Lula manda mensagem parabenizando o cinquentenário de O Pulo do Gato

Por Rodney Brocanelli

O presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, participou, ainda que de forma gravada, do programa comemorativo dos 50 anos de O Pulo do Gato, da Rádio Bandeirantes. Lula relembrou de sua época de líder sindical e da cobertura que o jornalístico fazia dos movimentos grevistas dos metalúrgicos do ABC paulista no final dos anos 1970. “Era um programa obrigatório da gente assistir para saber das notícias que aconteciam nas lutas sociais do Brasil. Por isso, eu quero cumprimentar a direção da Rádio Bandeirantes por conseguir manter um programa, sabe, funcionando por tanto tempo”, afirmou.

Lula reservou algumas palavras para o jornalista José Paulo de Andrade, que comandou o programa por 47 anos interruptos. “Quero dizer que tenho muita saudade do meu amigo Zé Paulo de Andrade , companheiro que a gente tinha divergências ideológicas, mas que a gente tinha uma relação de respeito profunda. E eu fico emocionado porque a última entrevista que ele fez foi comigo. Ou seja, depois que ele me entrevistou , passados alguns dias . E eu guardo muita e profunda saudade do Zé Paulo tanto no rádio como na televisão”, disse.

José Paulo de Andrade morreu em julho de 2020 após travar uma batalha contra o Covid-19.

Antes de sua manifestação, o programa colocou no ar um registro antigo de Lula, ainda presidente nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) saudando os 20 anos de O Pulo do Gato, em 1993.

A Rádio Bandeirantes veiculou neste domingo (02) uma edição especial de seu mais tradicional programa jornalístico, com uma retrospectiva dos 50 anos em que o programa está no ar, com direito a depoimentos de ouvintes, integrantes antigos e atuais da atração e registros históricos.

Para professor, crise dos meios de comunicação é de gestão e não tem a ver com a conjuntura nacional

Por Rodney Brocanelli

Em entrevista ao podcast Opinando, Luiz Artur Ferraretto, professor de jornalismo da UFRGS, ao comentar sobre o futuro da comunicação enquanto negócio disse que ainda existem muitos empresários do setor administrando seus respetivos veículos como se estivessem na década de 1990. “Eu me pergunto o que nós vamos ter daqui a 10 anos em termos de emissoras”, afirmou.

Ainda falando sobre o empresariado, Ferraretto fez um importante diagnóstico. A crise dos meios de comunicação no Brasil não tem a ver com a conjuntura nacional. “Teve muito empresário que foi apoiar o Bolsonaro porque achou que a crise era econômica, era culpa da Dilma, do PT (…) e não se deu conta de que a crise era no modelo de negócio, a crise era na gestão deles”. falou.

Sabe-se que esse apoio não foi apenas na intenção de voto. Acabou estendido ao conteúdo editorial, especialmente em emissoras de rádio (ou aquelas que tem o rádio em sua origem).

Durante a entrevista, em seus instantes iniciais, Ferraretto abordou a questão dos 100 anos de rádio no Brasil. Oficialmente, o marco inicial da radiodifusão no Brasil é em 7 de setembro de 1922. No entanto o professor alega que aquela transmissão fazia parte de uma grande demonstração para a venda de equipamentos de rádio das empresas Westinghouse e Western a um único cliente: o governo federal. Foi dentro deste evento que houve o famoso discurso do então presidente Epitácio Pessoa.

Ferraretto cita que em 1920 houve também um evento também para a demonstração de equipamentos, desta feita da empresa Marconi, acontecido na Ilha das Cobras, então instalação da Marinha. O mesmo presidente Pessoa participa dos testes, conversando com um senador por intermédio da aparelhagem instalada.

Essa história passou a ser recontada, graças à insistência de um pesquisador, o professor Luiz Maranhão Filho. Durante a década de 1910, no Recife, ocorreram algumas transmissões consideradas piratas (ou clandestinas), que só foram registradas pelos jornais da época graças ao noticiários sobre apreensão de equipamentos. A coisa segue adiante graças a um grupo de interessados e em 1919 é inaugurado o Rádio Clube de Pernambuco. No início de 1923, ocorreram as primeiras transmissões de um ponto para várias pessoas.

Importante destacar que os serviços oferecidos naquela época eram chamados de radiotelegrafia e radiotelefonia, este último bem próximo daquilo que conhecemos hoje como o rádio comercial (o professor Ferraretto fala em “caixinhas musicais”).

“O rádio no Brasil não tem uma data certa”, decreta Ferraretto. Conheça mais o seu vasto currículo clicando aqui.

O Opinando tem a apresentação do jornalista Nando Gross (que sofreu um pouco com o ar-condicionado do estúdio).

Veja abaixo a íntegra da excelente entrevista, que não ficou apenas nesses assuntos destacados.

Vereadores do PT e PSDB batem boca ao vivo na Jovem Pan‏

Vereadores do PT e PSDB batem boca ao vivo no ‘Jornal da Manhã’, na Jovem Pan. O líder do PSDB na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Andrea Matarazzo, e o vereador petista líder do Governo na Câmara, Arselino Tatto, debateram na manhã desta terça, 02/06, sobre o projeto da lei de zoneamento da cidade de São Paulo, que será entregue hoje pelo Prefeito Fernando Haddad à Câmara, e explica o que pode e o que não pode ser construído em cada via da capital paulista. 
 
O tucano acusou o projeto de ser uma “guerra do Prefeito contra as zonas residenciais” e disse que Haddad não “conhece e se recusa a andar pela cidade”. Questionado se concorda com o posicionamento de Andrea, o petista disse que o líder do PSDB é “um adivinho”, pois o projeto nem foi entregue ainda. “O Prefeito não tem intenção nenhuma de prejudicar a população, vamos debater de forma transparente. Vamos fazer o melhor plano que a cidade possa ter (…) É muito ruim atacar o Prefeito sem conhecer o plano que será entregue na Câmara hoje”, falou Tatto.
 
Em diversos momentos o petista acusou Andrea de se interessar apenas pelos bairros nobres da cidade e não se preocupar com bairros como Guaianazes, Parelheiros, Capão Redondo. “Haddad é um estadista, está preocupado com a cidade toda”, disse Tatto, enquanto Andrea rebateu que o Prefeito não pode querer “tratar de forma igual regiões desiguais” e ainda complementou que “o PT estragou algumas regiões com o plano diretor e o Haddad tem destruído a cidade de São Paulo.” 
 
Os vereadores concluíram agradecendo a Jovem Pan pelo debate e concordaram que é muito saudável para a democracia esse tipo de discussão. O petista ainda complementou: “Posso não concordar com 90% do que vocês (Jovem Pan) falam, mas não deixo de ouvi-los todos os dias”. 
 
Confira o áudio completo do debate clicando aqui.

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