Por que as emissoras de rádio tem a mesma cara?

por Antonio Edson

Se existe uma coisa que faço diariamente é ouvir rádio. Isso desde criança. Gosto de ouvir emissoras AMs e FMs da capital e do interior. Mas atualmente está difícil ser ouvinte.
Todas as emissoras são iguais de manhã tarde e noite. São cópias fieis e o que muda são apenas os nomes dos programas. Os roteiros são os mesmos: “Carta do ouvinte”, Hora do Amor”, “Show da manhã”, Hora da Meditação”, “Especial Sertanejo”, “As 3 mais pedidas”, ”Programa do Zezão”, “Roberto Carlos em Desfile”,” A receita do Dia”, “ Clube do Ouvinte”, etc. etc. etc.
Será que não está na hora de começar a exigir coisa melhor e até criar um PROCON para defender os interesses dos ouvintes?
Salvo raras exceções de rádios musicais e as emissoras jornalísticas, todas as outras  tem a mesma cara.
Parece que não existe qualquer compromisso com a cultura, com a formação intelectual da população. As músicas são sempre as mesmas, (porque só quem paga tem sua música no ar) e os ouvintes que participam por telefone também são sempre os mesmos.

DETALHE: Vovó Donalda disse que há bons profissionais no mercado, mas os empresários de radiodifusão não investem na qualidade e valorização de seus funcionários, principalmente no interior.

O que fizeram com nossas emissoras?

do blog de José Nello Marques

Abrindo a Folha desta segunda feira a manchete revela bem o momento politico que estamos vivendo e o uso inadequado dos nossos meios comunicativos mais tradicionais, como o radio e a TV. A manchete diz que “triplicou em ano eleitoral a entrega de prefixos em todo o Brasil.

Percorrendo o interior paulista, tradicional celeiro de craques de futebol e vozes maravilhosas que brilharam e brilham nos microfones mais famosos do pais, o que se ouve hoje e um radio de apelos religiosos com os mais diferentes cultos radiofonicos em ondas medias e de frequencia modulada.

Quando os pastores ou padres se retiram, entram os musicais hoje denominados “sertanejos universitarios” ou o hip-hop inaudivel pela falta de melodia, letra ou harmonia. Rarissimas noticias aparecem no dial interioriano, mesmo quando uma cidade inteira como Marilia sofre um apagao de energia como aconteceu nesta segunda feira pela manha.

Uso politico, religioso, arrecadador e absolutamente desprovido de qualquer cunho informativo, o radio tornou-se instrumento para tudo, menos para levar noticia e servir `a cidade onde fica.

Lamentavel ver um povo sofrer mais essa queda no patamar cultural. Lamentavel a postura de executivo e legislativo. Lamentavel o povo que tudo engole, sem qualquer tipo de resposta.