Por Marcos Lauro
Já existiu uma emissora chamada Brasil 2000. Mas parece que esse nome carregava uma maldição. Foi só entrar 2001 que a coisa desandou de vez.
Com a saída da dupla de diretores Roberto Maia e Tatola, a rádio perdeu tudo o que tinha conquistado nos 12 anos anteriores – quando os dois assumiram a emissora e deram a ela uma programação rock ‘n’ roll (e outros ritmos afins) de alto nível. Tinha programas de variedades, música brasileira, soul e blues, ska, metal… cabia de tudo ali, e com um nível bastante alto em comparação com as emissoras mais pop da época.
Então veio a maldição, em 2001. Diretores entraram e saíram. Lélio Teixeira (hoje no Na Geral, Rádio Bandeirantes), Juan Pastor (produtor do Pânico no rádio e na TV)… nenhum conseguiu pôr a rádio nos eixos de novo. A emissora, uma concessão educativa da Universidade Anhembi Morumbi, virou um grande Frankenstein: sem identidade e sem a menor preocupação com a qualidade do que era transmitido. Um grande samba do crioulo doido. Com todo respeito ao crioulo.
A Universidade nem dava espaço para seu alunos e muito menos colocava alguém com mão de ferro ali para tomar conta do negócio. Eu mesmo, como aluno da Anhembi na época, cansei de dar sugestões, idéias… e nada acontecia. Ficava aquela freqüência ali, 107, 3, como um grande nada. Um ou outro programa, isoladamente, era interessante. Mas não conseguia fazer sentido dentro do conjunto, da programação, que é como funcona uma emissora de rádio. O grande sonho da Anhembi deveria ser arrendar a rádio. Mas por ser uma concessão educativa, isso não era possível. Então, deixavam ali, de lado, sem prestígio e sem respeito em relação ao glorioso passado.
Agora a história está para mudar. A partir de domingo, 27, a emissora se transforma em Eldorado Brasil 3000 FM, uma cooperação entre a Eldorado (que dá lugar à Estadão ESPN, all news/esportes, em 92,9 Mhz) e a Brasil 2000. A atual programação dos 107,3 vai se transformar em web-rádio, enquanto a freqüência dará lugar à Eldorado, com alguns toques mais rock ‘n’ roll.
Foi uma boa saída. Com o sucesso das transmissões esportivas da ESPN no rádio e a sua ida para o FM, ficaríamos sem a Eldorado, uma rádio “adulto-contemporânea” (ah, rótulos) sempre ligada às novidades sem se esquecer dos clássicos. Então, estava lá a 107,3, este imenso Franskenstein, e pronto.
Com o advento da Eldorado Brasil 3000 FM, esperamos que a maldição se dê por contente por fazer uma rádio simplesmente não existir por cerca de dez anos. De agora até o ano 3001, pelo menos, acho que estamos seguros.