Em Entrevista ao Arremate Final, uma homenagem ao rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Neste último sábado eu tive a satisfação de  participar do programa Arrmate Final, da Rádio Banda B, de Curitiba. Para quem ainda não sabe, o André York, apresentador do programa, sempre entrevista narradores e repórteres esportivos para que estem falem sobre suas carreiras e a profissão. Embora eu ainda não atue nesse meio, o papo se justificou pelo fato de sempre estar falando aqui e em outros espaços sobre o rádio esportivo. Durante a conversa, falei do passado e do presente das transmissões de futebol pelo rádio. Pude homenagear profissionais que estão na ativa, como José Silvério, Daniel Oliveira, e outros que deixaram saudades, como Geraldo Blota e José Italiano. Tudo isso recheado com muitos áudios. Convido o amigo leitor do Radioamantes a ouvir no player abaixo. Conto com a cumplicidade dos amigos para relevarem deslizes de linguagem meus durante a conversa.

EunoArremateFinal04092010 by rbrocanelli

A revolta dos sem-rádio

Por Rodney Brocanelli

Aproveitando que está se falando novamente da Voz do Brasil, publico aqui o texto de Paulo Lima, jornalista e publisher da revista Trip, publicado no Jornal da Tarde em 17/07/1996. Pouco mais de 14 anos após sua publicação original, o texto está um pouco datado. Alguns dados e informações já não valem mais. Contudo, alguns dos conceitos de Lima sobre o programa obrigatório continuam atuais.

Contra a minha vontade, fui jantar numa dessas churrascarias supostamente classe A. Na recepção havia algumas mesinhas baixas para quem aguarda ir acalmando o próprio estomago e afiando os caninos. Próximo a essas mesinhas havia dois balcões de promoção. Um oferecia doses de degustação de um certo vinho espanhol, ao qual os comensais teriam direito se consumissem acima de um certo valor. Sobre o outro balcão, repousava um abaixo-assinado com o cabeçalho pomposo e exigindo o fim da Hora do Brasil. Algumas assinaturas logo abaixo e uma caneta deitada solitária sobre a toalha, amarrada pela cabeça à lombada do livro. No dia seguinte, fui bombardeado por anúncios em várias emissoras, matérias em jornais e revistas, um verdadeiro movimento democrático exigindo a degola incondicional do programa oficial que ocupa o horário nobre de todas as emissoras de AM e FM do país.

O programa é, antes de mais nada, muito ruim. Qualquer estagiário de comunicação não teria grandes dificuldades para dar um upgrade no alto-falante do Congresso. Os redatores são ruins e, o principal, os deputados e os senadores são péssimos. Não há dúvida que a única e melhor solução é extirpar este furúnculo sonoro que ainda insiste em purgar nos ouvidos de um corpo já refeito de boa parte das feridas da doença da ditadura. Só o que podemos, porém, é terminar a análise por aí, fabricando o abaixo assinado e devorando a picanha com a sensação de dever cívico cumprido. Não questiono as intenções democráticas daqueles que iniciaram o movimento pelo fim da Hora do Brasil – antes de mais nada, um espólio do autoritarismo, ainda por cima anticonstitucional.

Desconfio, porém, da adesão rápida de incondicional de todas as emissoras do dial. Será que o espírito democrático seria o catalisador que faltava para unir uma classe tão desunida como a dos donos de rádios num passe de mágica? Um comercial de 30 segundos numa radio FM bem posicionada no dial paulistano vale cerca de R$ 300,00. São R$ 10,00 por segundo, valor que supera o cobrado por várias emissoras de TV por assinatura. O faturamento de que são privados os donos de rádios pela obrigatoriedade de transmissão da Hora do Brasil foi, sem qualquer duvida, o dado responsável por transformar a maioria deles em verdadeiros cara-pintadas, empunhado a bandeira da liberdade de expressão. Basta ouvir a maioria das vinte e tantas emissoras de FM e das dezenas de AMs para perceber que qualidade de programação não é exatamente o objetivo principal destes concessionários.

Já que o espírito democrático está tão aceso e já que a união nunca esteve tão forte em favor da liberdade de expressão, por que não acoplar à campanha pelo fim da Hora do Brasil outra pela democratização do sistema de rádio e teledifusão no país?

Se o ingênuo leitor ainda não sabe, canais de rádio e TV são concessões dadas pelo poder público a meia dúzia de ungidos, geralmente afilhados de peixes graúdos de Brasília, quase todos políticos de segundo escalão cuja intimidade com jornalismo e entretenimento é tão grande quanto a pata de uma tanajura. Recentemente a Justiça Federal em São Paulo sentenciou que não é crime instalar uma rádio de bairro com fins lucrativos.

Há um projeto tramitando no Congresso que cria a Lei da Informação Democrática, que acaba com o monopólio das grandes famílias, libera as ondas de ar para as emissoras de rádio e TV de baixa potência e manda todas as emissoras se dedicarem à educação, à cultura, às artes e ao jornalismo em primeiro lugar. Alguns dados fornecidos pelo professor Jose Carlos Rocha, da Escola de Comunicação de São Paulo: nos Estados Unidos há 11 mil canais de TV e 17 mil emissoras de radio. No Brasil, são 266 canais de TV e 1900 de radio. Nos EUA, há rádios para todos os segmentos sociais, inclusive minorias como lésbicas, sapateiros, estudantes… Há rádios no quarteirão e TVs de bairro.

No Brasil, a lei 4.117 diz que a concessão de radio e TV cabe ao Presidente da Republica. A Constituição de 1988 acrescenta que a concessão tem de ter o aval do Congresso. O que aconteceria se no Brasil fossem dadas concessões de emissoras a sindicatos, universidades, clubes, associações esportivas? As “College Radios” nos EUA (rádios operadas por estudantes) fizeram mais pela musica jovem que qualquer emissora “tradicional”. Há uma campanha no ar, em emissoras da FM em São Paulo, incitando os ouvintes a denunciar rádios piratas. Segundo a campanha, o Ministério da Aeronáutica e o órgão que coordena a aviação civil estariam reclamando da interferência dessas rádios nos sistemas de comunicação das aeronaves.

Em pela era de hiperdemocratizacao, que se dá pela Internet, a solução deste problema parece mais do que clara. Abrir, liberar, democratizar. Não há quem não reconheça a melhora do panorama geral com a abertura da importação de carros ou a criação das dezenas de novos canais de TV por assinatura.

Convido as emissoras serias de AM e FM a provarem suas verdadeiras convicções democráticas pela liberdade de expressão, lançando imediatamente uma campanha nacional pelo fim da política de concessões de emissoras de rádios pelo executivo e pelo legislativo.

Democratização da comunicação já! Rádios para os nordestinos de São Paulo, para os surfistas de Camburi, para os ecologistas da Jureia, para os playboys da Mooca, rádios para os sem-terra. Rádios para os Sem-Radios.

Kaká Siqueira apresenta quadro que homenageia Barros de Alencar

Por Rodney Brocanelli

O programa de Kaká Siqueira, na Rádio Record, vem apresentando um quadro em homenagem a Barros de Alencar, que fez história na mesma emissora quando ainda era de propriedade da família Machado de Carvalho. Barros anda afastado dos meios eletrônicos. A última notícia disponível sobre ele a de que estava se recuperando de um sério problema na garganta. Aliás, vale destacar essa postura de profissionais de rádio, que sempre prestam reverência aos grandes nomes do passado. Um exemplo clássico é o de Milton Neves, que enche a bola de Fiori Gigliotti, Flávio Aaraújo e outros nomes do antigo Escrete do Rádio, sempre que possível. No player abaixo, acompanhe o quadro lembrando Barros de Alencar.

21 anos sem João Saldanha

Por Rodney Brocanelli

No dia 12 de julho de 1990, morria o jornalista, radialista e técnico de futebol João Saldanha. Homem ligado a esse esporte, talvez não foi por acaso que sua morte se deu em meio a uma Copa do Mundo, a da Itália. No áudiopost abaixo, relembramos Saldanha através dos depoimentos rápidos de Jorge Kajuru e Armando Nogueira. No final, o registro de um comentário feito logo após a desclassificação do Brasil na Copa da Espanha, em 1982, com a derrota para a Itália por 3 a 2.

40 anos do tri

Por Rodney Brocanelli

Hoje é um dia histórico, tanto para o futebol, como para a mídia do Brasil. Há quarenta anos, era disputada a Copa do México. Foi a primeira que teve transmissão direta via satélite para o país. E no dia 21 de junho, ganhavamos o tricampeonato, com uma seleção que entrou para a história do Mundial. No player abaixo, o narrador Walter Abrahão, que estava na TV Tupi na ocasião, conta sobre os bastidores da transmissão daquela competição, que juntou as principais emissoras do país em um pool, até porque não havia canais de aúdio e vídeo suficientes para todos.

Bastidores da Copa

Por Rodney Brocanelli

Pouco a pouco estão surgindo vídeos no You Tube com os bastidores das transmissões da Copa do Mundo. Abaixo, temos um gravado por Jaques Santos, da Rádio Banda B, de Curitiba, mostrando os estúdios da emissora no Centro de Imprensa.

E no vídeo abaixo, uma visita a um dos estádios da Copa

Geraldo Anhaia Mello teve seu dia de Orson Welles

Por Rodney Brocanelli

O videoartista Geraldo Anhaia Mello, morto aos 55 anos no último sábado, teve uma meteórica e polêmica passagem pelo rádio. Em 1985, ele comandava um programa intitulado Verdades e Mentiras, sempre a partir das 20h, às sextas, na Rádio USP. Numa de suas edições, ele resolveu, digamos,  atualizar o feito de Orson Welles, que espalhou o terror por Nova York ao noticiar uma falsa invasão de marcianos. Em vez de algo extraterrestre, Anhaia decidiu usar um tema mais crível: ele noticiou um deslizamento de parte da Serra do Mar, em Cubatão, que causaria o vazamento de gases venenosos. Com o anúncio, foi divulgada também a advertência para que todos deixassem a região próxima. Embora a audiência da emissora fosse pequena (como ainda é hoje),  a falsa notícia causou um certo pânico, segundo o texto da professora Gisela Swetlana Ortriwano,

“As conseqüências não foram tão graves ou marcantes como as de 1938 uma vez que as variáveis em jogo não tinham a mesma força de meio século atrás: a diversidade de fontes de informação é muito maior e a Rádio USP tem pequena audiência e não atinge com facilidade a Baixada Santista(…)Causou tumultos nos órgãos de defesa e segurança que tiveram também dificuldade em checar a veracidade do fato e garantir que ele não existiu. Houve autoridades que deram graças a Deus pelo fato de o programa ter ido ao ar no horário da novela Roque Santeiro, da Rede Globo, que com seu ibope elevado evitou que o problema pudesse ter sido mais grave”.

A direção da Rádio USP à época não gostou nada da homenagem a Orson Welles e Geraldo Anhaia Mello perdeu seu programa na emissora.  Na televisão, ele chegou a ser um dos repórteres-abelha da TV Gazeta na fase TV Mix. Foi colunista de diversas publicações, entre elas o Jornal da Tarde. Neste blog é possível acompanhar um pouco de sua produção.

Relembrando o Telefanzine, um fanzine por telefone

Por Rodney Brocanelli

Há alguns dias, eu concedi uma entrevista ao site do programa Cultura e Pensamento sobre uma experiência única que misturava duas linguagens, a do fanzine e a de um programa de rádio, com um veículo único: o telefone. Dessa equação resultou o Telefanzine, um guia da cena rock e Salvador, comandado pelo agitador cultural Ednilson Sacramento nos anos 1990. Para saber mais do que tratava, clique aqui para ler o texto completo. Depois clique no player abaixo.

Revista Rádio e o perfil da locutora Cláudia Martins

Por Marcos Lauro

Em 1999, a editora Abril pôs nas bancas uma revista chamada Rádio. Não consegui muitas informações sobre a publicação, mas, aparentemente, durou apenas três edições.

A revista Rádio trazia, além de reportagens diversas sobre o meio, duas seções: “A Voz de São Paulo” e “A Voz do Rio”. Nelas, apresentava o perfil de um locutor de cada uma das cidades. Para mostrar aqui no blog como eram essas seções, vou reproduzir alguns trechos do perfil da locutora Cláudia Martins, que, na época, era locutora da Rádio Cidade, nos 96,9 Mhz de São Paulo:
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Cláudia Martins

A locutora mais romântica da Cidade

Cláudia Martins comanda o programa Vale a Pena, na Rádio Cidade FM, um dos campeões de audiência em São Paulo Quem sintoniza na 96,9, de manhã, talvez imagine que ao meio-dia haja uma troca de locutora. A voz alegre que antes anunciava as músicas dá lugar a uma entonação tranqüila, romântica, quase melosa. Mas a radialista é a mesma.

Cláudia Martins, a Claudinha, como é chamada por seus ouvintes, comanda a programação da Rádio Cidade, diariamente, das 10h às 14h. “Venho fervendo com o ouvinte até o meio-dia. Quando anuncio o Vale a Pena, mudo de sintonia, busco o meu lado mais romântico e sedutor para ler as cartas, as dedicatórias e oferecer as músicas”, revela a locutora.

Parte desse sucesso se deve também ao estilo inconfundível de Cláudia, que criou expressões como “Êta-lê-lê” e “Ooooi”. “A maioria dos ouvintes que atendo me comprimenta usando minhas expressões. Isso é gratificante!”, comemora a locutora.

O que toca

Das 10h às 12h – Cláudia lê notícias, fofocas dos famosos e conta um capítulo das novelas de maior sucesso.
Das 12h às 13h – Vale a Pena, programa mais romântico do dial. Claudinha interpreta cartas de ouvintes e toca as músicas pedidas por eles.
Das 13h às 14h – De volta à programação normal, muito pagode, sucessos do momento, notinhas, participação de ouvintes.

Muitas histórias de amor

No programa Vale a Pena o amor é declarado publicamente. Cláudia interpreta nove cartas enviadas por ouvintes que contam uma história de amor e toca as músicas pedidas.

“Recebemos 3 mil cartas por mês. Para as que não são lidas no ar enviamos resposta por escrito.”

A locutora conta que também lê cartas de amantes e homossexuais que querem enviar suas mensagens. Nesses casos, preserva os nomes, dizendo apenas “de alguém para alguém”. Claudia encerra o programa traduzindo alguma canção romântica enviada pelo ouvinte.
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Quanto à revista, vou procurar mais informações. E Claudia Martins, por onde anda?

Com o nome um pouquinho diferente, Cláudia Martthins pode ser ouvida na Rádio Pool, em que apresenta o programa Happy Hour (quartas, 15h às 17h e sextas, 17h às 19h) e também na Ótima FM, de Pindamonhangava, com o programa Manhã Ótima, das 8h ao meio-dia.

José Silvério narra o título brasileiro do São Paulo em 1977

Por Rodney Brocanelli

José Silvério estava vivendo um momento único em sua carreira entre o final do ano de 1977 e o início de 1978. Em outubro,  ele foi promovido a narrador titular da Jovem Pan, com a saída de Osmar Santos, que se transferiu para a Rádio Globo. Logo de cara, Silvério já teve de transmitir a grande e histórica final do campeonato paulista de 77, que teve o Corinthians como campeão ao bater a Ponte Preta. Pouco menos de seis meses depois, em março de 78,  ele já encarava a sua segunda final: a do campeonato brasileiro que reuniu Atlético Mineiro e São Paulo. Os times disputavam o título de 1977, mas por questões de calendário, a competição só terminou no ano seguinte. No player abaixo, é possível acompanhar parte da disputa de pênaltis que definiu o campeão.  E dessa audição surge uma certeza. O bordão “eu vou descer para te abraçar” é mais antigo que se possa imaginar.

Cortesia: Comunidade José Silvério – O Pai do Gol do Orkut

Fim da Antena 1 do Rio completa um ano

Por Rodney Brocanelli

Há um ano, um medley dançante dos Beatles marcou o fim das transmissões da Antena 1, no Rio de Janeiro. A emissora levou a pior numa estratégia para colocar a programação da Tupi AM no FM. A dança das cadeiras…quer dizer, das frequências ficou assim: Nativa FM ocupando o lugar da Antena 1, nos 107,3Mhz. E a Tupi entrou no lugar que era da Nativa, em 96,5Mhz. Quase um ano depois, o Sistema Globo de Rádio reagiu e colocou a popular Rádio Globo nos 89,3Mhz.

Os orfãos da Antena 1 estão reunidos numa comunidade do Orkut. Volta e meia, aparecem mensagens saudosas de sua estação de Rádio preferida e reclamando pelo fato de não exisitirem boas opções no segmento adulto.

No player abaixo, é possível recordar  seus momentos finais.