Morre Oliveira Neto

Por Flávio Guimarães

Ainda hoje lembrado pela série de comerciais inesquecíveis da Bozzano, Oliveira Netto foi, sem dúvida, uma daquelas pessoas que ninguém, jamais, esquece depois de conhecê-las.

Natural de Botucatu, interior paulista, tinha 81 anos. Dono de voz grave, personalíssima, inspirou seu trabalho em Ramos Calhelha.

Sem o menor constrangimento, pelo contrário, Oliveira Netto sempre manifestou admiração por Calhelha (à direita), considerado “Mestre dos mestres da narração”. Enganava-se quem supunha que a comparação o aborrecia. Pelo contrário, Oliveira Neto sentia um misto de prazer e orgulho quando alguém lembrava a semelhança de estilo com o colega locutor.

Conheci Oliveira Netto em meados dos anos 1990, no estúdio Banda Sonora, quando este se mudou para o Campo Belo, em São Paulo, capital. Procurei, na rede, uma foto que me remetesse ao Oliveira que conheci e a mais próxima foi essa, do violeiro. Calmo, andar cadenciado, nessa época estava em tratamento de algo que o incomodava nos ouvidos. Queixava-se que o problema o atrapalhava na hora de gravar, mas, apesar do que sentia, mandava muito bem diante do microfone.

Sempre digo que os caminhos profissionais acabam, por vezes, nos separando de pessoas que gostaríamos de ter mais próximas e Oliveira Netto foi uma dessas pessoas.

Comentário: O Aloísio Mathias divulgou em seu perfil no Facebbok um áudio de Oliveira Neto no qual o locutor interpreta um texto Eu Sou o Rádio. Ouça abaixo.

O meu dia de Di Vasca*

Por Marcos Lauro

Deixei minha vida de locutor em 2006. Por dois motivos: descobri o jornalismo impresso/web na minha vida e tive a certeza de algo que já desconfiava – locutor é um dos profissionais que mais se desvaloriza no seu mercado de trabalho. Essa minha fase durou seis anos. Depois (e até hoje) fiz só alguns trabalhos esporádicos na área.

Hoje uma pessoa para quem trabalhei por algum tempo me procurou para atualização do áudio de uma web-rádio que montei do zero, sozinho. O pacote sugerido: 10 vinhetas e mais dois spots, com duas vozes, uma masculina e uma feminina, nos moldos do que já está no ar, por R$ 1.800,00. Segue o diálogo:

Ex-contratante
Opa, tudo bem e com vc? Te mandei uma resposta na data de ontem, não recebeu? Confesso que fiquei assustado ao ler o valor, se estivesse em pé teria caido…. Pelo valor informado no momento observo que é totalmente inviável fazer esse investimento agora, depois pesquise na internet ótimas empresas que oferecem o mesmo tipo de serviço (pacotes) e compare que o valor informado por vocês está fora da realidade. Mesmo assim, agradeço amigo. Abs.

Marcos Lauro
Mas só pra adiantar: tem empresa que se diz produtora de áudio que faz 10 vinhetas por R$ 100. Nâo é lenda, eu já vi. Só não garanto qualidade e exclusividade na produção, entendeu? As mesmas vinhetas que venderem pra você, vão vender pra outras rádios só gravando voz por cima.
O valor foi baseado no cachê dos locutores, que são bem justos. Vou ver com eles se tem jogo.
Abração.

Ex-contratante
Então o meu cachê é de quanto?

Marcos Lauro
Aí cê já perdeu a razão…
Abraço.

Por causa de locutor que cobra R$ 10, R$ 15 por vinheta existe essa mentalidade, de que é só se sentar na frente de um microfone qualquer e falar, gravar, editar… tudo assim, rápido. E assim, me desculpe ex-contratante, eu não faço.

* Di Vasca é um blogueiro, designer, que narra suas desventuras no universo do “favorzinho” e da “camaradagem”. Pediu desconto abusivo ou trabalho de graça pra ele, saiu no blog. Sem dó.