O que acontece com o rádio goiano AM?

Por Rodney Brocanelli

As notícias que vem da cidade de Goiânia não são nada animadoras. Segundo o blog de Auvaro Maia, a Rádio 730 AM demitiu todo o seu corpo de funcionários. Eles estão cumprindo aviso prévio. Há uma esperança. Se a emissora conseguir arrecadar R$ 300 mil, algumas demissões poderão ser canceladas.

Mais detalhes no link abaixo:

http://auvaromaia.com/2013/08/26/radio-730-demite-todos-os-funcionarios/

E não são as únicas más notícias. A Rádio Difusora AM encerrou o contrato com o radialista Adolfo Campos, que terceirizava o esporte da emissora. A alegação oficial foi algum tipo de irregularidade encontrada por orgãos reguladores. Leia mais no link a seguir:

http://auvaromaia.com/2013/08/22/difusora-goiania-nao-tera-mais-esporte/

Some-se a isso a situação delicada que os profissionais do departamento de esporte da Rádio Bandeirantes AM 820 (antiga Rádio Jornal) enfretaram no mês de julho. Todos eles tiveram seus contratos encerrados com a emissora. Na última hora, um acordo fez com que esse departamento fosse terceirizado, preservando assim o emprego da maioria dos profissionais.

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O caso da 730 AM é o que impressiona mais. Criada em 1997, por Jorge Kajuru, como Rádio K do Brasil,  a rádio chegou uma das maiores de Goiânia. Fez do esporte o seu carro-chefe, embora a emissora tivesse um jornalismo forte e atuante. Na Copa do Mundo disputada na França, em 1998, virou notícia nacional devido à sua cobertura extensiva da competição. Goste-se ou não de Karjuru, ele colocou o rádio de Goiás em um outro patamar.

Entretanto, a linha editorial causou várias dores de cabeça a seu proprietário, que entrou em rota de colisão com o governador Marconi Perillo. Kajuru passou a emissora para frente. Ela mudou de nome, passando a se chamar 730 AM. Depois disso, ela teve vários proprietários, entre eles Joel Datena, filho de José Luiz Datena. Nos últimos tempos, ela é administrada por Maurício Sampaio, um dos nomes envolvidos no assassinato do radialista Valério Luiz.

Nas últimas horas, surgiu a notícia de que a 730 AM poderia ser vendida à Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdomiro Santiago

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Ouça abaixo um momento da antiga Rádio K do Brasil: os instantes finais da partida entre Brasil x França, com a narração de Edson Rodrigues.

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“Por que o rádio não tem imagem?”

Por Rodney Brocanelli

De vez em sempre costumo olhar a parte de estatísticas do blog. Bom para saber como e porque o internauta chega até aqui.  Examinando a aba “termos de motor de busca”, ou traduzindo, as palavras-chave que os internautas digitam nos mecanismos de busca, algo me chamou a atenção. Alguém digitou lá “por que o rádio não tem imagem?”.

Não sei dizer quem formulou essa pergunta, até certo ponto, ingênua. Também não vou arriscar a construir aqui o perfil de quem a fez. Pode ser jovem, meia idade, idoso, não tenho como saber. Espero que ela tenha encontrado a resposta em algum dos posts deste blog. Meu palpite é que esse internauta teve uma formação estritamente visual. Não o culpo. Nos últimos tempos, as pessoas valorizam muito mais a imagem do que a palavra ou mesmo o som, ambos isolados.

Se eu pudesse responder ao questionamento, usaria como exemplo a frase de um ex-repórter que hoje se transformou em narrador esportivo: Alex Muller. Ele sempre diz: “vou mexer com a sua imaginação”. O rádio é justamente isso: imaginação. Quem o escuta, pode perfeitamente criar uma imagem a partir daquilo que está sendo dito. As transmissões esportivas são um ótimo exemplo disso.

Certa vez, eu estava participando de uma transmissão de uma partida de vôlei no ginásio do Sesi, em Sâo Paulo, que não teve cobertura direta de televisão. Pelas redes sociais, chegou a mensagem de um internauta dizendo que nunca tinha escutando a irradiação de um jogo daquela modalidade pelo rádio e completava afirmando que estava gostando da experiência. Ganhei a noite. Esse ouvinte se deixou levar pela imaginação e, a partir da descrição que chegava até ele, criava as imagens em sua mente.

Acho que falta um pouco disso. Em um mundo estritamente visual, as pessoas não têm se deixado levar pelos outros sentidos, em especial pela audição. E olha que não é por falta de oportunidade. A oferta de rádios e de web rádios é grande. Com esse quadro, o  veículo, independente de plataforma, tem um grande desafio para daqui por diante:  convencer uma nova geração que está vindo aí de que criar imagens é tão ou mais prazeroso quanto simplesmente vê-las.

 

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Radioamantes no Ar entrevista Flávio Araújo

O Radioamantes no Ar, veiculado pela web rádio Showtime (http://www.showtimeradio.com.br/), entrevistou o narrador esportivo Flávio Araújo. Craque do Escrete do Rádio, da Bandeirantes, entre as décadas de 1960 e 1970 (com uma breve passagem pela Excelsior), ele atuou na época de maior agitação do rádio esportivo brasileiro. Flávio acompanhou de perto (e isso não é um recurso de estilo) os feitos de três grandes esportistas brasileiros: Pelé, Émerson Fittipaldi e Éder Jofre. No bate papo, Flavio contou passagens de sua carreira e relembrou de alguns de seus feitos com o microfone na mão. Entrevista concedida a Rodney Brocanelli e João Alkmin. Ouça no player abaixo.

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Abert lança campanha para estimular acesso a rádio e TV pelo celular

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) realiza desde a última segunda-feira, 22, uma campanha para estimular as pessoas a usarem o celular para acessar a programação do rádio e da televisão aberta.

 Com o slogan “Rádio e TV ao alcance da sua mão”, a iniciativa aposta no Facebook para alcançar o público que participa nesta semana da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), estimado em 2 milhões de pessoas.

 – Em grandes eventos, as redes de telefonia não suportam a sobrecarga de dados. O rádio e a TV digital tornam-se os maiores aliados de quem precisa de informação instantânea, explica o presidente da Abert, Daniel Slaviero.

Com peças criadas para a rede social, a campanha orienta como acessar a programação de rádio e televisão aberta pelo celular – e sem custo – e informa sobre modelos e marcas de aparelhos habilitados para o serviço.

Slaviero convida os radiodifusores associados à entidade a multiplicarem a mensagem da campanha na programação, nos sites e redes sociais de suas emissoras.

– A radiodifusão evolui com as novas tecnologias, ganha mobilidade e amplia seu alcance. Quem se beneficia é o cidadão que recebe informação aonde estiver, não só em eventos de grande porte, mas todos os dias, afirma Slaviero.

De acordo com dados da Anatel, existem no país 265,7 milhões de celulares, 134,35 aparelhos para cada 100 habitantes. Estima-se que 60% desse total possuem rádio FM e mais de 5% TV digital.

 A campanha é a primeira de uma série que a entidade promoverá aproveitando grandes eventos como Copa do Mundo, Eleições e Olimpíadas.

 

Sobre a Abert

A ABERT é uma organização fundada em 1962, que representa 3 mil emissoras privadas de rádio e televisão no Brasil, e tem por missão a defesa da vigência da liberdade de expressão em todas as suas formas.

 

 

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Riscos do rádio ao vivo

Por Rodney Brocanelli

Rádio ao vivo tem dessas coisas. No último final de semana, durante um jogo de perguntas e respostas na Rádio Grenal, um ouvinte entrou no ar e a comunicação estava um tanto estranha. Não era apenas o rádio dele que estava muito alto. Ouça no player abaixo.

 

 

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As canoplas da discórdia

Por Rodney Brocanelli

Ouvindo o pós-jogo de um jogo qualquer numa emissora qualquer (desta vez, não revelarei nenhum dos dois), chamou a atenção a pergunta feita pelo repórter, que vazou no ar, para alguém da retaguarda: “você conseguiu pegar nosso microfone em alguma emissora de televisão?” De fato, apareceu sim, com direito a canopla e tudo. No entanto, não serei eu a informar onde foi. Só queria dizer algumas coisas sobre isso. A primeira: repórter não é segurador de microfone, especialmente em mini-coletivas para fazer com que o logo de uma emissora apareça em uma outra de televisão. Algumas perguntas também cairiam muito bem. A outra coisa que eu queria dizer: esse pessoal  não se dá conta de que algumas emissoras detestam esse tipo de situação…em especial Globo e Sportv. Ou o amigo leitor acha que é de graça que seus câmeras fazem malabarismos com as lentes para tentar fugir dessa “poluição” no ar? E, pior, também é por causa disso que a  emissora de tv que detém os direitos das principais competições esportivas do país quer limitar a presença de repórteres em campo ou nas quadras?  Os profissionais que desejam mais visibilidade das suas emissoras apenas segurando o microfone poderiam pensar um pouco mais sobre isso.

Para os não-iniciados, saiba o que é canopla clicando neste link da Wikipédia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Canopla

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Cuidado para não se atrapalhar com o slogan

Por Rodney Brocanelli

Numa rádio do interior do Paraná, o apresentador ia falar de um salão de beleza e mandar uma saudação para sua proprietária, mas acabou se atrapalhando com o slogan. Ouça no player abaixo.

Começando o debate sobre a cobertura jornalística do rádio

Por Rodney Brocanelli

O amigo Flávio Guimarães, sempre atento, publicou em seu blog um comentário sobre a cobertura que blogs e sites independentes fazem sobre o rádio. O título é “Colunas Especializadas copiam, colam e desvalorizam o rádio”.

O link é este aqui:

http://fg-news.blogspot.com.br/2013/03/colunas-especializadas-copiam-colam-e.html

Chamo a atenção para os trechos mais representativos:

O rádio pode ser considerado um dos veículos mais adaptáveis entre as mídias eletrônicas, capaz, inclusive de tirar proveito da universalidade da web. É preciso, porém, usar os meios com profissionalismo e competência.

Aí começa a ficar compreensível um dos problemas atuais do rádio. Além de o veículo, em muitos casos, estar deteriorado profissional e tecnologicamente, vem se contaminando cada vez mais com o mau hábito das replicações, comuns na Internet. “Equipes de jornalismo”, resumidas a uma ou duas pessoas, copiam informações da rede e as colocam no ar. Quando não, limitam-se a transcrever, na íntegra, os releases recebidos. Mal comparando, dá-se o efeito Droste, utilizado na repetição de imagens, como na foto que encima este post. Um rádio assim, não pode sobreviver.

Quando penso que as colunas especializadas poderiam ajudar nessa questão, observando problemas, alertando sobre equívocos, destacando acertos, contribuindo, enfim, para um rádio melhor vejo que, infelizmente, até os especialistas colaboram para consagrar a mesmice que, atualmente, tomou conta do veículo. O exemplo, a seguir.

Para lembrar os 50 anos do “Arquivo Musical”, apresentado aos domingos, a rádio Bandeirantes, de São Paulo, distribuiu um press release. O texto destaca ações que serão executadas neste dia 17 de março, em comemoração às cinco décadas de sucesso do programa, o segundo mais antigo da emissora.

Duas das colunas especializadas, das mais lidas, simplesmente copiaram o release produzido pelo departamento de divulgação do Morumbi e publicaram “tim tim por tim tim”, incluindo a foto do atual apresentador, Ronald Gimenez. Uma delas ainda se deu ao trabalho de mencionar as frequências da emissora, em AM e FM.

No final do texto, Flávio coloca os links para os sites que reproduziram o material  da Rádio Bandeirantes sobre o programa Arquivo Musical. Assim que tomei conhecimento do texto, mandei, via Twitter, uma série de mensagens a ele. Pedi para que incluisse o link do Radioamantes que apresenta o mesmo conteúdo (veja aqui).

Não vejo qualquer problema em republicar releases de emissoras de rádio. Aqui no Radioamantes, eles são publicados sem assinatura e com padrão gráfico diferente (texto em itálico).

Esse material encaminhado pelas assessorias serve para ajudar a manter  este espaço devidamente atualizado.

Blogs sem atualização passam a ideia de abandono, afugentando assim o leitor.

Gostaria muito que outras emissoras de rádio tivessem assessorias tão eficientes quanto a do Grupo Bandeirantes, da Rede Transamérica e da Rádio Capital (SP). Dessa forma, poderíamos anunciar aqui seus programas, ou o que acontece no dia-a-dia delas. Até porque o blog Radioamantes serve também para isso.

Nunca é demais lembrar que, por motivos que não vem ao caso, não é possível aos responsáveis deste Radioamantes uma dedicação em tempo integral.  O que dá para dizer é que blog só dá dinheiro mesmo para alguns poucos eleitos.

Entretanto, essa limitação não impede que o Radioamantes apareça com material exclusivo, como por exemplo, o post em que falamos sobre o fato de o programa “Fanáticos por Futebol”, da Rádio Bandeirantes,  ter virado um quadro do “Você é Curioso”.  Para quem não viu, segue abaixo o link do post.

https://radioamantes.wordpress.com/2013/03/14/fanaticos-por-futebol-vira-quadro-do-voce-e-curioso-na-radio-bandeirantes/

Existem outros exemplos, mas vamos ficar só neste mais recente.

Concordo quando Flávio diz que “colunas especializadas poderiam ajudar (…) observando problemas, alertando sobre equívocos, destacando acertos, contribuindo, enfim, para um rádio melhor(…)”.  Aqui também fazemos isso. Um dos marcadores deste blog se chama “Análise”. Sempre que possível, são lançadas pensatas  sobre o veículo rádio.  Pena que a repercussão delas seja mais modesta como se gostaria que fosse. Particularmente, adoraria muito que um comentário meu aqui gerasse um debate em outros espaços na web, como aliás, já aconteceu no blog do próprio Flávio.

Clique no link abaixo para ver a categoria Análise:

https://radioamantes.wordpress.com/category/analise/

Já falamos aqui sobre arrendamento de freqüências, da “Datenodependência” (mal que acomete o Grupo Bandeirantes de Comunicação e que envolve uma das estrelas da casa, José Luiz Datena), a proliferação de programas de televisão reproduzidos ao mesmo tempo em emissoras de rádio, o prêmio APCA, entre outros exemplos. Agora, é necessário que haja gancho para isso, caso contrário, fica apenas a crítica pela crítica.

Além do mais, muitos dos temas relacionados ao rádio já foram discutidos no outro blog do qual os atuais responsáveis pelo Radioamantes fizeram parte: o Rádio Base Urgente: http://radiobaseurgente.blogspot.com. Quem tiver um tempinho, basta dar uma bela passeada pelos seus arquivos. Alguns assuntos podem ter se esgotado, outros não. Mas sempre que houver algum tipo de novidade, poderemos falar aqui.

Para fechar, Flávio fez uma associação com o efeito Droste até muito interessante. Não disponho dos dados de visitação dos outros blogs e sites sobre rádio, mas dá para, empiricamente, dizer que o leitor do Radioamantes as vezes não é leitor do Blog do Cheni. Dessa forma, o leitor do Blog do Cheni não é o mesmo do site Bastidores do Rádio, e por aí vai. Pode ser que alguns leitores tenham o hábito de acessar estes e outros sites/blogs sobre rádio numa tacada só, mas são muito específicos mesmo.

De qualquer forma, o artigo de Flávio Guimarães, a quem eu devo muito respeito, teve o mérito de iniciar o debate sobre a cobertura do rádio. Que apareçam outros interlocutores.

No giro do placar da Rádio Grenal, Haroldo de Souza chama a Rádio Guaíba

Por Rodney Brocanelli

Talvez na tensão da parida entre Grêmio e LDU, válida pela Copa Libertadores da América, Haroldo de Souza, narrador da Rádio Grenal, falou na Rádio Guaíba, uma de suas antigas casas, na hora do giro do placar. Ouça no player abaixo.

 

 

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Marcos Couto “narra” parto de emergência em rádio de Novo Hamburgo

Normalmente acostumado à transmissão de grandes eventos esportivos, o narrador esportivo Marcos Couto, da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, viveu uma emoção diferente na manhã desta sexta-feira. Ele entrou durante a programação da Rádio ABC, de Novo Hamburgo (RS), para informar aos ouvintes sobre um parto de emergência no calçadão da cidade. Ouça no player abaixo.

 

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89 FM tem maratona com Tatola e anuncia volta da Rádio Rock na web

Por Anderson Diniz Bernardo, do Mídia Clipping

A 89 FM (89,1 MHz – São Paulo) voltou a ser “A Rádio Rock”. Pelo menos provisoriamente.

Desde as 10h deste sábado (27), a programação está no ar com locução do Tatola e idfentificada como “A Rádio Rock”.

A informação foi publicada ontem pela página do programa “Quem não faz toma” no Facebook: “O Tatola estará no ar das 10 às 14 e das 19 às 21 horas, no sábado e no domingo, tocando as bandas mais legais do planeta”.

A ação divulga a “volta” da Rádio Rock como webrádio, no endereço http://www.radiorock.com.br, que já está no ar, mas com programação musical diferente da executada pela 89 FM.

A programação “Rádio Rock” com Tatola pode ser ouvida no http://www.89fm.com.br.

Na última quinta-feita, o Tudo Rádio havia publicado que, apesar das demissões, “a equipe que está atuando hoje pela 89 FM trabalha sem prazo de encerramento das atividades”.

Ouça os primeiros minutos da transmissão do Tatola neste sábado na 89 FM

Leia mais:

José Camargo Jr. é responsável pelo domínio A Rádio Rock

https://radioamantes.wordpress.com/2012/10/27/jose-camargo-jr-e-responsavel-pelo-dominio-a-radio-rock/

O site da Rádio Rock pode ser acessado clicando neste link http://www.radiorock.com.br/

O Horário eleitoral gratuito no rádio em 1985

Por Rodney Brocanelli

Nessa semana, começou o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Candidatos a prefeito e vereador vão se revezar para conseguiu um espaço nessas mídias e tentar, dentro das limitações de tempo, falar sobre aquilo que pretendem fazer e conquistar a simpatia do eleitor. Em 1985, tivemos no país a primeira eleição para prefeito depois de muitos anos. No vídeo abaixo, uma pequena amostra de como era o horário eleitoral pelo rádio, tendo como base a eleição em São Paulo. O áudio foi gravado em uma fita cassete e posteriormente digitalizado. Procurou-se manter a ordem dos programas como estavam na fita. Há alguns cortes abruptos, típicos para tentar economizar espaço. Não perguntem pela data exata, porque não houve essa preocupação no dia. Na ocaisão, alguns partidos estavam com a propaganda suspensa. Em seu lugar, tocava-se uma música instrumental e o locutor de plantão fazia o anúncio. Ouça mais no player abaixo.

Rádio paulista já teve transmissão duplex em 1973

Por Rodney Brocanelli

O Edemar Annuseck, comentarista dos canais PFC e Sportv, procura o blog para informar que o rádio paulista já teve uma transmissão feita ao estilo duplex dos gaúchos em 1973. Naquele ano a Jovem Pan transmitiu duas partidas de forma simultânea: Palmeiras x Internacional, que teve narração de Osmar Santos, e Cruzeiro x São Paulo, com narração do próprio Edemar. Ele nos encaminhou a cópia de um anúncio publicado à época,  destacando essa jornada. Tomara que a Pan tenha esse registro histórico em seus arquivos.

 

 

 

Vale destacar também que Edemar escreveu um post em seu blog detalhando os sistemas de transmissão em duplex e em carrosel. Leitura orbigatória para quem gosta da história do rádio.

http://edemarannuseck.blogspot.com.br/2012/08/transmissoes-esportivas-diferenciadas.html

Tradição do rádio gaúcho, duplex chega ao rádio de São Paulo pela Bradesco Esportes

Por Rodney Brocanelli

O ouvinte da Rádio Bradesco Esportes FM, de São Paulo, teve a chance de conhecer algo que é muito tradicional no rádio gaúcho: o duplex. Traduzindo: a transmissão simultânea de duas partidas. A emissora paulistana entrou em rede com a Rádio Esportes, de Porto Alegre, para a transmissão de Internacional x Vasco, com narração de Daniel Oliveira, e Coritiba x Grêmio, irradiado por Marcos Couto. Ouça um trecho no player abaixo.

Para saber um pouco mais sobre o duplex, leia aqui no link abaixo:

http://radiobaseurgente.blogspot.com.br/2008/05/duplex-tradio-no-rdio-esportivo-gacho.html

Chico Anysio e o rádio

Por Rodney Brocanelli (com a colaboração da equipe Webfutmundi)

Chico Anysio, morto nesta sexta-feira aos 80 anos, começou sua carreira no rádio. É célebre a história de que ele sempre ficou na segunda colocação em testes para locutor, derrotado por Silvio Santos. Mesmo assim, ele conseguiu seu espaço no veículo. Começou na Rádio Guanabara (atual Bandeirantes), nos anos 40, e lá desempenhou várias funções: ator, redator, locutor e comentarista esportivo. Mudou-se para a Rádio Mayrink Veiga algum tempo depois e nessa emissora criou um de seus tipos mais famosos: o professor Raymundo.

Como era de se esperar, Chico migrou para a televisão, veículo no qual ele conquistou o sucesso nacional e admiração dos fãs. Contudo, ele nunca deixou o rádio de lado. Um de seus personagens era uma verdadeira homenagem à estética e as figuras que fizeram este veículo ser o que é: Roberval Taylor.

Abaixo, Roberval dá as últimas do esporte.

No programa de Roberval não poderia faltar o horóscopo.

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Mas teve gente que não gostou muito desse personagem. O grande Helio Ribeiro achou que Roberval Taylor era uma paródia não muito lisonjeira ao seu estilo de fazer rádio. Quem conta mais detalhes é Sérgio Mattar, em texto extraído de seu blog.

Um certo dia, nos corredores da Rádio Bandeirantes de São Paulo, um acontecimento singular, foi a visita que Chico Anysio de Paula fez à Hélio Ribeiro, no estúdio A, durante o programa de maior audiência da rádio brasileira: “O Poder da Mensagem“.

Ribeiro com seus cabelos ondulados comprimia-os com enormes fones de ouvido plugados em um grande rádio portátil instalado ao lado de seu microfone. Sua voz personalíssima, ecoava naquele momento sobre a voz melodiosa de Frank Sinatra, versando nada mais do que “All the way”.

Os velhos “olhos azuis” como era tratado o bom e velho Frank, irmanava-se ao dueto maravilhoso, na tradução simultânea do talento e criatividade de Hélio Ribeiro.

Neste exato momento adentra ao estúdio o genial Chico Anysio que, apesar de não conhecer Hélio pessoalmente se pôs ao seu lado, e sem nenhum constrangimento passou a imitá-lo. Tal e qual.

Terminada a música, com tradução do Hélio Ribeiro, houve a apresentação recíproca entre Chico e Hélio e aí, rolou um papo fenomenal intercalado por outras música e traduções, além, do “filosofar poético” do “O Poder da Mensagem”.

Após as despedidas Chico retorna ao Rio e a “vidinha” segue na sua normalidade.

A Rede Globo lança um novo programa no ar com forte alarido e participação de grande elenco do humorismo nacional… “Chico City”.

Programa idealizado por Chico Anysio colocava suas personagens em atividade plena. Seus coadjuvantes faziam a escada para Chico deitar e rolar.

De repente, um fato novo, uma personagem nova, uma voz nova na cidade de Chico, era um Chico diferente, “aquele” Chico do estúdio do “Poder da Mensagem”.

Surgia “Roberval Taylor” ou a caricatura de Hélio Ribeiro elevada a potência “n”.

Foi uma balbúrdia nacional. O meio artístico entrou em ebulição. Hélio Ribeiro que entendeu “Roberval Taylor” como uma ofensa ao seu trabalho e desempenho, disparou pelas ondas médias da Rádio Bandeirantes uma ofensiva à Chico Anysio.

Evidentemente, Chico que, quis homenageá-lo ao criar “Roberval Taylor”, se pôs a satirizar mais ainda a sua criação.

Por um tempo o “mal-estar” entre ambos pairava. Um dia, por iniciativa de amigos comuns de Chico e Hélio, foi improvisado um encontro no mesmo estúdio A, no mesmo horário do “Poder da Mensagem”, para a desfeita daquele tremendo mal entendido.

De fato, apesar de, temperamentos difíceis e personalidades fortes, tanto Hélio como Chico deram grandes gargalhadas e efusivos abraços, colocando um ponto final naquele equívoco que pairava na genialidade daquelas cabeças.

Chico, com o concentimento do Hélio Ribeiro, continuou com seu “Roberval Taylor” melhor e… com mais um fã de carteirinha.

Está aí uma ótima oportunidade para a Rádio Bandeirantes, na figura de Milton Parron, recuperar o áudio desse programa histórico reunindo dois gênios.

Abaixo, uma tradução toda especial de Roberval Talyor à musa do Karmanguia batido.

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Chico teve uma relação estreita com o rádio esportivo. Nos anos 90, chegou a ser comentarista nas transmissões de futebol na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. No livro Paixão pelo Rádio”, do Rodrigo Taves, José Carlos Araújo, narrador da Rádio Globo (RJ) deu seu depoimento sobre o humorista:

“(…) Chico Anysio puxa pela memória um grande amigo, a quem deu conselhos no início da carreira e convidou algumas vezes para participar de seu programa “Chico City”, na TV Globo. E solta um elogio:

“Existem três grandes locutores: Zé Carlos, Osmar Santos e Luís Penido. Cheguei a comentar dois jogos com o Osmar, cheguei a trabalhar com o Penido, mas nunca trabalhei com Zé Carlos, o melhor de todos. Gostaria de ter recebido um convite, sinto-me frustrado por nunca ter comentado um jogo com ele”.

Garotinho pensa o mesmo. Para ele, Chico é um dos três maiores artistas que o ajudaram. (…) E dele, guarda um ensinamento sábio, passado quando se conheceram nos anos 60 no estúdio da Rádio Globo: “A maior fonte de criação é o povo e, em contato com o povo, você aprende muito”.

“Sempre fomos chegados. Eu queria fazer um “Coalhada” (um dos grandes personagens de Chico) com ele, mas não teve jeito, não sei porque não foi possível. O vejo sempre aos domingos, gosto muito dele como pessoa e profissional também”, relata Chico.

(…) A relação de Garotinho com Chico Anysio sempre foi muito boa. Bruno Mazzeo, filho do humorista, foi um dos “torcedores do futuro” quando criança, e Chico já nem se lembra mais dos inúmeros bordões que sugeriu a Zé Carlos, mas sabe que sempre deu muitas ideias.

“Os bordões fazem o locutor, têm de existir. O Zé Carlos tem e usa na hora exata, não atrasa um segundo, você não perde um lance com ele. É um dos poucos que consegue inserir a propaganda sem você perder o jogo, o que é uma coisa difícil. Zé Carlos é um espetáculo!”, finaliza Chico”.

E o salário, ó!…

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O Show do Apolinho, na Rádio Tupi (RJ), veiculou uma reportagem especial sobre a perda de Chico Anysio.

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No programa Ensaio, da TV Cultura, Chico falou dessas suas passagens pelo rádio.

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Um de seus personagens mais marcantes, Alberto Roberto, em ação, entrevistando Galvão Bueno, que parece ter se divertido muito com essa participação em um quadro dos primórdios do Zorra Total.