APCA divulga os vencedores da categoria rádio de 2024

O júri de Rádio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes – definiu nesta segunda-feira, dia 20 de janeiro, os vencedores de 2024.

A entrega dos troféus ainda não tem data definida, mas deve acontecer em abril, no Teatro Sérgio Cardoso.

A definição dos melhores se deu em assembleia geral realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Saiba quem venceu na categoria Rádio, de acordo com júri formado por Fausto Silva Neto, Marcelo Abud, Maria Fernanda Teixeira e Magaly Prado.

Grande Prêmio da Crítica:

Cobertura do Grupo Bandeirantes de Rádio na abertura das Olimpíadas 2024 (https://www.youtube.com/live/k_ssj4ZjG6U?feature=shared)

Com recursos visuais e tecnológicos de apelo cinematográfico, a abertura das Olimpíadas em Paris chamaram a atenção por imagens inesquecíveis. Mas como transferir uma cobertura assim no rádio? A resposta é simples: utilizando o que o meio de comunicação tem de melhor: a imaginação.

Foi assim que, sob o comando de Elia Júnior e Sônia Blota, ao vivo, diretamente dos cenários em Paris, a descrição detalhada dos fatos aliada a um som da mais alta qualidade, o Grupo Bandeirantes de Rádio (por meio das emissoras Bandeirantes e BandNews) transportou quem ouviu a abertura das Olimpíadas para cada momento da cerimônia.

Destaque do Ano:

Clube do Livro Eldorado, com Roberta Martinelli – Eldorado FM

“Clube do Livro Eldorado” é produzido e apresentado por Roberta Martinelli, às quintas, 21h. A série teve sua segunda temporada em 2024, com um total de 24 programas – duas temporadas de 12 episódios. Além de veiculados pela emissora, estão disponíveis também nas plataformas de podcast.

Com repercussão entre autores e leitores, recebe convidados importantes e está presente em eventos importantes do universo da literatura, com transmissões em externa, por exemplo, na Flip e na Feira do Livro, do Pacaembu.

Merece destaque por ter realizado a proeza de levar a literatura para o rádio de um jeito pop, acessível e revelar o compromisso da Eldorado com a cultura.

Podcast:

Rádio Novelo (www.radionovelo.com.br)

Em 2020, a produtora Rádio Novelo fez parte do crescimento de podcasts narrativos no país e obteve destaque com Praia dos Ossos, que ultrapassou os 5 milhões de downloads em três anos e fez com que o debate em torno do argumento de “legítima defesa da honra”, utilizado no caso do assassinato de Leila Diniz (foco da série em áudio) para inocentar Doca Street, fosse considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2023. A tese foi tida como uma afronta à Dignidade da pessoa humana, Proteção à vida e Igualdade de gênero. Em 2024, o podcast Praia dos Ossos foi exibido novamente, desta vez pela Rádio Nacional, às segundas, na faixa das 23h.

A partir dessa produção, a Rádio Novelo já é responsável por mais de 30 produções jornalísticas.

Em 2022, vieram outros três projetos originais: Crime e Castigo, sobre o que é justiça no Brasil, Tempo Quente, que mostra quem está ganhando com a crise climática, e Rádio Novelo Apresenta, podcast semanal narrativo da produtora que permanece ativo. Também em 2022, a Rádio Novelo produziu o Projeto Querino, que traz um olhar afrocentrado sobre a história do Brasil. Em 2024, mais um podcast original: o Fio da Meada, programa semanal de entrevistas conduzido por Branca Vianna.

A produtora é também responsável por produções para Globoplay e Revista Piauí, entre outras empresas de streaming e jornalismo.

Produção:

Alexandre Ingrevallo, pelo programa Estúdio 77 da Rádio Cultura Brasil (https://cultura.uol.com.br/radio/programas/estudio-77/)

Produzido e apresentado por Alexandre Ingrevallo, o programa destaca a boa música brasileira, efemérides, entrevistas, quadros especiais, o universo da tecnologia, informação e agenda cultural.

Ingrevallo é responsável também pela programação musical do programa, além do roteiro e de interação com o público, que participa solicitando músicas pelo whatsapp e da 7List, por meio do Instagram da emissora.

Segunda a sexta, das 14h às 17h. Sábados e domingos, 15h.

Programa Musical:

“Backstage”, com Vitão Bonesso- Kiss FM

(https://www.programabackstage.com/)  

No ar todos os domingos, às 10 da noite, “Backstage” tem produção e apresentação de Vitão Bonesso e está no ar desde 1988. O programa já passou por outras emissoras que foram referência em rock: 97FM e Brasil 2000 FM. Atualmente é veiculado pela Kiss FM. Considerado um dos programas de rádio do gênero mais longevos das Américas, o “Backstage” tem mais de 34 anos de no ar, com mais de 1800 edições, atuando no segmento “Heavy Rock”.

Além de clássicos do movimento, traz muitos lançamentos e mantém quem ouve por dentro da cena musical.

Programa Cultural:

Cultura na USP, com Elcio Silva – USP FM

(https://jornal.usp.br/radio-usp/sinopses/cultura-na-usp/)

Cultura na USP traz todas as semanas para os ouvintes o melhor da cultura que a USP oferece para toda a população. Dicas de programação de cinema, teatro, música, exposições, cursos e muito mais, além de entrevistas e curiosidades que revelam um pouco dos bastidores e dos processos de realização dos eventos são alguns dos conteúdos veiculados pelo programa.

Apresentação: Elcio Silva

Produção: Elcio Silva e Fabio Rubira

E-mail: ouvinte@usp.br / culturanausp@usp.br

Horário: toda quinta-feira às 14h

Duração: 1 hora

Programa de Variedades:

Revista CBN, com Petria Chaves – CBN

(https://cbn.globo.com/podcasts/revista-cbn/)

Aos sábados e domingos, das 12 às 15h, Petria Chaves comanda o Revista CBN. Além de apresentar a discussão dos principais temas da semana que passou e o que vai estar em debate na semana seguinte, a revista radiofônica conta com dezenas de colaborações que visam o bem-estar e reflexões mais profundas sobre a existência humana. Entre as participações estão as de a Rossandro Klinjey, no quadro Divã de Todos Nós, e Cau Saad, com o Treino de Domingo. Tem ainda Silvio Meira, que disseca os avanços no mundo digital e destaque para Janaína Barros, que, além de produtora, conduz a coluna Páginas da Infância, sobre literatura infantil.

Vídeo: pautas positivas tentam trazer de volta anunciantes ao rádio

Volta e meia é possível encontrar em sites e redes sociais informações que falam sobre o alcance do rádio junto ao público. Essa e outras pautas positivas tem como finalidade trazer de volta o anunciante que migrou para Internet. Rodney Brocanelli fala sobre o assunto, citando declarações de Nando Gross e José Silvério, que sabem muito sobre o veículo. E ainda, uma triste constatação: a migração do AM para o FM virou uma esculhambação (alô Wanderley Nogueira). Veja abaixo.

Equipamentos de som,radio antigo,Rádio

Para pensar na cama, como diria o saudoso Joelmir…

Por Rodney Brocanelli

Uma reflexão em vídeo sobre a relação da grande mídia (jornais e portais) com o meio rádio. Veja abaixo.

Presidente da Liga Forte União é contra a cobrança de direitos e reconhece importância do rádio na divulgação do futebol

Por Rodney Brocanelli (colaborou Edu Cesar)

Em entrevista ao programa Concentração, da Rádio Bandeirantes, Marcelo Paz, que é CEO do Fortaleza e presidente da Liga Forte União, que é uma das mais importantes associações de clubes de futebol no Brasil (a outra é a Libra), posicionou-se de forma contrária à cobrança de direitos das emissoras de rádio para transmitir os jogos. Além disso, ele reconheceu a importância história do veículo na divulgação do esporte no país.

“À princípio, não sou a favor da cobrança. Eu acho que a rádio tem um contexto histórico. A rádio (sic) difundiu o futebol por muito tempo, quando não havia tevê, então era a rádio que chegava na casa das pessoas” afirmou.

O cartola lembrou que foi o rádio que transmitiu as participações importantes de seu clube em duas edições de campeonato brasileiros, quando foi vice-campeão, em 1960 e 1968 (já considerada a unificação dos títulos). “O público daqui só acompanhou isso pela rádio, não tinha televisão. Então tem uma dívida histórica, digamos assim, e eu não acho que tenha sim que chegar agora e obrigar (a cobrança)”, falou.

Paz reconheceu que muitas emissoras não teriam condições de pagar para transmitir os jogos. Caso houvesse essa cobrança, o dirigente reconhece que teria de haver uma contrapartida, como a transmissão de jogos exclusivos, espaço para os profissionais de rádio poderem trabalhar no gramado, entre outras coisas.

“Essa discussão nem está em pauta dentro da LFU, os clubes nem falam sobre isso”. falou.

O que incomoda ao cartola é que existem alguns programas de rádio e radialistas que, segundo ele, achacam os dirigentes, cobram para falar bem ou até mesmo para divulgar informações. “É aí onde o dirigente fica chateado”, disse.

Alexandre Praetzel e João Paulo Capellanes, apresentadores do programa, perguntaram se tal coisa não acontece em programas de televisão, entretanto, Marcelo Paz declarou não conhecer casos assim. Para Capellanes, o clube tem direito de banir do dia-a-dia dos clubes profissionais que se comportam mal, espalhando fake news ou descendo o nível.

Volta e meia, surge na mídia informações dando conta de que as emissoras de rádio vão ter que desembolsar valores para a transmissão de partidas de futebol no âmbito doméstico. No último dia 4 de novembro, Flávio Ricco publicou em sua coluna no portal Léo Dias que CBF e federações locais estão buscando de normatizar a presença das emissoras nos estádios de futebol e que essa questão passa necessariamente pela cobrança (leia mais aqui).

Ouça abaixo o trecho da entrevista com Marcelo Paz.

Anotações sobre a cobertura dos Jogos Olímpicos pelo rádio

Por Rodney Brocanelli (*)

De todas as emissoras de rádio que transmitiram os Jogos Olímpicos de Paris, a que mais se destacou foi a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. Tal como já havia feito em outras competições, a emissora investiu na reportagem, colocando seus profissionais nas arenas e estádios não só onde estavam os atletas brasileiros.

Essa estratégia de cobertura gerou grandes momentos. Um deles foi a entrevista com Novak Djokovic. Ao ver a bandeira do Brasil no uniforme usado pelo repórter Rodrigo Oliveira, o tenista mandou um abraço para a “galera” brasileira e ainda citou Guga Kuerten.

Outro momento, também protagonizado por Oliveira foi na entrevista com Augusto Akio, medalha de bronze no Skate Park. Assim que soube que o jornalista era gaúcho, o atleta lhe deu um abraço e fez uma declaração emocionada de solidariedade ao povo do Rio Grande do Sul: “Força, Rio Grande do Sul. Força mesmo. De verdade”.

Essa prioridade na reportagem fez com na final individual da ginástica artística, dois repórteres fossem escalados. Alice Bastos Neves e o já citado Oliveira ficaram em posições diferentes da zona mista. Alice “pressionou a saída de bola”, Rodrigo “ficou de líbero”, conforme a definição feita por ele na transmissão.

A cobertura ostensiva da Gaúcha não significou a derrubada de sua programação normal. Um exemplo: a semifinal do tênis de mesa, que teve a participação de Hugo Calderano, aconteceu bem no horário do Timeline Gaúcha. Com isso, os apresentadores Kelly Matos, Luciano Potter e Paulo Germano entraram para valer na transmissão, que contou com o quase onipresente Rodrigo Oliveira diretamente do local da disputa.

Outro exemplo aconteceu no Super Sábado, que mesclou cobertura do dia olímpico (foi justamente no sábado a fala já citada de Djokovic) , entrevistas e músicas ao vivo. Uma misturinha bem boa.

Sei que o destaque para Gaúcha vai ficar grande (entretanto ela merece), mas outro ponto positivo de suas transmissões foi a participação de Adriana Alves, coordenadora técnica da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica), explicando didaticamente todos os movimentos de Rebeca Andrade, Simone Biles e das outras ginastas.

Outras emissoras também não abriram mão de sua programação normal. A Bandeirantes manteve toda sua grade, em especial a do período matutino. Quando havia alguma competição importante, era acionada a Central Olímpica, com os narradores Pedro Ramiro e Pedro Martelli, e o comentarista poliesportivo Marcelo Romano (uma grata surpresa).

Para este radiomante, foi difícil achar a cobertura da Transamérica. Na grande final dos 400m da natação masculina, com Guilherme “Cachorrão” Costa, em um sábado, a expectativa era ouvir Álvaro José. Entretanto, bem naquele momento, a emissora estava com a sua programação musical normal. A emissora, pelo jeito, priorizou os esportes coletivos e o foco não esteve apenas nas participações brasileiras. Na manhã deste domingo, houve a transmissão da final do vôlei feminino, envolvendo Itália x EUA, com a narração de Thomaz Rafael e comentários de William Carvalho, ex-jogador, medalhista olímpico e atual técnico.

Mal chegou à CBN e o narrador Rodrigo Bitar já participou de uma cobertura de fôlego. Ele narrou os principais jogos da seleção brasileira feminina até a grande final. Com Leonardo Dahi, ele fez duas finais seguidas, uma da ginástica e a do judô por equipes, além de outras participações importantes. A final do judô teve uma curiosidade bem legal: Bruno Faria, repórter da equipe esportiva de São Paulo, atuou como comentarista não por acaso. Ele praticou a modalidade, sendo federado por nove anos. Ou seja, procurando bem, dá para achar especialista jornalista.

Ainda sobre a CBN, importante notar que, ao contrário do que aconteceu em Tóquio 2021, a Globo Rio não participou desta cobertura.

Mario Henrique Caixa, da Itatiaia, talvez seja um dos poucos narradores titulares que não fica limitado apenas ao futebol, ou melhor apenas ao Atlético-MG. De Paris, ele narrou as partidas de vôlei masculino e feminino, além de fazer a grande final do futebol feminino.

Marcelo do Ó, da Band News FM, foi outro titular que fez outras modalidades. No entanto, seu perfil é muito mais poliesportivo (e com grande competência). Éder Luiz, na Transamérica, fez Brasil x EUA pelo futebol feminino e ainda teve gogó para narrar os instantes finais de Brasil x Turquia pelo vôlei feminino.

Como já escrito em outras ocasiões, uma pena que uma cobertura como essa não deixa legado. Certamente, não voltaremos a ter uma transmissão de tênis de mesa na Rádio Bandeirantes. As emissoras seguirão priorizando o futebol em seu cardápio, como em outras vezes.

Em comparação aos jogos de Tóquio, em 2021, tivemos mais rádios transmitindo os eventos de Paris 2024. Há três anos, apenas Gaúcha e Globo/CBN tiveram os direitos de transmissão. Naquela época, vivamos ainda sob a sombra da Covid-19, em termos sanitários e econômicos. Bom ouvir o Grupo Bandeirantes de volta, assim como Itatiaia e Transamérica.

Los Angeles é logo ali. Baseado no que aconteceu em 1984, o fuso horário poderá ajudar a uma cobertura mais extensiva do rádio por que os eventos principais acontecerão no período noturno. O único fator que poderá atrapalhar é o futebol doméstico. A inauguração está prevista para o dia 14 de julho de 2028. Começou a contagem regressiva!

(*) este post não seria possível sem o auxílio luxuoso de Edu Cesar, do Papo de Bola

2024.08.05 – Jogos Olímpicos Paris 2024 – Ginastica artistica – A ginasta brasileira Rebeca Andrade conquista a medalha de ouro na final do solo. Foto: Alexandre Loureiro/COB.

Os 10 anos do 7 a 1

Por Rodney Brocanelli

Nem é preciso escrever muita coisa. A goleada sofrida pelo Brasil, em casa, para a Alemanha, pelo placar de 7 a 1 completa 10 anos. E pelo jeito as lições não foram aprendidas (É um 7 a 1 todo dia, desde 2014). Ouça as principais narrações de rádio que estão disponíveis na Internet

Narração de José Silvério, pela Rádio Bandeirantes

Narração de Nilson Cesar, pela Rádio Jovem Pan

Narração de Oscar Ulisses, pela Rádio Globo (SP)

Narração de Luiz Penido, pela Rádio Globo (RJ)

Narração de Pedro Ernesto Denardin, pela Rádio Gaúcha

Narração de José Carlos Araújo, pela Rádio Transamérica (RJ)

Narração de Deva Pascovicci, pela CBN

Narração de Irismar França, pela Rádio Verdes Mares

Narração de Aroldo Costa, da Rádio Jornal

Éder Luiz narra o gol de Schürrle, pela Rede Transamérica

Raridade: Ira! ao vivo na Brasil 2000 em 1998

Por Marcos Lauro

Eu tinha essa mania de gravar programação de rádios, principalmente esses programas especiais. Coisas que iam ao ar uma vez e você não sabia se ia ter reprise – ainda mais nos anos 1990, quando a internet ainda engatinhava comercialmente no Brasil, a gente nem pensava nessa opção “depois eu ouço no site”. Nâo tinha. Perdeu, já era.

Acabou que nesse processo constante de mudança de mídias, não consegui digitalizar muitas das fitas que gravei de rádios. Nessa semana, fui mexer na pastinha com alguns desses mp3 e me deparei com uma raridade: uma apresentação ao vivo da banda Ira! na rádio Brasil 2000 em 1998, no programa Brasileiros e Brasileiras – que como o nome entrega, era dedicado ao rock nacional em todas as suas vertentes. Me falha a memória se todas as edições eram ao vivo com banda no estúdio, mas essa é. Ira! em sua formação clássica (Nasi, Scandurra, Gaspa e Jung) numa época em que a banda estava próxima das experimentações eletrônicas, como entrega a primeira música da primeira parte, “Às Vezes, De Vem em Quando”:

Sim, tem chiado – a rádio Brasil 2000 não pegava exatamente bem na Santa Cecília, onde eu morava na época. Quando chovia, piorava – quando não caía de vez. E o programa era bem direto mesmo, praticamente sem vinhetas entre as músicas, sem locutor “levantando a galera”, nada. Apenas a banda no estúdio. E eu em casa.

Essa foi uma época musicalmente controversa para o Ira! por conta dessas experimentações eletrônicas, que não eram bem aceitas por parte dos fãs. Numa apresentação no programa Bem Brasil, facilmente encontrável no YouTube, parte da platéia se vira de costas para o palco enquando o grupo toca uma das faixas desse álbum, o Você Não Sabe Quem Eu Sou. Durante a música “Justiça Militar, Justiça Civil (Liquidação de Verão)”, a mais tecno do disco, dá pra ouvir o guitarrista Scandurra gritando ao microfone a frase “OPEN YOUR MINDS” (“Abram suas mentes”). Nem todos abriram.

Na segunda parte da nossa raridade, vem um Ira! mais roqueiro:

O setlist completo das duas partes da apresentação:

Ira! ao vivo no programa Brasileiros e Brasileiras
Rádio Brasil 2000 – 1998

Parte I

1 – As Vezes de vez em Quando
2 – Correnteza
3 – Tantas Nuvens
4 – Vou me Encontrar
5 – Miss Lexotan 6 mg Garota
6 – Eu Não Sei
7 – Nada Além

Parte II

1 – Me Perco Nesse Tempo
2 – Você Não Sabe Quem Eu Sou
3 – É Assim Que Me Querem
4 – Você Não Serve Pra Mim

APCA divulga os premiados da categoria rádio em 2023

O júri de Rádio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes – definiu nesta segunda-feira, dia 29 de janeiro, os vencedores de 2023, nas seguintes categorias: Arquitetura, Artes Visuais, Cinema, Dança, Literatura, Música Popular, Rádio, Teatro, Teatro Infanto-Juvenil e Televisão.

A definição dos melhores se deu em assembleia geral realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo.

Saiba quem se destacou na categoria Rádio:

1. Melhor Programação (rádio/radioweb)  

“Rádio Baruk FM” com Afrânio Wanderley

Além de craque na operação da mesa de som, manda muito bem no papo com os entrevistados. Este é Afrânio Wanderley, produtor, repórter, apresentador e idealizador da Rádio Baruk, especializada em artes e espetáculos.

­2. Programa de Rádio

“Noite Total” com Tânia Morales – Rádio CBN

O noticiário da noite, com entrevistas exclusivas e a apresentação de Tânia Morales, profissional de talento, voz vigorosa e perguntas inteligentes. Deixa quem participa das entrevistas à vontade. Realiza entrevistas variadas com generoso espaço para cultura e entretenimento.

3. Melhor Produção

Guilherme Cimatti – Rádio Bandeirantes

Durante 2023 destacou-se pela produção do Domingo Esportivo, com Milton Neves. É também produtor da edição do tradicional Jornal Gente e do Palmeirascast.

4. Melhor Sonoplastia (produção/produção sonora)

“Imagina Só” – Histórias para Crianças: Turma do Banhado

“Imagina Só” é um podcast que traz histórias em áudio com objetivo de tirar as crianças da frente das telas e criar um ambiente acolhedor para ser compartilhado entre elas e adultos, sobretudo na hora de dormir. As historinhas têm produção de alta qualidade, em estúdio, com vozes e efeitos sonoros que estimulam a imaginação, além de trilha sonora original.

5. Profissional de Rádio/Podcast

Walkíria Brit – Rádio Alpha

Voz marcante da noite de São Paulo, a comunicadora permaneceu por mais de 2 décadas na Alpha FM, emissora em que sua voz ficou conhecida pelo comando do tradicional Alpha By Night. Em dezembro de 2023 ela se despediu dos microfones da Alpha. A voz de Walkíria Brit foi ainda inspiração para a música Coreto, da cantora Céu.

6. Programação Musical/Cultural

“Diversas” com Fabiana Ferraz – Rádio Cultura Brasil

Se a música brasileira é diversa, as intérpretes também são. É com esse pensamento que Fabiana Ferraz criou o Diversas, programa que atualmente é levado ao ar pela Rádio Cultura Brasil. A atração semanal apresenta um panorama de artistas que fazem a cena dos mais diversos ritmos da música brasileira.

7. Cobertura Cultural

“Festival The Town”! na Rádio Mix FM

Cobertura do festival feita com estúdio montado diretamente do local dos shows. Entrevistas e trechos das apresentações foram destaque na emissora durante o período em que o The Town estreou no calendário de festivais de música em São Paulo.

Votaram:

Fábio Siqueira

Fausto Silva Neto

Marcelo Abud

Maria Fernanda Teixeira

Um vírus chamado descaso

Por Rodney Brocanelli

Na última segunda (16), o perfil Vozes do Gol no Facebook trouxe uma triste informação para quem gosta e acompanha a memória do rádio e do futebol. A Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, não tem mais os registros de áudio de suas transmissões esportivas devido a ação de um vírus de computador. Isso significa que todos os registros anteriores ao ano de 2007 não existem mais.

Na prática, não existe mais o áudio da Batalha dos Aflitos, a famosa e insólita partida disputada em 2005 entre Náutico e Grêmio que terminou com o acesso do tricolor à série A, narrada por Marcos Couto. Também foi para o beleléu a transmissão de Barcelona x Internacional, a grande final do Mundial Interclubes de 2006 que terminou com a vitória colorada e que teve a narração de Daniel Oliveira (ouça abaixo).

Para não dizer que não sobrou alguma coisa, existem pequenos trechos dessas duas jornadas esportivas, preservados graças a iniciativa pessoal de internautas anônimos.

Sabe-se que a preservação de registros em áudio é cara e trabalhosa. No passado, era complicado manter fitas de rolo e fitas cassete. Os arquivos digitais vieram para facilitar as coisas. A edição é um processo muito mais simples e o armazenamento também. Porém, os cuidados não podem ser deixados de lado. Computadores, HDs externos e até mesmo pen drives ainda são vulneráveis. As famosas “nuvens” servem como uma opção viável embora a capacidade de armazenamento a um preço que seja considerado um investimento tenha de ser negociada com as empresas que prestam esse serviço.

O perfil Vozes do Gol, mantido por Ciro Götz, não dá maiores detalhes sobre o que aconteceu. Mas podemos traduzir o acontecido na Bandeirantes, de Porto Alegre, com a frase que dá título a este post. Parte da memória do rádio de Porto Alegre (e do futebol também, por que não dizer?) foi vítima de um vírus chamado descaso.

Águia de Ouro divulga o samba em homenagem ao rádio para o Carnaval 2024

Por Marcos Lauro

Nesse último final de semana, a escola de samba Águia de Ouro divulgou o samba escolhido para representar a agremiação no Carnaval de 2024. A música “Águia de Ouro nas ondas do rádio” será cantada no Anhembi a plenos pulmões pelos intérpretes Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto.

Como já noticiado aqui no Radioamantes, a Águia de Ouro faz uma homenagem ao rádio e escolheu Eli Correia para personificar a radiocomunicação. O próprio Homem Sorriso do Rádio fez a apresentação do samba vencedor na festa realizada na quadra da escola.

Abaixo, a letra do samba. Logo no primeiro verso, a música lembra do Padre Landell de Moura, brasileiro inventor do rádio. Num dos refrães, o conhecido grito de guerra, “Oi, Gente!”, de Eli Correia, está presente:

O PADRE CRIADOR ABENÇOADOO
NA CIÊNCIA E NA FÉ, INJUSTIÇADO
O GUARANI, O VIOLINO ANUNCIOU
NO CENTENÁRIO QUE O BRADO RESSOOU
AO POVO ILETRADO, SABEDORIA E ESPERANÇA AO ESCUTAR

É GOL…É GOOL…É GOL…
A TORCIDA VAI DELIRAR (OLÊ OLÁ)
ERA… FEITA DE OURO, O NOSSO TESOURO
O DOM DE CANTAR (LALAIA)

PALAVRA, O SOM QUE TOCA A ALMA
UNINDO A NAÇÃO NUM SÓ LUGAR
A CRENÇA EM MARIA É SAGRADA
A NOSSA ORAÇÃO NOS SALVARÁ
CHOREI FEITO AMANTE APAIXONADO
DANCEI E VOCÊ FOI O MEU PAR
ÁGUIA DE OURO: A SUA ESTAÇÃO
LIGADA NO MEU CORAÇÃO
ESSE AMOR NÃO SE ACABOU
E NO FUTURO ASSIM SERÁ!!

ALÔ ALÔ! É HORA DE SINTONIZAR
O SHOW VAI COMEÇAR!
OIII GENTE… O “SORRISO DO RÁDIO” ESTÁ AÍ
VILA POMPÉIA VEM PRA SACUDIR!!!

Veja também o vídeo do momento do anúncio, registrado pelo site Carnavalesco:

A Águia de Ouro será a quinta escola a desfilar na segunda noite do grupo Especial do Carnaval Paulistano, no dia 10 de fevereiro.

Entenda a tramitação do processo que deu ganho de causa ao Athletico-PR para cobrar das rádios

Por Rodney Brocanelli

Desde que foi divulgada a notícia de que o Athletico-PR obteve uma vitória na Justiça do Parana em sua batalha para cobrar das rádios os direitos de transmissão de suas partidas como mandante, houve muita dúvida sobre como o clube conseguiu este feito.

No último sábado (31 de julho), o blog Radioamantes informou que esse processo é de 2008, portanto há pouco mais de 14 anos, e divulgando seu número 0001164-98.2008.8.16.0001/1.

O Radioamantes fez contato com a assessoria de imprensa da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) para procurar entender um pouco mais do trâmite deste processo.

A entidade confirma que ele foi protocolado na Justiça ainda em 2008.  “A sentença foi proferida em 2009 e o acordão do TJ-PR em 2010 (todos no sentido de reconhecer a ilegalidade da cobrança)”, diz a Abert.

Por sua vez, o Athletico-PR interpôs um recurso ao STJ, que foi apreciado apenas em 2021 (quase 13 anos depois).

“No entanto, STJ entendeu que o TJ-PR não analisou todos os argumentos constantes no recurso de Embargos de Declaração do CAP, motivo pelo qual determinou a devolução dos autos para nova análise do TJ-PR”, afirma a Abert.

Com isso, o processo acabou retornando para o Paraná em setembro de 2022 e foi apreciado pelo TJ-PR no dia 25 de julho de 2023.

“Foi nesse julgamento dos Embargos de Declaração (recurso cabível para analisar eventual omissão, contradição ou obscuridade de uma decisão), que o TJ-PR entendeu pela possibilidade da cobrança, mudando entendimento anterior do próprio tribunal, que já havia reconhecido a ilegalidade da cobrança em 2010”, esclarece.

O Radioamantes perguntou quais seriam os próximos passos da Abert na Justiça. Conforme já manifestado em nota oficial publicada no próprio sábado, ela vai recorrer aos tribunais superiores para “restabelecer a ordem jurídica e a correta aplicação da lei, além de suspender qualquer eventual cobrança”.

Para entender mais sobre o caso, clique aqui.

Entidade de cronistas esportivos marca posição após vitória do Athletico-PR no tribunal

A ACEB (Associação dos Cronistas Esportivos do Brasil) divulgou nota a respeito da vitória conquistada pelo Athletico-PR na Justiça do Paraná que permite ao clube a cobrança dos direitos de transmissão de seus jogos como mandante das emissoras de rádio. Leia abaixo:

O Tribunal de Justiça do Paraná, através da 7ª Câmara Cível, acolheu no último dia 25 o recurso do Club Athletico Paranaense, permitindo a cobrança das emissoras de rádio pela transmissão dos jogos do clube.

Trata-se de uma afronta à legislação brasileira, que prevê a aplicação de cobrança apenas em transmissões com captação de imagem.

A ACEPR (Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná) já se manifestou através de comunicado oficial, informando que pretende recorrer da decisão.

A ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) também se posicionou, formalizando que vai recorrer nos Tribunais Superiores.

A ACEB entende que o direito de acesso à informação deva ser preservado, uma vez que a plataforma leva entretenimento de forma gratuita e democrática à população. Aproveita, também, para declarar seu apoio às entidades e às emissoras de rádio de todo o país.

Confira na íntegra a nota da ABERT:
https://www.abert.org.br/web/notmenu/nota-de-esclarecimento.html

Veja o posicionamento da ACEPR:
https://www.instagram.com/p/CvSvwInuYDa/?igshid=MzRlODBiNWFlZA%3D%3D

Entenda o caso clicando no link abaixo:

Athletico-PR obtém vitória na guerra para impor a cobrança dos direitos de transmissão das emissoras de rádio

Por Rodney Brocanelli

O Athletico-PR, clube de futebol que disputa a série A do campeonato brasileiro, obteve uma importante vitória na guerra que trava contra as emissoras de rádio para impor a cobrança dos direitos de transmissão das suas partidas.

Na última terça (25), a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná acolheu um recurso do clube em um processo que vem desde 2008. Caso não ocorra qualquer alteração nos próximos dias, a cobrança poderá ser feita a partir de 15 de agosto, data em que o time paraense recebe em casa o Cuiabá. A rigor, a cobrança só deverá ser feita para jogos em que o Athlético-PR for o mandante.

Para quem quiser acompanhar o processo em todos os detalhes, seu número é 0001164-98.2008.8.16.0001/1 e foi movido pela Aerp (Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado do Paraná) e Abert (Associação Brasileiras das Emissoras de Rádio e Televisão) em maio de 2008, pouco tempo depois em que o clube de futebol manifestou seu desejo de faturar em cima das rádios pela primeira vez. (saiba mais clicando nos três links abaixo e ainda nas imagens abaixo).

https://t.co/ljY9DgrQSf

https://t.co/Y0V5183UaH

https://t.co/b80eJUy3Pj

Apesar da sessão ter ocorrido há quatro dias, a informação foi divulgada de forma oficial exclusivamente pelo clube neste sábado (29) em suas redes sociais. Leia abaixo.

A Abert divulgou uma nota ainda este sábado disse que “a decisão da 7ª. Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná afronta diretamente a legislação brasileira e a boa-fé objetiva que sempre norteou a relação entre clubes e emissoras de rádio”. Além disso , a entidade informa que vai recorrer aos Tribunais Superiores, “na confiança do pleno e imediato restabelecimento da ordem jurídica e da correta interpretação da lei”. Leia a íntegra clicando no link abaixo.

https://www.abert.org.br/web/notmenu/nota-de-esclarecimento.html

Até a publicação deste texto, as associações de cronistas esportivos sejam regionais ou nacionais não divulgaram seu respetivos posicionamentos sobre este tema delicado para a categoria dos jornalistas.

Em seu blog no UOL, o jornalista e advogado Andrei Kampff ouviu advogados especialistas em direito esportivo que citam a recém-aprovada Lei Geral do Esporte, que manteve o que a antiga Lei Pelé já regulava, apenas a regulação comercial de imagens e não de sons. (leia aqui).

O clube diz em um trecho de sua nota que o “futebol encareceu”. É verdade, e isso aconteceu por incompetência dos cartolas. Alguns deles, contrataram dois, três técnicos numa mesma temporada e ficaram pagando salários. Isso sem falar em altos salários para jogadores que em muitos casos chegam como apostas, mas que no fim das contas produzem muito pouco. São incontáveis os casos assim.

Resta saber se esse possível dinheiro das rádios será bem utilizado ou se esse processo de encarecimento do futebol será radicalizado (e com esse encarecimento, a elitização).

A posição do Radioamantes em casos como esse não muda. Reproduzimos aqui trechos de um texto de 2019, quando esse tema da cobrança voltou a ser assunto:

A opinião a respeito desse tema é apenas a repetição de várias outras que já foram explanadas aqui e em outros espaços. No que diz respeito ao rádio, não deverá ser cobrado um valor que seja compatível com a realidade atual do mercado. Vale destacar a iniciativa do Athletico-PR (que na época ainda se chamava Atlético) em 2008 (veja mais aqui).

Além do mais, corre-se o risco de existir novamente um monopólio dos direitos, como já se observa na televisão. Um grande grupo poderá adquirir esses direitos de forma exclusiva e exercer a possibilidade de sublicenciamento apenas com veículos parceiros. Emissoras de rádio de pequeno e médio porte, além de grupos independentes (vamos colocar assim) correm o risco de ficar de fora.

Havendo esse monopólio ou falta de condições financeiras para o pagamento, emissoras com muitos anos ativas na cobertura esportiva deverão abrir mão dessa tradição. Resultado: (muito mais) profissionais desempregados. Quem fala em “farra do rádio” deveria pensar nessa possibilidade.

Leia na íntegra clicando no link abaixo:

A sessão do TJ-PR que definiu essa vitória ao Athletico-PR foi transmitida pelo YouTube. Acompanhe abaixo.

ATUALIZAÇÃO (30/07 – 12h00) – A ACEB (Associação dos Cronistas Esportivos do Brasil) divulgou nota a respeito da vitória conquistada pelo Athletico-PR na Justiça do Paraná. Clique abaixo para ler.

Escola de samba Águia de Ouro faz homenagem ao rádio no Carnaval 2024

Por Marcos Lauro

Com sede na Pompeia, bairro da Zona Oeste da capital paulista, a escola de samba Águia de Ouro escolheu o enredo para o próximo Carnaval, em 2024: a agremiação homenageia o rádio no desfile que está marcado para o dia 10 de fevereiro, sábado de Carnaval. A Águia de Ouro será a quinta escola a entrar no sambódromo do Anhembi, logo após a Gaviões da Fiel, no Grupo Especial.

Na última segunda-feira (17/7), a escola apresentou a sinopse do enredo. Esse é o material serve para que os compositores possam fazer os sambas-enredo sobre o tema proposto. O melhor, escolhido internamente, vai para a avenida.

Na sinopse, que você pode ler abaixo, tem um panorama sobre o histórico do rádio no Brasil, desde a sua primeira transmissão oficial e a sua invenção pelo padre Landell de Moura. O texto segue brincando com os formatos de programas de rádio e com a agilidade do veículo. Eli Correia é o único comunicador citado nominalmente e que será homenageado pela escola.

Veja a sinopse e, abaixo, um vídeo das redes de Eli Correia sobre a Águia de Ouro:

SINOPSE

 “O rádio é o jornal de quem não sabe ler; é o mestre de quem não pode ir à escola; é o divertimento gratuito do pobre.”
(Edgard Roquette Pinto)

 Oi gente!

 Alô ouvintes! Salve Comunidade aguerrida da Pompeia!

 Está no ar o Programa “Nas Ondas do Rádio”, da sua Estação Águia de Ouro, em perfeita sintonia pra tocar seu coração!

 Esse Carnaval traz um Especial pra viajar no túnel do tempo, e mais do que contar a história, avivar a memória e reviver momentos antológicos do rádio através do nosso festejo popular mais genuíno.

 A necessidade de se comunicar, o impulso da criação, o ímpeto de realizar. A origem, o desenvolvimento e o aprimoramento do rádio são fruto da obstinação do Homem para expandir a sua capacidade de comunicação.

 A cerimônia de comemoração do centenário da independência do Brasil, ocorrida em 07 de setembro de 1922, no Rio de Janeiro, foi a primeira transmissão radiofônica oficial do país. Autofalantes ecoavam o discurso presidencial de Epitácio Pessoa e a ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, direto do palco do Teatro Municipal. Episódio marcante, a solenidade foi uma demonstração pública efetiva do grande feito que era a comunicação através de transmissores e receptores, evidenciando o papel precursor e de “divisor de águas” dignamente atribuído ao rádio.

 A missão de derrubar as barreiras da distância através do som desafiou pesquisadores e inventores visionários. Dentre eles, Padre Landell de Moura, homem santo e cientista dito bruxo, que driblou o dilema entre a Fé e a Ciência, e heroicamente realizou a primeira transmissão da palavra falada e sem fios no Brasil.

 De lá pra cá, a fala solitária alcança uma multidão. Tantas vezes o rádio é a única companhia… O acesso à informação se torna sagrado quando a palavra que não pode ser lida é ouvida, e a mensagem decodificada. Um alento para uma legião de analfabetos invisíveis, sensíveis à luz da inclusão.

 Oxigênio e fôlego para os combatentes abatidos pela dor da guerra e seus familiares; a disseminação da informação divulgada nos noticiários e reportagens a promover elucidação; o alvoroço e o rebuliço provocado pelas arrebatadoras radionovelas; o grito de gol incontido, extravasado no êxtase da torcida em vibrante comemoração; a consagração dos tempos áureos legitimada na chamada “Era de Ouro”.

 A potência das vozes promove encantamento, explosão de talentos, anônimos alcançam o estrelato, surgimento de divas, musas, ídolos. As vozes que enfeitiçam com o dom de cantar revelam o desabrochar de uma dinastia de reis e rainhas. Em meio à múltiplas utilidades e funções, o estouro da Rádio Nacional e o tesouro sublime que é a representatividade de uma personalidade como Carmem Miranda despontando no cenário cultural.

 Programas de humor trazem leveza ao dia através do riso que anestesia, o radinho de pilha se torna um clássico da preferência popular, A Voz do Brasil anuncia posicionamentos e considerações dos poderes políticos institucionais importantes de se notificar. Já a Hora do Angelus, é um bálsamo para as atribulações. Devotos em oração elevam seus pensamentos pedindo por bênçãos e proteção e clamando à Nossa Senhora: “Ave Maria! Rogai por nós!”.

 Companheiro inseparável das donas de casa, é distração em meio aos afazeres domésticos e conselheiro dos corações apaixonados e dos amantes errantes, que confidenciam seus romances, dramas, aventuras e declarações em açucaradas cartas de amor.

 Locutores e comunicadores profissionais seguem sendo elementos fundamentais para que o rádio se fortaleça cada vez mais enquanto um instrumento de extrema relevância para o jornalismo, a música, as artes, o entretenimento, o acesso à cidadania. Homenagem merecida é enaltecer o trabalho do ilustre radialista Eli Corrêa, o Sorriso do Rádio, incluindo nessa viagem a coroação de sua carreira, seu carisma e do Clube da Amizade.

 “Vamos sorrir! Vamos cantar!”. A internet e a rede wi-fi podem ser o início de uma nova era… Com a evolução surpreendente da tecnologia, quem arrisca um palpite sobre o futuro que virá?

 Na Avenida onde os sonhos ganham vida, há de ser comovente ouvir o coro da nossa gente bradando que o rádio é veículo imprescindível e terminantemente veio pra ficar!

Águia de Ouro – enredo 2024 – sinopse

No vídeo abaixo, Eli Correia, vereador em São Paulo pelo partido União Brasil, mostra a flâmula da Águia de Ouro em seu gabinete:

APCA divulga os vencedores da categoria rádio do ano de 2022

O júri de Rádio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes definiu nesta segunda-feira, dia 06 de fevereiro , os programas e os radialistas premiados da categoria, em 2022.

A Assembleia foi realizada na sede do Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo.

Conheça os vencedores de 2022

Grande Prêmio da Crítica:

Silvio Di Nardo (in memorian)

Além de grande radialista, foi o crítico que mais participou do júri de rádio da APCA.

Valorização do rádio:

USP: 100 anos de Rádio – Cido Tavares

Série em 40 boletins, com apresentação e produção sonora de Cido Tavares e produção de Heloísa Granito. Diariamente, os episódios contaram a história do rádio desde os primórdios até os podcasts.

Melhor programa:

Quem ama, não esquece – Band FM

O programa é um dos que mais contribuiu para a liderança da emissora nos últimos anos. O formato de radioteatro para contar as “Histórias de Amor” enviadas por ouvintes é uma aposta que faz com que o rádio tenha sua linguagem e capacidade de transmitir emoção realçados, com muita imaginação. O sucesso do quadro fez com que passasse a ser distribuído, também, em agregadores de podcasts.

Apresentação:

Paulo Galvão – Madrugada CBN

Uma madrugada “viva e ao vivo”, como diria Astrid Fontenelle. É isso o que Paulo Galvão proporciona a quem sintoniza a Rádio CBN entre meia-noite e seis da manhã. O estilo de atualizar o noticiário, como se fosse uma conversa, torna o programa atraente para o horário. Entrevistas sobre fatos relevantes do dia são outro ponto marcante.

Produção:

Silvania Alves – O Pulo do Gato, Rádio Bandeirantes

Alma de um dos mais longevos e tradicionais programas jornalísticos do rádio, Silvania Alves está na produção há décadas. Com a morte do titular José Paulo de Andrade, a produtora e coapresentadora é o elo entre a tradição e a renovação da Rádio Bandeirantes.

Podcast:

Mano a Mano, com Mano Brown – Spotify

O programa de entrevistas chegou à terceira temporada. Pauta e produção cuidadosas e entrevistas com nomes importantes de diversas áreas, além da apresentação diferenciada de Mano Brown, fazem do Mano a Mano um destaque no segmento.

Produção e apresentação musical:

Fabiane Pereira. Nova Brasil e site Papo de Música

Uma das responsáveis pela renovação da Nova Brasil, a produtora e apresentadora comanda diversas atrações na emissora. O diferencial está na valorização à linguagem radiofônica e na maneira competente e informal de comandar entrevistas, tanto com nomes consagrados como com os da nova cena da MPB.

Votaram: Fausto Neto , Marcelo Abud e Fabio Siqueira