Ouça José Silvério sem Tieline e com Tieline

Por Rodney Brocanelli

Ontem o Radioamantes publicou um post sobre o Tieline, um decodificador (ou codec) que converte o som telefônico em som de estúdio. Esse aparelho melhora muito a qualidade das transmissões externas e vem sendo usado por diversos profissionais de rádio que estão apresentando ou participando de programas (leia mais aqui).

No entanto, faltaram exemplos sonoros para demonstrar a diferença da qualidade de som. Para isso, vamos pegar duas narrações de José Silvério em dois momentos diferentes da história.

Em 1978, pela Rádio Jovem Pan, Silvério transmitiu as emoções da Copa da Argentina. Destacamos aqui o gol da vitória da seleção brasileira sobre a seleção italiana, marcado por Dirceu, na disputa pelo terceiro lugar. Reparem que o som tem a qualidade de uma ligação telefônica.

Agora, vamos destacar um registro da Copa da Rússia, em 2018, 40 anos depois. A partida em questão é Brasil x México, com vitória brasileira (e sofrida) pelo placar de 2 a 0. O narrador já estava na Rádio Bandeirantes. Com o avanço tecnológico e o uso do Tieline, notem como a qualidade de som tem um ganho substancial. O áudio é em estéreo e o ouvinte tem a sensação que José Silvério está no estúdio (o que não era o caso).

Silvério Pan e Bandeirantes

Graças ao Tieline, profissionais de rádio podem fazer seus programas em casa

Por Rodney Brocanelli

Nos últimos dias, informamos aqui no Radioamantes que muitos profissionais de rádio estão apresentando e participando de programas diretamente de suas respectivas residências, devido à pandemia do Covid-19, popularmente conhecido como Coronavírus. Essa medida atinge principalmente aqueles que fazem parte dos grupos de riscos (veja aqui quais são).

A possibilidade de entrar no ar não estando necessariamente no estúdio existe graças a um aparelho que o público em geral não conhece, mas que é extremamente precioso para as emissoras de rádio. Seu nome é Tieline.

Para conhecer um pouco da história desse equipamento, fundamental em um momento complicado como o de agora, vamos voltar ao ano de 1981, quando John Gouteff e Rod Henderson fundaram a Television Communications Pty Ltd, empresa responsável pela distribuição de produtos profissionais para a transmissão em áudio e vídeo, em Indianápolis (EUA). Anos depois, ela mudaria de nome, sendo chamada de Audio Video Communications (AVC).

Em 1998, a empresa identificou a necessidade de desenvolver um decodificador (ou codec) que pudesse converter o som telefônico (na época analógico) em som de estúdio. Isso melhoraria muito a qualidade das transmissões externas. Nascia assim o Tieline, que passou a ser distribuído mundialmente. Com o sucesso, a empresa mudou de nome mais uma vez e passou a ser conhecida pelo seu principal produto: Tieline Technology. Para saber um pouco mais, acesse o verbete do Tieline na Wikipédia (em inglês – clique aqui).

Aqui no Brasil, o Tieline é prioritariamente usado nas transmissões esportivas (leia-se futebol).

Apesar de garantir uma excelente qualidade de som, nem todas as emissoras de rádio do Brasil (pelo menos aquelas que costumam fazer externas) tem acesso ao Tieline. O Radioamantes apurou que seu preço varia entre 16 mil e 50 mil reais.

Na última semana, vários profissionais de rádio ao anunciar que fariam seus programas de casa, divulgaram em suas redes sociais fotos do Tieline. Haisem Abaki, da Eldorado FM, foi um deles (veja aqui). Vinicius Moura, da Rádio Globo, foi outro (veja aqui).

tie line