Morre Paulo Cesar Martin, do Garagem

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta terça (15) o jornalista Paulo Cesar Martin. Ele foi um dos apresentadores do programa Garagem, ao lado de André Barcinki e Àlvaro Pereria Jr. em sua passagem pela extinta Rádio Brasil 2000 FM. Atualmente, estava Rádio Antena Zero, que transmite sua programação na Internet, comandando os programas Pauleta 80/90 e Os Belos da Tarde. Além disso, ele também compunha a equipe do podcast ABFP com Barcinski, Álvaro e André Forastieri. Velório e enterro acontecem no Cemitério Cerâmica, em São Caetano do Sul, ainda neste dia 15 de setembro. A causa da morte não foi informada. Tinha 62 anos.

Pauletta, como era conhecido (alguns o chamavam também de Paulão), trabalhou em importantes redações de jornais e emissoras de televisão. No entanto, ele se tornou conhecido de uma parcela do público pela sua participação no Garagem, que chegou a ser a segunda maior audiência da Brasil 2000, tocando um rock, digamos, mais alternativo e uma crítica forte à pretensão de alguns medalhões da Música Popular Brasileira.

Um dos pontos altos da atração era a participação de Ana Maria Broca, nome dado a uma furadeira usada para destruir os CDs (mídia usada na época de veiculação do programa, a parir de 2001 na Brasil 2000). Tal prática gerou um certo debate na Internet, muito antes do advento das redes sociais.

“O problema é que a maioria desses artistas que são criticados no Garagem se leva a sério demais”, disse Paulão certa vez em entrevista ao Observatório da Imprensa (clique aqui para ler). “Ficam comparando a gente com o Flavio Cavalcanti etc. Mas a diferença é que a gente não critica a opção política do artista. O que combatemos é a pretensão desmedida dessas pessoas. Todos esses artistas que têm seus discos quebrados no Garagem fazem parte dessa máquina de lobby para tocar suas músicas nas rádios. Contra essa prática eles não levantam a voz. A gente vive num país onde essa camada de artistas não aprendeu a ser criticada. ‘Se você me criticou, não sou mais seu amigo’ é o pensamento deles”, complementou.

Mesmo com o fim do programa de rádio (que teve duas passagens pela Brasil 2000, a marca Garagem prosseguiu com a organização de festas realizadas em casas noturnas, geralmente com discotecagem de Paulão. “Tem música que se não tocar na festa vai ter gente querendo me trucidar na saída. As que mais rolam são “Summer”, do Buffalo Tom, e “Vapour Trail”, do Ride. Se não tocar é briga!!!”, declarou ele em uma entrevista ao fanzine Esquizofrenia em 2004 (clique aqui para ler).

Em 2017, quando comemorou 25 anos de estreia (contando a fase da Gazeta FM), a equipe do Garagem se reuniu para um misto de programa e celebração na 89 FM. Veja abaixo um documentário registrando esse evento.

Memória: Marcelo Rezende no Garagem

Por Rodney Brocanelli

Marcelo Rezende concedeu boas entrevistas à programas de rádio. Uma aconteceu em novembro de 2014, no Quem Somos Nós?, apresentado pelo publicitário  Celso Loducca na Eldorado FM (ouça aqui). A outra rolou no Pânico,  em dezembro de 2016, a última participação dele na consagrada atração da Jovem Pan FM (ouça aqui).  Vamos destacar aqui a entrevista  que talvez seja a mais marcante do jornalista e apresentador morto no último sábado. Ela foi dada ao programa Garagem, apresentado por André Barcinski, Álvaro Pereira Jr.,  Paulo Cesar Martin e Sandro Vieira na hoje extinta Brasil 2000 FM, em 29 de julho de 2002.

Um motivo que pode ter contribuído e muito para a participação de Rezende no Garagem foi a sua ligação profissional com Álvaro Pereira Jr. Ambos trabalharam juntos no jornalismo da TV Globo. Álvaro segue lá até hoje, fazendo reportagens prioritariamente para o Fantástico. Na ocasião, Marcelo Rezende estava estreando na Rede TV! como apresentador do Repórter Cidadão.

As historias de Marcelo Rezende tomaram conta do programa. A duração do Garagem teve de ser prolongada (de duas horas para duas horas e meia) a fim de acomodar a programação musical escolhida pelo trio e as intervenções do convidado. O jornalista contou histórias de bastidores da reportagem que fez sobre a prisão dos sequestradores do empresário Roberto Medina no Paraguai. Rezende acabou preso ao lado dos policiais brasileiros que para lá foram a fim de prender os criminosos. Uma história bem bizarra.

Rezende também contou como chegou à fita de vídeo que detonou o caso da Favela Naval, em que policiais fizeram de tudo com moradores de uma favela do município de Diadema (SP). Outro relato dele sobre o mesmo tema foi o da campana que fez para localizar uma das vítimas até convencê-la a aparecer na reportagem.

Não poderiam faltar temas relacionados ao esporte. Marcelo Rezende contou que foi comentarista esportivo da Rádio Nacional (RJ) na época de José Carlos Araújo. E mais histórias de bastidores: ele conta como foi até Miami para revelar a boa vida de um dirigente de futebol.

Todas essas histórias podem ser ouvidas em detalhes no player abaixo. O áudio foi extraído do blog Acervo Garagem, sem as músicas do playlist original.

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