Memória: conheça a história da Rádio Monte Carlo FM, uma rádio clandestina da Vila Mariana

Por Rodney Brocanelli

Nos anos 1980, uma rádio clandestina e de alcance bem restrito operou em 95,7Mhz, na cidade de São Paulo. A Rádio Monte Carlo transmitia a partir do bairro da Vila Mariana e não ia muito longe. Apesar de tudo isso, ela tinha lá seus ouvintes. Aproximadamente dez anos depois, Reinaldo Ferreira, seu proprietário (por assim dizer) contou a história dessa emissora em uma entrevista. O detalhe curioso é que o papo aconteceu em uma outra emissora clandestina, a Rádio Onze, também uma rádio clandestina, no carnaval de 1997. E um detalhe ainda mais curioso: o apresentador do programa era eu. Participou também dessa entrevista Chico Lobo, um nome muito presente na história das rádios piratas. O registro tem muito ruído de cadeiras, etc, mas não deixa de ser um documento daquilo que pode ser considerado o lado B das rádios em São Paulo. Espero que seja dado um devido desconto ao entrevistador, que ficava falando em cima do entrevistado quase toda hora.

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Dos arquivos sonoros: o Oscar de 1996 pelo rádio

Por Rodney Brocanelli, ainda no blog Rádio Base (bleargh!)

Aproveitando essa época pré-Oscar, vamos relembrar a premiação ocorrida no ano de 1996. A indicação do filme “O Quatrilho”, de Fabio Barreto, para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, naquele ano, foi o marco de uma  ressureição do cinema brasileiro, que tinha sofrido um duro golpe com a extinção da Embrafilme, determinada nos primeiros momentos do governo Collor. A Rádio Onze decidiu fazer uma cobertura especial, transmitindo toda a cerimômia de premiação. A idéia era unir informação, descontração e bom humor. Reunidos em torno de uma velha televisão para acompanhar as imagens do SBT (que exibiu o Oscar na ocasião), e captando o som direto em inglês da Rádio Eldorado AM, estavam este que vos escreve, Emerson Luis, Mario Reys, Alexandre Martins, José Roberto Reder Borges (os dois últimos já falecidos), entre outros.

No player abaixo, é possível acompanhar o momento em que foi divulgado o Oscar para o melhor filme estrangeiro. Apesar da torcida por “O Quatrilho”, o escolhido da academia foi “A Excêntrica Família de Antonia”. Na época, o filme não era tão conhecido por aqui. Mel Gibson foi o responsável pelo anúncio.

Mel Gibson, por sinal, foi o grande vencedor do Oscar naquele ano, com “Coração Valente”. Abaixo, temos o momento em que o prêmio de melhor filme é concedido.

Memória: uma reportagem sobre rádios piratas exibida pelo Vitrine, em 1995

Por Rodney Brocanelli

Em 1995 (portanto há dezenove anos), o programa Vitrine, da TV Cultura (SP), então apresentado por Maria Cristina Poli, veiculou uma reportagem sobre o movimentos de rádios piratas que teve uma grande explosão na metade da década de 1990. O repórter James Capelli (hoje sumido) visitou três emissoras que operavam em São Paulo, em diferentes pontos da cidade: Conexão, a Free e a Onze. A primeira procurava dar espaço os problemas do bairro, além de dar vez a pessoas que nunca tiveram experiência em rádio. A segunda era uma emissora ligada a igrejas. Já a terceira, era uma experiência que misturava pessoas ligadas ao Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP e moradores do centro de São Paulo. Na ocasião a reportagem divulgou que o governo da época (FHC) iria enviar ao Congresso uma lei para regulamentar essas rádios sem concessão. Depois de muito tempo e muita discussão, saiu a lei das rádios comunitárias. Eu sou um dos personagens desta reportagem. Apareço da metade para o final, no espaço dedicado à Rádio Onze, operando pick up e até dando um depoimento pessoal. Tirando esse lado pessoal, vale como um registro de um momento em que para cada espaço vazio no dial, existiam até três emissoras clandestinas operando. O vídeo vai ter um problema de sincronia com o áudio, mas nada que comprometa sua compreensão. Agradecimentos especiais ao dexista Sergio Partamian pela recordação.

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Dos arquivos sonoros: recordando a loja Wop Bop

Por Rodney Brocanelli

Mais uma grande entrevista da Rádio Onze. É de 1997. Num domingo pela manhã, recebemos Rene Ferri, dono da loja de discos Wop Bop, que fez muito sucesso nas décadas de 70 e 80. Ela ocupou dois espaços privilegiados em São Paulo: primeiramente nas Grandes Galeiras, e depois na Rua Barão de Itapetininga. Ao lado da Baratos Afins, a Wop Bop era o grande referencial para os amantes da música. Ambas viviam cheias de interessados em adquirir os lançamentos do momento.

No player abaixo, Ferri responde a uma pergunta minha sobre a loja. Ele falou dos fatores que fizeram com que ela encerrasse suas atividades. Para ele, os grandes culpados, dentre tantos, foram os planos economicos.

Além de sua atividade como comerciante, Ferri se dedicou ao jornalismo musical. Embore ele não goste muito desse rótulo, ele se tornou conhecido pelas seções e resenhas que fez para a revista Bizz, a partir do começo da década de 90. O seu tema principal eram os nomes do rock n’roll dos anos 50 que não se tornaram muito conhecidos. Acompanhe mais no player abaixo.

Assim como a Baratos Afins, a loja Wop Bop teve um selo para lançamento de músicos e bandas independentes dos anos 80 e 90. No catálogo, trabalhos de Violeta de Outono, May East, Fellini, entre outros. Ferri explica que o selo foi a consequencia de um fanzine distribuido pela loja: o Spalt. Era editado por Fernanda Pacheco, que logo depois viria a se casar com Dado Villa-Lobos, da Leigão Urbana. Acompanhe no player abaixo.

O programa Música do Planeta Terra foi apresentado na Rádio Onze pelo camarada Antonio Lorente. A qualidade dos aúdios não é aquela que se imagina, mas sempre vale pelo registro.

A peça rara do homem das Peças Raras

Por Rodney Brocanelli

Sempre é bom ter o reconhecimento das pessoas que fazem o rádio. Por isso que agradeço (também em nome do Marcos Lauro – que foi cooptado pela grande mídia, mas seu espaço está garantido aqui, sempre)  ao Marcelo Abud, do blog Peças Raras, pela menção em seu espaço do trabalho que fazemos aqui no Radioamantes. O Abud também faz um excelente trabalho de resgate da memória do rádio. Vale a pena ser acompanhado. Agora, para o amigo leitor ter uma idéia de como esse mundo é pequeno demais, eu tenho aqui uma peça rara do homem das peças raras.

Em 1995, o músico e apresentador Kid Vinil concedeu uma entrevista à Rádio Onze, rádio livre ligada ao Centro Acadêmico XI de agôsto da Faculdade de Direito-USP. Kid falou sobre vários assuntos. Ouça alguns trechos aqui. Um dos entrevistadores era justamente Marcelo Abud, que fez uma das melhores perguntas daquela ocasião. Abud fez uma brincadeira sobre o título e a capa do CD Xupaki que Kid estava divulgando na época. (veja a capa aqui). A qualidade do áudio não está aquelas coisas, mas acompanhe no player abaixo a questão feita por Abud.

KidVinil3 by ferasdoradio