Por Rodney Brocanelli
Não é exagero dizer que o mundo acompanhou a partida entre River Plate x Belgrano, válida pelo rebolo do campeonato argentino. Estava em disputa uma vaga para a primeira divisão. O Belgrano foi o quarto colocado da segundonda argentina e enfrentou um River Plate que passeou pelas últimas colocações da divisão principal nas últimas temporadas. Na primeira partida, vitória do Belgrano por 2 a 0. Havia uma chance para o River: vencer pelo mesmo placar. Pavone deu esperanças à sua torcida. Na Rádio Mitre, o gol foi narrado assim por Atilio Costa Febre:
A equipe de transmissão escalada pela Rádio Mitre era de profissionais apaixonados pelo River. É uma tradição lá em Buenos Aires, mais ou menos semelhante ao que acontece na Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, onde os jogos de Atlético e Cruzeiro são narrados por profissionais que não escondem suas paixões clubisticas. Por isso que o gol de empate do Belgrano não foi narrado com muita empolgação por Atilio.
A torcida do River se encheu novamente de esperança quando o árbitro marcou uma penalidade máxima. A essa altura, o time de Buenos Aires precisava ganhar por 3 a 1 (tinha a vantagem do empate). Pavone foi para a cobrança. Ouça a sequência, incluindo os merchans lidos por um locutor no estúdio.
Perto do fim da partida, o narrador Atilio não poupou seus ouvintes de palavrões, irritado que estava com perspectiva da queda e de coisas que foram ditas acerca da situação do River Plate.
Abaixo, o áudio na íntegra para que se entenda em que contexto os palavrões sairam.
Leia mais aqui:
http://www.vavel.com/internacional/argentina/costa-febre-periodista-de-radio-mitre-hay-que-ser-hijo-de-puta-p.html
UPDATE (28.06) O Tiago Melo, do blog 171 na lata, deixou aqui um comentários em que ele explica sobre esse estilo de transmissão das emissoras argentinas. A palavra é dele, a seguir:
Rodney, post excelente como de costume. Mas eu queria apenas acrescentar o seguinte. Essa narração chamou muito a atenção aqui, mas no contexto argentino ela é plenamente normal. Lá há milhões de rádios “partidárias”, ou seja, que so cobrem 1 ou 2 times, e os acompanham como se fossem torcedores. E no contexto do rádio partidario, isso que ouvimos é totalmente normal, acontece o tempo todo. Quase sempre são radios pequenas, mas a Mitre resolveu investir nisso, é a unica das chamadas “seis grandes” (junto com Del Plata, Belgrano, Rivadavia, La Red e Continental) que tomou esse caminho. Cobrem apenas River e Boca, e como é disparado a maior rádio que trilhou esse rumo, o trabalho deles, claro, tem muito mais repercussao. Mas entenda que não tem o mesmo sentido lá que teria se algum narrador brasileiro falasse coisas assim. Ninguem lá estranhou isso. Umas 2 semanas antes, o Boca perdeu a vaga na Sul-Americana num frango do goleiro, e o Walter Saavedra, que narra osjogos do Boca, começou a dizer “mas de que merda ainda reclama Lucchetti? esse filho da puta nos enterra e ainda quer reclamar com o juiz?” (alias, tai um bom tema para um post, hein? radios partidarias na argentina. teria muito material legal).