Sobre afastamento do rádio, José Silvério diz que “decisão está tomada e deve prevalecer”

Por Rodney Brocanelli

Mesmo não atuando mais profissionalmente no veículo, José Silvério segue concedendo entrevistas à programas de rádio. No domingo passado (03) ele falou por aproximadamente 50 minutos ao programa Domingão Show de Bola, da Rádio Mundial , de Pirassununga (SP), apresentado por Alessandro Marangoni e Márcio Chiamente. Durante o papo,  Silvério voltou a declarar que colocou um ponto final sem sua carreira de narrador esportivo, após aproximadamente 57 anos de trajetória. “É uma decisão que teve de ser tomada um pouco forçada devido às circunstâncias. Eu achei que já era hora de pensar nesse assunto em comum acordo e por enquanto é o que está prevalecendo”, afirmou.

Silvério afirmou que ninguém da atual diretoria da Bandeirantes o procurou para tratar de sua saída. “Só mandaram o chefe do RH, que veio falar do acordo”, disse.  O narrador informou que companheiros de verdade mandaram mensagens a ele após o anúncio de sua saída. “Outros nem tiveram a dignidade de  ligar para perguntar se eu queria um copo d’água”, falou.

Sobre essa questão dos últimos dias  de relacionamento com a Bandeirantes, ele disse que “nessa minha saída tem algumas coisas no meio que são absolutamente desagradáveis, mas é um problema meu, não vou sair chorando, falando nada pra ninguém. A mesma empresa que me contratou, tem o direito de me dispensar”.

Ainda segundo Silvério, a cláusula do contrato recente assinado entre ele e a empresa foi cumprido. Se ele tomasse a decisão de sair, teria de pagar um valor correspondente a seis meses de contrato. Caso a Bandeirantes tomasse a atitude, ela faria o pagamento correspondente a este período. É o que está valendo.

Todo esse tempo após o acerto serviu para que ele pensasse em sua carreira. “Vou fazer 75 anos, já, já. Tenho três filhos que não dependem de mim”, disse. Após conversas com sua atual esposa, o locutor decidiu que era a hora de parar. “Eu tenho minha vida mais ou menos encaminhada, se bem que num país como nosso, nunca pode dizer que a vida está encaminhada porque você aqui está sujeito a tomar uma trombada ali na esquina e acontecer coisas desagradáveis”.

Talvez pensando nessa possibilidade, em outro trecho da entrevista, Silvério tenha dito que a vida tem suas curvas e que ele até possa voltar. “Mas em princípio a decisão está tomada e deve prevalecer”, afirmou.

O narrador ainda respondeu perguntas sobre outros aspectos de sua longeva carreira, como o fato de narrar sangrando a final da Copa de 1978, na Argentina e do dia em que teve de transmitir um jogo no nível do campo. Foi em 1979, no Beira Rio, em Porto Alegre, na final do campeonato brasileiro que reuniu Internacional e Vasco. Em meio à transmissão, ele acabou “entrevistando” um cachorro, um Pastor Alemão da Brigada Militar.

Claro que não poderiam faltar perguntas sobre gols que narrou. Foi lembrado o de Alex, para o Palmeiras, em uma partida contra o São Paulo válida pelo Torneio Rio São Paulo do ano 2000. “Foi uma loucura”, disse Silvério que na ocasião descrevia um lance como golaço mesmo antes de seu fim. O meia do Palmeiras deu duas chapeladas dentro da área antes de finalizar. Afirmou ainda que arriscava muito, ousava muito em suas irradiações.

Silvério ainda respondeu a questionamentos de colegas com quem dividiu o microfone. Freddy Junior, ex-Pan, que atua como repórter nas transmissões como repórter na Mundial, colocou na mesa o tema das transmissões off-tube, aquelas em que o narrador está no estúdio e não no estádio. “Hoje está todo mundo falando que o rádio acabou. Uma das razões é que o cara vai no estádio leva o radinho e vê que você não está”, disse. Além disso, ele chamou a atenção para o fato de que, como por questões técnicas, o áudio da narração chega até depois do lance, devido ao narrador acompanhar os lances na tela da televisão.

Por sua vez, Alexandre Praetzel, que também vem atuando na mesma emissora, preferiu questionar sobre a atual qualidade dos repórteres esportivos que, segundo ele, não fazem boas descrições dos lances e não encaixam boas perguntas. José Silvério fez um elogio aos bons repórteres com quem trabalhou (Wanderley Nogueira, Leandro Quessada e o próprio Praetezel) e criticou alguns profissionais que gritam ao microfone. Em seguida, disse: “os clubes dificultam muito o seu trabalho, os jogadores dificultam as suas entrevistas. Se você não for puxa-saco, você não consegue entrevista mais. Você hoje não pode ter independência, que os profissionais do meu tempo tinham. Se você fizer perguntas corretas e se você falar algumas coisas que tem vontade de falar, nunca mais os personagens vão dar entrevista para você”.

Veja mais no player abaixo.

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Equipe Show de Bola, de Pirassununga, estará no Equador para transmissão da semifinal da Sul-americana

Por Rodney Brocanelli

A Equipe Show de Bola, baseada na cidade de Pirassununga (SP) já está anunciando que se fará presente no Equador para a transmissão da partida de volta entre Independiente del Vale x Corinthians, válida pela semifinal da Copa Sul-Americana, marcada para o dia 25 de setembro. O jogo de ida acontece nesta próxima quarta (18), na Arena Corinthians.

Estarão no Estadio Olímpico Atahualpa, em Quito, o narrador Alessandro Marangoni e o repórter Fredy Junior. O pontapé inicial está marcado para às 21h30, mas a Equipe Show de Bola inicia sua jornada esportiva meia hora antes.

A transmissão poderá ser ouvida  na Rádio: Mundial FM 93,5Mhz de Pirassununga. Pela internet , no blog: equipeshowdebola.com.br ou  no  site: fmmundial.com.br , além do app no celular da Mundial.

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Rádio do Abreu na Copa? Entenda

Por Rodney Brocanelli

Um post do blog de Marcel Rizzo chamou a atenção do meio radiofônico nos últimos dias. Ele falava sobre os direitos de transmissão da Copa do Mundo. Segundo o jornalista,  o Brasil seria o país com maior número emissoras autorizadas para transmitir a competição, somando todos os veículos.

Rizzo fez a listagem das emissoras de rádio. Chamou a atenção o nome de uma delas: Rádio Mundial, de São Paulo, veja na imagem abaixo.

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Isso gerou uma dúvida: seria a mesma rádio que faz parte do conglomerado do sr. Paulo Abreu? O Radioamantes responde.

No site da Fifa, existe um documento chamado 2018 FIFA World Cup Russia Final Media Rights Licensees. Ele pode ser acessado no link abaixo:

http://resources.fifa.com/mm/document/affederation/tv/02/92/16/20/2018fifaworldcupfinaldraw_01122017_neutral.pdf

Sua última atualização ocorreu em dezembro do ano passado, mas é possível observar que as emissoras licenciadas aparecem com suas respectivas razões sociais e não com seus nomes de fantasia. A tal Rádio Mundial aparece como Rádio Mundial S. A. Veja abaixo.

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Com essa informação, é possível ir até o site da Anatel e ir até o SISCOM – Sistema de Informação dos Serviços de Comunicação de Massa. Para quem divertir se divertir com ele, o link está aí embaixo.

http://sistemas.anatel.gov.br/se/public/view/b/srd.php

Pelo SISCOM, é possível fazer a busca pela razão social. Jogando o nome Rádio Mundial S. A, aparece o seguinte resultado: uma emissora cuja sede fica no conhecido endereço da Rua do Russel, 434

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Nesse mesmo documento, é informada a frequência da emissora: 860Khz

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É a frequência onde hoje opera a CBN e que abrigou a antiga Rádio Mundial, sucesso entre a juventude carioca dos anos 1960 e 1970.

Veja o documento público da Anatel no link abaixo:

http://sistemas.anatel.gov.br/se/eApp/reports/b/srd/resumo_sistema.php?id=57dbac6e7131e&state=AM-C7

Voltando ao documento da Fifa, nota-se que a Globo licenciou os direitos da Copa do Mundo para a Rádio Globo S.A. (Rádio Globo de São Paulo) e Rádio Globo S.A. (Radio Globo Rio), Rádio Mundial S.A. (CBN Rio) e Rádio Excelsior S.A. Sobre essa última, a busca no SISCOM traz pelo menos três resultados, dois de São Paulo e um de Brasilia. todos ligados à CBN.

Esse repasse dos direitos às principais emissoras do grupo, deve-se a questões burocráticas e, especialmente, de credenciamento.

Não há notícia oficial dando conta de que alguma emissora do grupo do Abreu vá transmitir os jogos da Copa do Mundo. Pode ser que ele mude de ideia aos 45 minutos do segundo tempo, mas por enquanto, não é o caso.