Osmar Santos e a campanha das Diretas Já

Por Rodney Brocanelli

Com tanta coisa acontecendo no âmbito político, infelizmente a comemoração dos 40 anos da campanha das Diretas Já! vem ficando em segundo plano. No último dia 25 de janeiro, o comício da Praça da Sé, em São Paulo, teve uma retrospectiva tímida. Como a luta pelas eleições diretas, que tomou boa parte do primeiro semestre de 1984, tem vários marcos, espera-se que em abril essa lembrança seja retomada de forma mais consistente.

Um dos grandes nomes daquela campanha de mobilização popular foi Osmar Santos. Seu poder de comunicação foi capaz de comandar grandes plateias que foram às ruas de cidades importantes deste país pedir a volta das eleições diretas para presidente da República.

Naquela época, o narrador era chefe de esportes da Rádio Globo em São Paulo, apresentador da versão paulistana do Globo Esporte e narrador dos compactos de futebol nas noites de domingo (para São Paulo),

Seu envolvimento com a campanha (que já estava nas ruas) começa na noite do dia 31 de dezembro de 1983, Osmar Santos foi escalado para narrar a corrida de São Silvestre, tradicional corrida de rua promovida pela Fundação Cásper Líbero. Naquele ano, a prova era disputada à noite, quase que às portas do ano seguinte.

A São Silvestre ia se desenrolado e um corredor brasileiro foi se destacando: o mineiro João da Matta, que na ocasião tinha 30 anos. A narração de Osmar foi ganhando contornos de uma mensagem de esperança, ao mesmo passo em que João ia consolidando seu triunfo.

“Lá vem João da Matta…O Brasil em primeiro lugar…Este Brasil sofrido, desgovernado…Força, Garotinho! Pensa no seu povo…oprimido, angustiado, cansado de se alimentar apenas de sonhos de que um novo tempo vai chegar. Vem, João da Matta, o novo campeão da São Silvestre! Parabéns, João da Matta! Que esta tua vitória seja o anúncio de um ano de esperança, de realizações, de conquistas, vai trazer uma nova vida, uma vida mais digna para aqueles que realmente amam este país. Obrigado, amigo João. Tua força, tua garra faz com que a gente tenha orgulho de dizer: sou forte, sou guerreiro, graças a Deus, sou brasileiro”. (uma pena que não exista um registro disso no YouTube).

ATUALIZAÇÃO – (26/12/2025) – Apareceu o registro da prova de São Silvestre no ano de 1983. O trecho destacado acima não aparece no vídeo, mas o tom da narração e retirado da obra citada no fim do texto é semelhante. Clique no player abaixo para acompanhar (relevem a marca d’água que aborrece).

A mensagem de Osmar chegou aos ouvidos de Álvaro Dias, então governador do Paraná, que, em meio a confraternização em família, encontrou tempo para assistir a transmissão da São Silvestre.

Álvaro comentou com o irmão, que também se chama Osmar, que seu xará deveria ser o apresentador do comício pelas diretas programado para o dia 12 de janeiro, em Curitiba.

O narrador não aceitou de cara o convite feito em seguida pelo governador. Ele consultou o psicólogo e amigo Mauro Madureira e o diretor executivo do esporte da Rede Globo na ocasião, Marco Mora.

Ao ver que não haveria objeção de seu empregador, Osmar embarcou nessa jornada.

Claro que ocorreram problemas nos comícios das Diretas Já. Quarenta anos depois, eles ganham hoje até um ar de anedota. Mas o fato de um impostor ter se passado por um deputado argentino na concentração de Curitiba deixou muita gente com o coração na mão.

Um certo Juan Carlos Quintana ocupou o palanque e fez um discurso em que declarou “o apoio do governo argentino aos anseios de viver num país democrático que unem todos os brasileiros”.

O governo da época protestou, evocou a soberania externa e disse que forças externas estavam comandando a baderna. Após isso, cuidados foram tomados para que situações como essa fossem evitadas.

Após o comício do dia 25 de janeiro, na Praça da Sé, em São Paulo, Osmar tomou à frente nas outras reuniões em grandes capitais. Para isso, ele teve que vencer certas resistências e os planos de outros organizadores. Por exemplo, Ziraldo, atendendo a um convite do então governador Tancredo Neves, iria apresentar o comício em Belo Horizonte. O cartunista foi, mas Osmar estava lá também.

No Rio, o governador Leonel Brizola escalou o ator Milton Gonçalves e a atriz Christiane Torloni. Apesar de ser um nome de rádio, que era um veículo regional, Osmar não só esteve lá, mas como deu um show de comunicação com o público.

Osmar teve que apagar alguns incêndios. Em diversos momentos, ele teve que pedir ao público de diferentes tendências políticas para que não vaiasse os políticos. Um exemplo pode ser visto no vídeo abaixo. No comício da Praça da Sé (SP), Oswaldo Maciel (sim, Oswaldo Maciel) chama o então prefeito de Novo Horizonte Sidney de Biasi, que era do PDS, o partido que dava sustentação ao governo do general Figueiredo. Biasi representava um grupo de prefeitos que era favorável às Diretas. Osmar interveio para deixar clara a posição que o político tinha naquele momento e as vaias se transformaram em aplausos.

A única vez em que Osmar realmente não conseguiu controlar o público aconteceu no comício do Anhangabaú (SP). Ao agradecer os profissionais de imprensa que faziam a cobertura daquele evento, a massa se uniu em um coro só: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” (eu vi isso ao vivo na TV Gazeta, que transmitiu tudo quase que na íntegra – tinha 13 anos e não havia ninguém para me levar até o local). Essa saia justa não trouxe grandes consequências à carreira de Osmar na Globo, como veremos adiante.

Após a mobilização popular, as atenções se voltaram para a Câmara dos Deputados, em Brasília. Uma emenda à Constituição brasileira (a de 1967) proposta pelo deputado Dante de Oliveira (PEC nº 05/1983) estava para ser votada no dia 25 de abril de 1984. Seu objetivo era restabelecer as eleições diretas para presidente do Brasil.

Apesar das medidas de segurança decretadas pelo Governo Federal, Osmar Santos esteve nas galerias da Câmara para acompanhar a votação. Assim como grande parte da nação, ele saiu frustrado com o desenlace. A emenda não foi aprovada. Para uma alteração constitucional, seriam necessários 320 votos, conforme as regras da época. No entanto, foram apenas 298 votos a favor. Além do mais, quem era contra simplesmente não apareceu no plenário para votar, evitando assim maiores desgastes eleitorais.

Politicamente, o ano de 1984 ainda seguiu bastante agitado com a definição dos candidatos à presidência que iriam se enfrentar no ano seguinte, com o voto indireto de deputados, senadores e delegados definidos pelos governadores, o famoso Colégio Eleitoral.

Tancredo Neves foi lançado como candidato da oposição (acabou sendo o vencedor, promovendo o início da Nova República). Paulo Maluf defendeu as cores da situação, embora o preferido dela fosse outro: Mario Andreazza.

Osmar até foi convidado para animar os comícios de Tancredo Neves, porém essa parceria não foi duradoura. O publicitário Mauro Motoryn conta que em Goiânia, o locutor ficava instando o público toda hora a responder se eles queriam diretas. “Esse menino não pode mais apresentar porque não estamos mais nas diretas e ele fica chamando isso aí”, disse Tancredo em uma conversa de lado com Mauro. Ele mesmo passou a comandar os comícios e houve também a presença de apresentadores locais.

A carreira de Osmar Santos não foi afetada pela sua ampla participação nessas campanhas de mobilização política. Ele permaneceu na Rede Globo com as suas atividades já assumidas e foi um dos narradores na cobertura do Jogos Olímpicos de Los Angeles, disputados entre julho e agosto.

Um de seus grandes momentos na televisão se deu justamente na medalha de ouro conquistada por Joaquim Cruz na prova dos 800m. Em uma narração emocionante (sem ser gritada), ele citou Milton Nascimento. “É preciso ter força, Joaquim! É preciso ter gana. É preciso ter raça, sempre, Joaquim”, disse instantes antes da largada.

Após a chegada e com a confirmação da vitória do brasileiro, Osmar fez uma discreta correlação com os momentos do país: “Essa é a raça que o brasileiro tem que ter para viver. Mudar os dias difíceis”.

Dois anos depois (já na Nova República, sob o comando de José Sarney), Osmar tomava a frente de mais uma cobertura importante: a da Copa do Mundo, sediada no México. Seu nome foi escolhido depois de uma solicitação das agências de publicidade (informação que consta em Olha o Que ele Fez, documentário que conta a trajetória profissional de Galvão Bueno). Narrou os jogos do Brasil, além de outras partidas importantes, entre elas, a final.

Pouco mais de dez anos depois da campanha das diretas, uma tragédia mudaria a vida de Osmar para sempre. Em dezembro de 1994, ele foi vítima de um grave acidente automobilístico. Ele lutou pela vida durante semanas e meses. No entanto, os danos cerebrais causados pelo traumatismo craniano afetaram a sua capacidade de fala. Afastado dos veículos de comunicação, ele encontrou uma nova forma de expressão na pintura.

Muitas das informações desse texto foram retiradas do livro “Osmar Santos, o Milagre da Vida”, da Editora Sapienza, escrito pelo jornalista Paulo Matiussi e publicado em 2004. Fora de catálogo, merece um relançamento.

Morre Roberto Oliveira, histórico plantão esportivo da Jovem Pan

Por Rodney Brocanelli

Morreu neste sábado (10) Roberto Oliveira, histórico plantão esportivo de emissoras de rádio como Gazeta e Jovem Pan. Nesta última, trabalhou por muitos anos, fazendo dobradinha com Milton Neves. Após ter um AVC, que afetou sua fala, voltou ao trabalho na emissora, mas desempenhando com maestria funções de retaguarda. Até o momento da publicação deste post, a causa não foi informada, assim como informações sobre velório e enterro. Tinha 84 anos.

Alguns ex-colegas de Jovem Pan usaram as redes socais para lembrar do companheiro. Segundo Luis Carlos Quartarollo, era um “grande profissional e extraordinária figura humana”.

No Instagram, Flavio Prado registrou que Roberto era “um dos melhores seres humanos que conheci. E extremamente competente no que fazia”.

Wanderley Nogueira destacou o lado profissional: “plantão Esportivo brilhante e produtor criativo e eficiente”.

Ouça abaixo um registro da voz de Roberto Oliveira em bate bola com Milton Neves em 1991, na Rádio Jovem Pan.

Foto extraída do site Terceiro Tempo

Transamérica muda escala no Rio e transmite classificação do Fluminense para São Paulo

Por Rodney Brocanelli

Contrariando toda a divulgação oficial, Breno Monsef narrou a partida entre Fluminense x Al Ahly, partida válida pela semifinal do Mundial de Clubes da Fifa na Rádio Transamérica/RJ. O tricolor das Laranjeiras venceu o confronto pelo placar de 2 a 0. Bruno Cantarelli estava escalado para a transmissão desta partida, conforme informado pelo Radioamantes (e outros sites). Veja abaixo.

Algo que também surpreendeu, até porque também não estava na divulgação oficial, foi que a Transamérica, de São Paulo, também transmitiu essa partida, com a narração de Guilherme Lage.

A assessoria de comunicação da Transamérica foi procurada para saber se houve algum problema com Bruno Cantarelli para que ele saísse dessa escala. Caso chegue alguma resposta, este post será atualizado.

Há dez anos, estreava o Radioamantes no Ar, versão radiofônica do blog Radioamantes

Por Rodney Brocanelli

08 de junho de 2013. Nesta data, estreava a versão radiofônica do blog Radioamantes. Intitulada de Radioamantes no Ar, o programa semanal era veiculado pela web rádio Showtime. No inicio, a atração ia ao ar todos os sábados, sempre a partir das 09h30. A atração também já foi transmitida às segundas e também às sextas.

A ideia era um programa com análises e notícias sobre o veículo rádio. A base eram os posts publicados pelo Radioamantes durante a semana. Notícias de outros veículos também eram comentadas.

Eu sempre entrava por telefone, de casa. No estúdio, João Alckmin e o saudoso Flavio Aschar interagiam. Em determinado momento, Paulo Ramalho, radialista com larga experiência na gestão de importantes emissoras do país, participou com importantes lembranças da Rádio Cidade/Sucesso. Outro nome importante é o de Rogério Alcântara, que fez participações mais constantes a partir da saída de Flavio.

Como todo bom programa (modéstia à parte) precisa de um grande operador, não posso deixar de citar Dejair Barbosa, o Fufunha, que pilotava a mesa de som com maestria e entrava no ar de vez em quando.

José Simão (sim, ele mesmo) não sabe, mas ele ajudou na formatação do programa. Uma das edições da revista Brasileiros (acho que de 2008) trouxe um perfil dele e um dos pontos que chamou a minha atenção dizia respeito ao seu quadro de sucesso nas manhãs da Band News FM.

O texto informava que Simão sempre mandava previamente por email a pauta com os assuntos que ele iria comentar. Com esse material em mãos, Ricardo Boechat (o âncora do jornalístico na época) fazia as introduções para que o humorista brilhasse.

Decidi fazer o mesmo. Na noite anterior ao programa, mandava os assuntos da pauta para João, que com sua voz grave me acionasse.

O Radioamantes no Ar contou também com o que julgo ser grandes entrevistas. Logo na primeira chance, colocamos no ar Willy Gonser. Na ocasião, o Atletico-MG havia acabado de conquistar a sua primeira Libertadores e ele exaltou o papel da torcida. Bem no final, uma torta de climão. Eu decidi perguntar se ele ficava incomodado quando citavam seu namoro com a cantora Elis Regina.

Mas nem só esse lado revista Amiga foi explorado nas entrevistas. Ronan Junqueira contou sobre sua experiência nos primórdios da Rádio Capital. O crescimento das web rádios foi abordado diversas vezes com os convidados Guto Monte Ablas e Ivan Bruno (hoje narrador esportivo na TV Bandeirantes).

Celene Araújo, conhecida por seu trabalho como apresentadora da edição paulistana do Jornal Hoje, foi chamada para falar sobre seu período como apresentadora na Rádio Cidade.

E mais: pude bater papo também com veteranos do rádio, como o também saudoso Roberto Carmona, que em 2014 estava completando 50 anos de carreira. Outro nome histórico que marcou presença no Radioamantes no Ar foi Flávio Araújo, que relembrou suas grandes coberturas em um papo de 2013 (hoje ele curte a aposentadoria em Poços de Caldas).

Ainda no campo esportivo Odinei Edson e Edgard Melo Filho, em momentos diferentes, falaram sobre a extensa cobertura que o rádio faz do circo da Fórmula 1.

Marcos Couto, narrador esportivo da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, foi convidado e fez uma excelente exposição sobre a relação do público porto-alegrense com o rádio.

E do Sul também, Edu Cesar, do Papo de Bola, abrilhantou o Radioamantes do Ar em pelo menos três ocasiões.

Ao menos uma entrevista marcou história: com Zuleide Ranieri, que foi narradora de futebol na Rádio Mulher nos anos 1970. Ela conversou com o Radioamantes no ar em 2015. Nos últimos anos, com o aumento do espaço para mulheres na narração esportiva, seja no rádio e na televisão, muito se buscou sobre o que foi feito anos antes e uma das fontes disponíveis era o depoimento dela. Zuleide morreu em 2016.

Esses foram apenas alguns exemplos. Teve muito mais.

Mesmo não sendo entrevistado, um personagem do rádio era muito lembrado no Radioamantes no Ar. Tuta? Tutinha? Roquette Pinto? Marconi? Hertz? Gadret? Não. Paulo Abreu, dono da Rede Mundial de Comunicações (também chamada de Rede CBS), conhecido por trocar constantemente suas emissoras de lugar no dial da Grande São Paulo. João Alckmin sempre cobrava um Cantinho do Abreu, com alguma notícia relacionada a ele ou suas emssora. Tinha até uma vinheta. No princípio, era cantada pelo pessoal do estúdio, mas depois ganhou uma versão gravada e luxuosa.

Volta e meia surge a pergunta: por que o Radioamantes no Ar acabou. Nada de mais, apenas a falta de tempo para prosseguir com esse projeto. A última edição foi ao ar em 07 de dezembro de 2018, com uma entrevista: o jornalista Anderson Cheni. Entre outros temas, ele falou sobre as mudanças na votação de melhores do ano do Prêmio Aceesp, oferecido pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo).

Devo dizer que em todo esse tempo, sempre existiu liberdade editorial. Nunca houve veto para qualquer tipo de assunto ou para convidados especiais. Deixo um agradecimento público ao João Alckmin, que fez o convite a partir de uma entrevista que concedi à própria Showtime uma semana antes da estreia oficial do programa.

Todo o acervo do Radioamantes no Ar está disponível para consulta aqui mesmo nos arquivos do blog, no YouTube e no perfil da Showtime no Soundcloud.

Antes de encerrar, quero lembrar de duas pessoas queridas da Showtime que já não estão mais por aqui: Carlos Brickmann e Zildetti Montiel.

Memória: o dia em que Ferreira Netto foi salvo por João Carlos Albuquerque em plena ditadura argentina

Por Rodney Brocanelli

João Carlos Albuquerque, conhecido do grande público pelo seu trabalho como apresentador nos canais ESPN, praticamente salvou o jornalista Ferreira Netto de ser preso pelos militares na Copa do Mundo de 1978, sediada na Argentina. João Canalha, como é carinhosamente chamado pelo público e amigos, contou essa história em entrevista ao Music Thunder Vision, podcast comandado por Luiz Thunderbird, músico e ex-VJ da MTV.

Ferreira e João Carlos estavam trabalhando juntos na cobertura daquele mundial pela mesma emissora, a Rádio Capital. Na época, ela era dirigida por Hélio Ribeiro. A Capital contava com nomes importantes do rádio esportivo da época: Jota Junior (não o narrador que recentemente deixou o Sportv, mas um profissional que teve muito destaque nas cidades de Belo Horizonte e Goiânia), Alfredo Orlando (ex-Tupi, de São Paulo), Ávila Machado, Marco Antônio Mattos (que se notabilizou por narrar vôlei na TV Bandeirantes), entre outros.

A Capital ainda contava com Dulcídio Wandeley Boschila, na época árbitro de futebol, que atuou como o “juíz do juíz”. Na época, o termo “comentarista de arbitragem” não estava popularizado, algo que aconteceu a partir do final dos anos 1980. Outro nome de destaque era o de Edson Leite, narrador histórico da Rádio Bandeirantes. Neste mundial, ele atuou como analista. Ferreira fora contratado para fazer uma cobertura extra-campo, um repórter especial.

A seleção brasileira de futebol estava às vésperas de enfrentar a seleção da argentina na cidade de Rosário. Aquela partida ficou conhecida depois como a “Batalha de Rosário”. Parte da equipe da emissora paulistana fez o deslocamento de trem, devido às más condições de tempo: João, Ferreira e o saudoso operador Laureci Calheiros.

Devidamente instalados na cidade, João ficou no hotel reservado pela emissora, enquanto Ferreira Neto e Laureci foram para o local onde estava hospedada a delegação do Brasil. O esquema da Capital previa boletins ao vivo a cada 15 minutos (coisas de Hélio Ribeiro).

Tudo pronto, o boletim entrou no ar, comandado por João. Ele chamou Ferreira, que começou a falar até a comunicação ser interrompida. O apresentador assume novamente, lê algumas notas e encerra a transmissão.

Pouco depois, Laureci contata João e revela o que houve. Um coronel do Exército argentino havia proibido (sabe-se lá com qual autoridade) transmissões ao vivo, por um pedido da própria seleção brasileira. Tentou-se então uma alternativa. O gerente do hotel liberou o uso de um telefone de seu escritório. Novamente a transmissão é interrompida.

Conforme o relato de João ao podcast, ele ficou sabendo depois, por Laureci, que o tal coronel entrou na sala e arrancou o fio de telefone da parede e jogou o aparelho em um canto da sala. Ferreira Netto não se conteve e partiu para a briga com o militar.

Outros dois soldados foram chamados para prender Ferreira. Mais confusão. A essa altura, os jornalistas brasileiros entraram em cena agindo como a famosa “turma do deixa-disso”. Flavio Adauto, que também estava no hotel, conseguiu falar com o colega, alertando-o para o fato de que estavam sob a ditadura militar da Argentina. “Os caras vão sumir com você”, disse.

Laureci e Ferreria conseguiram deixar o local e foram para o hotel em que estavam hospedados. Quando chegaram, João estava no ar com mais um boletim. Ferreira, transtornado, quase sem ar, toma o microfone e começa a protestar: “Eu sabia. Eu sabia que eles iam mostrar a cara, a qualquer momento. A máscara ia cair. Queriam me levar para o esquisito! Caiu a máscara da ditadura argentina”. Esse esquisito pode ser um local de tortura.

João pegou o microfone de volta, encerrou o boletim e tomou uma decisão. Pediu que a dupla ficasse no quarto, enquanto descia até o saguão do hotel. Chegando lá, ele encontrou Fernando Solera, então narrador da TV Bandeirantes, discutindo com as funcionárias do hotel por causa de problemas nas reservas. Dois brucutus (segundo o relato) e queriam levar Solera. Mais confusão.

O apresentador então deixou o hotel, pegou um táxi e pediu para ir até o consulado do Brasil na cidade. Chegando lá, (era um sobrado) subiu uma escada, viu uma secretária e pediu para encontrar com o cônsul . Não houve tempo para uma conversa no local. Ambos foram diretamente para o hotel e o caso foi explicado pelo caminho.

Na chegada, João e o cônsul (cujo nome não foi revelado) foram abordados por duas pessoas de terno, que se identificaram como policiais federais e com ordem para não deixar ninguém de fora entrar, uma vez que eles eram responsáveis pela segurança.

Na base da conversa, tudo foi se explicando. Ferreira e Laureci foram orientados a descer do quarto, até porque o cônsul estava lá para amortecer o impacto dos acontecimentos daquele dia. O jornalista conversou com os federais. João não chegou a contar o desfecho em que ele teve uma participação decisiva, mas subentende-se que tudo terminou sem consequências para os principais envolvidos.

Ferreira Netto ficou conhecido por apresentar programas de debates políticos nos finais de noite na televisão. Teve passagens pela Tupi, Record, SBT, Bandeirantes, Gazeta, Manchete e CNT. Em rádio, esteve nas rádios Excelsior, Gazeta e Trianon. Chegou a ser candidato ao Senado, por São Paulo, nas eleições de 1990, pelo PRN, então partido do ex-presidente Fernando Collor de Melo. Perdeu a vaga para Eduardo Suplicy, do PT. Morreu em 2002, aos 63 anos.

Laureci Calheiros foi técnico de externa em diversas emissora de rádio em São Paulo. Nos últimos anos de sua vida, prestou serviços para a Rádio Transamérica. Morreu em 2019, com 74 anos.

Veja abaixo o depoimento de João Carlos Albuquerque.

Relembre o Radioamador, de Rita Lee, na 89 FM

Por Rodney Brocanelli

Em 1986, Rita Lee foi uma das apresentadoras da 89 FM, que havia se transformado em rádio de rock em dezembro de 1985. Ela comandava uma atração semanal no começo das noites de sábado, o Radioamador. “Uma hora de variedades sobre música pop brasileira e internacional”, conforme a definição do jornal Folha de S. Paulo, publicada em 04 de março de 1986, uma terça. A estreia aconteceu três dias antes, no dia 1º de março do mesmo ano, um sábado, às 18h.

O Rádio Amador era apresentado ao vivo, mas com algumas partes pré-gravadas, exemplo da entrevista com o roqueiro Supla, convidado especial da estreia. Na ocasião, ele era o vocalista da banda Tóquio.

Além da parte cultural, havia um espaço para a consciência ambiental com a campanha “Tietes do Tietê, cuja intenção era chamar a atenção da população e autoridades de São Paulo para a poluição do Rio Tietê, situação que não foi resolvida em pleno século XXI.

Ao lado de Rita nesta empreitada radiofônica estavam Roberto de Carvalho e o jornalista e escritor Antonio Bivar.

A própria 89 FM registrou a passagem de Rita pelos seus estúdios em um texto publicado em seu site. clique aqui para ver). Uma pena que o texto não esclareça é se todas as 35 edições da atração foram preservadas em seus arquivos.

Ao menos um registro do Radioamador está disponível no YouTube. Virginie, vocalista do Metrô, um dos destaques do rock nacional dos anos 1980, subiu para a plataforma de vídeos a segunda edição do programa. O destaque vai para a entrevista com a própria cantora, que acabara de ser dispensada de sua própria banda.

Em um dos trechos do bate-papo, Virginie fala de sua saída. Rita intervém e faz uma relação com seu próprio passado na banda Mutantes, não sem uma pitada de humor: “ôrra meu, os gato ficaram com ciúmes. Uma gata lá na frente, certo? (…) eu entendo isso, já passei por isso”. Ouça abaixo.

Rita Lee morreu no final da noite da última segunda (08), aos 75 anos.

Memória: Haroldo de Andrade homenageia Fernando Leite Mendes na Rádio Globo

Por Rodney Brocanelli

No dia 15 de setembro de 1980, Haroldo de Andrade iniciava seu programa na Rádio Globo (RJ) com o tradicional quadro Bom Dia. Para quem não lembra ou não sabe, era um pequeno editorial sobre algum tema escolhido por ele e sua produção ao som de Favorite Theme From Tchaikovsky’s First Piano Concerto, performada pela orquestra de Ray Connif. O Bom Dia daquela ocasião era uma homenagem a um companheiro de programa, morto dois dias antes: Fernando Leite Mendes.

Mendes foi jornalista, cronista e apresentador de televisão. No rádio, participava dos Debates Populares, um dos quadros mais relevantes do programa de Haroldo de Andrade. Em jornal, trabalhou na histórica Última Hora, cobrindo as coisas da política e anos depois passou a escrever crônicas, gênro que era muito popular em jornal, especialmente entre nas décadas de 1950 e 1970. Estudiosos dizem que ele não fazia feio diante dos grandes nomes do gênero.

Entretanto, foi nos meios eletrônicos que Mendes ganhou mais notoriedade. Além da já citada participação nos Debates Populares, em televisão, Mendes fez parte da equipe do Aqui e Agora, da TV Tupi, do Rio de Janeiro, dirigido por Wilton Franco (não confundir com o Aqui Agora, que o SBT lançou com sucesso nos anos 1990). Com a crise da emissora , migrou com a equipe de Franco para a TVS Canal 11, no programa O Povo na TV. Muito antes, nos anos 1960, fez parte da equipe de jornalismo da TV Globo.

Fernando Leite Mendes morreu em 13 de setembro de 1980, um sábado, vítima de um infarto, aos 49 anos. Foi enterrado no dia seguinte, na cidade de Salvador (BA).

O texto lido por Haroldo de Andrade em seu Bom Dia é de autoria de Áureo Ameno. Ouça abaixo.

Morre Vinicius França

Por Rodney Brocanelli

Morreu na noite do último sábado (19) o radialista Vinicius França, também conhecido como Vini França. Ele vinha enfrentando as complicações de um câncer que foi diagnosticado na língua. Ele mesmo escreveu sobre sua doença em um post publicado no Linkedin há cerca de oito meses (clique aqui para ler). O velório acontece neste domingo no Cemitério Vila Mariana. Seu corpo será cremado em Vila Alpina, no mesmo dia.

O perfil da Aesp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo) no Facebook informou que Vinicius morreu bem no dia de seu aniversário de 63 anos.

Vinicius foi um profissional de múltiplas facetas. Transitou entre o rádio jovem dos anos 1980 comandando programas como o Love Songs, na Rádio Cidade, e o radiojornalismo, sendo apresentador de atrações do gênero em emissoras como a Bandeirantes e a Estadão. Nos últimos anos, atuou como voz padrão da Rádio Capital.

Ouça abaixo uma entrevista de Vinicius França com Zilda Arns, pela Rádio Bandeirantes.

Pelé, o craque da era de ouro do rádio esportivo

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta quinta (29), Pelé. O atleta do século, o jogador que fez mais de mil gols em sua carreira, tricampeão mundial com a seleção brasileira de futebol, multicampeão com o Santos e o homem que foi chamado pelos americanos para ajudar a popularizar o futebol nos Estados Unidos. Ele estava internado no Hospital Albert Eintein, em São Paulo, desde o dia 29 de novembro, para tratamento de um câncer. Sua morte se deu às 15h37, devido à falência múltipla de orgãos, conforme comunicado assinado pelos médicos que cuidavam dele. Tinha 82 anos

Pelé explodiu para o futebol no final da década de 1950, uma época em que a televisão estava se estabelecendo no Brasil. Com isso, o rádio foi o principal veículo que propagou seus grandes feitos em quase 17 anos de carreira. As eras de ouro do rádio esportivo e de Pelé se misturaram.

A Copa de 1958, disputada na Suécia foi a oportunidade para que o mundo conhecesse Pelé e o que ele tinha a oferecer ao mundo de futebol. A competição foi acompanhada in loco e em tempo real pelo rádio. A seguir, destacamos seu primeiro gol na final contra os donos da casa, com a narração de Edson Leite, pela Rádio Bandeirantes.

Infelizmente não existe um registro do famoso gol de placa, que Pelé marcou contra o Fluminense, em pleno Maracanã no ano de 1961. Mas o som do rádio sobreviveu ao longo dos anos. Ouça a narração de Pedro Luiz, pela Rádio Bandeirantes. (Aliás, a ideia partiu do jornalista Joelmir Beting, admirado com a beleza do lance).

Em 1964, Pelé viveu um dia diferente no Santos. Ele marcou três gols na partida contra o Grêmio. Hoje, escreveriam e diriam que ele fez um “hat trick”. Depois, teve que ir para o gol em substituição a Gilmar, que havia sido expulso pelo árbitro. Ouça o registro da Flávio Araújo, pela Rádio Bandeirantes.

Outra emissora que acompanhou de perto a carreira de Pelé foi a extinta Super Rádio Tupi, de São Paulo. Ouça abaixo um dos gols da vitória contra o Palmeiras, pelo campeonato paulista de 1968 narrado por Haroldo Fernandes. A partida terminou 3 a 1 para a equipe santista.

A Super Rádio Tupi foi responsável por outra homenagem a Pelé. Logo após o gol 1000, a emissora decidiu entregar uma lembrança ao Rei do Futebol pelo gol 1040. Não foi por acaso. A emissora operava nos 1040Khz, em São Paulo. Lucas Neto um dos integrantes daquela equipe esportiva contou na Rádio Trianon os detalhes de como se deu todo o cerimonial, em uma partida na cidade de Erechim (RS). Seu colega Victor Moran foi o responsável por dar uma camisa especial a Pelé.

Outra tradição da Super Rádio Tupi era a entrega do Motoradio ao melhor em campo. Pelé ganhou vários deles e até por isso passou alguns de seus prêmios a colegas de Santos, como por exemplo Clodoaldo. Lucas Neto, também pela Rádio Trianon, é quem conta.

Os gols que Pelé não marcou foram, talvez, tão espetaculares quanto os que ele fez. Até hoje se fala na defesa do inglês Gordon Banks após uma cabeçada à queima roupa. Ouça a narração de Pedro Luiz, do pool de rádios paulistas que transmitiu a Copa de 1970.

Ouça abaixo o gol de Pelé na partida em homenagem a Garrincha, em 1973, com a narração de Armindo Antônio Ranzolin, na Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Mesmo que já encaminhando o encerramento de sua carreira na primeira metade da década de 1970, Pelé marcava seus gols importantes. Ouça abaixo um gol de Pelé em uma partida contra o Palmeiras, em 1974. Narração de Oswaldo Maciel, pela Rádio Gazeta.

Pelé fez a sua despedida do futebol brasileiro naquele mesmo ano de 1974, em uma partida do Santos, contra a Ponte Preta, na Vila Belmiro. Ouça o registro da Rádio Bandeirantes, com Flávio Araújo e Fiori Gigliotti.

Pouco depois, já nos vestiários, ele responde brevemente a uma pergunta de um jovem Fausto Silva, então pela Rádio Jovem Pan. Registro da TV Gazeta.

O gol 1000 de Pelé já mereceu um post à parte do Radioamantes, com os principais registros de rádio para este grande momento da carreira do Atleta do Século.

Outras histórias de bastidores do gol 1040 podem ser vistas no post abaixo.

Dez anos sem Joelmir Beting

Por Rodney Brocanelli

Há dez anos, o jornalismo perdia um de seus expoentes. Joelmir Beting, homem de jornal, rádio e televisão, que com sua linguagem simples procurou descomplicar os meandros da economia. Seu início de carreira foi no jornalismo esportivo, trabalhando nos jornais Diário Popular e O Esporte. Quando percebeu que não iria conciliar a paixão pelo Palmeiras com a sua área de atuação, decidiu mudar, em 1962.

Após ter passado pela Jovem Pan e rádio e tv Gazeta, Joelmir trabalhou muitos anos na Rádio Bandeirantes, como comentarista e depois integrante do Jornal Gente (ou Jornal da Bandeirantes Gente, como José Paulo de Andrade gostava de dizer). Nesse período, ele foi fazer o antigo Jornal Bandeirantes, na TV Bandeirantes.

Em 1985, ele se transferiu para a TV Globo e se destacou como comentarista do Jornal Nacional. Paralelamente às suas aparições nos meios eletrônicos, o jornalista manteve colunas nos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo. Retornou ao Grupo Bandeirantes em 2004. No rádio, voltou a fazer parte da bancada do Gente e em televisão, coapresentou o Jornal da Band e comandou o Canal Livre.

O anúncio de sua morte proporcionou um dos momentos mais tocantes da história do rádio. Ele foi feito ao vivo por um de seus filhos, Mauro Beting, que estava no ar pela Rádio Bandeirantes, trabalhando como comentarista da transmissão de São Paulo 0 x 0 Universidad Católica, partida que começara no dia anterior 28 de novembro de 2012 e era válida pela Copa Sul-americana.

Corria o Terceiro Tempo da madrugada do dia 28. O programa seguia seu ritmo normal. Houve espaço até para uma série de alfinetadas entre o apresentador Milton Neves e o então goleiro do São Paulo, Rogério Ceni (ouça aqui). Pouco depois, chegou a triste notícia. Mauro foi encarregado de informá-la aos ouvintes e à grande legião de fãs de Joelmir. Ouça abaixo.

Relembre as onze finais de Copa do Mundo narradas por José Silvério

Por Rodney Brocanelli

Faltando uma semana para o começo da Copa de 2022, como não há perspectivas de mudanças aos 45 minutos do segundo tempo, podemos dizer que infelizmente José Silvério não vai participar desta cobertura como narrador. Seria a décima-segunda, em uma tradição iniciada na Copa da Argentina, em 1978. Em todas essas ocasiões, Silvério foi protagonista, narrando pelas rádios Jovem Pan e Bandeirantes. Mais que um lamento, vamos relembrar nesta postagem a bela história escrita por um dos principais narradores brasileiros na maior competição do futebol de seleções, destacando a sua participação nas finais.

1978/Argentina – Foi a primeira Copa de Silvério pela Rádio Jovem Pan, na Argentina. Em outubro de 1977, ele substituiu Osmar Santos, que havia se transferido pela Rádio Globo. Seu prestígio na emissora era tamanho, que ele foi escalado pelo Seu Tuta para fazer a decisão do terceiro lugar, envolvendo Brasil x Itália e a grande final, entre os donos da casa e a Holanda. O que ninguém imaginava é que uma úlcera fosse atrapalhar a transmissão. “Eu narrei a final sangrando, literalmente”, disse.

(ATUALIZAÇÃO – 17/02/2024 – 09h30 – Finalmente apareceu a narração de José Silvério para a primeira final de Copa do Mundo da sua carreira. Até hoje era uma “lost midia” – termo que é muito usado para a memória de televisão, mas pode ser aplicado ao rádio. Com isso, conseguimos então recuperar toda a trajetória do narrador na maior – e única – competição de seleções do mundo. Agradecimentos ao Thiago Uberreich pela cessão deste áudio).

1982/Espanha – Era uma final em que o Brasil deveria estar. Pelo menos essa era a expectativa de quase 120 milhões e outros milhares de admiradores do futebol. A seleção comandada por Telê Santana, apesar de alguns defeitos, encantou a todos. Só não estava no script a eliminação na partida contra Itália. Bastava apenas um empate, mas o talento de Paolo Rossi e a disciplina tática dos outros jogadores da Azzurra acabaram com o sonho brasileiro. Depois de eliminar a Polôna na semifinal, os italianos se classificaram para a grande final com a Alemanha. Silvério esteve lá pela Jovem Pan e sem incidentes. Placar final: 3 a 1 Itália. Ouça abaixo.

1986/México – Telê Santana novamente comandou a seleção brasileira, com remanescentes da Copa anterior e uma nova geração que surgiu neste período de quatro anos. O começo da campanha não empolgou muito, mas o Brasil avançou para a fase de mata-mata, que voltou a ser implantada após uma pausa em 1974. Nas quartas-de-final, a seleção brasileira foi eliminada nos pênaltis pela seleção francesa. Enquanto isso, um personagem emergia: Maradona. Com gol de mão, gol de placa e uma técnica acima da média, ele colocou a Argentina na final. Por outro lado, a Alemanha também chegou para a disputa do título, repetindo 1982. Placar final: Argentina 3 a 2. Ouça abaixo.

1990/Itália – A Copa marcada pelo início da Era Dunga. Sob o comando de Sebastião Lazzaroni, a seleção brasileira apresentou um futebol que não despertou suspiros. Para piorar, houve problemas com dinheiro de patrocinador, o que fez com que os jogadores convocados não contassem com muita simpatia, sendo considerados mercenários. Mais uma vez quem brilhou foi Maradona. Na partida eliminatória da Argentina contra o Brasil, mesmo cercado por três jogadores, o camisa 10 argentino conseguiu dar um passe para Caniggia fazer o gol da classificação. Os argentinos ainda desclassificaram os donos da casa e chegaram à final. Do outro lado, adivinhem, a Alemanha. Depois de dois revezes, havia chegado a hora dos alemães ficarem com o título. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

1994/EUA – Temos aqui a sequência da Era Dunga, com remanescentes da copa anterior. Apesar da desconfiança que surgiu no período das eliminatórias, a seleção brasileira foi crescendo na hora certa (e vale o clichê aqui). Carlos Alberto Parreira talvez tenha feito o seu melhor trabalho como técnico. Romário foi um dos destaques. Outro foi justamente Dunga, execrado após o fracasso na Itália. E por falar no país da Bota (sdds. Silvio Lancellotti), a seleção brasileira enfrentou a seleção italiana na grande final. Uma repetição da decisão de 1970. Silvério estava lá. Pena que o jogo em si não tenha sido a altura de tanta tradição e de tanta coisa envolvida. Mesmo assim, não deixou de ser um marco histórico para o narrador. Ouça abaixo a decisão por tiros livres da marca do pênalti,

1998/França – O período de antecedeu esta Copa foi marcado pela ascensão de Ronaldo. Jogando no futebol europeu, ele se transformou em fenômeno com seus gols impressionantes. Isso fez com que ele se transformasse em uma referência para a seleção brasileira. O time treinado por Zagallo tinha atletas das duas campanhas anteriores e jogadores que já mereciam estar no elenco de 1994. A campanha em si teve altos e baixos, com uma derrota para a Noruega na fase de grupos. Parecia que faltava alguma coisa na seleção brasileira. Mas isso não impediu a chegada em sua segunda final seguida. O adversário era a dona da casa, que tinha uma seleção bem montada. Além da derrota do Brasil para a França, ficou marcado todo o bastidor envolvendo Ronaldo, que passara mal horas antes da final. Até hoje ninguém tem uma explicação definitiva para o que aconteceu. Zidane, que não teve nada a ver com isso, fez dois gols de cabeça. Placar final: 3 a 0. Ouça abaixo.

2002 Coreia-Japão – Mais uma vez a seleção brasileira vive quatro anos de trancos e barrancos. Wanderley Luxemburgo, que começou o ciclo, não permaneceu e foi sucedido por mais dois profissionais (Candinho por um jogo só e Émerson Leão) até a chegada de Luiz Felipe Scolari. Enquanto isso, Ronaldo enfrentava seus problemas. Uma lesão patelar deixou em dúvida até mesmo a sua continuidade no futebol. No entanto, ele se recuperou a tempo e as coisas deram certo na hora certa. De contestado, ele passou à heroi. O Brasil cresceu na competição (olha aí o clichê de novo) e chegou à final sem ser derrotado ou empatar alguma partida. O oponente seria a Alemanha. José Silvério acabara de passar por uma mudança radical em sua carreira. Aproximadamente dois anos antes, ele trocou a Jovem Pan pela concorrente Rádio Bandeirantes. Mal sabia ele que havia feito uma boa escolha. A Pan decidiu não transmitir aquele mundial e fazer uma cobertura alternativa. Silvério esteve presente em todos os jogos do Brasil e pode enfileirar uma série de narrações inesquecíveis diretmanete dos estádios. Placar final: 2 a 0. Ouça abaixo.

2006 – Alemanha – Essa aqui foi a Copa do oba oba para a seleção brasileira. Muitos craques, mas pouquíssimo foco, em especial no período de treinamento. Havia uma nova geração pedindo passagem, mas o que fazer com os craques que vinham dando tão certo nos anos anteriores? Carlos Alberto Parreira não conseguiu solucionar essa questão e o Brasil caiu ainda nas oitavas para a França em uma noite inspiradíssima de Zidane. Silvério fez a sua segunda Copa pela Bandeirantes e ele começava a viver um drama pessoal, com a doença de sua primeira esposa, Sebastiana de Andrade. No ano anterior, o Grupo Bandeirantes colocava no ar a Band News FM, emissora com 24 horas de notícias. A caçula entrou em rede com a Bandeirantes e com isso, as irradiações de Silvério foram mais longe, com outras emissoras que compunham a rede. Itália e França disputaram a grande final, que passou à história não pelo título (mais um) da Azzurra, mas pela cabeçada de Zidane em Materazzi.

2010 – África do Sul – Depois da bagunça, a quase ditadura. A CBF resolveu inovar e alçou ao comando da seleção brasileira o ex-jogador Dunga. A ideia até que era interessante, mas o temperamento do agora treinador não ajudou em nada. Apesar dos títulos na Copa América e da Copa das Confederações, a campanha no Mundial não mostrou qualquer brilho. Para piorar, a indisposição de Dunga com parte da imprensa serviu para que ele angariasse ainda mais antipatia. O Brasil caiu nas quartas com a derrota para a Holanda, que chegaria a final 32 anos após ser batida pela Argentina, em 1978. Do outro lado estava a sensação Espanha. Os espanhóis venceram na prorrogação. Mais uma vez a parceria com a Band News foi repetida. Aquela foi uma Copa fria, não pelos jogos em si, mas pelo fato de seu período de competição coincidir com uma fase de baixíssimas temperaturas naquele país. Isso não afetou Silvério que esteve presente na decisão. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2014/Brasil – Sediar uma Copa do Mundo quase virou um pesadelo para o país do futebol. Um ano antes, às vésperas da Copa das Confederações, protestos começaram a pipocar por diversas partes. A Fifa ficou preocupada por muito pouco o torneio não aconteceu em outro lugar. A seleção brasileira chegou a esta competição sob comando duplo: Luiz Felipe Scolari como treinador e Carlos Alberto Parreira como coordenador. Eles chegaram para substituir Mano Menezes, que fizera um trabalho irregular. À medida em que os jogos aconteciam, a tensão aumentava entre os jogadores brasileiros. Não por fatores externos, mas porque, conforme o jornalista Paulo Vinícius Coelho, ninguém queria cometer erros que pudessem tirar a seleção dos trilhos. Isso ficou mais visível na partida contra o Chile, na qual a classificação só veio na disputa dos tiros livres. Para piorar as coisas, uma grave contusão afastou Neymar na parida das oitavas contra a Colômbia. Não foi uma Copa fácil para Silvério. Durante a transmissão da partida contra Colômbia, ele ficou sem voz e teve de dar lugar a Ulisses Costa. E depois, já recuperado, ele irradiou a derrota para a Alemanha na semifinal pelo placar de 7 a 1, talvez o maior desastre brasileiro na história das Copas. Na outra perna, a Argentina, de Messi, foi tirando de cena os oponentes para chegar à grande final no Maracanã. Quem brilhou foi um jovem atleta, Mario Götze, que fez o gol solitário daquela partida. Placar final: 1 a 0. Ouça abaixo.

2018/Rússia – Mais uma mudança no comando técnico. Dunga era trazido de volta pela CBF. Se em 2010 era uma inovação, o ato foi conservador, desta vez. Mas infelizmente, a jogada não deu certo. O futebol apresentado era paupérrimo, especialmente nas eliminatórias, apesar da continuidade do protagonismo de Neymar. Houve uma mudança de rumo e Tite veio para ajustar as coisas. Se o Brasil deu esperança aos torcedores durante o período pré-Copa, na competição em si novamente o futebol, mais uma vez, não empolgou. Alguns jogadores renderem aquém do esperado. Neymar ficou marcado por suas simulações espalhafatosas, que foram ridicularizadas nas redes sociais. Enquanto Brasil ficava pelo caminho, a França, de Mbappé, e a Croácia, de Modric, chegavam à decisão. Era a décima-primeira Copa de José Silvério, um recorde pessoal. Diferente das outras, a partida final foi empolgante, com seis gols. Os frances conquistaram seu segundo título. Pouco depois do apito final, emocionado, ele disse “cumpri”. Antes de passar o comando da jornada para Milton Neves, ele complementou: “são onze Copas do Mundo transmitidas na final do estádio. Um marco. Obrigado, você ajudou muito. Tchau”. Placar final: 4 a 2. Ouça abaixo.

Dois anos depois, durante a pandemia, a Rádio Bandeirantes resolveu antecipar o fim de contrato com o locutor. Ele até ensaiou um retorno ao rádio, pela Capital, mas o projeto não durou muito, infelizmente. Em entrevistas recentes, ele tem deixado claro que se aposentou. Uma pena que sem fazer ao menos mais uma Copa. Condições para isso existiam, como ele demonstrou. Perde o rádio.

Morre o narrador esportivo Francisco Appio

Por Rodney Brocanelli

Morreu na tarde desta segunda (31) Francisco Appio. Ele foi narrador esportivo no interior do Rio Grande do Sul com passagens pelas rádios Esmeralda, de Vacaria, e Difusão, de Erechim. Em Porto Alegre, trabalhou na Rádio Farroupilha, que era de propriedade dos Diários Associados, e na Rádio Gaúcha. Além disso, foi deputado estadual por quatro mandatos e teve mais um como deputado federal. O funeral deverá acontecer nesta terça (01), em Vacaria, na Funerária Sagrada Família, em horário que não foi divulgado. Tinha 74 anos.

Um dos grandes momentos da carreira de Appio foi narrar o gol 1040 marcado por Pelé, em um amistoso do Santos contra o Grêmio disputado na cidade de Erechim. O Radioamantes contou como foi esse feito. Basta clicar no post abaixo.

Memória: o Clube das Mulheres da extinta Brasil 2000 FM

Por Rodney Brocanelli

Em 2005, eu publiquei numa revista eletrônica (ou e-zine, como queiram) chamada Ruídos (veja aqui) uma entrevista com Fabiana Ferraz e Marcela Rocha. Elas formaram a dupla de apresentadoras de um dos programas mais interessantes da extinta Rádio Brasil 2000 FM, o Clube das Mulheres, que durou aproximadamente um ano, a partir de 1999. Mais detalhes na introdução do texto, que foi mantida da publicação original, abaixo.

A Fabiana seguiu sua trajetória no rádio e ela hoje está na Rádio Cultura Brasil, comandando o programa Galeria. Antes, esteve na Brasil Atual FM. Trabalhou também em outras emissoras: Transamérica, Metropolitana FM, Mitsubishi FM, USP FM e Antena 1. Saiba mais sobre o trabalho atual da Fabi clicando aqui.

Por sua vez, a Marcela, em rádio, passou depois pela Kiss e Metropolitana, ambas em São Paulo. Aliás, elas chegaram a reeditar a dupla na própria Metropolitana, ao lado de Rafael Cortez no programa Na Pegada. Aliás, foi dele que extraímos a foto que ilustra este post.

Bastidores da entrevista: mandei as perguntas por e-mail e elas combinaram as respostas. Só no final é que que cada uma respondeu de forma individual. Deixei como está, com direito até aos endereços eletrônicos das emissoras em elas estavam na época (não deverão funcionar em 2022, nunca é demais lembrar).

Uma pena que não consegui encontrar qualquer registro do Clube das Mulheres, da Brasil 2000, na Internet. Leia abaixo a entrevista

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Todo mundo se refere ao Garagem como um dos programas mais legais da história da Rádio Brasil 2000 (o programa está saindo do ar e indo para o UOL). Porém, na mesma época em que ele estreou (no ano de 1999) a emissora levara ao ar um programa tão ou mais bacana. O forte nem era a programação musical, mas a química entre as duas apresentadores e seus ouvintes. A atração em questão era o “Clube das Mulheres”, apresentado por Fabiana Ferraz e Marcela Rocha, levado ao ar diariamente entre 07h e 11h.

A estrutura era simples: nas duas primeiras horas, elas tocavam clássicos do rock e liam as notícias do dia. Às 10h começava o Discagem Direta do Ouvinte, no qual a audiência entrava para pedir uma música e levar um papo com a Fabi e com a Má. De vez em quando nesse espaço rolavam entrevistas interessantes. Quando não havia nenhum convidado especial, os ouvintes contavam seus problemas afetivos e isso com uma trilha poderosa de fundo: “Glory Box”, do Porthishead.

O “Clube das Mulheres” dessa fase durou um ano aproximadamente. Marcela Rocha acabou deixando a Brasil 2000 e Fabiana Ferraz ficou sozinha no comando por mais algum tempo para logo sair do ar e dar lugar ao “Blog do Tas”, projeto do apresentador Marcelo Tas que não durou muito. O Ruídos conseguiu reunir novamente Fabi e Má para relembrar os grandes momentos do programa que fazia o deleite de marmanjões.

Como surgiu a idéia do programa?

A idéia inicial do programa veio do coordenador artístico que na época era o Tatola (N. do R.: o Tatola que hoje está na 89 FM e na tevê com o Perrengue, na Band). Com o passar do tempo, O “Clube” desenvolveu uma cara diferente da inicial. Mas a proposta sempre foi descontração e informação com muita feminilidade e bom humor.

Vocês duas já haviam trabalhado juntas antes de assumirem o Clube das Mulheres?

Não…juntas, juntinhas, não!!Mas já fazíamos parte da equipe da rádio…Fabi como locutora e Má como estagiária e depois produtora.

Houve algum modelo no qual vocês se inspiraram ou o tom encontrado para o comando do programa foi surgindo aos poucos?

Exatamente isso, o tom do programa veio aos poucos. Nosso entrosamento, que aumentava a cada dia, colaborou bastante para que o programa passasse um clima de amizade e de “estar à vontade” no ar.

Um dos quadros do programa era o Discagem Direta do Ouvinte, com entradas ao vivo de ouvintes para solicitar músicas. Vocês chegaram a enfrentar algum tipo de situação engraçada, embaraçosa etc?

Várias situações engraçadas…Uma vez a gente decidiu fazer campeonato de arroto no ar; tinha que dizer Clube das Mulheres arrotando…Imagine o que saiu!!! Foi um sucesso! E teve ouvinte que conseguiu!!

Quais foram as entrevistas mais marcantes que vocês fizeram?

Tiveram várias marcantes como a da Rita Lee com o Roberto de Carvalho, foi um êxtase total! A gente sempre se afirmou grandes fãs da tia Rita! Outra entrevista que foi muito bacana foi com o Wando… Demais!! Fora as com grandes bandas como Cidade Negra, Nação Zumbi, Gerald Thomas entre outras…

Outra característica era o aconselhamento de ouvintes que entravam em contato para falar de seus problemas afetivos. Qual foi o caso mais complicado com o qual tiveram de lidar?

Casos complicados tiveram vários. Os mais delicados eram os que envolviam a questão da homossexualidade, de se assumir homossexual.

Qual era o desempenho do Clube das Mulheres no ranking do Ibope?

A Brasil 2000 nunca foi líder de audiência em nenhum horário, mas naquela época, conseguíamos atingir um público de cerca de 20 a 30 mil ouvintes por minuto.

Por que a dupla acabou sendo desfeita?

A dupla foi desfeita por causa de mudanças na coordenação… Mudou toda a direção da rádio e as idéias e projetos já não eram mais os mesmos. E, pra mim (Fabi), a essência e o conceito criativo do Clube acabou ali.

Numa entrevista, Roberto Maia, ex-diretor artístico da Brasil 2000, disse que a qúimica entre vocês era muito legal (clique aqui pra ver). Falem um pouco mais a esse respeito. Nunca chegraram a ter algum tipo de desentendimento durante o programa?

Realmente a nossa química era demais. A gente se entendia no olhar… Mas também se desentendia da mesma forma… Era como um casamento. Não importava o que tinha acontecido na noite anterior tínhamos que estar as duas lá, uma de frente para a outra procurando passar o maior e melhor alto astral para nosso ouvinte. Stress rolava como em qualquer relacionamento, mas a gente fazia o máximo para não transparecer isso no ar e conseguíamos!

Haveria espaço para o Clube das Mulheres em outra emissora de rádio ou ele é um programa com a cara da Brasil 2000 da época em que foi veiculado?

Sim, há espaço para o Clube em uma outra emissora, estávamos com um projeto quase que engatado, mas aí eu (Fabi) engravidei e os planos para mim na rádio acabaram mudando momentaneamente. Mas aquele Clube, daquele jeito, nunca mais será o mesmo!! Fica para a história do rádio!

O que vocês têm feito atualmente?

Má- Sou locutora da Metropolitana- 98.5fm (SP); estou no ar de segunda a sexta, das 08h30 ao meio dia e finais de semana. Durante a semana entre 10h e meio dia, apresento junto com Aldrin Mazzei o programa “Ele disse, Ela disse”- com entrevistas, bastante bom humor e participação de ouvintes ao vivo, cada dia um entrevistado e um tema diferente. espero encontrar com você por lá! Ah! Envie-me e-mails (marcela@metropolitana.com.br).

Fabi-Eu estou na Transamérica pop fazendo a rede das 14h às 18h. Faço para várias grandes cidades exceto São Paulo. Em Sampa dá pra me ouvir só nos finais de semana (100,1Fm), geralmente de sábado das 12h às 16h. Vocês podem me mandar e-mail para (locutor.fabianaferraz@transanet.com.br). Beijos para todos os saudosos do Clube…

Fabi, Má e o Rafael Cortez em foto de 2011

Repórteres não podem usar guarda-chuva nos campos de futebol

Por Rodney Brocanelli

Os poucos repórteres de rádio que ainda entram em campo a fim de trabalhar nas partidas de futebol deverão ter muitos problemas com a temporada de chuvas que vem por aí. No último domingo (09), o repórter Marcio Torvano, da 105 FM, não pode abrir um simples guarda-chuva para se proteger do temporal que caiu na região do estádio do Morumbi antes da partida entre São Paulo x Botafogo, válida pelo campeonato brasileiro de 2022. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) proibiu o uso deste importante acessório (ouça abaixo).

No dia 9 de agosto, durante a transmissão de Grêmio x Operário-PR, partida válida pela série B, o repórter Rafael Pfeiffer relatou o mesmo tipo de situação em um dia chuvoso em Porto Alegre (ouça abaixo).

A restrição vale também para os repórteres-fotográficos. O grande problema é que tanto repórteres como fotógrafos usam equipamentos que podem ser danificados com a chuva. E tem mais: em dias frios, a chuva pode reduzir a temperatura corporal e isso faz com que o sistema imunológico tenha reações que o façam ficar vulnerável aos ataques de vírus (leia mais aqui).

Pode parecer meio óbvio constatar esses fatores de risco, mas, quem determinou esta norma na CBF, infelizmente, não pensou neles.

Conexão Nacional tem entrevistas, colunistas e a ausência de repórteres

Por Rodney Brocanelli

Na estreia do Conexão Nacional, nesta segunda (03), pela Rádio Capital, foi possível notar que o grande Roberto Muller ainda está se acostumando com o horário do novo jornal (ouça abaixo). Aliás, o bordão para a repetição da hora certa é simplesmente “a hora”. Muller e Antônio Freitas são os locutores do noticiário. Anchieta Filho é o responsável pelo noticiário político, enquanto que Denise Campos de Toledo apresenta os destaques da economia. Joseval Peixoto é o âncora geral. Tudo ao vivo. O programa teve longas entrevistas e a participação gravada de colunistas como Paulo Pontes, Luis Carlos Quartarolo e Décio Clemente. Faltou repórter na rua. O site Tudo Rádio informa que a Radiodata, empresa de marketplace, terá a responsabilidade de fazer o programa chegar a outras emissoras. Um grande desafio. O Conexão Nacional vai ao ar de segunda a sexta, a partir das 17h30.