Jurado da APCA fala sobre votação da categoria rádio

Por Rodney Brocanelli

O senhor Marco Ribeiro, jurado da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), se manifestou aqui no sistema de comentários sobre análise feita no Radioamantes (clique aqui para ler) a respeito da premiação da categoria rádio. Trago aqui para um post à parte a fim de dar  maior visibilidade ao que escreveu. Segue tal como foi publicado.

Primeiramente, gostaria de agradecer aos editores deste blog por terem divulgado para seu público o resultado de nossa votação. Fico contente que o autor do post tenha gostado da maioria dos 7 prêmios que concedemos.
 
Pena não terem gostado de todos. Mas tudo bem, afinal, vivemos numa democracia e cada um pensa de forma diferente. É supernormal, ainda mais no meio Rádio em que há tantas opções boas no ar, inclusive na Estadão/ESPN. Gostaríamos de dar um prêmio para cada uma delas, mas não dá, infelizmente.
 
Votamos com a certeza de que escolhemos o que há de melhor no momento. Já estamos mais do que acostumados às críticas. Que elas sempre venham e que possam ser usadas para reflexão, tanto por nós, críticos, quantos pelos próprios profissionais de rádio, se as acharem pertinentes. Afinal, eles é que fazem o Rádio, eles é que são os artistas e são eles é que devem receber os elogios e eventuais apupos da audiência.
 
Respeito as discordâncias aqui expressas, mas não concordo quando dizem que cerca de 32 mil ouvintes da Transmérica estejam, ouvindo um programa esportivo inferior àqueles escutados pelos 3,5 mil pessoas que acompanham em média a Estadão / ESPN, segundo pesquisa publicada no site Bastidores do Rádio.
 
Quero lembrar que audiência não é critério de avaliação do nosso juri. Mas pelo que está escrito no post acima, jamais poderemos um dia, se assim nossa bancada decidir, darmos um prêmio para a 105 FM, por exemplo, que, segundo o blog do jornalista Anderson Cheni, é a rádio mais ouvida durante as transmissões de jogos e programas esportivos, com cerca de 100 mil ouvintes. Seria uma espécie de critério bizarro, em que quanto menos uma rádio tivesse audiência, melhor seria a sua programação. Isso não é verdade. 
 
Cada um tem seu público e formato de programação, em se tratando especificamente de futebol. Umas mais populares, outras, mais talvez mais “elitizadas”. Umas mais “festivas”, outras mais “jornalísticas”. E assim por diante. Os 32 mil da Transamérica são tão importantes quanto os 3500 da Estadão / ESPN ou os 100 mil da 105 FM. Se considerarmos que são ouvintes únicos, eles somam mais de 135 mil pessoas ouvindo Rádio. Cada um na sua estação favorita. 
 
Também é bom frisar que avaliamos os melhores no ano em que passou. Nada impede que a Estadão/ESPN – ou outra emissoras – ganhe um ou mais prêmios nos próximos anos, como já outrora acontecera quando se chamava Rádio Eldorado. Em tese, todos os programas de rádio, tv, peças de teatro, filmes e outros objetos de nosso julgamento podem ganhar o prêmio, salvo aqueles impedidos pelo nosso regulamento, claro.
 
Enfim, considero que cumprimos a nossa missão com orgulho, precisão, honestidade, dignidade e independência. Nossa maior alegria é o reconhecimento do público pela escolha, o apoio da grande e “pequena” mídia e, principalmente, a alegria de quem recebe o prêmio por ter tido seu esforço e talento reconhecido por uma das entidades mais renomadas mantidas por valorosos profissionais da Imprensa Brasileira, da qual eu tenho a honra e o privilégio de participar há 10 anos. 
 
Mais uma vez,muito obrigado pelo espaço. E boa sorte para vocês também em 2012.

Comentário:  Fico muito feliz que um dos jurados da  importante APCA tenha se manifestado aqui neste espaço. Gostaria que ele esclarecesse onde ele leu a seguinte opinião: “quando dizem que cerca de 32 mil ouvintes da Transmérica estejam, ouvindo um programa esportivo inferior àqueles escutados pelos 3,5 mil pessoas que acompanham em média a Estadão / ESPN, segundo pesquisa publicada no site Bastidores do Rádio”.

Certamente, não foi aqui. Assim como o sr. Marco Ribeiro diz que audiência não é critério para a premiação, os números do Ibope também não são levados em consideração por mim  quando faço alguma crítica. Minha restrição quanto ao Papo de Craque é meramente estética. A proposta do programa até que é boa: um programa de debates com cobras criadas da imprensa esportiva: Juarez Soares, Silvio Luiz, Oswaldo Maciel, Henrique Guilherme, Roberto Carmona entre outros. Mas o que se vê é gritaria, muita gente falando ao mesmo tempo, desfile de vaidades, chutes opinativos, enfim tudo o que um programa de debates não deveria ter.

O senhor Marco Ribeiro certamente há de se perguntar: “o similar Esporte em Discussão”, da Jovem Pan, também tem tudo isso?”. É verdade. Mas a grande diferença é que os profissionais da Pan, pelo menos nesse programa, não se levam a sério. E tudo acaba virando uma grande brincadeira, no bom sentido, da qual o ouvinte vira cúmplice.

Mudando de assunto, aproveito pela disposição do senhor Marco Ribeiro em debater, e queria levantar uma outra questão que envolve o prêmio APCA e que já foi objeto de inquietação aqui neste espaço. Por que o colégio eleitoral em algumas categorias da enidade é sempre dimunuto?  Uma categoria importante como Música Popular só teve três profissionais votando. É bem verdade que algumas têm mais críticos para votar que outras (contei sete em uma delas, acho que Dança), mas ainda assim é muito pouco.

A categoria  de rádio sempre teve baixo número de votantes. Uma pena porque existe muita gente boa escrevendo sobre o esse veículo, especialmente na Internet. O sr. Marco Ribeiro é um deles, embora o seu blog Rádio Base esteja abandonado. Mas pelo menos conheço qual é a sua visão crítica. Gostaria de poder dizer o mesmo dos senhores Cesário Oliveira e Silvio Di Nardo. A respeito do sr. Di Nardo, sei que ele escreveu muito anos na extinta revista Amiga. Atualmente, não sei onde ele escreve e nem sei o que ele pensa a respeito do rádio de hoje. Gostaria muito de conhecer suas análises.  Ser crítico de rádio não é apenas votar na eleição da APCA. Até procurei por um espaço dele na web, mas não achei. Pode ser que esteja procurando no lugar errado.

O senhor Marco Ribeiro poderia nos esclarecer onde é que está o problema. Se a entidade está fechada em si mesma ou se não há interesse de profissionais que exercem o ofício da crítica em participar das eleições (Rodney Brocanelli).