Congresso da ACEB debate problemas da imprensa com CBF e CONMEBOL

O VII Congresso da Associação de Cronistas Esportivos do Brasil (ACEB) foi realizado nesta sexta-feira (13 de março), no auditório da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), em Porto Alegre. O encontro reuniu presidentes ou representantes das 18 associações estaduais filiadas, além de convidados, para discutir pautas estratégicas do jornalismo esportivo.

Organizado pela ACEB com apoio da Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos (ACEG), o congresso abordou temas como a relação entre entidades do futebol e a imprensa, o credenciamento de profissionais da mídia e a aplicação da Lei Geral do Esporte.

Durante o evento, o diretor de Comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Fábio Seixas, apresentou o tema “Os novos rumos das relações entre a CBF e a imprensa”, sob a visão do presidente da entidade, Samir Xaud.

Representantes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também participaram do congresso. O Coordenador de Relações com a Imprensa da entidade, Ariel Ramirez, e o assessor de imprensa da Conmebol no Brasil, Roberto Falcão, falaram sobre a relação da entidade continental com a imprensa esportiva e os avanços da entidade no processo de credenciamento.

Outro assunto debatido foi a Lei Geral do Esporte, com destaque para o artigo 212, que trata do credenciamento de cronistas esportivos. Diz o texto da Lei:

“Art. 212. Os profissionais credenciados pelas associações de cronistas esportivos, quando em serviço, têm acesso a praças, estádios, arenas e ginásios esportivos em todo o território nacional, assegurando-se a eles ocupar, pelo menos, 80% (oitenta por cento) dos locais reservados à imprensa pelas respectivas organizações que administram e regulam a modalidade.

“Parágrafo único: os demais credenciamentos deverão ser disponibilizados a profissionais do jornalismo esportivo que estejam vinculados a veículos de rádio, TV e jornalismo impresso e digital dedicados à comunicação esportiva”.

CBF estuda limitar presença de influenciadores digitais à beira do campo de jogo, após debate com cronistas esportivos.

Um dos pontos sensíveis levado a debates no congresso foi a presença crescente de influenciadores digitais no gramado durante partidas de futebol, numa realidade em que os repórteres tradicionais de rádio e televisão sofrem grandes restrições.

A CBF estuda estabelecer novas regras para esse tipo de acesso após críticas de presidentes de associações de cronistas esportivos de todo o Brasil, que apontaram excesso de pessoas não credenciadas em áreas destinadas à imprensa. Fábio Seixas afirmou que a entidade reconhece a preocupação dos profissionais da cobertura esportiva.

Segundo ele, em alguns jogos foi possível observar muitos influenciadores dentro de campo, inclusive em estádios importantes do país, como o Maracanã.

“Vimos um grande número de influenciadores no gramado do Maracanã e em outros estádios. Entendemos a importância dos patrocinadores e das ações de marketing, mas a CBF tem regras rígidas para permitir a entrada de fotógrafos no campo. Precisamos garantir que o trabalho da imprensa não seja prejudicado”, afirmou.

Entre as medidas discutidas está a limitação deste número de influenciadores digitais no gramado, permitindo no máximo dez por partida, sendo cinco posicionados atrás de cada gol. Os nomes deverão ser informados previamente para análise da entidade, que pretende avaliar critérios como relevância, vínculo com ações oficiais e impacto de mídia antes de autorizar o acesso.

Credenciamento e acesso da imprensa

O vice-presidente da Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (ACERJ) e diretor da ACEB, jornalista Eraldo Leite, lembrou que já ocorreram reuniões com o setor de comunicação da CBF para discutir o tema.

Segundo ele, uma das principais preocupações é evitar que pessoas sem vínculo com veículos de comunicação, interessadas apenas em produzir conteúdo para suas redes sociais, ocupem espaços destinados ao trabalho jornalístico.

“Tivemos boas reuniões com a comunicação da CBF e levamos nossa preocupação com a presença de pessoas não capacitadas para exercer o jornalismo nos estádios. Queremos alinhar uma forma mais eficaz de filtrar a lista da imprensa que irá trabalhar nos jogos”, explicou.

Uma sugestão apresentada pelos jornalistas e prontamente aceita por Fábio Seixas é que as associações de imprensa encaminhem à CBF a lista sempre atualizada de profissionais registrados em seus quadros, ajudando a diferenciar jornalistas credenciados de criadores de conteúdo presentes apenas em ações promocionais.

Durante o congresso também foram discutidas propostas para ampliar o acesso da imprensa aos clubes e à seleção brasileira, como a abertura de um treino semanal para jornalistas e a retomada de coletivas de imprensa regulares, e efetivação da zona mista antes e depois dos jogos, prática adotada nas competições promovidas pela Fifa e pela Conmebol.

A expectativa é que essas mudanças possam ser incluídas no próximo Manual de Competições da CBF, com regras mais claras para credenciamento e acesso às áreas restritas dos estádios.

Conmebol também discute o tema

O Coordenador de Relações com a Imprensa da Conmebol, Ariel Ramirez, afirmou que a entidade também enfrenta situações semelhantes em suas competições.

Segundo ele, um influenciador chegou a ser suspenso após se comportar como torcedor durante um jogo do Flamengo.

“Tem gente que vai aos jogos por meio de promoções comerciais e já tivemos algumas situações problemáticas nesse sentido”, afirmou.

Ramírez diz que ainda é preciso aperfeiçoar a relação de confiança com os jornalistas, devendo existir respeito de parte a parte. E apresentou um dado que mostra que as críticas da imprensa brasileira à Conmebol caíram de 45% para 2.5% em 4 anos. Isso tem a ver com a designação de um jornalista brasileiro integrando a comunicação da Conmebol, hoje o experiente jornalista Roberto Falcão.

Seguindo o que já tinha sido criado pela Fifa, a entidade constituiu o seu “Media Hub Conmebol” que facilita o cadastramento dos jornalistas na hora de credenciamento para os jogos de futebol (“mediahub.conmebol.com). Neste quesito Ariel Ramírez ressaltou a importância do jornalista estar associado à entidade nacional do Brasil: “Ter a carteira ACEB é garantia de que ele é jornalista e pode ser credenciado pela Conmebol”, disse ele.

Eraldo Leite defendeu que CBF, Conmebol e associações de cronistas esportivos trabalhem em conjunto para padronizar o credenciamento no futebol brasileiro.

“Seria importante um trabalho conjunto para garantir que somente jornalistas participem das coberturas jornalísticas”, disse.

Fábio Seixas afirmou que as sugestões serão analisadas pela entidade.

“Vamos avaliar a melhor forma de melhorar esse trabalho e tentar padronizar o credenciamento em todo o Brasil”, concluiu.

Fonte: Aceg

Conmebol proíbe novamente “lives” com imagem dos profissionais transmitindo jogos

Por Rodney Brocanelli

Pelo segundo ano seguido, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) vai proibir que as emissoras de rádio façam transmissões dos jogos das copas Libertadores e Sul-Americana com imagens mesmo que sejam de seus narradores e comentaristas (as populares “lives”).

A medida foi divulgada pela entidade em janeiro deste ano, dentro de um pacote de normas que está compilada em um documento chamado Guía para los No Titulares de Derecho (NRH) (ou Guia para Não Detentores de Direitos). Ele está disponível no site oficial e pode ser visto aqui em espanhol.

“As rádios não estão autorizadas a fazer nenhum tipo de imagem, incluindo do narrador e dos comentaristas, em suas transmissões”, diz explicitamente o trecho.  O documento fala sobre o acesso desses “não detentores de diretos” dentro do estádio. Não há qualquer tipo de menção sobre narrações e comentários feitos nos estúdios das emissoras.

A medida em si não é inédita. Ela já foi implementada em 2019, com repercussão negativa por parte de alguns veículos. A Rádio Jovem Pan abordou o assunto no programa Esporte em Discussão. Por sua vez, a Rádio Inferno, emissora da internet ligada a profissionais que torcem pelo Internacional emitiu comunicado repudiando a medida (veja aqui).

confdsulamericana

Conmebol não deverá cobrar do rádio os direitos de transmissão. Por enquanto

Por Rodney Brocanelli

A Conmebol não deverá cobrar direitos de transmissão dos jogos das competições que organiza (Libertadores, eliminatórias para a Copa e Sul-americana) para o ano de 2020. No entanto, isso não significa que a entidade tenha deixado de lado essa ideia, pretendendo retomá-la mais adiante. Essas informações foram divulgadas pelo jornalista  Martin Gomez de Freitas, dirigente do Circulo de Periodistas Deportivos del Uruguay. Ele participou, via Whatsapp, do programa Esperando o Futebol, da Rádio Guaíba, nesta quinta (17 – ouça abaixo).

Em julho último, o jornalista Cristiano Silva, da Rádio Guaíba, divulgou a informação de que a Conmebol estaria propensa a cobrar das rádios os direitos de transmissão de suas competições (saiba mais) a partir do ano que vem.

Ainda segundo Freitas, em sua participação na Guaíba, existe um movimento de muitas rádios sul-americanas, lideradas por emissoras chilenas, para solicitar à Conmebol o não pagamento de direitos da próxima edição da Copa América de 2020, a ser disputada na Argentina e na Colômbia.

Esses veículos já pagaram para irradiar a edição disputada neste ano, aqui no Brasil. Eles até topam pagar pelas posições de transmissão no estádios, algo que é comum em competições dessa natureza, mas existe o incômodo de se pagar duas vezes os direitos de uma competição foi organizada dois anos em sequência.  (2019 e 2020). A Conmebol tomou essa medida para que a sua competição de seleções seja disputada no mesmo ano que a Eurocopa.

Embora Freitas não tenha dito claramente, provavelmente as emissoras do continente não tenham neste momento caixa suficiente para pagarem duas vezes seguidas para transmitir a Copa América.

A proposta das emissoras sul-americanas será apresentada no próximo dia 10 de dezembro, na Colômbia, em uma reunião que antecederá o sorteio de grupos da Copa América 2020.

confdsulamericana

.

Conmebol proíbe “lives” com imagem dos profissionais transmitindo jogos; emissoras reagem

Por Rodney Brocanelli

Nesta semana, a Conmebol reiterou a proibição para as “lives” (ou transmissões) de futebol das emissoras de rádios nas redes sociais. Explicando: para garantir presença em sites como o Facebook e sites como o YouTube, muitas estações de rádio adotaram o recurso de colocar o áudio das narrações nestes espaços, com a imagem dos profissionais que transmitem os mais importantes jogos de futebol. Como as rádio não detêm os diretos de imagem da bola rolando, elas instalam suas câmeras nas respectivas cabines, mas viram suas câmeras para narrador e repórter. Mesmo assim, a entidade máxima do futebol sul-americano está com uma fiscalização bem rígida e notificando as rádios para que elas tirem essas “lives” do ar, caso tenham imagens em movimento. A saída é colocar apenas uma arte, com o logo da emissora e os distintivos da equipe. Assim pode, segundo a Conmebol.

As reações a essa determinação já começaram a acontecer. A Rádio Jovem Pan, de São Paulo,  durante a edição do Esporte em Discussão do último dia 31 de julho, dedicou quase nove minutos ao assunto. Wanderley Nogueira leu um editorial  (veja abaixo) informando aos ouvintes que estranharam o corte abrupto na tranmissão de Palmeiras x Godoy Cruz, na última terça-feira (30). “Determinação lamentável”, disse ele. “Não estávamos mostrando o campo, e muito menos o jogo, evidentemente. A Jovem Pan mostrava pelo seu canal a emoção de uma narração de futebol. A expressão nos comentários, do Mauro Beting, por exemplo. A explosão do gol do Nilson Cesar(….). Mais uma atração, diferente. E a Conmebol, insensível, impediu isso”.

A Aceg (Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos) emitiu uma nota no mesmo dia 30 de julho, informando as limitações impostas pela Conmebol, com uma advertência: “O descumprimento da norma pode acarretar em sanções tanto para o veículos, como para o cronista esportivo”. Até o momento em que publicamos esta nota, a Aceesp (Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo) não havia soltado qualquer tipo de comunicado sobre o tema.

Pouco depois, a Rádio Inferno, emissora ligada a profissionais que torcem pelo Internacional, de Porto Alegre, publicou uma nota oficial informando sobre o veto da Conmebol. “É inconcebível que, em pleno 2019, a Conmebol esteja restringindo a veiculação de jornadas esportivas que exibem os comunicadores em plataformas digitais. Entendemos e respeitamos a decisão de não veicular imagens de jogo por compreendermos que sim, é direito restrito aos veículos que compram dada concessão acerca da partida e da competição. No entanto, nos indigna que essa arbitrariedade  venha a tolir nosso (e de demais colegas) o direito de veiculação da imagem dos comunicadores, uma vez que não somos integrantes da competição, mas sim instrumentos jornalísticos que estão atuando na cobertura do evento, além de, este fato, consistir, segundo nosso entendimento em nossa própria imagem, ou seja sobre o que a instituição não detém direitos ou monetização, muito menos interesses capitais”, diz um trecho (leia a íntegra aqui).

Essa atitude da Conmebol é apenas uma prévia do que poderá vir por aí.  Na sexta retrasada (26), o repórter Cristiano Silva, da Rádio Guaíba, informou dentro do programa Ganhando o Jogo, que a entidade poderá cobrar direitos das rádios para a transmissão das partidas tanto da Libertadores, como da Sul-americana (saiba mais aqui).

confdsulamericana

 

 

Conmebol caminha para vender direitos de transmissão da Libertadores e Sul-americana à rádios

Por Rodney Brocanelli, com a colaboração de Edu Cesar

A edição desta sexta-feira (26) do Ganhando o Jogo, da Rádio Guaíba, trouxe uma informação que poderá mudar os rumos da transmissão esportiva pelo rádio. Segundo o repórter Cristiano Silva, a Conmebol, organizadora das principais competições interclubes do continente deverá cobrar direitos de transmissão para os jogos da Copa Libertadores e Copa Sulamericana. Cristiano revelou alguns valores: R$ 15 mil apenas para uma cabine para três pessoas no estádio. Para colocar repórter no gramado: R$ 10 mil. Para um repórter estar na zona mista e entrevistar jogadores, mais R$ 5 mil. E para participar da entrevista coletiva, a emissora desembolsará mais R$ 10 mil.

Ainda conforme Cristiano Silva, essa cobrança era para ter acontecido há muito mais tempo. Esse plano só não foi colocado em prática, devido aos escândalos que a Conmebol enfrentou nos últimos anos. Agora, sob nova direção, tudo caminha para a implantação dessa medida a partir do ano que vem. Existem conversas com emissoras de rádio em andamento, entre elas a Itatiaia, de Belo Horizonte.

O comentarista Carlos Guimarães disse temer que esse processo, o qual chamou de elitização, possa gerar um monopólio em que só quem tenha dinheiro consiga comprar esses direitos de transmissão que serão cobrados no futuro.

Outros temas ligados à comunicação  também entraram na conversa, como a precarização da profissão de jornalista e especialmente da de radialista, a transmissão de jogos de futebol  via tubo, a moda dos podcasts, programas de rádio veiculados com imagem em redes sociais, entre outros. Ouça abaixo.

Ganhando o Jogo Guaiba