José Camargo Jr. é responsável pelo domínio A Rádio Rock

Por Rodney Brocanelli

Como informado no post abaixo (clique aqui para quem chegou via Google), a 89 FM veiculou entre 10h e 14h deste sábado uma programação diferente. Comandada por Tatola, a atração rolou sucessos do rock, muitos deles veiculados durante a fase em que a emissora se dedicava ao estilo, além de depoimentos de ex-profissionais, como Juan Pastor. Tudo teve uma cara de ação comercial para promover o site A Rádio Rock, que já está em pleno funcionamento.

A grande dúvida era saber os motivos que levaram a 89 FM a dedicar um bom espaço de sua programação para esse site,  em um horário que pode ser considerado como nobre. Uma rápida pequisa no site Registro.br traz a resposta: José Camargo Jr. aparece como seu responsável. O domínio foi criado em agosto de 2007. A alteração mais recente aconteceu no dia 22 de outubro de 2012.

Se as notícias que vem do mercado se confirmarem, a 89 FM terá um novo destino a partir do dia 31 de outubro. E  José Camargo Jr., não irá abandonar o meio. Digamos que ele apenas vai mudar de plataforma…

89 FM tem maratona com Tatola e anuncia volta da Rádio Rock na web

Por Anderson Diniz Bernardo, do Mídia Clipping

A 89 FM (89,1 MHz – São Paulo) voltou a ser “A Rádio Rock”. Pelo menos provisoriamente.

Desde as 10h deste sábado (27), a programação está no ar com locução do Tatola e idfentificada como “A Rádio Rock”.

A informação foi publicada ontem pela página do programa “Quem não faz toma” no Facebook: “O Tatola estará no ar das 10 às 14 e das 19 às 21 horas, no sábado e no domingo, tocando as bandas mais legais do planeta”.

A ação divulga a “volta” da Rádio Rock como webrádio, no endereço http://www.radiorock.com.br, que já está no ar, mas com programação musical diferente da executada pela 89 FM.

A programação “Rádio Rock” com Tatola pode ser ouvida no http://www.89fm.com.br.

Na última quinta-feita, o Tudo Rádio havia publicado que, apesar das demissões, “a equipe que está atuando hoje pela 89 FM trabalha sem prazo de encerramento das atividades”.

Ouça os primeiros minutos da transmissão do Tatola neste sábado na 89 FM

Leia mais:

José Camargo Jr. é responsável pelo domínio A Rádio Rock

https://radioamantes.wordpress.com/2012/10/27/jose-camargo-jr-e-responsavel-pelo-dominio-a-radio-rock/

O site da Rádio Rock pode ser acessado clicando neste link http://www.radiorock.com.br/

Fim da 89 FM mostra que (alguns) donos de rádio querem ter lucro sem fazer investimentos

Por Rodney Brocanelli

Uma grande ironia marcou o anúncio do fim das atividades da 89 FM: ela aconteceu em plena semana do rádio. Espera-se que o comunicado oficial prometido para a próxima semana possa esclarecer qual era a real situação da emissora. Apesar dos divulgados mais de 100 mil ouvintes por minuto, não se tem conhecimento da real situação comercial da estação. Até há bem pouco, havia a parceria com a Nestlê, que fez a emissora virar “customizada”, com a adoção do nome 89 Fast. Não se sabe até que ponto o fim do contrato abalou seu faturamento. Conutdo, não haviam notícias sobre dificuldades financeiras no Grupo Camargo de Comunicação. E esse tipo de informação corre pelo mercado,como atleta que disputa a São Silvestre ou a maratona dos Jogos Olímpicos.

Tudo indica que a tal Rede do Bem FM irá assumir a frequência em caráter de arrendamento. Pelo o que se vê, os donos da concessão, no caso a família Camargo, quer, sim, o lucro. Mas sem ter qualquer tipo de investimento (ou despesa, dependendo do ponto de vista).  Desse jeito, até eu viro dono de rádio….

 

 

Santo dial

Por Marcos Lauro

Hoje demos a notícia do fim da 89 FM de São Paulo. Informações ainda não confirmadas dão conta de que uma rede gospel de rádios ocupará os 89,1 Mhz da capital a partir de dezembro.

Independente de isso ser concretizado ou não, acho que vale uma reflexão sobre as rádios voltadas à religião, que preenchem o dial paulistano.

Eu não tenho nada conta rádios evangélicas, católicas ou espíritas, desde que sejam profissionais. Tenho amigos que trabalham em rádios deste tipo, com condições que muita rádio comercial não tem.

Mas acho que devia haver algum meio de limitar o número e o alcance dessas rádios. Um exemplo: se a rádio tiver mais de 60% da sua programação voltadas a assuntos religiosos, limita-se a sua potência para que a mesma freqüência possa ser ocupada por outras rádios em outras regiões da cidade.

Ou então a ANATEL poderia definir alguns canais fixos para serem ocupados por rádios temáticas deste tipo. Assim, já seria notório que determinadas frequências seriam voltadas para esses temas e não haveria essa “invasão” a rádios comerciais.

Claro que essas e outras sugestões dependem de dois personagens: ANATEL e donos de concessão pública.

Na ANATEL, deveríamos ter uma reforma profunda no sistema de concessões e na fiscalização, tanto dos concessionários quanto dos piratas, que ainda são um dos grandes problemas especialmente nas periferias. Se reclamamos das rádios religiosas autorizadas, o que dizer das clandestinas? Faça o seguinte experimento: vá para qualquer bairro da periferia de São Paulo, coloque o seu rádio no modo scan (que percorre o dial parando nas frequências em que há sinal) e conte em quantas emissoras religiosas o seu rádio para. Depois compare a quantidade das piratas com a das legalizadas.

Já os donos de concessões deveriam ter mais responsabilidade. Claro que o rádio é um negócio como qualquer outro e ninguém vai entrar no ramo para tomar prejuízo. Você, leitor, não faria isso. Eu não faria isso. Mas os donos das emissoras deveriam ter compromissos assumidos junto à ANATEL, com punições duras em caso de descumprimento. O rádio é um serviço público e descontinuar uma emissora sem profundos argumentos deveria ser, no mínimo, motivo para perda da concessão. E a freqüência seria redistribuída para outros interessados, que participariam de uma concorrência pública e clara. Assim, seria possível um rodízio maior entre os barões da radiodifusão, alguns hoje com sete ou oito frequências no dial.

A queda da 89 FM é só conseqüência de algo que já vem acontecendo há um longo tempo. No coronelismo do nosso dial há gente que não se interessa por rádio, só pelo negócio. E um pouquinho de paixão pelo rádio e boa vontade já salvaria muita emissora boa que se foi.

89 FM deixa o dial de São Paulo

Por Marcos Lauro

Em menos de um ano, três emissoras da capital deixaram o dial paulistano.

Em janeiro, a rede Oi. Em março, a Mit FM.

E em novembro será a vez da 89 FM.

A notícia foi publicada há pouco pelo site Tudorádio e fontes da emissora confirmaram para o Radiomantes. Até o fim do dia deve ocorrer uma reunião na 89 para oficializar a decisão.

Assim que tivermos mais informações, vamos atualizar este post.

Leia mais:

O livro (ainda inédito) sobre a 89 FM –

https://radioamantes.wordpress.com/2010/12/23/o-livro-anda-inedito-sobre-a-89-fm/

(post que fala sobre o livro escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre sobre a emissora, previsto para ser lançado eu seu vigésimo aniverário, mas que depois do abandono da fase “Rádio Rock” nunca foi lançado).

Relembre a 89 FM no ano de 1987

por Rodney Brocanelli

 

Em 1987, o rádio era feito com casseteira e fita de rolo. No vídeo abaixo, veja só como era a 89 FM daquela época, ainda em sua fase “rádio rock”. De quebra, dá para acompanhar entrevistas curtas com Éverson Candido (que mostra o estúdio e os equipamentos), Guilherme Maciel e Selma Boiron.

Dá para fazer um rápido “que fim levou?” Selma Boiron curte hoje em dia a modernidade dos estúdios da Oi FM, no Rio de Janeiro. Éverson se mudou para Goiânia e trabalha como produtor e programador da Executiva FM. E o U2 Cover, sensação do início da década de 90, continua na ativa. Do Guilherme, não temos notícias profissionais, mas ele tem um perfil no Facebook.

E por falar em 89 FM, leia aqui sobre o livro inédito escrito pelo jornalista Ricardo Alexandre, contando um pouco de sua história.

O livro (anda inédito) sobre a 89 FM

Por Rodney Brocanelli

O camarada Ricardo Alexandre, atual diretor de redação da revista Época São Paulo, já publicou o seu segundo livro (Nem Vem Que Não Tem – A Vida e o Veneno de Wilson Simonal)  e até ganhou o prêmio Jabuti de melhor biografia com ele. Contudo, aquele que ele escreveu sobre a rádio 89 FM permanece inédito até hoje. A não ser que a alta direção da emissora mude de ideia,  dificilmente  a obra será publicada. No ano de 2007  (entre os meses de março e abril), consegui uma cópia em versão word com o autor. A partir deste material, fiz uma resenha que publiquei no site Laboratório Pop e no outro blog. Acho que o texto (que segue abaixo) ainda é inédito para muita gente. Vale como “especial de fim de ano” do Radioamantes.

Em 2005, a alta direção da 89FM encomendou ao jornalista Ricardo Alexandre um livro que contasse sua trajetória desde que passou a investir no rock n’roll. Ele faria parte das comemorações de seu vigésimo aniversário. Por uma série de fatores, seu lançamento não aconteceu no período previsto. E a emissora nem esperou o vigésimo primeiro aniversário para torná-lo público. 2006 marcou o início de uma profunda reformulação, fazendo com que a 89 FM deixasse definitivamente de ser “a rádio rock” para disputar de forma mais agressiva a audiência do público jovem em geral, adicionando ao seu play-list pitadas de R&B, dance music e rap. Não há previsão para uma publicação imediata do livro.

Ricardo Alexandre é autor de “Dias de Luta” (2002), um livro-reportagem bastante elogiado que detalha a história da geração de bandas do rock nacional que surgiu (e explodiu) na década de 1980. A 89 FM ocupa aproximadamente três páginas dele. Ricardo resume em quais circunstâncias ela apareceu no cenário radiofônico e fala de bandas que lançou, como o Violeta de Outono, com direito a depoimento de Fabio Golfetti.

O tom crítico de “Dias de Luta”, obviamente, não aparece neste livro sobre a 89 FM. Em compensação, Ricardo procura acentuar mais a angústia vivida por sucessões de coordenadores e diretores artísticos para encontrar um meio termo entre o sucesso artístico e o sucesso comercial. Decisão acertada, pois dessa forma o texto não fica tão chapa-branca. Outro ponto a favor caso a obra seja publicada algum dia: o texto é acessível tanto aos profissionais do mercado radiofônico, como aos ouvintes fiéis que não abandonaram a emissora nesses quase 20 anos de “rádio rock”.

Um dado curioso é que a espinha dorsal da narrativa se concentra nas figuras dos coordenadores ou diretores artísticos que lá passaram em todo esse tempo. À primeira vista, pode parecer estranho, mas ao longo do texto, talvez sem querer, Ricardo mostra que existiu espaço para um certo “rádio de autor”, ainda que dentro da citada angústia de tornar a rádio atraente do ponto de vista comercial. Cada um dos profissionais pôde fazer a rádio que tinham em mente, de acordo com seus respectivos perfis, e ajudados pela conjuntura musical do período. Fabio Massari, por exemplo, levou a 89 FM para uma linha mais alternativa, aproveitando o aparecimento do grunge. Por sua vez, Luiz Augusto Alper teve de fazer uma rádio mais comercial, até por causa do esgotamento do mesmo grunge.

Ainda sobre os manda-chuvas da rádio, Luiz Fernando Magliocca ganha um olhar mais simpático talvez por ter criado o conceito de “anti-rádio” que marcou o início de suas transmissões. Porém, ao falar desse personagem, o texto derrapa. A forma como Magliocca conduziu essa transição está bem contada. No entanto, não se avança em nada naquilo que está registrado no próprio “Dias de Luta” e em entrevistas que ele próprio concedeu a sites especializados em rádio.

O livro sobre a 89 FM tem espaço para pequenas histórias, algumas divertidas, outras nem tanto, que ajudam a ilustrar o dia-a-dia da rádio. Uma delas no entanto, caberia muito bem em “Dias de Luta”. Em 1994, uma entrevista de Paulo Ricardo ao apresentador Tatola quase termina em briga corporal. Nessa época, ele estava em mais uma de suas tentativas de tirar do limbo o RPM. A banda iria abrir na ocaisão para o INXS e trabalhava na divulgação da música “Pérola”. Segundo o relato de Fábio Massari, o cantor chegou aos estúdios dando a impressão de que iria aprontar algo. Durante a entrevista, Paulo Ricardo se desentendeu com Tatola no momento em que falavam sobre a possível receptividade desse retorno do RPM em outros centros. O apresentador iria usar o Ceará como exemplo e foi interrompido, acusado de preconceito. O nível de tensão subiu até que Paulo Ricardo teve de deixar o estúdio, amparado por Massari. Esse desentendimento ganha uma outra leitura se lembrarmos que Tatola veio de uma da banda punk chamada Não Religião, na qual era vocalista. Seria mais um round da eterna disputa entre o underground e o mainstream (ou pelo menos de quem já fez parte do mainstream).

Outra boa história contada com detalhes é a famosa e bem-sucedida pegadinha ocorrida no primeiro de abril de 2003. A mídia do Brasil não tem muita tradição de pregar peças em seu público, fato comum na Europa. Nesse dia específico, o rock na 89 FM deu lugar a músicas de artistas como Earth, Wind & Fire, KC & The Sunshine Band, Frenéticas, Abba, entre outros. A reação dos ouvintes foi imediata: telefones congestionados, servidores de e-mails abarrotados de mensagens. Somente às 6 da tarde é que ocorreu a revelação: tudo não passou de uma brincadeira típica da data. Alexandre Hovoruski, o coordenador artístico da época conta que quase desistiu de tudo antes de colocar a idéia em prática. A artmanha até que teve um efeito positivo, e a rádio foi citada em outros veículos de comunicação.

Os 20 anos da 89 FM marcam o final do texto. Ricardo fala de uma reflexão interna sobre o papel da emissora (e sua possível importância) no futuro. Mas o apêndice, todos sabem. Parte da equipe foi demitida em 2006 a partir da contratação de um novo diretor artísitco, Vaguinho, que comandou a Metropolitana FM por muitos anos. O rock teve seu espaço diminuído e a programação musical passou a ser mais abrangente, tocando a atual black music e o R&B.

No livro, Neneto Camargo, um dos proprietários da rádio, falando sobre a época da Pool FM (a antecessora da 89 FM na freqüência), diz que o mercado ainda não estava preparado para absorver a música negra em todas suas manifestações. Se repararmos na 89 FM hoje, dá para dizer que ela é aquilo que a Pool FM tentou ser nos anos 80, guardadas as devidas proporções. A Pool FM, talvez sem querer, foi vingada.

Vinheta de abertura do programa Noise – 89 FM

Por Marcos Lauro

Quem ouvia a 89 FM – A Rádio Rock na década de 90, com certeza se lembra do programa Noise. Mesmo quem não era tão ligado nos sons extremos do heavy metal se sentia atraído pela apresentação de José Mojica Marins, na pele de seu personagem mais famoso: o Zé do Caixão.

No player abaixo, a vinheta de abertura:

Lembro que o programa foi apresentado também por Pepe Gonzales, personagem de Juan Pastor (hoje produtor do Pânico na TV e da Jovem Pan FM). Ia pro ar nas noites de domingo.

E você, se lembra de qual programa da extinta, finada e enterrada 89 FM – A Rádio Rock?