no final do mês de outubro . Estou na área e á exemplo do Alexandre Preatezel gostaria de ter uma opurtunidade no maior mercado do país São Paulo.
Sou Cristão e devoto de Santo Antonio, não importando se ele é de Paduá ou de Lisboa, portanto como diz Baltazar Maria de Moraes Júnior:”Deus reserva algo melhor para minha pessoa”.
Com o desenrolar dos acontecimentos, está bem claro que a saída de três profissionais da equipe da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre (o narrador Marcos Couto, o comentarista João Carlos Belmonte e o repórter Leandro Schabbach) foi uma espécie de ajuste no caixa para a contratação de Haroldo de Souza, egresso da Rádio Guaíba.
No entanto, pelo menos em um dos casos, a decisão pode ter sido mais técnica que qualquer outro motivo. É sabido que o terceiro narrador, Gustavo Berton, tem atuado de forma mais prioritária como repórter na TV Bandeirantes, da mesma cidade. Nada impediria que ele ficasse apenas na televisão, deixando o espaço de terceiro narrador para Marcos Couto.
Mas exsite um porém: de forma injusta, Couto é apontado como um imitador de Haroldo. As respectivas vozes são bem parecidas. Numa entrevista concedida ao projeto Vozes do Rádio, da PUC-RS, perguntaram sobre esse assunto a Haroldo de Souza. Eis sua resposta, na íntegra:
P – O que você tem a dizer sobre o Marcos Couto, da Bandeirantes? Haroldo de Souza Olha, eu não sei. Falam muito no Marcos Couto. Eu tento ouvir esse rapaz, e não tem nada parecido comigo. As pessoas dizem que parece muito. Se tiver, é dele pra mim, porque eu tenho 58, e ele tem 30 e poucos anos. Papel carbono eu não sei se é uma boa. Eu já conversei com ele. Ele é um cara muito legal. Eu digo “Marcos, o negócio é o seguinte: eu tenho um orgulho muito grande em saber que você está tentando imitar. Na acepção da palavra imitando. Se você continuar assim, enquanto eu estiver narrando, você não vai conseguir se firma. Por que você não faz como eu fiz? Eu tenho um parâmetro do Pedro Luis e do Fiori Gigliotti. Por que você não pega, então, algumas coisas minhas e faz algumas coisas tuas. Faz uma seleção, faz um contorno pra você ver como fica legal. Tu tens uma bonita voz, tem rapidez, tem velocidade, tem reflexo, fala bem”. Ele agradeceu, mas eu não sei se ele continua. Agora eu, sinceramente, e na minha casa a gente liga o rádio, porque começaram a falar muito “você foi pra Bandeirantes”. Eu digo “como fui pra Bandeirantes, rapaz?”. “Não, tem um cara lá que é igual a você, e você não tá trabalhando. Pensei que você tava lá”. Eu pensei: mas será que é tão parecido assim? Um dia eu fiquei em casa, e ele estava narrando. Botei umas fitas minhas na parte de baixo do gravador e liguei o rádio na outra. Eu não vejo nada parecido. Só uma tonalidade de voz quando termina a frase que é mais ou menos parecida. Ou então, o diz em que ele está mais alucinado e começa a falar que as bandeiras estão tremulando. Mas aí é sacanagem, né cara? Aí, o ridículo não sou eu que vou cair. Quem vai cair no ridículo é ele, não eu.
A se considerar por tudo o que foi colocado aqui, não haveria mesmo espaço para Haroldo de Souza e Marcos Couto na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre.
Vamos deixar aqui dois exemplos de narrações para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões. Primeiramente, Marcos Couto narra um gol do Grêmio, no campeonato gaúcho de 2008:
Agora, é a vez de uma narração de Haroldo de Souza. É o gol que deu o o campeonato mundial inter-clubes, em 2006, ao Internacional.
Em tempo: Marcos Couto tem um blog, mas até agora ele não falou nada sobre sua saída da Bandeirantes.