Memória: Ouça a transmissão da Guaíba para o título mundial do Inter em 2006

Por Rodney Brocanelli

Hoje é um dia de festa para o torcedor do Internacional. Apesar de todas as agruras dos últimos tempos, existe espaço para lembrar de um dos momentos mais gloriosos do Colorado, que está completando dez anos neste sábado. Em 2006, o poderoso Barcelona era favoritaço (para usar um termo da moda) na final do Mundial de Clubes da Fifa. O brasileiro Ronaldinho Gaúcho era um dos destaques da equipe catalã. Um gol de um heroi improvável aos 36 minutos da segunda etapa garantiria o título ao Internacional. Adriano Gabiru saiu do banco de reservas para entrar na história.

Para esta data comemorativa, vamos resgatar a íntegra da transmissão feita pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre. À época, a emissora ainda pertencia ao empresário Renato Ribeiro.  A venda para à Igreja Universal do Reino de Deus seria sacramentada apenas em fevereiro do ano seguinte. Sem dúvida, a última grande cobertura antes da fase atual da Guaíba. Os principais nomes do departamento esportivo na ocasião viajaram ao Japão a fim de transmitir a partida. Com mais de três horas de duração, é possível ouvir parte do pré-jogo, a bola rolando na sua íntegra e o pós jogo.

Ficha técnica

Narração: Haroldo de Souza
Comentários: Edegar Schmidt e Otacílio Gonçalves
Reportagens: Luiz Carlos Reche e Flavio Dal Pizzol
Apresentação: Ernani Campelo
Plantão: Rogério Bohlke

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Memória: em 1967, Carlos Alberto Torres dedica título à comentarista de rádio

Por Rodney Brocanelli

Em 1967, Luiz Augusto Maltoni, então repórter da Rádio Bandeirantes, estava nos vestiários do Pacaembu entrevistando os jogadores do Santos, que conquistaram o título de campeão paulista do ano de 1967. O trabalho seguia normal até que ele chegou próximo a  Carlos Alberto Torres. O lateral direito, em sua primeira manifestação ao microfone, decidiu dedicar o título ao comentarista Mauro Pinheiro, também da Bandeirantes. “Para ele, o São Paulo seria campeão, mas pra nós, não é não.Tem que rebolar muito para ser campeão”, disse no ar. Maltoni tentou argumentar e defender seu companheiro, mas não houve consenso. Apesar de toda a tensão no ar, a conversa foi civilizada. Maltoni decidiu não prosseguir com a entrevista e Torres reiterou que o título seria dedicado à Pinheiro. Não se sabe se Pinheiro respondeu posteriormente as declarações de Torres.

No dia 20 de dezembro de 1967, São Paulo e Santos disputaram no Pacaembu um jogo-desempate para definir quem seria o campeão paulista daquele ano, uma vez que as duas equipes terminaram empatados em pontos ganhos na classificação geral. O Santos venceu aquela partida pelo placar de 2 a 1 e ficou com o título. Os gols santistas foram marcados por Edu e Toninho Guerreiro, enquanto que Babá diminuiu a vantagem. Carlos Alberto Torres foi o lateral direito titular naquela partida. Torres morreu no último dia 25 de outubro.  Ouça abaixo a entrevista de Torres à Maltoni.

Memória: ouça o gol de mão marcado por Maradona com a narração de Éder Luiz

Por Rodney Brocanelli

30 de outubro é uma data comparada ao natal na Argentina. Ela marca o nascimento de Diego Armando Maradona, futebolista que marcou época atuando pela seleção local e pelo Napoli. Na Copa do Mundo de 1986, disputada no México, ele praticamente levou sozinho seus companheiros a um título mundial muito desejado no país. Vamos destacar um momento que entrou para a história dos mundiais: o gol de mão, marcado em partida contra a Inglaterra. O registro em áudio que divulgamos aqui tem a narração de Éder Luiz e as reportagens de Roberto Silva. A dupla defendia os microfones da Rádio Bandeirantes.

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Morre Zuleide Ranieri, ex-narradora de futebol da Rádio Mulher

Por Rodney Brocanelli

Morreu na manhã desta sexta Zuleide Ranieri radialista que marcou época como narradora de futebol na Rádio Mulher, nos anos 1970. Uma postagem em seu perfil no Facebook informou que ela teve um infarto agudo havia 14 dias. Na manhã de hoje, Zuleide teve mais uma parada e não resistiu. O sepultamento está marcado para as 9h de  sábado, no Cemitério dos Jesuítas,  Avenida João Paulo II, 319, Embu das Artes.

Antes de integrar esse projeto inovador da Rádio Mulher, Zuleide passou por emissoras como a Rádio Cacique, de Santos e Rádio Piratininga, de São José dos Campos.Em 1971, atendendo a um convite de Roberto Montoro, ela fez parte da equipe que transmitia as principais partidas de futebol da época. Uma de suas companheiras era Claudete Troiano, que depois de algum tempo se notabilizaria como apresentadora de televisão.

Em 2015, Zuleide Ranieri foi entrevistada pelo programa Radioamantes no Ar. Ela relembrou algumas passagens da antiga equipe da Rádio Mulher.

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Rádio gaúcho de luto com as mortes de Roberto Brauner e Raul Moreau Neto

Por Rodney Brocanelli

Um dia triste para a imprensa gaúcha com a morte de dois profissionais que fizeram história no rádio. Um deles é Roberto Brauner, 64 anos, narrador esportivo que por muitos anos empunhou o microfone da Rádio Gaúcha. Além de transmitir as partidas da dupla Grenal, ele se destacou por narrar outros esportes. Transmitiu provas da Fórmula 1, no auge da Era Senna. Depois, transferiu-se para a Rádio Pampa, onde foi o titular das transmissões futebolísticas até que o departamento esportivo teve de ser extinto por uma readequação de custos na empresa que controla a emissora. Motivo: o fim da parceria de afiliação da TV Pampa com a Record. Ficou algum tempo na Band News até trocá-la pela Eldorado, de Criciúma (SC). Entretanto, com a má fase da equipe local, o Criciúma, Brauner não ficou na emissora. A causa da morte não foi divulgada, mas segundo Marco Antonio Pereira, narrador da Rádio Guaíba, o colega já estava adoentado havia algum tempo.O corpo foi sepultado no cemitério Cruz e Almas.

O outro profissional que morreu nesta sexta foi Raul Moreau Neto, aos 72 anos. Ele estava internado no Hospital São Lucas devido a complicações ocasionadas por diabetes. Moreau iniciou sua carreira em 1962, na Rádio Gaúcha. Ele se destacou na área esportiva em várias  e depois foi trabalhar com marketing político. Seu corpo foi enterrado no cemitério João XXIII.

No player abaixo, é possível recordar uma das grandes narrações de Brauner pela Pampa: a Batalha dos Aflitos, que levou de volta o Grêmio à série A do campeonato brasileiro em 2005.

Memória: relembre Milton Peruzzi, Barbosa Filho e Geraldo Blota em ação na Copa de 1974

Por Rodney Brocanelli

O áudio não está aquelas coisas, mas nunca é demais recordar um registro histórico da Rádio Gazeta, de São Paulo. Em 1974, a emissora tinha uma equipe esportiva respeitável e esteve presente na cobertura da Copa do Mundo daquele ano, disputada na Alemanha. No player abaixo, é possível ouvir um gol de Rivelino na partida entre Brasil e Alemanha Oriental. Aliás, um golaço de falta, uma verdadeira patada atômica. A narração é de Milton Peruzzi, com comentários de Barbosa Filho e as reportagens de Geraldo Blota.

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Memória: como uma reportagem de Goulart de Andrade mudou a vida de Fausto Silva

Por Rodney Brocanelli

Morreu na madrugada desta terça feira, Goulart de Andrade, jornalista e apresentador de tv. Ele estava internado no Hospital Sancta Maggiore havia duas semanas devido a problemas respiratórios. Embora seu nome esteja mais ligado à televisão, Goulart apresentou programas de rádio. Um deles foi o São Paulo Zero Hora, pela Rádio Globo, de São Paulo. Segundo o site Memória Globo era um “programa jornalístico que serviria de embrião para o Plantão da Madrugada. Uma equipe de cinco repórteres, equipados com rádios de frequência modulada, ia para a rua em pontos variados da cidade, dispostos a levar o ouvinte para a agitada vida noturna paulista. Goulart de Andrade comandava a equipe do estúdio, na companhia de convidados. A partir dessa fórmula, Goulart de Andrade criou o Plantão da Madrugada (para a TV Globo) e começou a apresentá-lo durante as madrugadas dos finais de semana”.

Em suas reportagens para a televisão, Goulart sempre destacou o rádio. E ao menos uma delas mudou para sempre a vida de um repórter esportivo de rádio.

No ano de 1984, ainda pela TV Gazeta, o apresentador visitou os bastidores de do programa Balancê, da Rádio Excelsior (hoje CBN). Para quem não conhece a história do rádio, vai uma breve descrição: a atração tinha como comandante Fausto Silva, que acumulava essa função com a de repórter da equipe esportiva de Osmar Santos. Era transmitida de segunda a sexta diretamente do hoje extinto Teatro e Palhacaria Pimpão, no bairro da Santa Cecília, em São Paulo. O Balancê era um programa de variedades de grande sucesso, que contava com os esquetes humorísticos da dupla Nelson Tatá Alexandre e Carlos Roberto Escova. Outro destaque era o sonoplasta Johnny Black. A produção ficava a cargo de Lucimara Parisi. Um verdadeiro “time dos sonhos” do rádio brasileiro.

Na ocasião, o sucesso do programa chamou a atenção de Goulart, que resolveu fazer uma reportagem com o programa. Ao final das gravações, ele chegou a uma conclusão: “vocês estão fazendo tv no rádio”. Com isso, surgia o convite para que Fausto e sua equipe migrassem de veículo. Nascia assim, o Perdidos na Noite, que veio a ser apresentado na TV Gazeta, sob direção de Goulart. A repercussão foi imediata e depois o programa passou a ser exibido na TV Record e, mais tarde, na TV Bandeirantes. Até que em um belo dia, veio um convite da TV Globo para que Faustão fosse um adversário de peso para Silvio Santos na guerra da audiência dos domingos. O resto é de conhecimento público.

Por tudo isso, é possível afirmar sem exagero que uma reportagem de Goulart de Andrade mudou para sempre (e talvez, para melhor) a vida de Fausto Silva.

Com informações extraídas deste post.

No player abaixo é possível ver trechos dessa reportagem.

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Memória: relembre Eliakim Araújo na Rádio Jornal do Brasil

Por Rodney Brocanelli

Morreu neste domingo o jornalista Eliakim Araújo, aos 75 anos. Ele foi vítima de um câncer no pâncreas. Eliakim é mais conhecido do grande público pela sua atuação em televisão, como apresentador de telejornais nas Tvs Globo, Manchete e SBT. Antes de ir para a televisão, ele trabalhou por cerca de 20 anos na hoje extinta Rádio Jornal do Brasil, como locutor e apresentador. Um dos registros dessa época pode ser ouvido no player abaixo. Eliakim faz a introdução de uma edição especial do programa Noturno, que trouxe uma entrevista com Tom Jobim em 25 da janeiro de 1977.

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Memória: os sons do Maracanazo

Por Rodney Brocanelli

Em 16 de julho de 1950, o Brasil vivia um dos seus piores momentos da história do futebol. Não pelo resultado em si, mas por tudo o que cercou a partida final da Copa de 1950, sediada no país. O Radioamantes traz o registro, ainda que breve, da transmissão daquele confronto, ocorrido no antigo Maracanã, pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo, na época identificada como PRH-9. A qualidade sonora é excelente. O narrador Edson Leite volta e meia saudava os ouvintes das emissoras que estavam em cadeia e dos serviços de alto falantes, bastante populares à época. Um detalhe curioso: na mesma hora acontecia a decisão do terceiro lugar no Pacaembu. Um locutor, não identificado, entrou por cima da narração de Edson Leite para informar o placar. Pouco depois, saia o gol de Ghiggia. Neste compacto, ainda é possível ouvir Leite fazendo muitas críticas ao jogador Bigode. O repórter meta é Bruno Sobrinho. Acompanhe tudo isso no player abaixo.

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Fiori Gigliotti no nosso cantinho de saudade

Por Rodney Brocanelli

Mais um ano sem Fiori Gigliotti. É o décimo. Parece que foi ontem. A melhor maneira de se falar dele é lembrar de algumas de suas irradiações.

Decisão do campeonato brasileiro de 1976. Na voz de Fiori, o primeiro gol do Intenacional, marcado por Dario, o Dadá Maravilha

 

No campeonato brasileiro de 1979, o Palmeiras conseguiu uma excelente vitória sobre o Flamengo por 4 a 1, classificando-se assim para as semi-finais daquela competição. Fiori estava no Maracanã. No player abaixo, é possível ouvir a narração do primeiro gol, marcado por Jorge Mendonça.

 

O radialista André York, da Rádio Banda B, de Curitiba, levou ao ar no seu programa Arremate Final uma entrevista de Fiori, concedida a estudantes de rádio e televisão. Acompanhe na sequência:

Parte 1

Parte 2

 

Detalhe: ele se diz torcedor do Flamengo. Há controvérsias

 

E abaixo uma das marcas registradas de Fiori Gigliotti: o Cantinho de Saudade. Nesse registro, ele homenageia Vicente Leporace, que havia morrido em abril de 1978.


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O Rádio e os primeiros gritos de gol, por Flávio Araújo

publicado no site Ribeirão Preto on Line

O rádio, o grande invento que marcou o início do século passado foi durante muitos anos um órgão estatal e que só transmitia aquilo que o governo desejava.

Isso acontecia nos países onde imperavam governos ditatoriais, mas também a Grã-Bretanha, Inglaterra à frente, teve na BBC sua porta-voz exclusiva.

Esse tipo de rádio subsistia sem publicidade que o sustentasse e no caso da Inglaterra o pagamento da taxa por parte dos possuidores de aparelhos era paga sem que ninguém o contestasse até recentemente.

No Brasil o rádio já nasceu independente com a fundação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em 1923, mas também sem publicidade e com pagamento de taxa por aparelho.

Não durou muito esse estado de coisas e a publicidade passou rapidamente a ser aceita para que houvesse realmente progresso no broadcast brasileiro.

Também nos Estados Unidos da América do Norte o rádio nasceu livre e com publicidade ilimitada.

Existem ainda resquícios do rádio brasileiro no tempo da ditadura Vargas e o programa A Voz do Brasil, de transmissão obrigatória até hoje por todas as emissoras do país é a lembrança dos tempos em que a Rádio Nacional, subsidiada, tinha o maior elenco de artistas e era a mais ouvida do país.

Como os sucessivos governos, mesmo nos períodos democráticos, sempre tiveram uma queda para controlar a mídia, como o atual, a Voz do Brasil, muito combatido por seu anacronismo e pela concorrência superior que as emissoras fazem em seus programas informativos continua resistindo e mantendo-se no ar.

Nos países onde as ditaduras cravaram suas unhas com maior profundidade a presença do rádio sempre influenciou o futebol e caminhou ao lado deste fazendo sempre a vontade e seguindo a orientação fundamentalista dos donos do poder.

O HOMEM DE MUSSOLINI NO MICROFONE

Benito Mussolini, o foi o ditador da Itália que mais se aproveitou do chamado rádio oficial para promover as vitórias italianas de 1934/38 nos segundo e terceiro mundiais de futebol.

Tinha uma voz oficial para transmitir os cotejos da “azurra” e é sobre ele que escrevo.

No ano de 1956 fiz a minha primeira transmissão do Maracanã, cotejo amistoso entre Brasil e Itália, vitória brasileira por 2 a 0 e a primeira vez que um microfone de minha cidade natal, onde iniciei minhas atividades, era levado ao grande estádio.

Longe de mim imaginar que alguns poucos anos depois estaria em Milão transmitindo o cotejo onde o Brasil pagaria com a presença de sua seleção a visita da italiana.

Entre as emoções que o cotejo de 1956 me proporcionou estava a oportunidade de conhecer Nicoló Carósio, o locutor oficial de Mussolini e que transmitira os dois mundiais ganhos por seu país em 1934 na Itália e em 1938 na França.

Democrata e adepto de regimes onde o povo era livre não tinha nenhuma simpatia com um locutor notadamente imbricado com os princípios que o Ducce italiano defendeu.

Minha admiração era pelo locutor esportivo que subsistiu ao pós guerra e na verdade nos tempos em que o rádio reinava absoluto o narrador desse espetáculo merecia o mesmo respeito que o grande cantor ou o galã de cinema e teatro mais festejado alcançava junto ao público.

Hoje as coisas mudaram muito pelo extraordinário número de narradores esportivos em quase todos os países, mas principalmente no Brasil onde a televisão vai pouco a pouco fechando o caminho para os narradores de rádio que mesmo assim fazem do mesmo a escola para seu desenvolvimento.

Carósio, lembro-me, sofreu um pequeno acidente ao caminhar em direção à cabine que ocuparia no verdadeiro subterrâneo que se percorria nas entranhas do Maracanã para ocupar uma das poucas cabines de transmissão.

Bateu a testa numa das passagens mais baixas (era um homem magro e alto) e teve que ser medicado e por pouco não conseguiu transmitir o espetáculo.

Contam que Nicoló Carósio foi também quem levou pessoalmente aos jogadores da Itália antes da Copa de 1934 a mensagem de Mussolini simplesmente com estes dizeres: “Vencer ou Morrer”.

Lembro que as transmissões europeias eram muito diferentes das brasileiras, lentas, comentadas e sem o entusiasmo que sempre foi o principal tempero na narração dos profissionais brasileiros.

Mas, não só de Nicoló Carósio viviam os governos ditatoriais.

Em Portugal havia Arthur Agostinho, o locutor oficial da Rádio Nacional de Lisboa e também bastante afinado com o governo Salazar.

Muitos diziam que Arthur era, inclusive, membro da PIBE, a terrível polícia política do governo português.

Arthur, gordo, brincalhão, era uma figura que se fazia notar e sempre recebia os seus colegas brasileiros quando em Portugal com fineza e cavalheirismo.

Alguns dos nossos falavam em congraçamento, outros em estreita vigilância no desempenho de sua função que não era apenas a de narrar futebol.

Mas, ao microfone era antes de tudo um porta-voz do governo narrando jogos de sua seleção ou os grandes cotejos entre clubes de seu país.

Logo após a queda da ditadura portuguesa, a exemplo do Professor Marcelo Caetano, o sucessor de Salazar, Arthur Agostinho transferiu-se as pressas para o Brasil e com seus amigos do Rio de Janeiro aqui foi se arranjando, mas jamais como locutor esportivo.

Interessante que o português falado no Brasil ganha campo em Portugal, mas a recíproca não é verdadeira.

Wilson Brasil, comentarista vibrante, combativo, deixou o Brasil e foi fazer sucesso no rádio português dentro de sua função, mas isso já depois do término do período ditatorial naquele país.

Na Europa, notadamente nos países do Leste Europeu e onde as emissoras oficiais duraram ainda por mais tempo no pós guerra cada país tinha em geral o seu locutor chapa branca.

Outro narrador que ganhou grande notoriedade e para muitos se portava como figura do governo foi já em época moderna o argentino José Maria Munhoz, com destaque para a Copa de 1978 e vencida por seu país.

Era, porém, diferente já que Munhoz contava com a concorrência de inúmeros outros e o rádio na Argentina tinha o mesmo modelo brasileiro.

No Uruguai o grande nome das narrações esportivas era Carlos Solé, que conheci na Rádio Sarandi desde minhas primeiras viagens a Montevideo.

Solé fora a grande voz uruguaia na conquista da Copa de 1950 e seu prestígio se rivalizava com o de Júlio Sosa o maior cantor de tangos da região platina depois de Carlos Gardel e que embora fosse ídolo na Argentina era uruguaio de nascimento.

Interessante esse aspecto: grandes ídolos argentinos nasceram no Uruguai ou em outros países vizinhos, como Leguisamo, chileno, o jóquei de maior prestígio em Palermo, como o músico e compositor Francisco Canaro, o autor de Madreselva (Madressilva) e condutor do mais famoso conjunto de tangos de sua época e ainda Gerardo Matos Rodrigues, autor do imortal Caminito, tango tão famoso que se tornou referência turística a local bastante visitado em Buenos Aires, o Camino Caminito.

Tanto o autor como a composição eram uruguaios legítimos.

Canaro, nome de rua em Buenos Aires nasceu no Uruguai, filho de italianos e só se naturalizou argentino no fim da vida.

E Carlos Gardel, o mais famoso intérprete original dessas canções teria nascido onde?

Uns dizem que foi em Tacuarembó, no Uruguai, outros que em Marselha, na França e que seu nome em realidade era Gardés e não Gardel, mas pela paternidade do mesmo os argentinos vão à luta.

Um dos argumentos que os argentinos usavam para mostrar que Gardel era filho do país foi o fato dele visitar e cantar para seus jogadores antes da final contra o Uruguai na Copa de 1930, a primeira delas.

Depois, soube-se que ele fizera o mesmo com os uruguaios e a discussão persiste até hoje.

O certo é que se estou falando de locutores-esportivos é bom lembrar um outro portenho que era muito ouvido no Brasil nos velhos tempos.

Nos anos 1940 quando o dial de um aparelho não tinha esse imenso número de emissoras dos dias atuais e que vai obrigar o governo brasileiro tomar medidas para transformar AMs em FMs o rádio do sul do continente penetrava no interior paulista com muito boa qualidade de som.

Assim é que me acostumei a ouvir transmissões por Fioravanti, da rádio Belgrano de Buenos Aires e lembro-me da frase dístico em que os locutores auxiliares depois de suas falas terminavam sempre com um “adelante, Fioravanti”.

Se comecei falando dos locutores oficiais em algumas emissoras do rádio estatal na Europa e vou mudando para uma espécie de homenagens a alguns nomes famosos na América do Sul não posso deixar de lado o chileno Gustavo Aguirre, “El negro Aguirre”, como o chamavam em Santiago.

Aguirre era um médico que também se dedicava ao grito de gol.

E ainda Sérgio Livingstone, goleiro da seleção chilena na Copa do Mundo de 1950, apenas que era o comentarista enquanto Aguirre era relator.

Alguns no Brasil marcaram época nesse período e me acostumei em minha infância a ouvir Rebelo Junior, o homem do gol inconfundível, Aurélio Campos, Jorge Cury, Antônio Cordeiro e, Oduvaldo Cozzi e alguns outros que me inclinaram para uma paixão profunda pela função.

O grande Pedro Luiz, de quem fui contemporâneo só vim a ouvir quando iniciei meus passos no rádio.

Mas, o primeiro locutor esportivo que deixou seu nome marcado por ter sido o único a narrar pela primeira vez uma Copa do Mundo foi o paulista Gagliano Neto, ao transmitir por uma cadeia de emissoras a Copa do Mundo de 1938.

Mesmo sendo uma transmissão sem influências governamentais (o Brasil já estava em plena ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas) Gagliano causou grande confusão no Rio de Janeiro quando da transmissão do cotejo semifinal entre Itália 2 Brasil 1.

Como a Itália venceu com um pênalti imensamente contestado pelos jogadores brasileiros e pela transmissão de Gagliano (Domingos da Guia em Piola) o locutor aventou a possibilidade esdrúxula ao final da transmissão de que a partida poderia ser anulada.

Isso causou alvoroço e quebra-quebra na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro quando os fatos foram esclarecidos e foi lida a nota oficial falando que de forma alguma o jogo poderia ser anulado e o Brasil estava fora da final.

Locutores oficiais como o italiano Carósio ou o português Arthur Agostinho o Brasil, felizmente, nunca teve.

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Paulinho Boa Pessoa negocia retorno à Rádio Capital

Por Rodney Brocanelli

Paulinho Boa Pessoa não está mais no ar pela Rádio Capital, ao menos por enquanto. Em novembro, o Radioamantes divulgou que ele iria ficar  no ar em duas emissoras: a própria Capital, ocupando o horário das 04h as 06h, e a Super Rádio, pela qual entra no ar a partir das 08h. No entanto, essa dupla jornada não durou muito tempo e ele ficou apenas na Super Rádio. Sabe-se que Paulinho está em negociações com a Capital, mas ainda não há nada definido no que diz respeito a sua volta ao ar por esse prefixo. Ele poderá apresentar seu programa pelas duas rádios, como em novembro do ano passado. É o que há no momento.

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Memória: Mauro Beting conta os bastidores do susto em Milton Neves

Por Rodney Brocanelli

Como já anunciamos aqui, o blog do jornalista Márcio Torvano, repórter esportivo da 105 FM, abriu espaço em seu blog, o Blog do Torva, para contar algumas histórias do rádio. Em uma de suas postagens, ele contou com um convidado muito especial: o comentarista Mauro Beting. Ele relembra o susto que em Milton Neves, um momento célebre do Terceiro Tempo, da Rádio Bandeirantes, em 2011, que o blog Radioamantes ajudou a divulgar.  No player abaixo, você assiste ao depoimento de Mauro, mas não deixe de visitar o Blog do Torva, que tem um conteúdo muito interessante, com uma visão bem peculiar sobre o futebol.

Ouça o áudio do susto de Milton Neves

 

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Memória: Silvio Santos em ação no rádio

Por Rodney Brocanelli

Trazemos aqui mais um registro histórico de Sílvio Santos no rádio: desta vez, o apresentador gravando as cabeças de seu programa que era veiculado em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nesse registro, ele faz as introduções de quadros de seu programa diário (com os respectivos patrocínios das empresas de seus grupo), a agenda de gravações de uma de suas atrações na televisão, o Silvio Santos Diferente, e até sobrou espaço para ele falar da TVS Canal 11, do Rio de Janeiro, na época recém-inaugurada. Silvio tem a ajuda da locutora Maria Helena. Esse áudio foi extraído dos arquvios de Onofre Favotto, que estão disponíveis na internet. Ouça no player abaixo.

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Site recupera trechos da estreia da Rádio K do Brasil, de Goiânia

Por Rodney Brocanelli

O site Show do Rádio, do radialista Paulo Francisco, publicou no último final de semana áudios históricos da Rádio K do Brasil. Comandada por Jorge Kajuru, a emissora foi o marco de uma verdadeira revolução no rádio de Goiânia, com uma programação mesclada de futebol (em sua maior parte do tempo) e notícias por quase 24 horas. Ela chegou a ser chamada de “CBN dos Esportes”  pelo jornalista Daniel Castro na Folha de S. Paulo.

Os áudios publicado por Francisco recuperam trechos do primeiro dia da emissora no ar: 1 de dezembro de 1997.  É possível ouvir um editoral do proprietário anunciando o lançamento da emissora. O outro é um programa matinal de informações gerais apresentado por Luiz Carlos Bordoni, com a participação especial do repórter Ricardo Setyon, que estava na cidade de Tóquio para a cobertura da partida entre Cruzeiro x Borussia Dormund, disputada no dia seguinte.

Ouça essas relíquias  da história do rádio goianiense no link abaixo (são os dois primeiros da lista).

http://showdoradio.com.br/radio-k-do-brasil/

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