Relembrando a Equipe 1040, da Rádio Tupi, de São Paulo

Rodney Brocanelli relembra a Equipe 1040, da Rádio Tupi, de São Paulo, que se notabilizou no rádio esportivo por acompanhar os jogos da Loteria Esportiva em tempo real, com profissionais nos estádios e uma retaguarda robusta no plantão esportivo. Para esse vídeo, foi usado material de arquivo do Diário da Noite (SP), que rivalizava com o Notícias Populares no que diz respeito a “espremendo, sai sangue”. Onde estão os arquivos da Tupi paulistana? Uma esperança é que os familiares do radialista Milton Camargo divulguem parte do material que está com eles.

Saiba a audiência do rádio AM e FM da Grande São Paulo… em 1985

Rodney Brocanelli recupera um recorte de jornal da antiga coluna de Ferreira Netto e fala sobre o ranking de audiência do rádio na Grande São Paulo em 1985 Veja se a sua emissora preferida já existia e, caso afirmativo, em qual colocação ela estava. Clique e veja.

Para quem quiser ver melhor, clique no link: https://x.com/rbrocanelli/status/1821908575603601897/photo/1

Narrador Orestes de Andrade comemora duplo aniversário

Por Rodney Brocanelli

O mês de fevereiro é muito importante não na vida, mas na carreira do narrador esportivo Orestes de Andrade. Neste último sábado (15), ele completou 76 anos de vida. Poucos dias antes, na terça (11), o locutor chegou à marca de 30 anos de trabalho ininterrupto na Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

E se enganou quem pensou que ele curtiu uma folga merecida nesta semana que passou. Na terça, ele esteve à frente da transmissão de Grêmio x Pelotas, partida válida pelo campeonato gaúcho de 2025. Graças ao auxílio do grande Edu Cesar, a efeméride foi lembrada com direito a veiculação do primeiro gol narrado por Orestes na emissora. Foi em na partida Guarani (Venâncio Aires) x Juventude, em 1995,

Já no sábado, mais comemorações desta vez relacionadas ao aniversário natalício, desta vez na abertura do duplex Internacional x Monsoon/Ypiranga x Grêmio. Orestes esteve na partida do Beira Rio. O comentarista Rogério Amaral disse ter puxado os parabéns na fica do credenciamento.

Em 2023, Oresetes concedeu uma entrevista ao hoje saudoso podcast Dus 2 contando um pouco de sua história. Veja abaixo.

Elimination: a narração que foi parar no vestiário do Santos

Depois do Mazembe Day (veja aqui), Rodney Brocanelli recupera a história do Elimination. Para quem não sabe ou lembra, foi uma narração de Daniel Oliveira, pela Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre para um gol do Grêmio na Copa do Brasil de 2010 que também virou notícia e foi parar na concentração do Santos. Robinho e seus companheiros torceram o nariz para o que foi dito, mas confundiram o narrador. Relembre (ou conheça essa história – até o Fabiano Baldasso, Cristiano Silva, Pedro Ernesto Denardin e Paulo Pires estavam nela também).

Morre Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Seu Tuta, fundador da Jovem Pan

Por Marcos Lauro

Morreu na tarde desta segunda-feira (4/11) Seu Tuta, como era conhecido o empresário Antonio Augusto Amaral de Carvalho. O fundador da Jovem Pan tinha 93 anos de idade e, segundo o portal da emissora, estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

“Na década de 1960, na TV Record, criou os festivais, que além de marcarem época, contribuíram para a explosão de movimentos como a Tropicália e a Jovem Guarda”, destaca também o portal, ressaltando a importância da sua trajetória não apenas para a empresa, mas para a radiodifusão brasileira. “Ele foi responsável, ainda, pelas primeiras transmissões esportivas ao vivo a partir de estádios fora do eixo Rio-São Paulo”, continua o site.

Em 2009, Seu Tuta lançou sua autobiografia, “Ninguém Faz Sucesso Sozinho”, ditada pelo próprio e escrita por José Nêumanne Pinto. O livro ganhou o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da qual este integrante do Radioamantes fez parte na ocasião. A nota de bastidores fica para o longo discurso de agradecimento de Seu Tuta na noite de entrega dos prêmios, para desespero da organização que não sabia como tirar o dono da Jovem Pan do palco para que a celebração continuasse.

Ainda na ocasião, escrevi sobre o livro para o antigo blog “Rádio Base” e reproduzo abaixo:

Uma conversa com Tuta

De filho do dono da empresa a dono que tem filhos (e netos) na empresa. Antonio Augusto Amaral de Carvalho (A. A. A. de Carvalho ou simplesmente Tuta), conta sua trajetória no recém-lançado “Ninguém Faz Sucesso Sozinho”, livro ditado por ele e com texto final/edição do jornalista José Nêumanne Pinto.

E, logo de cara, digo que a missão foi cumprida. Se a intenção foi publicar um bate papo com Tuta, foi isso que saiu. Por vezes, temos a impressão de estarmos no sofá com o radialista, ouvindo suas histórias pessoais e profissionais, os erros e os acertos e os companheiros que participaram da sua história. Para reforçar essa impressão, a ordem da história não é exatamente cronológica. Até segue um esqueleto, uma estrutura que vem lá da TV Record de seu pai, Paulo Machado de Carvalho (o Marechal da Vitória) e termina na Jovem Pan Online, mas como uma história puxa outra, os acontecimentos vão surgindo conforme as lembranças. Afinal, é uma conversa, certo?

Quem vê Tuta somente como aquele senhorzinho pacato, pode até se surpreender com o livro. Sobram farpas para o Barão, Wilson Fittipaldi, que saiu da Pan após uma briga “por dinheiro”. Já o subcapítulo “Descrédito no ser humano” é dedicado ao jornalista Milton Neves. Acho que, só pelo título, não é preciso explicar. Mas quem leva as principais e mais ferrenhas críticas é o empresário João Carlos Di Gênio.

Seu parceiro no projeto da TV Jovem Pan, uma concessão UHF obtida por Tuta, Di Gênio é criticado por ter acabado com o empreendimento da pior forma possível: colocando os funcionários contra Tuta, com reclamações trabalhistas indevidas. No livro, obviamente, só há a versão do radialista, na qual ele sai como o grande injustiçado. E a versão é reforçada por um de seus filhos, Marcelo Leopoldo e Silva de Carvalho, em depoimento. O curioso é que, de parceiro, Di Gênio se tornou um dos principais concorrentes de Tuta com a Mix FM.

E por falar em filhos, todos eles estão na Pan com o pai. Talvez o mais “famoso” seja Tutinha, que é o responsável pela Jovem Pan FM e criador e programas e personagens como Djalma Jorge e Pânico. Nos depoimentos dos filhos, conhecemos um Tuta ciumento e bastante bravo com a prole, muito diferente do que é com os netos (alguns já na Pan também).

Ao final do livro, listas para os curiosos. Todos os profissionais que já passaram ou que estão na Jovem Pan e seu tempo de permanência. Assim, sabemos que Cláudio Carsughi já presta bons serviços à emissora há 39 anos. Elpídio Reali Junior, há 40. José Nêumanne Pinto (o editor desta obra), há 12. E assim por diante.

Tuta não para quieto. Praticamente não ocupa sua sala, fica circulando pelos corredores da emissora, vendo o que está acontecendo, opinando e, sim, dando ordens. É uma das suas funções. E, com esse livro, podemos perceber que se cada rádio tivesse um Tuta pelos corredores, o nosso meio não estaria assim, tão abandonado e tão desvalorizado.

Tem gravações de rádios do Recife dos anos 1970/1980? Kleber Mendonça quer falar com você

Por Marcos Lauro

O diretor de cinema Kleber Mendonça Filho (Bacurau, Aquarius, O Som Ao Redor) fez uma publicação em seu perfil do Facebook com um pedido muito comum entre os profissionais do audiovisual: para uma próxima produção, ainda não divulgada, Kleber precisa de gravações de rádios da cidade de Recife, preferencialmente dos anos 1970.

Esse tipo de pedido é comum, mas dificilmente tem seu fim com êxito quando o profissional de pesquisa procura as emissoras. Poucas delas têm um acervo próprio organizado e que compreende toda a sua existência. Quanto mais antigo o arquivo procurado, mais difícil.

Nesse caso, o audiovisual conta quase sempre com a colaboração dos próprios profissionais do rádio, que por conta própria se gravavam ou gravavam os colegas, e também dos fãs de rádio, que acumularam fitas e fitas de gravações durante a vida. Como exemplo: a produção do filme Carandiru (2003, Hector Babenco) precisava de gravações de rádios do começo dos anos 1990 para ambientar algumas cenas, já que o som do rádio era muito presente nos corredores do presídio. O filme acabou contando com a ajuda de colaboradores da Rádioficina, que se mobilizaram para cederem seus acervos pessoais.

Enfim, se você tem gravações de rádios do Recife, entre em contato com Kleber por meio do seu Facebook oficial. O audiovisual brasileiro agradece.

Raridade: Oasis na rádio Brasil 2000

Por Marcos Lauro

Eu já não sei se foi real ou se é alguma peça que me prega a minha memória (que já era mais ou menos antes da COVID), mas eu me lembro do dia dessa gravação. Então, vou contar aqui o que está na minha memória. Se for mentira, só vai servir para tornar a história da gravação melhor.

Em março de 1998, a banda britânica Oasis passava pela América do Sul e no dia 21 foi a vez de São Paulo receber os malas, digo, irmãos Gallagher. Não fui ao show, mas acompanhava o movimento. Fico feliz em ver os fãs se organizando para grandes shows, mesmo que eu não vá e não seja tão fã assim. É bom ver os amigos empolgados.

Aí vem a parte da memória: o show acabou, a madrugada já avançava e eu me preparava pra dormir (sempre ouvindo a Brasil 2000) quando João Carlos Godas (o Tatola) “invade” o estúdio e diz: “Tenho aqui o show do Oasis inteiro, gravado num MD, e vou pôr no ar. Ouve aí”. E lá se foi a intenção de dormir mais ou menos cedo.

Em fita, com no máximo 60 minutos, tive que dividir o show em duas partes e, claro, não coube o show todo – que durou cerca de 1h40. Mas fica o registro pela memória, de um tempo em que os shows eram transmitidos pelas rádios e a gente ouvia.

A primeira parte (lado A da fita):

A segunda parte (lado B da fita):

O setlist completo das duas partes:

A

Be Here Now
Stand by me
Supersonic
Roll with It
D’you Know what I mean?

B

Don’t go Away
Wonderwall
Live Forever
I’m the Walrus
Cigarettes & Alcohol

Os 10 anos do 7 a 1

Por Rodney Brocanelli

Nem é preciso escrever muita coisa. A goleada sofrida pelo Brasil, em casa, para a Alemanha, pelo placar de 7 a 1 completa 10 anos. E pelo jeito as lições não foram aprendidas (É um 7 a 1 todo dia, desde 2014). Ouça as principais narrações de rádio que estão disponíveis na Internet

Narração de José Silvério, pela Rádio Bandeirantes

Narração de Nilson Cesar, pela Rádio Jovem Pan

Narração de Oscar Ulisses, pela Rádio Globo (SP)

Narração de Luiz Penido, pela Rádio Globo (RJ)

Narração de Pedro Ernesto Denardin, pela Rádio Gaúcha

Narração de José Carlos Araújo, pela Rádio Transamérica (RJ)

Narração de Deva Pascovicci, pela CBN

Narração de Irismar França, pela Rádio Verdes Mares

Narração de Aroldo Costa, da Rádio Jornal

Éder Luiz narra o gol de Schürrle, pela Rede Transamérica

Raridade: Dia Municipal do Rock na Brasil 2000

Por Marcos Lauro

No começo de junho, publiquei aqui nesse espaço uma raridade retirada de uma fita: o grupo Ira! ao vivo na rádio Brasil 2000 em 1998. Se você não ouviu, está aqui nesse link. Agora é a vez de outro achado do mesmo acervo.

Em setembro de 1997, a rádio Brasil 2000 organizou um festival na Praça Charles Miller, bem em frente ao estádio (então municipal) do Pacaembu. A iniciativa servia para reforçar as tentativas do, na época, vereador Turco Loco (PSDB) de valorizar bandas nacionais. E não estranhe: em São Paulo, o Dia Municipal do Rock foi instituido no dia 21 de setembro, diferente da data mundial, que é 13 de julho. Antes dessa data, o vereador havia proposto uma lei que obrigava produtores de shows internacionais a colocarem bandas nacionais nas aberturas – ideia que pegou em Porto Alegre e funciona até hoje. Aqui em São Paulo, a proposta foi barrada pelo prefeito Celso Pitta (PPB).

Mas voltando à Praça Charles Miller: A Brasil 2000 chamou um time de peso para comemorar o tal Dia Municipal do Rock: Arnaldo Antunes, Dr. Sin, O Rappa, Charlie Brown Jr. e uma participação mais que especial da banda australiana Men at Work, que estava no Brasil para uma turnê de dez show e “passou” pelo palco para um show surpresa. Aqui em São Paulo, eles já haviam tocado por duas noites no Olympia.

Ouça no player abaixo a primeira parte do especial:

No próximo player, a segunda parte do especial:

Abaixo, o setlist completo:

Parte 1
Arnaldo Antunes – O Silêncio
Arnaldo Antunes – O Poder
Dr. Sin – Down in the Trenches
Dr. Sin – Futebol, Mulher e Rock ‘n’ Roll
O Rappa – Hey Joe O Rappa – A Feira

Parte 2
Men at Work – Who Can it be Now?
Men at Work – Down Under
Men at Work – Overkill
Charlie Brown Jr. – O Côro vai Comê
Charlie Brown Jr. – Proibida pra Mim
Charlie Brown Jr. – Killing in the Name
Charlie Brown Jr. – Tudo o que Ela Gosta de Escutar

Show gravado no dia 21/9/1997 e transmitido pela Rádio Brasil 2000 no dia 27/9/1997.

Há dez anos, profissionais de Porto Alegre participaram de cobertura nacional da Bandeirantes na Copa do Mundo

Por Rodney Brocanelli

Ainda na esteira das comemorações dos dez anos da Copa do Mundo sediada no Brasil, outro momento marcante para a cobertura do rádio foi o uso de profissionais da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, em uma transmissão de caráter nacional.

Em 18 de junho. Holanda x Austrália fizeram um dos jogos em Porto Alegre, no estádio Beira-Rio. A Bandeirantes escalou o narrador Daniel Oliveira e o comentarista Luiz Carlos Reche. Estes se juntaram a Alexandre Praetzel, que na ocasião trabalhava como repórter na matriz paulistana.

Como nem tudo pode ser perfeito, a transmissão desta partida não foi feita diretamente do estádio, mas sim dos estúdios em São Paulo. As vozes de Daniel e Reche foram ouvidas na rede liderada pela Bandeirantes, de São Paulo e Band News FM, que também foi integrada a essa rede.

O jogo teve muitos gols, com vitória da Holanda pelo placar de 3 a 2. Ouça os gols no player abaixo

Essa transmissão ainda rendeu um gafe de Reche, que confundiu Ulisses Costa, narrador da própria Rádio Bandeirantes, com Oscar Ulisses, que ne época estava na Rádio Globo (aliás, tudo em família).

Importante destacar que a Holanda terminou a Copa na terceira colocação, após derrotar o Brasil pelo placar de 3 a 0.

Quatro anos mais tarde, na Copa da Rússia, a praça de Porto Alegre emplacava mais dois profissionais na cobertura nacional. O hoje saudoso narrador Marco Antônio Pereira e o comentarista Claudio Duarte lideraram para toda a rede a transmissão de Uruguai 1 x 0 Arábia Saudita (clique abaixo). No entanto, em 2022, na Copa do Catar, esse expediente de trazer os profissionais de Porto Alegre não foi utilizado.

Raridade: Ira! ao vivo na Brasil 2000 em 1998

Por Marcos Lauro

Eu tinha essa mania de gravar programação de rádios, principalmente esses programas especiais. Coisas que iam ao ar uma vez e você não sabia se ia ter reprise – ainda mais nos anos 1990, quando a internet ainda engatinhava comercialmente no Brasil, a gente nem pensava nessa opção “depois eu ouço no site”. Nâo tinha. Perdeu, já era.

Acabou que nesse processo constante de mudança de mídias, não consegui digitalizar muitas das fitas que gravei de rádios. Nessa semana, fui mexer na pastinha com alguns desses mp3 e me deparei com uma raridade: uma apresentação ao vivo da banda Ira! na rádio Brasil 2000 em 1998, no programa Brasileiros e Brasileiras – que como o nome entrega, era dedicado ao rock nacional em todas as suas vertentes. Me falha a memória se todas as edições eram ao vivo com banda no estúdio, mas essa é. Ira! em sua formação clássica (Nasi, Scandurra, Gaspa e Jung) numa época em que a banda estava próxima das experimentações eletrônicas, como entrega a primeira música da primeira parte, “Às Vezes, De Vem em Quando”:

Sim, tem chiado – a rádio Brasil 2000 não pegava exatamente bem na Santa Cecília, onde eu morava na época. Quando chovia, piorava – quando não caía de vez. E o programa era bem direto mesmo, praticamente sem vinhetas entre as músicas, sem locutor “levantando a galera”, nada. Apenas a banda no estúdio. E eu em casa.

Essa foi uma época musicalmente controversa para o Ira! por conta dessas experimentações eletrônicas, que não eram bem aceitas por parte dos fãs. Numa apresentação no programa Bem Brasil, facilmente encontrável no YouTube, parte da platéia se vira de costas para o palco enquando o grupo toca uma das faixas desse álbum, o Você Não Sabe Quem Eu Sou. Durante a música “Justiça Militar, Justiça Civil (Liquidação de Verão)”, a mais tecno do disco, dá pra ouvir o guitarrista Scandurra gritando ao microfone a frase “OPEN YOUR MINDS” (“Abram suas mentes”). Nem todos abriram.

Na segunda parte da nossa raridade, vem um Ira! mais roqueiro:

O setlist completo das duas partes da apresentação:

Ira! ao vivo no programa Brasileiros e Brasileiras
Rádio Brasil 2000 – 1998

Parte I

1 – As Vezes de vez em Quando
2 – Correnteza
3 – Tantas Nuvens
4 – Vou me Encontrar
5 – Miss Lexotan 6 mg Garota
6 – Eu Não Sei
7 – Nada Além

Parte II

1 – Me Perco Nesse Tempo
2 – Você Não Sabe Quem Eu Sou
3 – É Assim Que Me Querem
4 – Você Não Serve Pra Mim

Pró-memória: o triste fim da Rádio Globo em São Paulo

Por Rodney Brocanelli

O fim da Rádio Globo em São Paulo completa quatro anos nesta sexta (31). A saída se deu em dois momentos: o primeiro, em fevereiro de 2020, quando o transmissor do AM (1100Khz) foi desligado. . O segundo se deu na virada do dia 30 de maio para o 1º de junho do mesmo ano a frequência do FM em 94,1Mhz foi devolvida aos seus donos. O Radioamantes registrou toda essa sequência. Acompanhe nos posts abaixo.

José Carlos Araújo comemora 60 anos de carreira

Por Rodney Brocanelli

O rádio esportivo está em festa devido aos 60 anos de carreira de José Carlos Araújo, completados no último dia 02 de abril. Fazendo jus ao apelido pelo qual é conhecido, Zé Carlos segue com pique de garotinho nas transmissões futebolísticas da Super Rádio Tupi e agora em seu podcast (ou mesacast, como queiram), o Cheguei, contando sempre com convidados relevantes.

Os primeiros passos foram na Rádio Roquette Pinto. Em seguida, passou por outras emissoras (as mais importantes foram Nacional e Globo), transformando-se em um nome em nível nacional. É difícil separar os melhores momentos de uma carreira tão longeva, mesmo assim vamos tentar.

Em 1978, ele narra, ainda pela Rádio Nacional, o título carioca do Flamengo, garantido nos últimos instantes de partida, com um gol de Rondinelli.

Já em 1984, assim que chegou à Globo, o Garotinho narraria o título do Fluminense, com um gol de Assis.

Em 1989, o Brasil parou para acompanhar o Botafogo sair de um período de longos anos sem título. O gol de Maurício ficou eternizado na voz do Garotinho.

Em 1987, o gol de Tita fez com que o Vasco fosse o grande campeão daquele ano.

Para os rubro-negros não reclamarem da seleção acima, um bônus: o emocionante gol de Petkovic que deu o título de 2001 para o Flamengo.

José Carlos Araújo tem dois títulos mundiais do Brasil no seu currículo. O primeiro veio em 1994, nos Estados Unidos.

Em 2002, ele também esteve lá

Rompimento de fibra quase impede transmissão de jogo histórico do Brasil em 2002

Por Rodney Brocanelli, colaborou Edu Cesar, do Papo de Bola

A edição deste último domingo (24) do Domingo Esportivo Bandeirantes trouxe uma importante história de bastidores relacionada a cobertura da Copa do Mundo de 2002, sediada na Coreia e no Japão. O apresentador Eduardo Castro, que na época integrou a equipe da emissora que esteve nos dois países, revelou que a transmissão de rádio da Brasil x Inglaterra, válida pelas quartas de final, esteve ameaçada.

E não foi só uma rádio ou outra que correu o risco de não ter como irradiar esse jogo. Foram todas. Para se entender o motivo, é bom dizer que em 2002 foi a primeira vez em que a tecnologia de rádio usou a fibra óptica, hoje algo bastante popular na telecomunicação, digamos, comercial (saiba mais sobre ela clicando aqui). Isso fazia com que o som chegasse limpo, em estéreo. Outra vantagem: o áudio chegava frações de segundos antes do som e da imagem da televisão, que vinham pelo satélite. Isso chamou a atenção do público que esteve ligado nos jogos da seleção brasileira.

Castro conta que chegou ao centro de imprensa, cuja sede era em Seul, poucas horas antes da partida e percebeu, ao lado do operador João Bicev que não estavam recebendo o retorno da Bandeirantes, apenas chiado. Além disso, não havia conexão com Shizuoka, cidade onde iria acontecer a partida

Bicev saiu pelo corredor e percebeu que a falha não era apenas com a sua emissora. Outros operadores perceberam o mesmo problema. Castro ligou para José Carlos Carboni, então responsável pelo departamento de esportes da Bandeirantes e informou a situação.

Duas horas antes do pontapé inicial descobriu-se o motivo da falha: um rompimento de fibra na Índia ocasionara esse transtorno. Entretanto, a ação rápida dos técnicos fez com que o sinal fosse restabelecido cerca de uma hora antes do início da partida. Com isso, todas as rádios presentes conseguiram levar aos seus ouvintes as emoções de uma vitória da seleção brasileira, de virada, pelo placar de 2 a 1, com direito a um gol antológico de Ronaldinho Gaúcho (ouça abaixo).

Sucesso de Eric Carmen gerou desconforto e (depois) pazes entre Hélio Ribeiro e Chico Anysio

Por Rodney Brocanelli

Diversos veículos divulgaram na data de hoje (12) a morte do cantor e compositor Eric Carmen acontecida no final de semana. Ele tinha 74 anos e ao menos até agora a causa não foi divulgada. Carmen provavelmente partiu sem saber que um de seus principais hits “Ali By Myself” teve uma enorme influência na cultura pop brasileira e no rádio, por que não?

Tudo começa quando Chico Anysio, que dispensa maiores apresentações, cria e coloca no ar um personagem para o seu Chico City, humorístico semanal veiculado pela TV Globo na metade dos anos 1970.

O programa estreou em 1973 a ideia era reunir todos os personagens de Chico em uma cidade fictícia para, com isso, satirizar os acontecimentos daquela época. E como toda cidade que se preza, ela tinha uma emissora de rádio. Seu principal locutor era Roberval Taylor.

Eis a definição do site Memória Globo sobre ele: “Radialista e locutor oficial da Rádio Chico City . De olheiras profundas e voz empostada, o irresistível comunicador era um demolidor de corações femininos, com seus belos poemas, traduções de músicas românticas e sua pronúncia irretocável”.

O sucesso foi imediato. Porém, ao menos uma pessoa se sentiu incomodada com esse personagem: Hélio Ribero. Na época, ele vivia seu auge na Rádio Bandeirantes, onde já comandava o seu consagradíssimo O Poder da Mensagem.

Uma dos pontos altos da atração era a tradução de músicas estrangeiras, em geral estadunidenses. Muitos ouvintes desejavam saber o significado de suas músicas preferidas e se ligavam em Hélio.

O personagem de Chico era altamente inspirado em Hélio, especialmente na empostação da voz e na questão das traduções.

Uma delas, que chegou até a ser registrada em disco (sim, em disco) é justamente All By Myself, de Eric Carmen (achou que tivéssemos se esquecido dele?). A canção atingiu o segundo lugar na parada da Billboard, em novembro de 1975 e ganhou diversas regravações, entre as quais a de Celine Dion.

Na versão livre de Roberval, All By Myself se transformou em Tudo Eu. Em inglês, o título tem o significado de Completamente Sozinho (ou sozinha, dependendo de quem canta).

Como já dissemos, houve esse incômodo de Hélio Ribeiro com Roberval Taylor, gerando algumas falas dele no ar. No entanto, a história teve um desfecho bastante positivo, que acabou entrando para a história do rádio.

Chico Anysio foi até os estúdios antigos da Rádio Bandeirantes e concedeu uma longa entrevista a Hélio dentro do Poder da Mensagem. “Ele (Roberval) é um entre muitos que querem ser Hélio Ribeiro”, disse o comediante.

O resultado é que depois desse bate-papo, as coisas se resolveram. Chico prosseguiu interpretando sua criação e Hélio já não mais implicou com o personagem. Eric Carmen talvez nem teve conhecimento de tudo isso.

Ouça abaixo a “tradução” de Roberval Taylor

Ouça o original

E ouça abaixo o encontro entre Hélio e Chico.