Memória: o Clube das Mulheres da extinta Brasil 2000 FM

Por Rodney Brocanelli

Em 2005, eu publiquei numa revista eletrônica (ou e-zine, como queiram) chamada Ruídos (veja aqui) uma entrevista com Fabiana Ferraz e Marcela Rocha. Elas formaram a dupla de apresentadoras de um dos programas mais interessantes da extinta Rádio Brasil 2000 FM, o Clube das Mulheres, que durou aproximadamente um ano, a partir de 1999. Mais detalhes na introdução do texto, que foi mantida da publicação original, abaixo.

A Fabiana seguiu sua trajetória no rádio e ela hoje está na Rádio Cultura Brasil, comandando o programa Galeria. Antes, esteve na Brasil Atual FM. Trabalhou também em outras emissoras: Transamérica, Metropolitana FM, Mitsubishi FM, USP FM e Antena 1. Saiba mais sobre o trabalho atual da Fabi clicando aqui.

Por sua vez, a Marcela, em rádio, passou depois pela Kiss e Metropolitana, ambas em São Paulo. Aliás, elas chegaram a reeditar a dupla na própria Metropolitana, ao lado de Rafael Cortez no programa Na Pegada. Aliás, foi dele que extraímos a foto que ilustra este post.

Bastidores da entrevista: mandei as perguntas por e-mail e elas combinaram as respostas. Só no final é que que cada uma respondeu de forma individual. Deixei como está, com direito até aos endereços eletrônicos das emissoras em elas estavam na época (não deverão funcionar em 2022, nunca é demais lembrar).

Uma pena que não consegui encontrar qualquer registro do Clube das Mulheres, da Brasil 2000, na Internet. Leia abaixo a entrevista

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Todo mundo se refere ao Garagem como um dos programas mais legais da história da Rádio Brasil 2000 (o programa está saindo do ar e indo para o UOL). Porém, na mesma época em que ele estreou (no ano de 1999) a emissora levara ao ar um programa tão ou mais bacana. O forte nem era a programação musical, mas a química entre as duas apresentadores e seus ouvintes. A atração em questão era o “Clube das Mulheres”, apresentado por Fabiana Ferraz e Marcela Rocha, levado ao ar diariamente entre 07h e 11h.

A estrutura era simples: nas duas primeiras horas, elas tocavam clássicos do rock e liam as notícias do dia. Às 10h começava o Discagem Direta do Ouvinte, no qual a audiência entrava para pedir uma música e levar um papo com a Fabi e com a Má. De vez em quando nesse espaço rolavam entrevistas interessantes. Quando não havia nenhum convidado especial, os ouvintes contavam seus problemas afetivos e isso com uma trilha poderosa de fundo: “Glory Box”, do Porthishead.

O “Clube das Mulheres” dessa fase durou um ano aproximadamente. Marcela Rocha acabou deixando a Brasil 2000 e Fabiana Ferraz ficou sozinha no comando por mais algum tempo para logo sair do ar e dar lugar ao “Blog do Tas”, projeto do apresentador Marcelo Tas que não durou muito. O Ruídos conseguiu reunir novamente Fabi e Má para relembrar os grandes momentos do programa que fazia o deleite de marmanjões.

Como surgiu a idéia do programa?

A idéia inicial do programa veio do coordenador artístico que na época era o Tatola (N. do R.: o Tatola que hoje está na 89 FM e na tevê com o Perrengue, na Band). Com o passar do tempo, O “Clube” desenvolveu uma cara diferente da inicial. Mas a proposta sempre foi descontração e informação com muita feminilidade e bom humor.

Vocês duas já haviam trabalhado juntas antes de assumirem o Clube das Mulheres?

Não…juntas, juntinhas, não!!Mas já fazíamos parte da equipe da rádio…Fabi como locutora e Má como estagiária e depois produtora.

Houve algum modelo no qual vocês se inspiraram ou o tom encontrado para o comando do programa foi surgindo aos poucos?

Exatamente isso, o tom do programa veio aos poucos. Nosso entrosamento, que aumentava a cada dia, colaborou bastante para que o programa passasse um clima de amizade e de “estar à vontade” no ar.

Um dos quadros do programa era o Discagem Direta do Ouvinte, com entradas ao vivo de ouvintes para solicitar músicas. Vocês chegaram a enfrentar algum tipo de situação engraçada, embaraçosa etc?

Várias situações engraçadas…Uma vez a gente decidiu fazer campeonato de arroto no ar; tinha que dizer Clube das Mulheres arrotando…Imagine o que saiu!!! Foi um sucesso! E teve ouvinte que conseguiu!!

Quais foram as entrevistas mais marcantes que vocês fizeram?

Tiveram várias marcantes como a da Rita Lee com o Roberto de Carvalho, foi um êxtase total! A gente sempre se afirmou grandes fãs da tia Rita! Outra entrevista que foi muito bacana foi com o Wando… Demais!! Fora as com grandes bandas como Cidade Negra, Nação Zumbi, Gerald Thomas entre outras…

Outra característica era o aconselhamento de ouvintes que entravam em contato para falar de seus problemas afetivos. Qual foi o caso mais complicado com o qual tiveram de lidar?

Casos complicados tiveram vários. Os mais delicados eram os que envolviam a questão da homossexualidade, de se assumir homossexual.

Qual era o desempenho do Clube das Mulheres no ranking do Ibope?

A Brasil 2000 nunca foi líder de audiência em nenhum horário, mas naquela época, conseguíamos atingir um público de cerca de 20 a 30 mil ouvintes por minuto.

Por que a dupla acabou sendo desfeita?

A dupla foi desfeita por causa de mudanças na coordenação… Mudou toda a direção da rádio e as idéias e projetos já não eram mais os mesmos. E, pra mim (Fabi), a essência e o conceito criativo do Clube acabou ali.

Numa entrevista, Roberto Maia, ex-diretor artístico da Brasil 2000, disse que a qúimica entre vocês era muito legal (clique aqui pra ver). Falem um pouco mais a esse respeito. Nunca chegraram a ter algum tipo de desentendimento durante o programa?

Realmente a nossa química era demais. A gente se entendia no olhar… Mas também se desentendia da mesma forma… Era como um casamento. Não importava o que tinha acontecido na noite anterior tínhamos que estar as duas lá, uma de frente para a outra procurando passar o maior e melhor alto astral para nosso ouvinte. Stress rolava como em qualquer relacionamento, mas a gente fazia o máximo para não transparecer isso no ar e conseguíamos!

Haveria espaço para o Clube das Mulheres em outra emissora de rádio ou ele é um programa com a cara da Brasil 2000 da época em que foi veiculado?

Sim, há espaço para o Clube em uma outra emissora, estávamos com um projeto quase que engatado, mas aí eu (Fabi) engravidei e os planos para mim na rádio acabaram mudando momentaneamente. Mas aquele Clube, daquele jeito, nunca mais será o mesmo!! Fica para a história do rádio!

O que vocês têm feito atualmente?

Má- Sou locutora da Metropolitana- 98.5fm (SP); estou no ar de segunda a sexta, das 08h30 ao meio dia e finais de semana. Durante a semana entre 10h e meio dia, apresento junto com Aldrin Mazzei o programa “Ele disse, Ela disse”- com entrevistas, bastante bom humor e participação de ouvintes ao vivo, cada dia um entrevistado e um tema diferente. espero encontrar com você por lá! Ah! Envie-me e-mails (marcela@metropolitana.com.br).

Fabi-Eu estou na Transamérica pop fazendo a rede das 14h às 18h. Faço para várias grandes cidades exceto São Paulo. Em Sampa dá pra me ouvir só nos finais de semana (100,1Fm), geralmente de sábado das 12h às 16h. Vocês podem me mandar e-mail para (locutor.fabianaferraz@transanet.com.br). Beijos para todos os saudosos do Clube…

Fabi, Má e o Rafael Cortez em foto de 2011

Semana Internacional de Música realiza encontro sobre o rádio

Por Marcos Lauro

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De 4 a 7 de dezembro, acontece em São Paulo a 2ª edição da Semana Internacional de Música. São dezenas de shows, debates e espaços para o networking entre profissionais da área.

Em um desses encontros o tema será o rádio. Segundo o texto que apresenta o evento, o debate será em torno do rádio como principal forma de escoamento da produção fonográfica brasileira. O debate acontece no dia 6 de dezembro, às 16h, na Praça das Artes, centro de São Paulo.

Os participantes serão: Patrick Torquato (Rádio Frei Caneca/Recife e ARPUB – Brazil’s Public Radio Association), Roberto Maia da (89FM) e Ricardo Rodrigues (Rádio UFSCar/São Carlos), com moderação do jornalista Alexandre Matias. Depois do papo, um resumo será colocado gratuitamente na internet.

Para participar é necessário comprar o credenciamento para Semana Internacional de Música – pelo menos no site não há venda de ingressos somente para esse encontro. Para mais informações, acesse: http://simsaopaulo.com/evento/reuniao-aberta-radios/

Memória: Falando abertamente de jabá

Retirado do link:  http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/?p=4553

26/07/2009

Escrevi na última sexta-feira que a prática do jabá nas rádios brasileiras “é uma espécie de caixa-preta, muito bem protegida e imune, inclusive, à investigação jornalística”.  Comentava um texto do músico Tico Santa Cruz, publicado em seu blog, no qual ele afirma que o seu grupo, o Detonautas, está sendo boicotado pela rádio Mix FM. O músico contou que, certa vez, a rádio exigiu dos Detonautas que alterassem uma música já gravada para se adequar aos padrões da emissora.  O jornalista Rodney Brocanelli, que mantém o blog Rádio Base, escreveu para me alertar que a “caixa preta” do jabá não é tão fechada assim. Ele me enviou trechos de uma entrevista de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, à revista Playboy, em 2006, na qual o empresário fala abertamente do assunto. Eis o trecho:

PLAYBOY: Muita gente diz que você é jabazeiro [que cobra jabá]. TUTINHA: Me chamem do que quiser. Na minha rádio tem nota fiscal, tô pouco me danando. O cara para entrar no Fantástico também paga. Jabá é quando você faz ilegalmente na empresa. O que eu faço são acordos comerciais. PLAYBOY: Que tipo de acordo?

TUTINHA: Por exemplo: hoje chegam 30 artistas novos por dia na rádio. Por que eu vou tocar? Eu seleciono dez, mas não tenho espaço para tocar os dez. Aí eu vou nas gravadoras e para aquela que me dá alguma vantagem eu dou preferência.

PLAYBOY: Que vantagem?

TUTINHA: Se você tem um produto novo, você paga pra lançar. Era isso o que eu fazia. Eu tocava, mas queria alguma coisa. Promoção, dinheiro. Ah, bota aí 100 mil reais de anúncio na rádio. Me dá um carro pra sortear para o ouvinte. Mas hoje não tem mais isso. As gravadoras não têm mais dinheiro. O que pode existir é o empresário fazer acordo. Ah, toca aí meu artista e eu te dou três shows. Ou uma porcentagem da venda dos discos.

Brocanelli também publica em seu blog trechos de uma entrevista que fez com Roberto Miller Maia, ex-diretor da rádio Brasil 2000, na qual ele também fala abertamente do assunto. Eis o trecho selecionado:

Não existe o estar pagando para tocar, mas existe um acordo de cavalheiros. Como o U2 está dando ao ouvinte da rádio uma oportunidade de uma promoção que leva o sujeito para Miami, em contrapartida tem que se mostrar o trabalho dos caras. Por que uma banda fica famosa? Tem sempre aquele trabalho de marketing. Por mais que uma banda seja brilhante ou excelente alguém precisou falar sobre ela, instigar as pessoas a gostarem daquilo. E também existem as armações, que não duram nada. Se a banda for ruim, não vai adiantar. Tem que existir um mínimo de talento, de empatia com aquele grupo de pessoas a quem você vai oferecer esse produto. Isso tudo deveria ser uma coisa mais clara, ficou uma coisa obscura durante todos esses anos. Se tudo fosse às claras, não existiria corrupção.

Eis, portanto, duas manifestações que mostram que o jabá não é, como eu disse, uma caixa-preta sem chave.

A dupla Maia e Tatola está de volta

Por Marcos Lauro

uol89

A 89 FM voltou a ser uma rádio roqueira. Numa parceria com o UOL, intermediada pela Agência Africa, a emissora se chama agora UOL 89 A Rádio Rock. A emissora já nasce com aplicativos para Android e iPhone e perfis nas principais mídias sociais. O site oficial ainda está em construção, mas já é possível ouvir a rádio ao vivo e ter todos os links para os perfis e os aplicativos.

A programação deverá apresentada ao ouvinte durante essa sexta-feira, mas já se sabe que a dupla Maia e Tatola, que fez história no dial paulistano, estará junta novamente. Todos os dias, a partir das 17h, a rádio terá o Programa do Tatola, com participação de Roberto Maia. Além disso, serão apresentados dois lançamentos e o programa poderá receber convidados. Um padrão parecido com a Sessão da Tarde, atração que a dupla comandava na Brasil 2000.

Outra figura que fará parte da UOL 89 é Andreas Kisser. Guitarrista do Sepultura, ele terá um programa sobre heavy metal.