Por Marcos Lauro
No último dia 12, a Jovem Pan recebeu o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, em seu estúdio. Nos microfones da Pan, a jornalista Rachel Sheherazade e o historiador Marco Antonio Villa. E o que poderia ser um espaço para esclarecimentos às críticas realizadas pela emissora (e, claro, por boa parte da população), se transformou num dos mais horrendos exemplos de como não se fazer jornalismo. De como não se entrevistar alguém (prefeito, artista, gari… qualquer “alguém”) numa rádio.
A emissora, já há algum tempo, adotou um lado. E não há nada de errado nisso. É honesto, transparente e já usual. O problema é que a Jovem Pan adotou um lado e um discurso que é muito conhecido de quem é usuário de internet e das mídias sociais: o discurso vazio, despreparado, rancoroso, sarcástico ao extremo, que beira o desrespeito. No Twitter, por exemplo, não basta dizer que o prefeito é “ruim”. Tem que inventar um apelido, tripudiar, fazer brincadeiras de gosto duvidoso. E é assim, dessa forma, quase infantil, que a Jovem Pan vem se comportando quando trata de assuntos políticos. Tirar informações do contexto para prejudicar um partido político ou uma figura política? Vale. Chamar um prefeito em seu estúdio e tentar tripudiar, fazer brincadeirinhas fora de hora (o que foi aquela conversa sobre grafitti???)? Também vale.
Claro que o discurso de boa parte dos “fãs” do prefeito também é nesse nível, baixo. Mas o que se espera de uma emissora com a audiência, o porte e a importância da Jovem Pan, é que coloque alguém minimamente preparado para trocar algumas dúzias de palavras com o prefeito de uma cidade, que tenha bagagem para criticar e rebater de forma decente e respeitosa alguma informação que não lhe cair bem. O que foram aqueles comentários sobre a CET, no meio da entrevista? Um discurso de fila de supermercado, no mínimo.
Caso você tenha estômago, a entrevista está no player abaixo. Perceba como a conversa já começa torta, com a entrevistadora dizendo que na sua cidade ela levava vinte minutos para chegar nos lugares e que em São Paulo e tudo mais demorado. Detalhe: a profissional em questão é de João Pessoa, na Paraíba, cidade que tem cerca de 780 mil habitantes. Um discurso de quem “xinga muito no Twitter” e não pesquisa ou pensa minimamente o que vai dizer antes de ligar o microfone.