Rádio MEC homenageia o radialista Lauro Gomes

do site da EBC

Se há um produtor que deu voz e vez ao músico brasileiro, principalmente aos que se dedicam à música de concerto, esse é Lauro Gomes. Ele trouxe o prestígio de  músicos consagrados para os ares da Rádio MEC, mas também deu palco e vez para os iniciantes, revelando talentos e alavancando carreiras.

Lauro Gomes morreu aos 83 anos, nesta sexta-feira (12/03), vítima de uma parada cardíaca no hospital onde tratava de um câncer recém descoberto.

O mineiro que nasceu em 23 de março de 1937, começou sua trajetória na Rádio MEC (à época, ainda Rádio Ministério da Educação e Cultura) em 1974, e em mais de quarenta anos, ele produziu inúmeros programas, além de colaborar com tantos outros em uma carreira que teve importante papel na construção da imagem que a Rádio MEC mantém junto aos ouvintes.

O primeiro desafio, logo nos seus primeiros anos de emissora, foi organizar a programação da Rádio MEC, buscando uma identidade própria para ela – identidade que perpassou por sua paixão pela música, tanto a clássica quanto a popular.

Ainda nos anos 1980, Lauro Gomes assumiu a produção do programa “Música e Músicos do Brasil”. Importante marco da radiofonia brasileira, o programa está no ar há mais de sessenta anos.

Já nos anos 2000, produziu diversos ciclos de programas em homenagem a grandes nomes da música clássica brasileira, como Guiomar Novaes, Francisco Mignone e Nelson Freire.

No início de 2020, antes da pandemia do novo coronavírus, Lauro Gomes foi o primeiro convidado a participar do projeto Memória Rádio MEC, uma parceria da emissora com a Gerência de Acervo da EBC que resgata histórias que contribuem para a construção da memória da EBC.

O Memória Rádio MEC apresenta em quatro programas dedicados às produções de Lauro Gomes na MEC, algumas das belezas que ele promoveu. Você vai ouvir entrevistas e registros musicais presentes em nosso acervo, além do depoimento do próprio Lauro, gravado em evento realizado no dia 12 de fevereiro de 2020.

Neste primeiro programa que abre a série, confira entrevistas realizadas por Lauro com Francisco Mignone, Nelson Freire e Bidú Sayão.

Clique abaixo e acompanhe os temas dos próximos programas da série:

Programa 2

Programa 3

Programa 4

Programa 5

Programa 6

Saiba mais sobre Lauro Gomes clicando aqui.

Morre Zuza Homem de Mello

Por Rodney Brocanelli


Morreu na noite deste sábado (03) o musicólogo Zuza Homem de Mello. E o termo cabe bem para definir sua atuação profissional ao longo de todos esse anos. Segundo o dicionário, é “aquele que se dedica ao estudo ou trata de musicologia” e ainda “indivíduo que se ocupa da música”. Zuza morreu enquanto dormia, vítima de um infarto agudo do miocárdio. Tinha 87 anos. Velório e enterro serão restritos aos familiares.

No rádio Zuza teve um programa de sucesso na Rádio Jovem Pan. Chamava-se “Programa do Zuza” e uma de suas intenções era ensinar o público a ouvir música, resgatando nomes esquecidos e divulgando compositores e intérpretes ainda sem espaço na grande mídia e grandes gravadoras. Sua estreia ocorreu no dia 1º de março de 1977 e a edição derradeira foi veiculada no dia 5 de fevereiro de 1988.

“Minha preocupação era justamente mostrar a criação musical dificilmente promovida, como divulgar novos valores, orientado por princípios muito próprios. Valia aquilo em que eu acreditava”. Está declaração de Zuza está publicada no livro Jovem Pan 50 Anos, escrito por Álvaro Alves de Faria.

Ainda na Pan, nos anos 1970, Zuza ajudou a produzir algumas vinhetas que permaneceram no ar por muito tempos. Anos mais tarde, ele desenvolveria esse mesmo tipo de trabalho para a Rádio Band News FM.

Recentemente, Zuza esteve no ar com o programa “Playlist do Zuza”, veiculado pela Rádio USP e retransmitido pela Rádio MEC, produzido em parceria com o Instituto Moreira Salles. Sua proposta consistia em “apresentar a diversidade da música popular brasileira com base na experiência de mais de seis décadas de carreira do apresentador Zuza Homem de Mello”.

Veja abaixo o texto que Zuza Homem de Mello leu em sua despedida da Rádio Jovem Pan, na última edição do “Programa do Zuza”. Reproduzido do livro já citado Jovem Pan 50 Anos, editado pela Maltese, em 1994. 

“A partir de hoje o “Programa do Zuza dá uma parada. Geralmente quando isso é noticiado a primeira impressão que se dá logo é imaginar que houve algum desentendimento. Nada disso. O sentimento de amizade e a ligação profissional continuam intactos entre o Zuza e a Rádio Jovem Pan. Tanto que a gente vai ter ainda a oportunidade de estar com vocês na Jovem Pan que – é bom frisar – sempre me deu através do Tuta, seu diretor-presidente, uma condição de liberdade total, razão direta de se poder realizar sempre o que foi imaginado nesses 11 anos. O Tuta foi fundamental para o “Programa do Zuza. De minha parte, devo dizer-lhes que há vários projetos em andamento, ligados à música, naturalmente para os quais preciso dar a atenção que exigem. A eles é que eu pretendo me dedicar nos próximos meses. Nestes 10 anos, onze meses e cinco dias, foram quase três mil programas, com um número em torno de 28 mil músicas escolhidas dia a dia para vocês. Sempre toquei aquilo que achei que devia tocar e pela audiência parece que muita gente gostou. Chegaram a dizer que aprenderam a ouvir música sintonizando este programa. Era exatamente isso que eu pretendia no dia 1º de março de 1977, quando o “Programa do Zuza” foi ao ar pela primeira vez. Isso me deixa imensamente gratificado e me dá a certeza de ter feito alguma coisa pela minha querida música, que também corre nas veias de vocês. Guardo com a seriedade de um documento as palavras e idéias dos músicos, cantores e compositores que estiveram com a gente, desde os mais consagrados aos mais conhecidos e iniciantes. Todo mundo ligado à música de alguma forma teve espaço no “Programa do Zuza”, com plena liberdade de falar na Jovem Pan. Agradeço a todos os companheiros da Jovem Pan de quem muitas vezes dependi para que o programa pudesse se realizar como foi imaginado, em especial ao Odalvo Menezes, Ricardo Sanches e Nilson Lacerda. Este programa de hoje simboliza a virada de uma página e é assim que eu gostaria que vocês entendessem, como um ciclo, como um livro que se iniciou em março de 77 e termina hoje. O “Programa do Zuza” vai sai do ar agora. Como diria o inesquecível Vinícius de Morais: ‘A benção, saravá'”

 

O caso Rádio MEC

Por Rodney Brocanelli

O blog Radioamantes gostaria de poder acompanhar mais a fundo toda a questão envolvendo a Rádio MEC, do Rio de Janeiro. O que podemos fazer por agora é deixar três links do site Opinião e Notícia que, ao meu ver, trazem os dois lados da questão.

Rádio MEC à beira da extinção – http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/radio-mec-a-beira-da-extincao/

Rádio MEC em perigo – http://opiniaoenoticia.com.br/sem-categoria/radio-mec-em-perigo/

EBC nega abandono de acervo das Rádios MEC – http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/ebc-nega-abandono-de-acervo-das-radios-mec-rj/