Chegada de Mario Celso Petraglia ao ministério do Esporte poderá ser um risco ao rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Mario Celso Petraglia, atual homem forte do Atlético-PR, deverá fazer parte do governo de Jair Bolsonaro. Segundo a jornalista Tabata Viapiana, da CBN, o dirigente foi sondado para ser ministro do Esporte (veja aqui). Petraglia teria recusado o convite, mas desejaria fazer parte do próximo governo, ocupando uma secretaria. Eis algumas de suas intenções:  atuar firme no âmbito da Confederação Brasileira de Futebol e promover alterações na Lei Pelé. É aqui que mora o perigo, especialmente no que diz respeito ao rádio esportivo.

Petraglia é conhecido por desejar que as emissoras de rádio paguem pelos direitos de transmissões das competições de futebol brasileiro. Em 2008, às vésperas do campeonato brasileiro,  o Atlético-PR surgiu com a ideia de cobrar para que seus jogos fossem irradiados pelo rádio.  Na ocasião, foi oferecido um pacote para a transmissão dos 38 jogos que a equipe faria até o final no ano no valor de R$ 486 mil (veja aqui). O valor individual para cada partida foi fixado em R$ 15 mil. Na ocasião, Mario Celso Petraglia era presidente do conselho deliberativo do clube (veja aqui). Após a reação das emissoras de rádios e da associação que representa os seus interesses, a ideia não prosperou.

Apesar do fracasso da iniciativa de 2008,  assim que Petraglia assumiu novamente a presidência do Atlético-PR, em 2013,  ele impôs restrições ao trabalho da imprensa local, fazendo com que jogadores, dirigentes e membros das comissões técnicas que estiveram no clube desde então falassem apenas ao veículo oficial do clube (veja aqui). Em entrevistas à grandes veículos de imprensa, caso dos canais ESPN (veja aqui) e diário Lance (veja aqui), o cartola falou sobre sua iniciativa.

Em 2011, a lei 12.395, que promoveu alterações na Lei Pelé, tinha em seu texto original a obrigatoriedade da cobrança de direitos das emissoras de rádio de espetáculos esportivos. Na época, com a atuação do senador Álvaro Dias, então no PSDB, essa proposta foi suprimida (veja aqui).

Uma vez dentro do governo Bolsonaro e com poderes para mexer na Lei Pelé e conhecendo seu histórico, tudo indica que Mario Celso Petraglia poderá trabalhar bastante para colocar a sua ideia em prática.

Se por um lado, essa cobrança poderá representar uma fase de profissionalização na relação entre clubes e emissoras, por outro ela poderá ser danosa à classe dos cronistas esportivos. Em 2008, o valor cobrado pelo Atlético-PR foi de quase meio milhão de reais, valor considerado fora da realidade. O preço a possivelmente ser cobrado no futuro não deverá ser simbólico. Grandes emissoras (e bota grandes nisso) até poderão pagar o que lhes for cobrado, mas e as de médio e pequeno porte, especialmente as do interior do país?

Com isso, o panorama poderá ser sombrio: emissoras abandonado as transmissões esportivas e mais profissionais desempregados.

Claro que tudo ainda está na base da hipótese. Petraglia precisa aceitar o convite e será necessário também ter ideia de qual será seu poder de atuação. No entanto, devido ao seu histórico, nunca é demais fazer esse alerta.

procuresaber

 

 

 

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