Bayern x Cruzeiro – 1976

Por Rodney Brocanelli

Navegando pela web, descobri esse vídeo sobre a final da Copa Intercontinental de 1976, que reuniu o Bayern (campeão europeu) e o Cruzeiro (camepão sul-americano). No entanto, o destaque ficou para os radialistas brasileiros que estiveram no estádio Olímpico de Munique para a cobertura da partida. Se os amigos puderem ajudar a identificar os profissionais que aparecem nas imagens, ficaria grato. Tive a impressão de ver José Silvério e Claudio Carsughi (com binóculo) bem no final. Será que são eles mesmos? Veja no player abaixo.

UPDATE (26/12- 16H35): Edu Cesar, do site Papo de Bola, crava: a dupla do final do vídeo é, sim, formada por Silvério e Carsughi

UPDATE (27/12 – 21H00): O Matheus Oliveira deixou a seguinte mensagem no sistema de comentários do blog:

“O primeiro narrador que aparece no vídeo é Vilibaldo Alves. Salve engano, nesta época ainda na Rádio Itatiaia”.

O narrador esportivo Edemar Annuseck deixou outra mensagem que tira todas as dúvidas:

Esclarecendo:
a) – O repórter que anuncia a escalação do Bayern é Paulo Roberto – o pé grande – na época na Rádio Itatiaia.
b) – O narrador é Vilibaldo Alves tendo a sua direita o comentarista Oswaldo Faria, ambos da Rádio Itatiaia.
c) – Cláudio Carsughi usa há muito tempo esse binóculo e o locutor ao lado dele é o José Silvério.
Em tempo: No jogo de volta no Mineirão os alemães chegaram a Belo Horizonte na manhã do jogo. Foram para campo empatando em zero a zero e ganhando o título Intercontinental.

Aos dois, o meu muito obrigado.

O livro (anda inédito) sobre a 89 FM

Por Rodney Brocanelli

O camarada Ricardo Alexandre, atual diretor de redação da revista Época São Paulo, já publicou o seu segundo livro (Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal)  e até ganhou o prêmio Jabuti de melhor biografia com ele. Contudo, aquele que ele escreveu sobre a rádio 89 FM permanece inédito até hoje. A não ser que a alta direção da emissora mude de ideia,  dificilmente  a obra será publicada. No ano de 2007  (entre os meses de março e abril), consegui uma cópia em versão word com o autor. A partir deste material, fiz uma resenha que publiquei no site Laboratório Pop e no outro blog. Acho que o texto (que segue abaixo) ainda é inédito para muita gente. Vale como “especial de fim de ano” do Radioamantes.

Em 2005, a alta direção da 89FM encomendou ao jornalista Ricardo Alexandre um livro que contasse sua trajetória desde que passou a investir no rock n’roll. Ele faria parte das comemorações de seu vigésimo aniversário. Por uma série de fatores, seu lançamento não aconteceu no período previsto. E a emissora nem esperou o vigésimo primeiro aniversário para torná-lo público. 2006 marcou o início de uma profunda reformulação, fazendo com que a 89 FM deixasse definitivamente de ser “a rádio rock” para disputar de forma mais agressiva a audiência do público jovem em geral, adicionando ao seu play-list pitadas de R&B, dance music e rap. Não há previsão para uma publicação imediata do livro.

Ricardo Alexandre é autor de “Dias de Luta” (2002), um livro-reportagem bastante elogiado que detalha a história da geração de bandas do rock nacional que surgiu (e explodiu) na década de 1980. A 89 FM ocupa aproximadamente três páginas dele. Ricardo resume em quais circunstâncias ela apareceu no cenário radiofônico e fala de bandas que lançou, como o Violeta de Outono, com direito a depoimento de Fabio Golfetti.

O tom crítico de “Dias de Luta”, obviamente, não aparece neste livro sobre a 89 FM. Em compensação, Ricardo procura acentuar mais a angústia vivida por sucessões de coordenadores e diretores artísticos para encontrar um meio termo entre o sucesso artístico e o sucesso comercial. Decisão acertada, pois dessa forma o texto não fica tão chapa-branca. Outro ponto a favor caso a obra seja publicada algum dia: o texto é acessível tanto aos profissionais do mercado radiofônico, como aos ouvintes fiéis que não abandonaram a emissora nesses quase 20 anos de “rádio rock”.

Um dado curioso é que a espinha dorsal da narrativa se concentra nas figuras dos coordenadores ou diretores artísticos que lá passaram em todo esse tempo. À primeira vista, pode parecer estranho, mas ao longo do texto, talvez sem querer, Ricardo mostra que existiu espaço para um certo “rádio de autor”, ainda que dentro da citada angústia de tornar a rádio atraente do ponto de vista comercial. Cada um dos profissionais pôde fazer a rádio que tinham em mente, de acordo com seus respectivos perfis, e ajudados pela conjuntura musical do período. Fabio Massari, por exemplo, levou a 89 FM para uma linha mais alternativa, aproveitando o aparecimento do grunge. Por sua vez, Luiz Augusto Alper teve de fazer uma rádio mais comercial, até por causa do esgotamento do mesmo grunge.

Ainda sobre os manda-chuvas da rádio, Luiz Fernando Magliocca ganha um olhar mais simpático talvez por ter criado o conceito de “anti-rádio” que marcou o início de suas transmissões. Porém, ao falar desse personagem, o texto derrapa. A forma como Magliocca conduziu essa transição está bem contada. No entanto, não se avança em nada naquilo que está registrado no próprio “Dias de Luta” e em entrevistas que ele próprio concedeu a sites especializados em rádio.

O livro sobre a 89 FM tem espaço para pequenas histórias, algumas divertidas, outras nem tanto, que ajudam a ilustrar o dia-a-dia da rádio. Uma delas no entanto, caberia muito bem em “Dias de Luta”. Em 1994, uma entrevista de Paulo Ricardo ao apresentador Tatola quase termina em briga corporal. Nessa época, ele estava em mais uma de suas tentativas de tirar do limbo o RPM. A banda iria abrir na ocaisão para o INXS e trabalhava na divulgação da música “Pérola”. Segundo o relato de Fábio Massari, o cantor chegou aos estúdios dando a impressão de que iria aprontar algo. Durante a entrevista, Paulo Ricardo se desentendeu com Tatola no momento em que falavam sobre a possível receptividade desse retorno do RPM em outros centros. O apresentador iria usar o Ceará como exemplo e foi interrompido, acusado de preconceito. O nível de tensão subiu até que Paulo Ricardo teve de deixar o estúdio, amparado por Massari. Esse desentendimento ganha uma outra leitura se lembrarmos que Tatola veio de uma da banda punk chamada Não Religião, na qual era vocalista. Seria mais um round da eterna disputa entre o underground e o mainstream (ou pelo menos de quem já fez parte do mainstream).

Outra boa história contada com detalhes é a famosa e bem-sucedida pegadinha ocorrida no primeiro de abril de 2003. A mídia do Brasil não tem muita tradição de pregar peças em seu público, fato comum na Europa. Nesse dia específico, o rock na 89 FM deu lugar a músicas de artistas como Earth, Wind & Fire, KC & The Sunshine Band, Frenéticas, Abba, entre outros. A reação dos ouvintes foi imediata: telefones congestionados, servidores de e-mails abarrotados de mensagens. Somente às 6 da tarde é que ocorreu a revelação: tudo não passou de uma brincadeira típica da data. Alexandre Hovoruski, o coordenador artístico da época conta que quase desistiu de tudo antes de colocar a idéia em prática. A artmanha até que teve um efeito positivo, e a rádio foi citada em outros veículos de comunicação.

Os 20 anos da 89 FM marcam o final do texto. Ricardo fala de uma reflexão interna sobre o papel da emissora (e sua possível importância) no futuro. Mas o apêndice, todos sabem. Parte da equipe foi demitida em 2006 a partir da contratação de um novo diretor artísitco, Vaguinho, que comandou a Metropolitana FM por muitos anos. O rock teve seu espaço diminuído e a programação musical passou a ser mais abrangente, tocando a atual black music e o R&B.

No livro, Neneto Camargo, um dos proprietários da rádio, falando sobre a época da Pool FM (a antecessora da 89 FM na freqüência), diz que o mercado ainda não estava preparado para absorver a música negra em todas suas manifestações. Se repararmos na 89 FM hoje, dá para dizer que ela é aquilo que a Pool FM tentou ser nos anos 80, guardadas as devidas proporções. A Pool FM, talvez sem querer, foi vingada.

A peça rara do homem das Peças Raras

Por Rodney Brocanelli

Sempre é bom ter o reconhecimento das pessoas que fazem o rádio. Por isso que agradeço (também em nome do Marcos Lauro – que foi cooptado pela grande mídia, mas seu espaço está garantido aqui, sempre)  ao Marcelo Abud, do blog Peças Raras, pela menção em seu espaço do trabalho que fazemos aqui no Radioamantes. O Abud também faz um excelente trabalho de resgate da memória do rádio. Vale a pena ser acompanhado. Agora, para o amigo leitor ter uma idéia de como esse mundo é pequeno demais, eu tenho aqui uma peça rara do homem das peças raras.

Em 1995, o músico e apresentador Kid Vinil concedeu uma entrevista à Rádio Onze, rádio livre ligada ao Centro Acadêmico XI de agôsto da Faculdade de Direito-USP. Kid falou sobre vários assuntos. Ouça alguns trechos aqui. Um dos entrevistadores era justamente Marcelo Abud, que fez uma das melhores perguntas daquela ocasião. Abud fez uma brincadeira sobre o título e a capa do CD Xupaki que Kid estava divulgando na época. (veja a capa aqui). A qualidade do áudio não está aquelas coisas, mas acompanhe no player abaixo a questão feita por Abud.

KidVinil3 by ferasdoradio

Loteria Esportiva Tupi

Por Rodney Brocanelli

Nos anos 70, a loteria esportiva tinha uma importância fundamental na vida do brasileiro. Muita gente viu nela uma ótima maneira de conseguir um dinheirinho extra e, quem sabe, se transformar em milionário. Depois que a revista Placar passou a denunciar esquemas de venda de resultados a Loteca, como era conhecida, passou a perder prestígio. Nesse meio tempo, as recém-criadas loterias de números passaram a conquistar a preferência dos apostadores. Na época de seu auge, o rádio esportivo dava muito destaque a loteria esportiva. Um exemplo: algumas emissoras de São Paulo chegavam a mandar uma equipe para transmitir partidas de outras competições estaduais só porque elas faziam parte da loteria esportiva. A antiga Rádio Tupi (1040Khz AM), de São Paulo, que pertencia aos Diários Associados era uma delas. Numa dessas transmissões, ela revelou um narrador que ira fazer história no rádio esportivo de São Paulo: José Silvério. No áudio abaixo, Milton Neves conta como Silvério foi descoberto pela Jovem Pan. Ele e outros integrantes da equipe de retaguarda da emissora estavam acompanhando a transmissão do narrador para uma partida do campeonato carioca pela Tupi, de São Paulo, que estava na Loteria Esportiva.

A seguir, o amigo internauta poderá ouvir a versão original da vinheta que era veiculada pela Rádio Tupi, de São Paulo, e que faz parte do imaginário do ouvinte de rádio Milton Neves.

Loteriaesportivatupi by rodneybrocanelli

Milésimo gol de Pelé completa 41 anos

Por Rodney Brocanelli

Lembra o amigo Guto Monte Ablas, da equipe Expressão da Bola: hoje se comemora mais um aniversário do milésimo gol de Pelé, o 41º. Ouça abixo um especial produzido por André York sobre este grande marco da carreira do Atléta do Século. Depoimentos e registros de Joseval Peixoto, Flávio Araújo, entre outros

Memória: Igreja Universal “invade” o programa de Kid Vinil

Por Rodney Brocanelli

Em 1997, Kid Vinil fez parte da equipe da então recém-criada Mix FM. Além de comandar o horário diário das 21h as 24h, ele tinha um programa chamado Mixer, que ia até a 01h. Num belo dia, algo estranho aconteceu bem no momento em que Kid estava encerrando o programa. O áudio de uma pregação religiosa da Igreja Unversal passou a vazar no sinal na emissora. Acompanhe sua reação no player abaixo.

KidVinil

Pelé 70 anos

Por Rodney Brocanelli

Estava conversando com o amigo Guto Monte Ablas e comentávamos sobre o quanto é complicado fazer uma homenagem a Pelé. Parece que todas já foram feitas. Contudo, não custa nada tentar. No áudiopost abaixo, fiz um apanhado de grandes momentos do Rei do Futebol transmitidos pelo rádio, o veículo que mais acompanhou suas façanhas pelos gramados do mundo afora. Dá uma inveja (saudável, é claro) de nomes como Fiori Gigliotti, Pedro Luiz, Flávio Araújo e todos grandes narradores que tiveram a chance de ver Pelé atuar e relatar detalhes de sua carreira aos ouvintes de todo o país.

Hélio Ribeiro para sempre

No player abaixo, uma tradução para Bridge Over Trouble Water, de Simon and Garfunkel

Um passeio com os repórteres-aéreos do rádio em 1991

Por Rodney Brocanelli

Acompanhe no player abaixo uma reportagem do Vitrine, da TV Cultura, em 1991, sobre o trabalho dos repórteres-aéreos do rádio paulistano. Os personagens da ocaisão foram Geraldo Nunes, da Eldorado, e Aluani Neto, então na Jovem Pan. Vale também uma menção para o cabelo da Renata Ceribelli sem chapinha.

Uma história do rádio, por Mauro Beting

Por Rodney Brocanelli

Durante a transmissão de Palmeiras x São Paulo, o comentarista Mauro Beting aproveitou a ruindade a partida para, durante o intervalo, contar uma história sobre o rádio esportivo envolvendo Pedro Luiz e Mario Moraes

Equipe Expressão da Bola reestreia e transmite vitória do Grêmio

Por Rodney Brocanelli

No último sábado,a equipe Expressão da Bola retornou às jornadas esportivas com a transmissão de Corinthians x Grêmio, com vitória da equipe gaúcha, por 1 a 0. Ouça no player abaixo, a narração do único gol da parida com narração de Danilo Almeida.

Cor0x1GreExpressaodaBola by rbrocanelli

Vinheta de abertura do programa Noise – 89 FM

Por Marcos Lauro

Quem ouvia a 89 FM – A Rádio Rock na década de 90, com certeza se lembra do programa Noise. Mesmo quem não era tão ligado nos sons extremos do heavy metal se sentia atraído pela apresentação de José Mojica Marins, na pele de seu personagem mais famoso: o Zé do Caixão.

No player abaixo, a vinheta de abertura:

Lembro que o programa foi apresentado também por Pepe Gonzales, personagem de Juan Pastor (hoje produtor do Pânico na TV e da Jovem Pan FM). Ia pro ar nas noites de domingo.

E você, se lembra de qual programa da extinta, finada e enterrada 89 FM – A Rádio Rock?

Terceiro Tempo em 1984

Por Rodney Brocanelli

Na entrevista que eu concedi ao programa Arremate Final, do André York,na Rádio Banda B, de Curitiba,  eu falei sobre o Terceiro Tempo dos anos 80. No player abaixo, segue um trecho do programa veiculado após a grande final do Paulistão de 1984 que reuniu Santos e Corinthians. O Alvinegro da Vila Belmiro foi o grande vencedor daquela competição. São sete minutos de radiojornalismo puro.

Em Entrevista ao Arremate Final, uma homenagem ao rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Neste último sábado eu tive a satisfação de  participar do programa Arrmate Final, da Rádio Banda B, de Curitiba. Para quem ainda não sabe, o André York, apresentador do programa, sempre entrevista narradores e repórteres esportivos para que estem falem sobre suas carreiras e a profissão. Embora eu ainda não atue nesse meio, o papo se justificou pelo fato de sempre estar falando aqui e em outros espaços sobre o rádio esportivo. Durante a conversa, falei do passado e do presente das transmissões de futebol pelo rádio. Pude homenagear profissionais que estão na ativa, como José Silvério, Daniel Oliveira, e outros que deixaram saudades, como Geraldo Blota e José Italiano. Tudo isso recheado com muitos áudios. Convido o amigo leitor do Radioamantes a ouvir no player abaixo. Conto com a cumplicidade dos amigos para relevarem deslizes de linguagem meus durante a conversa.

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A revolta dos sem-rádio

Por Rodney Brocanelli

Aproveitando que está se falando novamente da Voz do Brasil, publico aqui o texto de Paulo Lima, jornalista e publisher da revista Trip, publicado no Jornal da Tarde em 17/07/1996. Pouco mais de 14 anos após sua publicação original, o texto está um pouco datado. Alguns dados e informações já não valem mais. Contudo, alguns dos conceitos de Lima sobre o programa obrigatório continuam atuais.

Contra a minha vontade, fui jantar numa dessas churrascarias supostamente classe A. Na recepção havia algumas mesinhas baixas para quem aguarda ir acalmando o próprio estomago e afiando os caninos. Próximo a essas mesinhas havia dois balcões de promoção. Um oferecia doses de degustação de um certo vinho espanhol, ao qual os comensais teriam direito se consumissem acima de um certo valor. Sobre o outro balcão, repousava um abaixo-assinado com o cabeçalho pomposo e exigindo o fim da Hora do Brasil. Algumas assinaturas logo abaixo e uma caneta deitada solitária sobre a toalha, amarrada pela cabeça à lombada do livro. No dia seguinte, fui bombardeado por anúncios em várias emissoras, matérias em jornais e revistas, um verdadeiro movimento democrático exigindo a degola incondicional do programa oficial que ocupa o horário nobre de todas as emissoras de AM e FM do país.

O programa é, antes de mais nada, muito ruim. Qualquer estagiário de comunicação não teria grandes dificuldades para dar um upgrade no alto-falante do Congresso. Os redatores são ruins e, o principal, os deputados e os senadores são péssimos. Não há dúvida que a única e melhor solução é extirpar este furúnculo sonoro que ainda insiste em purgar nos ouvidos de um corpo já refeito de boa parte das feridas da doença da ditadura. Só o que podemos, porém, é terminar a análise por aí, fabricando o abaixo assinado e devorando a picanha com a sensação de dever cívico cumprido. Não questiono as intenções democráticas daqueles que iniciaram o movimento pelo fim da Hora do Brasil – antes de mais nada, um espólio do autoritarismo, ainda por cima anticonstitucional.

Desconfio, porém, da adesão rápida de incondicional de todas as emissoras do dial. Será que o espírito democrático seria o catalisador que faltava para unir uma classe tão desunida como a dos donos de rádios num passe de mágica? Um comercial de 30 segundos numa radio FM bem posicionada no dial paulistano vale cerca de R$ 300,00. São R$ 10,00 por segundo, valor que supera o cobrado por várias emissoras de TV por assinatura. O faturamento de que são privados os donos de rádios pela obrigatoriedade de transmissão da Hora do Brasil foi, sem qualquer duvida, o dado responsável por transformar a maioria deles em verdadeiros cara-pintadas, empunhado a bandeira da liberdade de expressão. Basta ouvir a maioria das vinte e tantas emissoras de FM e das dezenas de AMs para perceber que qualidade de programação não é exatamente o objetivo principal destes concessionários.

Já que o espírito democrático está tão aceso e já que a união nunca esteve tão forte em favor da liberdade de expressão, por que não acoplar à campanha pelo fim da Hora do Brasil outra pela democratização do sistema de rádio e teledifusão no país?

Se o ingênuo leitor ainda não sabe, canais de rádio e TV são concessões dadas pelo poder público a meia dúzia de ungidos, geralmente afilhados de peixes graúdos de Brasília, quase todos políticos de segundo escalão cuja intimidade com jornalismo e entretenimento é tão grande quanto a pata de uma tanajura. Recentemente a Justiça Federal em São Paulo sentenciou que não é crime instalar uma rádio de bairro com fins lucrativos.

Há um projeto tramitando no Congresso que cria a Lei da Informação Democrática, que acaba com o monopólio das grandes famílias, libera as ondas de ar para as emissoras de rádio e TV de baixa potência e manda todas as emissoras se dedicarem à educação, à cultura, às artes e ao jornalismo em primeiro lugar. Alguns dados fornecidos pelo professor Jose Carlos Rocha, da Escola de Comunicação de São Paulo: nos Estados Unidos há 11 mil canais de TV e 17 mil emissoras de radio. No Brasil, são 266 canais de TV e 1900 de radio. Nos EUA, há rádios para todos os segmentos sociais, inclusive minorias como lésbicas, sapateiros, estudantes… Há rádios no quarteirão e TVs de bairro.

No Brasil, a lei 4.117 diz que a concessão de radio e TV cabe ao Presidente da Republica. A Constituição de 1988 acrescenta que a concessão tem de ter o aval do Congresso. O que aconteceria se no Brasil fossem dadas concessões de emissoras a sindicatos, universidades, clubes, associações esportivas? As “College Radios” nos EUA (rádios operadas por estudantes) fizeram mais pela musica jovem que qualquer emissora “tradicional”. Há uma campanha no ar, em emissoras da FM em São Paulo, incitando os ouvintes a denunciar rádios piratas. Segundo a campanha, o Ministério da Aeronáutica e o órgão que coordena a aviação civil estariam reclamando da interferência dessas rádios nos sistemas de comunicação das aeronaves.

Em pela era de hiperdemocratizacao, que se dá pela Internet, a solução deste problema parece mais do que clara. Abrir, liberar, democratizar. Não há quem não reconheça a melhora do panorama geral com a abertura da importação de carros ou a criação das dezenas de novos canais de TV por assinatura.

Convido as emissoras serias de AM e FM a provarem suas verdadeiras convicções democráticas pela liberdade de expressão, lançando imediatamente uma campanha nacional pelo fim da política de concessões de emissoras de rádios pelo executivo e pelo legislativo.

Democratização da comunicação já! Rádios para os nordestinos de São Paulo, para os surfistas de Camburi, para os ecologistas da Jureia, para os playboys da Mooca, rádios para os sem-terra. Rádios para os Sem-Radios.