Claudete Troiano fala sobre sua experiência na equipe esportiva da Rádio Mulher

Por Rodney Brocanelli

Atual apresentadora de programas femininos e de variedades na televisão, Claudete Troiano teve uma breve passagem como integrante da equipe esportiva da Rádio Mulher, na década de 1970. Uma experiência inovadora para o rádio na época. Em entrevista ao programa Sensacional, comandado por Daniela Albuquerque na RedeTV!, Claudete falou brevemente sobre essa experiência.

Tudo começou no Salão da Criança, um tradicional evento de grande porte que era realizado anualmente na cidade de São Paulo. A Rádio Bandeirantes tinha uma quadra de esportes, onde eram realizados jogos de futebol de salão e vôlei. Claudete foi escalada para fazer boletins diretamente do local para programação da emissora. Nesse meio tempo, ela passou a narrar internamente os jogos que aconteciam a fim de atrair a atenção do público.

“O dono da Rádio Mulher soube que no Salão da Criança tinha uma loirinha lá que narrava jogos e me chamou” disse Claudete. A ideia inicial era que ela fosse repórter da equipe esportiva que em processo de montagem. Logo, houve o interesse da emissora para que ela narrasse jogos de futebol. A partir do convite, ela teve que se preparar e fez alguns testes. “Antes de estrear, peguei um gravador que era desse tamanho naquela época (faz o gesto com as mãos), fui lá para arquibancada de um jogo do São Paulo com meu gravador e narrando. E assim eu comecei a narrar” contou.

A equipe esportiva da Rádio Mulher era formada por ela, Zuleide Ranieri, Germana Garili, Jurema Yara, entre outras.

Houve muito preconceito, mas ainda assim existiam apoiadores. Um deles, segundo Claudete, foi o craque Pelé. “Eu tenho grandes amigos dessa época e o Pelé foi um deles. Ele foi muito bacana com a gente, com a equipe, sabe? Incentivando mesmo”, disse.

Claudete ressaltou a importância dessa experiência na Rádio Mulher: “Hoje eu reconheço, na época eu não tinha noção, que foi muito importante esse nosso trabalho porque a mulher era colocada como um objeto só decorativo em programas esportivos. A mulher não tinha voz, não tinha vez”, afirmou.

Ela ainda fez uma breve exposição sobre a participação da mulher no futebol: “Você sabe que a mulher brasileira para começar a jogar futebol se vestia de palhaço? Ela tinha que se fantasiar de palhaço porque ninguém podia saber que era mulher jogando. Nessa época em que nós começamos com a equipe esportiva nessa visão da família Montoro na Rádio Mulher, só existia um clube mais conhecido que era o Radar” falou.

“Hoje eu vejo que nós abrimos um campo de trabalho tão bom para a mulher, que comanda programas esportivos, que narra, que faz reportagens no mesmo nível dos homes, afirmou Claudete.

Em 2015, o programa Radioamantes no Ar, da web rádio Showtime, entrevistou Zuleide Ranieri, que também narrou jogos pela Rádio Mulher, ao lado de Claudete. Clique no link abaixo.

https://radioamantes.wordpress.com/2015/11/16/radioamantes-no-ar-relembra-a-equipe-esportiva-da-radio-mulher-formada-so-por-mulheres-em-um-papo-com-zuleide-ranieri/

Claudete Troiano está atualmente na própria RedeTV!, onde apresenta o programa Vou Te Contar.

Veja abaixo os trechos em que Claudete fala sobre sua experiência na Rádio Mulher.

Papo de narradoras: Clairene Giacobe entrevista Isabelly Morais

Por Rodney Brocanelli

Nesta quarta-feira, o programa Agora é Que São Elas, da Rádio Estação Web, de Porto Alegre, promoveu um encontro de narradoras. Clairene Giacobe, apresentadora da atração e que desde o final do ano passado também narra jogos da dupla Grenal pelo veículo, recebeu Isabelly Morais, que fez história nesta última terça-feira ao narrar a partida entre América-MG e ABC, válida pela série B, pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte.

No papo, Isabelly contou toda sua trajetória até chegar ao momento de narrar uma partida de futebol. Ela estava insatisfeita com sua situação trabalhando dentro de um estádio e decidiu contatar José Augusto Toscano, coordenador de esportes da Inconfidência, via Facebook. Este respondeu “você toparia ser narradora?” Isabelly disse que essa não seria bem sua meta profissional, mas aceitaria por gostar muito de desafios, dentro de uma área que ela gosta muito, que é o jornalismo esportivo.

A estreia de Isabelly foi em uma partida contra o Internacional, que briga com o América-MG pelo título da série B. No segundo gol da equipe mineira, a narradora fez até uma provocação “Empata Inter, tropeça Internacional, que o América tá chegando para levar o título da série B”. Na entrevista, Clairene prometeu que vai ter resposta na partida entre Inter e Vila Nova, claro que dentro do mais absoluto espírito esportivo.

Ouça a entrevista no player abaixo.

clairense isabelly

O debate sobre a narração esportiva

Por Rodney Brocanelli

O grande amigo e pensador do rádio Flávio Guimarães publicou em seu blog sobre a questão da renovação da narração esportiva pelo rádio.

O link é esse http://fg-news.blogspot.com.br/2014/09/jose-silverio-jose-carlos-araujo-e.html?spref=fb

Ele se baseou em uma notícia que demos aqui no blog sobre as negociações de José Silvério com a Rádio Bandeirantes para a renovação de contrato.

Ao programa Estádio 97, além de outras coisas, Silvério disse que se sentia fracassado na missão de procurar novos talentos na narração esportiva.

O link é esse aqui:

https://radioamantes.wordpress.com/2014/08/27/no-estadio-97-jose-silverio-anuncia-que-esta-em-processo-de-renovacao-de-contrato-com-a-bandeirantes/

A partir da pergunta que eu fiz no post (“será que ele procurou nos lugares certos?”), Flávio desenvolveu seu raciocínio. Ele nota que houve um aumento na quantidade, devido à proliferação de novas emissoras de rádio e da explosão do rádio pela internet. Mas seu diagnóstico é duro:

Em sua esmagadora maioria, os locutores esportivos que surgem são réplicas de veteranos ainda em atividade. Isto é fácil de ser explicado, pois todo novato se inspira em modelos consagrados e, mesmo inconscientemente, passa a narrar “em cima” do ídolo. Assim, como cópia é cópia e não permite que façamos juízo de valor sobre ela, fica difícil avaliar se o trabalho do narrador que copia outro é fruto de talento inato ou, apenas, habilidade para imitação. Tom Cavalcante seria bom narrador esportivo? Esse é o caso.

Concordo com o caso das imitações descaradas. Neste blog, eu até trouxe o caso de um profissional do Vale do Paraíba que imita José Silvério no tom de voz e quase todos os seus maneirismos vocais. Veja no link abaixo.

https://radioamantes.wordpress.com/2013/01/04/jose-silverio-e-imitado-por-narrador-esportivo-de-sao-jose-dos-campos/

A cópia pela cópia tem que ser objeto das críticas mais severas.

Agora, o que acontece na maioria dos casos não é a imitação do estilo de um narrador esportivo, mas sim a adesão à escola da qual ele vem, especialmente aqui em São Paulo. Explicando melhor: José Silvério é um dos herdeiros diretos da linhagem que começou com Nicolau Tume e desembocou em Pedro Luiz, um de seus expoentes, com forte atuação entre as décadas de 1950 e 1970, em emissoras como Panamericana, Bandeirantes, Tupi, Gazeta e Nacional (hoje Globo). A escola da qual  Pedro Luiz vinha e consagrou consistia na descrição pura e simples dos lances que aconteciam dentro de campo. Pedro era tão obcecado com a precisão que ele, na época do grande Santos dos anos 1960,  chegou a pedir para o atacante Coutinho usar uma munhequeira da cor branca para que não houvesse confusão nos lances dos quais ele participava com os que envolviam outro astro máximo daquela equipe: Pelé.

Por isso e muito mais, Pedro Luiz virou um mito da narração esportiva, e seu estilo passou a ser seguido por dezenas de profissionais que surgiram nos anos seguintes.

Um outro exemplo mais recente: Osmar Santos também adotou um outro tipo de estilo, com mais descontração, o uso de um linguajar mais jovem. Na verdade, foi a adaptação de uma escola da qual Joseval Peixoto foi  precursor na Jovem Pan, entre o final dos anos 1960 e 1970. Peixoto fazia muitas brincadeiras no ar com o repórter Geraldo Blota. Dentro desta escola, Osmar fez os ajustes necessários para se transformar em um mito nas décadas de 1970 e 1990 até parar de forma prematura.

Algo de curioso que deve ser notado: outra das escolas da narração esportiva de São Paulo não teve seguidores conhecidos: a de Fiori Gigliotti. Ele fazia uso de imagens poéticas em suas narrações na Rádio Bandeirantes. “Balão subindo” e  “balão descendo” usado para os cruzamentos na grande área nada mais eram que uma citação às grandes festas juninas do interior.

Mais adiante, Flávio dá o seu recado.

Por quê? A resposta talvez, exija refazer a pergunta de Rodney Brocanelli. Eu sugiro esta formulação: “O que estão fazendo, de fato, os jovens narradores, enquanto desperdiçam a chance de mostrar serviço?”

Em vez de ridicularizar, que tal trabalhar com seriedade, dedicação e originalidade? O caminho que leva a bom destino, geralmente começa com o viajante abastecendo a mochila com um razoável estoque dessas virtudes. Sem elas o caminho torna-se longo, cansativo e, quase sempre, leva a lugar nenhum.

Dedicação e honestidade, sim. Nisso, eu concordo. Entretanto, irei implicar com outro dos termos usados pelo Flávio: originalidade.

Não se trata de uma implicância gratuita. Vou ficar muito feliz se eu estiver enganado, mas assim como em várias manifestações artísticas como o teatro, o cinema e a música, creio que toda a cota de originalidade na narração esportiva já foi gasta. Não há para onde ir. Dá para fazer adaptações pontuais, mas não na essência.

Acho que a dica aos amigos narradores esportivos (e convivo com vários de muito talento) é essa: siga a escola que for mais adequada à sua personalidade. E fuja da imitação dos grandes narradores que estão em atividade.

 

fiori

osmar

José Silvério empunhando o microfone da Rádio Bandeirantes em 1985

pedro luiz

flavioaraujo

 

joseval

O fim (dos verdadeiros) locutores esportivos

Por Flávio Araújo(*)

Leio interessante entrevista com o narrador Galvão Bueno e tiro algumas ilações que me desligam de meu passado profissional e me colocam na atual realidade. “Tudo muda, tudo passa neste mundo de ilusão” já cantou o poeta. Galvão é sem dúvida um fenômeno nas transmissões esportivas e jamais nenhum narrador de esportes atingiu tal culminância e durabilidade no comando de um veículo tão importante como a Globo. Apesar dos anos que podem ou não lhe pesar mantem-se em forma e o que mais, evolui. É verdade que os titulares prolongam ao máximo seus reinados e dessa forma impedem que sucessores ocupem o trono. Dois detalhes importantes retirei da entrevista de Galvão e que julgo de interesse daqueles que acompanham estes modestos escritos. O locutor esportivo deixou de ser o narrador do espetáculo imprimindo a fidelidade que em meu tempo era marca registrada do bom profissional. Buscávamos, sim, dar o máximo de emoção a nossas narrativas, mas jamais falseávamos na crítica e a verdade era a tônica dominante em nossa missão. Ou seja: éramos jornalistas executando uma missão profissional que queríamos colocar no ponto mais alto da respeitabilidade e da confiança de quem nos ouvia. Hoje o narrador esportivo é antes disso um animador de espetáculo, tem de executar um trabalho mais para animador de auditório, tem de ser mais Chacrinha e menos Pedro Luis. Para quem gosta, ótimo. Segundo esse caminho o objetivo é prender audiência e não ser crítico do que narra. O segundo ponto é ainda pior do meu ponto de vista. Estão acabando os locutores esportivos. Focalizei esse aspecto numa longa entrevista com Milton Neves no domingo passado quando me ligaram da Bandeirantes. Parece que não gostaram do que expus, mas mantenho minha posição. No interior nasciam os valores que iam brilhar nas grandes equipes esportivas da Capital. Houve época em que na Bandeirantes não havia um só locutor esportivo que não houvesse iniciado carreira no interior. Acontece que com o predomínio das redes, Bandeirantes, Jovem Pan, o radio do interior não transmite mais futebol. Com raras exceções. O narrador já começa pela televisão e permitam que o diga: os bons são os que nasceram no rádio e os que ainda estão na ativa são os últimos dos moicanos. De qualquer forma e só para finalizar digo que o Galvão, que começou comigo ainda na Gazeta continua sendo um grande profissional e merece a altura onde paira. Não sei como aguenta o ritmo de trabalho que executa o que é outro fator que pesa a seu favor em seu currículo.

Flávio Araújo, jornalista e radialista prudentino. Texto publicado originalmente no jornal O Imparcial, de Presidente Prudente. Reproduzido aqui com a permissão do autor.

 

 

flavioaraujo

 

Nando Gross inicia o debate sobre o rádio esportivo

 Comentário: Para quem não sabe, Nando Gross é atualmente comentarista da Rádio Gaúcha, de Porto Alegre.  Com relação ao que ele disse, concordo plenamente. O rádio esportivo precisa reciclar sua linguagem ainda mais que a concorrência aumenta cada vez mais. Antes, existia a vantagem da portabilidade. Hoje, já existem televisões portáteis (acoplados ao celular ou não) e, em dias de jogos, tenho visto muita gente dentro do ônibus com seus aparelinhos tentando driblar os problemas de sinal, que ainda existem, para acompanhar seu time de coração.

No entanto, vejo um problema. Não será fácil convencer os narradores a abrir mão do protagonismo na jornada esportiva, pelo menos enquanto a bola rolar. De qualquer forma, é um debate que precisa acontecer e Nando sai na frente ao iniciá-lo (Rodney Brocanelli).