Começou a novela da migração do AM para o FM

Por Marcos Lauro

Começou a novela da migração do AM para o FM

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta quinta-feira, 7/11, o decreto que permite às emissoras de rádio AM migrarem para a faixa do FM.

O discurso, comprado sem questionamentos por boa parte da imprensa, é bonito: com a ida pro FM, as rádios poderão ser ouvidas em dispositivos móveis e terão qualidade do sinal melhorada.

Mas penso que vale ressaltar as questões que vão tornar essa medida uma longa novela, assim como a tal digitalização do FM. Até hoje, não temos acesso, como consumidores, aos receptores digitais, que ainda são caros. Hoje, por exemplo, ainda é impossível ouvir as transmissões paralelas que eram tão valorizadas pelos defensores da digitalização. Isso já acontece na TV, onde é possível sintonizar até três transmissões em um único canal (5.1, 5.2 e 5.3, por exemplo).

O equívoco da migração já começa na faixa em si. Para se tornar uma FM, uma rádio vai gastar cerca de R$ 85 mil para trocar todo o seu parque técnico. Além disso, a emissora vai precisar pagar pela nova concessão de FM.

As novas FMs serão alocadas entre 76 e 88 Mhz, ou seja, antes da faixa que é coberta por qualquer receptor FM vendido no mercado. Ou seja, entraremos de novo na questão de novos receptores. Serão baratos e acessíveis tanto quanto os que são vendidos hoje? Que rádio vai querer migrar para uma freqüência que não se ouve ainda?

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, afirmou que as rádios terão um prazo de oito meses a um ano para optar pela migração. Enquanto isso, as indústrias terão cinco anos de prazo para se adaptar e produzir rádios FM que comecem em 76 Mhz. Até lá, a rádio que migra corre o risco de operar para ninguém ouvir. Não faz sentido. E os aparelhos importados, que começam em 88 Mhz? Terão sua venda impedida ou as novas FMs serão prejudicadas?

Outra fala que faz menos sentido ainda é a do presidente da Abert, associação que defende (ou deveria defender) as emissoras de rádio e TV. Daniel Slaviero afirmou que a migração é “o fato mais relevante para o rádio AM nos últimos 50 anos”. Quer dizer que acabar com uma faixa é o fato mais relevante para ela nos últimos tempos?

A desculpa de que o dial de São Paulo não tem mais espaço é balela. Que tal a ANATEL receber pessoal suficiente para correr atrás das rádios piratas? Hoje, para se denunciar uma rádio clandestina, você preenche um formulário que pede até o endereço da emissora, como se fosse uma informação fácil para se conseguir. Sem as piratas e com transmissores bem ajustados e fiscalizados, é possível acomodar, sim, as rádios que optarem por migrar do AM para o FM. Mas quem teria o interesse de misturar as emissoras dessa forma, não?

Infográfico: O Estado de S. Paulo

Radioamantes no Ar analisa as principais notícias do rádio. Ouça.

Ouça na íntegra mais uma edição do Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Show Time (http://www.showtimeradio.com.br/). Em pauta, os principais assuntos do rádio na semana: a morte de Renê Reinaldo, a fixação da data de estreia de Rony Magrini na Rádio Globo, a mudança de frequência da Rádio Grenal e alguns aspectos da  mudança do rádio AM para o FM. Com Rodney Brocanelli e participação de João Alkmin e Flavio Ashcar.

 

 

 

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Ouça mais uma edição do Radioamantes no Ar.

Ouça mais uma edição do Radioamantes no Ar, veiculada neste sábado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/). Rodney Brocanelli comenta as principais notícias do rádio com João Alkmin e Flávio Aschar.

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Mario Celso Petraglia e o Procure Saber: tudo a ver

Por Rodney Brocanelli

Nos últimos dias, iniciou-se um forte debate sobre colocando em lados opostos um grupo de artistas e um outro grupo formado por escritores e jornalistas. O primeiro está mobilizado para combater a comercialização de livros que trazem biografias não autorizadas. O debate vai longe. Na saraivada de manifestações que se seguiram, uma delas chama a atenção: a do cantor Djavan. Em nota publicada há poucos dias, ele disse que “editores e biógrafos ganham fortunas”. Tal declaração foi firmemente rechaçada por muitos. “O que isso tem a ver com o rádio?”, podem perguntar alguns? Recomendo que vejam e ouçam um trecho da entrevista de Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, concedida ao programa Bola da Vez, dos Canais ESPN.

http://www.espn.com.br/video/361162_presidente-do-atletico-pr-diz-que-ira-cobrar-direitos-de-transmissao-das-radios-sou-contra-o-de-graca

Reparem como o discurso é quase igual. Petraglia acha que donos de rádio também ganham fortunas. Não seria surpresa para este blog se o movimento Procure Saber convidasse Mario Celso Petraglia para que ele engrosse suas fileiras.

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Existe mercado para uma rádio LGBT no dial?

Por Marcos Lauro

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Na última semana, alguns portais noticiaram a primeira rádio voltada para o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros) da Índia, a Qradio. Segundo Anil Srivatsa, um dos fundadores, a luta pelos direitos dos LGBT já está avançando no país mas ainda faltava uma plataforma para expressão. A rádio é online mas, infelizmente, não é possível ouvi-la aqui no Brasil – o player informa que o conteúdo é restrito para regiões fora da India.

Fazendo uma rápida busca pelo Google é possível descobrir dezenas de emissoras online voltadas para o mesmo público. A Circuito Mix se auto intitula “a primeira rádio gay do Brasil” e sabemos que desde, pelo menos, 2006, temos emissoras desse tipo no dial virtual.

Ainda temos muito preconceito no Brasil, lembre-se. E esse preconceito, no caso das rádios, ataca especialmente o comercial, o que torna inviável um projeto desse tipo.

Tive a honra de participar da Rádio Hype, que esteve na internet entre 2006 e 2008. Auxiliei na coordenação, em alguns programas e foi uma experiência espetacular. Convidei meu amigo e um dos sócios da rádio, Rafael Marinari, para escrever algumas linhas contando a trajetória do projeto. Depois de uma parceria com o Portal Mix Brasil, a rádio acabou saindo do ar por dificuldades comerciais:
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A Rádio Hype foi criada em 2006, fundada pelo casal Debora Ceron e Rafael Marinari. O projeto nasceu em um TCC para o curso de Comunicação Social e, desde o início, já tinha essa visão de ser voltada para o público LGBT – na época, a sigla utilizada ainda era GLS.
Com a ajuda de amigos do mercado radiofônico a Hype entrou no ar tocando música Eletrônica, MPB, Pop entre outras.

Também foram criados programas e programetes como o Hype Debate, Elas por Elas, Outra Versão, o humorístico Kizumba e o Ferveção, programa que era transmitido ao vivo de festas e baladas como a Ursound, tradicional festa realizado no centro de Sâo Paulo.

Aliás, transmissão ao vivo era uma marca registrada da Hype! Onde houvesse internet sem fio – e naquela época não existia tanta facilidade – e um evento importante lá estava a equipe da Hype.

O ponto alto das transmissões foram as coberturas das Paradas do Orgulho Gay 2007 e 2008 com uma super equipe, que trouxeram o ponto de vista das autoridades, organizadores e principalmente de quem participava da Parada pela festa ou por protestar por seus direitos.

E em 2008 a Hype entrou em um novo momento, uma grande parceria com o maior portal de conteúdo gay do Brasil, o Portal MixBrasil e se transformou na Rádio Hype MixBrasil.

Foram muito mais eventos, muito mais debates, muito mais entrevistados, muito mais conteúdo.

Foi também em 2008 que após o termino desta parceria a Hype encerrou suas atividades. (e deixou saudades nos corações dos seus milhares de fãs.

Rafael Marinari, radialista

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Hoje, a rádio do Portal MixBrasil se resume a um programa na CBN, o CBN MixBrasil. O que deixa uma ponta de esperança: será que um dia nosso dial terá uma rádio diferenciada desse tipo? Uma segmentação não por categoria musical, mas pelo gênero do seu ouvinte? Público é o que não falta, afinal uma rádio inclusiva e eclética por definição teria tudo para atrair outros públicos além do seu alvo.

Rádio: no princípio, eram a fumaça e os tambores

Por Flávio Araújo
do Ribeirão Preto On Line

A não ser pelos relatos de estudiosos e principalmente de saudosistas o rádio viveu mais um de seus aniversários na controversa data em que se comemora sua introdução no Brasil.  

 

O rádio em seus primórdios foi um dos grandes passos da humanidade na sequência de feitos que no campo das comunicações entre os povos encontra-se hoje num estágio bastante avançado e prometendo inovações quase que diuturnas. 

Falei em comunicações e não especificamente no rádio, esse que comemorou sem festas e sem alardes o seu aniversário, mas como em tudo na vida o primeiro passo dá o ritmo do futuro.  

 

Também me referi à confusão de datas já que essa, 25 de setembro, foi fixada em lei e se refere ao dia em que nasceu o Professor Edgar Roquette-Pinto, o fundador da primeira emissora brasileira. 

 

Também ai existe controvérsia e por que não, injustiça. 

 

Roquette-Pinto, cientista, antropólogo, intelectual de grande prestígio não fundou emissora sozinho e teve um sócio, o Engenheiro Henri Charles  Morize, francês de nascimento e que no documento em que se naturalizou brasileiro teve o nome traduzido para Henrique. 

 

Foi quem cuidou do lado técnico do empreendimento e foi ainda o fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Ciências. 

 

A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro foi inaugurada em 4 de abril de 1923 e pouco depois se transformaria em Rádio Ministério da Educação e se houvesse um aniversário de verdade da introdução do rádio no Brasil essa deveria ser a data. 

 

Mas, até ai também existem controvérsias que narraremos depois.  

   

O professor Roquette-Pinto pretendia fazer do rádio uma ferramenta exclusiva para difundir cultura, transmissão de música clássica, eventos cívicos e absolutamente sem publicidade. 

 

Um grupo de sócios cobriria os gastos, dai o nome de Sociedade e que se expandiu pelo país nas primeiras emissoras que surgiram prevalecendo até que se aceitasse a cobertura financeira da publicidade. 

 

Outra controvérsia e que remete ao comentário lá do início com respeito à data em que o rádio ganhou vida no país: segundo dados não oficiais a Rádio Clube (outro nome para Sociedade) de Pernambuco já operava sem nenhum processo formal de autorização num tempo bastante anterior. 

 

O RÁDIO NO MUNDO 

 

Quando a humanidade se une para um objetivo que poderá, ou não, se tornar de grande importância em seus futuros passos forma-se uma mentalidade coletiva e aleatória a trabalhar para o feito. 

 

Desde a produção de medicamentos até inventos da engenharia nas suas diversas formas uma espécie de corrente universal une espíritos a trabalhar sem nenhum entendimento prévio e formal em prol de empreendimentos comuns.  

 

Creio nisso. 

 

Assim, embora se credite ao italiano Guglielmo Marconi o título oficial de inventor do rádio sabemos que muitas mentes privilegiadas trabalharam para que a descoberta se completasse. 

 

Foi a partir de uma série de detalhes que Marconi chegou ao ponto de conseguir a primeira patente como inventor do rádio. 

 

No Brasil muitos defendem a posição de que o Padre gaúcho Roberto Landell de Moura seja o verdadeiro inventor do rádio e só não conseguiu patentear seu invento pelas dificuldades da burocracia brasileira, algo que persiste até nos dias atuais a entravar feitos de nossos cientistas. 

 

É possível, muito possível mesmo, que tenha sido o Padre Landell de Moura o verdadeiro inventor do rádio, mas, tanto ele como Marconi seguiram trilhas que foram sendo abertas por antecessores que buscavam o aprimoramento da comunicação entre os homens. 

 

São, entretanto, os próprios brasileiros que oficializam a crença do quem é quem na origem do rádio já que existem, ou existiram, emissoras com nomes de cientistas estrangeiros como a Rádio Hertz de Franca ou a Rádio Marconi, de Paraguaçu Paulista, no oeste do Estado. 

 

Não é do meu conhecimento que nenhuma tenha o nome de Landell de Moura e sim a homenagem à políticos que deram rádios à colegas como entre outras a Rádio Nereu Ramos de Blumenau. 

 

Ai já não é homenagem e sim puxa-saquismo explícito.   

 

Voltando ao pensamento comum que une mentes em busca de grandes inventos julgo ser algo semelhante ao acontecido com nosso patrício Alberto Santos Dumont e os norte-americanos irmãos Wright com respeito ao avião. 

 

Antecedendo Landell de Moura e Marconi existiram os estudos dos ingleses Michael Faraday e James C. Maxwell; do próprio Thomas Edison, pois sem a corrente elétrica como poderia existir o rádio? 

 

Alexander Graham Bell também colaborou com sua descoberta e produção do primeiro telefone. 

 

O alemão Henrich Rudolph Hertz foi de importância excepcional no processo com seus estudos sobre ondas eletromagnéticas. 

 

A importância de Hertz pode ser medida na colocação de seu nome numa das primeiras emissoras brasileiras, a então Rádio Clube Hertz, da cidade de Franca, no interior de São Paulo, uma das pioneiras.  

 

Além de outros também o iugoslavo Nicolau Tesla foi importante com suas descobertas e houve até um aparelho de rádio no Brasil que levava seu nome.  

 

Em termos de Brasil e para completar a controvérsia até a data tem interpretações distintas: durante muito tempo o dia do rádio, 25 de setembro, aniversário de Roquette-Pinto, era comemorado junto ao dia do Radialista, 21 de setembro, a chegada da Primavera no hemisfério sul. 

 

No governo Lula, em 2006 foi alterada a lei que o instituíra e o dia do Radialista passou a ser lembrado (não comemorado já que não há nada a comemorar) no dia 7 de novembro. 

 

Isso em homenagem à data de nascimento de Ary Barroso, grande nome do mundo das comunicações, mas que se destacou muito mais como compositor do que como radialista. 

 

O RÁDIO NOS DIAS ATUAIS 

 

Em certa época escrevi que o rádio se parecia a esses bichinhos de praia que jamais deixam de se mostrar. 

 

Quando socam um punhado de areia e obstruem sua caminhada abrem novas vias e aparecem adiante. 

 

Quando assim me pronunciei o rádio vivia o período de difícil manutenção com a arrancada da televisão no país. 

 

Assim tem sido o rádio brasileiro nas diversas crises que atravessa, aquela foi uma delas, e a que vive atualmente faz com que tenha de mudar meus conceitos. 

 

Pelo menos na forma tradicional em que viveu desde Roquette-Pinto até recentemente o chamado “broadcasting”, o rádio dinâmico como entretenimento e prestador de serviços demonstra estar muito cansado. 

 

Já se somam muitos anos que as velhas emissoras de AM tornaram-se obsoletas em sua qualidade técnica, em seu som de há muito superado pelas transmissões em FM, quase todas obedecendo a programações segmentadas e muito diferentes do conceito que se tinha do verdadeiro rádio. 

 

De uma qualidade imensa e da qual a televisão jamais se libertou, pois em todos os sentidos nada mais faz do que colocar imagens naquilo que o rádio criou e fazia há dezenas e dezenas de anos. 

 

Algumas rádios, raras na verdade e misturando até AM com FM, buscam imitar a programação do velho AM, mas não se sustentam.   

 

Permanece a melhor condição de penetração dos prefixos de AM, mas hoje, pelo custo e praticamente extinção das Ondas Curtas, as redes dominaram o país e já não existe mais, com exceções é preciso dizer, aquelas emissoras que refletiam e divulgavam a vida de suas cidades e conseguiam até conquistas básicas para os munícipes.  

 

Existem exceções de emissoras que permanecem fieis às suas origens e mantém suas equipes de profissionais e suas programações de bom nível. 

 

Muitas, porém, sobrevivem entregando-se ao leque de grandes emissoras da Capital transmitindo o som que dali se origina em quase todas as horas do dia. 

 

Pela frouxidão de nossos governos enquanto políticos são proprietários de centenas de emissoras a defender seus interesses eleitorais outras vendem seus horários quase que integralmente à religiões, principalmente as evangélicas e não guardam nenhuma identificação com a cidade onde estão sediadas. 

 

Perdem totalmente o próprio requisito de prestar serviços à sua comunidade. 

Enquanto isso cresce a cada dia o número de novos endereços eletrônicos de televisão e um dos pontos fortes das emissoras do país, a formação de novos profissionais, retrocedeu a um estágio muito perigoso para a classe. 

 

No meu principal campo de atividade, o narrador esportivo, o rádio interiorano foi sempre o berço da grande maioria o que se tornou praticamente impossível nos dias atuais. 

 

Agregue-se a tudo isso a presença da Internet funcionando como uma faca de dois ou mais gumes no processo. 

 

Sem depender de autorizações oficiais como funciona o rádio convencional que é propriedade do Estado e trabalha sempre em caráter de concessão provisória a cada dia existe um novo local a ser acessado com transmissões radiofônicas e televisivas. 

 

Em geral compartimentados, transmitindo temas de interesses específicos, mas formando uma imensa plêiade de concorrência que reduz a possibilidade de interesse comercial dos anunciantes que sempre foram o sustentáculo do rádio honesto e verdadeiro. 

 

As emissoras de AM, que resistiram ao assédio do FM vivem seus estertores. 

Tentando suprir o processo de superação de suas condições técnicas foram testados dois tipos de digitalização, mas tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, locais mais adiantados nessas buscas não se encontrou  solução adequada. 

 

Além do espaço no dial tornar-se insuficiente para abrigar tantas emissoras há a indesejável interferência da eletrônica nas transmissões dos velhos sistemas. 

Desde os motores de automóveis que passam roncando nas cercanias às ondas de celulares e toda a parafernália que ronda nossas cabeças indo e vindo dos satélites que cobrem o firmamento.  

 

Um plano do governo prometeu aos proprietários de emissoras de AM a concessão de prefixos em FM, o que seria uma espécie de salvação temporária da lavoura radiofônica para aquilo que sabemos é o rádio de verdade. 

 

A promessa do Ministério das Comunicações foi feita, mas quando e se será executada ninguém sabe, ninguém viu. 

 

Na situação atual das mais antigas emissoras do país, algumas já próximas ao centenário, mesmo daquelas que se mantém fieis aos princípios éticos e ideais do grande rádio parece que desta feita o bichinho de praia está tendo dificuldades intransponíveis para encontrar novos caminhos.

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Ouça o Radioamantes no Ar deste sábado

Neste sábado, o Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/) abordou os assuntos do momento no rádio: a estreia de Rony Magrini na Rádio Globo, de São Paulo, a vinda da Jovem Pan News e ainda sobrou um espaço para relembrar o padre vidente Francisco Silva, conhecido não apenas por seus milagres, mas por ser dono de uma das rádios sem concessão mais potentes da cidade de São Paulo, no começo da década passada, a Planeta 90. Com Rodney Brocanelli. Participação de João Alkmin e Flavio Ashcar.

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O rádio sente falta de Edgar Roquette-Pinto

Por Marcos Lauro

Edgar Roquette-PintoHoje comemoramos os 129 anos do nascimento de Edgar Roquette-Pinto. E, por conta desse aniversário, comemoramos também o Dia do Rádio. Não fosse ele, o rádio teria voltado de onde veio e demoraria anos para chegar oficialmente ao Brasil. Depois da transmissão inaugural de 7 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro, ninguém se interessou em continuar os trabalhos. Roquette-Pinto, que era da Academia Brasileira de Ciências, tomou conta do negócio e se tornou o primeiro radialista do país.

Não pretendo traçar aqui o caminho do rádio no Brasil dos tempos de Roquette-Pinto até hoje, até porque isso não é nenhuma dissertação acadêmica e você, leitor, tem mais o que fazer. Então, me resta fazer algumas considerações sobre o meio, tentando algum tipo de paralelo entre a era do “rádio clube” e a era das rádios-web.

Roquette-Pinto era um cientista, formado em diversas áreas. Médico, historiador e antropólogo, ele deu ao rádio toda essa diversidade, aliada à prestação de serviço. E é justamente essa a nossa falha nos dias de hoje.

Nada contra a formação em rádio. Assim como no jornalismo, ela deve existir e dar as ferramentas básicas para a atuação profissional. Mas ficamos muito bitolados. Nos esquecemos de todas as outras áreas e focamos no rádio. O meio virou o fim e muitas vezes não percebemos que tem uma figura chamada “ouvinte”, que não é formado em rádio, em comunicação. Ele só quer uma mensagem clara, objetiva e adequada aos seus ouvidos – a tal da segmentação. Dizem que o ouvinte gosta de repetição, de poucas músicas sendo executadas num pequeno intervalo de tempo… até aqui, não conheço nenhum estudo sério sobre isso, que prove essa teoria. Ela é vomitada por aí e é a que vale na maioria dos casos, excetuando uma ou outra rádio diferenciada e realmente preocupada com seu ouvinte.

O veículo mudou completamente, por necessidade. Mas nada acabou com ele. Como ressaltou a rádio Capital, na campanha colocada hoje no ar, “Você navega na internet, ouvindo rádio. Você usa o celular, ouvindo rádio. Você lê, ouvindo rádio. Você trabalha, ouvindo rádio. Você dirige ouvindo rádio”. O rádio, apesar de ser o “primo pobre” das comunicações, é o meio de comunicação ainda mais presente na vida das pessoas, seja hoje ou na memória afetiva e no inconsciente coletivo.

Então, o que precisamos no rádio é de diversos novos Roquette-Pintos. Gente que ao mesmo tempo sabe o que está fazendo e experimenta, que tem uma formação diversificada mas que domina as ferramentas básicas e que respeita o meio e sabe da sua importância e do seu alcance. É um caminho para que ainda exista o dial daqui uns anos.

O fim do Good Times na BH FM

Por Rodney Brocanelli

Uma notícia publicada no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, informa sobre o fim do programa Good Times. Os quatro primeiros parágrafos da reportagem resumem tudo:

Agnaldo Silva tentou segurar a continuidade do programa “Good Times”, que foi ao ar pela última vez no dia 2 deste mês, o quanto pôde. Nos últimos anos, ele viu a versão carioca do projeto que desenvolvia aqui ser extinta na emissora de rádio do mesmo grupo para o qual trabalhava, e desde então lhe parecia cada vez mais próxima a repetição desse fato também em Belo Horizonte.

 O que acabou acontecendo, de acordo com ele, não foi em função da queda de audiência da atração que produziu e apresentou durante mais de uma década. Tal decisão refletiria o tipo de público que a empresa está mais interessada em apostar atualmente.

“A rádio está agora completamente voltada aos jovens da chamada nova classe média, que surgiu com o fortalecimento do que se convencionou identificar como classe C. O ‘Good Times’ naquele cenário era um completo estranho. Mas nós não tínhamos problema algum com ibope, nós mantínhamos um número bom de ouvintes, apesar da concorrência da noite, que é muito grande”, afirma Agnaldo Silva.

“Porém, como a empresa decidiu tirá-lo do ar, nós tivemos que acatar isso. Eu acabei saindo junto, porque o meu perfil de apresentador também não se encaixava mais ali. No horário que era do ‘Good Times’ hoje, durante o sábado, se tem tocado mais funk e sertanejo”, completa o radialista.

O link completo da reportagem está aqui:

http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/o-adeus-ao-good-times-1.713969

Só achei estranho o fato de a reportagem não trazer o nome da emissora, BH FM, e nem informar que ela faz parte do Sistema Globo de Rádio. Que pudor é esse?

O Good Times teve uma versão paulistana. Seu auge se deu nos tempos em que a freqüência dos 90,5 Mhz era ocupada em São Paulo pela Globo FM. Um de seus apresentadores mais famosos (talvez o mais famoso) foi Sergio Bocca, a partir da segunda metade dos anos 1980.

Não há vilões nesse fim da edição mineira do Good Times. O mundo mudou, e o ouvinte de rádio também.

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Rádio sob demanda

O relativo sucesso de Gaby Amarantos ajuda a explicar como o rádio popular funciona hoje

Por Marcos Lauro

Gaby Amarantos - Foto: divulgação

O rádio parou de ditar as regras do que é ou não sucesso lá pelos anos 1990, quando a internet tomou esse posto. Antes, o que tocava no rádio era sucesso. Isso explica o desespero pelo jabá, das duas partes. A gravadora queria seus artistas no ar (porque se não estivesse lá não era sucesso) e a rádio queria faturar em cima das grandes empresas que lançavam seus artistas com pouca preocupação com as verbas de divulgação.

Isso acabou. E com o fim desse processo, chegou ao fim também esse grande termômetro do que era ou não sucesso. Hoje, como se mede o sucesso? Como saber se um artista conquistou ou não a massa, o povão?

Por incrível que pareça, um desses caminhos ainda é o rádio, só que de uma maneira diferente. Hoje o rádio funciona “sob demanda”. Se existe um artista que estoura na internet e alcança a massa, o rádio, para não ficar descolado da realidade, vai atrás. O último grande exemplo disso foi o cantor coreano Psy, que bateu todos os recordes de visualizações no YouTube com sua “Gangnan Style” e as rádios, especialmente as jovens, tiveram que comprar o single no iTunes para colocar no ar. Não teve como correr. Até hoje toca Psy em festinhas de aniversário de crianças por aí… já presenciei algumas e, sim, é sucesso!

Mas isso, claro, ainda deixa a dúvida no ar: afinal, o que é sucesso hoje? Como medir se o artista faz sucesso num determinado nicho ou se, realmente, já alcançou o povão e tem suas músicas cantadas dos botecos das periferias às festas dos grandes centros?

Um exemplo nacional: Gaby Amarantos. Vinda da periferia de Belém, a paraense surgiu no circuito de aparelhagens, festas extremamente populares nas periferias da capital do Pará. A partir disso, houve a tentativa de levar esse som tão característico do norte para outras regiões do país. Hoje, Gaby Amarantos aparece com frequência na Globo (e em outros canais), mas parece não deslanchar. Juízo de valor está longe desse texto, a discussão não é se é bom ou ruim. Mas: faz sucesso ou está represada num nicho de gente descolada e bem informada?

Uma forma de responder isso é o rádio (sob demanda). Costumo ouvir rádios populares com uma certa frequência e nunca ouvi nada da Gaby Amarantos nelas. Ou seja, não existe demanda, não existe uma massa ligando na rádio e pedindo a música (sim, isso ainda acontece!). Ocorre com Gaby Amaratos uma espécie de “pretagilização”, que é como chamo o processo de uma artista estar semanalmente na tela da maior rede de TV do país e não conseguir sair de lá. As pessoas vêem, acham “exótica” e no dia seguinte estão se perguntando: “quem é essa menina mesmo?”.

Talvez o som de Gaby Amarantos seja muito modernoso para as rádio populares, muito popular para estar nas rádios jovens e muito jovem para estar nas rádios de música brasileira. E, com isso, sua música não se encaixa em nenhum nicho e não ganha a massa, o povão. Fica no ar esse sucesso vazio, relativo, que deixa dúvidas sobre sua efetividade.

Claro que isso não inviabiliza sua carreira. Diversos artistas fazem sucesso apenas em alguns determinados nichos e vivem muito bem com isso. Um tipo de música que domina a periferia de Belém obviamente não foi feita com a finalidade de agradar aos ouvidos do sudeste ou de outras regiões… caso aconteça, melhor para a cantora e para toda a cena que a acompanha.

Agora, será que o rádio está condenado a viver sob demanda? Claro que competir com a internet não compensa e bater de frente seria uma atitude suicida, mas o rádio precisa ser aliado nesses tempos de YouTube, iTunes e Deezer. Se as rádios populares experimentassem tocar Gaby Amarantos, a massa compraria a ideia? Fica o desafio.

Foto: divulgação

Radioamantes no Ar entrevista o narrador Gomão Ribeiro

No último sábado, o Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/), recebeu o narrador esportivo Gomão Ribeiro. Ele falou sobre a atual situação da Web Rádio Lusa, que deixou de ser hospedada no site oficial da Portuguesa e passa a ser um projeto independente.Além disso, Gomão comentou sobre a situação de um torcedor ilustre da Lusa que virou notícia nos últimos dias: Flavio Gomes. Apresentação de Rodney Brocanelli e participação de João Alkmin.

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Ausente da Copa das Confederações, 105 FM (SP) vai transmitir a Copa do Mundo

da assessoria de imprensa

A rádio número 1 de audiência, a 105 FM, com o 105 FM Futebol Club, transmitirá a Copa do Mundo da FIFA 2014™. Os direitos para essa transmissão foram recém-comprados pela emissora. Além da Copa do Mundo da FIFA 2014™, o 105 FM Futebol Club também transmite jogos do Campeonato Paulista de Futebol, Copa do Brasil, Libertadores da América, Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, entre outros campeonatos.

Comentário: Em junho, o Radioamantes conversou com Luiz Calmon, diretor artístico da emissora. Ele falou sobre o fato de a emissora, líder nas pesquisas de audiência, não ter adquirido os direitos da Copa das Confederações. Calmon justificou e decisão devido à impossibilidade da veiculação dos “textos foguete” de seus anunciantes durante as transmissões. Os patrocinadores da Fifa tem a prioridade nessa exposição, tanto que a TV Globo transmitiu a competição sem exibir as marcas dos anunciantes das transmissões de futebol. Quando perguntei se ele iria comprar os direitos da Copa do Mundo, ele deixou a questão em aberto: “Pode ser que sim, pode ser que não. Vamos consultar a Globo  e verificar as condições”. Pelo jeito as condições apresentadas foram satisfatórias.

Essa entrevista de Calmon foi muito importante pelo fato dele ter chamado a atenção para algo que acontece na questão da venda de direitos de transmissão: “As entidades esportivas não tem que ter patrocinadores, mas sim as emissoras de rádio e televisão. O mercado publicitário cabe às empresas de comunicação. A Fifa tem  que cuidar da área dela”, disse na ocasião. Para ler mais, clique no link abaixo. (Rodney Brocanelli)

https://radioamantes.wordpress.com/2013/06/27/diretor-explica-ausencia-da-105-fm-sp-na-copa-das-confederacoes/

105FM

Ouça mais uma edição do Radioamantes no Ar

Ouça no player abaixo mais uma edição de Radioamanes no Ar, veiculado todos os sábados, a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/). Rodney Brocanelli falou sobre as rádios que retransmitem o áudio dos programas de televisão, da questão das redes nacionais de rádios e da criação de uma associação de rádios jovens que irá reunir emissoras da Grande São Paulo. Participação de João Alkimin e Flávio Ashcar.

 

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“Por que o rádio não tem imagem?”

Por Rodney Brocanelli

De vez em sempre costumo olhar a parte de estatísticas do blog. Bom para saber como e porque o internauta chega até aqui.  Examinando a aba “termos de motor de busca”, ou traduzindo, as palavras-chave que os internautas digitam nos mecanismos de busca, algo me chamou a atenção. Alguém digitou lá “por que o rádio não tem imagem?”.

Não sei dizer quem formulou essa pergunta, até certo ponto, ingênua. Também não vou arriscar a construir aqui o perfil de quem a fez. Pode ser jovem, meia idade, idoso, não tenho como saber. Espero que ela tenha encontrado a resposta em algum dos posts deste blog. Meu palpite é que esse internauta teve uma formação estritamente visual. Não o culpo. Nos últimos tempos, as pessoas valorizam muito mais a imagem do que a palavra ou mesmo o som, ambos isolados.

Se eu pudesse responder ao questionamento, usaria como exemplo a frase de um ex-repórter que hoje se transformou em narrador esportivo: Alex Muller. Ele sempre diz: “vou mexer com a sua imaginação”. O rádio é justamente isso: imaginação. Quem o escuta, pode perfeitamente criar uma imagem a partir daquilo que está sendo dito. As transmissões esportivas são um ótimo exemplo disso.

Certa vez, eu estava participando de uma transmissão de uma partida de vôlei no ginásio do Sesi, em Sâo Paulo, que não teve cobertura direta de televisão. Pelas redes sociais, chegou a mensagem de um internauta dizendo que nunca tinha escutando a irradiação de um jogo daquela modalidade pelo rádio e completava afirmando que estava gostando da experiência. Ganhei a noite. Esse ouvinte se deixou levar pela imaginação e, a partir da descrição que chegava até ele, criava as imagens em sua mente.

Acho que falta um pouco disso. Em um mundo estritamente visual, as pessoas não têm se deixado levar pelos outros sentidos, em especial pela audição. E olha que não é por falta de oportunidade. A oferta de rádios e de web rádios é grande. Com esse quadro, o  veículo, independente de plataforma, tem um grande desafio para daqui por diante:  convencer uma nova geração que está vindo aí de que criar imagens é tão ou mais prazeroso quanto simplesmente vê-las.

 

radiosemimagem

Radioamantes no Ar entrevista Flávio Araújo

O Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/), entrevistou o narrador esportivo Flávio Araújo. Craque do Escrete do Rádio, da Bandeirantes, entre as décadas de 1960 e 1970 (com uma breve passagem pela Excelsior), ele atuou na época de maior agitação do rádio esportivo brasileiro. Flávio acompanhou de perto (e isso não é um recurso de estilo) os feitos de três grandes esportistas brasileiros: Pelé, Émerson Fittipaldi e Éder Jofre. No bate papo, Flavio contou passagens de sua carreira e relembrou de alguns de seus feitos com o microfone na mão. Entrevista concedida a Rodney Brocanelli e João Alkmin. Ouça no player abaixo.

flavioaraujo