Um pouco atrasado, Rodney Brocanelli encerra sua série de análises sobre a cobertura do rádio na recém-encerrada Copa do Mundo de 2026. Diferentemente de algumas avaliações que apontaram decepção com o trabalho realizado pelas emissoras, Brocanelli não compartilha dessa visão e destaca exemplos de veículos que procuraram investir em uma cobertura diferenciada, especialmente com a presença de repórteres nos locais dos acontecimentos.
Durante a competição, algumas emissoras optaram por concentrar seus esforços na transmissão dos jogos. Foi o caso da Energia 97, que apostou principalmente no carisma e na participação de seus profissionais para conduzir a cobertura. A Rádio Gaúcha, por outro lado, adotou uma estratégia diferente e priorizou o trabalho de reportagem diretamente nos locais onde os fatos aconteciam.
Outro ponto destacado por Brocanelli foi a decisão da entidade máxima do futebol mundial de não permitir que o Centro Internacional de Transmissão, conhecido como IBC, fosse utilizado para a realização de programas e transmissões de partidas. A medida provocou reação de profissionais de rádio, entre eles João Paulo Cappelanes, da Rádio Bandeirantes, que manifestou seu descontentamento com a determinação.
A análise também relembra que a Rádio Guaíba esteve próxima de transmitir a Copa do Mundo de 2026. As negociações, entretanto, não avançaram, e a emissora acabou optando por uma alternativa: produzir programas especiais ao longo da competição, mantendo a participação na cobertura do Mundial mesmo sem a transmissão direta das partidas.
Emissora criada a partir das recentes mudanças do dial da Grande São Paulo, a Rádio 86.3 tem veiculado uma atração que agrada aos que estão ligados na história do futebol brasileiro e até mesmo do rádio esportivo. Apresentado em três edições, o programa Jogos Inesquecíveis utiliza o vasto acervo da Rádio Bandeirantes para veicular partidas históricas do famoso esporte bretão que consagrou _____________ (complete com o nome do seu jogador preferido).
Durante o período da recém terminada Copa do Mundo, foram apresentados jogos importantes da seleção brasileira em mundiais anteriores, equilibrando sucessos (Brasil 1 x 0 Suécia, semifinal da Copa de 1994 e fracassos (Brasil 0 x 3 França, final do Mundial de 1998).
As partidas foram apresentadas de forma compacta. Em alguns casos, a reprise dos jogos durou o tempo total do programa (uma hora). Em outros, são apresentados até dois jogos, cuja duração se aproxima dos 30 minutos.
Uma vantagem é que não é apenas a reprise pela reprise. Logo no início de Jogos Inesquecíveis, é apresentado um texto contextualizando a partida em questão. Outro aspecto positivo é o trabalho de profissionais que passaram pelo microfone da Bandeirantes foi preservado, exemplos de Fiori Gigliotti, José Silvério, Dirceu Marcholi, Éder Luiz, Flávio Araújo e Ennio Rodrigues. Alguns deles deixaram a emissora em circunstâncias, digamos, estranhas, casos de Fiori e Silvério. Outros brilham na concorrência, exemplos de Éder (hoje na TMC) e Dirceu (Rádio Craque Neto).
Com o final da Copa do Mundo, o projeto se volta para o futebol de clubes. Neste final de semana, foi possível ouvir Palmeiras 4 x 0 Corinthians, final do campeonato paulista de 1993 e Corinthians 7 x 1 Santos, goleada válida pelo campeonato brasileiro de 2005. A expectativa é que triunfos do Santos e de outros clubes sejam contemplados na atração futuramente.
A Rádio 86.3 está no ar desde maio, como resultado de uma composição entre o Grupo Bandeirantes e a Fundação Gamaro, que fizeram uma troca de frequências. A Rádio Bandeirantes estava no ar ocupando essa faixa no FM estendido. Enquanto isso, a outra parte era proprietária dos 107,3Mhz, que desde 1986 teve programação própria como Rádio Brasil 2000. A partir de 2011, essa frequência foi cedida para o Grupo Estado, que manteve no ar a Eldorado FM.
A operação da 83.3 é mantida pelo Grupo Bandeirantes. Conforme informações divulgadas por outros veículos, seu perfil é de caráter educativo. No entanto, parte da grade é ocupada por reprises de programas da Bandeirantes. como o Memória e Do Bom e do Melhor. Quanto a este último, uma curiosidade. Logo no início das transmissões, eram divulgadas reprises dos programas apresentados por Cátia Fonseca, profissional que deixou o Grupo Bandeirantes, após insatisfações de ambas as partes.
Programetes antigos do Projeto Escola Voluntária, projeto educacional da Rádio Bandeirantes, são divulgados várias vezes por dia. Pílulas inéditas sobre saúde e educação (estas em parceria com o Instituto Arte Na Escola e a Fundação Iochpe) também são veiculadas em vários momentos da programação.
Um problema desta emissora é que ela parece ser bem artificial, a começar pelas vinhetas, que são cantadas. A programação é previamente gravada. Os locutores e apresentadores dos boletins e programas não tem nome. Os responsáveis pelos textos não são creditados, nem a equipe de retaguarda.
O sempre bem-informado Murilo Augusto trouxe na vigésima edição de sua coluna Nas Ondas do Dial que a 86.3 deverá ter novidades em breve (clique aqui para ver). Espera-se que não mexam em Jogos Inesquecíveis.
As rádios do Grupo Bandeirantes encerraram a cobertura da Copa do Mundo 2026 com resultados expressivos em uma ampla operação multiplataforma. Com o selo Voz Oficial da competição, a disputa esteve em diferentes canais, como as rádios Bandeirantes, BandNews FM, Band FM e Nativa, no Bandplay, YouTube, Fast TV e nas redes sociais.
Durante o evento esportivo, mais de 140 profissionais fizeram parte das equipes responsáveis pelas veiculações, entre apresentadores, repórteres, narradores, comentaristas, operadores, engenheiros, assistentes e técnicos. A estrutura montada passou por quatro países e sete cidades-sede, resultando em 146 transmissões e 716 horas de programação.
A estratégia integrada de distribuição alcançou 22,6 milhões de ouvintes*, gerou 25,5 bilhões de impactos**, 153 milhões de impressões e 114 milhões de visualizações nas mídias digitais. No aplicativo de streaming gratuito do conglomerado, o conteúdo ultrapassou 91 mil acessos, enquanto a presença nos serviços LG Channels e TCL Channel chegou a 28 milhões de aparelhos conectados.
*Fonte: Ibope EasyMedia (abril a junho de 2026). Alcance extrapolado para as 12 praças, ambos os sexos, das 0h às 24h
**Fonte: Ibope EasyMedia (abril a junho de 2026). Alcance extrapolado para as 12 praças, referente ao plano comercial da Copa do Mundo, ambos os sexos, das 0h às 24h
Um dos gigantes da narração esportiva, José Silvério tem uma marca histórica em sua carreira: ele conseguiu narrar onze finais de Copa do Mundo nos estádios e por duas emissoras diferentes. Vamos relembrar então cada uma delas, com direito a histórias de bastidores e os registros dos gols (e pelo menos uma disputa dos tiros livres da marca do pênalti) narrados por ele de 1978 a 2018, seu último mundial, pela Bandeirantes. O narrador deixou a emissora do Morumbi em 2020. Teve uma brevíssima passagem pela Rádio Capital entre os meses de junho e setembro de 2021. Hoje, curte sua aposentadoria. Texto publicado em 2002 (veja aqui) e devidamente atualizado.
1978/Argentina – Foi a primeira Copa de Silvério pela Rádio Jovem Pan, na Argentina. Em outubro de 1977, ele substituiu Osmar Santos, que havia se transferido pela Rádio Globo. Seu prestígio na emissora era tamanho, que ele foi escalado pelo Seu Tuta para fazer a decisão do terceiro lugar, envolvendo Brasil x Itália e a grande final, entre os donos da casa e a Holanda. O que ninguém imaginava é que uma úlcera fosse atrapalhar a transmissão. “Eu narrei a final sangrando, literalmente”, disse ele em uma entrevista ao programa Sofá Bandeirantes. Por muitos anos, o registro desta final foi uma “lost midia”, termo que é muito usado para a memória de televisão, mas que pode ser aplicado ao rádio. Em 2024, ele foi divulgado pelo jornalista .Thiago Uberreich ( a quem agradecemos pela cessão deste áudio).
1982/Espanha – Era uma final em que o Brasil deveria estar. Pelo menos essa era a expectativa de quase 120 milhões de brasileiros e outros milhares de admiradores do futebol espalhados pelo planeta. A seleção comandada por Telê Santana, apesar de alguns defeitos, encantou a muitos. Só não estava no script a eliminação na partida contra Itália. Bastava apenas um empate, mas o talento de Paolo Rossi e a disciplina tática dos outros jogadores da Azzurra acabaram com o sonho brasileiro. Depois de eliminar a Polônia na semifinal, os italianos se classificaram para a grande final com a Alemanha. Silvério esteve lá pela Jovem Pan e sem incidentes desta vez. Placar final: 3 a 1 Itália. Ouça abaixo.
1986/México – Telê Santana novamente comandou a seleção brasileira, com remanescentes da Copa anterior e uma nova geração que surgiu neste período de quatro anos. O começo da campanha não empolgou muito, mas o Brasil avançou para a fase de mata-mata, que voltou a ser implantada após uma pausa em 1974. Nas quartas-de-final, a seleção brasileira foi eliminada nos pênaltis pela seleção francesa. Enquanto isso, um personagem emergia: Maradona. Com gol de mão, gol de placa e uma técnica acima da média, ele colocou a Argentina na final. Por outro lado, a Alemanha também chegou para a disputa do título, repetindo 1982. Placar final: Argentina 3 a 2. Ouça abaixo.
1990/Itália – A Copa marcada pelo início da Era Dunga. Sob o comando de Sebastião Lazzaroni, a seleção brasileira apresentou um futebol que não despertou suspiros. Para piorar, houve problemas com dinheiro de patrocinador, o que fez com que os jogadores convocados não contassem com muita simpatia, sendo considerados mercenários. Mais uma vez quem brilhou foi Maradona. Na partida eliminatória da Argentina contra o Brasil, mesmo cercado por três jogadores, o camisa 10 argentino conseguiu dar um passe para Caniggia fazer o gol da classificação. Os argentinos ainda desclassificaram os donos da casa e chegaram à final. Do outro lado, adivinhem, a Alemanha. Depois de dois revezes, havia chegado a hora dos alemães ficarem com o título. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.
1994/EUA – Temos aqui a sequência da Era Dunga, com remanescentes da copa anterior. Apesar da desconfiança que surgiu no período das eliminatórias, a seleção brasileira foi crescendo na hora certa (e vale o clichê aqui). Carlos Alberto Parreira talvez tenha feito o seu melhor trabalho como técnico. Romário foi um dos destaques. Outro foi justamente Dunga, execrado após o fracasso na Itália. E por falar no país da Bota (sdds. Silvio Lancellotti), a seleção brasileira enfrentou a seleção italiana na grande final. Uma repetição da decisão de 1970. Silvério estava lá. Pena que o jogo em si não tenha sido a altura de tanta tradição e de tanta coisa envolvida. Mesmo assim, não deixou de ser um marco histórico para o narrador. Ouça abaixo a decisão por tiros livres da marca do pênalti,
1998/França – O período de antecedeu esta Copa foi marcado pela ascensão de Ronaldo. Jogando no futebol europeu, ele se transformou em fenômeno com seus gols impressionantes. Isso fez com que ele se transformasse em uma referência para a seleção brasileira. O time treinado por Zagallo tinha atletas das duas campanhas anteriores e jogadores que já mereciam estar no elenco de 1994. A campanha em si teve altos e baixos, com uma derrota para a Noruega na fase de grupos. Parecia que faltava alguma coisa na seleção brasileira. Mas isso não impediu a chegada em sua segunda final seguida. O adversário era a dona da casa, que tinha uma seleção bem montada. Além da derrota do Brasil para a França, ficou marcado todo o bastidor envolvendo Ronaldo, que passara mal horas antes da final. Até hoje ninguém tem uma explicação definitiva para o que aconteceu. Zidane, que não teve nada a ver com isso, fez dois gols de cabeça. Placar final: 3 a 0. Ouça abaixo.
2002 Coreia-Japão – Mais uma vez a seleção brasileira vive quatro anos de trancos e barrancos. Wanderley Luxemburgo, que começou o ciclo, não permaneceu e foi sucedido por mais dois profissionais (Candinho por um jogo só e Émerson Leão) até a chegada de Luiz Felipe Scolari. Enquanto isso, Ronaldo enfrentava seus problemas. Uma lesão patelar deixou em dúvida até mesmo a sua continuidade no futebol. No entanto, ele se recuperou a tempo e as coisas deram certo na hora certa. De contestado, ele passou à heroi. O Brasil cresceu na competição (olha aí o clichê de novo) e chegou à final sem ser derrotado ou empatar alguma partida. O oponente seria a Alemanha. José Silvério acabara de passar por uma mudança radical em sua carreira. Aproximadamente dois anos antes, ele trocou a Jovem Pan pela concorrente Rádio Bandeirantes. Mal sabia ele que havia feito uma boa escolha. A Pan decidiu não transmitir aquele mundial e fazer uma cobertura alternativa. Silvério esteve presente em todos os jogos do Brasil e pode enfileirar uma série de narrações inesquecíveis diretmanete dos estádios. Placar final: 2 a 0. Ouça abaixo.
2006 – Alemanha – Essa aqui foi a Copa do oba oba para a seleção brasileira. Muitos craques, mas pouquíssimo foco, em especial no período de treinamento. Havia uma nova geração pedindo passagem, mas o que fazer com os craques que vinham dando tão certo nos anos anteriores? Carlos Alberto Parreira não conseguiu solucionar essa questão e o Brasil caiu ainda nas oitavas para a França em uma noite inspiradíssima de Zidane. Silvério fez a sua segunda Copa pela Bandeirantes e ele começava a viver um drama pessoal, com a doença de sua primeira esposa, Sebastiana de Andrade. No ano anterior, o Grupo Bandeirantes colocava no ar a Band News FM, emissora com 24 horas de notícias. A caçula entrou em rede com a Bandeirantes e com isso, as irradiações de Silvério foram mais longe, com outras emissoras que compunham a rede. Itália e França disputaram a grande final, que passou à história não pelo título (mais um) da Azzurra, mas pela cabeçada de Zidane em Materazzi.
2010 – África do Sul – Depois da bagunça, a quase ditadura. A CBF resolveu inovar e alçou ao comando da seleção brasileira o ex-jogador Dunga. A ideia até que era interessante, mas o temperamento do agora treinador não ajudou em nada. Apesar dos títulos na Copa América e da Copa das Confederações, a campanha no Mundial não mostrou qualquer brilho. Para piorar, a indisposição de Dunga com parte da imprensa serviu para que ele angariasse ainda mais antipatia. O Brasil caiu nas quartas com a derrota para a Holanda, que chegaria a final 32 anos após ser batida pela Argentina, em 1978. Do outro lado estava a sensação Espanha. Os espanhóis venceram na prorrogação. Mais uma vez a parceria com a Band News foi repetida. Aquela foi uma Copa fria, não pelos jogos em si, mas pelo fato de seu período de competição coincidir com uma fase de baixíssimas temperaturas naquele país. Isso não afetou Silvério que esteve presente na decisão. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.
2014/Brasil – Sediar uma Copa do Mundo quase virou um pesadelo para o país do futebol. Um ano antes, às vésperas da Copa das Confederações, protestos começaram a pipocar por diversas partes. A Fifa ficou preocupada por muito pouco o torneio não aconteceu em outro lugar. A seleção brasileira chegou a esta competição sob comando duplo: Luiz Felipe Scolari como treinador e Carlos Alberto Parreira como coordenador. Eles chegaram para substituir Mano Menezes, que fizera um trabalho irregular. À medida em que os jogos aconteciam, a tensão aumentava entre os jogadores brasileiros. Não por fatores externos, mas porque, conforme o jornalista Paulo Vinícius Coelho, ninguém queria cometer erros que pudessem tirar a seleção dos trilhos. Isso ficou mais visível na partida contra o Chile, na qual a classificação só veio na disputa dos tiros livres. Para piorar as coisas, uma grave contusão afastou Neymar na parida das oitavas contra a Colômbia. Não foi uma Copa fácil para Silvério. Durante a transmissão da partida contra Colômbia, ele ficou sem voz e teve de dar lugar a Ulisses Costa. E depois, já recuperado, ele irradiou a derrota para a Alemanha na semifinal pelo placar de 7 a 1, talvez o maior desastre brasileiro na história das Copas. Na outra perna, a Argentina, de Messi, foi tirando de cena os oponentes para chegar à grande final no Maracanã. Quem brilhou foi um jovem atleta, Mario Götze, que fez o gol solitário daquela partida. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.
2018/Rússia – Mais uma mudança no comando técnico. Dunga era trazido de volta pela CBF. Se em 2010 era uma inovação, o ato foi conservador, desta vez. Mas infelizmente, a jogada não deu certo. O futebol apresentado era paupérrimo, especialmente nas eliminatórias, apesar da continuidade do protagonismo de Neymar. Houve uma mudança de rumo e Tite veio para ajustar as coisas. Se o Brasil deu esperança aos torcedores durante o período pré-Copa, na competição em si novamente o futebol, mais uma vez, não empolgou. Alguns jogadores renderem aquém do esperado. Neymar ficou marcado por suas simulações espalhafatosas, que foram ridicularizadas nas redes sociais. Enquanto Brasil ficava pelo caminho, a França, de Mbappé, e a Croácia, de Modric, chegavam à decisão. Era a décima-primeira Copa de José Silvério, um recorde pessoal. Diferente das outras, a partida final foi empolgante, com seis gols. Os frances conquistaram seu segundo título. Pouco depois do apito final, emocionado, ele disse “cumpri”. Antes de passar o comando da jornada para Milton Neves, ele complementou: “são onze Copas do Mundo transmitidas na final do estádio. Um marco. Obrigado, você ajudou muito. Tchau”. Placar final: 4 a 2. Ouça abaixo.
Em mais uma edição de seus comentários sobre os bastidores do rádio esportivo, Rodney Brocanelli apresenta em vídeo uma análise dos principais temas que marcaram a cobertura radiofônica da Copa do Mundo. Entre os destaques estão o protagonismo conquistado pelo rádio do Rio Grande do Sul, a discussão sobre a identidade das transmissões esportivas, as estratégias comerciais adotadas pelas emissoras brasileiras e a participação dos ouvintes por meio de comentários.
Um dos principais pontos abordados é o desempenho das emissoras e dos profissionais do Rio Grande do Sul, considerados por Rodney Brocanelli os grandes vencedores desta Copa do Mundo. Narradores, comentaristas e repórteres gaúchos passaram a ter alcance nacional graças a parcerias firmadas entre diferentes grupos de comunicação. Um exemplo é a retransmissão das jornadas esportivas da Rádio Gaúcha pela Z FM, ampliando significativamente o público das transmissões. Outro caso é o da Rádio Bandeirantes, que incorporou profissionais de sua afiliada de Porto Alegre à equipe responsável pela cobertura nacional do torneio.
O vídeo também repercute uma análise do jornalista Flávio Ricco, segundo a qual o rádio esportivo teria perdido parte de sua identidade nesta Copa do Mundo ao buscar valorizar excessivamente a imagem em detrimento da essência do meio, tradicionalmente baseada na força da narração e na capacidade de estimular a imaginação do ouvinte.
Outro tema em destaque são as alternativas encontradas pelas emissoras brasileiras para contornar a proibição de veicular anúncios de patrocinadores durante o período em que a bola está em jogo. Rodney Brocanelli explica como as rádios vêm adaptando suas estratégias comerciais para preservar a entrega de publicidade aos anunciantes sem infringir as regras impostas aos detentores dos direitos de transmissão.
Ao final, o vídeo também abre espaço para a participação do público, reunindo comentários e opiniões dos leitores e ouvintes. Clique e veja.
Por Edu Cesar, do Papo de Bola, especial para o Radioamantes
É possível transmitir, num espaço de apenas 12 horas e meia em um fim-de-semana, um jogo do Grêmio, uma partida do Internacional e um amistoso da Seleção Brasileira? Sim, é possível. E isso aconteceu entre 13 e 14 de novembro de 1999 na Rádio Guaíba com dois profissionais não mais atuantes nela e que neste sábado trabalharão no duelo dos tricolores contra o Santos na Arena do Grêmio: Daniel Oliveira, que narrará na Rede Bandeirantes, e Eduardo Gabardo, que fará reportagem na Gaúcha.
Naquele fim-de-semana estava começando a Seletiva da Libertadores 2000, um torneio tapa-buraco que a CBF criou devido a mais uma vaga que ganhou no torneio – algo que não precisaria existir pois bastaria fazer uma disputa direta entre os perdedores das semifinais do Campeonato Brasileiro (São Paulo e Vitória). Detalhe: seletiva entre quem não foi pras quartas-de-final. Desta forma, o perdedor da semifinal não iria pra Libertadores, mas quem ficou uma posição acima da zona de rebaixamento poderia ir!
Bom, absurdos à parte, fato é que naquele sábado tivemos às 15h30 o Grêmio recebendo o Santos no Olímpico, jogo marcado para este horário pois haveria às 17h15 o amistoso do Brasil principal (comandado pelo auxiliar Candinho) contra a Espanha em Vigo – e talvez a TV Globo tivesse que ter pedido pra partida daqui de Porto Alegre ser 15 minutos mais cedo, já que o desfecho não foi mostrado (e o jogo foi exclusivíssimo dela, de forma que só deu pra acompanhar os instantes derradeiros no rádio).
Até por ter transmitido três dias antes o Colorado escapando do rebaixamento no 1 x 0 sobre o Palmeiras, Haroldo de Souza narrou pela Guaíba o jogo dos gremistas, que venceram por 2 x 1. Com ele estiveram o comentarista Edegar Schmidt e os repórteres Luís Henrique Benfica, Gladir Azambuja e os já citados Daniel Oliveira e Eduardo Gabardo. Por opção, o amistoso da Seleção não teve nem sequer posto, sendo acompanhado no plantão por Rogério Böhlke, que sucedeu Rodrigo Koch pra jornada seguinte.
Por questão de grade televisiva, outro jogo da seletiva aconteceu também no sábado, às 18h30, para passar no SporTV: Internacional 1 x 0 Flamengo. Sim, duas partidas na capital gaúcha, separadas por pouco mais de uma hora entre fim de uma e início da outra. Tempos em que isso ainda acontecia de vez em quando, sendo que naquele 1999 chegou a ter os dois rivais atuando em suas casas ao mesmíssimo tempo (Inter 1 x 2 Flamengo no Brasileirão e Grêmio 2 x 0 Independiente na Mercosul em 11 de agosto).
Para a transmissão no Beira-Rio, foram escalados o narrador Mário Lima, o comentarista Paulo Mesquita e o chefe de esportes Luiz Carlos Reche, acompanhado na reportagem por… Gabardo, Daniel e Gladir. Sim, três repórteres atuantes no jogo do Grêmio no Olímpico. Mas não ficava apertado para eles? Pior que não. Menos de quatro quilômetros separam os dois estádios, indo de veículo de um até o outro dá uns 10 minutos tranquilo – mesmo indo a pé não demora tanto, menos de 40 minutos e tá feito.
O único tento alvirrubro gerou, inclusive, uma situação interessantíssima: Mário narrando e Daniel com o depoimento atrás do gol. Eles haviam sido colegas na RB em 1996 e o filho do Luiz Carlos “Sapinho” foi pra Caldas Júnior como repórter. O “Amigo da Galera” havia saído da Bandeirantes em setembro daquele 1999 e ficou pouquíssimos meses na Guaíba. Já o “Ban-Ban-Ban” voltou para o Morro Santo Antônio em janeiro de 2000 para ser o novo titular – função que, neste ínterim, coube a Marcos Couto.
Fim de jogo às 20h30, mais umas duas horas de vestiário (em tempos onde a reportagem tinha ampla liberdade para trabalhar como bem quisesse, onde a palavra “abriu!” dita por alguém dela sinalizava a abertura do referido para o show de entrevistas – na maioria exclusivas – começar) e estava feito o carreto do fim-de-semana, certo? Não para Daniel Oliveira e Eduardo Gabardo, que só devem ter tido o tempo de jantar e brevemente descansar antes de ir até o Edifício Hudson para uma missão corujona.
Às 2 da madrugada de domingo, aconteceu em Sydney um amistoso que o Brasil pré-olímpico venceu por 2 x 0 sobre a Austrália. Os organizadores promoveram o jogo em cima de Ronaldo Nazário, que só foi liberado pela Internazionale – com endosso da FIFA – para apenas o primeiro de dois amistosos. Vanderlei Luxemburgo foi categórico: ou joga ambos ou não joga nenhum. A ausência do “Fenômeno” causou fúria nos australianos e prejuízo pros organizadores, com entrada liberada no estádio para compensar.
Daniel narrou e Gabardo reportou este amistoso pré-olímpico da Seleção Brasileira com os comentários do Mesquita, que esteve na vitória colorada no Beira-Rio e que também faria três partidas naquele mesmo fim-de-semana – ele e Gladir Azambuja, que na tarde dominical acompanharam o dobrado Mário Lima em Caxias 3 x 0 Juventus da Mooca pela Série C. Missão única teriam Orestes de Andrade, João Carlos Belmonte e Markus Vitorino no primeiro jogo da quarta-de-final Atlético Mineiro 4 x 2 Cruzeiro.
Para fins de comparação: no sábado, a Rádio Bandeirantes – de equipe menor em termos numéricos por ter tido as saídas dos já citados Mário e Mesquita – se dividiu com Grêmio x Santos tendo Paulo César Carvalho, Cláudio Cabral e os repórteres Luiz Fernando Siqueira e Leonardo Meneghetti, enquanto Inter x Flamengo contou com Marcos Couto, João Garcia, o analista de arbitragem César Carrasco e os repórteres Nando Gross, Ribeiro Neto e Sérgio Couto. Da Rádio Pampa infelizmente não tenho registros. Já a Gaúcha fez uma cobertura mais ampla no geral: no Olímpico estiveram Pedro Ernesto Denardin, Ruy Carlos Ostermann, Régis Höher, Sílvio Benfica, Farid Germano Filho, Leonardo Acosta e Guilherme Portanova, este do jornalismo geral; no Beira-Rio estavam Marco Antônio Pereira, Wianey Carlet, Renato Marsiglia, Sérgio Boaz, Alexandre Praetzel, Fabiano Baldasso e Marcus Vinícius Schil; e o amistoso Espanha x Brasil foi coberto por Jader Rocha narrando e José Alberto Andrade reportando
A a programação própria da Vip FM deverá estrear a partir do dia 1° de julho. Até lá, a frequência dos 90,9Mhz será ocupada pela Rádio Bandeirantes, que vai transmitir simultaneamente nos 107.3Mhz de forma provisória. Grupo Bandeirantes foi procurado pelo Radioamantes na última quarta (29), mas ainda não respondeu. A Vip FM também vem sendo sucessivamente acionada por este site. Caso ocorra alguma manifestação de ambos os veículos, será feito o devido registro. E mais: rádios do Paraguai são sintonizadas em São Paulo. Veja os detalhes com Rodney Brocanelli.
O mercado do rádio foi pego de surpresa nessa quinta-feira (23/4) com a notícia do encerramento das operações da Rádio Eldorado, uma das marcas mais tradicionais do dial paulistano. Criada em 1958 no AM, ganhou sua versão FM em 1973 e também foi gravadora, estúdio (o mais moderno da América Latina, à sua época), distribuidora de discos e tantos outros braços e projetos que fizeram história.
Mas, na verdade, o mercado não foi pego tão de surpresa assim. É histórico o problema na administração da emissora e o sucateamento que a rádio vinha sofrendo dentro do Grupo Estado. Executivos que nem sabem o que é rádio tinham poder e tomavam decisões atrapalhadas. E os que sabiam o que é rádio, viviam num jogo duplo trabalhando com arrendamento e venda de frequências. Muitas vezes esse descaso foi reproduzido no ar, com coordenadores artísticos preguiçosos e que tinham objetivos pouco gloriosos – um deles passava o dia editando músicas, ele mesmo, para que elas não tivessem mais de três minutos. Clássicos foram mutilados nesse triste período.
Tirando esses percalços do dia a dia, foram pelo menos cinco atentados à marca Eldorado nesses 68 anos de história – o que só mostra a força do que foi construído. Existiram outros “crimes” contra a Eldorado, mas esses foram os mais graves:
Saída de João Lara Mesquita – em 2003, o Conselho do Grupo Estado decidiu que toda a família Mesquita teria de ser retirada dos cargos de direção. Com isso, João Lara, que formatou a Eldorado como conhecemos – tirou a rádio da música clássica e colocou no universo pop/adulto contemporâneo – foi afastado da emissora sem que nenhuma diretriz fosse dada para quem continuou. Com cada um pensando uma Eldorado diferente, seguiu-se uma série de desencontros e a rádio sofreu uma queda de qualidade considerável. Tenho dezenas de críticas a esse modelo de rádio patriarcal e familiar, assim como a gestão de João Lara também não foi perfeita (com direito a processos trabalhistas e outros enroscos), mas, na Eldorado, funcionou. Só falamos da Eldorado até hoje por causa desse período;
Mudança da Aclimação para a sede do Grupo Estado – nos estúdios da rua Pires da Mota, a rádio Eldorado vivia seu próprio universo, com autonomia, quase que como uma rádio independente – uma continuação do clima dos estúdios anteriores, na Major Quedinho. A ida da Eldorado para a sede do Grupo Estado, no Bairro do Limão, mergulhou a rádio na confusão burocrática que é o Estadão. Afetou o dia a dia com problemas que iam do transporte nas viaturas do grupo para a realização de pautas externas até o próprio acesso ao estúdio – foram incontáveis os casos de convidados “barrados” na fria portaria da Celestino Bourroul, que tinham que ser resgatados por alguém da equipe;
Criação da Rádio Estadão ESPN e mudança da Eldorado para os 107,3 Mhz – em março de 2011, um dos golpes mais duros na história da Eldorado com sua mudança de frequência para dar lugar ao projeto da Rádio Estadão ESPN. Ouvintes ficaram perdidos e muitos desistiram de encontrar a rádio novamente no dial. Foram muitos os relatos de gente que, cinco, seis, até sete anos depois da mudança, ainda não sabiam que a Eldorado existia numa frequência diferente;
Arrendamento dos 92,9 Mhz e posterior venda – se ainda existia alguma esperança de que o Grupo Estado se importava com a marca Eldorado, em março de 2017 veio a certeza: não. Com a cessão dos 92,9 Mhz para uma igreja (clichê!), morriam as chances de reviver a marca com a potência e o alcance que ela sempre teve, impossibilitando a volta da emissora para a frequência original;
Mudança dos 107,3 Mhz para uma frequência do FM estendido e posterior desistência – desde o fim de 2025, uma consulta pública no site da ANATEL avisava sobre o interesse da Rádio Bandeirantes em trocar de lugar no dial com a Fundação Brasil 2000, dona da concessão dos 107,3 Mhz. A Band ficaria com a frequência, enquanto a Fundação e, consequentemente, a Eldorado, iriam para 86,3 Mhz, uma frequência do FM estendido e que pouca gente tem nos aparelhos, que costumam começar o dial perto de 88 Mhz. A consulta pública se tornou realidade, mas o Grupo Estado e a Fundação Brasil 2000 preferiram encerrar a parceria de ocupação da frequência e, com isso, assinar o fim da rádio Eldorado no dial de São Paulo.
Após a quinta morte, o Grupo Estado ainda cogita manter algumas marcas da Eldorado como projetos especiais. Infelizmente, parece ser apenas um consolo para ouvintes e profissionais, como todas as grandes empresas fazem quando anunciam o fechamento de algo com um legado tão grande – vimos isso na Abril, quando algumas marcas permaneceram no ar por pouco tempo e logo caíram.
O fim da Eldorado não é pelo cenário pós-pandemia ou pelo crescimento do streaming, como o grupo tentou dizer. O fim da Eldorado é resultado de incompetência e desinteresse, apenas isso. Assim como na fundação de uma rádio, os nomes dos responsáveis são citados e gravados para história, os nomes dos executivos do Grupo Estado tinham que ser gravados para a posteridade nesse fim de emissora.
Acompanhe nos vídeos abaixo uma pequena retrospectiva com alguns desligamentos de transmissores de Amplitude Modulada. Com a chegada do FM estendido e mesmo com todos os problemas inerentes à essa faixa, muitos empresários estão aproveitando o momento para tirar do ar suas emissoras de AM e, com isso, economizar um dinheiro usado para manter um parque técnico.
Chama a atenção o fato de que, com exceção da Rádio Gazeta (SP), nenhuma outra estação promoveu uma despedida, um agradecimento, seja com vinheta ou durante a programação ao vivo.
Rodney Brocanelli apresenta os desligamentos da já citada Gazeta, além das rádios Globo, Bandeirantes, Jovem Pan, Gaúcha e Super Rádio. O da Rádio Record já foi destacado neste espaço (clique aqui).
A Rádio Bandeirantes já está avisando aos seus ouvintes da mudança de frequência no FM. O comunicado vem sendo transmitido neste momento pelo sistema RDS de muitos aparelhos receptores. “A partir de 15 de maio, sintonize a RB em 107.3, nova frequência”, diz a mensagem que foi captada pelo Radioamantes em um celular sintonizado em 86,3Mhz, pouco depois das 13h30 desta sexta-feira (17).
Para quem não sabe ainda, RDS é uma tecnologia que permite a transmissão de dados digitais, veiculando informações em texto, como o nome da estação, música/artista (para emissoras musicais) em receptores como rádio do carro ou celular, além de informações de trânsito em visores automotivos.
Este é mais um capítulo da transição promovida pela emissora, que hoje opera no FM em duas frequências: a já citada 86,3Mhz, no FM estendido, e nos 90,9Mhz, no FM convencional.
Na última terça, Guillermo Pendino, que é diretor-geral de programação e conteúdo da TV Bandeirantes falou sobre o processo de mudança de dial em entrevista ao Programa Flávio Ricco, veiculado no YouTube. Clique e veja.
Ainda não existe uma definição do que deverá acontecer com a Eldorado FM. A assessoria do Grupo Estado vem sendo acionada desde o mês de fevereiro, quando surgiram as primeiras notícias, mas sem qualquer tipo de resposta até o presente momento.
Quem também ainda não se manifestou desde quando procurada pelo Radioamantes, também em fevereiro, foi a Vip FM, que hoje aluga sua frequência dos 90,9Mhz para a Bandeirantes. A emissora vem sendo envolvida em diversas especulações.
Além delas, a Fundação Gamaro, responsável pelos 107,3Mhz também foi procurada por este site para falar de seu futuro, que está até um pouco mais garantido, ocupando um espaço do FM estendido.
Caso algum desses veículos citados responda ao pedido de informações do Radioamantes, haverá o devido registro aqui e em outros espaços.
Para terminar, vale lembrar que 15 de maio cai em uma sexta. Que tal adiar a estreia por mais duas semanas, para o dia 29 de maio?
Em entrevista ao Programa Flávio Ricco, veiculado todas as terças no canal Léo Dias no You Tube, Guillermo Pendino, que é diretor-geral de programação e conteúdo da TV Bandeirantes, falou também do que virá por ai na Rádio Bandeirantes.
Pendino anunciou a mudança de frequência da emissora no FM, que deixará a faixa estendida em 86,3Mhz e deverá veicular sua programação nos 107,3Mhz. É a primeira fez que o assunto é tratado de forma oficial. Até então, a notícia estava restrita aos sites que fazem a cobertura sobre o rádio.
O assunto surgiu em um contexto de Copa do Mundo. Flávio quis saber os planos para a cobertura da maior competição mundial entre seleções. Pendino confirmou que algumas equipes deverão estar presentes no evento e falou que a emissora de rádio tem os direitos. “A Rádio Bandeirantes está fazendo 89 anos em maio, vai lançar um novo estúdio e uma nova (sic) sinal no dial. 107,3, tomara que eu não erre”, disse o executivo.
Resta saber agora, como deverão ficar os outros atores que fazem parte desse processo: a Vip FM, que cede a sua frequência dos 90,9Mhz para o Rádio Bandeirantes, e a Rádio Eldorado FM, que ocupa atualmente os 107,3Mhz
Por Edu Cesar, do Papo de Bola, especial para o Radioamantes
Neste sábado, o futebol brasileiro teve a despedida dos gramados de um importante atacante das décadas de 2000 e 2010: Vagner Love, o “Artilheiro do Amor”, que surgiu no Palmeiras e ainda defenderia Flamengo, Corinthians, Sport, Atlético Goianiense e Avaí, falando apenas de clubes brasileiros – sem contar os estrangeiros, especialmente o CSKA Moscou.
O último clube dele foi o Retrô de Camaragibe, que ganhou do Ceará por 3 x 1 nos Aflitos pela segunda rodada da Copa do Nordeste. O jogador deixou sua marca pela última vez ao fechar o placar aos 49 minutos do segundo tempo, sendo muito celebrado pelos companheiros da Fênix.
Mas aqui, quero lembrar dois episódios que ligam o “Artilheiro do Amor” ao rádio esportivo de Porto Alegre, mesmo que Vagner nunca tenha atuado nem pelo Grêmio e nem pelo Internacional. São episódios referentes aos clubes paulistas pelos quais foi campeão e que marcaram emissoras da capital rio-grandense.
O primeiro é de 2003 e remete à Série B do Campeonato Brasileiro, quando as primeiras rodadas não tiveram televisionamento e foram exclusivas do bom e velho rádio. Um jogo assim aconteceu em 24 de maio, no Centenário, entre Caxias e Palmeiras. É ele que começa um expediente ainda hoje adotado: o intercâmbio de repórteres da Bandeirantes na matriz de São Paulo e na filial de Porto Alegre.
Naquele ano, a RB porto-alegrense fez os jogos da dupla Grenal em tubo total, sem repórter fora de casa (exceção ao interior gaúcho e a Santa Catarina) – consequentemente, não estava em SP para Santos x Internacional no dia seguinte. Desta forma, foi retransmitida a matriz no sábado para Corinthians x Juventude, que teria posto no jogo alviverde em Caxias do Sul. O posto coube a Cristiano Silva.
Dali por diante, praticamente todos os repórteres da Bandeirantes de Porto Alegre fariam jogos para a matriz nos anos seguintes, da mesma forma que repórteres de São Paulo transmitiriam para a filial (o que começou também naquele 2003, nas duas últimas rodadas, com Estevan Ciccone cobrindo Santos 2 x 2 Grêmio e São Caetano 5 x 0 Inter).
O auge viria em três jogos narrados e comentados pela filial para a rede: Holanda 3 x 2 Austrália na Copa do Mundo de 2014 e Argentina 2 x 0 Catar na Copa América de 2019, narrados por Daniel Oliveira e comentados respectivamente por Luiz Carlos Reche e Cláudio Duarte; e Uruguai 1 x 0 Arábia Saudita na Copa de 2018, com Claudião junto de Marco Antônio Pereira.
Neste jogo exclusivo do rádio em Caxias do Sul, Cristiano Silva informaria (durante a transmissão de Dirceu Maravilha para os 3 x 0 corintianos) dois gols de Vagner Love na vitória palmeirense por 4 x 1. O atacante seria o grande nome daquela campanha de retorno à primeira divisão no ano seguinte.
Aliás: aquele fim-de-semana seria horrível pro futebol gaúcho, pois quatro times enfrentaram os quatro maiores paulistas entre Séries A e B e todos perderiam (Caxias 1 x 4 Palmeiras, Corinthians 3 x 0 Juventude, Grêmio 1 x 2 São Paulo e Santos 3 x 0 Internacional).
Aliás: esse Corinthians x Juventude teria como curiosidade na Gaúcha a presença da mesma equipe enviada para Santos x Inter. Os dois jogos contariam com Pedro Ernesto Denardin, Ruy Carlos Ostermann e Sílvio Benfica, sábado no Pacaembu e domingo na Vila Belmiro.
O segundo episódio referente a Vagner Love e o rádio esportivo porto-alegrense acontece em abril de 2019, quando a final do Campeonato Gaúcho acontece não no domingo 21 e sim na quarta 17 pois o Grêmio teria compromisso pela Libertadores no Paraguai na terça 23, diante do Libertad.
Isso até proporciona algo curioso, que é a Rádio Globo SP narrar com Oscar Ulisses os pênaltis decisivos do título sobre o Inter logo após Chapecoense 1 x 0 Corinthians, pela Copa do Brasil.
Desta forma, Gaúcha e Guaíba preencheram o domingo de finais estaduais com a decisão do Campeonato Paulista em Itaquera – feitas de Porto Alegre, evidentemente. O Corinthians derrotou o São Paulo por 2 x 1 e o gol decisivo foi do “Artilheiro do Amor”, pegando de primeira um lançamento de bem longe.
Na Guaíba, apenas o narrador Luís Magno fez este jogo pois o “Carrossel Guaíba” também acompanhou o Flamengo campeão carioca com 2 x 0 sobre o Vasco, este narrado por Bruno Ravazzolli. Já a Gaúcha transmitiu na íntegra a final paulista com Gustavo Manhago narrando, Douglas Demoliner reportando, Rafael Colling comentando e Raphael Gomes no plantão.
A Rádio Bandeirantes anuncia a chegada de Ana Martins ao seu time esportivo. A jornalista estreia neste sábado (14), às 17h, no programa Concentração, passando a integrar também as transmissões e atrações semanais, fortalecendo a presença feminina na emissora.
A comentarista retorna ao Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde já atuou pela Nativa FM. “Minha família sempre respirou esporte na Bandeirantes e vivi isso desde a infância. Estar aqui é um presente especial, ainda mais em ano de Copa do Mundo Fifa. É uma honra estar ao lado de profissionais que são referência e entregam um trabalho de credibilidade e respeito ao ouvinte”, celebra.
Com 28 anos de carreira, a locutora irá reforçar a cobertura do mundial de futebol e de outras grandes competições nacionais e internacionais.
A Rádio Bandeirantes reúne novidades em sua programação a partir desta segunda-feira (9). O comediante Gabriel Ramos estreia no Resenha, enquanto o ex-goleiro Sergio, o ex-atacante Leandro Guerreiro e o jornalista Nivaldo de Cillo passam a integrar Os Donos da Bola.
A rede ainda prepara uma cobertura dedicada à Copa do Mundo da FIFA 2026, mantendo a tradição de quase oito décadas levando o ouvinte a sede da competição, que desta vez será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.
O Resenha vai ao ar a partir das 17h, com o humorista Gabriel Ramos se juntando ao time de jovens jornalistas esportivos Pedro Martelli, Paulo do Valle, Bruno Miliozi e Gabriela Santos, trazendo seu repertório de imitações de personalidades em participações bem-humoradas.
Logo em seguida, às 18h, Os Donos da Bola, comandado pelo craque Neto, contará com a presença de atletas que marcaram época, como Sergio, do Palmeiras, e Leandro Guerreiro, com passagem pelo São Paulo, para comentar os principais torneios e campeonatos do país e do mundo. O repórter Nivaldo de Cillo completa a equipe da atração.
Encerrando a noite, às 19h30, o Esporte em Debate segue apresentando os destaques do noticiário futebolístico, com Ricardo Capriotti, Alexandre Praetzel, João Paulo Cappellanes, Leandro Quesada e Denis Gavazzi na bancada.
O narrador Marcos Couto não faz mais parte da equipe esportiva da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre. Sua saída foi comunicada dentro do programa Donos da Bola Rádio na última quinta-feira (05). Ribeiro Neto, um dos integrantes da mesa, pediu prioridade para falar assim que o programa estava no ar pelo dial e deu a notícia.
“Peço licença aos ouvintes para falar de coração aberto. Eu vou fazer quase 30 anos aqui na Bandeirantes, nas duas passagens que eu tenho. E em quase todos esses anos, mais de 20 anos com certeza eu estive ao lado de um grande companheiro, um amigo e de um grande profissional. Eu queria dedicar esse programa de hoje…fraternamente um grande abraço a Marcos Couto, o Gigante do Vale, que hoje por questões da vida acaba não sendo mais nosso colega, a partir de hoje”, disse Ribeiro.
Em seguida, os outros integrantes da bancada também se manifestaram, com palavras positivas e lembrando do bom humor do agora ex-companheiro.
O Radioamantes apurou que a decisão partiu da própria emissora, por contenção de despesas. A ideia é apostar em profissional que possa fazer duas funções: a de repórter e a de narrador.
Marcos Couto iniciou sua trajetória na Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, em meados da década de 1990, levado por Claudio Cabral., que , por muitos anos, foi o gestor do departamento de esportes da emissora, ainda na fase tercerizada. Quando da ocasião da morte de Cabral, o narrador lembrou que as primeiras viagens para fora do estado e para fora do país como narrador foram proporcionadas por escalas feitas por Cláudio Cabral.
Um dos grandes momentos de Marcos Couto na Bandeirantes foi a narração da Batalha dos Aflitos, nome que é dado à tumultada partida entre Náutico x Grêmio, disputada em 26 de novembro de 2005, válida pela série B do campeonato brasileiro, e que garantiu o acesso da equipe tricolor para a série A do ano segunte.
Em 2020, quando este jogo completou 15 de sua realização, o locutor deu um breve depoimento sobre os bastidores daquele confronto.
No ano seguinte, em uma entrevista ao podcast Bebendo e Falando, d’o Bairrista, o jornalista e hoje influencer Duda Garbi considerou a narração de Couto a melhor de todas as rádios que transmitiram aquela partida. “Vou falar aqui uma coisa que o Pedro Ernesto vai ficar puto. A melhor narração da Batalha dos Aflitos é do Marcos Couto. Só que jamais vão dar esse crédito. Jamais. Mas pode procurar(….) eu amo o Pedro(…)Só porque eu tô bebado, senão jamais falaria isso”, disse.
Veja abaixo o trecho do Donos da Bola Rádio em que Ribeiro fez sua manifestação.