A reportagem a seguir foi publicada no portal Jornalismo IESB, com assinatura de Aline Shauri Yamada de Souza. O link é este aqui
http://php.iesb.br/pj/index.php?site=napratica_5&area=Esporte_31&pag=det&id=2081
Vale a republicação aqui (com citação de fonte e autoria) para que mais pessoas da realidade vivida pelo rádio na cobertura esportiva. Brasília é o foco da reportagem, mas poderia ser qualquer outra cidade do país (Rodney Brocanelli)
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Os profissionais da imprensa esportiva afirmam que quem acompanha o esporte em Brasília pelos meios de comunicação não tem a real dimensão do que eles enfrentam para poder transmitir as notícias aos leitores, telespectadores e ouvintes. A imprensa esportiva da capital se defronta com dificuldades como a ausência de patrocínio para os programas e transmissões de rádio e TV, a falta de condições para trabalhar em alguns estádios, a carência de profissionais e a terceirização das programações.
De acordo com a Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos (ABCD), órgão que rege o trabalho da imprensa esportiva, há 380 jornalistas e 268 radialistas atuando nessa área do jornalismo em Brasília. Nos últimos anos, cerca de 80 profissionais deixaram a capital para trabalhar em outras praças.
Em cidades como Goiânia, São Paulo e Minas Gerais, os veículos contratam o jornalista esportivo, dando a ele a oportunidade de profissionalização. Em Brasília, isso ainda não ocorre. Isso faz com que o jornalista necessite de outra fonte de renda para poder se sustentar. “No caso do rádio, se o jornalista não tiver um contato comercial bom para vender uma transmissão, ele não vive”, afirma o narrador da Rádio Esportes Brasília e editor-chefe do site Clube do Esporte DF, Rener Lopes.
Outra dificuldade é com relação à terceirização das programações. Ailton Dias, mais conhecido como “o Show Man”, radialista da Bandeirantes que comanda os programas Grande Resenha Esportiva e Esporte em Debate, destaca que essa prática vem acontecendo no Brasil há muito tempo. Dias está no jornalismo esportivo há 31 anos e conhece bem essa atividade. “São poucas as emissoras, hoje, que contratam diretamente. E essa talvez seja a maior dificuldade do surgimento de novos profissionais”, disse.
Recorrente na maioria das pequenas emissoras, a falta de patrocínio para os programas e transmissões restringe a atuação dos jornalistas esportivos. Isso faz com que eles tenham que custear os equipamentos de trabalho, o transporte da equipe, uniformes e outras despesas.
Nos estádios, as condições disponibilizadas para o trabalho dos cronistas desportivos são precárias. “Para os repórteres que ficam em campo, não há um local coberto e, faça chuva ou faça sol, eles ficam ao relento para conseguir trabalhar”, comenta José Rodrigues, tesoureiro e representante da ABCD durante a realização de partidas e eventos esportivos.
Nas cabines de transmissão de rádio e TV, a situação não é diferente. A quantidade de cabines é insuficiente para as emissoras existentes, não há sinal de internet disponível para aquelas que transmitem os jogos on-line, algumas empresas de telecomunicações não fornecem as condições necessárias para transmitir os jogos ao vivo, apesar do serviço já ter sido pago, e fazem com que esse trabalho seja feito via celular. Além disso, não há bebedouros e banheiros em boas condições de uso nem lanchonetes para os profissionais.
Apesar das diversas dificuldades enfrentadas, os cronistas desportivos de Brasília esperam que a situação efetivamente mude. A expectativa é que a reforma do novo Estádio Nacional Mané Garrincha, traga a solução para todos os problemas enfrentados pelos profissionais.
A Secretaria de Esporte do Distrito Federal informou que já programou melhorias no novo estádio como uma entrada específica para o pessoal da imprensa, locais para os profissionais se alimentarem, cabines separadas, internet wi-fi e infraestrutura razoável para trabalhar. Porém, para o narrador Lopes, é preciso que isso não fique restrito apenas a essa grande construção, mas que vá também para os outros estádios.