As canoplas da discórdia

Por Rodney Brocanelli

Ouvindo o pós-jogo de um jogo qualquer numa emissora qualquer (desta vez, não revelarei nenhum dos dois), chamou a atenção a pergunta feita pelo repórter, que vazou no ar, para alguém da retaguarda: “você conseguiu pegar nosso microfone em alguma emissora de televisão?” De fato, apareceu sim, com direito a canopla e tudo. No entanto, não serei eu a informar onde foi. Só queria dizer algumas coisas sobre isso. A primeira: repórter não é segurador de microfone, especialmente em mini-coletivas para fazer com que o logo de uma emissora apareça em uma outra de televisão. Algumas perguntas também cairiam muito bem. A outra coisa que eu queria dizer: esse pessoal  não se dá conta de que algumas emissoras detestam esse tipo de situação…em especial Globo e Sportv. Ou o amigo leitor acha que é de graça que seus câmeras fazem malabarismos com as lentes para tentar fugir dessa “poluição” no ar? E, pior, também é por causa disso que a  emissora de tv que detém os direitos das principais competições esportivas do país quer limitar a presença de repórteres em campo ou nas quadras?  Os profissionais que desejam mais visibilidade das suas emissoras apenas segurando o microfone poderiam pensar um pouco mais sobre isso.

Para os não-iniciados, saiba o que é canopla clicando neste link da Wikipédia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Canopla

canopla

Há dois anos, ia ao ar a Rádio Estadão/ESPN

Por Rodney Brocanelli

Além da estreia do projeto de futebol da Band News FM (veja aqui), o dia 27 de março também marcou o estreitamento dos laços entre a ESPN e o Grupo Estado, com o lançamento da Rádio Estadão/ESPN. A parceria começou antes, nos 700Khz do AM com a Rádio Eldorado/ESPN. Nessa outra fase, a programação da amplitude modulada, mais as transmissões esportivas, começaram a ser veiculadas também nos 92,9Mhz. A programação musical da Eldorado FM migrou para os 107,3Mhz, freqüência em que está no ar até hoje. O mesmo não se pode dizer do casamento entre ESPN e Grupo Estado, que foi desfeito no ano passado. Hoje, tanto no AM como no FM a Rádio Estadão está no ar com sua programação jornalística. Em janeiro, houve uma promessa do diretor Acácio Luiz Costa de um novo  investimento em transmissões esportivas, mas apenas com repórter em campo, independente de onde aconteça o jogo. O narrador iria narrar do estúdio.  Entretanto, até agora tal projeto não foi colocado em prática. Por sua vez, a ESPN está no ar com um projeto de rádio web, mas sem perder de vista uma volta para o dial. Pelo menos uma negociação está em andamento, com a Rádio Capital AM.

Ouça abaixo o gol 100 de Rogério Ceni na narração de Paulo Soares, na antiga Rádio Estadão/ESPN.

Ouça também a transição da Brasil 2000 para a Eldorado FM nos 107,3Mhz

estadaoespn

Projeto de futebol na Band News FM comemora seu segundo aniversário

Por Rodney Brocanelli

O gol número 100 da carreira de Rogério Ceni (pelas contas do jogador, bem entendido) comemora dois anos neste dia 27 de março. Há dois anos, neste mesmo dia, entrava no ar o projeto de futebol da Band News FM. De lá para cá, ocorreram alumas mudanças de profissionais. Os narradores Odnei Edson e Carlos Fernando deram lugar a Dirceu Marchiolli e Alex Muller. Eric Beting, um de seus primeiros comentaristas, também não faz mais parte da equipe. Ouça no player abaixo o gol de Rogério Ceni na partida contra o Corinthians, que marcou a estreia da Band News no Futebol. A narração é de Odnei Edson.

Logo BandNews FM

Três hipóteses para a mídia nacional ter ignorado o caso Valério Luiz

Por Rodney Brocanelli

O  Jornal Opção, um dos melhores de Goiânia, traz uma entrevista com com Alexandre Alliatti, do Globo Esporte. O jornalista fez uma excelente reportagem para o portal  sobre o caso Valério Luiz intitulada “Morte na Rádio”.

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/enfim-a-midia-nacional-descobre-o-caso-valerio-luiz

O próprio Alliatti se questionou por não ter ciência desse caso anteriormente. Na seqüência, ele descobriu que não foi apenas ele. A imprensa nacional, salvo raras exceções, deu pouca importância à história.

Era um caso sob medida para repórteres experientes como Marcelo Rezende, Roberto Cabrini ou Eduardo Faustini, só para ficar nesses três nomes. Mas talvez sejam três os motivos para que esse assunto não ganhasse a mídia do pais.

1) Infelizmente, Goiânia está longe demais das capitais (leia também o artigo de opinião de Elder Dias, do mesmo Jornal Opção:

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/e-se-fosse-um-jornalista-do-eixo-rio-sao-paulo

2) Ainda existe muito jornalista que acha que jornalista não é notícia, mesmo em caso de assassinato.

3) Mais importante (e proporcionalmente triste): Valério Luiz não fazia parte de qualquer veículo local que fosse afiliado de uma grande rede de rádio de tv.  Na televisão, ele estava trabalhando pela PUC TV, um canal de alcance local ligado à Pontifícia Universidade Católica, de Goiás.  Por sua vez, a Rádio Jornal 820 AM e não está vinculada a qualquer grande rede de rádio do país. Aliás, foi na sede da emissora de rádio onde ocorreu a emboscada que tirou a vida do radialista.

Leia as reportagens do portal Globo Esporte

http://globoesporte.globo.com/go/noticia/2013/03/morte-na-radio-parte-1-o-crime-que-levou-um-clube-paginas-policiais.html

http://globoesporte.globo.com/go/noticia/2013/03/morte-na-radio-parte-2-o-futebol-na-investigacao-de-um-assassinato.html

Leia o que já foi publicado no blog Radioamantes sobre o caso Valério Luiz

https://radioamantes.wordpress.com/tag/valerio-luiz/

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Começando o debate sobre a cobertura jornalística do rádio

Por Rodney Brocanelli

O amigo Flávio Guimarães, sempre atento, publicou em seu blog um comentário sobre a cobertura que blogs e sites independentes fazem sobre o rádio. O título é “Colunas Especializadas copiam, colam e desvalorizam o rádio”.

O link é este aqui:

http://fg-news.blogspot.com.br/2013/03/colunas-especializadas-copiam-colam-e.html

Chamo a atenção para os trechos mais representativos:

O rádio pode ser considerado um dos veículos mais adaptáveis entre as mídias eletrônicas, capaz, inclusive de tirar proveito da universalidade da web. É preciso, porém, usar os meios com profissionalismo e competência.

Aí começa a ficar compreensível um dos problemas atuais do rádio. Além de o veículo, em muitos casos, estar deteriorado profissional e tecnologicamente, vem se contaminando cada vez mais com o mau hábito das replicações, comuns na Internet. “Equipes de jornalismo”, resumidas a uma ou duas pessoas, copiam informações da rede e as colocam no ar. Quando não, limitam-se a transcrever, na íntegra, os releases recebidos. Mal comparando, dá-se o efeito Droste, utilizado na repetição de imagens, como na foto que encima este post. Um rádio assim, não pode sobreviver.

Quando penso que as colunas especializadas poderiam ajudar nessa questão, observando problemas, alertando sobre equívocos, destacando acertos, contribuindo, enfim, para um rádio melhor vejo que, infelizmente, até os especialistas colaboram para consagrar a mesmice que, atualmente, tomou conta do veículo. O exemplo, a seguir.

Para lembrar os 50 anos do “Arquivo Musical”, apresentado aos domingos, a rádio Bandeirantes, de São Paulo, distribuiu um press release. O texto destaca ações que serão executadas neste dia 17 de março, em comemoração às cinco décadas de sucesso do programa, o segundo mais antigo da emissora.

Duas das colunas especializadas, das mais lidas, simplesmente copiaram o release produzido pelo departamento de divulgação do Morumbi e publicaram “tim tim por tim tim”, incluindo a foto do atual apresentador, Ronald Gimenez. Uma delas ainda se deu ao trabalho de mencionar as frequências da emissora, em AM e FM.

No final do texto, Flávio coloca os links para os sites que reproduziram o material  da Rádio Bandeirantes sobre o programa Arquivo Musical. Assim que tomei conhecimento do texto, mandei, via Twitter, uma série de mensagens a ele. Pedi para que incluisse o link do Radioamantes que apresenta o mesmo conteúdo (veja aqui).

Não vejo qualquer problema em republicar releases de emissoras de rádio. Aqui no Radioamantes, eles são publicados sem assinatura e com padrão gráfico diferente (texto em itálico).

Esse material encaminhado pelas assessorias serve para ajudar a manter  este espaço devidamente atualizado.

Blogs sem atualização passam a ideia de abandono, afugentando assim o leitor.

Gostaria muito que outras emissoras de rádio tivessem assessorias tão eficientes quanto a do Grupo Bandeirantes, da Rede Transamérica e da Rádio Capital (SP). Dessa forma, poderíamos anunciar aqui seus programas, ou o que acontece no dia-a-dia delas. Até porque o blog Radioamantes serve também para isso.

Nunca é demais lembrar que, por motivos que não vem ao caso, não é possível aos responsáveis deste Radioamantes uma dedicação em tempo integral.  O que dá para dizer é que blog só dá dinheiro mesmo para alguns poucos eleitos.

Entretanto, essa limitação não impede que o Radioamantes apareça com material exclusivo, como por exemplo, o post em que falamos sobre o fato de o programa “Fanáticos por Futebol”, da Rádio Bandeirantes,  ter virado um quadro do “Você é Curioso”.  Para quem não viu, segue abaixo o link do post.

https://radioamantes.wordpress.com/2013/03/14/fanaticos-por-futebol-vira-quadro-do-voce-e-curioso-na-radio-bandeirantes/

Existem outros exemplos, mas vamos ficar só neste mais recente.

Concordo quando Flávio diz que “colunas especializadas poderiam ajudar (…) observando problemas, alertando sobre equívocos, destacando acertos, contribuindo, enfim, para um rádio melhor(…)”.  Aqui também fazemos isso. Um dos marcadores deste blog se chama “Análise”. Sempre que possível, são lançadas pensatas  sobre o veículo rádio.  Pena que a repercussão delas seja mais modesta como se gostaria que fosse. Particularmente, adoraria muito que um comentário meu aqui gerasse um debate em outros espaços na web, como aliás, já aconteceu no blog do próprio Flávio.

Clique no link abaixo para ver a categoria Análise:

https://radioamantes.wordpress.com/category/analise/

Já falamos aqui sobre arrendamento de freqüências, da “Datenodependência” (mal que acomete o Grupo Bandeirantes de Comunicação e que envolve uma das estrelas da casa, José Luiz Datena), a proliferação de programas de televisão reproduzidos ao mesmo tempo em emissoras de rádio, o prêmio APCA, entre outros exemplos. Agora, é necessário que haja gancho para isso, caso contrário, fica apenas a crítica pela crítica.

Além do mais, muitos dos temas relacionados ao rádio já foram discutidos no outro blog do qual os atuais responsáveis pelo Radioamantes fizeram parte: o Rádio Base Urgente: http://radiobaseurgente.blogspot.com. Quem tiver um tempinho, basta dar uma bela passeada pelos seus arquivos. Alguns assuntos podem ter se esgotado, outros não. Mas sempre que houver algum tipo de novidade, poderemos falar aqui.

Para fechar, Flávio fez uma associação com o efeito Droste até muito interessante. Não disponho dos dados de visitação dos outros blogs e sites sobre rádio, mas dá para, empiricamente, dizer que o leitor do Radioamantes as vezes não é leitor do Blog do Cheni. Dessa forma, o leitor do Blog do Cheni não é o mesmo do site Bastidores do Rádio, e por aí vai. Pode ser que alguns leitores tenham o hábito de acessar estes e outros sites/blogs sobre rádio numa tacada só, mas são muito específicos mesmo.

De qualquer forma, o artigo de Flávio Guimarães, a quem eu devo muito respeito, teve o mérito de iniciar o debate sobre a cobertura do rádio. Que apareçam outros interlocutores.

Rádio comunitária é tema de debate na TV Brasil; assista

Jerry de Oliveira, um dos participantes do debate

O programa do Luis Nassif, Brasilianas.org, foi palco de um belo debate sobre as rádios comunitárias no Brasil.

Participam do debate o diretor de Acompanhamento e Avaliação de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Octavio Penna Pieranti, o coordenador da Associação das Rádios Comunitárias de São Paulo, Jerry de Oliveira, e o autor do livro Rádio Comunitária Não é Crime, Armando Coelho Neto.

A Rádio Gaúcha e a cobertura da tragédia em Santa Maria

Por Marcos Lauro

Ouvi apenas uma rádio durante a manhã até o começo da tarde do último domingo: a Gaúcha.

Fiquei sabendo da tragédia em Santa Maria às 9h da manhã. Peço perdão pela omissão dos nomes dos profissionais envolvidos na cobertura, afinal não sou ouvinte da emissora e estava focando nas notícias.

Apesar de não ter comparado a Gaúcha com nenhuma outra emissora, posso dizer seguramente que a rádio fez um ótimo trabalho.

Os dois âncoras do período da manhã estavam claramente abalados pelo acontecimento, com direito a algumas paradas para respirar fundo. Mas isso não comprometeu, de forma alguma, a transmissão das informações.

O número de repórteres era excelente. Enquanto a maioria dos portais ainda dava notícias desencontradas, a Gaúcha tinha repórteres no local, no ginásio para onde os corpos foram levados, em alguns hospitais e até na base aérea da cidade, onde a presidente Dilma chegou pouco depois de saber da tragédia.

Parabéns à Rádio Gaúcha, que cobriu tão bem essa tragédia que deixou todo o país de luto. Infelizmente, nessas horas também se mostra quem faz rádio de verdade.

Em entrevista desastrada, diretor da Rádio Estadão tenta justificar transmissões “off tube”

Por Rodney Brocanelli

A entrevista de Acácio Luiz Costa, diretor-executivo da Rádio Estadão, à Anderson Cheni e a Anderson Scardoelli tem ao menos um mérito: pela primeira vez alguém que está do outro lado do balcão fala sobre a questão das transmissões off-tube (aquela em que os profissionais fazem tudo do estúdio e não dos estãdios).

Em geral, quem costuma falar sobre esse assunto são os próprios narradores quando solicitados. A opinião, salvo raras exceções é quase unãnime: eles manifestam o desejo de estar in loco narrando a partida que esteja acontecendo. Não lembro de algum coordenador ou diretor de emissora falar sobre o tema nos últimos tempos.

Acácio usa justificativas discutíveis para marcar a política da emissora em relação às transmissões de futebol no futuro. Em resumo, ele informa que irá mandar apenas repórter para o local do jogo. Narrador e comentarista ficarão no estúdio.

Vamos transcrever o trecho da entrevista:

(…)Em relação ao formato, adianto que iremos mudar o conceito de transmitir esportes, conceito esse que não muda desde 1950. Hoje, a programação exige outro formato.

E como será esse novo conceito?

Fazer as transmissões de futebol para quem estiver assistindo o jogo. Quando era o tempo áureo do rádio, a televisão não tinha o alcance que passou a ter no decorrer das últimas décadas. Atualmente, no Brasil, a televisão está inserida em mais de 98% dos lares.

Qual será a estrutura para as transmissões dos jogos?

Somente o repórter estará em campo cobrindo o jogo. Onde a equipe estiver, ele estará. Comentarista e narrador ficarão no estúdio, onde fica muito mais fácil com a tecnologia ver o jogo. O tubo [transmissão a partir da emissora] tem mais informação. Não adianta ter o locutor no estádio dizendo “não foi gol”, enquanto as câmeras no estúdio mostram o contrário. Essa decisão não tem nada a ver com custos, pois não iria mudar em nada mandar equipe completa para o Pacaembu ou Morumbi, por exemplo. É uma estratégia baseada em recursos tecnológicos.

A lógica de Acácio, infelizmente, não fecha. Se for para o narrador ter a visão do jogo pela televisão, o ouvinte nem precisa ter o trabalho de ligar o rádio. Quem acompanha a transmissão pelo rádio quer ter um algo a mais, aquilo que a tv não pode dar por uma série de motivos.

Em vez de conceder uma entrevista desastrada como essa, Acácio poderia tentar pensar em outras saídas para revitalizar a transmissão esportiva pelo rádio.

Poderia começar pensando em resolver um problema crônico: o delay”, que tem afugentado os ouvintes nos últimos anos. Com o crescimento do mercado de tv por assinatura, um número maior de telespectadores tem se deparado com a questão da falta de sincronia das imagens da tv com o som do rádio.  Tal situação se aplica à tv digital. Com isso, nem dá para se recorrer ao tradicional “abaixe o som da tv e fique com os ouvidos ligados no rádio”.

Além do mais, Rádio Estadão poderia dar uma contribuição muito maior se ela levasse para seu ouvinte esportes que não fazem parte do cardápio das programações das emissoras de rádio, como o basquete e o vôlei.

A repercussão das declarações de Acácio tem sido a pior possível. Pelo menos dois blogs o chamam de gênio, mas de uma maneira pouco lisonjeira. Acompanhe abaixo:

http://fg-news.blogspot.com.br/2013/01/futebol-na-radio-estadao-os-genios.html – do blog de Flávio Guimarães

http://www.revistadosesportesblog.com.br/blog/o-ridiculo-da-transmissao-por-tubo-reinventando-o-conceito-do-radio-esportivo/ – do blog Revista dos Esportes.

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APCA divulga melhores de 2012

Saiu a lista de melhores do ano da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Acompanhe abaixo os melhores da categoria rádio:

Grande Prêmio da Crítica: Rádio Bandeirantes-75 Anos
Internet: Rádio Nor (www.radionaravanda.com)
Musical: Chocolate Quente – Eldorado FM
Cultura: Palavra do Reitor – USP FM
Humor: Rachando o Bico – Transamérica FM
Iniciativa: Projeto Troféu Catavento – Cultura
Variedades: No Divã com Gikovate – CBN
Votaram: Fausto Silva Neto, Marco Antonio Ribeiro e Sílvio Di Nardo

As outras categorias podem ser vistas aqui.

Comentário:  Parte da comunidade uspiana não deverá ficar muito satisfeita com o prêmio dado ao programa Palavra do Reitor. A atração conta com a participação frequente de João Grandino Rodas, reitor da USP. Para se ter uma ideia de como  Rodas não desfruta de grande popularidade em certos círculos, basta citar o título de um texto recente da Carta Capital: Grandino Rodas, o bárbaro.

A Rádio USP é muito bem lembrada no prêmio APCA. É a quarta vez seguida que a emissora tem programas figurando nas listas de melhores do rádio. Em 2009, o Rádio Pipoca foi o melhor infantil daquele ano.  No ano seguinte, o também infantil Assobio 49 levou o troféu.  Já em 2011, quem ficou com o prêmio foi o programa Sul em Cima, da sub-categoria musical.

Neste ano, senti falta de um prêmio para o melhor programa esportivo. Uma pena, pois opções não faltaram neste ano de 2012. Aqui mesmo neste espaço, sugeri que fosse lembrado o Segredos do Esporte, apresentado por Paulo Calçade, na Rádio Estadão/ESPN. Clique no link abaixo:

https://radioamantes.wordpress.com/2012/08/08/alo-pessoal-da-apca-que-tal-dar-um-premio-para-segredos-do-esporte-da-espn/

O programa acima citado é excelente e cresceu muito ganhando uma versão televisiva na época dos Jogos Olímpicos de Londres.

Com relação ao grande prêmio, nada a opor quanto ao prêmio dado à Rádio Bandeirantes. O trabalho que a emissora faz é excepcional. Contudo, por que não esperar um pouco mais e aguardar a efeméride de 80 anos (data cheia) para conceder o laurel?

Quem merecia o grande prêmio talvez fosse a parceria Estadão/ESPN, prestes a ser encerrada no final do ano. A contribuição dessa união de forças para o rádio esportivo, especialmente em sua estética, foi muito importante ao longo desses anos em que o casamento foi mantido e mereceria essa menção honrosa.

No mais, o prêmio APCA continua apresentando os mesmos problemas de ano anteriores, em especial o baixo colégio eleitoral observado em muitas categorias. A de rádio está na média das outras: tem apenas 3 votantes. Bom lembrar que existe muito mais gente escrevendo sobre o veículo, especialmente na blogosfera (Rodney Brocanelli)

Leia mais sobre o que já foi publicado sobre o prêmio APCA no link abaixo:

https://radioamantes.wordpress.com/?s=apca

 

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O rádio está sendo companheiro?

Por Marcos Lauro

O mercado do rádio, especialmente em São Paulo, está agitado. Parcerias acabam, nomes mudam, freqüências são arrendadas (um eufemismo para “vendidas”)…

E nessa correria toda, muita gente acaba se esquecendo do principal papel que o rádio tem para o ouvinte: o de ser companheiro.

Ser companheiro não se resume às rádios populares, não precisa ler carta/e-mail de ouvinte no ar, mandar beijo, recado… dá pra ser companheiro tocando rock, blues, jazz, qualquer coisa.

Hoje o G1 publicou um pequeno perfil de uma senhorinha de Cacoal, interior de Rondônia, que tem o rádio como companheiro. Dê uma lida e veja se o rádio está cumprindo sua função nesses tempos tão conturbados.

Foto: Magda Oliveira/reprodução G1

Fim da 89 FM mostra que (alguns) donos de rádio querem ter lucro sem fazer investimentos

Por Rodney Brocanelli

Uma grande ironia marcou o anúncio do fim das atividades da 89 FM: ela aconteceu em plena semana do rádio. Espera-se que o comunicado oficial prometido para a próxima semana possa esclarecer qual era a real situação da emissora. Apesar dos divulgados mais de 100 mil ouvintes por minuto, não se tem conhecimento da real situação comercial da estação. Até há bem pouco, havia a parceria com a Nestlê, que fez a emissora virar “customizada”, com a adoção do nome 89 Fast. Não se sabe até que ponto o fim do contrato abalou seu faturamento. Conutdo, não haviam notícias sobre dificuldades financeiras no Grupo Camargo de Comunicação. E esse tipo de informação corre pelo mercado,como atleta que disputa a São Silvestre ou a maratona dos Jogos Olímpicos.

Tudo indica que a tal Rede do Bem FM irá assumir a frequência em caráter de arrendamento. Pelo o que se vê, os donos da concessão, no caso a família Camargo, quer, sim, o lucro. Mas sem ter qualquer tipo de investimento (ou despesa, dependendo do ponto de vista).  Desse jeito, até eu viro dono de rádio….

 

 

Santo dial

Por Marcos Lauro

Hoje demos a notícia do fim da 89 FM de São Paulo. Informações ainda não confirmadas dão conta de que uma rede gospel de rádios ocupará os 89,1 Mhz da capital a partir de dezembro.

Independente de isso ser concretizado ou não, acho que vale uma reflexão sobre as rádios voltadas à religião, que preenchem o dial paulistano.

Eu não tenho nada conta rádios evangélicas, católicas ou espíritas, desde que sejam profissionais. Tenho amigos que trabalham em rádios deste tipo, com condições que muita rádio comercial não tem.

Mas acho que devia haver algum meio de limitar o número e o alcance dessas rádios. Um exemplo: se a rádio tiver mais de 60% da sua programação voltadas a assuntos religiosos, limita-se a sua potência para que a mesma freqüência possa ser ocupada por outras rádios em outras regiões da cidade.

Ou então a ANATEL poderia definir alguns canais fixos para serem ocupados por rádios temáticas deste tipo. Assim, já seria notório que determinadas frequências seriam voltadas para esses temas e não haveria essa “invasão” a rádios comerciais.

Claro que essas e outras sugestões dependem de dois personagens: ANATEL e donos de concessão pública.

Na ANATEL, deveríamos ter uma reforma profunda no sistema de concessões e na fiscalização, tanto dos concessionários quanto dos piratas, que ainda são um dos grandes problemas especialmente nas periferias. Se reclamamos das rádios religiosas autorizadas, o que dizer das clandestinas? Faça o seguinte experimento: vá para qualquer bairro da periferia de São Paulo, coloque o seu rádio no modo scan (que percorre o dial parando nas frequências em que há sinal) e conte em quantas emissoras religiosas o seu rádio para. Depois compare a quantidade das piratas com a das legalizadas.

Já os donos de concessões deveriam ter mais responsabilidade. Claro que o rádio é um negócio como qualquer outro e ninguém vai entrar no ramo para tomar prejuízo. Você, leitor, não faria isso. Eu não faria isso. Mas os donos das emissoras deveriam ter compromissos assumidos junto à ANATEL, com punições duras em caso de descumprimento. O rádio é um serviço público e descontinuar uma emissora sem profundos argumentos deveria ser, no mínimo, motivo para perda da concessão. E a freqüência seria redistribuída para outros interessados, que participariam de uma concorrência pública e clara. Assim, seria possível um rodízio maior entre os barões da radiodifusão, alguns hoje com sete ou oito frequências no dial.

A queda da 89 FM é só conseqüência de algo que já vem acontecendo há um longo tempo. No coronelismo do nosso dial há gente que não se interessa por rádio, só pelo negócio. E um pouquinho de paixão pelo rádio e boa vontade já salvaria muita emissora boa que se foi.

Rádio: 112 anos no Brasil

Por Marcos Lauro

Hoje, 25 de setembro, é dia do rádio. O motivo: aniversário do pai do rádio no Brasil, Edgar Roquette Pinto. Depois da transmissão experimental realizada no dia 7 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro, ele se interessou por continuar o trabalho e passou a transmitir com sua Rádio Clube.

Mas se o rádio tem um pai, ele também tem um inventor. Ainda em processo de reconhecimento internacional, o padre Landell de Moura fez a primeira transmissão de voz aqui em São Paulo, em junho de 1900. Antes, Marconi havia transmitido apenas telégrafo sem fio. Nada de voz.

Chega a ser um desrespeito nem citar esse fato e dizer apenas que o rádio tem 90 anos no Brasil. Já que é algo ainda não reconhecido oficialmente, seria interessante ao menos levantar o tema e contar a história. Daria até mais força ao movimento, independente, que cobra o reconhecimento do trabalho do padre – visto à época como bruxo até pela igreja, que o transferiu para o interior paulista, numa região ainda sem energia elétrica.

Aqui no Radioamantes eu faço questão de parabenizar o rádio, pelos seus 112 anos de história no Brasil.

Kiss FM toca Satriani para ocupar vazio de propaganda eleitoral

Por Rodney Brocanelli

O portal Terra publicou hoje que a Kiss FM foi obrigada a tocar um tema instrumental de Joe Satriani para ocupar o vazio deixado por um partido que não encaminhou seu programa do horário eleitoral gratuíto. A emissora é responsável por transmitir a propaganda eleitoral para o município de Arujá. Embora seus estúdios estejam na  Avenida Paulista,  a concessão da emissora é referida cidade.

A nota do Terra foi publicada como se houvesse uma grande novidade nisso. É a velha mania de achar que tudo é notícia, quando na verdade, é algo sem tanta importância assim. É o tipo da coisa que entra para preencher espaço.

Se um partido não encaminha o áudio, claro que a emissora não vai ficar sem nada para colocar no ar. Em geral, é veiculada uma musica instrumental e o problema está resolvido.

Na campanha para prefeito em 1985, a emissora de rádio responsável pela geração resolveu tocar Far From The Beaten Paths, do violinista Jean Luc Ponty para ocupar o espaço deixado por partidos que não enviaram (não quiseram ou não puderam) suas fitas para compor o programa eleitoral. O registro está no vídeo abaixo. Ou seja, é algo mais comum que se possa imaginar.

Leia a nota do Terra aqui:

http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2012/sp/sao-paulo/noticias/0,,OI6155818-EI20654,00-SP+partido+nao+envia+propaganda+e+radio+toca+Joe+Satriani.html

105 FM dá o drible da vaca na audiência do rádio esportivo paulistano

Por Flávio Guimarães

Estando há 44 anos em rádio e televisão (cerca de 15 anos na TV), já vi de tudo. Ou pelo menos pensava ter visto. Ao acessar, nesta terça-feira o site Bastidores do Rádio, li uma nota sobre a audiência do rádio esportivo paulistano, acompanhada dos números relativos ao futebol no final de semana.

Não posso dizer que nunca ouvi falar da 105 FM, mas, por outro lado, posso afirmar que entre amigos e colegas nunca ouvi referência aos narradores daquela emissora quando o assunto é o locutor esportivo preferido de cada um. Pode ser até que a omissão ocorra por ignorância nossa, mas na lista dos nomes mais lembrados estão os de sempre: José Silvério, Oscar Ulisses, Éder Luiz, Antonio Edson, Ulisses Costa, Nilson César e mais dois ou três, menos cotados.

A ordem descrita não corresponde, necessariamente, à colocação de cada um entre os campeões de audiência. Ela é produto da voz corrente no setor, tanto entre colegas quanto apurada na declaração espontânea de ouvintes, fãs do futebol, em geral. Bandeirantes, Globo, Jovem Pan e Transamérica (em ordem alfabética), onde os profissionais relacionados atuam, são as emissoras mais lembradas. Exatamente por isso, meu espanto é ainda maior ao conferir os números apontados pelo Bastidores que, por sua vez, usa como fonte o blog Cheni no Campo.

Se observarmos os índices de audiência obtidos pelas quatro emissoras mais bem posicionadas no Ibope depois da 105 FM, incluindo a CBN —não mencionada acima—, o resultado é praticamente um empate técnico entre a líder e a soma das demais. O porcentual da Pan não está incluído porque a emissora não aparece entre as cinco primeiras colocadas. Embora a terminologia, em se tratando de futebol, não seja adequada, a audiência da 105 é um autêntico e fulminante “nocaute” nas demais emissoras.

Nunca fui um gênio dos cálculos, mas uma continha dessas eu sei fazer e o resultado me parece surpreendente. Com base nos números divulgados, era para o som da 105 ecoar por todos os cantos, principalmente nos estádios, mas não é o que acontece. Com sede na cidade de Jundiaí, cerca de 58 km de São Paulo, no dial, a 105 FM é sintonizada nos 105,1 mhz. Pela Internet, o endereço é http://www.radio105fm.com.br/.

Desconheço o critério utilizado na obtenção dos números (resposta espontânea ou estimulada), mas em qualquer hipótese a “surra” que os profissionais acima relacionados levam dos narradores da 105 é humilhante, quase um indicativo de fim de carreira de todos eles. Conhecendo a maioria, sei que a realidade está longe, mas muito longe mesmo da impressão que os índices de audiência sugerem. Ou seja, a história não combina com a narrativa.

Algo ou alguém está “pisando na bola” e maltratando o resultado da audiência no segmento esportivo. Se não fosse isso, as principais emissoras que se destacam no setor já teriam tomado a providência mais simples, direta, lógica e objetiva para acabar com o jogo: contrataria a equipe inteira da 105 FM e mandaria para o olho da rua os profissionais que estão sob contrato atualmente.

A demissão deveria incluir, por incompetência, toda a direção comercial e jornalístico-esportiva das emissoras surradas impiedosamente. Repito: se a realidade fosse espelho da fantasia, claro.

Para encerrar, lembrando-me de que em todo boato há um fundo de verdade, (embora pesquisa de audiência não deva ser enquadrada nessa categoria) o pessoal da 105 FM merece um cumprimento especial pois, até prova em contrário, a pesquisa transmite a ideia de um fenomenal drible da vaca, dentro da área do adversário. Resta saber quem vai para o brejo.