Por Marcos Lauro
Hoje comemoramos os 129 anos do nascimento de Edgar Roquette-Pinto. E, por conta desse aniversário, comemoramos também o Dia do Rádio. Não fosse ele, o rádio teria voltado de onde veio e demoraria anos para chegar oficialmente ao Brasil. Depois da transmissão inaugural de 7 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro, ninguém se interessou em continuar os trabalhos. Roquette-Pinto, que era da Academia Brasileira de Ciências, tomou conta do negócio e se tornou o primeiro radialista do país.
Não pretendo traçar aqui o caminho do rádio no Brasil dos tempos de Roquette-Pinto até hoje, até porque isso não é nenhuma dissertação acadêmica e você, leitor, tem mais o que fazer. Então, me resta fazer algumas considerações sobre o meio, tentando algum tipo de paralelo entre a era do “rádio clube” e a era das rádios-web.
Roquette-Pinto era um cientista, formado em diversas áreas. Médico, historiador e antropólogo, ele deu ao rádio toda essa diversidade, aliada à prestação de serviço. E é justamente essa a nossa falha nos dias de hoje.
Nada contra a formação em rádio. Assim como no jornalismo, ela deve existir e dar as ferramentas básicas para a atuação profissional. Mas ficamos muito bitolados. Nos esquecemos de todas as outras áreas e focamos no rádio. O meio virou o fim e muitas vezes não percebemos que tem uma figura chamada “ouvinte”, que não é formado em rádio, em comunicação. Ele só quer uma mensagem clara, objetiva e adequada aos seus ouvidos – a tal da segmentação. Dizem que o ouvinte gosta de repetição, de poucas músicas sendo executadas num pequeno intervalo de tempo… até aqui, não conheço nenhum estudo sério sobre isso, que prove essa teoria. Ela é vomitada por aí e é a que vale na maioria dos casos, excetuando uma ou outra rádio diferenciada e realmente preocupada com seu ouvinte.
O veículo mudou completamente, por necessidade. Mas nada acabou com ele. Como ressaltou a rádio Capital, na campanha colocada hoje no ar, “Você navega na internet, ouvindo rádio. Você usa o celular, ouvindo rádio. Você lê, ouvindo rádio. Você trabalha, ouvindo rádio. Você dirige ouvindo rádio”. O rádio, apesar de ser o “primo pobre” das comunicações, é o meio de comunicação ainda mais presente na vida das pessoas, seja hoje ou na memória afetiva e no inconsciente coletivo.
Então, o que precisamos no rádio é de diversos novos Roquette-Pintos. Gente que ao mesmo tempo sabe o que está fazendo e experimenta, que tem uma formação diversificada mas que domina as ferramentas básicas e que respeita o meio e sabe da sua importância e do seu alcance. É um caminho para que ainda exista o dial daqui uns anos.