Ainda hoje lembrado pela série de comerciais inesquecíveis da Bozzano, Oliveira Netto foi, sem dúvida, uma daquelas pessoas que ninguém, jamais, esquece depois de conhecê-las.
Natural de Botucatu, interior paulista, tinha 81 anos. Dono de voz grave, personalíssima, inspirou seu trabalho em Ramos Calhelha.
Sem o menor constrangimento, pelo contrário, Oliveira Netto sempre manifestou admiração por Calhelha (à direita), considerado “Mestre dos mestres da narração”. Enganava-se quem supunha que a comparação o aborrecia. Pelo contrário, Oliveira Neto sentia um misto de prazer e orgulho quando alguém lembrava a semelhança de estilo com o colega locutor.
Conheci Oliveira Netto em meados dos anos 1990, no estúdio Banda Sonora, quando este se mudou para o Campo Belo, em São Paulo, capital. Procurei, na rede, uma foto que me remetesse ao Oliveira que conheci e a mais próxima foi essa, do violeiro. Calmo, andar cadenciado, nessa época estava em tratamento de algo que o incomodava nos ouvidos. Queixava-se que o problema o atrapalhava na hora de gravar, mas, apesar do que sentia, mandava muito bem diante do microfone.
Sempre digo que os caminhos profissionais acabam, por vezes, nos separando de pessoas que gostaríamos de ter mais próximas e Oliveira Netto foi uma dessas pessoas.
Comentário: O Aloísio Mathias divulgou em seu perfil no Facebbok um áudio de Oliveira Neto no qual o locutor interpreta um texto Eu Sou o Rádio. Ouça abaixo.