Futebol: coronavírus fará com que emissoras da Grande São Paulo recorram ao off tube

Por Rodney Brocanelli

A Federação Paulista de Futebol divulgou nota oficial à imprensa no começo da noite desta sexta (13) informando o protocolo a ser seguido nas partidas válidas pelo campeonato paulista que deverão ser disputadas com portões fechados. Após acordo com os clubes envolvidos e as entidades que representam cronistas esportivos e fotógrafos, ficou decidido que apenas as detentoras dos direitos de transmissão terão acesso aos estádios. Ou seja, apenas profissionais de Globo e Sportv/Premiere poderão trabalhar livremente nas praças esportivas. Por outro lado, quem trabalha em rádio ou web rádio terá de transmitir as partidas no conforto de seus estúdios, acompanhando as imagens da televisão.

As partidas São Paulo x Santos, Corinthians x Ituano e Portuguesa x Rio Claro serão disputadas com portões fechados como parte de medidas para evitar o avanço do Coronavírus, nome dado a uma família de vírus que causa infecções respiratórias em seres humanos. A epidemia mais recente começou na China, em dezembro de 2019, e se espalhou para diversas partes do planeta. A Itália é um dos países mais afetados da Europa e relatos de casos já começaram a surgir nos Estados Unidos. Casos de Coronavírus começaram a aparecer no Brasil. Eventos culturais e esportivos estão sendo cancelados pelo mundo. Só por aqui que se fala em manter o calendários de competições, sem a presença de público.

No entanto, a resolução da FPF gera algumas inquietações. Conforme o comunicado (veja aqui), a medida se restringe apenas aos jogos disputados na capital paulista. No interior, segue tudo normal no que diz respeito à presença de publico e dos profissionais de imprensa.

E quanto aos profissionais das emissoras que detém os diretos de transmissão? Enquanto seus colegas são poupados, eles estarão presentes nos estádios da capital para a cobertura dos jogos. Será que terão alguma proteção especial?

Sobre a não presença das rádios nos estádios, sabe-se que para algumas emissoras da Grande São Paulo nada deverá mudar de forma tão radical, uma vez que muitas delas não tem enviado equipes para as transmissões mesmo quando os jogos acontecem na região.

E se a intenção é evitar a aglomeração nos estádios, e o que dizer da aglomeração no estúdio? Para a transmissão de partidas off tube (termo “técnico” que designa transmissões feitas olhando um monitor de televisão), os profissionais são reunidos no mesmo local (muitas vezes pequeno e improvisado), quase que se acotovelando e não respeitando a distância recomendada pelos orgãos de saúde.

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Radioamantes no Ar fala sobre a cobertura da Copa do Mundo pelo rádio

O Radioamantes no Ar desta semana abordou sobre alguns aspectos da cobertura da Copa do Mundo pelo rádio. Um deles: rádios de alguns países estão inserindo anúncios de seus patrocinadores durante a transmissão com bola rolando. Isso não é permitido às emissoras de rádio e televisão do Brasil, país organizador da competição. Além disso, estações de rádio daqui estão apelando para as transmissões off-tube, em vez de estar nos estádios. Entretanto, isso se deve a uma taxa cobrada pela Fifa O Radioamantes no Ar é veiculado todos os sábados entre 09h e 09h30 pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/). Apresentação de Rodney Brocanelli e participação de João Alkmin e Flávio Ashcar.

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Ouça mais uma edição do Radioamantes no Ar pela web rádio Showtime

Nesta edição, Rodney Brocanelli falou mais da parceria da Rádio Capital com a ESPN, a questão da transmissões esportivas off tube e do possível fim das transmissões esportivas da Rádio Banderantes de Goiânia. Apresentação de João Alkmin e Flavio Ashcar.

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Acesse: http://www.showtimeradio.com.br/

Em entrevista desastrada, diretor da Rádio Estadão tenta justificar transmissões “off tube”

Por Rodney Brocanelli

A entrevista de Acácio Luiz Costa, diretor-executivo da Rádio Estadão, à Anderson Cheni e a Anderson Scardoelli tem ao menos um mérito: pela primeira vez alguém que está do outro lado do balcão fala sobre a questão das transmissões off-tube (aquela em que os profissionais fazem tudo do estúdio e não dos estãdios).

Em geral, quem costuma falar sobre esse assunto são os próprios narradores quando solicitados. A opinião, salvo raras exceções é quase unãnime: eles manifestam o desejo de estar in loco narrando a partida que esteja acontecendo. Não lembro de algum coordenador ou diretor de emissora falar sobre o tema nos últimos tempos.

Acácio usa justificativas discutíveis para marcar a política da emissora em relação às transmissões de futebol no futuro. Em resumo, ele informa que irá mandar apenas repórter para o local do jogo. Narrador e comentarista ficarão no estúdio.

Vamos transcrever o trecho da entrevista:

(…)Em relação ao formato, adianto que iremos mudar o conceito de transmitir esportes, conceito esse que não muda desde 1950. Hoje, a programação exige outro formato.

E como será esse novo conceito?

Fazer as transmissões de futebol para quem estiver assistindo o jogo. Quando era o tempo áureo do rádio, a televisão não tinha o alcance que passou a ter no decorrer das últimas décadas. Atualmente, no Brasil, a televisão está inserida em mais de 98% dos lares.

Qual será a estrutura para as transmissões dos jogos?

Somente o repórter estará em campo cobrindo o jogo. Onde a equipe estiver, ele estará. Comentarista e narrador ficarão no estúdio, onde fica muito mais fácil com a tecnologia ver o jogo. O tubo [transmissão a partir da emissora] tem mais informação. Não adianta ter o locutor no estádio dizendo “não foi gol”, enquanto as câmeras no estúdio mostram o contrário. Essa decisão não tem nada a ver com custos, pois não iria mudar em nada mandar equipe completa para o Pacaembu ou Morumbi, por exemplo. É uma estratégia baseada em recursos tecnológicos.

A lógica de Acácio, infelizmente, não fecha. Se for para o narrador ter a visão do jogo pela televisão, o ouvinte nem precisa ter o trabalho de ligar o rádio. Quem acompanha a transmissão pelo rádio quer ter um algo a mais, aquilo que a tv não pode dar por uma série de motivos.

Em vez de conceder uma entrevista desastrada como essa, Acácio poderia tentar pensar em outras saídas para revitalizar a transmissão esportiva pelo rádio.

Poderia começar pensando em resolver um problema crônico: o delay”, que tem afugentado os ouvintes nos últimos anos. Com o crescimento do mercado de tv por assinatura, um número maior de telespectadores tem se deparado com a questão da falta de sincronia das imagens da tv com o som do rádio.  Tal situação se aplica à tv digital. Com isso, nem dá para se recorrer ao tradicional “abaixe o som da tv e fique com os ouvidos ligados no rádio”.

Além do mais, Rádio Estadão poderia dar uma contribuição muito maior se ela levasse para seu ouvinte esportes que não fazem parte do cardápio das programações das emissoras de rádio, como o basquete e o vôlei.

A repercussão das declarações de Acácio tem sido a pior possível. Pelo menos dois blogs o chamam de gênio, mas de uma maneira pouco lisonjeira. Acompanhe abaixo:

http://fg-news.blogspot.com.br/2013/01/futebol-na-radio-estadao-os-genios.html – do blog de Flávio Guimarães

http://www.revistadosesportesblog.com.br/blog/o-ridiculo-da-transmissao-por-tubo-reinventando-o-conceito-do-radio-esportivo/ – do blog Revista dos Esportes.

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