Relembre as onze finais de Copa do Mundo narradas por José Silvério

Por Rodney Brocanelli

Um dos gigantes da narração esportiva, José Silvério tem uma marca histórica em sua carreira: ele conseguiu narrar onze finais de Copa do Mundo nos estádios e por duas emissoras diferentes. Vamos relembrar então cada uma delas, com direito a histórias de bastidores e os registros dos gols (e pelo menos uma disputa dos tiros livres da marca do pênalti) narrados por ele de 1978 a 2018, seu último mundial, pela Bandeirantes. O narrador deixou a emissora do Morumbi em 2020. Teve uma brevíssima passagem pela Rádio Capital entre os meses de junho e setembro de 2021. Hoje, curte sua aposentadoria. Texto publicado em 2002 (veja aqui) e devidamente atualizado.

1978/Argentina – Foi a primeira Copa de Silvério pela Rádio Jovem Pan, na Argentina. Em outubro de 1977, ele substituiu Osmar Santos, que havia se transferido pela Rádio Globo. Seu prestígio na emissora era tamanho, que ele foi escalado pelo Seu Tuta para fazer a decisão do terceiro lugar, envolvendo Brasil x Itália e a grande final, entre os donos da casa e a Holanda. O que ninguém imaginava é que uma úlcera fosse atrapalhar a transmissão. “Eu narrei a final sangrando, literalmente”, disse ele em uma entrevista ao programa Sofá Bandeirantes. Por muitos anos, o registro desta final foi uma “lost midia”, termo que é muito usado para a memória de televisão, mas que pode ser aplicado ao rádio. Em 2024, ele foi divulgado pelo jornalista .Thiago Uberreich ( a quem agradecemos pela cessão deste áudio).

1982/Espanha – Era uma final em que o Brasil deveria estar. Pelo menos essa era a expectativa de quase 120 milhões de brasileiros e outros milhares de admiradores do futebol espalhados pelo planeta. A seleção comandada por Telê Santana, apesar de alguns defeitos, encantou a muitos. Só não estava no script a eliminação na partida contra Itália. Bastava apenas um empate, mas o talento de Paolo Rossi e a disciplina tática dos outros jogadores da Azzurra acabaram com o sonho brasileiro. Depois de eliminar a Polônia na semifinal, os italianos se classificaram para a grande final com a Alemanha. Silvério esteve lá pela Jovem Pan e sem incidentes desta vez. Placar final: 3 a 1 Itália. Ouça abaixo.

1986/México – Telê Santana novamente comandou a seleção brasileira, com remanescentes da Copa anterior e uma nova geração que surgiu neste período de quatro anos. O começo da campanha não empolgou muito, mas o Brasil avançou para a fase de mata-mata, que voltou a ser implantada após uma pausa em 1974. Nas quartas-de-final, a seleção brasileira foi eliminada nos pênaltis pela seleção francesa. Enquanto isso, um personagem emergia: Maradona. Com gol de mão, gol de placa e uma técnica acima da média, ele colocou a Argentina na final. Por outro lado, a Alemanha também chegou para a disputa do título, repetindo 1982. Placar final: Argentina 3 a 2. Ouça abaixo.

1990/Itália – A Copa marcada pelo início da Era Dunga. Sob o comando de Sebastião Lazzaroni, a seleção brasileira apresentou um futebol que não despertou suspiros. Para piorar, houve problemas com dinheiro de patrocinador, o que fez com que os jogadores convocados não contassem com muita simpatia, sendo considerados mercenários. Mais uma vez quem brilhou foi Maradona. Na partida eliminatória da Argentina contra o Brasil, mesmo cercado por três jogadores, o camisa 10 argentino conseguiu dar um passe para Caniggia fazer o gol da classificação. Os argentinos ainda desclassificaram os donos da casa e chegaram à final. Do outro lado, adivinhem, a Alemanha. Depois de dois revezes, havia chegado a hora dos alemães ficarem com o título. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

1994/EUA – Temos aqui a sequência da Era Dunga, com remanescentes da copa anterior. Apesar da desconfiança que surgiu no período das eliminatórias, a seleção brasileira foi crescendo na hora certa (e vale o clichê aqui). Carlos Alberto Parreira talvez tenha feito o seu melhor trabalho como técnico. Romário foi um dos destaques. Outro foi justamente Dunga, execrado após o fracasso na Itália. E por falar no país da Bota (sdds. Silvio Lancellotti), a seleção brasileira enfrentou a seleção italiana na grande final. Uma repetição da decisão de 1970. Silvério estava lá. Pena que o jogo em si não tenha sido a altura de tanta tradição e de tanta coisa envolvida. Mesmo assim, não deixou de ser um marco histórico para o narrador. Ouça abaixo a decisão por tiros livres da marca do pênalti,

1998/França – O período de antecedeu esta Copa foi marcado pela ascensão de Ronaldo. Jogando no futebol europeu, ele se transformou em fenômeno com seus gols impressionantes. Isso fez com que ele se transformasse em uma referência para a seleção brasileira. O time treinado por Zagallo tinha atletas das duas campanhas anteriores e jogadores que já mereciam estar no elenco de 1994. A campanha em si teve altos e baixos, com uma derrota para a Noruega na fase de grupos. Parecia que faltava alguma coisa na seleção brasileira. Mas isso não impediu a chegada em sua segunda final seguida. O adversário era a dona da casa, que tinha uma seleção bem montada. Além da derrota do Brasil para a França, ficou marcado todo o bastidor envolvendo Ronaldo, que passara mal horas antes da final. Até hoje ninguém tem uma explicação definitiva para o que aconteceu. Zidane, que não teve nada a ver com isso, fez dois gols de cabeça. Placar final: 3 a 0. Ouça abaixo.

2002 Coreia-Japão – Mais uma vez a seleção brasileira vive quatro anos de trancos e barrancos. Wanderley Luxemburgo, que começou o ciclo, não permaneceu e foi sucedido por mais dois profissionais (Candinho por um jogo só e Émerson Leão) até a chegada de Luiz Felipe Scolari. Enquanto isso, Ronaldo enfrentava seus problemas. Uma lesão patelar deixou em dúvida até mesmo a sua continuidade no futebol. No entanto, ele se recuperou a tempo e as coisas deram certo na hora certa. De contestado, ele passou à heroi. O Brasil cresceu na competição (olha aí o clichê de novo) e chegou à final sem ser derrotado ou empatar alguma partida. O oponente seria a Alemanha. José Silvério acabara de passar por uma mudança radical em sua carreira. Aproximadamente dois anos antes, ele trocou a Jovem Pan pela concorrente Rádio Bandeirantes. Mal sabia ele que havia feito uma boa escolha. A Pan decidiu não transmitir aquele mundial e fazer uma cobertura alternativa. Silvério esteve presente em todos os jogos do Brasil e pode enfileirar uma série de narrações inesquecíveis diretmanete dos estádios. Placar final: 2 a 0. Ouça abaixo.

2006 – Alemanha – Essa aqui foi a Copa do oba oba para a seleção brasileira. Muitos craques, mas pouquíssimo foco, em especial no período de treinamento. Havia uma nova geração pedindo passagem, mas o que fazer com os craques que vinham dando tão certo nos anos anteriores? Carlos Alberto Parreira não conseguiu solucionar essa questão e o Brasil caiu ainda nas oitavas para a França em uma noite inspiradíssima de Zidane. Silvério fez a sua segunda Copa pela Bandeirantes e ele começava a viver um drama pessoal, com a doença de sua primeira esposa, Sebastiana de Andrade. No ano anterior, o Grupo Bandeirantes colocava no ar a Band News FM, emissora com 24 horas de notícias. A caçula entrou em rede com a Bandeirantes e com isso, as irradiações de Silvério foram mais longe, com outras emissoras que compunham a rede. Itália e França disputaram a grande final, que passou à história não pelo título (mais um) da Azzurra, mas pela cabeçada de Zidane em Materazzi.

2010 – África do Sul – Depois da bagunça, a quase ditadura. A CBF resolveu inovar e alçou ao comando da seleção brasileira o ex-jogador Dunga. A ideia até que era interessante, mas o temperamento do agora treinador não ajudou em nada. Apesar dos títulos na Copa América e da Copa das Confederações, a campanha no Mundial não mostrou qualquer brilho. Para piorar, a indisposição de Dunga com parte da imprensa serviu para que ele angariasse ainda mais antipatia. O Brasil caiu nas quartas com a derrota para a Holanda, que chegaria a final 32 anos após ser batida pela Argentina, em 1978. Do outro lado estava a sensação Espanha. Os espanhóis venceram na prorrogação. Mais uma vez a parceria com a Band News foi repetida. Aquela foi uma Copa fria, não pelos jogos em si, mas pelo fato de seu período de competição coincidir com uma fase de baixíssimas temperaturas naquele país. Isso não afetou Silvério que esteve presente na decisão. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2014/Brasil – Sediar uma Copa do Mundo quase virou um pesadelo para o país do futebol. Um ano antes, às vésperas da Copa das Confederações, protestos começaram a pipocar por diversas partes. A Fifa ficou preocupada por muito pouco o torneio não aconteceu em outro lugar. A seleção brasileira chegou a esta competição sob comando duplo: Luiz Felipe Scolari como treinador e Carlos Alberto Parreira como coordenador. Eles chegaram para substituir Mano Menezes, que fizera um trabalho irregular. À medida em que os jogos aconteciam, a tensão aumentava entre os jogadores brasileiros. Não por fatores externos, mas porque, conforme o jornalista Paulo Vinícius Coelho, ninguém queria cometer erros que pudessem tirar a seleção dos trilhos. Isso ficou mais visível na partida contra o Chile, na qual a classificação só veio na disputa dos tiros livres. Para piorar as coisas, uma grave contusão afastou Neymar na parida das oitavas contra a Colômbia. Não foi uma Copa fácil para Silvério. Durante a transmissão da partida contra Colômbia, ele ficou sem voz e teve de dar lugar a Ulisses Costa. E depois, já recuperado, ele irradiou a derrota para a Alemanha na semifinal pelo placar de 7 a 1, talvez o maior desastre brasileiro na história das Copas. Na outra perna, a Argentina, de Messi, foi tirando de cena os oponentes para chegar à grande final no Maracanã. Quem brilhou foi um jovem atleta, Mario Götze, que fez o gol solitário daquela partida. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2018/Rússia – Mais uma mudança no comando técnico. Dunga era trazido de volta pela CBF. Se em 2010 era uma inovação, o ato foi conservador, desta vez. Mas infelizmente, a jogada não deu certo. O futebol apresentado era paupérrimo, especialmente nas eliminatórias, apesar da continuidade do protagonismo de Neymar. Houve uma mudança de rumo e Tite veio para ajustar as coisas. Se o Brasil deu esperança aos torcedores durante o período pré-Copa, na competição em si novamente o futebol, mais uma vez, não empolgou. Alguns jogadores renderem aquém do esperado. Neymar ficou marcado por suas simulações espalhafatosas, que foram ridicularizadas nas redes sociais. Enquanto Brasil ficava pelo caminho, a França, de Mbappé, e a Croácia, de Modric, chegavam à decisão. Era a décima-primeira Copa de José Silvério, um recorde pessoal. Diferente das outras, a partida final foi empolgante, com seis gols. Os frances conquistaram seu segundo título. Pouco depois do apito final, emocionado, ele disse “cumpri”. Antes de passar o comando da jornada para Milton Neves, ele complementou: “são onze Copas do Mundo transmitidas na final do estádio. Um marco. Obrigado, você ajudou muito. Tchau”. Placar final: 4 a 2. Ouça abaixo.

O rádio na Copa do Mundo de 1982 (Espanha)

Rodney Brocanelli relembra como foi a cobertura da Copa de 1982 na Espanha pelo rádio a partir das escalas de profissionais de diversas emissoras do país que foram designadas para as transmissões de jogos e programas especiais. Destaques para algumas curiosidades, entre elas a cobertura da Rádio Capital, de Belo Horizonte, que foi estendida para as outras parças da rede. Isso fez com que os paulistanos ouvissem as irradiações do mitológico Vilibaldo Alves. Veja abaixo.

40 anos de “Olhos na TV, coração na Rádio Record”

Por Rodney Brocanelli

A história é relativamente conhecida nos bastidores da comunicação, mas vale a pena ser contatada novamente, uma vez que ela está completando 40 anos. A TV Record, ainda de propriedade de Paulo Machado de Carvalho, não conseguiu transmitir a Copa do Mundo, de 1982, disputada na Espanha. No entanto, uma saída simples e criativa conseguiu atrair uma grande parcela da audiência, utilizando o rádio.

No início da década de 1980, Silvio Luiz era um fenômeno. As transmissões de futebol comandadas por ele na TV Record gozavam de bastante prestígio entre anunciantes e, principalmente, telespectadores, causando assim alguns arranhões na audiência da hegemônica TV Globo.

Para a Copa de 1982, havia uma grande expectativa para um novo confronto entre as duas emissoras. Entretanto, alguns pequenos detalhes tiraram a Record dessa cobertura. Rui Viotti, na ocasião, assistente de Paulinho Machado de Carvalho, um dos manda-chuvas da Record, alertava para o risco da Globo exibir sozinha aquela competição.

Conforme o livro “Olho no Lance”, de Wagner William, os direitos de transmissão das grandes competições internacionais eram intermediados pela OTI (então Organização da Televisão Ibero-Americana). A entidade fazia a comercialização diretamente com o país associado, não importando as emissoras que desejassem colocá-las no ar. Bastava que as interessadas pagassem suas cotas. Se não houvesse o pagamento, as outras emissoras assumiriam o valor total.

Outro fator de risco era que para exibir a Copa, as emissoras filiadas à OTI eram obrigatoriamente obrigada a transmitir os Jogos Olímpicos. O grande problema é que dois anos antes apenas a Globo exibiu os Jogos de Moscou. Com isso, a emissora carioca acabou ficando sozinha com o mundial da Espanha. Havia a expectativa de que ela revendesse os direitos para as outras emissoras brasileiras, o que não aconteceu.

O mesmo Rui Viotti, que alertou para o risco da TV Record ficar sem transmitir a Copa de 1982 teve uma ideia para diminuir o desastre: comprar os direitos para rádio e veicular as transmissões na Rádio Record tanto no AM (1000Khz) como no FM (89,7Mhz – hoje Nova Brasil), mantendo as mesmas características irreverentes das transmissões de Silvio Luiz na TV e com as tradicionais intervenções do comentarista Pedro Luiz e do repórter Flávio Prado . Paulinho topou e fez com que Viotti embarcasse para o Rio e iniciasse conversações.

Negócio fechado pelo valor da época de 750 mil cruzeiros. Em seguida, foi criada uma campanha publicitária para informar ao público como acompanhar as narrações de Silvio: abaixar o som da televisão e ligar o rádio na Record. O slogan foi marcante: “Olhos na TV, coração na Rádio Record”.

O único empecilho que poderia comprometer o esquema foi resolvido de forma rápida: era o de convencer Zé Béttio, campeão de audiência e faturamento da Rádio Record AM, a abrir generosos espaços de seu programa, veiculado todas as tardes, para dar lugar aos jogos da Copa.

Claro que havia dúvida sobre o estilo de narração. Seria rápido, como é tradicionalmente no rádio ou não? No dia 13 de junho, com a partida inaugural entre Alemanha e Bélgica veio a resposta: uma narração de tv no rádio.

A estratégia deu muito certo à medida em que os jogos do Brasil, então comandado pelo treinador Telê Santana, aconteciam. Citada no livro de William, a revista Veja informava que pelo menos uma das transmissões atingiu a marca de 200 mil ouvintes. E esse número não contemplava apenas os que também ligaram a televisão. Mesmo com o estilo mais cadenciado, parte do público apenas ligou o rádio para ouvir Silvio Luiz. A Record conseguiu vencer as concorrentes em rádio que já estavam acostumadas a transmitir futebol.

Mesmo com o sucesso, não foi uma cobertura fácil. O livro “Olho no Lance” relata que ocorreram problemas técnicos a partir do segundo jogo do Brasil, contra a Escócia. O jeito foi alugar duas linhas e reservar duas posições de transmissão no estádio. Deu certo.

No fim das contas, a transmissão alternativa da Record conseguiu um retorno muito maior em todos os sentidos: o de audiência, já citado, de publicidade e mídia. Mesmo com um massacrante número de televisores ligados, a Globo ainda saiu com fama de antipática por não ter dividido os direitos de transmissão com as outras emissoras de televisão, conforme o livro de William.

Uma pena que existam tão poucos registros dessas transmissões de Silvio Luiz na Rádio Record. Os arquivos de áudio da emissora foram perdidos. O que restou foram fragmentos, gravados do próprio rádio em fita cassete pelo pai do jornalista Ubiratan Leal. Eles foram digitalizados e posteriormente divulgados pelo jornalista Thago Uberreich. Ouça abaixo em duas partes.

Em julho de 2009, durante uma entrevista de Silvio Luiz ao programa Jovem Pan no Mundo da Bola, Rui Viotti fez uma importante intervenção contando essa história.

Memória: relembre Alexandre Santos narrando na Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Um dos grandes nomes da narração esportiva, Alexandre Santos Chegou à Rádio Bandeirantes em 1958. Começou como plantão esportivo e apresentador. Com a inauguração da TV Bandeirantes, migrou para o novo veículo lá consolidou sua carreira, ao longo dos anos, passando a narrar jogos de futebol e boxe (ele transmitiu a histórica derrota de Mike Tyson para James Buster Douglas).

Ainda na tevê, também criou apresentou programas, sendo que um deles caiu no gosto do público: Gol, o Grande Momento do Futebol, que mostrava gols históricos do futebol brasileiro, aproveitando o bom arquivo de imagens da Bandeirantes.

Paralelo ao sucesso na televisão, Alexandre Santos seguiu atuando na Rádio Bandeirantes, entre os anos de 1970 até o começo da década de 1980. Ele desempenhou uma função muito curiosa que era a do “locutor de abertura”. Durante as jornadas esportivas de domingo, ele comandava o programa pré-jogo diretamente do estádio, até que chegasse o momento para que  Fiori Gigliotti assumisse o microfone e narrasse  a partida propriamente dita.

Além disso, Alexandre também narrava jogos inteiros pela rádio. Um caso raro de profissional que se deu bem em dois veículos tão distintos. Vamos destacar aqui o registro de um dos gols da vitória do São Paulo (marcado por Marinho Chagas)  sobre a Ferroviária em partida válida pelo campeonato paulista de 1982. O tricolor venceu esse jogo pelo placar de 4 a 1.

Alexandre Santos

 

Memória: em 1982, Mané Garrincha analisa futebol da seleção brasileira na Jovem Pan

Por Rodney Brocanelli

Agosto de 1982. Cinco meses antes de sua morte, Mané Garrincha esteve nos estúdios da Rádio Jovem Pan, em São Paulo,  participando do programa Plantão de Domingo, apresentado por Milton Neves. Na entrevista, ele falou sobre diversos assuntos particulares e relacionados à sua carreira (clique aqui para ver). Não deixou de falar sobre futebol também destacando os assuntos do momento. Um deles era a recente desclassificação da seleção brasileira na Copa de 1982, disputada na Espanha.

Mesmo apresentando algumas dificuldades em sua fala, Garrincha mostrou-se bastante lúcido em sua análise. Disse que acompanhou todos os jogos das outras seleções que disputaram aquela Copa. Aproveitou até para relembrar que ele, enquanto jogador da seleção brasileira, acompanhava os jogos de possíveis adversários.

Sobre partida contra a Itália, que marcou a desclassificação do Brasil, Garrincha falou em “erro técnico”. E justificou dizendo que a seleção treinada por Telê Santana deveria jogar com a defesa plantada e partir para os contra-ataques. “Eles (os italianos) tinham que ganhar aquele jogo. Eles tinham que fazer o gol. Se eles fizessem o gol, o Brasil tinha que ir para frente, tudo bem. Fizesse o gol, volta normalmente a retranca e ficaria 1 a 1”.

Garrincha prosseguiu: “Quando empatamos, falei ‘agora o Telê vai plantar o time na defesa’, mas foi o contrário. Todos os jogadores queriam ir para a frente e fazer o gol, que foi um erro”.

Nessa manifestação, o ex-jogador citou dois titulares daquela seleção e reclamou do posicionamento: “Eu vi o Leandro jogar na frente do Júnior, do lado esquerdo. Nunca vi isso na minha vida. Só com o Telê que aconteceu isso. Eu acho que o Telê tinha que tomar providências naquele instante”.

No seu comentário, Garrincha não levou em consideração alguns detalhes da partida. A Itália fez  seu segundo gol numa falha em saída de de bola. O terceiro surgiu depois de uma jogada de escanteio. Entretanto, ele tem razão ao afirmar que faltou um cuidado defensivo maior para aquela seleção.

Sempre é bom ouvir Garrincha. Clique no player abaixo.

Garrincha

Memória: em 1982, Ataliba, então no Corinhtians, é entrevistado por João Zanforlin

Por Rodney Brocanelli

Ataliba foi um dos grandes jogadores do futebol paulista. Começou sua carreira pelo Juventus e foi um dos destaques do Moleque Travesso no final da década de 1970. Depois, se transferiu para o Corinthians, clube com o qual foi bicampeão paulista em 1982 e 1983. No ano seguinte, foi para o Santos e, mesmo na reserva, conquistou mais um título paulista, coincidentemente numa final contra o Corinthians. Suas qualidades como ponta direita eram inquestionáveis. Aliás, Ataliba teria um grande espaço no futebol de hoje, atuando pelo lado do campo. No entanto, ele tinha um problema, nada grave, mas um problema: era gago. Isso fazia com que não fosse procurado pelos repórteres de rádio antes ou depois dos jogos. Porém, em 1982, João Zanforlin, então no Escrete do Rádio, da Bandeirantes, quebrou essa regra e chamou o então jogador para uma entrevista, antes de uma decisão contra o São Paulo. Ataliba não fugiu do microfone e em pouco mais de um minuto deu seu recado da maneira que pode. Ao final, Fiori Gigliotti não se conteve: “entrevistar o Ataliba é sadismo”. Hoje, o ex-atleta trabalha como treinador e volta e meia é convidado para participar dos Donos da Bola, na TV Bandeirantes. João Zanforlin exerce a carreira de advogado, por vezes defendendo clubes de futebol ou jogadores nos tribunais de Justiça Esportiva. Ouça abaixo.

Ataliba e João Zanforlin

Memória: relembre um jingle para o giro do placar na Rádio Bandeirantes em 1982

Por Rodney Brocanelli

A qualidade do áudio não está aquelas coisas, mas vale pelo registro: um giro do placar da Rádio Bandeirantes em 1982, comandado por Fiori Gigliotti.  Na verdade, um jingle, no qual um coro feminino comandava as informações de tempo e placar. Algo arrojado (pelo vocal feminino) e moderno até para uma emissora que não inovava muito na época em termos estéticos.  Essa inovação era uma forma de se aproximar da plástica  de emissoras como as rádios Jovem Pan e Globo, que usavam e abusavam (no bom sentido, claro) das vinhetas durante as partidas de futebol. A Pan já fazia isso desde a primeira metade dos anos 70. Uma pena que não existam grandes referências de onde foi realizada este jingle que girava o placar na Bandeirantes. Se alguém tiver maiores informações, pode deixar aqui no sistema de comentários.

bandlogoantigo

Em 1982, Antonio Edson manda abraço para Cléber Machado, “torcendo para o time do Peixe”

Por Rodney Brocanelli

O canal Futnáticos, do YouTube, desencavou uma preciosidade histórica: o trecho de uma narração de Antonio Edson, então na Rádio Globo, para uma vitória do Santos sobre o Palmeiras pelo placar de 6 a 1. O detalhe curioso é que antes do sexto gol da equipe alvinegra, marcado por Paulinho, o narrador cita “Cléber Machado na audiência, torcendo para o time do Peixe”. O Futnáticos diz que esse Cléber Machado seria o hoje narrador da Rede Globo de Televisão. Será? Ouça o áudio no player abaixo. Em 2012, a revista Vip, da Editora Abril, publicou uma reportagem revelando o clube de coração de diversos cronistas esportivos e colocou o nome de Cléber na galeria dos torcedores santistas. Leia abaixo:

http://uolesportevetv.blogosfera.uol.com.br/2012/05/04/revista-vip-entrega-times-do-coracao-de-narradores-reporteres-e-comentaristas-de-futebol/

Ouça o áudio no player abaixo

Cleber Machado no Esporte em Discussao2

Relembre uma chamada da Rádio Bandeirantes para a transmissão das semifinais da Copa de 1982

Por Rodney Brocanelli

O Radioamantes apresenta mais uma relíquia do rádio: uma chamada veiculada na programação da Rádio Bandeirantes, em julho de 1982 anunciando a transmissão dos jogos da semifinal da Copa da Espanha, aquela mesma que trouxe muita decepção para o torcedor brasileiro. No dia 8 de julho, uma quinta-feira, a voz grave e marcante de Walker Blaz era um instrumento para a convocação dos ouvintes para duas jornadas esportivas. As 11h55 da manhã começaria a partida Polônia x Itália, partida que teria narração de Fiori Gigliotti, comentários de Dalmo Pessoa e reportagens de Flavio Adauto e João Zanforlin (um parêntese: era para o Brasil estar nessa semi). E as 16h, França e Alemanha fariam o outro jogo, com transmissão de Oscar Ulisses, comentários de Luiz Augusto Maltoni e reportagens de Sergio Carvalho. Áudio extraído dos arquivos de Onofre Favotto, que estão disponíveis na Internet. Ouça no player abaixo.

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Música-tema da Copa 2014 da Rádio Bandeirantes já foi usada pela Rádio Globo, em 1982

Por Rodney Brocanelli

Há pouco mais de um ano e meio, a Rádio Bandeirantes lançou a música-tema que é ouvida durante as transmissões esportivas, especialmente em jogos da seleção brasileira. Ela foi muito usada durante a Copa das Confederações do ano passado e certamente deverá ser executada na Copa de 2014, disputada no Brasil. Na verdade, é uma nova versão para “Coração do Mundo” (também conhecida como “Sou Tricampeão”), dos Golden Boys. Segundo o Edu Cesar, do Papo de Bola, ela será usada até os Jogos Olímpicos de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro. Ouça abaixo.

Entretanto, uma curiosidade: a mesma música já foi usada no ano de 1982, época da Copa do Mundo disputada na Espanha, pela Rádio Globo, na sua vinheta de identificação, aquela é tem a obrigatoriedade de entrar a cada hora cheia A voz é do saudoso Humberto Marçal. Ouça abaixo. O áudio foi extraído dos arquivos de Onofre Favotto, que estão disponíveis na internet.

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5 de julho de 1982. Há 30 anos, Brasil e Itália faziam uma das mais eletrizantes partidas da história das Copas

Por Rodney Brocanelli

O dia 5 de julho marcou uma das datas mais tristes na história da seleção brasileira de futebol. Jogando no estádio Sarriá, em Barcelona, os comandados de Telê Santana perdiam para a Itália pelo placar de 3 a 2 e davam adeus à Copa que no ano de 1982 era disputada na Espanha. Mesmo com as conquistas de 1994 e 2002, torcedores e jornalistas se perguntam até hoje sobre o que deu errado naquele dia. Bastava apenas um empate para que o Brasil chegasse às semifinais. Mas a Squadra Azurra apareceu pelo caminho. Além de adiar o sonho da conquista do título mundial, aquele resultado serviu para sepultar de vez a prática do futebol arte. Desde então, tivemos apenas alguns lampejos que apareciam de forma individual, graças ao talento de Romário e Ronaldo, cada um em sua época.

O blog Radioamantes leva você de volta ao dia 5 de julho de 1982. A nossa máquina do tempo é o rádio.

O quinto sinal da Rádio Bandeirantes marcava pontualmente 12h15, 16h15, horário local. Fiori Gigliotti anuncia o início da partida.

Para espanto geral, a Itáia saia na frente, logo aos 4 minutos de partida. Defesa brasileira vacilou. Paolo Rossi marcava, de cabeça. José Silvério estava na Jovem Pan.

A resposta brasileira não tardou. Sócrates recebeu um belo lançamento de Zico e avançou até entrar na área. O goleiro Dino Zoff tentou fechar o ângulo. Mas o Doutor, com o sangue frio que lhe era pecuilar, mandou para o gol. Osmar Santos narrou esse lance na Rádio Globo.

Mas Paolo Rossi se aproveitava mais uma vez de uma falha da defesa brasileira para marcar o segundo gol da Itália. O lance pegou muita gente desprevenida. José Silvério narrou esse lance na Jovem Pan.

No segundo tempo, o Brasil veio com tudo para tentar ao menos o empate. Falcão, na época o Rei de Roma, mandou um belo chute de média distância. E um detalhe que a televisão não mostrou: Cerezo, um dos responsáveis pelo lance que originou o segundo gol da Itália, chorou de emoção. José Silvério observou bem esse detalhe na Pan.

Armindo Antônio Ranzolin traduziu na Rádio Guaíba todo o orgulho pelo gol do “compatriota” Falção.

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Mas aquela não era a tarde do Brasil. Em um escanteio aparentemente inofensivo, a Itália chegaria ao seu terceiro gol. Mais uma vez, Paolo Rossi. Flávio Araújo, então na Rádio Gazeta (SP) não escondeu a decepção.

Na Rádio Nacional, o garotinho ligeiro José Carlos Araújo ficou de queixo caído com o gol de Rossi.

O Brasil quase conseguiu o empate em uma cabeçada do zagueiro Oscar. O goleiro Dino Zoff operou um verdadeiro milagre. José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, viu essa bola no gol.

Não teve jeito para o Brasil. O árbitro israelense (o Wikipedia diz que ele tem também nacionalidade romena) Abraham Klein apitou o fim de jogo. A perplexidade tomava conta da torcida brasileira. Fiori Gigliotti traduzia bem esse sentimento na Rádio Bandeirantes.

Passado o impacto da derrota, nada melhor que uma avaliação fria para se concluir em que a seleção brasileira errou. Eis a palavra de João Saldanha, então na Rádio Tupi. A metáfora do macaquinho é impagável.

Um giro do placar na Jovem Pan, em 1982

Por Rodney Brocanelli

Ouça abaixo o registro de um giro do placar numa transmissão da Jovem Pan, em 12 de setembro de 1982. José Silvério anuncia o placar de um São Paulo x Corinthians (placar final de 2 a 0 para o Corinthians), depois Edemar Annuseck diz quanto está o derby entre Guarani x Ponte Preta. Na seqüência, Milton Neves completa com os resultados dos outros jogos. Pena só que a qualidade do áudio não seja tão boa. Ouça clicando no player abaixo.