Ouça o Radioamantes no Ar

Nesta semana, o Radioamantes no Ar falou sobre a saída de Marco Antõnio Pereira da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, do bordão usado por Pedro Ernesto Denardin, da Rádio Gaúcha, que foi consagrado pelos apoiadores do presidente eleito Jair Bolsonaro, e dos riscos de uma possível chegada de Mario Celso Petraglia, cartola do Atlético-PR, a uma secretaria ligada ao esporte no próximo governo. O Radioamantes no Ar é veiculado todas as sextas, sempre a partir das 09h, pela web rádio Showtime (http://showtimeradio.com.br). Com Rodney Brocanelli, João Alckmin e Rogério Alcântara.

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Chegada de Mario Celso Petraglia ao ministério do Esporte poderá ser um risco ao rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Mario Celso Petraglia, atual homem forte do Atlético-PR, deverá fazer parte do governo de Jair Bolsonaro. Segundo a jornalista Tabata Viapiana, da CBN, o dirigente foi sondado para ser ministro do Esporte (veja aqui). Petraglia teria recusado o convite, mas desejaria fazer parte do próximo governo, ocupando uma secretaria. Eis algumas de suas intenções:  atuar firme no âmbito da Confederação Brasileira de Futebol e promover alterações na Lei Pelé. É aqui que mora o perigo, especialmente no que diz respeito ao rádio esportivo.

Petraglia é conhecido por desejar que as emissoras de rádio paguem pelos direitos de transmissões das competições de futebol brasileiro. Em 2008, às vésperas do campeonato brasileiro,  o Atlético-PR surgiu com a ideia de cobrar para que seus jogos fossem irradiados pelo rádio.  Na ocasião, foi oferecido um pacote para a transmissão dos 38 jogos que a equipe faria até o final no ano no valor de R$ 486 mil (veja aqui). O valor individual para cada partida foi fixado em R$ 15 mil. Na ocasião, Mario Celso Petraglia era presidente do conselho deliberativo do clube (veja aqui). Após a reação das emissoras de rádios e da associação que representa os seus interesses, a ideia não prosperou.

Apesar do fracasso da iniciativa de 2008,  assim que Petraglia assumiu novamente a presidência do Atlético-PR, em 2013,  ele impôs restrições ao trabalho da imprensa local, fazendo com que jogadores, dirigentes e membros das comissões técnicas que estiveram no clube desde então falassem apenas ao veículo oficial do clube (veja aqui). Em entrevistas à grandes veículos de imprensa, caso dos canais ESPN (veja aqui) e diário Lance (veja aqui), o cartola falou sobre sua iniciativa.

Em 2011, a lei 12.395, que promoveu alterações na Lei Pelé, tinha em seu texto original a obrigatoriedade da cobrança de direitos das emissoras de rádio de espetáculos esportivos. Na época, com a atuação do senador Álvaro Dias, então no PSDB, essa proposta foi suprimida (veja aqui).

Uma vez dentro do governo Bolsonaro e com poderes para mexer na Lei Pelé e conhecendo seu histórico, tudo indica que Mario Celso Petraglia poderá trabalhar bastante para colocar a sua ideia em prática.

Se por um lado, essa cobrança poderá representar uma fase de profissionalização na relação entre clubes e emissoras, por outro ela poderá ser danosa à classe dos cronistas esportivos. Em 2008, o valor cobrado pelo Atlético-PR foi de quase meio milhão de reais, valor considerado fora da realidade. O preço a possivelmente ser cobrado no futuro não deverá ser simbólico. Grandes emissoras (e bota grandes nisso) até poderão pagar o que lhes for cobrado, mas e as de médio e pequeno porte, especialmente as do interior do país?

Com isso, o panorama poderá ser sombrio: emissoras abandonado as transmissões esportivas e mais profissionais desempregados.

Claro que tudo ainda está na base da hipótese. Petraglia precisa aceitar o convite e será necessário também ter ideia de qual será seu poder de atuação. No entanto, devido ao seu histórico, nunca é demais fazer esse alerta.

procuresaber

 

 

 

Mario Celso Petraglia e o Procure Saber: tudo a ver

Por Rodney Brocanelli

Nos últimos dias, iniciou-se um forte debate sobre colocando em lados opostos um grupo de artistas e um outro grupo formado por escritores e jornalistas. O primeiro está mobilizado para combater a comercialização de livros que trazem biografias não autorizadas. O debate vai longe. Na saraivada de manifestações que se seguiram, uma delas chama a atenção: a do cantor Djavan. Em nota publicada há poucos dias, ele disse que “editores e biógrafos ganham fortunas”. Tal declaração foi firmemente rechaçada por muitos. “O que isso tem a ver com o rádio?”, podem perguntar alguns? Recomendo que vejam e ouçam um trecho da entrevista de Mario Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, concedida ao programa Bola da Vez, dos Canais ESPN.

http://www.espn.com.br/video/361162_presidente-do-atletico-pr-diz-que-ira-cobrar-direitos-de-transmissao-das-radios-sou-contra-o-de-graca

Reparem como o discurso é quase igual. Petraglia acha que donos de rádio também ganham fortunas. Não seria surpresa para este blog se o movimento Procure Saber convidasse Mario Celso Petraglia para que ele engrosse suas fileiras.

procuresaber