Luta de Éder Jofre deu audiência massacrante ao rádio

Por Rodney Brocanelli

O esporte brasileiro está de luto com a morte de Éder Jofre, aos 86 anos. Segundo o portal UOL, ele teve complicações decorrentes de uma infecção urinária e uma insuficiência renal aguda. Conhecido como Galo de Ouro, Éder foi três vezes campeão dos pesos pena e galo. Integra o Hall da Fama do boxe mundial e foi eleito o 9º melhor pugilista de todos os tempos pela revista estadunidense The Ring.

O público brasileiro acompanhou grande parte dos feitos de Éder Jofre pelo rádio. E em 1965 milhares de pessoas se reuniram em torno de aparelhos receptores para acompanhar a sua luta contra o oponente japonês Massahiko “Fighting” Harada, válida pelo cinturão dos galos, acontecida na cidade de Tóquio.

Não existem dados precisos, mas a audiência da Rádio Bandeirantes, de São Paulo, que liderou uma grande rede de emissoras espalhadas por todo o país, foi massacrante. A emissora enviou o narrador Flávio Araújo para essa cobertura.

“Foi um marco histórico nas transmissões esportivas. Não houve absolutamente nenhuma concorrência”, disse Flávio em uma entrevista ao programa Radioamantes no Ar, da web rádio Showtime, no ano de 2013. A ideia inicial era a de que ele tivesse companhia nessa transmissão. “Eu deveria transmitir em dupla com o Braga Jr. Eu pela Bandeirantes e ele pela Jovem Pan, que na época era Rádio Panamericana ainda”.

Uma mudança de planos da Panamericana fez com que Flávio ficasse sozinho. “Alguns dias antes, o Tuta, que é um cidadão bastante econômico, confiou no meu trabalho, nos dávamos bem nas conversações que tivemos, e ele achou que a transmissão deveria ficar somente a meu cargo. Nesse caso, houve um comando duplo: Bandeirantes e Panamericana, mas com apenas um locutor. Nem comentarista eu levei”, afirmou

Segundo Flávio, a Bandeirantes fez rede com 320 emissoras de todo o território nacional, mas esse número pode ter sido bem maior. “Presidente Prudente, por exemplo, recebia o som por linha, mas as emissoras da circunvizinhança entravam em cadeia para retransmitir o evento. Então é impossível sequer calcular o número de emissoras para retransmitir o evento”, disse.

Outro fator que favoreceu o rádio foi o fuso horário. “A luta chegou aqui às 08h da manhã, a luta seria à noite já no Japão”, falou Flávio.

Éder perdeu a luta para seu adversário, em uma decisão por pontos que foi bastante contestada na ocasião. Flávio acha que o brasileiro foi injustiçado: “Vi na luta uma vitória de Éder Jofre indiscutível. Ela tinha três jurados. Um era o jurado de ringue, que naquele tempo também participava da contagem e dava seus votos. Ele deu sua votação favorável ao Éder Jofre. Somente os dois jurados japoneses é que votaram no Harada. Eu trouxe o vídeo completo da luta, que foi exibido dias depois pela TV Record”.

A imagem da luta, vista pelos brasileiros, salvou Flávio: “Quando eu cheguei ao Brasil, os jornais todos estavam dizendo que eu cometi uma patriotada, que era comum nos locutores brasileiros que nós sempre deixávamos a verdade de lado para exaltar nossos valores e que eu dera a vitória ao Éder Jofre e que não era verdade. Depois que a TV Record passou a luta, com uma equipe de jurados independentes, ficou flagrante que o Éder havia vencido a luta, até com uma boa margem de pontos”.

Ouça abaixo o trecho da entrevista de Flávio Araújo. Hoje, aposentado, ele vive hoje em Poços de Caldas.

Memória: o dia em que Seu Tuta, da Jovem Pan, falou na Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Em março de 2011, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o seu Tuta, concedeu uma entrevista, mas em outra emissora que não a Rádio Jovem Pan. Ele foi o convidado especial do Jornal Gente, da concorrente Rádio Bandeirantes. “O senhor vai ser usado para combater a audiência da sua própria rádio, o senhor concorda?”, perguntou José Paulo de Andrade logo no início da conversa. “Eu concordo porque sexta-feira é um dia fraco para nós”, respondeu Tuta, provocando algumas risadas ouvidas no estúdio em que ocorreu a gravação.

Além do já citado Zé Paulo, participaram da entrevista Salomão Ésper, Joelmir Beting e Rafael Colombo. Ela foi dividida em dois blocos, totalizando pouco mais de meia hora. Para um convidado tão ilustre e em circunstâncias especiais, o tempo poderia ter sido bem maior.

Na pauta, temas como futebol, e o são-paulino Zé Paulo é surpreendido com a revelação de que Tuta torce pelo Santos, muito por causa de Pelé e também devido às cobranças a seu pai, Paulo Machado de Carvalho, por um título paulista perdido pelo São Paulo (é citado o ano 1949, mas nesse ano, o tricolor foi campeão, assim como em 1948; talvez, repetindo talvez, o ano seja 1950, em que o Palmeiras foi campeão e Tuta falou em um tricampeonato).

E por falar em craques, o homem que foi responsável pelos destinos da Pan por muitos anos contou que já jogou ao lado de Leônidas da Silva nos históricos campeonatos internos das Emissoras Unidas (da qual a Jovem Pan fez parte).

Outro assunto foi a questão do off tube nas transmissões esportivas. No ano de 2011, a Jovem Pan tinha por política realmente não mandar profissionais para jogos em locais distantes da capital. No entanto, ela compensava isso de outra forma, contratando um repórter local. “A gente pega o repórter lá, que é mais barato”, afirmou.

Outra pergunta de Zé Paulo foi sobre se houve algum tipo de mágoa de Tuta por ter saído do primeiro projeto de televisão, a Jovem Pan TV, que operou no canal 16 UHF, em grande parte da década de 1990. “Ele (citando o sócio ou um dos sócios naquela empreitada), não sei porquê até hoje, encrencou comigo, não queria, então ele fez de tudo para enterrar a televisão. Ficou uma mágoa da pessoa, mas com certeza a televisão daria certo”, falou.

Houve tempo para histórias de bastidores sobre sociedade entre Paulo Machado de Carvalho e Silvio Santos, na TV Record.

Tuta Carvalho passou a ser o dono da Jovem Pan, após a emissora receber uma sondagem de compra de um emissário do Diário Popular. O valor apresentado na época foi de 12 milhões, que assustou o comprador. Como a TV Record não estava em um bom momento, Tuta decidiu ele mesmo adquirir a rádio e negociou com os irmãos, com sucesso. “Quando saí da tv, eu fui trabalhar numa coisa que é só minha”, falou.

A última pergunta, de Rafael Colombo, foi sobre o futuro do rádio. Naquela época, ainda não era uma realidade o uso da Internet como uma linha auxiliar de transmissão de programas e eventos. Tuta falou que o FM iria substituir o AM, no que ele estava certo, de certa forma. Nos últimos meses, o FM estendido (saiba mais aqui) já é uma realidade e só falta ser popularizado.

No entanto, ele não acreditava no rádio digital, uma solução que já foi pensada para dar uma sobrevida a faixa de amplitude modulada. “o rádio digital que existe hoje não pega, é péssimo. Pro AM. Pro FM, ele funciona(…) Tem 15.000 emissoras nos Estados Unidos. Só 100 fazem rádio digital”, disse.

Tuta deixou o comando da Rádio Jovem Pan, em 2014. Ouça sua entrevista à Rádio Bandeirantes no player abaixo.

Há 40 anos, o Show de Rádio, de Estevam Sangirardi, estreava na Rádio Bandeirantes

Por Rodney Brocanelli

Ninguém lembrou (e quase que este blog deixa passar em branco – antes tarde que nunca), mas no último dia 1º de agosto completou-se 40 anos de um marco histórico do rádio: a estreia do Show de Rádio, genial criação de Estevam Sangirardi na Rádio Bandeirantes.

O livro “Um Show de Rádio – a vida de Estevam Sangirardi”, de Carlos Couraúcci, conta que a relação de Sangirardi com a Rádio Jovem Pan, onde o Show de Rádio nasceu em 1969, já estava desgastada. A obra, infelizmente não traz muitos detalhes sobre os problemas do comunicador com a Pan e bastidores de negociações com a nova casa. O texto se perde em longas contextualizações e divagações do autor.

Além do mais, o livro traz um erro grave de informação. A data de estreia do Show de Rádio na Bandeirantes não foi em 1º de setembro como está registrado. O primeiro programa dessa nova fase foi ao ar um mês antes, em 1º de agosto de 1982, depois de um clássico entre Corinthians x Palmeiras, cuja vitória foi corintiana pelo placar de 5 a 1, com direito a “hat-trick” de Casagrande.

O que dá para saber da leitura é que Sangirardi deixou a Pan “contrariado e muito triste”. Segundo a obra, na Bandeirantes, a interpretação para seus personagens clássicos mudara: “Didu Morumbi mais triste e desanimado, um Joca sem inspiração e fora de ritmo e uma Noninha muito aquém de suas possibilidades”. As conjunturas da época (perda da Copa de 1982 e a crise econômica) mexeram muito com ele, segundo o autor do livro. “O ‘Show de Rádio já não era mais o mesmo”, escreveu.

Logo na estreia, uma frase do radialista, ao saudar os novos ouvintes, chama a atenção: “talvez não seja tempo de graça”.

Além do tradicional espaço radiofônico, o Show de Rádio foi parar na tevê, no ano seguinte. Os personagens do programa foram transformados em bonecos para, com isso, serem inseridos nas transmissões do campeonato paulista. Eles interagiam com os narradores da época: Edgard Melo Filho e Alexandre Santos. Uma pena que o livro não traz maiores detalhes deste processo. Conforme Couraúcci, “a tentativa até que surpreendeu, mas com o passar do tempo, foi caindo no marasmo”.

Uma pena que não existam registros mais precisos de quanto tempo durou a passagem de Sangirardi e seu Show de Rádio pela Bandeirantes. O livro, infelizmente, não traz essa informação. Só diz que em 1987, quando ele foi agraciado com a Medalha Anchieta, da Câmara dos Vereadores de São Paulo, o programa já não estava mais no ar pela emissora.

Depois dessa passagem pela Bandeirantes, o Show de Rádio ficou um bom tempo fora do ar. Retornou de forma breve na Rádio Gazeta, em 1992. Estevam Sangirardi morreu no dia 27 de setembro de 1994.

Ouça abaixo os primeiros instantes da estreia do Show de Rádio na Bandeirantes, em 1982.

Morre Armindo Antônio Ranzolin

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta quarta (17) um dos maiores narradores esportivos brasileiros. Armindo Antônio Ranzolin. Ele estava internado em um hospital da cidade de Porto Alegre havia alguns dias enfrentando complicações do Mal de Alzheimer, doença com a qual conviveu, infelzimente nos últimos anos. Tinha 84 anos.

O velório deverá acontecer nesta quinta (18), a partir das 08h. E as 15h está programada a cerimônia de despedida, no Crematório Metropolitando.

Nascido em Caixas do Sul, mudou-se para Lages (SC) quando tinha um ano de vida. Formado em direito, começou sua carreira no rádio em 1956 na Rádio Difusora, de Lages. Foi para Porto Alegre no ano seguinte a fim de completar seus estudos. Em 1959, trabalhou brevemente na Rádio Guaíba. Não ficou na emissora devido a problemas internos. Em seguida, conseguiu uma vaga na Rádio Difusora (hoje Bandeirantes) e nela começou a narrar jogos de futebol.

Foi nessa emissora em que ele narrou seu primeiro Grenal, em 1961. Porém, ele teve que esperar um pouco. Poucos dias antes da partida ser disputada, explodiu toda a confusão causada pela renúncia de Jânio Quadros e as incertezas em torno de sua sucessão. Como se sabe, não havia boa vontade para com o vice, João Goulart, que estava na China e deveria assumir logo o cargo. O então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resolve confiscar a Rádio Guaíba por algum tempo e inicia a histórica Rede da Legalidade, que ganhou a adesão de diversas emissoras espalhadas pelo país.

Somente depois de toda essa questão política resolvida (40 ou 50 dias depois, conforme seu depoimento), é que Ranzolin pode irradiar o clássico. Entre 1961 e 1995 ele transmitiu 140 Grenais.

Em 1964, após deixar a Difusora de forma tumultuada, foi para a Rádio Farroupilha (então pertencente aos Diários Associados. Já em 1969, ele volta para a Rádio Guaíba trabalhando como narrador, ao lado de Pedro Carneiro Pereira. Em 1973, com a morte de Pereira em um episódio bastante conhecido e triste do rádio gaúcho, passa a ser titular na emissora. Aliás, foi na velha Guaíba que a carreira de Ranzolin começou a deslanchar.

No entanto, em 1984, ele faz seu último grande movimento profissional na carreira, sendo contratado pela Rádio Gaúcha e nela viveu duas fases. Uma como locutor de futebol, até 1995. A partir do momento em que parrou de narrar, permaneceu como apresentador do Gaúcha Atualidade e participando de diversas coberturas jornalísticas.

Tanto na Guaíba como na Gaúcha, Ranzolin exerceu cargos de comando, em paralelo a sua atividade como comunicador.

Ele decidiu se aposentar em 2006. Tinha como objetivos curtir um pouco mais a vida e trabalhar em suas memórias. Entretanto, os planos foram deixados de lado quando a doença se manifestou.

Em janeiro de 2022, Cristina Ranzolin, filha de Armindo Antônio e apresentadora do Jornal do Almoço, da RBS TV, decidiu tornar público os problemas de saúde do pai em um artigo escrito especialmente para o Zero Hora. “Infelizmente meu pai tem Alzheimer, essa doença danada que no início provoca esquecimentos, aos poucos vai roubando a memória e depois vai trazendo outras complicações e limitando cada vez mais os pacientes”.

Numa brevíssima entrevista à Rádio Guaíba, em abril de 2020, Cristina já havia antecipado que a situação de seu pai inspirava cuidados, mas sem citar diretamente a doença: “Meu pai está bastante limitado, infelizmente. Ele está adoentado há muito tempo. Agora ele está mais acamado. Ele está bastante debilitado. Tá indo, sabe? Ele é muito forte. Segue aqui com a gente, mas ele está, infelizmente,  numa situação difícil”, afirmou. A apresentadora fez uma breve participação na rádio de um grupo concorrente por ocasião da reprise de dois jogos do arquivo da Guaíba com a narração de Armindo Antônio Ranzolin. 

No último domingo, dia dos pais, Cristina postou uma foto em seu perfil no Instagram. Nela, está segurando a mão de Armindo, sendo possível ver uma pulseira de hospital e um fundo com lençóis brancos, dando a entender que ele estava internado. O começo do texto diz: “não, não era esse o Dia dos Pais que eu queria pra nós…”

Como voz das principais conquistas de Grêmio (o Brasileirão de 1981, a Libertadores e o Mundial de 1983 e ainda a Libertadores de 1995) e de Internacional (os Brasileirões de 1975,1976 e 1979), obviamente que houve uma curiosidade em se saber para qual dos dois times o narrador torcia. Até onde este blog sabe, nunca houve uma manifestação oficial por parte dele a esse respeito. Em uma palestra feita na Ulbra, ele declarou torcida para dois times do eixo Rio-SP: Vasco e Palmeiras (seus dois times de botão). Sua justificativa: como ele viveu sua infância em Santa Catarina, ouvia as rádios das duas cidades. Ranzolin só foi mesmo conhecer a rivalidade Grenal quando se mudou para Porto Alegre. Ouça abaixo.

Ouça abaixo a narração para o Gol de Baltazar, que garantiu ao Grêmio o título de campeão brasileiro de 1981.

Ouça o gol de Falcão, pelo Internacional na partida contra o Palmeiras, em 1979. O ex-jogador e técnico hoje é casado com Cristina Ranzolin.

E para finalizar, um gol da seleção brasileira: Júnior faz o gol da vitória sobre a Alemanha pelo placar de 1 a 0, em 1982.

Jô Soares apresentou programa sobre jazz na Eldorado FM

Por Rodney Brocanelli (colaborou Edu Cesar, do Papo de Bola)

Humorista e escritor, Jô Soares morreu na madrugada desta sexta (05). A causa da morte não foi divulgada até o momento da publicação deste post, mas sabe-se que ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o último dia 28 de junho. Velório e enterro serão restritos aos familiares e amigos, conforme informação de Flavia Pedras, sua ex-esposa.

Conhecido (e reconhecido) como entrevistador, Jô teve uma longa passagem pelo rádio. Em 1988, ele estreou o programa Jô Soares Jam Session, na Rádio Eldorado AM, quando a emissora ainda operava em 700Khz. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo em 9 de outubro daquele ano, foi “a primeira incursão radiofônica de Jô”.

Veiculado sempre a partir das 17h, a proposta da atração era combinar o bom humor de seu apresentador com clássicos e raridades do jazz. Porém, a ideia da emissora na época era outra: “um programa de entrevista e comentários de humor”, como escreveu o Estadão. Algo que Jô estava começando a fazer em televisão com seu talk show. A sugestão em fazer um programa sobre jazz foi aceita e a atração durou até 1996.

Em abril de 1993, o programa teve uma mudança de horário, passando a ser apresentado às 21h. Na época, o então diretor de programação da Eldorado, Marino Maradei, justificou essa decisão ao Estadão: “o final de tarde era um horário de pico para qualquer emissora, e que o jazz, por ser um gênero específico, restringia demais a nossa audiência. E quem gosta de Jô e de jazz vai continuar sintonizado no programa, independente do horário”.

Porém, quase um ano depois, em março de 1994, o Jô Soares Jam Session voltou ao seu horário original, no final de tarde. Um anúncio explicava que o ajuste aconteceu devido a pedidos de ouvintes.

Além da Eldorado, a atração foi transmitida também pela JB FM, no Rio de Janeiro. Era produzida por José Nogueira.

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Entre 2000 e 2015, o Programa do Jô, da TV Globo, foi transmitido de forma simultânea pela CBN.

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Rafael Austregésilo Soares, filho de Jô Soares, teve uma ligação muito intensa com o rádio. Por muitos anos, ele manteve uma emissora particular funcionando em seu quarto, com direito a vinhetas produzidas por Derico (músico do Sexteto do Jô) e dicas do radialista Roberto Canázio. Rafael morreu em 2014, aos 50 anos. Veja abaixo a homenagem feita pelo pai

https://globoplay.globo.com/v/3740735/

Ouça abaixo um trecho da estreia de Jô Soares Jam Session.

Batalha do Sarriá completa 40 anos; ouça narrações de rádio

Por Rodney Brocanelli (*)

O dia 5 de julho marcou uma das datas mais tristes na história da seleção brasileira de futebol. Jogando no estádio Sarriá, em Barcelona, os comandados de Telê Santana perdiam para a Itália pelo placar de 3 a 2 e davam adeus à Copa que no ano de 1982 era disputada na Espanha. Mesmo com as conquistas de 1994 e 2002, torcedores e jornalistas se perguntam até hoje sobre o que deu errado naquele dia. Bastava apenas um empate para que o Brasil chegasse às semifinais. Mas a Squadra Azurra apareceu pelo caminho. Além de adiar o sonho da conquista do título mundial, aquele resultado serviu para sepultar de vez a prática do futebol arte. Desde então, tivemos apenas alguns lampejos que apareciam de forma individual, graças ao talento de Romário e Ronaldo, cada um em sua época.

O blog Radioamantes leva você de volta ao dia 5 de julho de 1982. A nossa máquina do tempo é o rádio.

O quinto sinal da Rádio Bandeirantes marcava pontualmente 12h15, 16h15, horário local. Fiori Gigliotti anuncia o início da partida.

Para espanto geral, a Itáia saia na frente, logo aos 4 minutos de partida. Defesa brasileira vacilou. Paolo Rossi marcava, de cabeça. José Silvério estava na Jovem Pan.

A resposta brasileira não tardou. Sócrates recebeu um belo lançamento de Zico e avançou até entrar na área. O goleiro Dino Zoff tentou fechar o ângulo. Mas o Doutor, com o sangue frio que lhe era pecuilar, mandou para o gol. Osmar Santos narrou esse lance na Rádio Globo.

Mas Paolo Rossi se aproveitava mais uma vez de uma falha da defesa brasileira para marcar o segundo gol da Itália. O lance pegou muita gente desprevenida. José Silvério narrou esse lance na Jovem Pan.

No segundo tempo, o Brasil veio com tudo para tentar ao menos o empate. Falcão, na época o Rei de Roma, mandou um belo chute de média distância. E um detalhe que a televisão não mostrou: Cerezo, um dos responsáveis pelo lance que originou o segundo gol da Itália, chorou de emoção. José Silvério observou bem esse detalhe na Pan.

Armindo Antônio Ranzolin traduziu na Rádio Guaíba todo o orgulho pelo gol do “compatriota” Falcão.

E mais: a emoção de Willy Gonser, enaltecendo o corta luz de Cerezo, pela Rádio Itatiaia.

Mas aquela não era a tarde do Brasil. Em um escanteio aparentemente inofensivo, a Itália chegaria ao seu terceiro gol. Mais uma vez, Paolo Rossi. Flávio Araújo, então na Rádio Gazeta (SP) não escondeu a decepção.

Na Rádio Nacional, o garotinho ligeiro José Carlos Araújo ficou de queixo caído com o gol de Rossi.

O Brasil quase conseguiu o empate em uma cabeçada do zagueiro Oscar. O goleiro Dino Zoff operou um verdadeiro milagre. José Carlos Araújo, na Rádio Nacional, viu essa bola no gol.

Não teve jeito para o Brasil. O árbitro israelense (o Wikipedia diz que ele tem também nacionalidade romena) Abraham Klein apitou o fim de jogo. A perplexidade tomava conta da torcida brasileira. Fiori Gigliotti traduzia bem esse sentimento na Rádio Bandeirantes.

Passado o impacto da derrota, nada melhor que uma avaliação fria para se concluir em que a seleção brasileira errou. Eis a palavra de João Saldanha, então na Rádio Tupi. A metáfora do macaquinho é impagável.

(*) post atualizado e republicado. O original foi divulgado há dez anos (veja aqui). Estamos mesmo ficando velhos.

40 anos de “Olhos na TV, coração na Rádio Record”

Por Rodney Brocanelli

A história é relativamente conhecida nos bastidores da comunicação, mas vale a pena ser contatada novamente, uma vez que ela está completando 40 anos. A TV Record, ainda de propriedade de Paulo Machado de Carvalho, não conseguiu transmitir a Copa do Mundo, de 1982, disputada na Espanha. No entanto, uma saída simples e criativa conseguiu atrair uma grande parcela da audiência, utilizando o rádio.

No início da década de 1980, Silvio Luiz era um fenômeno. As transmissões de futebol comandadas por ele na TV Record gozavam de bastante prestígio entre anunciantes e, principalmente, telespectadores, causando assim alguns arranhões na audiência da hegemônica TV Globo.

Para a Copa de 1982, havia uma grande expectativa para um novo confronto entre as duas emissoras. Entretanto, alguns pequenos detalhes tiraram a Record dessa cobertura. Rui Viotti, na ocasião, assistente de Paulinho Machado de Carvalho, um dos manda-chuvas da Record, alertava para o risco da Globo exibir sozinha aquela competição.

Conforme o livro “Olho no Lance”, de Wagner William, os direitos de transmissão das grandes competições internacionais eram intermediados pela OTI (então Organização da Televisão Ibero-Americana). A entidade fazia a comercialização diretamente com o país associado, não importando as emissoras que desejassem colocá-las no ar. Bastava que as interessadas pagassem suas cotas. Se não houvesse o pagamento, as outras emissoras assumiriam o valor total.

Outro fator de risco era que para exibir a Copa, as emissoras filiadas à OTI eram obrigatoriamente obrigada a transmitir os Jogos Olímpicos. O grande problema é que dois anos antes apenas a Globo exibiu os Jogos de Moscou. Com isso, a emissora carioca acabou ficando sozinha com o mundial da Espanha. Havia a expectativa de que ela revendesse os direitos para as outras emissoras brasileiras, o que não aconteceu.

O mesmo Rui Viotti, que alertou para o risco da TV Record ficar sem transmitir a Copa de 1982 teve uma ideia para diminuir o desastre: comprar os direitos para rádio e veicular as transmissões na Rádio Record tanto no AM (1000Khz) como no FM (89,7Mhz – hoje Nova Brasil), mantendo as mesmas características irreverentes das transmissões de Silvio Luiz na TV e com as tradicionais intervenções do comentarista Pedro Luiz e do repórter Flávio Prado . Paulinho topou e fez com que Viotti embarcasse para o Rio e iniciasse conversações.

Negócio fechado pelo valor da época de 750 mil cruzeiros. Em seguida, foi criada uma campanha publicitária para informar ao público como acompanhar as narrações de Silvio: abaixar o som da televisão e ligar o rádio na Record. O slogan foi marcante: “Olhos na TV, coração na Rádio Record”.

O único empecilho que poderia comprometer o esquema foi resolvido de forma rápida: era o de convencer Zé Béttio, campeão de audiência e faturamento da Rádio Record AM, a abrir generosos espaços de seu programa, veiculado todas as tardes, para dar lugar aos jogos da Copa.

Claro que havia dúvida sobre o estilo de narração. Seria rápido, como é tradicionalmente no rádio ou não? No dia 13 de junho, com a partida inaugural entre Alemanha e Bélgica veio a resposta: uma narração de tv no rádio.

A estratégia deu muito certo à medida em que os jogos do Brasil, então comandado pelo treinador Telê Santana, aconteciam. Citada no livro de William, a revista Veja informava que pelo menos uma das transmissões atingiu a marca de 200 mil ouvintes. E esse número não contemplava apenas os que também ligaram a televisão. Mesmo com o estilo mais cadenciado, parte do público apenas ligou o rádio para ouvir Silvio Luiz. A Record conseguiu vencer as concorrentes em rádio que já estavam acostumadas a transmitir futebol.

Mesmo com o sucesso, não foi uma cobertura fácil. O livro “Olho no Lance” relata que ocorreram problemas técnicos a partir do segundo jogo do Brasil, contra a Escócia. O jeito foi alugar duas linhas e reservar duas posições de transmissão no estádio. Deu certo.

No fim das contas, a transmissão alternativa da Record conseguiu um retorno muito maior em todos os sentidos: o de audiência, já citado, de publicidade e mídia. Mesmo com um massacrante número de televisores ligados, a Globo ainda saiu com fama de antipática por não ter dividido os direitos de transmissão com as outras emissoras de televisão, conforme o livro de William.

Uma pena que existam tão poucos registros dessas transmissões de Silvio Luiz na Rádio Record. Os arquivos de áudio da emissora foram perdidos. O que restou foram fragmentos, gravados do próprio rádio em fita cassete pelo pai do jornalista Ubiratan Leal. Eles foram digitalizados e posteriormente divulgados pelo jornalista Thago Uberreich. Ouça abaixo em duas partes.

Em julho de 2009, durante uma entrevista de Silvio Luiz ao programa Jovem Pan no Mundo da Bola, Rui Viotti fez uma importante intervenção contando essa história.

Maria Luiza Benitez: a pioneira na reportagem de futebol no Brasil

Por Rodney Brocanelli

Maria Luiza Benitez, cantora, locutora, jornalista, apresentadora, jogadora de futebol, foi a primeira mulher a fazer reportagem de campo em transmissões de futebol. Benitez, atualmente na Rádio Guaíba, de Porto Alegre, concedeu uma entrevista ao podcast Dus 2 na última sexta (20), em que contou esses e outros detalhes de sua trajetória na comunicação e na música.

Natural de Bagé, em 1969, Benitez escrevia uma crônica para o jornal Correio do Sul, da mesma cidade. Segundo ela, houve um convite vindo da Rádio Cultura, também de Bagé, para que ela participasse do jornal apresentado ao meio dia lendo seus textos. Com o tempo, passou a desempenhar outras atividades na emissora, comandando um programa infantil, programa sobre moda e lendo os avisos tradicionais em rádios do interior.

Foi o radialista Edgar Muza que a chamou para fazer reportagem de futebol, em 1970, ainda em Bagé. Na época, a reação do público que ia aos estádios não era simpática: “Puta! Puta! Puta!”. O xingamento em uníssono não abalou Benitez: “Eu abanava, sorria, distribuía brindes como se nada estivesse acontecendo”, disse. Sua atuação era limitada apenas ao campo de jogo, não havia acesso aos vestiários.

Foi por intermédio de uma reportagem assinada Edegar Schmidt na Folha da Tarde (RS) que a história de Maria Luiza Benitez como repórter de campo ficou conhecida em todo o Rio Grande do Sul.

Um belo dia, em 1976, Benitez decidiu ir até Porto Alegre foi bater logo na porta da Rádio Gaúcha. Após esperar muito, ela fez um teste de locução, de redação e ainda teve de criar um programa feminino: ” A Hora e a Vez da Mulher”.

Da Gaúcha ela foi trabalhar na Rádio Princesa, mas já pensando em um outro salto. Ela foi ouvida por um diretor da Rádio Guaíba e chamada para fazer um teste, em que desta vez ela leu diversos textos comerciais.

Sua rotina não era fácil. Como cantava na noite, Benitez saia direto de suas apresentações para fazer a locução no período da manhã. Entre uma intervenção e outra, ela tirava um cochilo em um piano de cauda que tinha na emissora e coberta com páginas do jornal Correio do Povo. Na crise que assolou a emissora, ela pediu para sair. Voltou algum tempo tempo, como locutora dos tradicionais noticiosos.

No papo conduzido por Cristiano Silva e Geison Lisboa, Benitez também falou sobre sua carreira musical, que começou até antes de sua carreira como comunicadora. Seu nome é intimamente ligado à música nativista (saiba mais o que é clicando aqui), lançou discos, CDs e faz shows pelo interior gaúcho.

Veja a íntegra da entrevista abaixo.

40 anos depois, cobertura da morte de Elis Regina pela Rádio Excelsior é divulgada na web

Por Rodney Brocanelli

No último dia 19 de janeiro, o perfil Arquivos Elis Regina, do YouTube, divulgou um registro tristemente histórico: parte da cobertura da morte da cantora veiculada pela Rádio Excelsior (hoje CBN) em 1982. Quarenta anos depois. O arquivo publicado tem pouco mais de 1h13min e traz erros e acertos decorrentes de uma cobertura em tempo real e até alfinetadas na concorrência.

A notícia chegou no programa Balancê. Osmar Santos falava sobre algum assunto relacionado ao futebol quando, às 12h19, foi bruscamente interrompido pelo narrador Reinaldo Costa, que apresentava a atração naquele dia. “A gente recebe neste momento a infausta notícia que faleceu agora, neste exato momento, questão de uns dez minutos atrás, a cantora Elis Regina”, disse atônito.

Pouco depois, entrava ao vivo a repórter Luísa Borges, do Hospital das Clínicas. “A gente nem tem vontade de entrar para dar uma notícia dessas”, disse, bem no momento em que começava a tocar Casa no Campo, um dos grandes sucessos de Elis. Segundo Luísa, a Pimentinha, como era conhecida, chegara “clinicamente morta” ao hospital.

Todo a pauta do Balancê prevista para aquele dia, obviamente caiu. Pouco depois do boletim de Luísa Borges, entrava no ar Walter Silva, um dos descobridores de Elis, que naquela época tinha um programa na própria Excelsior, o Pick-Up do Pica Pau, que começava sempre a partir das 14h. “Eu estou completamente sem ação (…) estou completamente perturbado, não consigo manter o equilíbrio jornalístico neste instante”, afirmou. Walter era pai de Celina Silva, que na ocasião estava trabalhando como assessora de Elis.

Após Luísa Borges retornar com novas informações do HC, Reinaldo Costa leu um breve resumo da carreira de Elis Regina. Jair Rodrigues, que naquele dia iria conceder uma entrevista para uma rádio de Santos, entrou no ar para um depoimento sobre a colega. Ambos dividiram o comando do Fino da Bossa nos áureos tempos da TV Record.

Depois da reprise do trecho de uma entrevista antiga de Elis, a repórter Yara Peres se integra à cobertura entrando diretamente do IML para onde o corpo da cantora fora levado para a autópsia. Walter Silva, que já estava lá, passa novas informações.

O Balancê encerrou sua edição às 12h29. Na sequência, começou o Jornal da Excelsior, comandado por Luiz Lopes Corrêa e Efigênia Mena Barreto. Na abertura, críticas a uma concorrente: “Uma emissora noticiosa de São Paulo chegou a dizer no ar que tudo não passava de engano e que a morta era outra”, disse Luiz. Quem souber qual é, deixe a informação no sistema de comentários.

Efigênia cometeu um erro ao citar o nome dos filhos de Elis: “deixa também três filhos, Rodrigo, João e a Mariana”. Luísa Borges volta ao ar, também do IML, corrige os nomes. João Marcelo, Pedro e Maria Rita. Todos eles atualmente com atuação destacada no cenário musical.

O jornal prosseguiu veiculando outras entrevistas. Julio Rosemberg, radialista gaúcho que acompanhou o início de Elis em Porto Alegre. O produtor Mayrton Bahia, que havia produzido o último disco da cantora, o que tem a canção Trem Azul, também concedeu seu depoimento. Jair Rodrigues voltou a ser contatado pela Excelsior e disse mais algumas coisas sobre a amiga.

Uma outra entrevista chamou a atenção, a do produtor André Barbosa Filho. Nela, foi levantada a hipótese por um repórter não-identificado de que a morte fora causada por overdose de drogas. “Isso é um absurdo”, declarou André.

Encerrando, a íntegra da última entrevista de Elis para a Excelsior, conduzida por Luísa Borges.

Quarenta anos depois, a Rádio Excelsior, que era veiculada em 780Khz não existe mais. Em 1991, ela se transformou em CBN, projeto de rádio noticiosa do Sistema Globo de Rádio. Aproximadamente quatro anos depois, a emissora passou a transmitir também em frequência modulada nos 90,5Mhz. Em 2018, a área de rádios do Grupo Globo resolveu abrir mão de suas frequências em amplitude modulada, ocasionando assim o desligamento da CBN. Hoje, em seu lugar, está a Canção Nova.

Ouça abaixo a cobertura da Excelsior.

Morre o narrador esportivo Haroldo Fernandes

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta segunda (10) o narrador esportivo Haroldo Fernandes. A informação foi divulgada por Milton Neves em seu blog, site e redes sociais. O locutor passou por emissoras como Record, Panamericana e Difusora, mas se notabilizou na antiga Super Rádio Tupi, de São Paulo, que em seus áureos tempos operava nos 1040Khz. Ele era conhecido como o “homem da camisa 10”. Coincidentemente, sua partida se deu em um dia 10. Tinha 92 anos.

Conforme Nestor Fernandes, filho de Haroldo, a morte se deu por causas naturais. O site Futebol Interior divulgou que o enterro aconteceu no início da tarde desta terça-feira no Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo.

Ouça abaixo a narração de Haroldo Fernandes para o gol que classificou o Brasil para a Copa de 1970, marcado por Pelé em partida contra o Paraguai.

Haroldo Fernandes narra outro gol de Pelé, desta vez pelo Santos, em partida contra o Palmeiras em 19/05/1968. Com essa vitória, o alvinegro praiano garantiu o título paulista daquele ano.

Em 1970, Haroldo dividiu as narrações da Copa do Mundo do México com Doalcei Camargo, da Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. As emissoras paulista e carioca se uniram em um pool. Ouça abaixo as narrações (o locutor paulista pode ser ouvido a partir dos 3min07s.

Reprodução: site Terceiro Tempo

Oscar Ulisses e Eder Luiz passam a ser as únicas vozes do tri do Palmeiras na Libertadores

Por Rodney Brocanelli

A essa altura, todos já sabem que o Palmeiras é o campeão da Copa Libertadores 2021 (alguns estão comemorando até agora, mas isso pode, o torcedor merece). O que interessa para nós do Radioamantes é que dois narradores esportivos de São Paulo transmitiram pelo rádio as três conquistas continentais alviverdes: Oscar Ulisses e Eder Luiz.

O time paulista levantou a taça em 1999 e nas edições de 2020 e 2021 (essas duas finais seguidas aconteceram no mesmo ano, 2021, devido à pandemia do Coronavírus),

Oscar Ulisses transmitiu as três finais por duas emissoras do mesmo grupo: em 1999, ele estava na Globo. Em 20/21, as partidas decisivas foram veiculadas pela CBN.

Por sua vez, Eder Luiz estava na Band FM, em 1999. Pouco depois, ele se transferiu para a Transamérica FM e de lá não mais saiu.

Se o Flamengo tivesse conquistado o título da Libertadores no último dia 27 de novembro, José Carlos Araújo teria esse mesmo privilégio alcançado agora por seus colegas paulistas. O Garotinho irradiou as conquistas do rubro-negro pela Nacional (1981) e Tupi (2019).

A dupla se junta a outros dois narradores que também narraram três títulos de Libertadores, desta feita de outras equipes: José Silvério acompanhou os três títulos do São Paulo pela Jovem Pan (1992 e 1993) e Bandeirantes. Haroldo de Souza irradiou as conquistas do Grêmio pela Gaúcha (1983), Guaíba (1995) e Grenal (2017 – veja mais aqui).

Ouça abaixo os registros de Oscar Ulisses. Começamos com 1999

2020

2021

Ouça as narrações de Eder Luiz. Começamos por 1999.

2020

2021

Memória: Antônio Carvalho lê os trechos representativos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Por Rodney Brocanelli

Antônio Carvalho segue fazendo muita falta no rádio brasileiro. Ele morreu em 17 de maio de 2008, vitimado por complicações de uma leucemia, contra a qual lutou bravamente nos seus últimos anos de vida. Carvalho trabalhou nas rádios Cultura (de Lavras, sua terra natal) e Jovem Pan, mas foi na Rádio Bandeirantes que sua carreira deslanchou, tornando-se conhecido e querido pelos seus ouvintes. Na emissora do Morumbi, comandou inúmeros programas de sucesso, entre os quais se destacaram o Ciranda da Cidade, Arquivo Musical, Frequência Balançada, Bandeirantes Acontece e Grande Sampa.

Vamos relembrar Antônio Carvalho desta vez ouvindo sua voz marcante lendo os trechos mais representativos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, divulgada pela Organização das Nações Unidas no ano de 1948. Esse registro foi retirado de uma edição do anos de 1984 do Canal Livre, programa de entrevistas da TV Bandeirantes. Sempre que a atração terminava e subiam os créditos, em vez de uma trilha sonora, entrava no ar sem fundo musical o texto, que na época do regime miltar ganhava um sentido muito maior.

Quando estreou o Canal Livre, no começo da década de 1980, sob o comando de Roberto D’Avila, quem lia a declaração era Oswaldo Sargentelli. No entanto, depois de um certo tempo, uma alteração foi necessária. Para substituir uma grande voz, nada melhor que uma outra grande voz. Ouça abaixo.

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Memória: relembre a vinheta clássica da 97 FM dos anos 1980

Por Rodney Brocanelli

O perfil da banda Lingua de Trapo no YouTube publicou nesta segunda (18) uma verdadeira relíquia do rádio: a vinheta da 97 FM, quando ela ainda transmitia diretamente de Santo André. Como informou Laert Sarrumor em seu perfil no Facebook (veja aqui), ela rolava a cada uma hora e anunciava o prefixo da emissora. Ela foi produzida pelo próprio Laert ao lado de Catalau, da banda Golpe de Estado. A gravação aconteceu no dia 29 de maio de 1987 no Estúdio Cameratti, em Santo André, e contou com as participações de Paulo Zinner, Nelson Brito e Helcio Aguirra.

Inaugurada em 1983, em Santo André, a 97 FM foi aos poucos se transformando em uma rádio de rock. Virou uma das grandes referencias no assunto, em que se pese a dificuldade de seu sinal chegar a outras regiões de São Paulo. No começo só havia um locutor, o Jota Erre, que dava muito trabalho a um dos fundadores da emissora, Zé Constantino. Ambos já chegaram até a sair no tapa.

Em 1994, a emissora mudou radicalmente seu estilo, trocando o rock pela música eletrônica. Em uma edição do programa Morde e Assopra de 2018 (saiba mais aqui), o próprio Zé Constantino explicou a mudança contando dois que o fizeram mudar de ideia. Um deles foi um prejuízo que ele teve ao organizar um show do Sepultura em Santo André. O outro aconteceu durante uma viagem de táxi. O motorista estava ouvindo Deep Purple. “Você gosta de rock?”, perguntou o proprietário da 97 FM. Após a resposta afirmativa, o condutor do automóvel listou uma série de bandas das quais gostava. Todas antigas. Foi aí que Constantino teve um clique: o consumidor de rock não estava tão interessado assim em novidades, isso em pleno estouro do Nirvana.

A mudança de perfil não agradou aos ouvintes, é claro. Na ocasião, a determinação era para que os telefones não fossem atendidos e com isso, procurar driblar a fúria que vinha do outro lado. Após algumas alterações ao longo dos anos, a emissora adotou o nome de Energia 97.

O grande pulo do gato se deu em 1999, com a estreia do Estádio 97, debate sobre futebol com um tempero bem-humorado transmitido sempre aos finais de tarde. A fórmula tem grarantido sucesso comercial e de público ao longo desses anos. Desde 2019, a emissora tem se dedicado às transmissões dos jogos de futebol dos grande clubes de São Paulo com o projeto Energia em Campo.

Ouça abaixo a vinheta clássica da 97 FM com alta qualidade sonora.

Flávio Araújo, 87

Por Rodney Brocanelli

E a festa não para. Ontem comemoramos o aniversário de Osmar Santos. Hoje é a vez de transmitirmos os parabéns para Flávio Araújo, narrador esportivo que defendendeu por muitos anos o microfone da Rádio Bandeirantes, de São Paulo. Além disso, ele teve passagens pela Rádio Gazeta e Rádio Central, de Campinas (aqui como comentarista). Flávio está na ativa,  participando da programação da  Rádio Cultura, de Poços de Caldas (MG), sempre com um comentário a respeito dos temas da atualidade. A emissora é de propriedade de seu irmão, Chico de Assis.

Flávio Araújo seguiu a escola de Pedro Luiz, fazendo uma narração descritiva do que acontecia em campo, nas quadras, no ringue ou mesmo nos autódromos. No entanto, ele se permitia usar alguns bordões, como o “colocou a deusa branca para fazer chuá”, logo após um lance de gol, ou o “o 10 está brilhando na camisa dele”.

Seu período na ativa como narrador esportivo coincidiu com o auge de pelo menos quatro grandes esportistas da história do Brasil: Adhemar Ferreira da Silva, Éder Jofre, Pelé e Émerson Fittipaldi. Flávio usou sua voz para propagar os feitos deste quarteto de ouro aos quatro cantos deste país.

Vamos relembrar aqui algumas de suas narrações. Flávio Araújo narra uma luta de Éder Jofre contra Danny Kid, no ginásio do Ibirapuera. O ano é 1959.

Em 1982, a Gazeta, então comandada por Flávio Araújo, se associou com a antiga Rádio Clube Paranaense, liderada por Lombardi Jr, para a cobertura da Copa da Espanha. Essa dobradinha fez muito sucesso na época.

Em 30 de Março de 1980, Nelson Piquet conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. Narração de Flavio Araujo pela Bandeirantes.

Flávio foi um dos privilegiados que teve a oportunidade de narrar o milésimo gol de Pelé

Uma edição de seu “O Positivo e o Negativo”, na Rádio Cultura, de Poços de Caldas.

Flávio Araújo foi um dos entrevistados do Radioamantes no Ar, sempre apresentado pela web rádio Show Time.

Graças a uma colaboração de Celso Casemiro, do Memorial Hélio Ribeiro, recuperamos o trecho de um programa do apresentador veiculado em 1976, as vésperas do GP de Monza de Fórmula 1, que seria disputado em 12 de setembro daquele ano. Para lá, a Rádio Bandeirantes enviou o narrador Flávio Araújo, que iria transmitir a corrida ao lado do comentarista Edgard Mello Filho. Neste áudio, Flávio Araújo inicia fazendo seu boletim com informações acerca do clima em Monza. Logo em seguida Hélio começa a fazer perguntas sobre o calor, sobre o câmbio, diárias de hotel, as músicas que tocavam nas emissoras locais de rádio e do desempenho dos pilotos brasileiros da época: Émerson Fittipaldi e José Carlos Pace.

Ouça o compacto da transmissão de São Paulo x Portuguesa, de 1977, pela Rádio Bandeirantes.

Para encerrar, Flávio Araújo narra o gol de Pita, pelo Santos, na primeira partida da decisão do campeonato brasileiro de 1983.

flavioaraujo

Orlando Drummond começou sua carreira no rádio como contrarregra e radioator

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta terça (27) o ator Orlando Drummond aos 101 anos. Ele morreu em casa, mas desde maio a sua saúde inspirava cuidados. Ele foi internado em um hospital do Rio de Janeiro devido a uma infecção urinária, ficando na unidade semi intensiva. Recebeu alta no mês de junho. Ainda não foram divulgadas informações sobre velório e enterro.

Conhecido por seu trabalho com dublador e como interprete do icônico Seu Peru, da Escolinha do Professor Raimundo, Orlando Drummond começou sua carreira no rádio, como contrarregra, na Rádio Tupi, em 1942. Por influência de Paulo Gracindo passou a ser radioator a partir de 1946, interpretando personagens de sucesso na época como  Lúcio, o Granfino, Enxolino Sacoso, Takananuka, um japonês e o Taco, um índio que fazia dupla com Pataco, interpretado por Otávio França. Ambos eram conhecidos pelo bordão “Pezinho pra frente, pezinho pra trás”. Eles foram revividos anos depois no extinto Zorra Total, da TV Globo. Nessa nova versão, Paulo Silvino deu vida a Pataco.

Muito provavelmente não devam existir registros de Orlando Drummond no rádio. Vamos relembrar Tato e Pataco no Zorra Total.