Morre Armindo Antônio Ranzolin

Por Rodney Brocanelli

Morreu nesta quarta (17) um dos maiores narradores esportivos brasileiros. Armindo Antônio Ranzolin. Ele estava internado em um hospital da cidade de Porto Alegre havia alguns dias enfrentando complicações do Mal de Alzheimer, doença com a qual conviveu, infelzimente nos últimos anos. Tinha 84 anos.

O velório deverá acontecer nesta quinta (18), a partir das 08h. E as 15h está programada a cerimônia de despedida, no Crematório Metropolitando.

Nascido em Caixas do Sul, mudou-se para Lages (SC) quando tinha um ano de vida. Formado em direito, começou sua carreira no rádio em 1956 na Rádio Difusora, de Lages. Foi para Porto Alegre no ano seguinte a fim de completar seus estudos. Em 1959, trabalhou brevemente na Rádio Guaíba. Não ficou na emissora devido a problemas internos. Em seguida, conseguiu uma vaga na Rádio Difusora (hoje Bandeirantes) e nela começou a narrar jogos de futebol.

Foi nessa emissora em que ele narrou seu primeiro Grenal, em 1961. Porém, ele teve que esperar um pouco. Poucos dias antes da partida ser disputada, explodiu toda a confusão causada pela renúncia de Jânio Quadros e as incertezas em torno de sua sucessão. Como se sabe, não havia boa vontade para com o vice, João Goulart, que estava na China e deveria assumir logo o cargo. O então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resolve confiscar a Rádio Guaíba por algum tempo e inicia a histórica Rede da Legalidade, que ganhou a adesão de diversas emissoras espalhadas pelo país.

Somente depois de toda essa questão política resolvida (40 ou 50 dias depois, conforme seu depoimento), é que Ranzolin pode irradiar o clássico. Entre 1961 e 1995 ele transmitiu 140 Grenais.

Em 1964, após deixar a Difusora de forma tumultuada, foi para a Rádio Farroupilha (então pertencente aos Diários Associados. Já em 1969, ele volta para a Rádio Guaíba trabalhando como narrador, ao lado de Pedro Carneiro Pereira. Em 1973, com a morte de Pereira em um episódio bastante conhecido e triste do rádio gaúcho, passa a ser titular na emissora. Aliás, foi na velha Guaíba que a carreira de Ranzolin começou a deslanchar.

No entanto, em 1984, ele faz seu último grande movimento profissional na carreira, sendo contratado pela Rádio Gaúcha e nela viveu duas fases. Uma como locutor de futebol, até 1995. A partir do momento em que parrou de narrar, permaneceu como apresentador do Gaúcha Atualidade e participando de diversas coberturas jornalísticas.

Tanto na Guaíba como na Gaúcha, Ranzolin exerceu cargos de comando, em paralelo a sua atividade como comunicador.

Ele decidiu se aposentar em 2006. Tinha como objetivos curtir um pouco mais a vida e trabalhar em suas memórias. Entretanto, os planos foram deixados de lado quando a doença se manifestou.

Em janeiro de 2022, Cristina Ranzolin, filha de Armindo Antônio e apresentadora do Jornal do Almoço, da RBS TV, decidiu tornar público os problemas de saúde do pai em um artigo escrito especialmente para o Zero Hora. “Infelizmente meu pai tem Alzheimer, essa doença danada que no início provoca esquecimentos, aos poucos vai roubando a memória e depois vai trazendo outras complicações e limitando cada vez mais os pacientes”.

Numa brevíssima entrevista à Rádio Guaíba, em abril de 2020, Cristina já havia antecipado que a situação de seu pai inspirava cuidados, mas sem citar diretamente a doença: “Meu pai está bastante limitado, infelizmente. Ele está adoentado há muito tempo. Agora ele está mais acamado. Ele está bastante debilitado. Tá indo, sabe? Ele é muito forte. Segue aqui com a gente, mas ele está, infelizmente,  numa situação difícil”, afirmou. A apresentadora fez uma breve participação na rádio de um grupo concorrente por ocasião da reprise de dois jogos do arquivo da Guaíba com a narração de Armindo Antônio Ranzolin. 

No último domingo, dia dos pais, Cristina postou uma foto em seu perfil no Instagram. Nela, está segurando a mão de Armindo, sendo possível ver uma pulseira de hospital e um fundo com lençóis brancos, dando a entender que ele estava internado. O começo do texto diz: “não, não era esse o Dia dos Pais que eu queria pra nós…”

Como voz das principais conquistas de Grêmio (o Brasileirão de 1981, a Libertadores e o Mundial de 1983 e ainda a Libertadores de 1995) e de Internacional (os Brasileirões de 1975,1976 e 1979), obviamente que houve uma curiosidade em se saber para qual dos dois times o narrador torcia. Até onde este blog sabe, nunca houve uma manifestação oficial por parte dele a esse respeito. Em uma palestra feita na Ulbra, ele declarou torcida para dois times do eixo Rio-SP: Vasco e Palmeiras (seus dois times de botão). Sua justificativa: como ele viveu sua infância em Santa Catarina, ouvia as rádios das duas cidades. Ranzolin só foi mesmo conhecer a rivalidade Grenal quando se mudou para Porto Alegre. Ouça abaixo.

Ouça abaixo a narração para o Gol de Baltazar, que garantiu ao Grêmio o título de campeão brasileiro de 1981.

Ouça o gol de Falcão, pelo Internacional na partida contra o Palmeiras, em 1979. O ex-jogador e técnico hoje é casado com Cristina Ranzolin.

E para finalizar, um gol da seleção brasileira: Júnior faz o gol da vitória sobre a Alemanha pelo placar de 1 a 0, em 1982.

Sérgio Boaz reclama da duração dos debates futebolísticos no rádio de Porto Alegre

Por Rodney Brocanelli

Em entrevista ao podcast Bebendo e Falando, do conglomerado O Barrista, Sérgio Boaz disse que um dos motivos pelo qual deixou o rádio foi um cansaço relacionado à longa duração dos programas de debates fuebolístico no veículo. “Eu acho os programas de rádio longos demais. Programa de debate de duas horas não existe para mim”, disse.

Para o Boaz o espaço é muito grande para discutir as coisas dos principais clubes de Porto Alegre: Grêmio e Internacional. “Para mim, não dá para fazer uma resenha de dois times com duas horas”, afirmou. O tempo ideal, segundo ele, seria de uma hora, no máximo duas horas e meia.

Esse cansaço fez com que seu desempenho profissional fosse afetado. No ano passado, Boaz começou a pensar em sua saída que foi decidida em uma temporada na praia. Após ter o apoio da esposa, ele decidiu consultar amigos próximos que deram apoio à sua ideia e colocou em prática seu plano.

O processo de saída da Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, foi bem tranquilo. Nesse ponto Boaz é todo elogios para Ribeiro Neto, coordenador do departamento esportivo. “Um cara sensacional eu até fiquei mais tempo lá por causa do Ribeiro”, falou.

Outro aspecto valorizado por Boaz foi a despedida: “Me trataram muito bem. Fizeram uma homenagem muito bacana pra mim”.

Sérgio Boaz vai se dedicar a projetos no mundo da Internet. Um deles é seu próprio canal no YouTube. Além disso ele vai participar de outro na mesma plataforma, ao lado de Farid Germano Filho, a fim de transmitir os jogos do Grêmio (saiba mais aqui).

Veja mais no vídeo abaixo.

Rádio MEC lança versões de produções televisivas de música clássica

Conhecida de norte a sul do país como “A Rádio de Música Clássica do Brasil”, a Rádio MEC apresenta a nova temporada do programa Partituras e promove a estreia do Harmonia em versão radiofônica neste sábado (13), às 19h e às 20h, respectivamente. A emissora pública traz da telinha da TV Brasil e da Rede Minas para as ondas do rádio apresentações com o melhor da música erudita.

A novidade amplia o alcance de concertos importantes realizados no país e no exterior com nova janela de veiculação. Os espetáculos ganham mais espaço na principal emissora de rádio do país voltada ao segmento que abre faixas de programação semanais aos sábados em benefício do ouvinte.

O planejamento ainda busca conquistar outros públicos e permitir que mais pessoas tenham a chance de acompanhar produções de qualidade. A iniciativa também promove o conteúdo musical para despertar o interesse de novas audiências e engajar os potenciais espectadores que já prestigiam a rádio.

Parceria com a Rede Minas

A adaptação do conteúdo veiculado na televisão para o rádio oferece ao ouvinte a oportunidade para ouvir apresentações exibidas em programas de música clássica já consolidados junto à audiência televisiva. A versão radiofônica dos programas busca ampliar o alcance das produções que já são reconhecidas pelo público que as acompanha na telinha e descobre nova forma de fruir suas escolhas musicais preferidas.

Em sua nona temporada, o Partituras tem espaço na programação da Rádio MEC desde a sua estreia na TV Brasil em 2014. A Rádio MEC e a TV Brasil são veículos de comunicação pública que pertencem a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Já a transmissão do Harmonia na Rádio MEC é resultado de uma parceria com a Rede Minas, emissora de televisão mineira integrante da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), gerida pela EBC. A empresa prioriza o trabalho de expansão para pelo país ao valorizar aspectos regionais e incentivar a difusão de produções de qualidade para aumentar o alcance dessas atrações em território nacional.

Espetáculos que abrem a temporada

As estreias das temporadas dos programas Partituras e Harmonia na Rádio MEC têm atrações especiais. Os destaques são conteúdos inéditos nas ondas do rádio. A primeira transmissão acompanha o concerto “Encontros Musicais em Noailles”. Logo depois, o público aprecia a performance da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de Minas Gerais.

Concerto do Partituras

O Partituras começa a leva de edições na Rádio MEC com a apresentação do espetáculo sobre o histórico Hotel Noailles, na França, que integra a série Baroque in Rio produzida pelo Instituto Musica Brasilis. O especial exalta o encontro da música barroca com a arquitetura. Para isso proporciona a execução de repertório com obras de célebres compositores em edificações incríveis.

O concerto “Encontros Musicais em Noailles” traz seleção musical de personalidades francesas na interpretação dos músicos Olivier Baumont (cravo), Julien Chauvin (violino), Aurélien Delage (cravo) e Atsushi Sakai (viola da gamba). A gravação foi realizada no próprio estabelecimento no país europeu.

Os próximos episódios da Partituras reúnem produções em homenagem a compositores consagrados que são referência na música erudita. O programa da TV Brasil ainda mescla concertos em grandes palcos com musicais para pequenas formações ou mesmo executados por solistas. A temporada também conta com performances de novos talentos da arte nacional e músicos brasileiros de orquestras renomadas.

Apresentação do Harmonia

Atração dedicado à divulgação e à democratização da música de concerto da Rede Minas, o programa Harmonia marca a sua estreia na programação da Rádio MEC com um trecho do concerto da Orquestra Sinfônica da Polícia Militar de Minas Gerais em homenagem aos 247 da corporação.

No repertório, destaque para obras reconhecidas pelo público como a abertura da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes; “Pelléas et Mélisande, op. 80” e “Prélude et Sicilienne”, de Gabriel Faurê; “Marcha Festiva”, de Antonín Dvorák; “Valsa Vozes da Primavera op. 410”, de Johann Strauss; “No Ti Scordar di Me”, de Ernesto de Curtis; e o clássico “Bolero”, de Maurice Ravel, para encerrar o espetáculo.

Sobre a Rádio MEC

Reconhecida pelos amantes da música, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música erudita. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.

Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

A emissora pode se sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. Há pouco mais de um mês, desde o início de julho, o público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz.

Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.

Serviço
Estreia das temporadas dos programas Partituras e Harmonia na Rádio MEC
Partituras – sábado, dia 13/8, às 19h
Harmonia – sábado, dia 13/8, às 20h

Rádio MEC na internet e nas redes sociais

Site: https://radiomec.ebc.com.br
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WhatsApp: (21) 99710-0537

Como sintonizar a Rádio MEC

Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz
Belo Horizonte: FM 87,1 MHz
Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz
Parabólica – Star One C2 – 3748,00 MHz – Serviço 3
Celular – App Rádios EBC para Android iOS

Equipamentos da Rádio MEC nos estúdios da Empresa Brasil de Comunicação – EBC, no Rio de Janeiro.

Na TV, Canal Livre celebra os 100 anos do rádio no Brasil

Canal Livre desta semana celebra os 100 anos da história do rádio no Brasil. O programa recebe a pesquisadora Magaly Prado, autora do livro “A história do rádio no Brasil”, e o radialista, jornalista e apresentador Milton Neves. Durante a atração, os convidados enumeram os momentos mais marcantes e relembram personagens emblemáticos.

A apresentação é de Rodolfo Schneider. Participa da bancada o jornalista Sérgio Gabriel.

Canal Livre vai ao ar neste domingo (14), às 23h30, na tela da Band.

Rádio Bandeirantes estreia “RB no Catar” neste sábado

Faltando 100 dias para o início da Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, a Rádio Bandeirantes lança no próximo sábado (13) o RB no Catar. Produzido e apresentado pelos integrantes da equipe de Esportes, o programa terá exibição semanal. O conteúdo será veiculado aos sábados na programação da emissora durante o Mundo dos Esportes, que começa às 13h.

A atração contará com ancoragem de Ricardo Capriotti, informações da seleção brasileira com Alexandre Praetzel, detalhes dos adversários do Brasil na primeira fase do mundial com João Paulo Cappellanes, o olhar apurado de Lucas Herrero sobre as campeãs do mundo e Isabelly Morais monitorando os demais times participantes.

Completando o grupo de reportagem, Gustavo Soler irá apontar os futuros craques e coadjuvantes para o mundo ficar de olho na Copa; Paulo do Valle vai colher a expectativa de grandes personalidades em relação à nossa Seleção; enquanto Felipe Mello monitora os últimos ajustes da preparação do país-sede e curiosidades do Catar.

O comentarista Claudio Zaidan irá além da análise técnica e tática das seleções, acrescentando aspectos sociais, políticos e culturais dos 32 times envolvidos na disputa.

RB no Catar também estará disponível em outras plataformas: em podcast, nos principais aplicativos de streaming, no canal do YouTube da rádio e nas mídias digitais do Grupo Bandeirantes.

A Copa do Mundo do Catar começa no dia 21 de novembro e terá a narração de Ulisses CostaRogério Assis e Pedro Martelli.

Para acompanhar a Rádio Bandeirantes basta sintonizar em 90.9 FM | 840 AM, acessar o YouTube oficial da emissora ou o aplicativo BandPlay

Kalwyn Corrêa e Lucas Dias são as novidades da Bandeirantes/RS

Por Rodney Brocanelli

A Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, apresentou nesta semana novidades em sua equipe esportiva. Uma delas é a contratação de Kalwyn Corrêa. O profissional já tem participado do Atualidades Esportivas – 2ª edição ao lado de Ribeiro Neto e João Batista Filho. Até a semana passada, Kalwyn estava Rádio Grenal, emissora na qual trabalhou nos últimos dez anos.

A outra novidade é o acerto com outro ex-integrante da Grenal. O repórter Lucas Dias, que está atuando como setorista do Internacional.

Alê Oliveira é contratado pela Rádio Itatiaia

Por Rodney Brocanelli

A Rádio Itatiaia segue firme na contratação de reforços para seu time. Agora foi a vez de Alê Oliveira, amado por uns e odiado por outros. A apresentação oficial aconteceu na última segunda (08), dentro do programa Turma do Bate Bola (veja abaixo).

Segundo o site oficial da emissora, sua participação deverá acontecer “diariamente da programação no radinho e das lives, com opiniões antes e depois dos confrontos de América, Atlético e Cruzeiro”.

A estreia oficial acontece nesta terça (09), no pré-jogo da partida Londrina x Cruzeiro, válida pelo campeonato brasileiro da série B. Outra participação programada ocorrerá nesta quarta (10) na transmissão para o YouTube da partida Real Madrid x Eintracht Frankfurt, válida pela decisão da Supercopa da Uefa.

Nome forjado na tevê por assinatura, com passagens pela ESPN e Esporte Interativo (atual TNT Esportes), Alê Oliveira integrou a equipe do Estádio 97, grande sucesso da Energia 97 FM. Ele é formado em Educação Física e já foi jogador de futsal e atuou como técnico da modalidade.

ABERT confia que Senado manterá gratuidade das coberturas radiofônicas esportivas no Brasil

Por Rodney Brocanelli

A ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV) diz ter confiança que o Senado Federal deverá assegurar a manutenção da gratuidade das coberturas esportivas radiofônicas no Brasil. No começo do mês de julho, a Câmara dos Deputados aprovou a Lei Geral do Esporte, que apresenta artigos que poderão fazer com que as emissoras de rádio paguem pelos direitos de transmissão de torneios tradicionais, em especial os de futebol (saiba detalhes aqui).

Em nota encaminhada ao Radioamantes, a entidade diz que a não-cobrança de direitos é, “uma medida fundamental para a sociedade brasileira, bem como para as mais de cinco mil rádios comerciais em atividade no país que, justamente neste ano, comemoram os 100 anos das suas primeiras transmissões”.

A Lei Geral do Esporte foi aprovada pelos deputados com alterações em seu texto original. Com isso, o projeto deverá voltar ao Senado para novas discussões, ainda sem data definida. A esperança é de que os trechos que possam representar dano ao rádio possam ser suprimidos.

Leia abaixo a nota da ABERT:

“A transmissão de jogos de futebol por meio do rádio não apenas faz parte da cultura brasileira desde os primórdios do século passado, como também assegura a liberdade de expressão e o direito de acesso à informação aos mais de 210 milhões de cidadãos brasileiros, de uma ponta à outra do país, sem qualquer distinção de raça, credo ou classe social.

As razões que asseguram a gratuidade desta transmissão à população brasileira são, portanto, de natureza histórica, social e jurídico-constitucional.

Temos confiança que o Senado Federal, ao apreciar o tema, assegurará a manutenção da gratuidade das coberturas esportivas radiofônicas no país.

Trata-se de uma medida fundamental para a sociedade brasileira, bem como para as mais de cinco mil rádios comerciais em atividade no país que, justamente neste ano, comemoram os 100 anos das suas primeiras transmissões.”

Jô Soares apresentou programa sobre jazz na Eldorado FM

Por Rodney Brocanelli (colaborou Edu Cesar, do Papo de Bola)

Humorista e escritor, Jô Soares morreu na madrugada desta sexta (05). A causa da morte não foi divulgada até o momento da publicação deste post, mas sabe-se que ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o último dia 28 de junho. Velório e enterro serão restritos aos familiares e amigos, conforme informação de Flavia Pedras, sua ex-esposa.

Conhecido (e reconhecido) como entrevistador, Jô teve uma longa passagem pelo rádio. Em 1988, ele estreou o programa Jô Soares Jam Session, na Rádio Eldorado AM, quando a emissora ainda operava em 700Khz. Segundo reportagem de O Estado de S. Paulo em 9 de outubro daquele ano, foi “a primeira incursão radiofônica de Jô”.

Veiculado sempre a partir das 17h, a proposta da atração era combinar o bom humor de seu apresentador com clássicos e raridades do jazz. Porém, a ideia da emissora na época era outra: “um programa de entrevista e comentários de humor”, como escreveu o Estadão. Algo que Jô estava começando a fazer em televisão com seu talk show. A sugestão em fazer um programa sobre jazz foi aceita e a atração durou até 1996.

Em abril de 1993, o programa teve uma mudança de horário, passando a ser apresentado às 21h. Na época, o então diretor de programação da Eldorado, Marino Maradei, justificou essa decisão ao Estadão: “o final de tarde era um horário de pico para qualquer emissora, e que o jazz, por ser um gênero específico, restringia demais a nossa audiência. E quem gosta de Jô e de jazz vai continuar sintonizado no programa, independente do horário”.

Porém, quase um ano depois, em março de 1994, o Jô Soares Jam Session voltou ao seu horário original, no final de tarde. Um anúncio explicava que o ajuste aconteceu devido a pedidos de ouvintes.

Além da Eldorado, a atração foi transmitida também pela JB FM, no Rio de Janeiro. Era produzida por José Nogueira.

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Entre 2000 e 2015, o Programa do Jô, da TV Globo, foi transmitido de forma simultânea pela CBN.

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Rafael Austregésilo Soares, filho de Jô Soares, teve uma ligação muito intensa com o rádio. Por muitos anos, ele manteve uma emissora particular funcionando em seu quarto, com direito a vinhetas produzidas por Derico (músico do Sexteto do Jô) e dicas do radialista Roberto Canázio. Rafael morreu em 2014, aos 50 anos. Veja abaixo a homenagem feita pelo pai

https://globoplay.globo.com/v/3740735/

Ouça abaixo um trecho da estreia de Jô Soares Jam Session.

Sala de Redação estreia novo formato na Rádio Gaúcha

A partir da próxima segunda-feira (8), o Sala de Redação passa a jogar junto com os ouvintes em um formato repaginado. Companhia diária dos gaúchos desde 1971 e um dos mais prestigiados programas de esporte do país, a atração ganhará mais 30 minutos, no ar das 13h às 15h. Apostando na conversa com os ouvintes, os apresentadores terão mais tempo para os debates intensos, que são a marca do programa.

O Sala também contará com reforços no time: dois repórteres irão trazer informações sobre a dupla Gre-Nal, além de atualizar os ouvintes sobre o placar das partidas, os jogos do dia e a classificação dos times brasileiros nas competições. Além dessas novidades, a live do programa, transmitida no YouTube de GZH, ganha mais interatividade e design reformulado.

Com média de 82,8 mil ouvintes por minuto na Grande Porto Alegre, o Sala de Redação é o maior espaço de debate esportivo do rádio gaúcho e sempre em evolução. Em alguns dias da semana, a audiência ultrapassa 90 mil pessoas por minuto. O sucesso da atração é reflexo das vozes que comandam o programa, passando pela apresentação de Pedro Ernesto Dernardin, e um time formado por Adroaldo Guerra Filho, Maurício Saraiva, Diogo Olivier, Leonardo Oliveira, Luciano Potter e Alex Bagé.

— O Sala terá mais debate, mais informação, mais contexto e mais atrações. Com a mudança, atendemos a uma demanda da nossa audiência, que acompanha o Sala em diferentes plataformas, e dos nossos parceiros comerciais — diz Carlos Etchichury, gerente-executivo de Esporte da Gaúcha, Zero Hora, GZH e Diário Gaúcho.

Para acompanhar o Sala de Redação, os ouvintes podem sintonizar no FM 93.7 (Porto Alegre), 105.7 (Santa Maria), 102.1 (sul do Estado) e 102.7 (Serra), de segunda a sexta. Também é possível ouvir por meio do site ou app de GZH, disponível para os sistemas IOS e Android.

Sérgio Boaz revela time e se junta a Farid Germano Filho em projeto no YouTube

Por Rodney Brocanelli

Após se despedir com toda a pompa e circunstâncias merecidas, Sérgio Boaz já definiu seu futuro profissional, que passa a partir de agora pela Internet. O experiente profissional vai se juntar a Farid Germano Filho, uma sumidade deste mundo internético, para um projeto dedicado à cobertura do Grêmio. Intitulado de Arena Tricolor (clique aqui), o canal no YouTube deverá investir em transmissões de partidas, entrevistas e análises. A estreia acontecerá em 21 de agosto, com a transmissão de Grêmio x Cruzeiro.

Com isso, Sérgio Boaz acabou por revelar seu time de coração, algo que ele manteve em segredo por 37 anos, quando começou a trabalhar profissionalmente em rádios de Porto Alegre. Boaz disse que esteve presente nas principais conquistas gremistas dos anos 1980: o título brasileiro de 1981, em uma vitória sobre o São Paulo em pelo Morumbi e nos dois jogos da Libertadores de 1983 contra o Peñarol (o primeiro deles em Montevidéu).

O Arena Tricolor não significa uma ruptura nos projetos de Farid e Boaz na Internet. Ambos estarão com seus canais próprios no YouTube.

Veja abaixo o momento em que Boaz finalmente revela seu time de coração

Um dado curioso: os últimos gols narrados por Sérgio Boaz narrados no rádio não foram de seu time. No dia 24 de julho, ele comandou pela Rádio Bandeirantes, de Porto Alegre, a transmissão da partida Palmeiras 2 x 1 Internacional, válida pelo campeonato brasileiro. Dois dias depois (26), Boaz foi escalado pela mesma emisora para irradiar as emoções de Chapecoense x Grêmio, partida da série B do Brasileirão. No entanto, o confronto entre as duas equipes não teve a abertura de placar. Com isso, o último gol de locutor pelo rádio (pelo menos até agora; nunca se sabe o que o futuro reserva, até mesmo uma reviravolta) foi o de Gabriel Menino, que garantiu a vitória do Verdão. Ouça abaixo.

Torcedor do Athletico-PR tem nova opção para acompanhar jogos de seu time

Por Rodney Brocanelli

O torcedor do Athletico-PR terá a partir desta quinta (04) uma nova opção para acompanhar os jogos do Furacão. O narrador Gabriel Carriconde deverá transmitir alguns jogos do clube em suas redes sociais (clique aqui) em parceria com um série de outros veículos: POP FM Curitiba, Digital FM e TN News. A estreia não poderia acontecer em melhor oportunidade. O time paranaense recebe o tradicional Estudiantes (ARG) na Arena da Baixada. O pontapé inicial acontece as 21h30. Veja abaixo o teaser de estreia.

Rádio Nacional resgata radionovela “Poronga, Terçado e Coragem”

Rádio Nacional transmite a histórica obra de dramaturgia “Poronga, Terçado e Coragem” a partir de agosto. A trama entra no ar de segunda a sexta, às 18h, na nova faixa de programação da emissora pública dedicada às radionovelas que estreou nesta segunda. dia 1º.

Os ouvintes podem acompanhar a produção em formato de podcast nas plataformas digitais. O clássico fica disponível no Spotify, no YouTube e no site da Rádio Nacional. Com roteiro original de Amaral Gurgel e cerca de 20 minutos por capítulo, a nova atração da grade apresenta uma instigante história. Em 100 episódios, o clássico destaca os desafios de quem desbrava o norte do território brasileiro.

A radiodramaturgia integra o raro e exclusivo conteúdo preservado no acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que faz a gestão da emissora. A mídia original foi digitalizada pelos profissionais do corpo técnico da empresa a partir da recuperação das fitas de áudio em rolo desta radionovela.

A iniciativa ainda reconhece a importância do veículo no ano em que se comemora o centenário da primeira transmissão de rádio no país. Para celebrar a data histórica e reverenciar a era de ouro do rádio, a Nacional leva ao ar toda o fascínio das radionovelas conservadas em seu precioso acervo.

Valorização de conteúdos históricos

EBC está investindo na restauração de materiais históricos próprios. O presidente da EBC, Glen Valente, conta que após o sucesso da radionovela A Vidente e o Vigarista, a EBC está mais uma vez inovando, e, agora, amplia os espaços para a divulgação de conteúdos como esse ao disponibilizar os capítulos de Poronga, Terçado e Coragem, nas plataformas digitais e de streaming da Empresa. “A proposta é veicular e disponibilizar à sociedade produções consagradas que são recuperadas pela Empresa. Assim, busca-se promover conteúdos únicos da comunicação pública brasileira e resgatar a memória afetiva do ouvinte”, completa Valente.

Em dezembro, a Rádio Nacional reformulou a programação e lançou uma faixa voltada às radionovelas com a reestreia do clássico “A Vidente e o Vigarista” (1980), em horário nobre, às 21h. A obra foi assinada pelo mesmo autor da nova atração escolhida para reforçar a grade da emissora em 2022. Ouça aqui.

Dramaturgo, ator e locutor, Francisco Ignácio do Amaral Gurgel é um dos autores de novela mais notáveis do Brasil. Considerado o precursor da radionovela, o escritor Amaral Gurgel, alcunha pela qual era conhecido, redigiu centenas de textos para o rádio e a televisão, além de diversas peças para o teatro.

Importância da obra

A narrativa de “Poronga, Terçado e Coragem”, elaborada pelo experiente novelista para a Nacional, revela a saga dos seringueiros. A produção fez sucesso ao trazer para a cena personagens relevantes no processo de desenvolvimento da Região Norte do país.

O enredo combina elementos essenciais para uma trama que cativa o público ao mesclar aventura, suspense, conflitos pessoais, romance e traição. A obra desperta as emoções dos ouvintes com protagonistas carismáticos e dilemas que fomentam a radiodramaturgia e a transformação em um produto cultural atraente.

Datada de 1979, a novela fez muito sucesso à época. A emissora recebia inúmeras cartas da audiência com pedidos e interesse em saber curiosidades sobre a produção radiofônica. A repercussão foi tamanha que a atração foi veiculada pela Rádio Nacional no Rio de Janeiro e na Amazônia.

A inserção do programa na grade de programação atual representa uma oportunidade de oferecer ao cidadão brasileiro conteúdos que tratem de histórias que se passam fora do eixo Rio-São Paulo. O objetivo é retratar nas ondas da Nacional outros valores e culturas que tornam a nação tão rica e diversificada.

Trama com encanto e suspense

A radionovela aborda a trajetória de desafios vivenciada por heróis que enfrentam obstáculos e perigos para percorrer o território da Região Norte do Brasil. A dramaturgia acompanha a odisseia daqueles homens que vão buscar o leite das árvores, o látex, para fazer a borracha.

Repleta de mistério, a trama se inicia na propriedade do humilde seringueiro Chico que resgata o protagonista Luiz, jovem encontrado no meio da floresta, desacordado. O rapaz esconde sua verdadeira identidade para fugir de sua vida na grande cidade.

Durante a história, ele tenta reconstruir sua existência entre gente humilde, cercado por uma cultura e um modo de viver completamente diferente daquele com o qual estava habituado. Nesse contexto, Luiz conhece Isabel, uma moça bonita e ingênua que logo se apaixona pelo forasteiro.

#VemOuvir

Entretenimento, esporte, bate-papo e notícia são alguns dos conteúdos que estão no ar pela da Rádio Nacional. As faixas musicais da programação trazem gêneros nacionais e prestigiam astros que fazem sucesso na nova MPB e no pop contemporâneo do país, além dos clássicos da música brasileira.

A estratégia de fortalecer a presença digital da emissora é outra iniciativa para incrementar o relacionamento com seus públicos e alcançar novos ouvintes. Para isso, a Nacional está no Instagram e intensifica as transmissões no YouTube.

A rádio também marca presença no Spotify com o perfil “Rádio Nacional”. Os fãs podem ouvir novas playlists com os conteúdos dos programas da emissora. A participação do público é assegurada através das redes sociais e pelo WhatsApp. Os locutores buscam essa integração durante a programação da Nacional.

Transmissões em rede na banda estendida

A consolidação da rede da Rádio Nacional é uma das realizações que marcam os últimos anos. Além da tradicional frequência FM 96,1 MHz em Brasília, a emissora ganhou, em 2021, presença em outras quatro capitais brasileiras, na chamada banda estendida.

A Nacional está em FM 87,1 MHz, no Rio de Janeiro, que se mantém ainda no AM, e na mesma sintonia em São Paulo e Recife. A rádio também marca presença no dial FM 93,7 MHz em São Luís. Os conteúdos entram no ar em rede e a EBC pretende ampliar o alcance com a expansão para outras capitais.

Serviço

Radionovela “Poronga, Terçado e Coragem”, na Rádio Nacional

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Livro destaca Difusora Jet Music e deixa de lado antiga Rádio Tupi, de São Paulo

Por Rodney Brocanelli

A ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) está distribuindo em formato digital a quem possa interessar uma versão atualizado do livro TV Tupi, do Tamanho do Brasil. Escrita por Elmo Francofort e Maurício Viel, a obra foi lançada originalmente em 2020, por ocasião dos 70 anos da televisão brasileira, cujo marco é inauguração da TV Tupi, de São Paulo.

O livro tem o mérito de ser profundamente didático, abordando aspectos técnicos e históricos do rádio e da televisão, estabelecendo uma série de eventos que vão desembocar na primeira transmissão televisiva no dia 18 de setembro de 1950.

A divisão de temas por capítulos facilita a leitura. Entretanto, um problema salta aos olhos. Ainda falando sobre rádio, é dedicado um capítulo exclusivo para a Rádio Difusora, de São Paulo (960Khz). É bem verdade que sua programação foi importante para a história do rádio, estabelecendo nos anos 1970 uma linguagem jovem que se perpetuou nos anos seguintes e vigora até os dias de hoje.

A trajetória da Rádio Tupi (1040Khz), com isso, não teve o mesmo destaque. Os autores escrevem que ela: “(…) tinha uma programação mais tradicional, voltada para os homens, se aprofundando nas coberturas esportivas com a famosa Equipe 1040, na loteria esportiva, no jornalismo e na música sertaneja”.

Não valeria a pena ter esmiuçado mais todo esse trabalho feito na cobertura do futebol, que garantiu uma boa base de ouvintes para a Tupi? Além do mais, a emissora alterou seu perfil, investindo em comunicadores, alguns deles com ótimo trânsito entre o público feminino como Eli Corrêa. Outros nomes célebres desse período podem ser destacados como Hélio Ribeiro e Barros de Alencar.

O livro tem o cuidado de procurar informar a situação do acervo de fitas tanto da TV Tupi, de São Paulo, como da TV Tupi, do Rio. Em determinados momentos da história, as duas praças produziram bastante conteúdo e brigaram entre si para ser a cabeça de rede. No entanto, não se sabe se o acervo de fitas da Rádio Tupi, de São Paulo, ainda existe e, se existe, qual foi o destino dado a ele.

Se não houve esse preocupação de contar um a história da Rádio Tupi, de São Paulo, o mesmo se aplica a hoje Super Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que hoje é um canhão de audiência. Em vários trechos, a obra informa que a concessão da emissora carioca esteve sempre em dia mesmo durante a crise, mas não são informados detalhes de como isso foi possível.

A Rádio Tupi, de São Paulo, só é mais citada em seu instantes finais. O livro aborda a permuta de frequência com a Rádio Capital, que transmitia em 560Khz. Mesmo sendo “a primeira em seu rádio”, as dificuldades persistiram e em 15 de setembro de 1984 sua falência foi decretada. Em 2 de outubro de 1984, guardem esta data, a Tupi paulistana saia definitivamente do ar.

Ainda houve uma tentativa da massa falida em recuperar a concessão, mas ela foi repassada para a Rádio e Televisão Campestre Ltda., de Santa Isabel. Em 1985, a emissora foi vendida para José Maria Marin, político e cartola de futebol, se transformando depois na Rádio Paulista, que até hoje arrenda todo seu espaço de programação.

Paulo Masci de Abreu, importante nome da comunicação (ainda que discreto) também é citado nessa obra. Os autores contam que em 1982, Abreu obtém autorização para transferir o sistema irradiante então Rádio Cacique 1150Khz, de São Caetano, para a capital. É informado também que o empresário passou a usar o nome Tupi em sua emissora até perder uma ação dos Diários Associados, que mantém a marca em sua emissora no Rio de Janeiro.

Conforme o site da ABERT, “o e-book, atualizado e unificado, pode ser acessado gratuitamente no site Memória ABERT. Já a inédita versão impressa, pode ser encomendada pela plataforma “Clube de Autores”. Os autores abdicaram dos direitos autorais e os custos referem-se apenas à impressão e envio”.

“O Brasil não gosta de nós”, diz KL Jay, do Racionais MC’s, em entrevista exclusiva ao podcast Pretoteca

Com 38 anos de carreira, o artista Kleber Geraldo Lelis Simões, 52, passou mais da metade da vida como integrante da maior banda de rap/hiphop do Brasil, o Racionais MC’s. Conhecido como KL Jay, um dos fundadores do grupo diz que, mesmo diante de mais de três décadas de história, ainda sofre resistência no país.

“Nós estamos em território inimigo, certo? Somos tolerados, vigiados e perseguidos. As três coisas ao mesmo tempo. A missão do Racionais não foi cumprida ainda. Tem muita coisa para falar e para fazer. O Brasil não gosta de nós. Nós insistimos em nós”, disse o músico em entrevista exclusiva ao podcast Pretoteca, da rádio BandNews FM.

Em turnê com a banda nos Estados Unidos, ele afirmou que as músicas do Racionais continuam dialogando com os problemas sociais do país. “O Brasil tem a mentalidade colonial ainda. Então, o Racionais é a trilha do momento”.

Na conversa, KL Jay também falou sobre as próximas eleições para a presidência da República. “Para mim, a grande política sendo preto é sobreviver. Sobreviver ao território inimigo, ao sistema, isso é política. Saber se relacionar com o mundo é política. Saber quem você é no Brasil. Não tem relação com partido político. Essa é minha visão”.

Para o DJ, o Brasil vai melhorar se investir em tecnologia e educação. A aposta, segundo o artista, fará o “o bolo ser dividido melhor”. Ele diz ainda que os jovens brasileiros também precisam estudar para sair de situações de vulnerabilidade. “Ao invés de ficar no Instagram e no Facebook, vai no Google questionar, vai estudar… A escola não vai ensinar o que é a realidade. O jovem preto é alvo, está em território inimigo”, ressaltou. 

Turnê celebra carreira

Mano Brown, Edi Rock, KL Jay e Ice Blue comemoram, desde o início do mês, os 33 anos de carreira em uma turnê internacional.

O repertório faz um retrospecto da carreira do Racionais MC’s trazendo singles como “Tempos Difíceis” e “Pânico na Zona Sul”, passando por “Voz Ativa”, “Homem na Estrada”, “Capítulo 4 Versículo 3”, “Negro Drama”, além de outras composições mais recentes.

Pretoteca, apresentado pelas jornalistas Cynthia Martins e Milena Teixeira, vai ao ar toda sexta-feira e pode ser ouvido nos principais tocadores de podcast, como Spotify e Deezer, e nos canais digitais da BandNews FM.