Alô pessoal da APCA: que tal dar um prêmio para Segredos do Esporte, da ESPN?

Por Rodney Brocanelli

Neste espaço aqui já manifestei meu desagrado em relação a certas escolhas da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) especialmente na categoria rádio. Com a proximidade do final de ano, época em que são divulgados os ganhadores, resolvi mudar um poucos de postura. Em vez de reclamar, vou deixar aqui uma indicação aos senhores jurados de tão categorizada associação.

Já está na hora de concederem um prêmio ao Segredos do Esporte, da Rádio Estadão/ESPN. Apresentada pelo jornalista Paulo Ricardo Calçade, a atração semanal nem é uma das mais badaladas da emissora. Entretanto, sua qualidade é ímpar.  A proposta já está implícita no em seu próprio nome. Sua pauta pode abordar de questões táticas do futebol à medicina esportiva, por exemplo.  A boa escolha dos convidados, aliada a uma condução segura fazem com que o programa seja didático sem ser professoral, informativo sem ser enfadonho.

Nesta época de Jogos Olímpicos, o Segredos do Esporte ganhou uma versão televisiva, pela ESPN. Na apresentação, Calçade conquistou o reforço da professora Katia Rubio, especializada em Psicologia do Esporte. Era um desafio muito grande transpor um programa de alta qualidade no rádio para a televisão. Mesmo assim, com poucos dias no ar, foi possível perceber que o programa continuou mantendo seu nível.

Além dos apresentadores, dois outros convidados participam na discussão de temas que fazem parte do contexto das competições, mas que não são tão detalhados pela cobertura da  mídia, mais focada para os resultados e, dependendo da situação, histórias humanas envolvendo atletas. Exemplos: símbolos e valores olímpicos, atletas sem fronteiras, fair play e (talvez o melhor de todos os debates) pressão  sobre os atletas. É disparado o melhor de todos os programas deste período olímpico.

Para quem perdeu essa série, uma pequena amostra dos programas pode ser assistida on demand no blog de Paulo Calçade.

Fica a dica para os nobres jurados da APCA.

Fim dos arrendamentos no rádio é questão mais complexa

Por Rodney Brocanelli

O Marcos Lauro foi muito feliz no post abaixo ao dizer que a medida cuja intenção é proibir arrendamentos e venda de horários em emissoras de rádio é incompleta (se você veio parar neste post via Google, clique aqui para ler). Infelizmente, muitas questões complexas não foram levantadas. Quando se pensa na questão de venda e arrendamento, logo a prática é associada às igrejas como a Deus é Amor, Universal, entre outras,  que estão presentes em emissoras de rádio por todo o país.

Por outro lado, existem programas de rádio com conteúdo até interessante, que dependem da compra de horários para estar no ar. A Rádio Trianon, de São Paulo, é um belo exemplo disso. Se tal medida fosse aprovada, atrações como o programa do Memorial Hélio Ribeiro, por exemplo,  não teriam chegado ao rádio. Será que a emissora arcaria com os custos de produção dessa e de outras atrações?

Essa situação da venda de horários e arrendamentos muito se deve à falta de investimentos do mercado publicitário. Será que os grandes anunciantes se animariam a voltar ao rádio com essa medida, especialmente entre o fim de noite e o começo da madrugada? Esse é o período prefereido pra se colocar no ar programação religiosa, algo comum em muitas rádios do interior.  Há muitos anos, a hoje extinta companhia áerea Varig comprava horários em emissoras do rádio na parte da madrugada. Quem aí  não lembra do “Varig e você, donos da noite”?  (Um parêntese: o caso da Rádio Bradesco Esportes  deve ser tratado à parte).

A reportagem da Folha diz que o marco regulatório dasTelecomunicações deverá passar por consulta pública. Tomara que não se esqueçam do meio rádio e que essas discussões possam ser contempladas. Caso contrário, quem irá pagar o pato são os profissionais do veículo, especialmente os da área técnica e administrativa,  sempre esquecidos.

Adeus, arrendamentos! Será?

por Marcos Lauro

Reportagem da Folha de S. Paulo deste domingo joga uma luz sobre o novo marco regulatório da radiodifusão. Claro que, na matéria, a Folha acaba destacando os detalhes relativos à TV, mas o rádio também seria diretamente atingido. (caso seja assinante do UOL ou da Folha, leia a matéria aqui)

Segundo o novo decreto, estariam terminantemente proibidos os arrendamentos de frequências e também o aluguel de horários. A partir da aprovação desse decreto, é o dono da concessão que tem que pagar para que alguém ocupe a sua freqüência ou determinados horários da sua programação.

Num primeiro momento, parece ser a coisa mais justa a se fazer. Afinal, a empresa tem uma concessão pública, não utiliza a freqüência e ainda ganha dinheiro no mole, permitindo que outra empresa de comunicação se ocupe do seu espaço no dial. É negociar e lucrar com um bem público. Como se eu vendesse uma vaga numa universidade Federal, por exemplo.

Mas ao mesmo tempo, a medida se mostra incompleta. Este mal precisa ser cortado pela raiz. Não adianta apenas proibir o arrendamento, é preciso criar mecanismos que tirem a freqüência da empresa que não a utiliza.

Um grupo de comunicação tem uma concessão e não a utiliza? É só cassar a concessão e colocá-la para ser distribuída novamente, num processo claro e transparente.

Pegue o dial de São Paulo e perceba quantas rádio que você ouve são arrendadas. Com essa medida, todas saem do ar. Ou então viveremos num entra-e-sai de liminares sem fim.

Por Datenodependência, incidente desta manhã na Rádio Bandeirantes não deverá ter maiores conseqüências

Por Rodney Brocanelli

Em maio de 2010, publiquei o post abaixo no blog Rádio Base (arrghh!) quando da estreia de José Luiz Datena na Rádio Bandeirantes

Grupo Bandeirantes tem mais um sintoma de Datenodependência

Nunca antes na história da comunicação social deste país um grupo investiu tanto em um nome como a Bandeirantes tem feito com José Luis Datena. Além dos dois horários que ele tem na TV Bandeirantes, um programa no canal fechado Band Sports foi criado especificamente para ele, o Por Dentro da Bola (embora faça tempo que ele não apareça por lá – a vinheta de abertura ainda tem sua imagem). Não será surpresa se, em pouco tempo, ele estiver participando das programações da Band FM, Nativa, Sul América Trânsito e Band News. É a Datenodependência.

(…)

Existe a promessa de que não haverá tom policialesco nessa nova fase do Manhã Bandeirantes. No entanto, existe a expectativa para saber se Datena saberá se portar de maneira um pouco mais sóbria neste veículo. Será bastante desagradável para o ouvinte ter de aturar certos maneirismos que o apresentador possui na televisão, especialmente o de ficar dando broncas no ar nas equipes técnicas e de produção.

Pois é, como o Grupo Bandeirantes é dependente de José Luiz Datena, o incidente ocorrido na manhã desta terça-feira, e que já ganhou amplo espaço em sites e portais (saiba mais aqui), não terá maiores conseqüências.

TV sem imagem

Por Marcos Lauro

Na última sexta-feira, o grupo Bandeirantes anunciou a decisão de transmitir o programa Agora É Tarde também nos 96,9 Mhz da rádio BandeNews FM. A mesma coisa acontece com o Jornal da Band (veiculado na própria Band News),  Programa do Jô (TV Globo com transmissão simultânea pela CBN) e Sportcenter (do canal ESPN, que também pode ser ouvido pela Estadão ESPN).

Nada contra o programa, seu conteúdo ou seu apresentador. Depois de apanhar muito da mídia por conta da sua falta de noção ao fazer piadas, o humorista Danilo Gentili tomou jeito e hoje dá conta do seu programa, em que recebe entrevistados interessantes e tem o Ultraje a Rigor como banda de apoio no palco, além de outros humoristas.

Mas com essa atitude, vemos que ainda existe gente nesse mundão velho que acredita que o rádio pode ser usado como uma TV sem imagens, que é a mesma coisa. Sim, ok, é a mesma coisa. A partir desta terça, 24, quando a atração estreiar na BandNews FM, vamos “ver” Danilo Gentili mostrar fotos de infância de seus entrevistados, assim como vamos “ver” também vídeos engraçados da internet.  Afinal, o rádio não é exercício da criatividade? Então… enxergue aí, ouvinte!

Jurado da APCA fala sobre votação da categoria rádio

Por Rodney Brocanelli

O senhor Marco Ribeiro, jurado da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), se manifestou aqui no sistema de comentários sobre análise feita no Radioamantes (clique aqui para ler) a respeito da premiação da categoria rádio. Trago aqui para um post à parte a fim de dar  maior visibilidade ao que escreveu. Segue tal como foi publicado.

Primeiramente, gostaria de agradecer aos editores deste blog por terem divulgado para seu público o resultado de nossa votação. Fico contente que o autor do post tenha gostado da maioria dos 7 prêmios que concedemos.
 
Pena não terem gostado de todos. Mas tudo bem, afinal, vivemos numa democracia e cada um pensa de forma diferente. É supernormal, ainda mais no meio Rádio em que há tantas opções boas no ar, inclusive na Estadão/ESPN. Gostaríamos de dar um prêmio para cada uma delas, mas não dá, infelizmente.
 
Votamos com a certeza de que escolhemos o que há de melhor no momento. Já estamos mais do que acostumados às críticas. Que elas sempre venham e que possam ser usadas para reflexão, tanto por nós, críticos, quantos pelos próprios profissionais de rádio, se as acharem pertinentes. Afinal, eles é que fazem o Rádio, eles é que são os artistas e são eles é que devem receber os elogios e eventuais apupos da audiência.
 
Respeito as discordâncias aqui expressas, mas não concordo quando dizem que cerca de 32 mil ouvintes da Transmérica estejam, ouvindo um programa esportivo inferior àqueles escutados pelos 3,5 mil pessoas que acompanham em média a Estadão / ESPN, segundo pesquisa publicada no site Bastidores do Rádio.
 
Quero lembrar que audiência não é critério de avaliação do nosso juri. Mas pelo que está escrito no post acima, jamais poderemos um dia, se assim nossa bancada decidir, darmos um prêmio para a 105 FM, por exemplo, que, segundo o blog do jornalista Anderson Cheni, é a rádio mais ouvida durante as transmissões de jogos e programas esportivos, com cerca de 100 mil ouvintes. Seria uma espécie de critério bizarro, em que quanto menos uma rádio tivesse audiência, melhor seria a sua programação. Isso não é verdade. 
 
Cada um tem seu público e formato de programação, em se tratando especificamente de futebol. Umas mais populares, outras, mais talvez mais “elitizadas”. Umas mais “festivas”, outras mais “jornalísticas”. E assim por diante. Os 32 mil da Transamérica são tão importantes quanto os 3500 da Estadão / ESPN ou os 100 mil da 105 FM. Se considerarmos que são ouvintes únicos, eles somam mais de 135 mil pessoas ouvindo Rádio. Cada um na sua estação favorita. 
 
Também é bom frisar que avaliamos os melhores no ano em que passou. Nada impede que a Estadão/ESPN – ou outra emissoras – ganhe um ou mais prêmios nos próximos anos, como já outrora acontecera quando se chamava Rádio Eldorado. Em tese, todos os programas de rádio, tv, peças de teatro, filmes e outros objetos de nosso julgamento podem ganhar o prêmio, salvo aqueles impedidos pelo nosso regulamento, claro.
 
Enfim, considero que cumprimos a nossa missão com orgulho, precisão, honestidade, dignidade e independência. Nossa maior alegria é o reconhecimento do público pela escolha, o apoio da grande e “pequena” mídia e, principalmente, a alegria de quem recebe o prêmio por ter tido seu esforço e talento reconhecido por uma das entidades mais renomadas mantidas por valorosos profissionais da Imprensa Brasileira, da qual eu tenho a honra e o privilégio de participar há 10 anos. 
 
Mais uma vez,muito obrigado pelo espaço. E boa sorte para vocês também em 2012.

Comentário:  Fico muito feliz que um dos jurados da  importante APCA tenha se manifestado aqui neste espaço. Gostaria que ele esclarecesse onde ele leu a seguinte opinião: “quando dizem que cerca de 32 mil ouvintes da Transmérica estejam, ouvindo um programa esportivo inferior àqueles escutados pelos 3,5 mil pessoas que acompanham em média a Estadão / ESPN, segundo pesquisa publicada no site Bastidores do Rádio”.

Certamente, não foi aqui. Assim como o sr. Marco Ribeiro diz que audiência não é critério para a premiação, os números do Ibope também não são levados em consideração por mim  quando faço alguma crítica. Minha restrição quanto ao Papo de Craque é meramente estética. A proposta do programa até que é boa: um programa de debates com cobras criadas da imprensa esportiva: Juarez Soares, Silvio Luiz, Oswaldo Maciel, Henrique Guilherme, Roberto Carmona entre outros. Mas o que se vê é gritaria, muita gente falando ao mesmo tempo, desfile de vaidades, chutes opinativos, enfim tudo o que um programa de debates não deveria ter.

O senhor Marco Ribeiro certamente há de se perguntar: “o similar Esporte em Discussão”, da Jovem Pan, também tem tudo isso?”. É verdade. Mas a grande diferença é que os profissionais da Pan, pelo menos nesse programa, não se levam a sério. E tudo acaba virando uma grande brincadeira, no bom sentido, da qual o ouvinte vira cúmplice.

Mudando de assunto, aproveito pela disposição do senhor Marco Ribeiro em debater, e queria levantar uma outra questão que envolve o prêmio APCA e que já foi objeto de inquietação aqui neste espaço. Por que o colégio eleitoral em algumas categorias da enidade é sempre dimunuto?  Uma categoria importante como Música Popular só teve três profissionais votando. É bem verdade que algumas têm mais críticos para votar que outras (contei sete em uma delas, acho que Dança), mas ainda assim é muito pouco.

A categoria  de rádio sempre teve baixo número de votantes. Uma pena porque existe muita gente boa escrevendo sobre o esse veículo, especialmente na Internet. O sr. Marco Ribeiro é um deles, embora o seu blog Rádio Base esteja abandonado. Mas pelo menos conheço qual é a sua visão crítica. Gostaria de poder dizer o mesmo dos senhores Cesário Oliveira e Silvio Di Nardo. A respeito do sr. Di Nardo, sei que ele escreveu muito anos na extinta revista Amiga. Atualmente, não sei onde ele escreve e nem sei o que ele pensa a respeito do rádio de hoje. Gostaria muito de conhecer suas análises.  Ser crítico de rádio não é apenas votar na eleição da APCA. Até procurei por um espaço dele na web, mas não achei. Pode ser que esteja procurando no lugar errado.

O senhor Marco Ribeiro poderia nos esclarecer onde é que está o problema. Se a entidade está fechada em si mesma ou se não há interesse de profissionais que exercem o ofício da crítica em participar das eleições (Rodney Brocanelli).

O meu dia de Di Vasca*

Por Marcos Lauro

Deixei minha vida de locutor em 2006. Por dois motivos: descobri o jornalismo impresso/web na minha vida e tive a certeza de algo que já desconfiava – locutor é um dos profissionais que mais se desvaloriza no seu mercado de trabalho. Essa minha fase durou seis anos. Depois (e até hoje) fiz só alguns trabalhos esporádicos na área.

Hoje uma pessoa para quem trabalhei por algum tempo me procurou para atualização do áudio de uma web-rádio que montei do zero, sozinho. O pacote sugerido: 10 vinhetas e mais dois spots, com duas vozes, uma masculina e uma feminina, nos moldos do que já está no ar, por R$ 1.800,00. Segue o diálogo:

Ex-contratante
Opa, tudo bem e com vc? Te mandei uma resposta na data de ontem, não recebeu? Confesso que fiquei assustado ao ler o valor, se estivesse em pé teria caido…. Pelo valor informado no momento observo que é totalmente inviável fazer esse investimento agora, depois pesquise na internet ótimas empresas que oferecem o mesmo tipo de serviço (pacotes) e compare que o valor informado por vocês está fora da realidade. Mesmo assim, agradeço amigo. Abs.

Marcos Lauro
Mas só pra adiantar: tem empresa que se diz produtora de áudio que faz 10 vinhetas por R$ 100. Nâo é lenda, eu já vi. Só não garanto qualidade e exclusividade na produção, entendeu? As mesmas vinhetas que venderem pra você, vão vender pra outras rádios só gravando voz por cima.
O valor foi baseado no cachê dos locutores, que são bem justos. Vou ver com eles se tem jogo.
Abração.

Ex-contratante
Então o meu cachê é de quanto?

Marcos Lauro
Aí cê já perdeu a razão…
Abraço.

Por causa de locutor que cobra R$ 10, R$ 15 por vinheta existe essa mentalidade, de que é só se sentar na frente de um microfone qualquer e falar, gravar, editar… tudo assim, rápido. E assim, me desculpe ex-contratante, eu não faço.

* Di Vasca é um blogueiro, designer, que narra suas desventuras no universo do “favorzinho” e da “camaradagem”. Pediu desconto abusivo ou trabalho de graça pra ele, saiu no blog. Sem dó.

A pegadinha da Ipanema FM. Só faltou dizer o objetivo…

Por Marcos Lauro

Ok, o susto passou. Durou pouco a brincadeira que a Ipanema FM fez para chamar a atenção. Amém.

Desde a meia-noite de segunda-feira, a clássica rádio rock/alternativa de Porto Alegre tocou somente músicas populares. De uma forma abrupta, a rádio foi do blues para o happy rock. Estranho num primeiro momento e mais estranho ainda num segundo: lá pela meia-noite e meia, uma sequência que nem a pior das rádio populares tocaria – Dominó e Angélica. Nesse momento, ficou quase na cara que o lance todo era uma grande brincadeira. Ainda mais quando, de manhã, por volta das 9h30, a emissora repetiu essa mesma sequência musical.

Em São Paulo, a 89 FM, nos áureos tempos de rádio rock, fez algo parecido. Num 1º de abril, a emissora montou uma baita programação disco music e eletrônica. E assim permaneceu por 24 horas, tocando música de qualidade, até, em alguns momentos. Mas totalmente fora do seu nicho.

Ok, a Ipanema apareceu, fez barulho. Mas ainda resta a dúvida: qual foi, exatamente, o objetivo? Não ficou claro, pelo menos para mim e uma boa parcela dos ouvintes que se manifestou pelas redes sociais. O termo “Ipanema” chegou a piscar entre os Trending Topics do Twitter no meio da tarde.

Mas, por enquanto, pareceu só o barulho pelo barulho, a polêmica pela polêmica. Algo da escola Pânico na TV de factóides e falsas discussões. Para quê?

O fato é que a rádio vai mesmo passar por mudanças. Mas torcemos para que a Ipanema continue como uma das principais rádios do país em termos de qualidade da programação.

Oxydance na Rádio Usp FM. Isso mesmo que você leu

Por Rodney Brocanelli

Desde o último dia 20, a rádio Usp FM está apresentando o já manjado programa Oxydance, cujo próprio nome já deixa implícito que é dedicado à dance music. A atração esteve no ar em algumas emissoras de São Paulo em diferentes momentos. Na verdade, trata-se de uma fusão do o Non Stop Music, que já fazia parte da grade díária da emissora (e tinha o mesmo perfil), com apresentação de Celso Filho, diretor da emissora (e isso diz muita coisa). O Oxydance será diário, com duração de duas horas, sempre começando as 22h. A pergunta que fica no ar mais uma vez: é o tipo de programa que tem a ver com a Rádio Usp?  Uma emissora ligada a uma das univerisdades mais importantes da América Latina não precisa lançar mão de recursos como esse para atrair uma audiência maior. A atual programação musical guarda muita semelhanças (em alguns horários) com a de emissoras comerciais que se dirigem para o público adulto. Isso sem falar que, volta e meia, a grade abriga atrações como o Recordasom by Night, que foi comandando por Rui Monteiro até o final do ano de 2010 (leia mais aqui). Isso sem falar no tenebroso Rádio Facul (leia mais aqui), uma série de programetes dedicados aos universitários, que, por causa da linguagem, cairia muito melhor em rádios jovens. É bem verdade que programas como O Samba Pede Passagem e Rádio Matraca (leia mais aqui) prosseguem na grade de programação. Contudo, eles estão isolados e abandonados à própria sorte numa emissora que deseja soar como as comerciais. PS.: Nunca é demais lembrar de um outro artigo que escrevi sobre a Rádio USP que eu escrevi no outro blog e que causou alguma repercussão (além de ser um dos motivos que deu origem à dissidência que gerou o blog  Radioamantes) http://radiobaseurgente.blogspot.com/2010/03/deixem-radio-usp-na-mao-dos-alunos.html

Qual o problema da Oi FM?

Por Anderson Diniz Bernardo, do blog Midia Clipping

Nesta terça (07), foi publicado o resultado da mais recente pesquisa de audiência de rádio do Ibope, com dados sobre as FMs de São Paulo. Uma coisa chama a atenção, mais até do que as primeiras colocadas: a constante presença da Oi FM na última posição.

(Veja o resultado de pesquisas anteriores: Fevereiro a Abril/2011 e Janeiro a Março/2011)

A “estabilidade” da Oi no último lugar só foi quebrada na primeira pesquisa de 2011 por ser a primeira que contava com a Scalla FM, que tinha acabado de voltar ao dial. Mesmo assim, a Scalla FM pulou para a penúltima posição já na pesquisa seguinte, mesmo sem nenhuma divulgação no período.

É comum algumas das rádios mais interessantes não aparecerem entre as mais lembradas no Ibope simplesmente porque são segmentadas. Mas por que justo o último lugar para a Oi? E por que até a Scalla instrumental, que foi dispensada pelo grupo CBS/Mundial no passado, ultrapassa a Oi já na segunda pesquisa em que aparece?

A Oi FM tem vinhetas e chamadas bem produzidas, apresentadores conhecidos, programetes variados e bons programas locais, como o novo “Rádio Café” e “De Carona”. Transmitiu ao vivo o show do U2 em São Paulo e é a rádio oficial do São Paulo Fashion Week. Mas é menos lembrada que todas as outras!

Qual o problema, então?

Será a música? E, se for, o que exatamente?

Será que o conceito do “livre” aplicado à programação musical faz com que a Oi FM fique sem posicionamento claro?
Falta música brasileira?
Falta Rock?
Sobra Rock?
A programação é alternativa demais?
Ela exagera nas novidades, que são valorizadas por um público que tem buscado músicas novas mais na Internet que no rádio?

E, se o problema não estiver nas músicas?

Falta locução ao vivo?
Falta participação de ouvintes no ar?
Ainda falta sotaque paulistano na filial paulistana?
O sinal é fraco?

Será que é tudo isso? Ou será que não é nada disso?

Desde que comecei a escrever por aqui, já disse algumas vezes que não acredito na metodologia do Ibope para medir audiência no rádio. Mas, quando uma rádio é sempre a menos citada, alguma coisa deve estar errada!

No Rio de Janeiro, capital que tem a emissora desde 2006, o resultado é parecido: no levantamento mais recente, a Oi FM aparece na frente apenas da MEC FM e da Roquette Pinto.

Pode ser que a Oi esteja mais preocupada com a quantidade de “ADORO” e “ODEIO” que recebe por SMS do que com os números do Ibope. Mas não custa lembrar que, nos últimos dois anos, a rádio deixou o dial das cidades de Uberlândia, Santos, Vitória e Fortaleza – situação que não combina muito com bons resultados.

Diante disso, pergunto:

Você ouve a Oi FM? Se não ouve, por que não? Se ouve, o que será que ela tem – ou o que não tem – que faz com que ela seja tão pouco lembrada na pesquisa do Ibope?

Deixe sua opinião nos comentários.

Victor Faria disse…
Aqui no Rio, acredito que a Oi FM se dá muito bem na hora do almoço, quando passa o “Rock Bola” (programa que mistura esporte e humor). Eu ouço sempre!

8 de junho de 2011 23:04
:::Mike disse…
a oi é uma boa radio, porem o playlist deles é de coisas muito alternativas, o mais “mainstream” que toca é strokes, talvez se eles colocassem mais bandas mainstream tipo pearl jam, linkin park, green day, red hot chili peppers e outros do estilo, e colocassem uma locução e interatividade talvez até conseguissem um bom espaço

9 de junho de 2011 01:07
Anônimo disse…
Eu não sei quem está gerindo artisticamente esse projeto da Oi, mas não parece ser um profissional de rádio exatamente, talvez alguma agência de publicidade não é mesmo Anderson? Estou supondo, pois não sei exatamente, até pq, quando algum profissional famoso como o Braga (Mix), Waguinho (89) e etc assume algum projeto, vemos ampla divulgação que eu nunca tomei conhecimento no caso da Oi.

Se o que estou supondo é verdade, eu particularmente prefiro creditar a isso como a espinha dorsal de tudo. Tudo o que voce elencou como possiveis motivos, parecem ter origem na orientação artística da rádio.

9 de junho de 2011 09:40
Anônimo disse…
Se alguém tiver mais informações, poste aqui, pois essa é a minha opinião e espero que, se este for o caso, que coloquem lá um profissional de rádio que resolva a questão e deixe a rádio mais “simpática” digamos assim rs rs

Edmauro Novais

 

Bandeirantes e Band News Fm viram concorrentes no futebol

Por Rodney Brocanelli

A entrada da Band News FM (SP) nas transmissões de futebol deu origem a um cenário insólito dentro do próprio grupo. As duas emissoras viraram concorrentes, especialmente nas transmissões de domingo. Na semana passada, as duas emissoras transmitiram Palmeiras x Botafogo, pelo campeonato brasileiro. José Silvério narrou pela Bandeirantes, enquanto que Dirceu Maravilha fez sua estreia na Band News FM, registrada aqui. Neste domingo, tivemos a mesma situação. Ambas tiveram como jogo-comando Corinthians x Coritba. No mesmo horário, estavam jogando Cruzeiro x Palmeiras. Não seria melhor separar uma emissora fazendo um jogo, enquanto que a outra fazia o outro? Talvez percebendo essa situação, a Jovem Pan decidiu transmitir o jogo entre os antigos Palestras Itálias. Ganhou o torcedor palmeirense, que não estava em casa para ver a peleja pela televisão ou até mesmo o palmeirense que até ficou em frente ao aparelho, mas desejava abaixar o som para fugir da atuação de profissionais como Neto, Cleber Machado, entre outros.

Por que as emissoras de rádio tem a mesma cara?

por Antonio Edson

Se existe uma coisa que faço diariamente é ouvir rádio. Isso desde criança. Gosto de ouvir emissoras AMs e FMs da capital e do interior. Mas atualmente está difícil ser ouvinte.
Todas as emissoras são iguais de manhã tarde e noite. São cópias fieis e o que muda são apenas os nomes dos programas. Os roteiros são os mesmos: “Carta do ouvinte”, Hora do Amor”, “Show da manhã”, Hora da Meditação”, “Especial Sertanejo”, “As 3 mais pedidas”, ”Programa do Zezão”, “Roberto Carlos em Desfile”,” A receita do Dia”, “ Clube do Ouvinte”, etc. etc. etc.
Será que não está na hora de começar a exigir coisa melhor e até criar um PROCON para defender os interesses dos ouvintes?
Salvo raras exceções de rádios musicais e as emissoras jornalísticas, todas as outras  tem a mesma cara.
Parece que não existe qualquer compromisso com a cultura, com a formação intelectual da população. As músicas são sempre as mesmas, (porque só quem paga tem sua música no ar) e os ouvintes que participam por telefone também são sempre os mesmos.

DETALHE: Vovó Donalda disse que há bons profissionais no mercado, mas os empresários de radiodifusão não investem na qualidade e valorização de seus funcionários, principalmente no interior.

Os leitores comentam

Luis Daniel no post: Algumas vinhetas da Rádio Bandeirantes 

Oi, Rodney
Me tornei fã da Rádio Bandeirantes em 2001, quando passou a retransmitir em rede aqui em São José dos Campos de seus jornais. Mas pricipalmente em 2005, ao ter praticamente a programação local praticamente como espelho da de São Paulo.

Dois registros: nas transmissões locais de futebol, o pós-jogo ainda é o “Jogo Aberto”, com essa mesma vinheta disponibilizada peelo Edu. Ao Emilio, se quiser matar as saudade de Haisem Abaki, convido-les para acompanhar o “Jornal Gente” da RB de São José dos Campos, das 8:30 às 10h de segunda a sexta, onde ele é apsentador ao lado de Cláudio Nicolini. O site é http://www.radiobandeirantes1120.com.br/ Além de apresentar, ele é o chefe de jornalismo das rádios do grupo Bandvale.

Até mais…

Silvia Coli Nogueira em Alexandre Machado comanda novo jornalístico na Rádio Cultura FM

Queria registrar minha insatisfação pelo novo programa da Radio Cultura, “Começando o Dia”, conduzido pelo jornalista Alexandre Machado, que vai ao ar das 8:00h as 9:00h da manhã. Sou amante da musica clássica, e sempre ouço a radio cultura, pois é a única rádio onde podemos ouvir este tipo de música. No entanto, o programa acima citado, destoa dos demais programas da radio, pois trata-se na verdade, de um programa de noticias e entrevistas, que deixa de lado a veiculação da música clássica. Em um período de 30 minutos, por exemplo, que é o tempo de duração do meu percurso matinal ao trabalho, consigo ouvir apenas 2 peças curtas, pois o resto do tempo é tomado pelas entrevistas e noticias. Observo que também aprecio os programas informativos, e que o jornalista Alexandre Machado é um ótimo profissional desta área. Minha insatisfação, no entanto, reside no fato de que acredito que outros canais de radio e TV são espaços adequados para este formato de programa, mas não a Radio Cultura, que como dito acima, é a única radio que se destina à música erudita. Gostaria assim de pedir, uma reavaliação do “Começando o Dia”, com maior veiculação de música e menos de noticia, pois do contrário, serei obrigada a ouvir meus CDs durante meu trajeto para o trabalho.

Exclusivo: João Lara Mesquita fala das mudanças nas emissoras do Grupo Estado

Por Rodney Brocanelli

Autor de uma pequena revolução nas emissoras de rádio do  Grupo Estado no começo dos anos 80, João Lara Mesquita é hoje um homem mais ligado à televisão. “Ela tem sido generosa comigo”, diz satisfeito por conta da receptividade do veículo em relação aos seus documentários, cujos focos principais são a natureza e o meio ambiente. Ainda assim, ele teve participação decisiva nas recentes mudanças pelas quais passaram a Eldorado FM, hoje transmitindo em 107,3Mhz, e a Estadão/ESPN, que opera tanto no AM (700Khz) e FM (92,9Mhz). “No geral gostei do que vi”, afirma sobre o projeto que lhe foi apresentado.

Entretanto ele lembra que todo acordo como esse tem um custo, especialmente o da questão do alcance de sinal. A frequência do 107,3Mhz, que hoje abriga a Eldorado Brasil 3000 não tem boa propagação em muitos pontos da cidade. Vários leitores têm reclamado disso no sistema de comentários do blog. João Lara diz que todas as emissoras tem um “lapso técnico”. Contudo, o mais importante, segundo ele,  é que o canal estava disponível.

Com relação a parceria que deu origem a Rádio Estadão/ESPN, João Lara diz que é uma excelente oportunidade para a emissora ter um futuro promissor. A Disney, que hoje controla a ESPN, adquiriu 30% das ações da Rádio Eldorado.

Uma das grandes campanhas em  que a Eldorado de João Lara Mesquita entrou foi a que pregava a extinção da Voz do Brasil. Contudo, a guerra está perdida. O 107,3 Mhz hoje transmite o programa obrigatório, algo que deixou os tradicionais ouvintes insatisfeitos. Resignado, ele se diz triste em ter que engolir aquilo que chama de engodo.

Acompanhe a íntegra da entrevista concedida por e-mail ao blog Radioamantes

Qual a participação atual do senhor nas emissoras de rádio do Grupo Estado?

Desde que saí da direção executiva, em Abril de 2003, participo como acionista.

O senhor foi consultado de alguma forma a respeito das atuais mudanças tanto no AM, como no FM?

O projeto nos foi apresentado, a mim, e aos meus irmãos, pelos gestores, Silvio Genesini, e o presidente do Conselho, Aurélio Almeida Prado Cidade. No geral gostei do que vi. E demos nosso voto favorável.

Qual a sua opinião acerca da mudança da Eldorado FM para a frequência dos 107,3Mhz, que possui 30 mil watts de potência, contra os 60 mil watts dos 92,9Mhz?

Tudo tem um custo. A emissora, do ponto de vista da transmissão, pode ter algum lapso técnico. É comum no meio. Umas mais, outras menos. Mas quase todas têm. O importante, num mercado rarefeito, é que a 107,3 Mhz estava disponível e disposta.

O que o sr. pensa a respeito das atuais transmissões de futebol nas rádios do Grupo Estado?

O acordo de venda de 30% das ações da Rádio Eldorado para um dos maiores grupos de comunicação do planeta, a Disney, é uma excelente oportunidade  para a emissora ter um futuro promissor. Através do braço da companhia, a ESPN, que chega com seus equipamentos, grande equipe, e notória competência no trato da matéria, a nova rádio entra no mundo do futebol com o pé direito. O esporte nacional é apoiado por verbas publicitárias vultuosas, e crescentes, com as quais, até então, a Eldorado não contava. Fechar este acordo no mesmo ano em que o país ganha o direito de sediar a próxima Copa do Mundo é uma senhora virada. Necessária, oportuna e bem-vinda, para que a Eldorado perenize o cumprimento de seu papel social: entrando no futebol através desta porta peculiar, e aliando o esporte à massa de informações, equipe, e credibilidade do jornal O Estado de S. Paulo, a rádio Estadão/ESPN, AM e FM, nasce ousando. Ela agora tem as condições para atingir o pleno vigor financeiro, condição essencial para remunerar o capital investido, continuar gerando empregos, e participar ativamente, sempre em alto nível, da vida da comunidade.

O senhor ouve as rádios do Grupo Estado? E outras rádios?

Sim, ouço as rádios do Grupo Estado. E frequêntemente ainda mantenho o hábito de xeretar a programação das  outras.

A atual Eldorado FM, nos 107,3 Mhz, está transmitindo A Voz do Brasil. Não deixa de ser uma derrota numa campanha contra a obrigatoriedade do programa que foi proposta pelo senhor?

Infelizmente, sim. É incrível, e muito triste, ser obrigado a engolir este engôdo. Filho da ditadura de Getúlio Vargas, é anacrônico e chato. Ruim pra dedéu! Entramos no terceiro milênio e acompanhamos, ávidamente, os saltos tecnológicos diários, especialmente agudos nas comunicações. Mas, no caso do enfadonho programa, andamos pra trás. E põe atrás nisto!

E por falar na Voz do Brasil, como o senhor tem acompanhado as atuais movimentações no Congresso em torno da flexibilização de horário, em vez da simples extinção?

Como disse, acompanho um engôdo. Os maus politicos, aqueles que não têm o que oferecer para a sociedade, se apegam à ela. Fingem que acreditam na Voz. E nos igualam a Cuba, China, Coréia do Norte e que tais. Me sinto particularmente triste, e decepcionado, pela surpreendente decisão judicial que nos obrigou a voltar a transmitir um programa inútil, que bem pode ser considerado uma “jóia da cafonice” do rádio brasileiro. Não há nada tão brega, e atrasado, como a obrigação da Voz.

O senhor tem algum projeto atual relacionado ao rádio?

Por falta de espaço no dial, não. Decidi guinar para outras mídias. A TV tem sido generosa comigo. A concorrência é enorme. Tem muita gente boa. Mesmo assim, depois de 20 anos fazendo rádio, já consegui produzir e apresentar duas séries de documentários. Uma bem longa, com dois anos de duração, e 90 episódios, mostrando as virtudes e mazelas da costa brasileira. O público, parece, gostou. A série Mar Sem Fim, no ar entre Abril de 2005, e Abril de 2007, foi um dos programas de maior audiência da TV Cultura, atingindo três pontos de média, com picos de até 4.6. Foi uma honra trabalhar, e ter esta audiência, na TV Pública brasileira. Um raro privilégio que procurei aproveitar. Esta mesma série virou um belíssimo livro. Do ponto de vista da edição, um  magnífico trabalho gráfico. Bem completo, em dois volumes com quase 500 fotos, editado pela Terceiro Nome, Loqui e Albatroz.  “O Brasil Visto do Mar Sem Fim” foi indicado ao prêmio Jabuti, na categoria reportagem, em 2009. Perdi para o 1808, do Laurentino Gomes. Posteriormente, o selo Lua Music lançou uma coleção com cinco DVDs, e quase sete horas de programas, a coleção Mar Sem Fim- Navegando do Oiapoque ao Chuí. Recentemente, em Abril do ano passado, produzi e apresentei mais cinco documentários, Mar Sem Fim- Viagem à Antártica (aproveito para informar que em breve serão lançados os DVDs via o selo ST2 Music), para uma das redes nacionais, a TV Bandeirantes. Não, não é fácil. Nem a toda hora que um free lancer, como eu, consegue abertura. Mas fazer documentários para a TV é apaixonante. Vale persistir.

Eldorado Brasil 3000. Agora vai?

Por Marcos Lauro

Já existiu uma emissora chamada Brasil 2000. Mas parece que esse nome carregava uma maldição. Foi só entrar 2001 que a coisa desandou de vez.

Com a saída da dupla de diretores Roberto Maia e Tatola, a rádio perdeu tudo o que tinha conquistado nos 12 anos anteriores – quando os dois assumiram a emissora e deram a ela uma programação rock ‘n’ roll (e outros ritmos afins) de alto nível. Tinha programas de variedades, música brasileira, soul e blues, ska, metal… cabia de tudo ali, e com um nível bastante alto em comparação com as emissoras mais pop da época.

Então veio a maldição, em 2001. Diretores entraram e saíram. Lélio Teixeira (hoje no Na Geral, Rádio Bandeirantes), Juan Pastor (produtor do Pânico no rádio e na TV)… nenhum conseguiu pôr a rádio nos eixos de novo. A emissora, uma concessão educativa da Universidade Anhembi Morumbi, virou um grande Frankenstein: sem identidade e sem a menor preocupação com a qualidade do que era transmitido. Um grande samba do crioulo doido. Com todo respeito ao crioulo.

A Universidade nem dava espaço para seu alunos e muito menos colocava alguém com mão de ferro ali para tomar conta do negócio. Eu mesmo, como aluno da Anhembi na época, cansei de dar sugestões, idéias… e nada acontecia. Ficava aquela freqüência ali, 107, 3, como um grande nada. Um ou outro programa, isoladamente, era interessante. Mas não conseguia fazer sentido dentro do conjunto, da programação, que é como funcona uma emissora de rádio. O grande sonho da Anhembi deveria ser arrendar a rádio. Mas por ser uma concessão educativa, isso não era possível. Então, deixavam ali, de lado, sem prestígio e sem respeito em relação ao glorioso passado.

Agora a história está para mudar. A partir de domingo, 27, a emissora se transforma em Eldorado Brasil 3000 FM, uma cooperação entre a Eldorado (que dá lugar à Estadão ESPN, all news/esportes, em 92,9 Mhz) e a Brasil 2000. A atual programação dos 107,3 vai se transformar em web-rádio, enquanto a freqüência dará lugar à Eldorado, com alguns toques mais rock ‘n’ roll.

Foi uma boa saída. Com o sucesso das transmissões esportivas da ESPN no rádio e a sua ida para o FM, ficaríamos sem a Eldorado, uma rádio “adulto-contemporânea” (ah, rótulos) sempre ligada às novidades sem se esquecer dos clássicos. Então, estava lá a 107,3, este imenso Franskenstein, e pronto.

Com o advento da Eldorado Brasil 3000 FM, esperamos que a maldição se dê por contente por fazer uma rádio simplesmente não existir por cerca de dez anos. De agora até o ano 3001, pelo menos, acho que estamos seguros.