40 anos de Emerson em Monza, por Flávio Araújo

Por Flávio Araújo, do portal Ribeirão Preto On Line

EMERSON FITTIPALDI, O PRECURSOR

Nunca acompanhara uma corrida de Fórmula 1, espetáculo nascente no mundo do automobilismo esportivo e ainda com pouco reflexo nas transmissões esportivas do Brasil.

Wilson Fittipaldi, o Barão, grande praça, amigo de todo mundo era o único brasileiro a narrar as corridas automobilísticas pela Rádio Jovem Pan, então Panamericana, de São Paulo.

De acordo com alguns, o Barão narrava mais para acompanhar o filho Emerson do que por interesse real dos ouvintes de rádio.

Acontece que Emerson Fittipaldi poderia ganhar em Monza, na Itália, o título inédito de campeão mundial na divisão de maior expressão do automobilismo.

Foi então que a Bandeirantes resolveu transmitir o grande evento e como eu era pau para toda obra não deu outra.

Sem conhecer nada do assunto fui escalado para transmissão do Grande Prêmio de Monza, cidade do norte da Itália, próxima a Milão.

Em minha companhia estaria o colega Borghi Junior, que já tinha alguma experiência no tema por ter trabalhado exatamente com o Barão na Pan.

Sempre que avisto algo novo em meu caminho não deixo nunca que ele chegue e me encontre desprevenido.

Comecei naquele ano em Monza e a partir de então segui pelos 10 anos seguintes a machucar meus ouvidos com o ronco dos motores da Fórmula-1.

Sabia que Emerson não fora o primeiro brasileiro a correr pela categoria, li tudo a respeito e fui procurar uma verdadeira lenda do automobilismo nacional dos tempos anteriores a Fittipaldi.

Chico Landi era citado todas as vezes em que nós, cronistas esportivos, nos aventurávamos a falar sobre corridas de automóveis.

Fui descobri-lo em sua oficina mecânica no Itaim-bibi e me relacionei com uma das personalidades mais cativantes que a carreira me proporcionou.

Assim como Aristides Jofre no boxe, Chico Landi me deu algumas aulas do novo esporte onde minha emissora pretendia se introduzir.

Nesta última segunda-feira, 10 de setembro, fez 40 anos que o fato se deu.

Ainda estou me revendo ao chegar ao autódromo de Monza para acompanhar os treinos e me deslumbrar, e me assustar também, com as cores daquela máquina preta com filetes dourados onde Emerson seria coroado 3 dias depois como novo campeão mundial.

Sinceramente, a Lotus que já matara Jochen Rindt, o antecessor de Fittipaldi, naquele mesmo circuito dois anos antes se assemelhava a um esquife.

Minha inexperiência no assunto uniu-se ao meu imenso desejo de transmitir uma grande vitória brasileira e um frio agudo me correu a espinha.

O automobilismo daqueles anos vivia pleno de graves acidentes onde vidas preciosas de pilotos famosos eram ceifadas com constância.

Principalmente na própria Lotus, onde antes de Rindt, Jim Clark, na época o maior de todos, se espatifara num carro de segunda linha da escuderia ao participar de uma corrida de Fórmula 2 em Hockenheim no ano de 1968.

Esses fatos ocuparam meus pensamentos por minutos incalculáveis.

Vai que …

A corrida de Emerson foi simplesmente perfeita da largada à bandeirada da vitória e o Brasil, inscrito no clube seleto, passou a colecionar títulos.

Foram 8 conquistados, esse primeiro de Emerson cujos 40 anos estamos rememorando, um outro também do filho do Barão, 3 de Nelson Piquet e 3 de Ayrton Senna, o último em 1992.

Depois veio o jejum e que se agravou com a trágica morte de Ayrton em Ímola no ano de 1994 e por mais que faça a rede Globo e por mais que torça o Galvão nada conseguimos depois seja com Rubens Barrichello ou na atualidade com Felipe Massa.

De qualquer maneira os 40 anos da vitória de Emerson Fittipaldi em Monza merecem a reverência de todos os que sabem que toda caminhada vitoriosa começa sempre com a primeira.

Emerson abriu esse trajeto que seguiu vitorioso nos anos seguintes.

Está na hora de ser retomado.

Só não sei com quem.

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